O daf abre concluindo o paralelo iniciado ao final de 18b entre vender objetos a um gentio antes de Shabat e vender chametz a um gentio antes de Pêssach: é proibido vender kutach babli (um molho fermentado à base de pão) nos trinta dias que antecedem Pêssach, pois ele não se esgota rapidamente e corre o risco de permanecer em posse do gentio, ou de retornar, depois da festividade. A Guemará então examina uma série de baraitot sobre atos permitidos ou proibidos perto do anoitecer de sexta-feira: dar comida a um cão ou a um gentio no pátio, sem qualquer obrigação de correr atrás se ele a levar consigo; não alugar utensílios a um gentio na véspera de Shabat (mas sim na quarta ou quinta-feira); não enviar cartas por mão de um gentio sem fixar previamente o preço do serviço, com a disputa de Bet Shamai e Bet Hilel sobre até onde o mensageiro deve ter chegado; não embarcar num navio menos de três dias antes de Shabat, exceto por uma mitzvá, ou na rota curta entre Tiro e Sidon; e não cercar cidades de gentios menos de três dias antes de Shabat, exceto para concluir um cerco já iniciado. O daf registra em seguida o costume da casa de Rabban Gamliel quanto a entregar roupas brancas ao lavandeiro com mais antecedência que roupas tingidas, e um episódio de Abaie com um lavandeiro sobre o preço da lavagem. Por fim, retoma-se a pergunta deixada em aberto desde o início do capítulo — por que Bet Shamai decretou especificamente contra as vigas do lagar de azeite e os círculos da prensa de uvas — respondendo que o decreto se aplica onde uma ação em Shabat acarretaria transgressão plena (chatat), e não onde o processo, mesmo se concluído em Shabat, não constitui trabalho proibido; e o daf fecha com a pergunta sobre qual tanna sustenta que tudo o que vem "por si mesmo" é permitido, respondida com a disputa de Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre alho, uvas verdes e espigas trituradas antes do anoitecer.
O kutach babli (um molho fermentado à base de pão, típico da Babilônia) e todos os tipos de kutach, é proibido vendê-los trinta dias antes de Pêssach.
O daf abre concluindo diretamente o paralelo que 18b havia iniciado: assim como Bet Shamai e Bet Hilel discutem até quando é permitido vender chametz comum a um gentio antes de Pêssach, esta baraita trata de um caso mais extremo. O kutach babli é um molho preparado com pão fermentado deixado apodrecer lentamente com leite e sal, um processo que dura muitos dias — de modo que, mesmo vendido com boa margem de antecedência, ele dificilmente "se esgotará" (será totalmente consumido ou descartado pelo gentio) antes do início de Pêssach. Por isso, ao contrário do chametz comum — que Bet Hilel permite vender enquanto for lícito ao próprio israelita comê-lo — o kutach babli é proibido de vender já trinta dias antes da festividade, pois há risco real de que ainda reste em posse do gentio, ou retorne de algum modo à posse do israelita, quando Pêssach já tiver começado.
"O kutach babli" — colocam nele chametz, como dissemos (no tratado Pessachim, capítulo) "Estes (itens) transgridem (a proibição de chametz)"; e não é feito para ser comido de uma vez, mas para nele molhar (outros alimentos), e não se esgota senão depois de muito tempo.
"Trinta dias" — pois, desde quando se começa a expor as leis de Pêssach (em público, trinta dias antes), recai sobre (o kutach) a advertência de Pêssach.
Ensinaram os sábios: dá-se comida diante do cão no pátio (perto do anoitecer de sexta-feira); (se) ele a tomou e saiu (do pátio, levando-a para fora do domínio do israelita, e depois vier a carregá-la em Shabat), não se prendem a ele (isto é, não há obrigação de impedi-lo ou correr atrás). Semelhante a isso: dá-se comida diante do gentio no pátio; (se) ele a tomou e saiu, não se prendem a ele. (Pergunta:) Isto (a segunda baraita), para que mais preciso (dela, já que) é a mesma coisa (que a primeira)? (Resposta:) Poderias dizer: este (o cão) — (o sustento dele) não recai sobre (o israelita como obrigação); e aquele (o gentio) — (o sustento dele) não recai sobre (o israelita, mas ainda assim poderia se pensar que é diferente por ser um ser dotado de razão) — (por isso) nos ensina (que a lei é a mesma para ambos).
