Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Zayin (Klal Gadol)
בָּעַל חָמֵשׁ בְּעִילוֹת

Completa-se a frase interrompida de Ulla sobre o asham vadai da serva designada; Rav Hamnuna objeta com o caso do ato posterior à separação; Rav Dimi e Abaye discutem o alcance da posição oposta; e Ravin resume as três posições — folha que termina em aberto na nova sugia do mitasek

Shabbat 72a — completa diretamente a frase interrompida ao final de 71b: Ulla ensina que, segundo a opinião de que a oferenda pela relação com a serva designada é uma oferenda de culpa certa (asham vadai), não se requer tomada de conhecimento no início, de modo que quem tem cinco relações com ela, mesmo tornando-se-lhe conhecida a transgressão entre cada uma, não é responsável senão por uma só oferenda. Rav Hamnuna objeta com o caso de quem já separou uma oferenda e pede que se espere até que ele tenha mais uma relação — e Ulla esclarece que sua regra vale apenas antes da separação da oferenda. Rav Dimi, ao chegar da terra de Israel, propõe o oposto para quem exige tomada de conhecimento no início: responsabilidade por cada relação separadamente — mas recua diante da objeção de Abaye, que compara o caso à disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre a oferenda de pecado, restringindo sua afirmação ao caso posterior à separação. Ravin resume, então, três posições sobre a serva designada — duas de consenso e uma de disputa. A folha termina em aberto, no limite exato da paginação, com a palavra "ensinou-se", abrindo uma nova sugia sobre o mitasek (quem age sem intenção) — cujo caso, a pessoa que pretendia levantar o que já estava destacado e por engano cortou o que estava preso ao solo, só aparece no início de 72b.

A folha abre completando diretamente a frase interrompida ao final de 71b. Ulla havia começado a ensinar que, segundo a opinião de que a oferenda trazida por quem tem relações com uma shifchah charufah (serva hebreia meio liberta, designada a um servo hebreu) é uma oferenda de culpa certa (asham vadai), não se requer tomada de conhecimento da transgressão antes de trazer a oferenda. 72a completa o pensamento com o caso ilustrativo: quem teve cinco relações com a serva designada, mesmo que se lhe tenha tornado conhecida a transgressão entre cada uma delas, não é responsável senão por uma só oferenda — pois, sendo o asham vadai uma oferenda que não depende de tomada de conhecimento prévia, a tomada de conhecimento intermediária não tem o poder de dividir as relações em transgressões distintas, tal como ocorre com a oferenda de pecado comum. Rav Hamnuna objeta fortemente: mas, se assim é, o que dizer de alguém que teve relações, voltou a ter relações, e já separou um animal como oferenda pela primeira transgressão — e então disse explicitamente "esperai por mim, até que eu tenha relações mais uma vez", pretendendo que essa mesma oferenda já separada expie também a relação futura? Seria também aí verdade que ele não é responsável senão por uma? Ulla esclarece que sua regra original se referia apenas a um ato ocorrido antes da separação da oferenda — uma vez que a oferenda já foi separada especificamente pela transgressão anterior, um ato posterior a essa separação já não se soma a ela, e exige oferenda própria. Em seguida, quando Rav Dimi chega da terra de Israel para a Babilônia, ele propõe a posição inversa: segundo quem sustenta que o asham vadai requer tomada de conhecimento no início (tal como a oferenda de pecado comum), quem tem cinco relações com a serva designada é responsável por cada uma delas separadamente — pois, sendo a tomada de conhecimento significativa para esta oferenda, ela divide as relações em transgressões distintas. Abaye objeta: mas, quanto à própria oferenda de pecado, que certamente requer tomada de conhecimento no início, Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam justamente sobre se a tomada de conhecimento intermediária divide as transgressões cometidas em um só esquecimento — não sendo, portanto, evidente que ela divida! Rav Dimi silencia, sem resposta imediata. Abaye então lhe oferece uma saída: talvez sua afirmação se referisse apenas a um ato ocorrido depois da separação da oferenda, alinhando-se à posição de Rav Hamnuna — e Rav Dimi confirma que sim, era essa sua intenção original. Por fim, quando Ravin chega da terra de Israel, ele resume o estado da questão em três posições sobre a serva designada: todos concordam que, antes da separação da oferenda, não há responsabilidade senão por uma, como ensinou Ulla; todos concordam que, depois da separação, há responsabilidade por cada relação, como ensinou Rav Hamnuna; e há discordância apenas quanto ao caso da tomada de conhecimento antes da separação, segundo quem sustenta que o asham vadai requer tomada de conhecimento no início — caso em que a questão se equipara exatamente à disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre a oferenda de pecado. Encerrada essa sugia, a folha abre uma nova, com a palavra "ensinou-se" — mas a frase é cortada exatamente aí, no limite da paginação, sem que se saiba ainda qual caso será ensinado. Confirma-se, de forma independente, que o início de 72b completa exatamente esta frase, com o caso de quem pretendia levantar o que já estava destacado do solo e, por engano, cortou o que ainda estava preso a ele — um caso central na discussão sobre o mitasek, aquele que age sem qualquer intenção.

