O daf abre retomando, no meio da frase, a pergunta de Rav Ukva de Meishan a Rav Ashi com que terminara 43a: a permissão de cobrir a colmeia com uma esteira se ajusta bem aos dias de verão, quando há mel — mas, na época das chuvas, quando não há mel, o que se pode dizer? A Guemará responde que a permissão, mesmo então, se refere apenas aos dois favos que se deixam de propósito para que as abelhas se alimentem deles durante o inverno; e, como esses favos foram destinados desde a véspera para consumo, não são muktzeh. Uma nova dificuldade surge da cláusula "contanto que não pretenda capturá-las", que pareceria supérflua se a permissão já dependesse de destinação — resolvida ao entender que ela ensina algo além: mesmo quando o mel foi destinado, a permissão de cobrir a colmeia exige que não se pretenda, com isso, prender as próprias abelhas, tratando-as como uma armadilha, e não apenas protegendo o mel da chuva ou do sol. Rav Ashi propõe, por fim, uma solução mais simples: a baraita nunca falou em "dias de verão" e "dias de chuva" tomados em sua plenitude, mas em proteção "no sol, por causa do sol, e na chuva, por causa da chuva" — uma referência aos meses de transição de Nissan e de Tishrei, quando há tanto sol quanto frio, tanto chuva quanto mel, dissolvendo por completo a dificuldade original. A Guemará muda então de assunto: Rav Sheshet manda transmitir a Rabi Yitzchak — cujo princípio, ensinado no fim de 43a, restringia ainda mais o movimento de recipientes por causa de itens muktzeh — que Rav Huna já havia explicado, na Babilônia, um ensinamento correspondente: faz-se uma partição para proteger um morto exposto ao sol, mas essa partição se justifica por causa do vivo que a constrói para se abrigar, e não por causa do morto em si. Uma baraita de Rav Shmuel bar Yehudá, também ensinada por Sheila Mari, descreve como essa partição surge quase sem querer: duas pessoas se sentam ao lado do morto; sentindo calor do chão, trazem camas para se sentar; sentindo calor do sol, estendem sobre si uma esteira; e, quando se retiram, levantando cada qual sua cama, a partição já erguida entre o morto e o sol permanece de pé por si mesma. O daf então retorna à pergunta de como, de fato, mover o próprio morto exposto ao sol para a sombra: Rav Yehudá, em nome de Shmuel, ensina que se vira o morto de leito em leito; Rav Chanina bar Shelemia, em nome de Rav, ensina que se coloca sobre ele um pão ou uma criança e se move o leito com ele. Onde há um pão ou uma criança disponível, todos concordam que é permitido — a divergência real está em quando não há: um Sábio entende que mover algo indiretamente, apoiado sobre outra coisa, ainda se considera "mover"; o outro entende que não. A Guemará tenta identificar essa disputa com uma controvérsia de tanaítas sobre salvar um morto de um incêndio — um ensina que não se salva, Rabi Yehudá ben Lakish ensina que se salva — mas rejeita a identificação: para todos, mover indiretamente conta como mover; a permissão de Rabi Yehudá ben Lakish tem outra razão, ligada à aflição de quem teme por seu morto. O daf termina em texto interrompido, no meio dessa razão, continuada em 44a.
…pois há mel. Na época das chuvas, quando não há mel, o que se pode dizer? Não se precisou dela senão por causa daqueles dois favos. Mas não são eles muktzeh? Porque ele os destinou (desde a véspera, para consumo). Mas, se não os destinou, o que há — é proibido?
O daf abre exatamente onde 43a foi interrompido: Rav Ukva de Meishan observara que a resposta anterior — "trata-se de um caso em que já há mel" — se ajusta bem aos dias de verão, mas questiona o que dizer da época das chuvas, quando normalmente não há mel na colmeia. A Guemará responde que, mesmo no inverno, sempre restam na colmeia dois favos, que os apicultores deixam de propósito para que as abelhas se alimentem deles durante todo o período de chuvas — como se aprende alhures sobre a venda de uma colmeia. Como esses favos foram destinados desde a véspera de Shabat para consumo humano, deixam de ser muktzeh, e a permissão de cobrir a colmeia se sustenta também no inverno. Uma nova pergunta fica em aberto: e se ninguém os destinou?
