Shabbat 137a abre concluindo a discussão iniciada em 136b sobre por que o androginus não é avaliado nos votos de arachin: a guemará estabelece a regra de que uma baraita anônima do Sifra segue a opinião de Rabi Yehuda, e traz o apoio de Rav Nachman bar Yitzchak, de uma mishná sobre a aspersão das águas da purificação (feitas com as cinzas da vaca ruiva), em que Rabi Yehuda também trata o androginus como mulher, não como homem — confirmando que sua opinião de que "o androginus é macho" vale apenas quanto à milá. A guemará então explica por que a milá é diferente: o verso "circuncidar-se-á, entre vós, todo macho" (Bereshit 17:10) contém um termo expansivo — "todo" — que inclui especificamente o androginus. Com isso, encerra-se o assunto do androginus, e a guemará passa a uma nova Mishná, ainda dentro do mesmo Perek Yud-Tet: alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar no Shabat e outro fora dele, e por engano circuncidou, no Shabat, o bebê errado — Rabi Eliezer o considera responsável por uma oferenda pelo pecado, e Rabi Yehoshua o isenta, mas apenas num dos dois casos possíveis (conforme qual bebê tinha "seu tempo" naquele dia). A guemará explora as duas versões possíveis dessa Mishná — a de Rav Huna e a de Rav Yehuda — cada uma apoiada por uma baraita diferente (de Rabi Shimon ben Elazar, para a versão de Rav Huna; de Rabi Meir, para a de Rav Yehuda), e depois enfrenta uma contradição na própria tradição de Rabi Meir, transmitida por Rabi Chiya, resolvida pela escola de Rabi Yanai e refinada por Rav Ashi e Rav Kahana: a distinção decisiva é se o pai estava "atarefado com um mandamento" no momento do erro. Segue-se uma segunda Mishná, sobre os dias em que o menor é circuncidado — normalmente ao oitavo dia, mas ao nono, décimo, décimo primeiro ou décimo segundo, conforme o nascimento tenha ocorrido no crepúsculo ou próximo a dias festivos —, com a regra de Shmuel de que uma criança que se recupera de febre recebe sete dias completos de espera antes da circuncisão, e uma dúvida não resolvida sobre se esses sete dias exigem contagem precisa de hora em hora. O daf termina com a abertura de uma terceira Mishná, sobre as pontas de pele residuais que invalidam a circuncisão se não removidas. O Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah) encerra-se em Shabbat 137b:10, ainda não publicado, onde se espera o hadran de encerramento do perek.
(Concluindo a prova trazida ao final de 136b:) e uma baraita anônima do Sifra (a midrash halachica de Vayikrá, também chamado Torat Cohanim) é de autoria de Rabi Yehuda.
E esta (a baraita que exclui o tumtum e o androginus dos votos de arachin) é uma baraita anônima do Sifra — pois é ensinada no Torat Cohanim, e uma baraita anônima do Sifra segue a opinião de Rabi Yehuda.
A guemará fecha o raciocínio iniciado em 136b: a baraita do Sifra que excluiu o tumtum e o androginus dos votos de arachin não tem autor identificado no texto, mas, segundo uma regra transmissional aceita (o Sifra foi compilado essencialmente segundo o método de Rabi Yehuda, discípulo de Rabi Akiva), todo ensinamento anônimo do Sifra reflete a opinião de Rabi Yehuda. Isso encaixa perfeitamente: é exatamente a opinião de Rabi Yehuda, discutida na Mishná deste perek, que trata o androginus como macho apenas quanto à milá — e não quanto aos votos de avaliação, como a baraita do Sifra agora confirma.
Disse Rav Nachman bar Yitzchak: também nós aprendemos isso (numa mishná noutro lugar): todos são aptos para realizar a aspersão (das águas de purificação, feitas com as cinzas da vaca ruiva, sobre quem se impurificou por contato com um morto), exceto o surdo-mudo, o insano e o menor. Rabi Yehuda declara apto o menor, e inapto a mulher e o androginus. Conclui-se disso (que Rabi Yehuda trata o androginus como mulher, não plenamente como homem).