A Guemará traz duas baraitot quase idênticas, que tratam de um caso perto do anoitecer de sexta-feira: um israelita coloca comida no pátio para um cão, ou para um gentio, e o animal ou a pessoa a toma e sai levando-a consigo. O receio implícito é que, ao carregar a comida para fora do domínio do israelita já perto de Shabat, o cão ou o gentio possa vir a carregá-la publicamente durante o próprio Shabat, e isso pareça uma transgressão cometida por instrução do israelita. A baraita esclarece que não há obrigação de "prender-se a ele" — isto é, de impedir a saída ou de correr atrás para recuperar a comida — pois, uma vez que ela foi dada e saiu do domínio do israelita, este já não é responsável pelo que acontece depois. A Guemará então questiona por que era necessário repetir a mesma lei duas vezes, uma para o cão e outra para o gentio, e responde que cada caso tinha um motivo específico para se pensar que seria diferente: quanto ao cão, poderia se pensar que, por não haver obrigação de sustentá-lo, a lei seria mais rigorosa; quanto ao gentio, sendo um ser racional, poderia se pensar que a situação seria distinta. A repetição ensina que a lei é a mesma em ambos os casos.
"O cão" — recai sobre (o israelita) (o dever de) sustentá-lo.
Ensinaram os sábios: não alugará um homem seus utensílios a um gentio na véspera de Shabat (sexta-feira); na quarta (feira) e na quinta (feira) é permitido.
Esta baraita trata de alugar utensílios (por exemplo, ferramentas de trabalho) a um gentio. Na sexta-feira, perto do início de Shabat, é proibido, pois pareceria que o israelita está alugando os utensílios especificamente para que o gentio os utilize em Shabat, dando a impressão de que o próprio israelita autorizou ou se beneficia de um trabalho feito em seu nome durante o dia sagrado. Já na quarta-feira ou na quinta-feira, com mais dias de antecedência, essa impressão se dissipa — presume-se que o aluguel é para uso comum, ao longo da semana, sem relação especial com Shabat.
Semelhante a isso: não se enviam cartas por mão de um gentio na véspera de Shabat; na quarta e na quinta (feira) é permitido. Disseram a respeito de Rabi Yossei, o Cohen, e há quem diga que a respeito de Rabi Yossei, o Piedoso (Chassid), que nunca se encontrou (um documento em) sua própria letra em mão de um gentio.
O mesmo princípio se aplica ao envio de cartas: o receio é que o gentio, portando a carta perto do início de Shabat, venha a entregá-la ou carregá-la em domínio público durante o próprio Shabat, associando o nome do israelita remetente a uma transgressão. A Guemará relata que Rabi Yossei (identificado ora como "o Cohen", ora como "o Chassid", o Piedoso) era tão rigoroso nessa matéria que nunca se encontrou um documento escrito de próprio punho em mãos de um gentio — evitando qualquer possibilidade de que sua caligrafia fosse associada a uma transgressão de Shabat cometida por terceiro.
"Não alugará um homem seus utensílios" — para (o gentio) fazer com eles trabalho na véspera de Shabat, pois parece que (o israelita) os aluga para ele por causa de Shabat.
"Que não se encontrou sua letra" — para que (o gentio) não a levasse em Shabat.
Ensinaram os sábios: não se envia uma carta por mão de um gentio na véspera de Shabat, a não ser que (o remetente) fixe para ele (o gentio) um preço (pelo serviço, antes de partir). Bet Shamai diz: (mesmo tendo fixado o preço, é preciso que haja tempo) para que (o gentio) chegue à sua casa; e Bet Hilel diz: (basta que haja tempo) para que chegue à casa vizinha ao muro.
Esta baraita introduz uma condição adicional: quando se envia uma carta por mão de um gentio perto de Shabat, é preciso fixar previamente o preço do serviço. Ao fixar o preço, o gentio passa a carregar a carta por sua própria conta e interesse (para receber o pagamento combinado), e não mais como um mero mensageiro a serviço do israelita — reduzindo a impressão de que o israelita o instruiu a trabalhar em seu nome durante Shabat. Ainda assim, Bet Shamai e Bet Hilel discordam sobre se, mesmo com o preço fixado, ainda é necessário que reste tempo suficiente antes do anoitecer para que o gentio chegue a um destino determinado — repetindo a mesma disputa já vista no final de 18b sobre vender, emprestar ou dar objetos a um gentio.
