Shabbat 129a abre completando, sem qualquer interrupção, a frase deixada pela metade no fim de 128b: fechado o útero, quer a parturiente tenha dito, quer não tenha dito que precisa, não se profana por causa dela o Shabat. A guemará então revela que essa mesma transmissão foi ensinada de dois modos: Rav Ashi a ensina exatamente como citada — nunca se profana uma vez fechado o útero; Mar Zutra a ensina de modo mais lento — se ela disser que ainda precisa, profana-se mesmo com o útero fechado. Ravina pergunta a Mareimar qual a halachá, e recebe a resposta de que se segue Mar Zutra, pois em dúvida sobre vidas inclina-se sempre para a leniência. Seguem-se as definições técnicas: desde quando se considera aberta a sepultura — desde que ela se senta no assento do parto, segundo Abaie, ou desde que o sangue escorre, ou ainda desde que suas companheiras a carregam pelos braços, segundo Rav Huna filho de Rav Yehoshua; e até quando dura essa abertura — três dias, segundo Abaie, ou sete, ou trinta, segundo Rava em nome de Rav Yehudá. Os sábios da Neharde'a fixam a fórmula completa: nos três primeiros dias, profana-se de qualquer modo; nos sete, apenas se ela disser que precisa; nos trinta, nunca mais, mas fazem-se as necessidades por meio de um não judeu — em harmonia com o princípio de que todas as necessidades do doente se fazem por seu intermédio, e de que uma coisa sem perigo de vida se diz a um gentio, que a faz. Rav Yehudá em nome de Shmuel fixa os trinta dias especificamente para a imersão da parturiente; Rava qualifica isso à ausência do marido, que, estando presente, a aquece — como no caso da filha de Rav Chisda, que imergiu cedo demais, sentiu frio, e foi carregada em sua cama atrás de Rava até Pumbedita. E a fogueira permitida para a parturiente na estação das chuvas é, contra suposição inicial, estendida a todo doente em toda estação, segundo o caso de quem sangrou e sentiu frio. A guemará passa então, por associação, a uma nova seção sobre as leis e os costumes do sangramento (hakazat dam): no dia do procedimento, faltando lenha pronta, cortou-se para Shmuel um banco caro, para Rav Yehudá uma mesa de cedro, e para Rabá um banco comum — o que leva Abaie a questionar se isso não transgride "não destruirás", ao que Rabá responde que o "não destruirás" de seu próprio corpo lhe é mais precioso. Rav Yehudá em nome de Rav ensina que se deve vender até os sapatos dos próprios pés para prover as necessidades da refeição do sangramento — carne, segundo Rav, pois vida em lugar de vida; vinho, segundo Shmuel, pois vermelho em lugar de vermelho. Seguem-se, após um sinal mnemônico, os costumes pessoais de vários sábios ao se alimentarem e beberem após o procedimento, o pedido de Rav Nachman bar Yitzchak a seus discípulos para anunciarem sua chegada em casa nesses dias, e o único estratagema permitido para quem não tem recursos — provar vinho gratuitamente em sete lojas, ou, faltando isso, comer tâmaras e untar óleo deitado ao sol. Um diálogo entre o sábio caldeu Avlet e Shmuel, encontrado ao sol, revela a razão verdadeira e propositalmente ocultada: o dia do solstício de Tamuz, em que o sol é excepcionalmente benéfico. Ensina-se então que quem é mesquinho na refeição do sangramento tem seu sustento reduzido pelo Céu; que não se deve sentar onde o vento se enrosca, por risco à vida já enfraquecida pela sangria; o caso de Shmuel, que sentiu mal-estar e descobriu que faltava uma fileira de tijolos na parede de sua casa de sangramento; e, por fim, a regra de provar algo antes de sair à rua, pois, do contrário, encontrar um cadáver ou um assassino no caminho traz perigo. O daf termina em pleno fluxo, no meio da frase sobre os perigos do caminho, prosseguindo diretamente em Shabbat 129b (ainda não publicado).
...quer tenha dito "preciso", quer não tenha dito "preciso" — não se profana por causa dela o Shabat.
