Shabbat 131b abre completando a réplica de Abaie interrompida ao final de 131a: já que tzitzit e mezuzá não têm tempo fixo para serem cumpridas, cada momento é, em certo sentido, "seu tempo" — o que deveria, ao contrário do que disse Rav Yosef, tornar seus preparativos mais urgentes, não menos. Mas a guemará abandona inteiramente essa linha de raciocínio e oferece a razão verdadeira, em nome de Rav Nachman, que a disse em nome de Rabi Yitzchak — e há quem diga, em nome de Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: a razão pela qual tzitzit e mezuzá não afastam o Shabat é que está nas mãos do próprio dono torná-los sem dono (hefker), livrando-se assim da obrigação a qualquer momento, ao contrário do ómer e dos dois pães, obrigações fixas do dia que ninguém pode simplesmente declarar sem dono. Encerrado esse debate, a guemará embarca numa longa investigação: de onde, exatamente, Rabi Eliezer aprende que os preparativos de cada mitzvá específica afastam o Shabat? Para o lulav, não do ómer e dos dois pães, que são necessidade do Alto, mas do próprio versículo "no dia", que inclui até o Shabat — inclusão que não serve para permitir movê-lo, pois isso já seria permitido, mas para seus preparativos; explica-se ainda por que os sábios, que rejeitam essa regra geral, usam esse mesmo "no dia" apenas para excluir a noite, e de onde Rabi Eliezer aprende essa mesma exclusão, a partir de "e vos alegrareis... sete dias" — dias e não noites; e por que não bastaria escrever a regra somente quanto ao lulav e dela derivar as demais mitzvot: porque o lulav tem a peculiaridade de exigir quatro espécies, o que impediria a generalização. Passa-se então à sucá: refutam-se o ómer, os dois pães e o próprio lulav como fontes, e conclui-se que Rabi Eliezer a aprende por uma guezerá shavá de "sete dias" com o lulav; e explica-se por que não bastaria escrever a regra só quanto à sucá, pois esta tem a peculiaridade de valer também à noite, como de dia. Segue-se a matzá: refutam-se as três fontes anteriores, e conclui-se por uma guezerá shavá de "quinze" com a festa de Sucot; e explica-se por que não bastaria escrever a regra só quanto à matzá, pois esta obriga também as mulheres, ao contrário do lulav e da sucá. Segue-se o shofar: refutam-se as quatro fontes anteriores, e aprende-se do versículo "dia de shofar vos será" — inclusão que também não serve para permitir o próprio toque, pois a escola de Shmuel já ensinara que tocar o shofar e tirar o pão do forno são atos de perícia, não de trabalho proibido, e portanto já seriam permitidos —, mas para seus preparativos; explica-se de onde os sábios e Rabi Eliezer aprendem a exclusão da noite, por uma guezerá shavá entre o shofar de Rosh Hashaná e o de Yom Kipur; e explica-se, por fim, por que não bastaria escrever a regra quanto a um só desses dois toques de shofar, pois cada um tem sua peculiaridade própria: o de Rosh Hashaná traz as lembranças de Israel diante de seu Pai nos céus, e o de Yom Kipur, no ano do Jubileu, liberta escravos para suas casas e devolve campos a seus donos. Por fim, chega-se à milá: pergunta-se de onde Rabi Eliezer a aprende, e responde-se que a aprende de todas as mitzvot anteriores reunidas, tal como se disse. O daf termina interrompido bem no início de uma nova objeção — "e ainda: o que há de peculiar naquelas..." —, sem revelar qual peculiaridade se aponta nem a conclusão do argumento, a continuar em Shabbat 132a, ainda não publicado.
... cada momento é seu tempo (e por isso a obrigação deveria ser mais urgente, não menos)? Mas a guemará abandona essa linha e disse Rav Nachman em nome de Rabi Yitzchak — e há quem diga, em nome de Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: a razão verdadeira é porque está em suas mãos torná-los sem dono (hefker).
"Cada momento é seu tempo" — pois, tendo ele um manto todo dia, sempre que o deixa sem tzitzit transgride um preceito positivo, mesmo que esteja apenas guardado numa caixa; por isso, todo dia a mitzvá recai sobre ele.