(Pergunta:) Mas (o remetente) já não fixou (o preço)? (Por que então Bet Shamai e Bet Hilel ainda exigem um prazo mínimo?) Disse Rav Sheshet: assim (deve entender-se) o que (a baraita) diz: e, se não fixou (o preço), Bet Shamai diz: até que (o gentio) chegue à sua casa; e Bet Hilel diz: até que chegue à casa vizinha ao muro. (Pergunta:) Mas não disseste no início (da baraita) que não se enviam (cartas sem fixar o preço, implicando que isso seria absolutamente proibido)? (Resposta:) Não há dificuldade: esta (afirmação), quando há um posto de correio fixo na cidade (onde o mensageiro certamente será encontrado se necessário); e esta (a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel), quando não há posto de correio fixo na cidade.
A Guemará levanta uma dificuldade lógica: se a primeira parte da baraita já exige que se fixe o preço antes de enviar a carta, por que a segunda parte ainda impõe um prazo mínimo (Bet Shamai: até a casa do gentio; Bet Hilel: até a casa vizinha ao muro), como se o preço não tivesse sido fixado? Rav Sheshet resolve a aparente contradição reinterpretando a estrutura da baraita: a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel refere-se especificamente ao caso em que o preço não foi fixado — completando o sentido com "e, se não fixou o preço". A Guemará então questiona novamente: mas a própria baraita não havia dito, em sua primeira cláusula, que sem fixar o preço é absolutamente proibido enviar a carta, sem qualquer exceção de prazo? A resposta final harmoniza as duas partes: a proibição absoluta (sem exceção de prazo) aplica-se quando há um posto de correio fixo na cidade de destino, onde o mensageiro certamente será encontrado a tempo, mesmo que isso ocorra em Shabat; já a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre prazos aplica-se ao caso em que não há posto de correio fixo, quando o único resguardo possível é garantir que o mensageiro tenha percorrido distância suficiente antes do anoitecer.
"A não ser que fixe para ele um preço" — pois, já que fixa para ele um preço, é por conta própria que (o gentio) se esforça (em levar a carta); e Bet Shamai não concorda quanto a (um caso em que já se) fixou (o preço), pois mesmo quando se fixa (o preço, Bet Shamai e Bet Hilel) discordam, já que isto (o caso da carta) não é melhor do que (os casos de) vender, emprestar e dar de presente (vistos em 18b, onde a disputa persiste mesmo com prazo). Mas apenas (para) ensinar a opinião de Bet Hilel (é que a baraita) nos informa que, quando não se fixa (o preço), não há discordância de que é proibido.
"À sua casa" — daquele a quem (a carta) foi enviada.
"À casa vizinha" — ao muro da cidade para onde (a carta) foi enviada.
"Mas já não fixou" — e por que Bet Shamai proíbe, se eles mesmos permitiram acima (quando o preço é fixado)?
"Posto de correio" — a autoridade da cidade, a quem se costuma enviar cartas; (quando é) comum na cidade, enviam-se (as cartas) sem fixar (preço), desde que haja tempo suficiente para que o mensageiro chegue — segundo um (sábio), ao posto de correio, e segundo outro, à casa vizinha ao muro; e a primeira cláusula, que não se envia de modo algum sem fixar (o preço), (refere-se a quando) não há (posto de correio) fixo na cidade, pois, se não o encontrar (o destinatário), (o mensageiro) precisará ir atrás dele em Shabat.
Ensinaram os sábios: não se embarca num navio (saindo para alto-mar) menos de três dias antes de Shabat. Quando isso foi dito? Para (uma viagem por) assunto opcional; mas para (uma viagem por) assunto de mitzvá, é bem (permitido, mesmo com menos de três dias). E (o israelita) combina com (o dono do navio), com a condição de descansar (em Shabat), mas (o dono do navio) não descansa (de fato) — palavras de Rabi (Yehudá HaNassi). Rabban Shimon ben Gamliel diz: não é necessário (sequer combinar tal condição). E de Tiro a Sidon — mesmo na véspera de Shabat é permitido.
Esta baraita trata do risco de que uma viagem marítima iniciada perto demais de Shabat obrigue o passageiro judeu a violar Shabat em alto-mar (por exemplo, por causa dos balanços do navio, que poderiam ser confundidos com um "trabalho" contínuo, ou pela dificuldade prática de manter as leis de Shabat a bordo). Por isso, a regra geral é não embarcar menos de três dias antes de Shabat. Essa restrição, porém, aplica-se apenas a viagens por assuntos opcionais (comércio, lazer); para uma viagem motivada por uma mitzvá, é permitido embarcar mesmo com menos de três dias de antecedência. Rabi e Rabban Shimon ben Gamliel discordam sobre um detalhe prático: se, ao embarcar dentro desse prazo de três dias por causa de uma mitzvá, é necessário formalizar com o dono do navio (tipicamente um gentio) a condição de que a embarcação vá descansar em Shabat — ainda que, na prática, ele não cumpra essa condição — ou se tal combinação sequer é necessária. Por fim, a baraita traz uma exceção geográfica: a rota entre Tiro e Sidon, sendo uma viagem curta (de apenas um dia), é permitida mesmo embarcando na própria véspera de Shabat.
