Talmud Bavli · Massechet Shabat · Início do Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah)
מְבִיאוֹ מְגוּלֶּה

A mishná de abertura do Perek Yud-Tet: o bisturi da circuncisão trazido descoberto ou, em perigo, coberto por testemunhas; a regra de Rabi Akiva; a história de Elisha Baal Kenafayim

Shabbat 130a · abre o Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah), diretamente após o hadran de 129b

Shabbat 130a abre, sem qualquer hiato, o Perek Yud-Tet, chamado Rabi Eliezer DeMilah, com sua mishná: Rabi Eliezer ensina que, se não se trouxe o bisturi da circuncisão na véspera de Shabat, traz-se em Shabat a descoberto, diante de todos; mas em tempo de perigo — quando o império decretou contra a circuncisão —, cobre-se o bisturi mediante testemunhas, que atestarão tratar-se de um instrumento de mitzvá. Disse ainda Rabi Eliezer que se corta lenha para fazer carvão, a fim de forjar o ferro da lâmina, mesmo em Shabat. Rabi Akiva enuncia então a regra geral que governa todo o perek: toda obra que é possível realizar na véspera de Shabat não afasta o Shabat, mas a circuncisão, cujo oitavo dia não pode ser antecipado, afasta o Shabat quando com ele coincide. A guemará levanta a dúvida sobre o fundamento da permissão de Rabi Eliezer — seria por apreço à mitzvá, que se deve exibir abertamente, ou por suspeita, para que ninguém pense que se carrega um objeto proibido? A diferença prática recai sobre o caso de trazê-lo já coberto mediante testemunhas: se por apreço, isso não bastaria; se por suspeita, bastaria. Rabi Levi e uma baraita fixam que a razão é o apreço à mitzvá, e Rav Ashi confirma essa conclusão pela própria formulação da mishná, que distingue expressamente entre tempo de perigo e tempo normal. Uma baraita paralela, transmitida por Rabi Yehuda em nome do próprio Rabi Eliezer, ensina que, em tempo de perigo, o costume era efetivamente trazê-lo coberto mediante testemunhas — o que leva a uma nova dúvida: essas "testemunhas" seriam o próprio portador mais uma pessoa, ou o portador mais duas? A guemará resolve, a partir da linguagem plural da mishná, que são duas testemunhas além do portador, explicando que o termo se justifica porque essas mesmas pessoas seriam aptas a testemunhar também em outro contexto qualquer. Segue-se uma baraita sobre os costumes locais em tempos talmúdicos: no lugar de Rabi Eliezer cortava-se lenha para fazer carvão em Shabat, e no lugar de Rabi Yosei HaGelili comia-se carne de ave cozida em leite — o que traz à memória a história de Levi, hóspede na casa de Yosef Rishba, que recusou a cabeça de um pavão preparada em leite; questionado por Rabi por que não excomungara os anfitriões, respondeu que talvez ali se seguisse o ensinamento de Rabi Yosei HaGelili, cuja opinião — fundada na justaposição dos versículos sobre a carcaça proibida e sobre não cozer o cabrito no leite de sua mãe — exclui expressamente a ave da proibição de leite e carne, por não ter "leite de mãe". Rabi Yitzchak relata então que havia uma cidade em Eretz Israel cujos habitantes seguiam a opinião de Rabi Eliezer e, por mérito disso, morriam apenas em seu tempo natural; e que, quando o império perverso decretou contra a circuncisão em todo o povo, poupou justamente aquela cidade. Uma baraita de Rabban Shimon ben Gamliel ensina que toda mitzvá que Israel aceitou com alegria — como a circuncisão, à qual se aplica o versículo "alegro-me com a tua palavra, como quem encontra grande despojo" — ainda hoje se pratica com alegria; e toda mitzvá aceita com discórdia — como as leis das relações proibidas, ligadas ao choro do povo "por suas famílias" — ainda hoje se pratica com discórdia, pois não há contrato de casamento sem disputa. Outra baraita, de Rabi Shimon ben Elazar, generaliza: toda mitzvá pela qual Israel se entregou à morte sob decreto do império — como a idolatria e a circuncisão — permanece firmemente em suas mãos até hoje; e toda mitzvá pela qual não se entregou à morte — como os tefilin — permanece frouxa em suas mãos. Esse ensinamento é ilustrado pela explicação de Rabi Yanai de que os tefilin exigem um corpo limpo, como o de Elisha, o dono das asas — segundo Abaie, que não se solte gases usando-os; segundo Rava, que não se durma usando-os —, e pela história de por que Elisha recebeu esse apelido: certa vez, o império decretara que todo aquele que colocasse tefilin na cabeça teria o cérebro perfurado, e Elisha, ao ser perseguido por um oficial enquanto usava os tefilin, tirou-os da cabeça e os segurou na mão; perguntado o que trazia, respondeu "asas de pomba", e, ao estender a mão, ali se encontraram, milagrosamente, verdadeiras asas de pomba — daí o apelido. A guemará explica por que precisamente asas de pomba, e não de outra ave, lhe foram mostradas: porque a assembleia de Israel se assemelha a uma pomba, cujas asas a protegem, assim como as mitzvot protegem Israel. O daf termina interrompido, em pleno relato de Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak, sobre uma ocasião em que esqueceram de trazer o bisturi da circuncisão na véspera de Shabat e o trouxeram em Shabat por cima dos telhados e através dos pátios — a continuar em Shabat 130b, ainda não publicado.

