Shabbat 127b abre respondendo à objeção com que terminou 127a: a lista de seis coisas de Rabi Yochanan e a lista de seis coisas da mishná de Peá não se contradizem, pois estas também se relacionam a estas — receber hóspedes e visitar doentes são atos de bondade; concentração na oração também se inclui em atos de bondade; levantar cedo para a casa de estudo e criar os filhos para o estudo da Torá são, no fundo, estudo da Torá; e julgar o próximo para o lado do mérito se inclui em trazer paz. Uma baraita ensina, a propósito da última cláusula: quem julga o próximo para o lado do mérito é julgado pelo Céu para o lado do mérito — e traz três casos. No primeiro, um homem que desceu da Galileia Superior e se contratou por três anos junto a um dono de casa no sul pede seu pagamento na véspera de Yom Kipur, e o dono de casa alega não ter dinheiro, nem produtos, nem terra, nem animal, nem roupas de cama, de modo que o trabalhador vai embora aflito; após a festa, o dono de casa traz o pagamento com três jumentos carregados de comida, bebida e frutas, e, depois de comerem e beberem, paga-lhe, explicando cada suspeita que o trabalhador poderia ter tido a cada recusa, e revelando que havia feito votos sobre todos os seus bens por causa de seu filho Hurcanos, que não se ocupava da Torá, e que os sábios do sul o liberaram desses votos; o trabalhador responde que, assim como foi julgado para o lado do mérito, que o Onipresente também julgue o dono de casa para o lado do mérito. No segundo caso, um chassid resgatou uma jovem cativa, filha de Israel, e a deitou aos seus próprios pés na hospedaria; no dia seguinte, desceu e imergiu antes de repetir o ensino a seus discípulos, explicando as suspeitas que eles poderiam ter tido — quanto a deitá-la a seus pés, e quanto a imergir-se. No terceiro caso, precisando-se de algo junto a uma matrona cujo palácio frequentavam todos os grandes de Roma, Rabi Yehoshua se ofereceu para ir; ao chegar à porta, tirou os tefilin a quatro cúbitos de distância, entrou, e trancou a porta diante dos discípulos; ao sair, desceu e imergiu antes de ensinar-lhes, explicando cada suspeita — sobre tirar os tefilin, sobre trancar a porta, e sobre imergir-se, revelando que temia que saliva tivesse respingado de sua boca sobre suas vestes. A guemará então retoma a mishná sobre o que se remove por causa dos hóspedes e examina, frase a frase, cada cláusula: teruma pura, ainda que na mão de um israelita, pois serve a um cohen; demai, pois quem o possui pode tornar-se pobre e ele próprio vir a consumi-lo, trazendo-se a disputa entre Bet Shamai, que proíbe alimentar pobres e hóspedes com demai, e Bet Hilel, que permite; maasser rishon do qual já se tirou sua teruma, no caso em que foi antecipado ainda nas espigas, com a baraita de Rabi Abahu em nome de Reish Lakish sobre a isenção da teruma gedolá nesse caso, a pergunta de Rav Papa a Abaie sobre estender essa isenção também ao grão já amontoado na eira, e a resposta de que o grão amontoado já se tornou dagan, enquanto o grão ainda nas espigas não; maasser sheni do qual se deu o capital mas não o quinto adicional; e o tormus seco, mas não o úmido, por ser amargo demais para que o animal o coma. O daf termina em pleno fluxo, sem qualquer hadran — o Perek Yud-Chet (Mefanin) continua em andamento —, prosseguindo diretamente em Shabbat 128a (ainda não publicado), que abre com a cláusula da mesma mishná sobre o tevel.
(Resposta à objeção com que terminou Shabbat 127a:) Estas também (as seis de Rabi Yochanan) se relacionam a atos de bondade. Outra versão desta resposta: estas (as seis de Rabi Yochanan) se relacionam a estas (as três da mishná de Peá).