"Embarcam" (mafligin) — separam-se da terra firme para o mar, e esta é a expressão de "embarcar" (haflagat) um navio, porque (a pessoa) se afasta (mafliga) do povoado; e de Rabenu Yaakov ouvi, (no tratado) Eiruvin, que o meio do mar se chama pilagus, e também em língua estrangeira pilagus.
"E combina" — com o gentio, com a condição de (o navio) descansar, mas não precisa (de fato) descansar.
"E de Tiro a Sidon" — não há (entre elas) senão a distância de um dia de caminho, e na véspera de Shabat havia ali o dia de feira, como dizemos (no tratado) Pessachim, (capítulo) "No lugar onde costumavam".
Ensinaram os sábios: não se cercam cidades de gentios menos de três dias antes de Shabat. E, se já começaram (o cerco), não (o) interrompem (por causa de Shabat). E assim costumava dizer Shamai: (o versículo diz) "até sua queda" (Devarim 20:20) — mesmo em Shabat (o cerco pode prosseguir).
Por analogia com a viagem marítima, esta baraita trata de operações militares: não se inicia o cerco a uma cidade de gentios menos de três dias antes de Shabat, presumivelmente para não colocar as tropas na posição de terem de realizar atividades proibidas em Shabat logo no início do cerco. Mas, uma vez que o cerco já foi legitimamente iniciado com antecedência suficiente, ele não é interrompido pela chegada de Shabat — o esforço bélico continuado tem prioridade sobre a observância normal de Shabat nesse contexto específico. A baraita atribui a Shamai (o sábio, fundador da escola de Bet Shamai) uma leitura do versículo bíblico sobre o cerco de cidades — "até sua queda" — como fundamento para que o cerco prossiga ininterruptamente mesmo durante o próprio Shabat.
Disse Rabban Shimon ben Gamliel: costumavam (fazer assim, etc. — retomando um ensinamento anterior da Mishná). Foi ensinado (numa baraita): disse Rabi Tzadok: assim era o costume da casa de Rabban Gamliel: que davam (suas) roupas brancas ao lavandeiro três dias antes de Shabat, e (as) tingidas, mesmo na véspera de Shabat. E de suas palavras aprendemos que as (roupas) brancas são mais difíceis de lavar do que as tingidas.
A Guemará retoma um ensinamento da Mishná (mencionado por Rabban Shimon ben Gamliel) sobre entregar roupas ao lavandeiro gentio perto de Shabat, e traz uma baraita que detalha o costume prático da própria casa de Rabban Gamliel: roupas brancas eram entregues com três dias de antecedência, mas roupas tingidas podiam ser entregues mesmo na própria véspera de Shabat. A razão prática, que a Guemará deduz diretamente do costume, é que manchas e sujeira aparecem com muito mais evidência em tecido branco do que em tecido tingido, exigindo um processo de lavagem mais demorado e cuidadoso para as roupas brancas — daí a necessidade de mais tempo de antecedência, para que o lavandeiro gentio não precise trabalhar nelas ainda durante Shabat.
"E de suas palavras aprendemos etc." — e disso resulta uma consequência prática quanto ao (valor do) salário do lavandeiro (que deve cobrar mais pelas roupas brancas).
Abaie deu certa peça tingida a um lavandeiro. (O lavandeiro) lhe disse: quanto queres (cobrar) por ela (pela lavagem)? (Abaie) lhe disse: como (pela peça) branca. (O lavandeiro) lhe disse: já se anteciparam a ti os sábios (isto é, já ensinaram que a tingida é mais fácil de lavar, e por isso deve custar menos). Disse Abaie: aquele que dá uma peça (de roupa) a um lavandeiro, deve entregá-la a ele com (medida certa de) tempo, e retirá-la dele com (medida certa de) tempo. Pois, se (a deixar) demais (no processo), prejudica-a, pois (a lavagem excessiva) a estica; e se (a deixar) de menos, prejudica-a, pois (a retirada precoce, ainda quente, faz com que) ela encolha.