"Para realizar a aspersão" — refere-se às águas da purificação, para colocar as cinzas sobre a água.
"Declara apto o menor, e inapto a mulher" — a razão disso é explicada na ordem de Yoma, no terceiro capítulo.
"E o androginus" — conclui-se disso que Rabi Yehuda o trata como mulher.
Rav Nachman bar Yitzchak traz uma segunda prova independente para o mesmo ponto: numa mishná sobre quem é apto a realizar o rito da aspersão das águas de purificação (misturadas com as cinzas da vaca ruiva, para purificar quem se contaminou por contato com um cadáver), Rabi Yehuda explicitamente equipara o androginus à mulher — ambos inaptos —, e não ao homem. Isso confirma que, fora do contexto específico da milá, Rabi Yehuda não trata o androginus como macho.
E por que a milá é diferente (por que, quanto a ela, Rabi Yehuda trata o androginus como macho)? Por causa do que está escrito: "circuncidar-se-á, entre vós, todo macho" (Bereshit 17:10) — a palavra "kol" (todo) é um termo expansivo.
"Todo macho" — a palavra "kol", "todo", é um termo expansivo (que inclui o androginus especificamente para a mitzvá da milá).
A guemará fecha o assunto do androginus explicando a exceção: embora Rabi Yehuda não trate o androginus como macho para os votos de arachin nem para a aptidão de realizar a aspersão das águas de purificação, ele o inclui especificamente na obrigação da milá, pois o versículo emprega a palavra expansiva "kol" ("todo macho"), que amplia o alcance do mandamento para abranger também o androginus. Com isso, encerra-se o tema iniciado em 135a, e a guemará passa a uma nova Mishná.
Alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar depois do Shabat e um para circuncidar no Shabat, e esqueceu e circuncidou o que era para depois do Shabat, no Shabat — é responsável (por uma oferenda pelo pecado, pois circuncidou sem necessidade e violou o Shabat).
Um para circuncidar na véspera de Shabat e um para circuncidar no Shabat, e esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — Rabi Eliezer o considera responsável por uma oferenda pelo pecado, e Rabi Yehoshua o isenta.
"E esqueceu e circuncidou o que era para depois do Shabat, no Shabat — é responsável" — pois ele errou por causa de um mandamento, mas não realizou mandamento algum naquele momento, já que aquele bebê ainda não tinha chegado seu oitavo dia, e fez-lhe um ferimento desnecessariamente; e nisso até Rabi Yehoshua concorda que há responsabilidade.
"Um para circuncidar no Shabat e um para a véspera de Shabat, e esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — Rabi Eliezer o considera responsável por oferenda pelo pecado" — pois a circuncisão fora de seu tempo devido não afasta o Shabat; e, ainda que ele tenha errado por causa de um mandamento — pois estava atarefado com o bebê do Shabat, e por isso errou quanto a este outro —, mesmo assim ele realizou um mandamento ao circuncidar, pois aquele bebê era apto para a circuncisão, só que ela não afasta o Shabat: entende Rabi Eliezer que quem erra por causa de um mandamento, mas realiza um ato que acarretaria responsabilidade por oferenda pelo pecado se feito intencionalmente, é responsável. E Rabi Yehoshua o isenta, pois entende que quem erra por causa de um mandamento e realiza um mandamento fica isento.
Nova Mishná, ainda dentro do Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah): trata de alguém com dois bebês em datas de circuncisão diferentes, que por engano circuncida, no Shabat, o bebê errado. A primeira cláusula — circuncidar por engano, no Shabat, um bebê cujo dia certo é depois do Shabat — é unanimemente considerada como acarretando responsabilidade, pois nenhum mandamento estava sendo cumprido. A segunda cláusula — circuncidar por engano, no Shabat, um bebê cujo dia certo já passara, na véspera de Shabat — é objeto de disputa entre Rabi Eliezer (responsável) e Rabi Yehoshua (isento), pois aqui, ao menos, um mandamento de fato estava sendo realizado (a circuncisão em si, ainda que fora do momento que afastaria o Shabat).