O texto impresso traz, entre parênteses, duas versões conflatadas da mesma resposta. Segundo Rashi, a versão correta (sua girsá) é a segunda: "estas se relacionam a estas" — ou seja, as seis coisas de Rabi Yochanan não são uma lista independente e exaustiva, mas se reduzem, no fundo, às três categorias da mishná de Peá: receber hóspedes e visitar doentes são, no fundo, atos de bondade (gemilut chassadim); concentração na oração também se inclui em atos de bondade, pois está escrito "quem é bondoso com sua própria alma é um homem de bondade" (Provérbios 11:17); levantar cedo para a casa de estudo e criar os filhos para o estudo da Torá são, no fundo, estudo da Torá; e julgar o próximo para o lado do mérito se inclui em trazer paz, pois, ao inclinar o julgamento para o mérito e dizer "ele não pecou contra mim — foi forçado, ou teve boa intenção", restabelece-se a paz entre as partes. Assim, a mishná de Peá também engloba, dentro de suas três categorias, as seis de Rabi Yochanan, além de incluir a honra a pai e mãe — sem que Rabi Yochanan discorde dela.
A correta versão é: "estas também se relacionam a estas" — receber hóspedes e visitar doentes são, isto é, atos de bondade; e concentração na oração também se inclui em atos de bondade, pois está escrito "quem é bondoso com sua própria alma é um homem de bondade" (Provérbios 11:17); levantar cedo para a casa de estudo e criar os filhos para o estudo da Torá são, isto é, estudo da Torá; julgar o próximo para o lado do mérito se inclui em trazer paz, pois, ao inclinar o julgamento a favor dele e dizer "não pecou contra mim, foi forçado, ou teve boa intenção", há paz entre eles. E Rabi Yochanan veio apenas explicar-te que, dentro das três categorias da nossa mishná de Peá, estão incluídas essas seis; e há também a categoria de honra a pai e mãe; e Rabi Yochanan não discorda dela.
Ensinaram os sábios: quem julga o próximo para o lado do mérito — é julgado pelo Céu para o mérito. E aconteceu com um homem que desceu da Galileia Superior e se contratou junto a um dono de casa no sul por três anos. Na véspera de Yom Kipur, disse-lhe: dá-me meu pagamento, e irei sustentar minha mulher e meus filhos. Disse-lhe: não tenho dinheiro. Disse-lhe: dá-me produtos. Disse-lhe: não tenho. Dá-me terra — não tenho. Dá-me um animal — não tenho. Dá-me almofadas e cobertores — não tenho. O trabalhador jogou seus utensílios para trás, sobre os ombros, e foi para casa aflito.
A baraita ilustra o princípio de julgar o próximo para o lado do mérito com um caso concreto: um trabalhador contratado por três anos pede seu pagamento na véspera de Yom Kipur, para poder sustentar sua família nesse dia solene, e o dono de casa nega ter qualquer forma de pagamento disponível — dinheiro, produtos, terra, animal, ou roupas de cama —, levando o trabalhador a partir triste e sem recursos, sem que a narrativa ainda revele o motivo real dessas recusas.
"Aflito" — em angústia de alma.
Depois da festa (Sucot), o dono de casa tomou o pagamento do trabalhador em sua mão, e com ele uma carga de três jumentos, um de comida, um de bebida, e um de tipos de frutas finas, e foi até a casa do trabalhador. Depois que comeram e beberam, deu-lhe seu pagamento.
Após a festa (identificada por Rashi, adiante, como referindo-se ao período dos dias de festa que se seguem a Yom Kipur), o dono de casa vai até a casa do trabalhador, trazendo consigo não apenas o pagamento devido, mas também fartas provisões de comida, bebida e frutas finas em três jumentos — e só depois de comerem e beberem juntos é que lhe entrega o pagamento.