Conclui-se: Ulla e Rav Hamnuna sobre o ato posterior à separação · מַעֲשֶׂה דִּלְאַחַר הַפְרָשָׁה

01Cinco relações, uma só oferenda — e a objeção de Rav Hamnuna
Ulla (continuação da frase interrompida ao final de 71b); Rav Hamnuna
בָּעַל חָמֵשׁ בְּעִילוֹת בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה — אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת. מַתְקִיף לַהּ רַב הַמְנוּנָא: אֶלָּא מֵעַתָּה בָּעַל וְחָזַר וּבָעַל וְהִפְרִישׁ קׇרְבָּן, וְאָמַר: הַמְתִּינוּ לִי עַד שֶׁאֶבְעוֹל, הָכִי נָמֵי דְּאֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת? אֲמַר לֵיהּ: מַעֲשֶׂה דִּלְאַחַר הַפְרָשָׁה קָאָמְרַתְּ?! מַעֲשֶׂה דִּלְאַחַר הַפְרָשָׁה לָא קָאָמֵינָא.

...teve cinco relações com a serva designada — não é responsável senão por uma. Rav Hamnuna objetou fortemente: mas, se é assim, teve relações, e voltou a ter relações, e separou uma oferenda, e disse: esperai por mim até que eu tenha relações — também aqui ele não é responsável senão por uma? Disse-lhe Ulla: falas de um ato posterior à separação da oferenda?! De um ato posterior à separação eu não disse.

