Shabbat 126a abre completando a resposta de Rabi Abba, em nome de Rav Kahana, sobre o sentido de "seja assim, seja assim" na Mishná do tampão da janela: seja preso, seja não preso — desde que esteja pronto, isto é, preparado desde a véspera para esse uso; nem sequer a amarração é, portanto, exigida pelos sábios. Rabi Yirmeya pergunta por que o mestre não formulou a resposta ao contrário — seja pendurado, seja não pendurado, desde que esteja preso —, já que Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, ensinou que a disputa aqui é semelhante à disputa sobre o ferrolho que se arrasta: uma mishná ensina que, com o ferrolho que se arrasta, tranca-se a porta no Templo, mas não na província; o que está apenas colocado, sem estar preso, é proibido em ambos os lugares; Rabi Yehudá discorda e permite tanto o que está apenas colocado no Templo quanto o que se arrasta na província. Uma baraita precisa a definição: o ferrolho permitido no Templo é todo aquele que está preso e pendurado, mas cuja ponta chega ao chão; Rabi Yehudá estende a permissão também à província, restando proibido apenas o que não está nem preso nem pendurado, e que o dono simplesmente retira e guarda num canto. Rabi Yehoshua bar Abba, em nome de Ulá, identifica o tanna que proíbe o ferrolho arrastado como sendo Rabi Eliezer, o mesmo que exige, quanto ao tampão da janela, que este esteja preso e pendurado. Rav Kahana responde que ele próprio segue outro tanna — o de uma baraita sobre a cana que o dono da casa preparou para abrir e fechar a porta: o tanna anônimo exige que esteja presa e pendurada na entrada; Rabban Shimon ben Gamliel considera a cana pronta mesmo sem estar presa, bastando a designação. Rav Yehudá bar Shilat, em nome de Rav Assi, em nome de Rabi Yochanan, fixa a halachá conforme Rabban Shimon ben Gamliel. O daf termina no meio de uma objeção contra essa própria tradição: "e acaso disse Rabi Yochanan isso?" — a partir de uma mishná sobre todas as tampas de utensílios que têm alça, que podem ser manuseadas em Shabat; a objeção prossegue diretamente em Shabbat 126b (ainda não publicado). Não há hadran nesta página: o Perek Yud-Zayin (Kol HaKelim) continua em curso.
(Continuação direta de Shabbat 125b: disse Rabi Abba, disse Rav Kahana:) seja preso, seja não preso — desde que esteja pronto (preparado desde a véspera para esse uso).
Este segmento completa a resposta iniciada ao final de Shabbat 125b. Rabi Abba, em nome de Rav Kahana, explica que a expressão dos sábios, "seja assim, seja assim", significa que o tampão da janela pode ser usado esteja ele preso e pendurado, ou não — nem sequer a amarração é, portanto, exigida. A única condição real é que esteja pronto, isto é, que o dono o tenha preparado e destinado a essa função desde antes de Shabat, ainda que na hora em questão não esteja fisicamente preso a nada.
"Seja preso etc." — isto é, nem sequer a amarração é necessária. "Desde que esteja pronto" — preparado desde a véspera para esse fim.
Disse-lhe Rabi Yirmeya (a Rav Kahana): e que dissesse o mestre, antes: seja pendurado, seja não pendurado — desde que esteja preso! Pois disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: assim como é a disputa aqui (quanto ao tampão da janela), assim é a disputa quanto ao ferrolho que se arrasta. Pois aprendemos (numa mishná): o ferrolho que se arrasta — tranca-se com ele no Templo, mas não na província. E o que está apenas colocado (sem estar preso de modo algum) — nem aqui, nem ali, é proibido. Rabi Yehudá diz: o que está colocado é permitido no Templo, e o que se arrasta é permitido na província.
Rabi Yirmeya estranha a formulação de Rav Kahana: por que ele resolveu a questão para o lado mais leniente — dispensando até a amarração —, em vez de formulá-la ao contrário, exigindo ao menos que o tampão esteja preso? A base da pergunta é uma tradição de Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, que compara a disputa do tampão da janela à disputa, já conhecida, sobre o ferrolho que se arrasta pelo chão ao trancar uma porta: uma mishná ensina que esse ferrolho, preso à porta, mas cuja ponta arrasta no chão, pode ser usado para trancar no Templo, mas não na província (fora do Templo); o que está meramente colocado, sem estar preso, é proibido em ambos os lugares. Rabi Yehudá discorda, sendo mais leniente em ambas as direções: permite o que está apenas colocado no Templo, e permite também o que se arrasta na província.
"Disse-lhe Rabi Yirmeya" — por que o mestre resolve a questão para o lado leniente? "Que dissesse o mestre" — que os sábios não discordam senão quanto ao estar pendurado; pois Rabi Eliezer exige que o tampão esteja preso e pendurado, e mesmo estando preso, se sua ponta se arrasta pelo chão, Rabi Eliezer o considera como quem o retira do chão e constrói com ele pela primeira vez; e os sábios lhe dizem: seja pendurado, seja arrastando, pode-se tampar com ele, contanto que esteja preso. "Pois disse Rabá bar bar Chana" — é quanto ao estar pendurado que discordam, e não quanto a estar preso, pois ele compara isso à disputa sobre o ferrolho que se arrasta, e ali, segundo todos, é necessário que esteja preso. "Ferrolho" — uma estaca que se enfia num buraco na soleira, e com ela se tranca a porta. "Que se arrasta" — conforme se explica: que está preso à porta, mas sua ponta se arrasta pelo chão. "Tranca-se com ele no Templo" — pois, já que está preso a ele, é destinado especificamente para isso e já está pronto desde a véspera, e não há nele senão um decreto rabínico de repouso (shevut), e não há decreto de repouso no Templo. "E o que está apenas colocado" — que não está preso de modo algum, mas, quando o dono o retira do buraco, o deixa sobre o chão; por isso, quando o enfia em Shabat, está construindo, e é uma proibição da própria Torá, mesmo no Templo. "O que está colocado é permitido no Templo" — segundo Rabi Yehudá, pois, já que está preparado desde a véspera para isso, não é como quem constrói.