A mishná de abertura: o bisturi da circuncisão em Shabat, e a regra geral de Rabi Akiva · רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר

1023Mishná: Rabi Eliezer — se não se trouxe o bisturi na véspera, traz-se em Shabat descoberto; em perigo, cobre-se mediante testemunhas
Mishná
מַתְנִי׳ רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר: אִם לֹא הֵבִיא כְּלִי מֵעֶרֶב שַׁבָּת — מְבִיאוֹ בְּשַׁבָּת מְגוּלֶּה, וּבַסַּכָּנָה מְכַסֵּהוּ עַל פִּי עֵדִים.

Mishná: Rabi Eliezer diz: se não se trouxe o utensílio (o bisturi da circuncisão) na véspera de Shabat, traz-se em Shabat a descoberto; e em tempo de perigo, cobre-se mediante testemunhas.

Nota

Abre-se aqui o Perek Yud-Tet, cujo nome, Rabi Eliezer DeMilah, deriva desta mishná. Rabi Eliezer ensina que, se o bisturi necessário à circuncisão não foi trazido à sinagoga ou ao local do brit antes de Shabat, é permitido trazê-lo em pleno Shabat, e que isso deve ser feito abertamente, à vista de todos — sinal de que se trata de uma mitzvá da qual não há por que se envergonhar. Apenas em época de perseguição, quando o próprio ato da circuncisão era proibido sob pena, o bisturi deve ser coberto, mas acompanhado de testemunhas que atestem sua verdadeira finalidade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "im lo hevi kli", "megulah", "uvasakanah" e "mechasehu al pi edim"
מתני' רבי אליעזר אומר אם לא הביא כלי - איזמל למול את התינוק וקאי אמתניתין דפרקין דלעיל דסליק מיניה וכל צרכי מילה עושין בשבת: מגולה - בפני הכל ובגמרא מפרש אמאי מצריך ליה לגלוייה: ובסכנה - שגזרו ארמאים על המילה: מכסהו ע"פ עדים - שיעידו שאיזמל של מצוה הוא מביא ולא יחשדוהו:

"Se não se trouxe o utensílio" — o bisturi para circuncidar o bebê; e isso remete à mishná do capítulo anterior, já concluído, de que todas as necessidades da circuncisão se fazem em Shabat.

"Descoberto" — diante de todos; e a guemará explica adiante por que é necessário descobri-lo.

"E em tempo de perigo" — quando o império decretou contra a circuncisão.

"Cobre-o mediante testemunhas" — para que testemunhem que é um bisturi de mitzvá que se traz, e não o suspeitem.

1024E disse ainda Rabi Eliezer: corta-se lenha para fazer carvão, para forjar o ferro (da lâmina)
Mishná
וְעוֹד אָמַר רַבִּי אֱלִיעֶזֶר: כּוֹרְתִים עֵצִים לַעֲשׂוֹת פֶּחָמִין לַעֲשׂוֹת (כְּלִי) בַּרְזֶל.

E disse ainda Rabi Eliezer: corta-se lenha para fazer carvão, para fazer (um utensílio de) ferro.

Nota

Rabi Eliezer estende ainda mais a permissão: caso não haja sequer o metal para forjar um novo bisturi, é permitido cortar lenha em Shabat, transformá-la em carvão e usar esse carvão para forjar o próprio ferro do instrumento — todo o processo, por mais elaborado, é subordinado à urgência da circuncisão no seu oitavo dia.

1025Regra geral de Rabi Akiva: obra possível na véspera não afasta o Shabat; a circuncisão, impossível na véspera, afasta o Shabat
Mishná
כְּלָל אָמַר רַבִּי עֲקִיבָא: כׇּל מְלָאכָה שֶׁאֶפְשָׁר לַעֲשׂוֹתָהּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת — אֵינָהּ דּוֹחָה אֶת הַשַּׁבָּת, וּמִילָה שֶׁאִי אֶפְשָׁר לַעֲשׂוֹתָהּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת דּוֹחָה אֶת הַשַּׁבָּת.