Completa-se aqui, sem qualquer hiato, a frase deixada pela metade no fim de Shabat 128b: "fechou-se a sepultura (terminou o parto), quer tenha dito 'preciso', quer não tenha dito 'preciso' — não se profana por causa dela o Shabat." Assim se conclui o ensinamento de Rav Yehudá em nome de Shmuel: enquanto o parto está em curso, profana-se sempre; uma vez terminado, nunca mais, independentemente do que ela diga.
"Preciso" — refere-se à profanação do Shabat.
Rav Ashi ensina assim como se acabou de citar. Mar Zutra ensina assim: disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: uma parturiente, todo o tempo em que a sepultura está aberta — quer tenha dito "preciso", quer tenha dito "não preciso" — profana-se por causa dela o Shabat. Fechou-se a sepultura: se disse "preciso" — profana-se por causa dela o Shabat; não disse "preciso" — não se profana por causa dela o Shabat.
A guemará revela que o mesmo ensinamento de Rav Yehudá em nome de Shmuel circulava em duas versões distintas quanto ao caso do útero já fechado. Rav Ashi o ensina exatamente como fora citado no fim do daf anterior: uma vez terminado o parto, nunca mais se profana o Shabat por causa dela, seja o que for que ela diga. Mar Zutra, porém, ensina uma versão mais lenta: mesmo com o útero fechado, se ela ainda afirmar que precisa, continua-se a profanar por causa dela; só se ela nada disser é que se deixa de profanar.
"Quer tenha dito 'não preciso'" — mas suas companheiras dizem que ela precisa, profana-se ainda assim, por causa dela, o Shabat.
Disse-lhe Ravina a Mareimar: Mar Zutra ensina para a leniência, e Rav Ashi ensina para a severidade — a halachá é conforme quem? Disse-lhe: a halachá é conforme Mar Zutra, pois, em caso de dúvida sobre vidas, inclina-se para a leniência.
Diante das duas versões, Ravina pergunta diretamente a Mareimar qual delas rege a prática. A resposta estabelece um princípio geral aplicável a todo caso de dúvida envolvendo perigo de vida: segue-se sempre a opinião mais lenta, pois o valor da vida humana é tão grande que, mesmo havendo incerteza quanto à necessidade real de profanar o Shabat, prefere-se profaná-lo a arriscar a vida da parturiente.
Desde quando se considera a abertura da sepultura? Disse Abaie: desde a hora em que ela se senta sobre o assento do parto. Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, disse: desde a hora em que o sangue escorre e desce; e alguns dizem: desde a hora em que suas companheiras a carregam pelos braços.
A guemará precisa o momento inicial a partir do qual a mulher é considerada "parturiente", com todos os privilégios de profanação do Shabat que isso acarreta. Abaie marca esse início pelo ato de sentar-se sobre o assento próprio do parto; Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, marca-o pelo início do sangramento característico do trabalho de parto, ou, segundo outra versão, pelo momento em que ela já não consegue caminhar sozinha e precisa ser sustentada pelas companheiras.
"Pelos braços" — pelos braços dela, pois já não consegue caminhar.
Até quando dura a abertura da sepultura? Disse Abaie: três dias. Rava disse, em nome de Rav Yehudá: sete dias; e alguns dizem: trinta.
Definido o início, a guemará busca o limite final desse período especial de risco, durante o qual a presunção de perigo de vida basta, por si só, para justificar a profanação do Shabat. As opiniões variam entre três, sete e trinta dias, cada uma associada a um grau diferente de necessidade de prova por parte da própria parturiente, como se explica a seguir.
Disseram os sábios de Neharde'a: a parturiente tem três, sete e trinta dias, cada qual com sua regra. Nos três, quer tenha dito "preciso", quer tenha dito "não preciso" — profana-se por causa dela o Shabat. Nos sete: se disse "preciso" — profana-se por causa dela o Shabat; se disse "não preciso" — não se profana por causa dela o Shabat. Nos trinta: mesmo que tenha dito "preciso" — não se profana por causa dela o Shabat, mas fazem-se as necessidades por meio de um arameu (um não judeu).