Se assim é, quanto ao que se ensinou: "contanto que não pretenda capturá-las" — que se fizesse a distinção e se ensinasse nisso mesmo: em que caso se disse isso? Quando as destinou; mas, se não as destinou, é proibido! (Resposta:) isto vem nos ensinar: mesmo quando as destinou, (a permissão vale) contanto que não pretenda capturá-las.
Se a permissão de cobrir a colmeia dependesse apenas de haver mel destinado, a cláusula final da baraita — "contanto que não pretenda capturá-las" — pareceria desnecessária: bastaria dizer que, sem destinação, é proibido. A Guemará responde que essa cláusula ensina algo a mais, que não decorre da destinação sozinha: mesmo quando o mel foi devidamente destinado para consumo, ainda assim a permissão de estender a esteira exige que a pessoa não tenha, com isso, a intenção de capturar as próprias abelhas — pois, do contrário, o gesto de cobri-las deixaria de ser proteção contra sol e chuva e passaria a ser um ato de captura disfarçado.
De quem é esta (baraita)? Se de Rabi Shimon — ele não tem (o conceito de) muktzeh. Se de Rabi Yehudá — quando não há intenção, o que importa? Pois, para ele, uma coisa não pretendida é proibida! Na verdade, é de Rabi Yehudá. O que significa "contanto que não pretenda capturá-las" — que não a transforme numa armadilha, isto é, que deixe um espaço livre, de modo que (as abelhas) não sejam capturadas por si mesmas.
A Guemará investiga a autoria da baraita, já que a exigência de "destinação" só faz sentido para quem aceita o conceito de muktzeh — o que exclui Rabi Shimon. Mas, se é de Rabi Yehudá, surge uma dificuldade: para ele, mesmo um efeito colateral não pretendido (davar she-eino mitkaven) é proibido quando previsível — então por que a cláusula falaria em "intenção" de capturar, como se a falta de intenção bastasse para permitir? A resposta refina o sentido da cláusula: ela não trata de intenção subjetiva, mas de como a esteira é estendida fisicamente — deve-se deixar um espaço livre nas bordas, de modo que as abelhas não fiquem seladas dentro de uma estrutura fechada e não sejam capturadas automaticamente pelo próprio gesto de cobrir, ainda que ninguém pretenda isso.
Rav Ashi disse: acaso se ensinou "nos dias de verão e nos dias de chuva"? Ensinou-se "no sol, por causa do sol, e na chuva, por causa da chuva" — (referindo-se) aos dias de Nissan e aos dias de Tishrei, quando há sol e há frio, e há chuva e há mel.
Rav Ashi propõe uma solução independente, mais simples, que dispensa toda a discussão anterior sobre os dois favos deixados para as abelhas. Ele observa que a linguagem exata da baraita nunca opôs "dias de verão" a "dias de chuva" como estações inteiras, mas falou em proteger "no sol, por causa do sol, e na chuva, por causa da chuva" — uma descrição que se aplica precisamente aos meses de transição, Nissan (primavera) e Tishrei (outono), quando, no mesmo período, há tanto dias de sol forte quanto de chuva, e o mel ainda está presente na colmeia. Assim, a dificuldade sobre a época das chuvas plena — quando de fato não há mel — nunca chega a se colocar, pois a baraita jamais tratou desse período.
"Há mel" — algo que pode ser movido.
"Dois favos" — toda a colmeia, as abelhas a fazem em favos e mais favos, de massa de mel e cera; e, quando se colhem, deixam-se dois deles, para que as abelhas se sustentem deles durante toda a época das chuvas — como se ensina em "O que vende o navio" (Bava Batra 80a): quem compra os favos da colmeia do outro deixa dois favos, pois, sem especificação, não os vendeu.
"São muktzeh" — para as abelhas, e por isso voltam a ser algo que não pode ser movido; e, ainda assim, move-se a esteira para salvá-las.
"Porque ele os destinou" — desde a véspera, para consumo.