Uma regra geral disse Rabi Akiva: toda obra que é possível fazer na véspera de Shabat não afasta o Shabat; mas a circuncisão, que não é possível fazer na véspera de Shabat, afasta o Shabat.

Nota

Rabi Akiva sintetiza o princípio subjacente a toda a mishná: o critério para permitir que uma obra proibida em Shabat seja realizada em função da circuncisão não é a gravidade da obra em si, mas a impossibilidade de adiantá-la para a véspera. Preparar o bisturi, cortar lenha, forjar o ferro — tudo isso poderia, em tese, ser feito antes de Shabat, mas às vezes não foi feito a tempo; já a própria circuncisão, cujo momento é fixado pela Torá exatamente no oitavo dia, não pode por definição ser antecipada, e por isso ela mesma afasta o Shabat quando os dois coincidem.

Apreço pela mitzvá ou suspeita? A razão de Rabi Eliezer e o número de testemunhas · חַבּוֹבֵי מִצְוָה אוֹ חֲשָׁדָא

1026Dúvida da guemará: a razão de Rabi Eliezer é apreço pela mitzvá ou suspeita? A diferença prática: trazê-lo já coberto mediante testemunhas
Anônimo (Guemará)
גְּמָ׳ אִיבַּעְיָא לְהוּ: טַעְמָא דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מִשּׁוּם חַבּוֹבֵי מִצְוָה, אוֹ דִילְמָא מִשּׁוּם חֲשָׁדָא. לְמַאי נָפְקָא מִינַּהּ? לְאֵתוֹיֵי מְכוּסֶּה עַל פִּי עֵדִים. אִי אָמְרַתְּ מִשּׁוּם חַבּוֹבֵי מִצְוָה, מְגוּלֶּה — אִין, מְכוּסֶּה — לָא. אֶלָּא אִי אָמְרַתְּ מִשּׁוּם חֲשָׁדָא — אֲפִילּוּ מְכוּסֶּה, שַׁפִּיר דָּמֵי. מַאי?

Guemará: foi levantada uma dúvida diante dos sábios: a razão de Rabi Eliezer é por causa do apreço pela mitzvá, ou, talvez, por causa da suspeita? Qual a diferença prática? Para incluir o caso de trazê-lo já coberto mediante testemunhas. Se disseres que é por causa do apreço pela mitzvá, descoberto sim, coberto não. Mas se disseres que é por causa da suspeita, mesmo coberto está bem. Qual é a conclusão?

Nota

A guemará busca o fundamento por trás da exigência de trazer o bisturi a descoberto: seria para exibir com orgulho o instrumento de uma mitzvá tão querida, caso em que apenas trazê-lo descoberto cumpriria a exigência; ou seria apenas para afastar a suspeita de que se carrega algo proibido, caso em que também trazê-lo coberto, mas acompanhado de testemunhas que atestassem seu propósito, seria suficiente? A diferença prática recai justamente sobre esse segundo cenário.

1027Resolução: Rabi Levi, a baraita e Rav Ashi concluem que a razão é o apreço pela mitzvá
Rabi Levi; Rav Ashi
אִיתְּמַר אָמַר רַבִּי לֵוִי: לֹא אֲמָרָהּ רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אֶלָּא לְחַבּוֹבֵי מִצְוָה. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: מְבִיאוֹ מְגוּלֶּה וְאֵין מְבִיאוֹ מְכוּסֶּה, דִּבְרֵי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר. אָמַר רַב אָשֵׁי: מַתְנִיתִין נָמֵי דַּיְקָא, דְּקָתָנֵי: וּבִשְׁעַת הַסַּכָּנָה מְכַסֵּהוּ עַל פִּי עֵדִים, בְּסַכָּנָה — אִין, שֶׁלֹּא בְּסַכָּנָה — לָא, שְׁמַע מִינַּהּ מִשּׁוּם חַבּוֹבֵי מִצְוָה. שְׁמַע מִינַּהּ.

Foi dito: disse Rabi Levi: Rabi Eliezer não a disse senão por causa do apreço pela mitzvá. Ensinou-se também assim numa baraita: traz-o descoberto, e não o traz coberto — palavras de Rabi Eliezer. Disse Rav Ashi: também a mishná é precisa nesse sentido, pois ensina: e em tempo de perigo cobre-o mediante testemunhas — em tempo de perigo, sim; sem perigo, não. Conclui-se daí que a razão é o apreço pela mitzvá. Conclui-se daí.