Os sábios da academia de Neharde'a sintetizam a discussão anterior numa fórmula única e graduada. Nos primeiros três dias, a presunção de perigo é tão forte que se profana o Shabat de qualquer modo, mesmo contra a palavra da própria parturiente. Do terceiro ao sétimo dia, a presunção enfraquece, e passa a depender do que ela mesma declarar. Do sétimo ao trigésimo dia, já não se profana o Shabat diretamente, ainda que ela alegue necessidade, mas permite-se realizar o que for necessário por meio de um não judeu, cuja ação não constitui profanação por parte do judeu.
"A parturiente tem três dias, sete dias e trinta dias" — esses períodos foram mencionados para distinguir as leis da profanação do Shabat: os trinta diferem dos sete até se completarem os trinta; e, do mesmo modo, os sete diferem dos três até se completarem os sete.
Isto está como no ensinamento de Rav Ula, filho de Rav Ilai, que disse: todas as necessidades do doente se fazem por meio de um arameu no Shabat; e como no ensinamento de Rav Hamnuna, que disse Rav Hamnuna: uma coisa que não envolve perigo de vida — diz-se a um gentio, e ele a faz.
A guemará apoia a fórmula dos sábios de Neharde'a citando dois princípios já conhecidos e concordantes: o de Rav Ula, que estende a permissão de agir por meio de um não judeu a todas as necessidades de qualquer doente, categoria em que a parturiente, além dos sete dias, já se enquadra; e o de Rav Hamnuna, que formula a regra geral por trás disso — quando não há risco de vida envolvido, a solução para uma necessidade real é pedir a um gentio que a realize, evitando toda profanação por parte do próprio judeu.
"Todas as necessidades do doente" — e eis que a parturiente, até trinta dias, é considerada, sem qualificação, uma doente. "Uma coisa que não envolve perigo de vida" — trata-se de um doente que, se não lhe fizerem este remédio, não corre risco de morrer, mas ainda assim precisa dele. "Diz-se ao gentio, e ele faz" — mas uma coisa que envolve perigo de vida, o próprio israelita a faz para ele.
Disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: para a parturiente, valem trinta dias. Para qual halachá se aplica isso? Disseram os sábios de Neharde'a: para a imersão.
Rav Yehudá cita, em nome de Shmuel, um novo período de trinta dias atribuído à parturiente, e a guemará busca esclarecer a que área da halachá ele se refere, já que o contexto anterior tratava da profanação do Shabat. Os sábios de Neharde'a esclarecem que este trinta refere-se, não à profanação do Shabat, mas à imersão ritual: durante todo esse período, ela não deve imergir, mesmo já pura, por causa do frio da água, que lhe seria prejudicial logo após o parto.
"Para a imersão" — até trinta dias, ela não deve imergir, por causa do frio.
Disse Rava: não dissemos isso senão quando seu marido não está com ela; mas se seu marido está com ela — o marido a aquece. Como naquele caso da filha de Rav Chisda, que imergiu dentro dos trinta dias, sem a presença de seu marido, e sentiu frio; e a trouxeram em sua cama atrás de Rava, para Pumbedita.
Rava qualifica a restrição de imergir dentro de trinta dias: o perigo do frio só se aplica quando o marido está ausente, pois, estando ele presente, o calor da relação conjugal após a imersão a aquece e neutraliza o risco. O caso concreto ilustra a advertência: a filha de Rav Chisda imergiu antes do prazo, sem seu marido por perto, adoeceu de frio, e teve de ser transportada em sua própria cama até Pumbedita, atrás de Rava, presumivelmente em busca de cuidado.
"Que seu marido não está com ela" — e ela imerge ainda assim, por causa das coisas puras que precisa tocar. "O marido a aquece" — depois da imersão, por meio da relação conjugal, e o corpo se aquece de corpo a corpo.
Disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: faz-se fogueira para a parturiente no Shabat, na estação das chuvas. Pensaram, a partir disso: para a parturiente — sim; para o doente comum — não; na estação das chuvas — sim; na estação do calor — não. Mas não é assim: não há diferença entre a parturiente e o doente comum, nem há diferença entre a estação das chuvas e a estação do calor. Pois foi ensinado, quando disse Rav Chiya bar Avin em nome de Shmuel: quem sangrou e sentiu frio — faz-se para ele fogueira, mesmo na época do solstício de Tamuz.