E foi ensinado (numa baraita): qual é o ferrolho que se arrasta, com que se tranca no Templo, mas não na província? Todo aquele que está preso e pendurado, mas cuja ponta chega ao chão. Rabi Yehudá diz: este, mesmo na província, é permitido. Mas então qual é o ferrolho que, na província, é proibido? Todo aquele que não está nem preso nem pendurado, e o dono o retira do buraco e o deixa num canto.
A Guemará traz a baraita que precisa a definição da mishná citada. O ferrolho permitido no Templo, mas não na província, é aquele cuja ponta superior está presa e pendurada, mas cuja ponta inferior chega ao chão — por estar preso, considera-se pronto e próprio para essa função, e o único problema remanescente é um decreto rabínico, que não se aplica no Templo. Rabi Yehudá é mais leniente e permite esse mesmo ferrolho também na província. Segundo ele, o único ferrolho realmente proibido — inclusive no Templo — é aquele que não está preso nem pendurado de forma alguma, e que o dono, todos os dias, simplesmente retira do buraco da soleira e guarda num canto, sem qualquer vínculo permanente com a porta.
"Que está preso e pendurado" — sua ponta superior; mas sua ponta inferior chega ao chão.
E disse Rabi Yehoshua bar Abba, em nome de Ulá: quem é o tanna do ferrolho que se arrasta (que exige as duas condições, preso e pendurado)? É Rabi Eliezer!
Rabi Yehoshua bar Abba, em nome de Ulá, identifica o autor anônimo da mishná do ferrolho: trata-se de Rabi Eliezer, o mesmo que, na Mishná do tampão da janela, exige que este esteja preso e pendurado. A identificação decorre da exigência paralela: assim como Rabi Eliezer exige as duas condições para o tampão, o tanna anônimo do ferrolho exige igualmente que esteja preso e pendurado para ser permitido no Templo — sinal de que se trata do mesmo sábio.
"Quem é o tanna do ferrolho que se arrasta" — que o considera proibido, pois exige as duas condições. "É Rabi Eliezer" — pois ele diz, quanto ao tampão da janela, que se exigem as duas condições; logo, Rabi Yehudá (na baraita do ferrolho) segue os sábios (do tampão); e, assim, os sábios (do ferrolho, na mishná) exigem que esteja preso.
Disse-lhe (Rav Kahana a Rabi Yirmeya): eu falo conforme este outro tanna, pois foi ensinado (numa baraita): a cana que o dono da casa preparou para abrir e fechar a porta com ela — quando está presa e pendurada na entrada, abre-se e fecha-se com ela; se não está presa e pendurada, não se abre nem se fecha com ela. Rabban Shimon ben Gamliel diz: está pronta, ainda que não esteja presa.
Rav Kahana responde a Rabi Yirmeya que não segue a tradição do ferrolho (identificada com Rabi Eliezer), mas sim outra baraita, sobre a cana que o dono da casa destina a abrir e fechar a porta. O tanna anônimo dessa baraita exige que a cana esteja presa e pendurada na entrada para poder ser usada; mas Rabban Shimon ben Gamliel discorda e considera a cana pronta e utilizável mesmo sem estar presa, bastando que o dono a tenha designado para essa função. É essa posição de Rabban Shimon ben Gamliel — que dispensa até a amarração — que Rav Kahana adota como base de sua resposta sobre o tampão da janela.
"Conforme este outro tanna" — que nem sequer exige amarração, conforme Rabban Shimon ben Gamliel, que diz que a mera designação já a torna pronta, ainda que não esteja presa. "Que preparou" — que designou.
Disse Rav Yehudá bar Shilat, disse Rav Assi, disse Rabi Yochanan: a halachá é conforme Rabban Shimon ben Gamliel.
A Guemará traz o veredito final, transmitido em cadeia por Rav Yehudá bar Shilat, em nome de Rav Assi, em nome de Rabi Yochanan: a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel, que dispensa a amarração e considera pronto todo objeto que o dono designou para determinado uso, ainda que não esteja fisicamente preso. Essa mesma linha, confirma a resposta de Rav Kahana sobre o tampão da janela na Mishná deste perek.
(Nota sobre a versão do texto:) "Disse Rav Yehudá" — assim lemos (a versão correta do texto), e não lemos "e disse".
E acaso disse Rabi Yochanan isso (que a halachá é conforme Rabban Shimon ben Gamliel)? Mas não aprendemos (numa mishná): todas as tampas dos utensílios que têm alça...
A Guemará abre uma objeção contra a própria tradição que acaba de trazer, questionando se Rabi Yochanan realmente disse que a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel. A objeção parte de uma mishná — de outro contexto, sobre as tampas de utensílios providas de alça, que podem ser manuseadas em Shabat — cujo texto exato e cuja força contra a tradição de Rabi Yochanan só se esclarecem com a continuação, em Shabbat 126b (ainda não publicado nesta trilha). O daf termina precisamente no início dessa citação, interrompida em pleno "todas as tampas dos utensílios".