Nota

A guemará resolve a dúvida a favor do apreço pela mitzvá: Rabi Levi e uma baraita afirmam isso diretamente, e Rav Ashi extrai a mesma conclusão da própria redação da mishná, que só permite cobrir o bisturi especificamente em tempo de perigo — sinal de que, fora dessa exceção, a regra é sempre trazê-lo descoberto, por apreço à mitzvá, e não meramente para afastar suspeitas, que poderiam ser afastadas de outras formas.

1028Outra baraita: Rabi Yehuda em nome de Rabi Eliezer — em tempo de perigo, o costume era trazê-lo coberto mediante testemunhas
Rabi Yehuda (em nome de Rabi Eliezer)
תַּנְיָא אִידַּךְ: מְבִיאוֹ מְגוּלֶּה וְאֵין מְבִיאוֹ מְכוּסֶּה, דִּבְרֵי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר, רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר מִשּׁוּם רַבִּי אֱלִיעֶזֶר: נוֹהֲגִין הָיוּ בִּשְׁעַת הַסַּכָּנָה שֶׁהָיוּ מְבִיאִין מְכוּסֶּה עַל פִּי עֵדִים.

Ensinou-se em outra baraita: traz-o descoberto, e não o traz coberto — palavras de Rabi Eliezer. Rabi Yehuda diz em nome de Rabi Eliezer: costumavam, em tempo de perigo, trazê-lo coberto mediante testemunhas.

Nota

Esta segunda baraita confirma, em nome do próprio Rabi Eliezer, que na prática, em tempo de perseguição, adotava-se a exceção mencionada na mishná: cobria-se o bisturi, mas sempre acompanhado de testemunhas capazes de atestar, se necessário, que se tratava de um instrumento de mitzvá e não de arma ou objeto proibido.

1029Dúvida: as "testemunhas" da mishná são o portador mais uma pessoa, ou o portador mais duas?
Anônimo (Guemará)
אִיבַּעְיָא לְהוּ, עֵדִים דְּקָאָמַר: אִיהוּ וְחַד, אוֹ דִילְמָא: הוּא וּתְרֵי.

Foi levantada uma dúvida diante dos sábios: as "testemunhas" de que fala a mishnáseriam ele mesmo e mais uma pessoa, ou, talvez, ele e mais duas?

Nota

A guemará questiona o alcance exato do termo "testemunhas": bastaria que, além do próprio portador do bisturi, houvesse apenas mais uma pessoa capaz de testemunhar a seu favor, totalizando duas pessoas; ou seria necessário que houvesse duas outras pessoas além dele, totalizando três, conforme o padrão usual de duas testemunhas independentes exigido em outras áreas da halachá?

1030Resolução: são o portador e mais duas testemunhas; explica-se por que se usa o plural mesmo quando, ao todo, são apenas duas pessoas
Anônimo (Guemará)
תָּא שְׁמַע: וּבַסַּכָּנָה מְכַסֵּהוּ עַל פִּי עֵדִים. אִי אָמְרַתְּ בִּשְׁלָמָא הוּא וּתְרֵי — שַׁפִּיר, אֶלָּא אִי אָמְרַתְּ הוּא וְחַד, מַאי ״עֵדִים״? שֶׁרְאוּיִם לְהָעִיד בִּמְקוֹם אַחֵר.

Venha e ouça: e em tempo de perigo cobre-o mediante testemunhas. Se disseres, com razão, que são ele e mais duas — está bem; mas se disseres que são ele e mais uma, que sentido faz o plural "testemunhas"? Explica-se: porque são aptas a testemunhar em outro lugar.

Nota

A guemará resolve a dúvida a favor de "ele e mais duas" — ou seja, além do próprio portador, exigem-se duas testemunhas plenas, num total de três pessoas —, pois só assim se explica naturalmente o uso do plural "testemunhas" na mishná. A explicação alternativa, de que bastaria uma única testemunha além do portador, é descartada, salvo pela ressalva de que, mesmo com apenas uma pessoa adicional, poder-se-ia ainda falar em "testemunhas" no sentido de que ela seria apta, em outro contexto qualquer, a testemunhar validamente ao lado de outra pessoa.

Os costumes locais: a lenha de Rabi Eliezer e a ave com leite de Rabi Yosei HaGelili · בִּמְקוֹמוֹ שֶׁל רַבִּי אֱלִיעֶזֶר

1031Baraita: no lugar de Rabi Eliezer, cortava-se lenha para carvão em Shabat; no lugar de Rabi Yosei HaGelili, comia-se ave com leite
Anônimo (Baraita)
וְעוֹד אָמַר רַבִּי אֱלִיעֶזֶר, תָּנוּ רַבָּנַן: בִּמְקוֹמוֹ שֶׁל רַבִּי אֱלִיעֶזֶר הָיוּ כּוֹרְתִין עֵצִים לַעֲשׂוֹת פֶּחָמִין לַעֲשׂוֹת בַּרְזֶל בְּשַׁבָּת, בִּמְקוֹמוֹ שֶׁל רַבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי הָיוּ אוֹכְלִין בְּשַׂר עוֹף בְּחָלָב.