Poder-se-ia entender do ensinamento original que a permissão de acender uma fogueira no Shabat se restringe estritamente à parturiente, e apenas na estação fria. A guemará corrige essa leitura: o ensinamento apenas descreveu o caso mais comum, mas o princípio é geral — qualquer doente, em qualquer época do ano, pode ter uma fogueira acesa para ele, se disso necessitar por motivo de saúde. A prova vem de quem sangrou e sentiu frio, para quem se acende fogueira mesmo no auge do verão, na época do solstício de Tamuz.
"Fogueira" — um grande fogo aceso. "Sangrou" — e tanto mais se aplica ao doente comum.
Para Shmuel cortaram um banco de madeira de sha'agá. Para Rav Yehudá cortaram uma mesa de madeira de ioná. Para Rabá cortaram um banco comum.
A guemará passa, por associação com o tema do calor e do cuidado com o corpo, a uma nova seção sobre as leis e os costumes ligados ao sangramento (hakazat dam), prática médica comum na época. Relata-se que, faltando lenha pronta para acender fogo no dia do procedimento, ordenou-se que móveis de madeira nobre e cara fossem cortados para servir de combustível — um banco de valor para Shmuel, uma mesa de cedro para Rav Yehudá, e, para Rabá, apenas um banco comum.
"Cortaram para ele um banco de sha'agá" — não encontraram lenha pronta para acender no dia do sangramento, e ele ordenou que cortassem um banco de faia, madeira valiosa. "Uma mesa de ioná" — é uma espécie de cedro; e nosso mestre, o Levita, disse que se chama "buix" (em francês antigo). "Para Rabá cortaram um banco" — um banco simples.
E disse-lhe Abaie a Rabá: mas o Mestre transgride por causa de "não destruirás"! Disse-lhe: o "não destruirás" de meu próprio corpo me é mais precioso.
Abaie observa que cortar um banco utilizável apenas para servir de lenha pareceria transgredir a proibição bíblica de destruição desnecessária. Rabá responde que essa mesma proibição, aplicada ao cuidado com o próprio corpo — que também não deve ser "destruído" por negligência à saúde —, tem para ele prioridade sobre a preservação de um simples móvel.
Disse Rav Yehudá em nome de Rav: sempre venda o homem as vigas de sua casa, e compre sapatos para seus pés. Se sangrou e não tem o que comer, venda os sapatos que estão em seus pés, e proveja com o dinheiro deles as necessidades da refeição.
Rav estabelece uma escala de prioridades para os gastos de uma pessoa: mesmo que precise vender as vigas de sua própria casa, deve sempre ter sapatos calçados, dada a dignidade envolvida em não andar descalço. Mas, no caso específico de quem acabou de se submeter ao sangramento e não tem recursos para a refeição reparadora que esse procedimento exige, a prioridade se inverte: deve vender até os próprios sapatos, pois a necessidade nutricional após a perda de sangue é ainda mais urgente.
"E compre sapatos" — pois não há maior vergonha do que andar descalço pelo mercado.
Quais são as necessidades da refeição? Rav disse: carne; e Shmuel disse: vinho. Rav disse: carne — porque vida em lugar de vida. E Shmuel disse: vinho — porque vermelho em lugar de vermelho.
A guemará esclarece a que se refere a "refeição" prescrita após o sangramento. Rav prescreve carne, raciocinando que, tendo sido perdida vida — representada pelo sangue —, deve-se repô-la com outra substância de vida, a carne de um animal. Shmuel prescreve vinho, raciocinando de modo paralelo, mas pela cor: tendo sido perdido o vermelho do sangue, repõe-se com o vermelho do vinho.
"As necessidades da refeição" — as necessidades da refeição do sangramento.
(Sinal mnemônico: "shenimsar".)
A guemará insere um sinal mnemônico, dispositivo comum no Talmud para ajudar a memorizar a sequência dos ensinamentos que se seguem, sem conteúdo halájico próprio.
No dia em que Shmuel fazia o procedimento do sangramento, faziam para ele um guisado de baços. Rabi Yochanan bebia vinho até que o cheiro saísse de seus ouvidos. E Rav Nachman bebia até que seu baço parecesse boiar. Rav Yossef bebia até que o vinho saísse do próprio furo da lanceta. Rava buscava vinho de uma videira de três folhas.