Disse-lhe: no momento em que me disseste "dá-me meu pagamento", e eu disse "não tenho dinheiro" — de que me suspeitaste? Respondeu: pensei: talvez uma mercadoria tenha aparecido barata para ti, e a compraste com o dinheiro. E no momento em que me disseste "dá-me um animal", e eu disse "não tenho animal", de que me suspeitaste? Pensei: talvez esteja alugado na mão de outros. No momento em que me disseste "dá-me terra", e eu te disse "não tenho terra", de que me suspeitaste? Pensei: talvez esteja arrendada na mão de outros. E no momento em que te disse "não tenho produtos", de que me suspeitaste? Pensei: talvez não estejam dizimados. E no momento em que te disse "não tenho almofadas e cobertores", de que me suspeitaste? Pensei: talvez tenha consagrado todos os seus bens ao Céu.
O dono de casa revela agora, ele mesmo, o que se passou: para cada recusa, o trabalhador não o suspeitou de mentira ou avareza, mas encontrou, para cada uma, uma explicação plausível e favorável — dinheiro investido em boa mercadoria, animal alugado a terceiros, terra arrendada, produtos ainda não dizimados, ou bens consagrados ao Templo — julgando-o, em cada caso, para o lado do mérito.
"Arrendada" — que a dá a seu companheiro por tantos e tantos cor de grão por ano.
Disse-lhe: pela Avodá (pelo serviço do Templo — juramento)! Assim foi: fiz voto que proibisse todos os meus bens por causa de Hurcanos, meu filho, que não se ocupava da Torá. E, quando vim junto aos meus colegas no sul, anularam-me todos os meus votos. E tu, assim como me julgaste para o mérito, que o Onipresente te julgue para o mérito.
O dono de casa confirma, sob juramento, que a verdade correspondia exatamente às suposições favoráveis do trabalhador: ele havia feito um voto proibindo-se todos os seus bens, por castigo ao filho Hurcanos que não se dedicava ao estudo da Torá, e só depois de Yom Kipur conseguiu chegar aos sábios do sul, que anularam seus votos, liberando-lhe os bens. Encerra-se a narrativa com a bênção recíproca: assim como o trabalhador o julgou para o mérito, que o próprio Onipresente julgue o trabalhador para o mérito.
Ensinaram os sábios: aconteceu com um chassid (homem piedoso) que resgatou uma jovem, filha de Israel (que havia sido cativada), e, na hospedaria, deitou-a sob seus próprios pés. No dia seguinte, desceu e imergiu, e repetiu o ensino a seus discípulos.
Um segundo caso ilustra o mesmo princípio: um chassid resgatou uma jovem judia que havia sido levada cativa, e, para protegê-la durante a noite na hospedaria, deitou-a sob seus próprios pés — postura que, à primeira vista, poderia levantar suspeitas de impropriedade. No dia seguinte, antes de retomar o ensino com seus discípulos, ele mesmo desceu e imergiu.
Em todo lugar em que dizemos "aconteceu com um certo chassid" — trata-se de Rabi Yehudá ben Bavá, ou de Rabi Yehudá filho de Rabi Ilai. "Jovem" — moça.
E disse-lhes: no momento em que a deitei sob meus pés, de que me suspeitastes? Responderam: pensamos: talvez haja entre nós um discípulo que não seja suficientemente conhecido para confiar a ele o rabi (isto é, para que ficasse a sós com ela). No momento em que desci e imergi, de que me suspeitastes? Pensamos: talvez, por causa do cansaço do caminho, tenha acontecido uma emissão seminal ao rabi. Disse-lhes: pela Avodá! Assim foi. E vós, assim como me julgastes para o lado do mérito, que o Onipresente vos julgue para o lado do mérito.
O chassid confirma que ambas as suposições favoráveis de seus discípulos estavam corretas: ele mesmo se deitou junto aos pés da jovem, ao invés de confiá-la a algum discípulo cujo caráter não conhecesse com certeza suficiente; e a imersão na manhã seguinte se devia, de fato, a uma emissão seminal natural causada pelo cansaço da viagem — e não a qualquer impropriedade. Encerra-se, de novo, com a bênção recíproca.