Retomando "e disse ainda Rabi Eliezer": ensinaram os sábios: no lugar de Rabi Eliezer, cortavam-se lenhas para fazer carvão, para fazer o ferro, em Shabat; no lugar de Rabi Yosei HaGelili, comia-se carne de ave com leite.

Nota

A baraita ilustra, com dois exemplos paralelos, como a opinião halachicamente minoritária de um sábio podia, na prática, tornar-se o costume vigente em sua própria região: no lugar de Rabi Eliezer, seguia-se sua permissão de cortar lenha para o ferro da circuncisão mesmo em Shabat; no lugar de Rabi Yosei HaGelili, seguia-se sua opinião — que a guemará explicará adiante — de que a proibição de misturar carne e leite não se aplica à carne de aves.

1032A história de Levi na casa de Yosef Rishba: recusou a cabeça de pavão com leite, sem excomungar os anfitriões, por talvez seguirem Rabi Yosei HaGelili
Levi; Rabi
לֵוִי אִיקְּלַע לְבֵי יוֹסֵף רִישְׁבָּא. קָרִיבוּ לֵיהּ רֵישָׁא דְטַוּוֹסָא בַּחֲלָבָא, לָא אֲכַל. כִּי אֲתָא לְקַמֵּיהּ דְּרַבִּי אֲמַר לֵיהּ: אַמַּאי לָא תְּשַׁמְּתִינְהוּ? אֲמַר לֵיהּ: אַתְרֵיהּ דְּרַבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתִירָה הֲוָה, וְאָמֵינָא: דִּילְמָא דְּרַשׁ לְהוּ כְּרַבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי.

Levi chegou de visita à casa de Yosef Rishba. Ofereceram-lhe cabeça de pavão cozida em leite; não comeu. Quando veio diante de Rabi, este lhe disse: por que não os excomungaste? Ele lhe respondeu: era o lugar de Rabi Yehuda ben Beteira, e eu disse: talvez ele lhes tenha ensinado conforme Rabi Yosei HaGelili.

Nota

Levi, embora tenha se recusado pessoalmente a comer a ave com leite — seguindo a opinião majoritária, que proíbe —, absteve-se de excomungar seus anfitriões por essa prática, explicando a Rabi que, tratando-se da região onde outrora ensinara Rabi Yehuda ben Beteira, era possível que este tivesse transmitido ali o ensinamento de Rabi Yosei HaGelili, que permite expressamente ave com leite — e, havendo base halachica reconhecida para a prática local, não haveria fundamento para uma medida tão severa quanto o herem.

1033A opinião de Rabi Yosei HaGelili: da justaposição dos versículos, exclui-se a ave, que não tem "leite de mãe"
Rabi Yosei HaGelili
דִּתְנַן, רַבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי אוֹמֵר: נֶאֱמַר ״לֹא תֹאכְלוּ כׇל נְבֵלָה״, וְנֶאֱמַר ״לֹא תְבַשֵּׁל גְּדִי בַּחֲלֵב אִמּוֹ״. אֶת שֶׁאָסוּר מִשּׁוּם נְבֵלָה — אָסוּר לְבַשֵּׁל בְּחָלָב. עוֹף שֶׁאָסוּר מִשּׁוּם נְבֵלָה, יָכוֹל יְהֵא אָסוּר לְבַשֵּׁל בְּחָלָב — תַּלְמוּד לוֹמַר: ״בַּחֲלֵב אִמּוֹ״, יָצָא עוֹף שֶׁאֵין לוֹ חֲלֵב אֵם.

Como ensinamos na mishná (Chulin): Rabi Yosei HaGelili diz: está dito "não comereis nenhuma carcaça (nevelá)" (Devarim 14:21), e está dito "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe" (Shemot 23:19). Aquilo que é proibido por ser carcaça — é proibido cozer em leite. A ave, que é proibida por ser carcaça, poderia se pensar que seria proibida cozer em leite — o versículo ensina: "no leite de sua mãe", excluindo a ave, que não tem leite de mãe.

Nota

A guemará expõe o fundamento exegético de Rabi Yosei HaGelili: a proibição de cozinhar carne com leite, formulada como "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe", aplica-se apenas às espécies cujas carcaças já estão proibidas por outra razão e que, biologicamente, mamam leite materno — isto é, aos mamíferos comestíveis. As aves, embora proibidas como carcaça caso morram sem abate ritual, não mamam leite de mãe, e por isso ficam, segundo esta opinião, fora da proibição específica de carne com leite — opinião que os sábios, na maioria, rejeitam, mas que era seguida na região de Rabi Yehuda ben Beteira.