Nota

Este segmento completa diretamente a frase interrompida ao final de 71b. Ulla ilustra sua regra com o caso concreto: alguém tem cinco relações sucessivas com uma shifchah charufah, tornando-se-lhe conhecida a transgressão de cada uma antes de cometer a seguinte — e, ainda assim, como a oferenda pela serva designada não requer tomada de conhecimento no início (segundo a opinião de que é uma oferenda de culpa certa), a tomada de conhecimento intermediária não tem o poder de dividir as cinco relações em cinco transgressões distintas, e uma só oferenda basta para todas. Rav Hamnuna objeta com um caso mais extremo: e se a pessoa já separou um animal como oferenda pela primeira relação, e depois, deliberadamente, pede que se aguarde a oferenda desse animal até que ela tenha mais uma relação, pretendendo que a mesma oferenda já separada sirva também para essa relação futura — seria isso também permitido, sem necessidade de segunda oferenda? Isto pareceria absurdo, pois uma oferenda já separada para uma transgressão específica não deveria poder ser estendida, por mera intenção, a uma transgressão ainda não cometida. Ulla responde que não há contradição: sua regra original tratava apenas do caso anterior à separação da oferenda — antes de a oferenda ser separada, a tomada de conhecimento intermediária de fato não divide, e todas as relações anteriores à separação se somam em uma só oferenda; mas, uma vez separada a oferenda especificamente pela transgressão já ocorrida, um ato cometido depois dessa separação já não pertence a ela, e requer oferenda própria.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "baal chamesh be'ilot bishfachah charufah" e "hamtinu"
בעל ה' בעילות בשפחה חרופה - בשוגג ונודע לו בין כל אחת ואחת אינו חייב אלא אחת להכי נקט שפחה חרופה משום דמביא קרבן אחד על עבירות הרבה כדתנן בכריתות (דף ט.) ה' מביאין קרבן אחד על עבירות הרבה הבא על השפחה ביאות הרבה וכו' וכי תנן מתני' דנפטר בקרבן אחד הני מילי במזיד שהוא מן המביאים על המזיד כשוגג דכתיב (ויקרא י״ט:כ׳) בקורת תהיה ומלקות בשוגג ליכא וגבי מזיד רבי קרא דנפטר בקרבן אחד על ביאות הרבה כדיליף התם וכ"ש על ביאות שוגג הרבה בהעלם אחד אבל שוגג ונודע לו בין ביאה לביאה למאן דבעי ידיעה בתחלה באשם ודאי חשיב הוא לחלק לאשמות כהבאת כפרה המחלקת לעושה מזיד וצריך להביא על כל אחת ואחת אליבא דר' יוחנן דאמר לעיל באוכל שני זיתי חלב בהעלם אחד ונודע לו בשתי ידיעות שמביא חטאת על כל אחת ואחת דחשיבא ליה חילוק ידיעה כאילו הביא קרבן בין ידיעה לידיעה הכא נמי חשיב חילוק ידיעה כאילו הביא קרבן בין ביאה לביאה ואשמעינן עולא דלמאן דלא בעי ידיעה באשם בתחלה אינה חשובה לחלק בינתים ואינו חייב אלא אחת דכיון דלא חשיבא ליה ידיעה לא מחלקת והא מילתא דעולא נקט לה הכא משום דרב דימי דאיירי עלה ופרכינן עלה מפלוגתא דרבי יוחנן וריש לקיש: המתינו - שלא תקריבוהו עד שאבעול עוד:

"'Teve cinco relações com a serva designada'" — em erro, e tornou-se-lhe conhecida a transgressão entre cada uma delas, e ainda assim não é responsável senão por uma. Por isso se tomou o caso da serva designada, porque ela traz uma só oferenda por muitas transgressões, como se ensina em Keritot (9a): cinco trazem uma só oferenda por muitas transgressões — quem tem relações com a serva designada muitas vezes, etc. E, quando a mishná ensina que a pessoa é isenta com uma só oferenda, isto se aplica ao caso de transgressão deliberada, que é um dos casos que trazem oferenda por transgressão deliberada como se fosse em erro — pois está escrito "haverá exame" (Levítico 19:20), e não há açoites em caso de erro; e, quanto à transgressão deliberada, o versículo a incluiu para ser isenta com uma só oferenda por muitas relações, como se deduz ali; e tanto mais quanto a muitas relações em erro, dentro de um só esquecimento. Mas, em erro, tendo-se-lhe tornado conhecida a transgressão entre uma relação e outra, segundo quem requer tomada de conhecimento no início quanto à oferenda de culpa certa, isto é considerado como dividindo a responsabilidade em oferendas, tal como a separação da expiação divide para quem age deliberadamente, e é preciso trazer uma oferenda por cada uma — segundo Rabi Yochanan, que disse acima, quanto a quem come duas azeitonas de sebo em um só esquecimento e tornam-se-lhe conhecidas em duas tomadas de conhecimento, que traz uma oferenda de pecado por cada uma, pois a divisão da tomada de conhecimento lhe é considerada como se tivesse trazido a oferenda entre uma tomada de conhecimento e outra; aqui também, a divisão da tomada de conhecimento é considerada como se tivesse trazido a oferenda entre uma relação e outra. E Ulla nos ensina que, segundo quem não requer tomada de conhecimento no início quanto a esta oferenda, ela não é considerada como dividindo no meio tempo, e a pessoa não é responsável senão por uma — pois, visto que a tomada de conhecimento não lhe é considerada, ela não divide. E esta questão de Ulla, ele a trouxe aqui por causa de Rav Dimi, que trata dela, e objetamos contra ela a partir da disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish. "'Esperai por mim'" — que não a ofereçais até que eu tenha relações mais uma vez.