A guemará registra os costumes pessoais de vários sábios quanto à alimentação e bebida reparadoras após o sangramento, cada um levando ao extremo, à sua maneira, a prescrição de repor as forças com carne e vinho: Shmuel comia baço, seguindo o mesmo raciocínio de "vermelho em lugar de vermelho"; os demais bebiam vinho até sensações físicas exageradas que indicavam terem bebido o suficiente para a plena recuperação; e Rava buscava especificamente vinho de uma videira já madura, de três anos.
"No dia do procedimento" — isto é, do sangramento. "De baços" — baço, que segue o mesmo raciocínio de vermelho em lugar de vermelho. "Até que saísse o cheiro" — o odor do vinho. "De seus ouvidos" — sentia-se o vinho pelos ouvidos, cheirando. "Até que seu baço boiasse" — que seu baço parecesse flutuar no vinho. "Do furo da lanceta" — os furos do instrumento do sangrador em sua carne, chamados "pelimá". "De três folhas" — de uma videira de três anos, cuja mãe absorveu nutrientes desde que brotaram três folhas novas.
Disse-lhes Rav Nachman bar Yitzchak aos sábios seus discípulos: peço-vos, no dia do sangramento, dizei em vossas casas: Nachman apareceu entre nós.
Rav Nachman bar Yitzchak ensina a seus discípulos um pequeno estratagema doméstico: que, ao chegarem a casa no dia do próprio sangramento, anunciem que ele os visitara, como pretexto para que suas famílias se esmerassem na refeição, tratando-os como se estivessem recebendo um mestre honrado, sem que precisassem pedir abertamente por uma refeição especial para si próprios.
"Aos sábios" — a seus discípulos. "Dizei: Nachman apareceu entre nós" — para que se esmerem na refeição, como se eu estivesse comendo convosco.
E todos os demais estratagemas são proibidos, exceto este estratagema, que é permitido: aquele que faz o procedimento do sangramento, e não tem condições de comprar vinho, tome uma moeda ruim, e vá a sete lojas, até que prove a medida de um quarto de log de vinho. E, se não tiver sequer essa moeda, coma sete tâmaras pretas, e unte óleo em sua têmpora, e deite-se ao sol.
A guemará estabelece que, salvo esta exceção, é proibido recorrer a estratagemas ou pretextos enganosos para obter benefícios. Mas para quem não tem recursos após o sangramento, permite-se um único artifício: levar uma moeda de valor tão baixo que nenhum vendedor a aceitará, e ir provando o vinho em várias lojas, sob o pretexto de compra, acumulando assim, gratuitamente, a quantidade necessária. Na falta até dessa moeda, o remédio se reduz a tâmaras, óleo na têmpora e repouso ao sol.
"Exceto este estratagema" — que a seguir se explica. "E não tem condições" — de comprar vinho. "Que tome uma moeda ruim" — uma moeda de má qualidade e de pouco valor, que não circula em compras. "E vá a sete lojas" — pois é costume dos compradores prová-lo primeiro, para ver se é bom, e ele prova; e, quando lhe dá a moeda, o vendedor a encontra ruim e não a aceita, e ele vai a outra loja, e faz o mesmo. "E unte óleo em sua têmpora" — na têmpora, e as tâmaras e a gordura o aquecem.
Avlet encontrou Shmuel deitado ao sol. Disse-lhe: sábio dos judeus, o mal seria bom?! Disse-lhe: é dia de sangramento.
Avlet, sábio caldeu conhecido em outras passagens do Talmud, encontra Shmuel deitado ao sol e o questiona, pois considerava o calor solar prejudicial à saúde. Shmuel justifica sua atitude com a explicação já conhecida: tratava-se de um remédio permitido para quem acabara de se submeter ao sangramento.
"O mal seria bom?!" — o calor do sol, que é prejudicial ao homem, faria algum bem a ele?
Mas não era essa a verdadeira razão; antes, há um dia em que o sol é benéfico durante todo o ano — o dia em que cai o solstício de Tamuz. E Shmuel pensou: não se revelará a ele a verdadeira razão.