"Porque está em suas mãos torná-los sem dono" — e assim eles saem de seu domínio, e a obrigação não recai mais sobre ele.
Completa-se aqui a réplica de Abaie, cortada ao final de 131a: já que tzitzit e mezuzá não têm tempo fixo para serem cumpridas, a cada momento a obrigação está, em certo sentido, presente — o que deveria, pelo raciocínio de Abaie, tornar seus preparativos mais urgentes, não menos, contrariando a explicação de Rav Yosef. Mas a guemará não resolve a dificuldade a partir dessa troca: em vez disso, oferece a razão verdadeira, transmitida por Rav Nachman em nome de Rabi Yitzchak (ou, segundo outra versão, por Rav Huna filho de Rav Yehoshua). A diferença entre tzitzit e mezuzá, de um lado, e o ómer e os dois pães, de outro, está em que o dono do manto ou da casa sempre pode declará-los sem dono (hefker), livrando-se assim da obrigação a qualquer momento — o que nunca é possível quanto a uma oferenda fixa do dia no Templo. Por não ser uma obrigação absolutamente inescapável, seus preparativos não têm o poder de afastar o Shabat.
Disse o Mestre: o lulav e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer. De onde o aprende Rabi Eliezer? Se dissesses que o aprende do ómer e dos dois pães — mas esses são necessidade do Alto! Antes, disse o versículo: "no dia" (Vayikra 23:40). "No dia" — mesmo em Shabat. E para qual halachá vem essa inclusão? Se dizes que é para o taltul (movê-lo) — seria necessário um versículo para permitir o taltul?! Antes, vem para seus preparativos.
"Se dissesses que o aprende do ómer e dos dois pães" — pois daí se aprenderia por "mah matzinu" (analogia do que já encontramos alhures).
"No dia — mesmo em Shabat" — visto que não está escrito "no primeiro dia", o versículo vem ensinar algo mais: em qualquer dia que seja o primeiro da festa (mesmo Shabat).
"Antes, vem para seus preparativos" — pois isso é uma proibição da Torá. Quanto ao "para qual halachá é necessário incluir isso": se dissesses que é para permitir o taltul, como o versículo sugere — pois "tomar" seria apenas movimentação comum, e ainda na entrega da Torá não se havia proibido taltul, de modo que não seria necessário um versículo para permitir isto.
Iniciada a investigação mitzvá por mitzvá, a guemará pergunta de onde Rabi Eliezer aprende que os preparativos do lulav afastam o Shabat. Não pode ser do ómer e dos dois pães, pois estes são necessidade do Alto — uma categoria própria de ofertas do Templo, que não se compara facilmente a uma mitzvá pessoal como o lulav. Em vez disso, aprende-se do próprio versículo que ordena tomar o lulav "no dia", incluindo qualquer dia que seja o primeiro da festa, mesmo que caia em Shabat. Essa inclusão não pode servir para permitir simplesmente movê-lo (taltul), pois isso já seria permitido por si só; deve, portanto, servir para permitir seus preparativos — como cortá-lo de onde está preso à terra —, que de outro modo seriam proibições de Torá.
E os sábios (que não concordam com Rabi Eliezer nesta regra)? Aquele versículo é necessário para ensinar que a mitzvá do lulav vale de dia e não de noite. E Rabi Eliezer, de onde aprende que vale de dia e não de noite? Aprende-o de "e vos alegrareis diante do Senhor vosso Deus sete dias" — dias e não noites.
A guemará considera a objeção implícita: se os sábios rejeitam a regra geral de Rabi Eliezer, para que usam o versículo "no dia"? Respondem que, para eles, esse versículo serve apenas para restringir a mitzvá do lulav ao dia, excluindo a noite. Mas então se pergunta de onde Rabi Eliezer, que já usou "no dia" para os preparativos, extrai essa mesma exclusão da noite — e responde-se que ele a aprende de outro versículo, "e vos alegrareis... sete dias", entendendo "dias" como excluindo as noites.
E os sábios também precisam desse versículo — é necessário, pois de outro modo poderias pensar: aprendamos "sete dias" (do lulav) da sucá: assim como ali (na sucá) "dias" inclui até as noites, também aqui "dias" incluiria até as noites — por isso o versículo vem nos ensinar o contrário.