Rav Dimi, Abaye e Ravin: o alcance de cada posição · חַיָּיב עַל כׇּל אַחַת וְאַחַת

02Rav Dimi propõe responsabilidade por cada relação — e recua diante de Abaye
Rav Dimi; Abaye
כִּי אֲתָא רַב דִּימִי אָמַר: לְמַאן דְּאָמַר אָשָׁם וַדַּאי בָּעֵי יְדִיעָה בַּתְּחִלָּה, בָּעַל חָמֵשׁ בְּעִילוֹת בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה — חַיָּיב עַל כׇּל אַחַת וְאַחַת. אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי: הֲרֵי חַטָּאת, דְּבָעֵינַן יְדִיעָה בַּתְּחִלָּה, וּפְלִיגִי רַבִּי יוֹחָנָן וְרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ! אִישְׁתִּיק. אֲמַר לֵיהּ: דִּלְמָא בְּמַעֲשֶׂה דִּלְאַחַר הַפְרָשָׁה קָאָמְרַתְּ, וְכִדְרַב הַמְנוּנָא? אֲמַר לֵיהּ: אִין.

Quando Rav Dimi veio, disse: segundo aquele que diz que a oferenda de culpa certa requer tomada de conhecimento no início, quem tem cinco relações com a serva designada é responsável por cada uma delas. Disse-lhe Abaye: mas há a oferenda de pecado, que requeremos tomada de conhecimento no início, e discordam quanto a ela Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish! Ele silenciou. Disse-lhe Abaye: talvez fales de um ato posterior à separação da oferenda, e como Rav Hamnuna? Disse-lhe: sim.

Nota

Quando Rav Dimi chegou da terra de Israel para a Babilônia — trazendo, como de costume, ensinamentos ouvidos lá —, ele propôs a posição inversa à de Ulla: segundo quem sustenta que o asham vadai (ao contrário do que Ulla afirmou) requer tomada de conhecimento no início, tal como a oferenda de pecado comum, quem tem cinco relações com a serva designada é responsável por uma oferenda para cada uma delas — pois, sendo a tomada de conhecimento significativa para esta oferenda, ela divide as relações sucessivas em transgressões distintas, cada uma exigindo sua própria expiação. Abaye objeta com uma comparação incisiva: mas, mesmo quanto à oferenda de pecado comum — que certamente requer tomada de conhecimento no início, sem que ninguém discorde disso —, Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam justamente sobre se uma tomada de conhecimento intermediária divide duas transgressões cometidas dentro de um único esquecimento contínuo! Se até ali a questão é disputada, como pode Rav Dimi afirmar, sem qualificação, que aqui há responsabilidade por cada relação separadamente? Diante desta objeção, Rav Dimi não tem resposta imediata e silencia. Abaye, então, lhe oferece uma via de escape: talvez sua afirmação original não se referisse ao caso de tomada de conhecimento antes de qualquer separação de oferenda, mas sim a um ato cometido depois que uma oferenda já havia sido separada pela transgressão anterior — caso em que, como já ensinou Rav Hamnuna, todos concordariam que há responsabilidade separada, pois o ato posterior à separação não pode ser coberto pela oferenda já destinada à transgressão anterior. Rav Dimi aceita esta reformulação, confirmando que essa era, de fato, sua intenção original.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ki ata Rav Dimi", "chayav al kol achat ve'achat", "harei chatat deba'einan yedia bat'chilah", "ufligi Rabi Yochanan veReish Lakish" e "amar leih Abaye dilma... bema'aseh dile'achar hafrashah ka'amrat"
כי אתא רב דימי - לא פליג אדעולא אלא מר אמר חדא ומר אמר חדא: חייב על כל אחת ואחת - קס"ד השתא לרב דימי הא דתנן הבא על השפחה ביאות הרבה אינו חייב אלא אחת הני מילי מזיד אי נמי שוגג בהעלם אחד אבל שוגג ונודע לו בינתים למאן דחשיבא ליה ידיעה באשם מחלקת ואפילו לריש לקיש: והרי חטאת דבעי ידיעה בתחילה - שאם הביא חטאתו קודם שנודע לו החטא אינה מכפרת דכתיב (ויקרא ד׳:כ״ג) או הודע אליו והביא: ופליגי ר' יוחנן וריש לקיש - וקאמר ריש לקיש דאין ידיעות מחלקות להתחייב בשתים על שני זיתי חלב בהעלם אחד אלמא לא חשיבא ליה חילוק ידיעה כחילוק כפרה וגבי שפחה חרופה בידיעות שבין ביאה לביאה לאו כהבאת קרבן חשיבי לחלק וכי היכי דבמזיד דידיה מביא אחת על כולן הכא נמי מביא אחת על כולן ולא דמי לידיעות שבין אכילת חלב לאכילת חלב שמחלקות לדברי הכל דהתם חיובי אשגגות הוא וכיון שיש ידיעה בינתים הויין ליה שתי שגגות: אמר ליה אביי דילמא - הא דפשטת למאן דבעי ידיעה חייב ואפילו לריש לקיש במעשה דלאחר הפרשה קאמרת - וכאתקפתא דרב המנונא דלעיל אבל בידיעה דקודם אפילו לר"ע פלוגתא דרבי יוחנן וריש לקיש היא לרבי יוחנן דחשיבא ליה ידיעה לחלק באכילת חלב אפילו שתי אכילות שנאכלו בהעלם אחד ה"נ מחלקת וריש לקיש דאמר התם לא מחלקת ה"נ אפי' דבין ביאה לביאה לא מחלקת דבין ביאה לביאה דהכא כשתי אכילות דחלב בהעלם אחד ונודע לו על כל אחד ואחד לבדו דמיא:

"'Quando Rav Dimi veio'" — ele não discorda de Ulla, mas trata-se de que um mestre disse uma coisa, e o outro mestre disse outra. "'É responsável por cada uma'" — ocorre agora à mente, segundo Rav Dimi, que aquilo que se ensina — que quem tem relações com a serva muitas vezes não é responsável senão por uma — aplica-se apenas ao caso de transgressão deliberada, ou também ao de erro dentro de um só esquecimento; mas, em erro, tendo-se-lhe tornado conhecida a transgressão no meio tempo, segundo quem considera a tomada de conhecimento significativa quanto à oferenda de culpa, ela divide — e isso mesmo segundo Reish Lakish. "'Mas há a oferenda de pecado, que requeremos tomada de conhecimento no início'" — pois, se trouxe sua oferenda de pecado antes de lhe ser tornado conhecido o pecado, ela não expia, como está escrito: "ou lhe for tornado conhecido, e trará" (Levítico 4:23). "'E discordam quanto a ela Rabi Yochanan e Reish Lakish'" — e Reish Lakish diz que tomadas de conhecimento não dividem para responsabilizar por duas oferendas quanto a duas azeitonas de sebo comidas em um só esquecimento — o que mostra que a divisão da tomada de conhecimento não lhe é considerada como a divisão da expiação; e, quanto à serva designada, as tomadas de conhecimento entre uma relação e outra não são consideradas como uma separação de oferenda a dividir, e, assim como, quanto à transgressão deliberada, ele traz uma só oferenda por todas, também aqui traz uma só por todas — e isto não se compara às tomadas de conhecimento entre uma comida de sebo e outra comida de sebo, que dividem segundo todos, pois ali a responsabilidade decorre de erros, e, havendo tomada de conhecimento no meio tempo, tornam-se dois erros distintos. "'Disse-lhe Abaye: talvez'" — aquilo que resolveste, dizendo que, segundo quem requer tomada de conhecimento, a pessoa é responsável mesmo segundo Reish Lakish, "'...falas de um ato posterior à separação'" — como na objeção de Rav Hamnuna acima; mas, quanto à tomada de conhecimento anterior à separação, mesmo segundo Rabi Akiva, é a disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish: para Rabi Yochanan, que considera significativa a tomada de conhecimento a dividir quanto à comida de sebo, mesmo duas comidas realizadas em um só esquecimento, também aqui ela divide; e Reish Lakish, que ali diz que não divide, também aqui, mesmo entre uma relação e outra, não divide — pois o caso de uma relação e outra aqui é semelhante ao de duas comidas de sebo em um só esquecimento, tendo-se-lhe tornado conhecida a transgressão de cada uma separadamente.