A guemará revela que a explicação dada por Shmuel a Avlet, embora verdadeira em si, não era o motivo real de estar deitado ao sol naquele dia específico: tratava-se do dia do solstício de verão, único dia do ano em que, segundo o conhecimento médico da época, o sol trazia benefício real à saúde. Shmuel, porém, ocultou essa razão de Avlet, preferindo dar uma explicação mais genérica e menos reveladora de conhecimento específico.
(Sinal mnemônico: "hekeil, be'ruach, ta'ama, shahah".) Rav e Shmuel, que ambos disseram: todo aquele que é mesquinho na refeição do sangramento — também são mesquinhos com seu sustento vindo do Céu, e dizem: ele mesmo não teve compaixão de sua própria vida, terei eu compaixão dele?!
Após novo sinal mnemônico para a série de ensinamentos seguintes, Rav e Shmuel advertem sobre a gravidade de economizar na refeição reparadora após o sangramento: aquele que, por avareza, deixa de se alimentar adequadamente nesse momento crítico é tratado, no Céu, com a mesma medida de mesquinhez que aplicou a si mesmo — pois, se ele próprio não teve piedade de sua vida, não se espera que o Céu a tenha por ele.
Rav e Shmuel, que ambos disseram: aquele que faz o procedimento do sangramento não se sente onde o vento se enrosca, pois talvez o sangrador o tenha esvaziado do sangue e deixado apenas a medida de um quarto de log, o mínimo necessário à vida, e venha o vento e sugue mais dele, e venha a correr perigo.
Rav e Shmuel advertem sobre um risco físico concreto: após o sangramento, o corpo já ficou reduzido à quantidade mínima de sangue necessária à vida, um quarto de log. Sentar-se num local onde o vento se enrosca e circula intensamente poderia, segundo essa concepção médica, sugar ainda mais dessa reserva vital já escassa, colocando a pessoa em perigo real.
"Onde o vento se enrosca" — um cômodo interno com janelas, por onde o vento entra, se enrosca e se enovela dentro do cômodo. "Talvez o sangrador o tenha esvaziado" — o tenha drenado de seu sangue, como em "aquele que decanta vinho para seu companheiro" (Bava Metzia 60a). "E deixado apenas a medida de um quarto" — não lhe deixou sangue senão o suficiente para viver, isto é, um quarto de log; e então vem o vento e suga dele do sangue restante em seu corpo, diminuindo-o de sua medida mínima, e ele corre perigo.
Shmuel costumava fazer o procedimento do sangramento numa casa com paredes de sete fileiras de tijolos e uma meia fileira a mais. Certo dia, fez o procedimento ali, e sentiu mal-estar em si mesmo. Verificou, e faltava à parede uma meia fileira.
A guemará traz um caso concreto que ilustra o perigo descrito acima: Shmuel tinha o hábito de realizar o sangramento numa sala cuja espessura de parede era cuidadosamente medida, para bloquear correntes de ar perigosas. Certo dia, sentiu-se mal durante o procedimento, e, ao investigar a causa, descobriu que a parede estava com sua espessura reduzida em meio tijolo, permitindo a entrada do vento que lhe fizera mal.
"Sete fileiras e meia" — a espessura da parede era de sete tijolos deitados lado a lado, à largura; pois cada tijolo tem três palmos, e "meia fileira" é meio tijolo, um palmo e meio. "Sentiu mal-estar em si mesmo" — percebeu em si mesmo que estava enfraquecido. "Faltava uma meia fileira" — a parede estava com sua espessura reduzida em meio tijolo.
Rav e Shmuel, que ambos disseram: aquele que faz o procedimento do sangramento — que prove algo, e só então saia. Pois, se não provar nada, e encontrar um cadáver — seu rosto empalidecerá de verde. E, se encontrar alguém que matou uma pessoa — morrerá. E, se encontrar...
O último ensinamento do daf adverte que quem acaba de se submeter ao sangramento não deve sair à rua com o estômago vazio, pois, em tal estado de fragilidade, o encontro com certas coisas ou pessoas no caminho — um cadáver, ou alguém que já matou — traria consequências graves, quando teria sido evitável com uma simples porção de alimento antes de sair. A frase é interrompida exatamente neste ponto pelo fim do daf, no meio da lista de perigos, prosseguindo em Shabbat 129a, que completa o terceiro caso e segue com o restante das leis do sangramento.