"Que não é conhecido para o rabi" — que o rabi não conhece bem suas qualidades para confiar nele e deixá-la conosco.
Ensinaram os sábios: certa vez, precisou-se de algo, junto aos discípulos dos sábios, de uma certa matrona romana, junto à qual se reuniam todos os grandes de Roma. Disseram: quem irá? Disse-lhes Rabi Yehoshua: eu irei.
Um terceiro caso envolve Rabi Yehoshua, que se voluntaria para ir sozinho à casa de uma influente matrona romana — presumivelmente para obter dela alguma intervenção junto às autoridades, em benefício da comunidade judaica —, apesar do risco de suspeita que uma visita a sós a tal lugar poderia gerar.
"Matrona" — gentia.
Foi Rabi Yehoshua com seus discípulos. Assim que chegou à porta da casa dela, tirou seus tefilin a uma distância de quatro cúbitos, e entrou, e trancou a porta diante dos discípulos. Depois que saiu, desceu e imergiu, e repetiu o ensino a seus discípulos.
Rabi Yehoshua toma três medidas que, isoladamente, poderiam parecer suspeitas aos seus próprios discípulos: remove os tefilin antes de entrar, entra sozinho, e tranca a porta atrás de si — e, ao sair, imerge antes de retomar o estudo com eles, sem oferecer, de imediato, qualquer explicação.
E disse-lhes: no momento em que tirei os tefilin, de que me suspeitastes? Responderam: pensamos que o rabi considerou: não devem entrar palavras de santidade em lugar de impureza.
Interrogados sobre a primeira ação, os discípulos revelam a explicação favorável que deram: Rabi Yehoshua teria removido os tefilin, que contêm passagens sagradas da Torá, por considerar impróprio levá-los a um ambiente de impureza como a casa da matrona.
No momento em que tranquei a porta, de que me suspeitastes? Responderam: pensamos: talvez haja algum assunto de governo entre ele e ela.
Quanto a trancar a porta, os discípulos supuseram que se tratava de um assunto sigiloso de estado — dado o acesso da matrona aos grandes de Roma —, que precisaria ser tratado a portas fechadas e ocultado até de seus próprios discípulos.
"Assunto de governo" — que é preciso ocultá-lo.
No momento em que desci e imergi, de que me suspeitastes? Responderam: pensamos: talvez tenha respingado saliva da boca dela sobre as vestes do rabi. Disse-lhes: pela Avodá! Assim foi. E vós, assim como me julgastes para o mérito, que o Onipresente vos julgue para o mérito.
Quanto à imersão, os discípulos supuseram que a saliva de uma gentia — considerada, pelos sábios, fonte de impureza equivalente à de um zav — teria respingado sobre as vestes de Rabi Yehoshua durante a conversa, exigindo a imersão. Ele confirma, sob juramento, que todas as três suposições eram exatamente corretas, encerrando com a mesma bênção recíproca dos casos anteriores.
"Tzinura" — saliva; e decretaram sobre os gentios que fossem considerados como zavim para todos os efeitos.
A mishná ensina: "removem-se teruma pura" etc. Isso é óbvio! Não é necessário dizê-lo, exceto para o caso em que a teruma está depositada na mão de um israelita (não cohen). Para que não penses: uma vez que a teruma não serve a ele (pois o israelita não pode comê-la), é proibido removê-la; por isso nos ensina a mishná: uma vez que serve a um cohen, é perfeitamente permitido.
A guemará retoma a mishná citada mais acima (que enumera o que se pode remover por causa dos hóspedes ou da perda de tempo da casa de estudo) e a examina frase a frase. A primeira cláusula, sobre teruma pura, pareceria óbvia — pois, sendo comida, não há razão para não removê-la. A guemará explica que ela é necessária justamente para o caso em que a teruma se encontra na posse de um israelita comum, que não tem permissão para comê-la: poder-se-ia pensar que, por não servir a ele, ela seria muktzê e proibida de ser removida; a mishná ensina que, como ainda serve a um cohen, ela não é considerada muktzê e pode ser removida normalmente.