03Ravin: três posições sobre a serva designada — duas de consenso, uma de disputa
Ravin
כִּי אֲתָא רָבִין, אָמַר: הַכֹּל מוֹדִים בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה, וְהַכֹּל מוֹדִים בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה, וּמַחְלוֹקֶת בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה. הַכֹּל מוֹדִים בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה דְּאֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת — כִּדְעוּלָּא. וְהַכֹּל מוֹדִים בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה דְּחַיָּיב עַל כׇּל אַחַת וְאַחַת — כְּרַב הַמְנוּנָא. וּמַחְלוֹקֶת בְּשִׁפְחָה חֲרוּפָה — לְמַאן דְּאָמַר אָשָׁם וַדַּאי בָּעֵי יְדִיעָה בַּתְּחִלָּה, מַחֲלוֹקֶת דְּרַבִּי יוֹחָנָן וְרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ.

Quando Ravin veio, disse: todos concordam quanto à serva designada, e todos concordam quanto à serva designada, e há discordância quanto à serva designada. Todos concordam quanto à serva designada que não é responsável senão por uma — como Ulla. E todos concordam quanto à serva designada que é responsável por cada uma — como Rav Hamnuna. E há discordância quanto à serva designada — segundo aquele que diz que a oferenda de culpa certa requer tomada de conhecimento no início, é a discordância de Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish.

Nota

Ravin, ao chegar por sua vez da terra de Israel, organiza o estado final da sugia em três posições claras, num padrão retórico típico da Guemará (repetir a fórmula "todos concordam" duas vezes antes de introduzir a discordância). Primeiro: todos concordam que, quando a tomada de conhecimento ocorre antes de qualquer separação de oferenda, não há responsabilidade senão por uma só — esta é exatamente a regra original de Ulla, agora confirmada como consensual mesmo pela posição de Rav Dimi (depois de sua correção). Segundo: todos concordam que, quando o ato ocorre depois de já separada a oferenda pela transgressão anterior, há responsabilidade por cada ato separadamente — esta é a regra de Rav Hamnuna, igualmente consensual. Terceiro, e último: há discordância real apenas quanto ao caso de tomada de conhecimento intermediária antes da separação da oferenda, mas segundo a opinião de que o asham vadai requer tomada de conhecimento no início (a posição que Rav Dimi tentou defender) — pois, nesse caso específico, a questão se equipara exatamente à disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre se a tomada de conhecimento intermediária divide duas transgressões da oferenda de pecado cometidas em um só esquecimento. Assim, a sugia inteira, iniciada com a frase interrompida de Ulla ao final de 71b, chega a uma resolução equilibrada: o desacordo entre as autoridades não é sobre a regra geral, mas apenas sobre este ponto específico, e mesmo assim apenas segundo uma das duas opiniões sobre a natureza do asham vadai.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre as três cláusulas "hakol modim" / "umachloket" e "kede'ula"
הכל מודים - ר' יוחנן וריש לקיש בשפחה חרופה דיש חילוק: והכל מודים - בה דאין חילוק: ומחלוקת - שניהם בה דלר' יוחנן יש חילוק ולריש לקיש אין חילוק וכולהו מפרש להו: כדעולא - למאן דלא בעי ידיעה בתחלה דאפי' ר' יוחנן מודה דלר' טרפון לא חשיבא ידיעה לחלק וכי א"ר יוחנן ידיעות מחלקות ואפילו בין שתים הנעשות בהעלם אחד ה"מ בחטאת דחשיב ידיעה דילה: והכל מודים - ואפילו ר"ל דיש חילוק ואפילו לרבי טרפון כגון בביאה שלאחר הפרשה כדרב המנונא: ומחלוקת - דרבי יוחנן ור"ל בשפחה חרופה ואליבא דמאן דחשיבא ליה ידיעה דאשם לר' יוחנן דאמר ידיעת חטאת הואיל וחשיבא היא מחלקת אפי' חטאת דהעלם אחד הכא נמי מחלקת בין דהעלם אחד בין דשתי העלמות ולר"ל דאמר ידיעה דחטאת אף על גב דחשיבא לא מחלקת עבירות דהעלם אחד הכא אפילו דשתי העלמות לא מחלקת וכדפרישית:

"'Todos concordam'" — Rabi Yochanan e Reish Lakish, quanto à serva designada, que há divisão. "'E todos concordam'" — quanto a ela, que não há divisão. "'E há discordância'" — ambos quanto a ela: para Rabi Yochanan há divisão, e para Reish Lakish não há divisão; e todas estas cláusulas a Guemará passa a explicar. "'Como Ulla'" — segundo quem não requer tomada de conhecimento no início, mesmo Rabi Yochanan concorda que, para Rabi Tarfon, a tomada de conhecimento não é considerada capaz de dividir; e, quando Rabi Yochanan diz que tomadas de conhecimento dividem, mesmo entre duas transgressões realizadas em um só esquecimento, isto se aplica à oferenda de pecado, cuja tomada de conhecimento lhe é significativa. "'E todos concordam'" — mesmo Reish Lakish, que há divisão, mesmo segundo Rabi Tarfon, como no caso de uma relação posterior à separação, segundo Rav Hamnuna. "'E há discordância'" — de Rabi Yochanan e Reish Lakish quanto à serva designada, segundo quem considera significativa a tomada de conhecimento da oferenda de culpa: para Rabi Yochanan, que diz que a tomada de conhecimento da oferenda de pecado, por ser significativa, divide mesmo duas transgressões realizadas em um só esquecimento, também aqui divide, seja dentro de um só esquecimento, seja em dois esquecimentos distintos; e para Reish Lakish, que diz que a tomada de conhecimento da oferenda de pecado, ainda que significativa, não divide transgressões de um só esquecimento, aqui, mesmo relações realizadas em dois esquecimentos distintos, não dividem — como já explicamos.

Nova sugia, aberta e interrompida: o caso do mitasek · אִיתְּמַר

04"Ensinou-se:" — a folha termina exatamente aqui
Guemará
אִיתְּמַר:

Ensinou-se:...

Nota

Encerrada a sugia da serva designada, a folha abre uma nova discussão — mas a frase é cortada exatamente na palavra "ensinou-se", antes de se dizer qual caso será tratado. O início de Shabat 72b completa esta frase com o caso: "quem pretendia levantar o que já estava destacado do solo, e cortou por engano o que ainda estava preso a ele — é isento" — abrindo a disputa entre Rava e Abaye sobre quem pretendia cortar o que já estava destacado, mas por engano cortou o que estava preso ao solo (Rava isenta, Abaye responsabiliza). Este é um caso central na discussão sobre o mitasek, aquele que realiza uma ação sem ter a intenção de realizar precisamente aquele ato proibido.

Este último segmento termina em aberto, imediatamente após a palavra "ensinou-se" (itemar), sem que se diga ainda qual caso amoraico será apresentado. O início de Shabat 72b completa esta frase: "נִתְכַּוֵּין לְהַגְבִּיהַּ אֶת הַתָּלוּשׁ, וְחָתַךְ אֶת הַמְחוּבָּר — פָּטוּר" ("pretendia levantar o que já estava destacado, e cortou o que estava preso ao solo — é isento"), seguido da disputa entre Rava e Abaye sobre o caso inverso. A folha não retoma o tema da serva designada nem da oferenda de culpa certa: a nova sugia, sobre o mitasek, é totalmente distinta.