GUEMARÁ. Rav Huna ensina a primeira cláusula da Mishná com a palavra "responsável"; Rav Yehuda ensina a mesma cláusula com a palavra "isento".
"Rav Huna ensina" — na Mishná, na cláusula inicial, "responsável", segundo todos, como a ensinamos nós na versão impressa.
"E Rav Yehuda ensina, na cláusula inicial, 'isento'" — pois ele a estabelece a respeito de quem esqueceu e circuncidou o bebê da véspera de Shabat, no Shabat (tornando essa a cláusula unânime, isenta); e a controvérsia é a respeito do bebê de depois do Shabat, circuncidado no Shabat.
A guemará revela que a Mishná era transmitida em duas versões diferentes quanto a qual cláusula é a unânime e qual é a disputada. Na versão de Rav Huna (a que abre nossa Mishná impressa), a cláusula unânime é a do bebê "de depois do Shabat" (responsabilidade certa), e a disputada é a da "véspera de Shabat". Na versão de Rav Yehuda, é o inverso: a cláusula unânime (isenção certa) é a da "véspera de Shabat", e a disputada é a "de depois do Shabat".
Rav Huna ensina "responsável" — pois foi ensinado numa baraita: disse Rabi Shimon ben Elazar: Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua não discordam a respeito de alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar no Shabat e um para depois do Shabat, e esqueceu e circuncidou o de depois do Shabat, no Shabat — que ele é responsável. Sobre o que discordam? Sobre alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar na véspera de Shabat e um para o Shabat, e esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — que Rabi Eliezer o considera responsável por oferenda pelo pecado, e Rabi Yehoshua o isenta. E ambos só derivaram isso da idolatria. Rabi Eliezer entende: este caso é como a idolatria — assim como, quanto à idolatria, o Misericordioso disse "não farás", e, se ele fez por engano, é responsável, também aqui não há diferença entre agir por erro ou intencionalmente. E Rabi Yehoshua distingue: ali (na idolatria), não há mandamento algum envolvido; aqui, há mandamento envolvido — o que atenua a responsabilidade.
"Só... da idolatria" — pois todas as ofertas pelo pecado da Torá foram equiparadas à oferenda pelo pecado da idolatria, pois está escrito "uma só lei haverá para vós..." (Bamidbar 15:29), na porção de Shelach Lecha Anashim, a respeito da oferenda da idolatria.
"E Rabi Yehoshua distingue: ali" — quem serve à idolatria não realiza mandamento algum.
A baraita de Rabi Shimon ben Elazar confirma a versão de Rav Huna: a cláusula unânime é a do bebê "de depois do Shabat" (responsável, pois nenhum mandamento é realizado), e a disputada é a da "véspera de Shabat". A baraita explica a fonte da disputa: ambos os tannaim derivam o princípio de "errou por causa de um mandamento" a partir das leis da idolatria, onde a Torá não distingue entre agir por erro ou intencionalmente — mas divergem se essa equiparação vale mesmo quando, no caso da milá, o agente de fato realizava um mandamento (a circuncisão do outro bebê) enquanto errava.
Rav Yehuda ensina "isento" — pois foi ensinado numa baraita: disse Rabi Meir: Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua não discordam a respeito de alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar na véspera de Shabat e um para o Shabat, e esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — que ele é isento.
Esta é a versão correta do texto: "Rav Yehuda ensina 'isento' — pois foi ensinado: disse Rabi Meir: Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua não discordam a respeito de alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar na véspera de Shabat..." etc.