"E demai" etc. Demai — mas seu dono não pode comê-lo! Resposta: uma vez que, se quiser, pode renunciar à posse de seus bens e tornar-se pobre, e então serve-lhe, também agora serve-lhe. Pois aprendemos numa mishná: alimentam-se os pobres com demai, e os hóspedes (soldados aquartelados) com demai. E disse Rav Huna: ensinou um tanna: Bet Shamai dizem: não se alimentam os pobres com demai, nem os hóspedes com demai. E Bet Hilel dizem: alimentam-se os pobres com demai, e os hóspedes com demai.
Demai é o produto adquirido de um am ha'aretz (pessoa não confiável quanto aos dízimos), sobre o qual há dúvida se foi corretamente dizimado; por isso, seu proprietário não pode comê-lo em seu estado atual. A guemará resolve a dificuldade: como o dono sempre pode, a qualquer momento, renunciar à posse de todos os seus bens e tornar-se legalmente pobre — e os pobres têm permissão de comer demai, como traz a mishná citada —, o produto já serve a ele potencialmente, e por isso não é considerado muktzê. Traz-se então a disputa subjacente entre Bet Shamai, que proíbe alimentar pobres e hóspedes com demai, e Bet Hilel, que permite.
"Alimentam-se os pobres com demai" — não o proibiram sobre eles, porque os pobres precisam bater às portas de um am ha'aretz para mendigar, e apoiaram-se em que a maioria dos amei ha'aretz dizima. "Hóspedes" — tropa do rei de Israel, que ele impõe aos habitantes da cidade para sustentá-la.
"E maasser rishon (primeiro dízimo) do qual já se tirou sua teruma" etc. Isso é óbvio! Não é necessário dizê-lo, exceto para o caso em que o maasser foi antecipado ainda nas espigas, e já se tirou dele a teruma do maasser (a parte que o levita dá ao cohen), mas ainda não se tirou dele a teruma gedolá (grande, devida pelo israelita).
A cláusula sobre o maasser rishon (dízimo dado ao levita) do qual já foi separada sua teruma também pareceria óbvia; a guemará explica que ela trata do caso incomum em que o maasser foi separado precocemente, enquanto o grão ainda estava nas espigas (antes da debulha), de modo que a teruma do maasser já foi tirada, mas a teruma gedolá, que normalmente precede tudo, ainda não.
E é como disse Rabi Abahu, disse Reish Lakish: maasser rishon que foi antecipado nas espigas é isento da teruma gedolá, pois está dito: "e separareis dele uma oferta para o Eterno, o dízimo do dízimo" (Números 18:26). Apenas dízimo do dízimo (a teruma do maasser) te disse a Torá que se exige neste caso, e não teruma gedolá nem teruma do maasser calculada a partir do que seria dízimo já separado da teruma gedolá.
A fonte para a isenção é o versículo dirigido aos levitas sobre a teruma que eles próprios devem separar de seu dízimo (terumat ma'aser) para o cohen: a Torá fala apenas de "dízimo do dízimo", o que Reish Lakish lê como limitando a obrigação, no caso em que o maasser foi antecipado nas espigas, apenas a essa teruma do maasser — sem exigir que se calcule, previamente, a teruma gedolá que o israelita normalmente deveria ter separado.