"Que não a transforme numa armadilha" — que não a cubra por inteiro, mas que deixe um espaço livre, para que (as abelhas) possam sair, de modo que não sejam capturadas por esse próprio ato de cobrir; e, ainda que não se pretenda capturá-las, é proibido (cobrir por inteiro).
"Rav Ashi disse" — na verdade, trata-se de um caso em que há bastante mel; e, quanto à dificuldade sobre a época das chuvas, acaso se ensinou nela "época das chuvas"?
Disse-lhes Rav Sheshet: saí e digam a Rabi Yitzchak: já Rav Huna explicou seu ensinamento na Babilônia. Pois disse Rav Huna: faz-se uma partição para o morto por causa do vivo, mas não se faz uma partição para o morto por causa do morto.
A Guemará passa a um novo tema, ligado ao princípio mais restritivo de Rabi Yitzchak, ensinado no fim de 43a: um recipiente só se move em Shabat por causa de algo que, em si, pode ser movido — daí se poderia supor que jamais seria permitido erguer qualquer estrutura para proteger um cadáver, que é muktzeh. Rav Sheshet manda avisar a Rabi Yitzchak que Rav Huna já havia resolvido essa questão na Babilônia: é permitido construir uma partição — no caso, para dar sombra a um morto exposto ao sol — desde que a razão seja proteger os vivos que ali se abrigam, e não o morto em si; erguer uma estrutura diretamente por causa do morto, como tal, continuaria proibido.
O que é isto? Pois disse Rav Shmuel bar Yehudá, e assim ensinou Sheila Mari: se há um morto exposto ao sol, vêm duas pessoas e se sentam ao seu lado. Se sentem calor por baixo, um traz uma cama e senta-se sobre ela, e o outro traz uma cama e senta-se sobre ela. Se sentem calor por cima, trazem uma esteira e a estendem sobre eles. (Depois), um levanta sua cama e se retira, e o outro levanta sua cama e se retira, e a partição se encontra feita por si mesma.
Esta baraita descreve, na prática, como se constrói uma partição "por causa do vivo" sem jamais construí-la diretamente por causa do morto. Duas pessoas se sentam para acompanhar o morto; sentindo o calor do chão aquecido pelo sol, cada uma traz sua própria cama para se sentar — um gesto plenamente permitido, pois a cama é movida por causa de quem se senta nela. Sentindo depois o calor do sol sobre si, estendem uma esteira para se proteger, ainda segurando-a, e não sobre o morto diretamente. Quando, enfim, decidem se retirar, cada um levanta sua cama e sai — e o que resta de pé, a esteira apoiada sobre o espaço que as camas ocupavam, forma uma partição que agora, incidentalmente, também dá sombra ao morto, sem que ninguém a tenha erguido por causa dele.
"Seu ensinamento" — de que um recipiente só se move para algo que, em si, pode ser movido.
"Um morto exposto ao sol" — pois há que temer que apodreça depressa.
"E se sentam ao seu lado" — sobre o chão, para que sofram com o calor do solo e precisem trazer camas para se sentar sobre elas; e as camas servirão de partição, como conclui adiante.
"Sentem calor por baixo" — do chão, que o sol aqueceu.
"E estendem" — sobre suas cabeças, para sombra.
"Um levanta sua cama" — para que a esteira fique apoiada sobre ela; e assim o outro; e assim a partição se encontra feita por si mesma, e, quando quiserem, se retiram e vão embora. E foi ensinado, especificamente, "sentem calor por baixo" em primeiro lugar, para que tragam as camas para se sentar primeiro, e só depois a esteira para estender sobre eles à sombra — segurando-a com as mãos, até a hora em que as levantam e se retiram. Pois isso é como aquilo que se diz (Eruvin 101a): erguer essa estrutura de cima para baixo é permitido, mas trazer de início as camas para servir de tenda não é, pois seria de baixo para cima, à maneira de uma construção — e estabelecemos que não se faz uma tenda provisória, de início, em Shabat.