Um pequeno episódio ilustra na prática o princípio recém-estabelecido: Abaie tentou pagar pela lavagem de uma peça de roupa tingida o mesmo preço que pagaria por uma peça branca, mas o lavandeiro (mostrando conhecer o próprio ensinamento dos sábios citado na baraita anterior) recusou, pois a peça tingida, sendo mais fácil de lavar, deveria custar menos. A partir dessa troca, Abaie extrai uma lição prática mais ampla sobre o processo de lavagem: é preciso entregar e retirar a roupa do lavandeiro com precisão de tempo, pois tanto o excesso quanto a insuficiência de tempo no processo prejudicam o tecido — o excesso estica-o além do desejado, e a insuficiência (retirando-o cedo demais, ainda submetido ao calor ou à água) faz com que encolha.
"Ao katzará" — lavandeiro.
"Quanto queres por ela" — de salário pela lavagem.
"Já se anteciparam a ti os sábios" — que já nos ensinaram que as (peças) brancas são mais difíceis de lavar do que as tingidas.
"Medir" — que (a pessoa) a meça (o tempo) em sua entrega e em seu retorno.
"Que encolhe" — na água fervente.
(Ensinou a Mishná:) "E concordam estes e aqueles (Bet Shamai e Bet Hilel), que se carregam (as vigas do lagar e os círculos da prensa), etc." (Pergunta:) Em que (os outros casos discutidos) são diferentes, que Bet Shamai decretou (proibição) a respeito deles; e em que as vigas do lagar de azeite e os círculos da prensa de uvas são diferentes, que (Bet Shamai) não decretou (proibição a respeito deles)? (Resposta:) Aqueles (casos anteriores), em que, se fizesse (a ação correspondente) em Shabat, seria obrigado a um sacrifício de chatat (por transgressão plena) — a respeito deles Bet Shamai decretou (proibição) já na véspera de Shabat, ao anoitecer. As vigas do lagar de azeite e os círculos da prensa de uvas, em que, se fizesse (a ação correspondente) em Shabat, não seria obrigado a chatat — a respeito deles não decretaram.
A Guemará retoma, ao final do daf, a questão estrutural que percorreu todo este trecho do capítulo: por que Bet Shamai decretou proibições preventivas (contra atiçar as brasas, ou pelo descanso de utensílios) em certos casos, mas não noutros — especificamente, não nas vigas do lagar de azeite (usadas para prensar azeitonas) nem nos círculos da prensa de uvas, que a Mishná já havia declarado permitidos por ambas as escolas. A resposta estabelece o critério decisivo e unificador de toda a discussão: Bet Shamai decreta proibição preventiva apenas onde a ação subjacente, se realizada efetivamente em Shabat, constituiria uma transgressão plena da Torá, sujeita ao sacrifício de chatat (por exemplo, atiçar o fogo, ou completar um processo de fabricação sujeito a melachá). Já nas vigas do lagar e nos círculos da prensa, mesmo que o processo de prensagem continue automaticamente durante Shabat, ele não constitui uma transgressão plena de chatat (por se tratar de uma ação já iniciada e concluída por si mesma, sem intervenção humana ativa em Shabat) — e por isso, nesses casos, não havia razão para o decreto preventivo.
(Pergunta:) Quem é o tanna (que sustenta) que tudo aquilo que vem por si mesmo (sem ação humana direta em Shabat) é bem (permitido)? Disse Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina: é (a opinião de) Rabi Yishmael, pois ensinamos (na Mishná): o alho, e as uvas verdes (bosser), e as espigas (melilot), que (a pessoa) triturou ainda de dia (véspera de Shabat, para extrair o líquido delas) — Rabi Yishmael diz: terminará (de extrair o líquido) depois que escurecer (mesmo já em Shabat); e Rabi Akiva diz: (não terminará)...
O daf fecha com uma pergunta que remete a todo o princípio subjacente à seção sobre as vigas do lagar e os círculos da prensa: qual sábio (tanna) é a fonte da regra de que tudo o que "vem por si mesmo" — isto é, qualquer processo iniciado licitamente antes de Shabat que continua e se completa sem intervenção humana direta durante o próprio Shabat — é permitido? Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina, identifica essa posição como sendo a de Rabi Yishmael, citando uma mishná (a ser tratada com mais detalhe no início do próximo daf) sobre alho, uvas verdes e espigas de cereal que a pessoa tritura ainda de dia, na véspera de Shabat, para extrair delas um líquido usado como tempero ou conserva. Rabi Yishmael permite que o processo de extração do líquido continue e se complete mesmo depois de escurecer, já em pleno Shabat, precisamente porque o líquido "vem por si mesmo", sem nova ação humana. O texto do daf termina exatamente no início da posição discordante de Rabi Akiva, cujo conteúdo a Guemará desenvolve logo no início do daf seguinte, 19b.