"Do qual se tirou sua teruma" — a princípio, pensou-se que se tratasse da teruma do maasser, que o levita dá ao cohen, e tanto mais a teruma gedolá, que cabe ao israelita separar, e que a separou antes de dar o maasser ao levita. "Foi antecipado nas espigas" — quanto à teruma, o israelita deveria ter separado primeiro a teruma gedolá, pois está escrito: "tua fartura e teu sumo não atrasarás" (Êxodo 22:28) — "tua fartura", isto são os bicurim; daqui se aprende que quem antecipa a teruma gedolá aos bicurim leva açoites; e "teu sumo", isto é a teruma, ensinando que, se antecipou o maasser à teruma, leva açoites — e isso vale quando o grão já foi amontoado na eira, que então leva açoites se antecipou o maasser à teruma; mas se antecipou o maasser à teruma ainda nas espigas, não leva açoites. "E separareis dele" — este versículo está escrito a respeito dos levitas, sobre a teruma do maasser.
Disse-lhe Rav Papa a Abaie: se assim é, mesmo que se antecipou o maasser no monte já debulhado, também deveria ser isento da teruma gedolá! Disse-lhe: sobre ti disse o versículo: "de todos os vossos dons separareis" etc. (Números 18:29 — ensinando que a teruma se separa de todo tipo de acúmulo, incluindo o já debulhado).
Rav Papa questiona por que a isenção não se estenderia também ao caso em que o maasser foi antecipado à teruma depois de o grão já ter sido amontoado e debulhado (bichri) — situação em que, segundo Rashi na nota anterior, o transgressor leva açoites. Abaie responde com outro versículo, que exige explicitamente a separação da teruma "de todos os vossos dons", incluindo o grão já debulhado, distinguindo esse caso do grão ainda nas espigas.
"De todos os vossos dons" etc. — também este versículo está escrito a respeito dos levitas, sobre a teruma do maasser; e diz "toda a teruma do Eterno" — "toda" significa todo aspecto de teruma que há nele.
E que viste para distinguir os dois casos? Este (o grão amontoado e debulhado) já se tornou dagan (sujeito à obrigação de teruma), e este (o grão ainda nas espigas) ainda não se tornou dagan.
A guemará justifica a distinção entre os dois casos: apenas o grão que já passou pelo processo de debulha e amontoamento (dagan) se torna plenamente sujeito à obrigação de teruma gedolá desde o início, conforme o versículo "o começo de teu grão" (Deuteronômio 18:4); o grão ainda nas espigas, por não ter atingido esse status, permite que o maasser seja separado antes, sem violar a ordem exigida.
"Este" — que já foi amontoado. "Tornou-se dagan" — e recaiu sobre ele a obrigação de teruma, conforme está escrito "o começo de teu grão" (Deuteronômio 18:4); por isso, quando o levita já a tomou, precisa devolver ao cohen dois por cem do que continha, primeiro, e depois um por dez.
"E maasser sheni (segundo dízimo)" etc. Isso é óbvio! Não é necessário dizê-lo, exceto para o caso em que o dono deu o capital (o valor de resgate), mas não deu o quinto (a quinta parte adicional, exigida de quem resgata seu próprio maasser sheni). Isto vem ensinar-nos que o quinto não retém a permissão de removê-lo.
A última cláusula sobre alimentos examinada trata do maasser sheni já redimido: quando o dono do produto o resgata para si mesmo, a lei exige que pague, além do valor do produto (o capital), também um quinto adicional. A guemará ensina que, mesmo que ainda não tenha pago esse quinto, o produto já perdeu sua santidade de maasser sheni e pode ser removido livremente, pois o quinto não impede a validade do resgate.
"E o tormus (tremoço) seco" etc. Especificamente seco, mas úmido — não. Qual a razão? Uma vez que é amargo, o animal não o come.
A mishná permite remover o tormus (tremoço) seco, já preparado para consumo humano depois de cozido e demolhado repetidas vezes até perder o amargor; a guemará esclarece que isso vale apenas para o tormus seco, e não para o úmido, ainda cru, colhido do campo — pois, sendo amargo demais, nem sequer o animal o consome, de modo que ele não é considerado alimento e permanece muktzê.
"Amargo" — que é amargo.