A baraita de Rabi Meir confirma a versão de Rav Yehuda: a cláusula unânime é a da "véspera de Shabat" (isento, pois nenhum mandamento é realizado — a circuncisão desse bebê já deveria ter ocorrido antes). A guemará prossegue com o restante dessa baraita para identificar a cláusula disputada correspondente.
Sobre o que discordam? Sobre alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar depois do Shabat e um para o Shabat, e esqueceu e circuncidou o de depois do Shabat, no Shabat — que Rabi Eliezer o considera responsável por oferenda pelo pecado, e Rabi Yehoshua o isenta. E ambos só derivaram isso da idolatria. Rabi Eliezer entende: este caso é como a idolatria — assim como, quanto à idolatria, o Misericordioso disse "não farás", e, se ele fez, é responsável, também aqui não há diferença. E Rabi Yehoshua distingue: ali, ele não estava atarefado com um mandamento; aqui, ele estava atarefado com um mandamento — e por isso errou.
Esta é a versão correta: "e Rabi Yehoshua distingue: ali, ele não estava atarefado com um mandamento; aqui, ele estava atarefado com um mandamento" — atarefado em ocupar-se de um mandamento pleno, pois um dos dois bebês tinha seu tempo naquele mesmo dia, e seu coração estava atarefado em apressar-se e realizá-lo; e, por causa desse seu atarefamento, ele errou e circuncidou aquele outro bebê, que não envolvia mandamento algum.
Na versão de Rabi Meir, a disputa se dá sobre o bebê "de depois do Shabat" — o inverso da versão de Rabi Shimon ben Elazar. E a razão da disputa também é formulada de modo diferente: aqui, Rabi Yehoshua isenta porque o pai estava "atarefado com um mandamento" (a circuncisão do outro bebê, cujo tempo era exatamente aquele dia), o que explica seu erro; enquanto no caso da idolatria não há tal atarefamento mitigante.
Ensinou Rabi Chiya: Rabi Meir costumava dizer: Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua não discordam a respeito de alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar na véspera de Shabat e um para o Shabat, e esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — que ele é responsável. Sobre o que discordam? Sobre alguém que tinha dois bebês, um para circuncidar depois do Shabat e um para o Shabat, e esqueceu e circuncidou o de depois do Shabat, no Shabat — que Rabi Eliezer o considera responsável por oferenda pelo pecado, e Rabi Yehoshua o isenta. A guemará estranha: ora, se Rabi Yehoshua, na cláusula final deste ensinamento — em que ele não realizava mandamento algum — o isenta, na cláusula inicial — em que ele realizava um mandamento — seria de esperar que ele o considerasse responsável?!
"E esqueceu e circuncidou o da véspera de Shabat, no Shabat — que ele é responsável" — mais adiante a guemará resolve isso.
Surpreendentemente, o ensinamento de Rabi Chiya, também em nome de Rabi Meir, inverte a atribuição vista na baraita anterior (beat 1213-1214): agora, a cláusula "unânime — responsável" é a da véspera de Shabat, e a cláusula disputada é a de depois do Shabat, com Rabi Yehoshua isentando exatamente onde, segundo a lógica já estabelecida (não estar atarefado com mandamento algum deveria gerar responsabilidade, não isenção), seria de esperar que ele responsabilizasse. A guemará levanta essa dificuldade textual antes de resolvê-la.
Disseram na escola de Rabi Yanai: a cláusula inicial trata de um caso em que ele já havia adiantado e circuncidado o bebê do Shabat na véspera de Shabat — de modo que o Shabat não havia sido dado para ser afastado por essa circuncisão, pois já fora realizada antes. Na cláusula final, o Shabat foi dado para ser afastado pela circuncisão do outro bebê, ainda pendente.
"O Shabat não havia sido dado para ser afastado" — pois ele não tinha mais nenhum bebê cujo tempo fosse aquele mesmo dia; portanto, ele não estava atarefado, naquele dia, com mandamento algum, pois nada lhe cabia fazer, e não deveria ter errado.