Foi dito: um morto exposto ao sol. Rav Yehudá disse em nome de Shmuel: vira-o de leito em leito. Rav Chanina bar Shelemia disse em nome de Rav: coloca-se sobre ele um pão ou uma criança, e move-se (o leito com ele). Onde há um pão ou uma criança, todos concordam que é permitido. Divergem apenas onde não há: um (Sábio) entende que mover indiretamente (tiltul min ha-tzad) se chama mover, e o outro entende que não se chama mover.
A Guemará retorna diretamente ao problema de mover o corpo em si, para levá-lo à sombra da partição já descrita. Duas opiniões são trazidas: virá-lo de um leito para outro — deslocando-o sem propriamente "carregá-lo", pois ele rola de uma superfície à seguinte — ou colocar sobre ele algo permitido, como um pão ou uma criança viva, e então mover o leito inteiro, já que agora se está movendo, formalmente, por causa de um item permitido. A Guemará esclarece que, quando há um pão ou uma criança disponíveis, ambas as posições concordam que é permitido mover o leito assim; a única divergência real ocorre quando nenhum dos dois está disponível: um Sábio sustenta que mover algo indiretamente, apoiado sobre outra coisa (tiltul min ha-tzad), ainda se considera "mover" no sentido pleno — e por isso permite virá-lo de leito em leito mesmo sem base permitida; o outro sustenta que isso não se considera mover — e por isso, sem pão ou criança, seria proibido.
Digamos que (essa disputa) é como uma controvérsia de tanaítas: não se salva o morto de um incêndio. Disse Rabi Yehudá ben Lakish: ouvi que se salva o morto de um incêndio. Como assim: se há um pão ou uma criança, qual a razão do primeiro tanna (para proibir)? Se não há, qual a razão de Rabi Yehudá ben Lakish (para permitir)? Mas então não divergem eles justamente sobre mover indiretamente — um entendendo que mover indiretamente se chama mover, e o outro que não se chama mover? Não; para todos, mover indiretamente se chama mover, e esta é a razão de Rabi Yehudá ben Lakish: pois, visto que uma pessoa fica aflita por seu morto…
A Guemará tenta ligar a disputa amoraica a uma controvérsia tanaítica já conhecida sobre salvar um cadáver de um incêndio: uma opinião proíbe, e Rabi Yehudá ben Lakish permite. Como essa baraita não menciona pão ou criança, a tentativa é entendê-la exatamente como a disputa sobre "mover indiretamente" sem base permitida — se há um pão ou criança presente, ninguém proibiria salvar o morto, então a proibição do primeiro tanna só faz sentido quando não há; e, inversamente, a permissão de Rabi Yehudá ben Lakish só faria sentido nesse mesmo caso, se ele considerasse que mover indiretamente não conta como mover. A Guemará rejeita essa identificação: na verdade, todos concordam que mover indiretamente conta plenamente como mover, e por isso, em princípio, também seria proibido salvar o morto assim. A permissão de Rabi Yehudá ben Lakish tem, portanto, uma razão diferente e mais específica — ligada à aflição e ao desespero de quem vê seu próprio morto ameaçado pelo fogo.
O daf 43b termina de forma interrompida, no meio da razão de Rabi Yehudá ben Lakish: "דְּמִתּוֹךְ שֶׁאָדָם בָּהוּל עַל מֵתוֹ" ("pois, visto que uma pessoa fica aflita por seu morto…"). A continuação, em 44a, completa o raciocínio: "אִי לָא שָׁרֵית לֵיהּ, אָתֵי לְכַבּוֹיֵי" — "…se você não lhe permitir (salvá-lo), ele virá a apagar o fogo" — explicando que a permissão existe para evitar que, no desespero, a pessoa acabe por transgredir a proibição, mais grave, de apagar o incêndio em Shabat.
"Vira-o de leito em leito" — até chegar à sombra.
"Indiretamente" (min ha-tzad) — como que de mão inversa, de modo incomum.
"Se não há (pão ou criança)" — e este "salva-se", de que fala Rabi Yehudá ben Lakish, seria movê-lo diretamente.
"Qual a razão de Rabi Yehudá (ben Lakish, para permitir)" — mas então não é justamente sobre mover indiretamente que ele permite?