"Assim como ali (na sucá), 'dias' inclui até as noites" — como se aprende no tratado Sucá (43a).
Explica-se por que, mesmo os sábios, que não aceitam a regra geral de Rabi Eliezer, precisam do versículo "e vos alegrareis... sete dias" para excluir a noite quanto ao lulav: sem ele, poder-se-ia supor, por analogia com a sucá — onde "sete dias" é entendido como incluindo também as noites, conforme se ensina em Sucá 43a —, que o mesmo valeria para o lulav. O versículo vem, portanto, ensinar o contrário: quanto ao lulav, "dias" exclui expressamente as noites.
Mas então, que o Misericordioso escrevesse a regra apenas quanto ao lulav, e viessem estas outras mitzvot e dela aprendessem! Não se faz assim porque há como refutar: o que há de peculiar no lulav? Que ele exige quatro espécies.
"Que o Misericordioso escrevesse a regra apenas quanto ao lulav" — que seus preparativos afastam o Shabat.
"E viessem estas outras mitzvot" — a saber, o ómer e os dois pães, e dela aprendessem; para que precisaria a Torá de escrevê-lo separadamente em todas elas?
Pergunta-se por que a Torá não bastaria escrever a regra apenas quanto ao lulav, deixando que as demais mitzvot — o ómer e os dois pães, e as que se seguem — a derivassem por analogia. Responde-se que isso não funcionaria, pois haveria como refutar a analogia: o lulav tem a peculiaridade de exigir quatro espécies distintas reunidas, uma exigência específica que não se aplica às demais mitzvot, de modo que não se poderia generalizar a partir dele sozinho.
A sucá e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer. De onde o aprende Rabi Eliezer? Se dissesses que o aprende do ómer e dos dois pães — mas esses são necessidade do Alto. Se dissesses que o aprende do lulav — mas este exige quatro espécies. Antes, Rabi Eliezer aprende por guezerá shavá "sete dias" do lulav: assim como ali (no lulav) seus preparativos afastam o Shabat, também aqui (na sucá) igualmente seus preparativos afastam o Shabat.
"Se dissesses que o aprende do lulav" — isto é, dissesses que o aprende por "mah matzinu": do lulav, que é mitzvá e seus preparativos afastam o Shabat, também a sucá, que é mitzvá, teria seus preparativos afastando o Shabat.
"Aprende por guezerá shavá 'sete dias' etc." — e por guezerá shavá ele o obtém; e ainda que o termo não esteja livre dos dois lados, pois, quanto ao lulav, é um único "sete dias" que está escrito, e dele Rabi Eliezer também deriva a exclusão das noites — visto que o Misericordioso já revelou a regra a respeito do ómer, dos dois pães e do lulav, isso é uma simples revelação adicional, e não se refuta uma guezerá shavá desse tipo com objeções.
Pergunta-se agora de onde Rabi Eliezer aprende que os preparativos da sucá afastam o Shabat. Não do ómer e dos dois pães, necessidade do Alto, nem do lulav por simples analogia ("mah matzinu"), pois este tem a peculiaridade de exigir quatro espécies. Em vez disso, aprende-se por uma guezerá shavá: a palavra "sete dias", usada tanto a respeito do lulav quanto da sucá, ensina que, assim como os preparativos do lulav afastam o Shabat, também os da sucá o afastam — mesmo que essa guezerá shavá não esteja livre de ambos os lados, pois, uma vez que a regra já foi revelada para três mitzvot anteriores, trata-se apenas de uma revelação adicional, não sujeita à mesma exigência de refutabilidade.
Mas então, que o Misericordioso escrevesse a regra apenas quanto à sucá, e viessem estas outras mitzvot e dela aprendessem! Não se faz assim porque há como refutar: o que há de peculiar na sucá? Que ela vale de noite como de dia.
"E viessem estas outras mitzvot" — a saber, o ómer e os dois pães, e dela (da sucá) aprendessem.
Pelo mesmo padrão da pergunta anterior, indaga-se por que não bastaria escrever a regra apenas quanto à sucá, deixando as demais mitzvot derivarem dela. Responde-se novamente que a analogia seria refutável: a sucá tem a peculiaridade de valer tanto de noite quanto de dia, ao contrário do lulav e de outras mitzvot que valem apenas de dia — diferença suficiente para impedir a generalização.