A escola de Rabi Yanai resolve a contradição reinterpretando o cenário: na cláusula inicial do ensinamento de Rabi Chiya, o pai já havia circuncidado o bebê do Shabat antecipadamente, na véspera — de modo que, naquele Shabat, ele não tinha mandamento algum pendente que o mantivesse "atarefado". Por isso, ao circuncidar por engano o bebê da véspera, ele é responsável (não havia ocupação legítima que explicasse o erro). Na cláusula final, porém, ele ainda tinha um bebê do Shabat por circuncidar naquele dia — estava, portanto, atarefado — e por isso Rabi Yehoshua o isenta ao errar e circuncidar o de depois do Shabat.
Disse-lhe Rav Ashi a Rav Kahana: mas também na cláusula inicial, o Shabat foi dado para ser afastado, em relação aos bebês do mundo em geral (outros bebês que, naquele mesmo dia, poderiam precisar de circuncisão)! Respondeu Rav Kahana: a este homem, em particular, o Shabat não foi dado para ser afastado, pois ele mesmo não tinha bebê algum cujo tempo fosse aquele dia.
Rav Ashi refina ainda mais a distinção da escola de Rabi Yanai: em termos absolutos, o Shabat sempre "foi dado para ser afastado" pela mitzvá da milá, em relação a bebês em geral que pudessem nascer naquele dia — então por que dizer que, na cláusula inicial, "o Shabat não foi dado para ser afastado"? Rav Kahana esclarece que a formulação deve ser entendida em relação a este pai específico: como ele já havia circuncidado seu próprio bebê do Shabat antecipadamente, para ele, pessoalmente, não havia mais mandamento pendente naquele dia — por isso seu erro não é desculpável, e ele é responsável.
O menor é circuncidado ao oitavo dia, ao nono, ao décimo, ao décimo primeiro e ao décimo segundo — não menos, nem mais.
Como assim? Do modo habitual — ao oitavo dia. Se nasceu no crepúsculo — é circuncidado ao nono. No crepúsculo da véspera de Shabat — é circuncidado ao décimo.
Se há um dia festivo depois do Shabat — é circuncidado ao décimo primeiro. Se nasceu antes de dois dias de Rosh Hashaná — é circuncidado ao décimo segundo.
O menor que está doente — não se o circuncida até que se cure.
"Se nasceu no crepúsculo — é circuncidado ao nono" — pois, ao oitavo dia de amanhã ele seria circuncidado se o nascimento fosse contado do dia seguinte; mas talvez o crepúsculo já seja considerado dia do nascimento, e, nesse caso, ele seria circuncidado ao nono se contado do dia anterior — por isso se espera pelo dia mais tardio, por dúvida.
"E, se aquele crepúsculo era da véspera de Shabat" — não é possível circuncidá-lo no Shabat seguinte, pois talvez aquele dia seja o nono, e a circuncisão seria fora de seu tempo devido, não afastando o Shabat; e é preciso esperar até depois do Shabat, que será o décimo.
"Se há um dia festivo depois do Shabat" — a circuncisão fora de seu tempo devido não o afasta, e ele é circuncidado ao décimo primeiro.
Segunda nova Mishná do daf, ainda dentro do Perek Yud-Tet: estabelece os dias possíveis para a circuncisão, normalmente ao oitavo dia, mas adiada para o nono, décimo, décimo primeiro ou décimo segundo quando o momento exato do nascimento é incerto (por ter ocorrido no crepúsculo, período de dúvida entre dois dias) e essa incerteza coincide com a proximidade de um Shabat ou dia festivo que não pode ser afastado por uma circuncisão de data incerta. A Mishná fecha com a regra de que a criança doente aguarda sua recuperação antes de ser circuncidada — regra que a guemará detalha a seguir.
GUEMARÁ. Disse Shmuel: se a febre o abandonou (após uma doença) — dá-se-lhe todos os sete dias seguintes para que se recupere (antes de circuncidá-lo).