A cidade fiel a Rabi Eliezer; mitzvot com alegria ou discórdia, firmes ou frouxas · עִיר אַחַת הָיְתָה בְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל

1034Rabi Yitzchak: uma cidade em Eretz Israel seguia Rabi Eliezer, e morriam em seu tempo; o império perverso a poupou do decreto contra a circuncisão
Rabi Yitzchak
אָמַר רַבִּי יִצְחָק: עִיר אַחַת הָיְתָה בְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל שֶׁהָיוּ עוֹשִׂין כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְהָיוּ מֵתִים בִּזְמַנָּן. וְלֹא עוֹד, אֶלָּא שֶׁפַּעַם אַחַת גָּזְרָה מַלְכוּת הָרְשָׁעָה גְּזֵרָה עַל יִשְׂרָאֵל עַל הַמִּילָה, וְעַל אוֹתָהּ הָעִיר לָא גָּזְרָה.

Disse Rabi Yitzchak: havia uma cidade em Eretz Israel onde procediam conforme Rabi Eliezer, e morriam em seu tempo (de velhice, morte natural). E não só isso, mas certa vez o império perverso decretou um decreto contra Israel sobre a circuncisão, e contra aquela cidade não decretou.

Nota

Rabi Yitzchak relata um sinal de mérito divino atribuído à fidelidade a Rabi Eliezer: os habitantes de uma certa cidade, ao seguir escrupulosamente sua opinião sobre os preparativos da circuncisão em Shabat, mereciam morrer apenas de velhice, sem sofrer mortes prematuras; e, quando o império romano decretou uma perseguição geral contra a prática da circuncisão em todo o povo de Israel, essa cidade específica foi poupada do decreto — mérito atribuído ao zelo com que ali se praticava a mitzvá.

1035Baraita de Rabban Shimon ben Gamliel: mitzvá aceita com alegria (a circuncisão) permanece com alegria; aceita com discórdia (as relações proibidas) permanece com discórdia
Rabban Shimon ben Gamliel
תַּנְיָא, רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר: כׇּל מִצְוָה שֶׁקִּיבְּלוּ עֲלֵיהֶם בְּשִׂמְחָה, כְּגוֹן מִילָה, דִּכְתִיב: ״שָׂשׂ אָנֹכִי עַל אִמְרָתֶךָ כְּמוֹצֵא שָׁלָל רָב״ — עֲדַיִין עוֹשִׂין אוֹתָהּ בְּשִׂמְחָה. וְכׇל מִצְוָה שֶׁקִּבְּלוּ עֲלֵיהֶם בִּקְטָטָה, כְּגוֹן עֲרָיוֹת, דִּכְתִיב: ״וַיִּשְׁמַע מֹשֶׁה אֶת הָעָם בּוֹכֶה לְמִשְׁפְּחוֹתָיו״, עַל עִסְקֵי מִשְׁפְּחוֹתָיו — עֲדַיִין עוֹשִׂין אוֹתָהּ בִּקְטָטָה, דְּלֵיכָּא כְּתוּבָּה דְּלָא רָמוּ בַּהּ תִּיגְרָא.

Ensinou-se numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: toda mitzvá que Israel aceitou sobre si com alegria — como a circuncisão, pois está escrito "alegro-me com a tua palavra, como quem encontra grande despojo" (Salmos 119:162) — ainda hoje a praticam com alegria. E toda mitzvá que aceitaram sobre si com discórdia — como as relações proibidas (arayot), pois está escrito "e Moshé ouviu o povo chorando por suas famílias" (Bamidbar 11:10), por causa dos assuntos íntimos de suas famílias (as relações agora proibidas) — ainda hoje a praticam com discórdia, pois não há contrato de casamento (ketubá) em que não se lance uma disputa.

Nota

Rabban Shimon ben Gamliel observa um padrão histórico: o modo como o povo de Israel recebeu originalmente cada mitzvá no Sinai — com entusiasmo ou com resistência — deixou uma marca permanente na forma como ela é vivida por gerações. A circuncisão, recebida com alegria genuína, comparada a quem encontra um grande despojo, continua a ser celebrada com festa; já as leis das relações proibidas, que restringiram uniões antes permitidas e provocaram o choro do povo, continuam associadas a atrito e disputa, como se vê no fato de que praticamente todo casamento envolve algum grau de negociação e conflito em torno do contrato matrimonial.