A matzá e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer. De onde o aprende Rabi Eliezer? Se dissesses que o aprende do ómer e dos dois pães — mas esses são necessidade do Alto. Se dissesses que o aprende do lulav — mas este exige quatro espécies. Se dissesses que o aprende da sucá — mas esta vale de noite como de dia. Antes, Rabi Eliezer aprende por guezerá shavá "quinze" e "quinze" da festa de Sucot: assim como ali (em Sucot) seus preparativos afastam o Shabat, também aqui (na matzá) seus preparativos afastam o Shabat.
"Se dissesses que o aprende da sucá — mas esta vale de noite como de dia" — ao passo que a matzá é obrigatória apenas na primeira noite, e não mais além dela, como dissemos em Pessachim (120a).
Repetido o padrão, refutam-se sucessivamente o ómer e os dois pães, o lulav e a sucá como fontes para a matzá — cada um por sua peculiaridade própria, sendo a da sucá o fato de obrigar também à noite continuamente, ao passo que a matzá é obrigatória apenas na primeira noite de Pessach. Rabi Eliezer aprende, em vez disso, por uma guezerá shavá entre o "quinze" do dia da matzá e o "quinze" da festa de Sucot: assim como os preparativos da sucá afastam o Shabat, também os da matzá o afastam.
Mas então, que o Misericordioso escrevesse a regra apenas quanto à matzá, e viessem estas outras mitzvot e dela aprendessem! Não se faz assim porque há como refutar: o que há de peculiar na matzá? Que ela obriga as mulheres como os homens.
"Que o Misericordioso escrevesse a regra" — explicitamente quanto à matzá, e daí derivassem todas estas outras mitzvot.
"Obriga as mulheres como os homens" — como se aprende em Pessachim (43b): "não se coma com ele pão levedado sete dias, etc.": todo aquele a quem se aplica "não comerás pão levedado" a ele se aplica "levanta-te e come matzá"; e as mulheres estão incluídas em "não comerás pão levedado", pois todo preceito negativo, seja ele condicionado ao tempo, seja não condicionado ao tempo, obriga as mulheres igualmente — excluindo-se a sucá e o lulav, que não obrigam as mulheres, por serem preceitos positivos condicionados ao tempo.
Pergunta-se, como antes, por que não bastaria escrever a regra apenas quanto à matzá. Responde-se que a analogia seria refutável: a matzá tem a peculiaridade de obrigar igualmente homens e mulheres — pois a proibição correspondente de comer pão levedado é um preceito negativo, e todo preceito negativo obriga as mulheres, condicionado ou não ao tempo —, ao passo que a sucá e o lulav, preceitos positivos condicionados ao tempo, não obrigam as mulheres. Essa diferença impede que a regra se generalize a partir da matzá sozinha.
O shofar e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer. De onde o aprende Rabi Eliezer? Se dissesses que o aprende do ómer e dos dois pães — mas esses são necessidade do Alto. Se dissesses que o aprende do lulav — mas este exige quatro espécies. Se dissesses que o aprende da sucá — mas esta vale de noite como de dia. Se dissesses que o aprende da matzá — mas esta obriga as mulheres como os homens. Antes, disse o versículo: "dia de teruá vos será" (Bemidbar 29:1). "Dia" — mesmo em Shabat. E para que? Se dizes que é para permitir o toque — mas já ensinou a escola de Shmuel a respeito de "toda obra de trabalho não fareis": excluiu-se o toque do shofar e o tirar o pão quente do forno, que são obras de perícia e não trabalho proibido. Antes, vem para seus preparativos.
"E para que" — este versículo, para que finalidade veio permitir a teruá em Shabat? Se dissesses que é para permitir o toque, não seria necessário, pois nem mesmo o toque facultativo tem em si proibição de Torá.
"Obra de trabalho" — isto é, de esforço penoso.
Pelo mesmo padrão, refutam-se sucessivamente as quatro fontes anteriores — ómer e dois pães, lulav, sucá e matzá — cada uma por sua peculiaridade já estabelecida. Rabi Eliezer aprende, em vez disso, do versículo "dia de teruá vos será", dito a respeito de Rosh Hashaná, que inclui até o Shabat. Mas essa inclusão não pode servir para permitir o próprio toque do shofar, pois a escola de Shmuel já ensinara, a partir de "toda obra de trabalho não fareis", que tocar o shofar e tirar o pão quente do forno são atos de perícia, não de trabalho propriamente dito, e portanto já seriam permitidos em Shabat sem necessidade de um versículo especial. Deve, então, servir para seus preparativos.