"Se a febre o abandonou" — a doença foi retirada dele e saiu de seu corpo.
A guemará detalha a regra da Mishná sobre a criança doente: Shmuel ensina que, uma vez que a febre a abandonou, concede-se-lhe um período completo de sete dias para recuperar as forças, antes de submetê-la à circuncisão — paralelamente aos sete dias de espera desde o nascimento.
Foi indagado: precisamos contar esses sete dias de hora em hora (a partir do momento exato em que a febre o abandonou), ou bastam dias completos? Venha e ouça, pois ensinou Luda: o dia de sua recuperação é como o dia de seu nascimento. Não é isso uma prova de que, assim como quanto ao dia de seu nascimento não precisamos contar de hora em hora, também quanto ao dia de sua recuperação não precisamos contar de hora em hora? Rejeita-se a prova: não necessariamente — o dia de sua recuperação é mais rigoroso do que o dia de seu nascimento: pois, quanto ao dia de seu nascimento, não precisamos contar de hora em hora; mas quanto ao dia de sua recuperação, precisamos contar de hora em hora.
"Pois ensinou Luda" — nome de um sábio.
"O dia de sua recuperação é como o dia de seu nascimento" — espera-se por ele como se espera pelo dia de seu nascimento.
"Não é isso uma prova" — a baraita fala precisamente do dia de seu nascimento, ensinando que não precisamos contar de hora em hora?
"Não" necessariamente — "é como o dia de seu nascimento" foi ensinado apenas para dar-lhe os sete dias de espera; mas talvez o dia de sua recuperação seja mais rigoroso, exigindo contagem de hora em hora — e disso não se pode aprender coisa alguma sobre a questão.
A guemará levanta uma dúvida prática sobre a regra de Shmuel: os sete dias de recuperação devem ser contados precisamente, de hora em hora a partir do momento em que a febre cessou, ou bastam sete dias completos, contados de forma mais simples? Uma tentativa de prova, a partir do ensinamento de que "o dia da recuperação é como o dia do nascimento" (e o dia do nascimento não exige contagem precisa de hora em hora), é rejeitada: a comparação pode servir apenas para estabelecer que também se aguardam sete dias após a recuperação, sem necessariamente igualar o rigor da contagem. A dúvida permanece sem resolução explícita neste daf.
Estas são as pontas de pele que, se não removidas, invalidam a circuncisão: a carne que cobre a maior parte da coroa (da glande) — e enquanto isso, o menor, se for filho de cohen, não come da teruma.
E, se ele era corpulento — conserta-se a circuncisão, aparando-se o excesso de carne, por causa da aparência.
MISHNÁ: "pontas de pele" — tiras de carne que restaram do prepúcio.
"Coroa" — é a borda elevada que circunda o membro ao redor, e a partir dela a pele desce inclinando-se até sua ponta.
"E não come da teruma" — se ele for filho de cohen, pois aprendemos em Yevamot (70a) que o incircunciso é proibido de comer teruma.
"E, se ele era corpulento" — se era gordo, e a carne acima de seu local do prepúcio parecia, depois de removido todo o prepúcio, como se essa carne voltasse a cobrir o membro.
"Conserta-se" — apara-se com o bisturi essa espessura.
"Por causa da aparência" — para que ele não pareça incircunciso.
Terceira nova Mishná do daf, ainda dentro do Perek Yud-Tet: define o que caracteriza uma circuncisão incompleta — pele residual que cobre a maior parte da coroa da glande invalida o ato, deixando o menor (se filho de cohen) proibido de comer teruma até que se corrija a falha. A Mishná acrescenta o caso de um menor corpulento, cuja gordura pode fazer parecer, após a circuncisão, que a carne voltou a cobrir o membro — nesse caso, apara-se o excesso por uma questão de aparência, ainda que tecnicamente a circuncisão já estivesse válida.