1036Baraita de Rabi Shimon ben Elazar: mitzvá pela qual Israel se entregou à morte (idolatria, circuncisão) permanece firme; a que não, (tefilin) permanece frouxa
Rabi Shimon ben Elazar
תַּנְיָא, רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר אוֹמֵר: כׇּל מִצְוָה שֶׁמָּסְרוּ יִשְׂרָאֵל עַצְמָן עֲלֵיהֶם לְמִיתָה בִּשְׁעַת גְּזֵרַת הַמַּלְכוּת, כְּגוֹן עֲבוֹדָה זָרָה וּמִילָה — עֲדַיִין הִיא מוּחְזֶקֶת בְּיָדָם, וְכׇל מִצְוָה שֶׁלֹּא מָסְרוּ יִשְׂרָאֵל עַצְמָן עָלֶיהָ לְמִיתָה בִּשְׁעַת גְּזֵרַת הַמַּלְכוּת, כְּגוֹן תְּפִילִּין — עֲדַיִין הִיא מְרוּפָּה בְּיָדָם.

Ensinou-se numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar diz: toda mitzvá pela qual Israel entregou-se à morte no tempo do decreto do império — como a idolatria (recusar-se a ela) e a circuncisão — ainda hoje está firme em suas mãos; e toda mitzvá pela qual Israel não se entregou à morte no tempo do decreto do império — como os tefilin — ainda hoje está frouxa em suas mãos.

Nota

Rabi Shimon ben Elazar propõe um segundo padrão histórico, complementar ao de Rabban Shimon ben Gamliel: mitzvot pelas quais o povo aceitou o martírio durante as perseguições — recusar a idolatria e insistir em circuncidar seus filhos, mesmo sob pena de morte — permaneceram, por esse próprio sacrifício, firmemente enraizadas na prática popular até hoje; já mitzvot que, mesmo proibidas sob pena, não levaram o povo ao martírio — como o uso de tefilin — permaneceram, em contrapartida, mais frouxamente observadas.

Os tefilin exigem corpo limpo; a história de Elisha Baal Kenafayim · תְּפִילִּין צְרִיכִין גּוּף נָקִי

1037Rabi Yanai: os tefilin exigem corpo limpo, como Elisha Baal Kenafayim; Abaie — não soltar gases; Rava — não dormir usando-os
Rabi Yanai; Abaie; Rava
דְּאָמַר רַבִּי יַנַּאי: תְּפִילִּין צְרִיכִין גּוּף נָקִי כֶּאֱלִישָׁע בַּעַל כְּנָפַיִם. מַאי הִיא? אָמַר אַבָּיֵי: שֶׁלֹּא יָפִיחַ בָּהֶם, רָבָא אָמַר: שֶׁלֹּא יִישַׁן בָּהֶם.

Pois disse Rabi Yanai: os tefilin exigem um corpo limpo, como o de Elisha, o dono das asas. O que significa isso? Disse Abaie: que não se solte gases usando-os. Rava disse: que não se durma usando-os.

Nota

Explicando por que a mitzvá dos tefilin permaneceu, segundo o ensinamento anterior, mais frouxamente observada, a guemará traz o ensinamento de Rabi Yanai: os tefilin exigem de quem os usa um nível de pureza e cuidado corporal comparável ao de Elisha, apelidado "o dono das asas" — cuja história será narrada a seguir. Abaie e Rava discordam sobre em que consiste exatamente esse cuidado: para Abaie, trata-se de evitar soltar gases enquanto os usa; para Rava, de evitar adormecer usando-os, pois o sono relaxa o controle do corpo.

1038A história de Elisha: perseguido por um oficial por usar tefilin, escondeu-os na mão, que se transformou em asas de pomba
Anônimo (Guemará)
וְאַמַּאי קָרוּ לֵיהּ ״אֱלִישָׁע בַּעַל כְּנָפַיִם״? שֶׁפַּעַם אַחַת גָּזְרָה מַלְכוּת הָרְשָׁעָה גְּזֵרָה עַל יִשְׂרָאֵל שֶׁכׇּל הַמַּנִּיחַ תְּפִילִּין עַל רֹאשׁוֹ — יִקְּרוּ אֶת מוֹחוֹ, וְהָיָה אֱלִישָׁע מַנִּיחַ תְּפִילִּין וְיָצָא לַשּׁוּק, וְרָאָהוּ קַסְדּוֹר אֶחָד. רָץ מִלְּפָנָיו וְרָץ אַחֲרָיו. כֵּיוָן שֶׁהִגִּיעַ אֶצְלוֹ, נְטָלָן מֵרֹאשׁוֹ וַאֲחָזָן בְּיָדוֹ. אָמַר לוֹ: מַה בְּיָדְךָ? אָמַר לוֹ: כַּנְפֵי יוֹנָה. פָּשַׁט אֶת יָדוֹ וְנִמְצְאוּ בָּהּ כַּנְפֵי יוֹנָה. לְפִיכָךְ הָיוּ קוֹרְאִין אוֹתוֹ ״בַּעַל כְּנָפַיִם״.