E os sábios (que não concordam com essa regra geral)? Aquele versículo é necessário para ensinar que o shofar de Rosh Hashaná se toca de dia e não de noite. E Rabi Eliezer, de onde aprende que se toca de dia e não de noite? Aprende-o de "no dia do Kipur, fareis soar o shofar por toda a vossa terra", e os dois versículos se aprendem um do outro (por guezerá shavá).
"E os dois versículos se aprendem um do outro" — como se ensina no tratado Rosh Hashaná (33b): que não seria necessário dizer "no sétimo mês" a respeito do toque de Rosh Hashaná, pois em vários versículos já se escreveu que Yom Kipur também ocorre no sétimo mês; para que então se ensina "no sétimo mês"? Para que todos os toques de teruá do sétimo mês sejam tratados como equivalentes.
Segue-se o mesmo padrão das perguntas anteriores: para os sábios, o versículo "dia de teruá" serve apenas para restringir o toque de Rosh Hashaná ao dia, excluindo a noite. Mas de onde Rabi Eliezer, que já usou esse versículo para os preparativos, aprende essa mesma exclusão da noite? Aprende-a do versículo paralelo sobre o shofar de Yom Kipur, "no dia do Kipur fareis soar o shofar", e os dois versículos se ensinam mutuamente por uma guezerá shavá da expressão "sétimo mês", comum a ambas as festas, conforme se explica em Rosh Hashaná 33b.
Mas então, que o Misericordioso escrevesse a regra apenas quanto ao shofar de um deles, e viessem estas outras mitzvot e dele aprendessem! Do toque do shofar de Rosh Hashaná não há como as demais aprender — pois ele traz as lembranças de Israel diante de seu Pai que está nos céus. Do toque do shofar de Yom Kipur não há como as demais aprender — pois disse o Mestre: quando o tribunal tocou o shofar no Jubileu, foram libertados os escravos para suas casas, e os campos voltaram a seus donos.
"Foram libertados os escravos para suas casas" — a proclamação de liberdade do Jubileu depende dele (desse toque); por isso ele é tão importante.
Pergunta-se, uma última vez nesta cadeia, por que não bastaria escrever a regra quanto a um único toque de shofar — o de Rosh Hashaná ou o de Yom Kipur —, deixando que as demais mitzvot dele derivassem. Responde-se que nenhum dos dois poderia servir de fonte geral, pois cada um tem sua própria peculiaridade insubstituível: o toque de Rosh Hashaná traz as lembranças de Israel diante do Pai celestial, e o toque de Yom Kipur, no ano do Jubileu, liberta escravos para suas casas e devolve campos a seus donos originais — traços exclusivos que impedem a generalização a partir de qualquer um deles sozinho.
Disse o Mestre: a milá e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer. De onde a aprende Rabi Eliezer? Se dissesses que a aprende de todas as mitzvot anteriores reunidas — seria como já dissemos. E ainda se objeta: o que há de peculiar naquelas...
"Se dissesses que a aprende de todas elas reunidas" — isto é, de qualquer uma delas isoladamente entre todas.
"Seria como já dissemos" — pois há como refutar, em relação a cada uma dessas mitzvot, um lado de peculiaridade mencionado acima.
Chega-se, por fim, à milá. Pergunta-se de onde Rabi Eliezer aprende que seus preparativos também afastam o Shabat, e responde-se, num primeiro momento, que a aprende de todas as mitzvot anteriores reunidas — tal como já se explicou a cadeia de derivações para lulav, sucá, matzá e shofar. Mas de imediato levanta-se uma nova objeção, no mesmo padrão das anteriores: "e ainda: o que há de peculiar naquelas..." — indicando que também essa fonte coletiva poderia ser refutada por alguma peculiaridade comum às demais mitzvot que não se aplicaria à milá. O daf termina exatamente aqui, no meio da objeção, sem revelar qual peculiaridade se aponta nem como a dificuldade se resolve.