E por que o chamavam de "Elisha, o dono das asas"? Porque certa vez o império perverso decretou um decreto contra Israel: todo aquele que colocasse tefilin sobre a cabeça teria o cérebro perfurado. E Elisha colocava os tefilin e saía ao mercado. Um oficial (kasdor) o viu; Elisha correu fugindo diante dele, e este correu atrás dele. Quando chegou perto dele, Elisha tirou-os da cabeça e segurou-os na mão. O oficial disse-lhe: o que em tua mão? Respondeu-lhe: asas de pomba. Ele estendeu a mão, e encontraram-se nela asas de pomba. Por isso o chamavam de "o dono das asas".

Nota

A guemará narra o episódio que deu origem ao apelido de Elisha: em tempo de perseguição contra os tefilin, ele insistia em usá-los mesmo em público; perseguido por um oficial romano, escondeu-os na mão ao ser alcançado, e, quando questionado sobre o que segurava, respondeu com uma frase enigmática — "asas de pomba" — que se tornou miraculosamente verdadeira quando ele abriu a mão, salvando-o da acusação e originando seu apelido permanente.

1039Por que precisamente asas de pomba? Porque a assembleia de Israel se assemelha à pomba, protegida por suas próprias asas — as mitzvot
Anônimo (Guemará)
מַאי שְׁנָא כַּנְפֵי יוֹנָה דַּאֲמַר לֵיהּ, וְלָא אֲמַר לֵיהּ שְׁאָר עוֹפוֹת? מִשּׁוּם דְּדָמְיָא כְּנֶסֶת יִשְׂרָאֵל לְיוֹנָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כַּנְפֵי יוֹנָה נֶחְפָּה בַכֶּסֶף וְאֶבְרוֹתֶיהָ בִּירַקְרַק חָרוּץ״ — מַה יּוֹנָה זוֹ כְּנָפֶיהָ מְגִינּוֹת עָלֶיהָ, אַף יִשְׂרָאֵל מִצְוֹת מְגִינּוֹת עֲלֵיהֶן.

Por que foi especificamente "asas de pomba" que o milagre lhe disse (mostrou), e não lhe disse a forma de outras aves? Porque a assembleia de Israel se assemelha a uma pomba, como se diz: "as asas da pomba cobertas de prata, e suas penas de ouro verde-amarelado" (Salmos 68:14) — assim como esta pomba, suas asas a protegem, também Israel, as mitzvot os protegem.

Nota

A guemará explica o simbolismo por trás do milagre: a pomba foi escolhida, entre todas as aves, porque a própria assembleia de Israel é tradicionalmente comparada a ela nos versículos dos Salmos. Assim como as asas protegem fisicamente a pomba, as mitzvot — e, em particular, o par de tefilin que Elisha recusava-se a abandonar mesmo sob risco de morte — protegem espiritualmente o povo de Israel, numa correspondência entre o objeto físico escondido na mão e sua transformação milagrosa em símbolo da própria proteção que ele representava.

O bisturi esquecido, trazido por telhados e pátios · שָׁכְחוּ וְלֹא הֵבִיאוּ אִיזְמֵל

1040Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak: certa vez esqueceram o bisturi e o trouxeram em Shabat por telhados e pátios...
Rabi Abba bar Rav Ada (em nome de Rabi Yitzchak)
אָמַר רַבִּי אַבָּא בַּר רַב אַדָּא אָמַר רַבִּי יִצְחָק: פַּעַם אַחַת שָׁכְחוּ וְלֹא הֵבִיאוּ אִיזְמֵל מֵעֶרֶב שַׁבָּת, וֶהֱבִיאוּהוּ בְּשַׁבָּת [דֶּרֶךְ גַּגּוֹת וְדֶרֶךְ חֲצֵירוֹת]...

Disse Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak: certa vez esqueceram e não trouxeram o bisturi na véspera de Shabat, e o trouxeram em Shabat por cima dos telhados e através dos pátios...

Nota

A guemará inicia o relato de um caso concreto em que, tendo-se esquecido de trazer o bisturi da circuncisão antes de Shabat, os responsáveis tiveram de trazê-lo já em pleno Shabat — e o fizeram por uma rota alternativa, passando por cima dos telhados e através dos pátios, em vez do caminho público comum, provavelmente para reduzir a gravidade da transgressão envolvida no transporte. O relato, porém, é interrompido exatamente neste ponto, sem que se conheça ainda o desfecho da história nem sua conclusão halachica, que prosseguirá em Shabat 130b.

O daf termina aqui, interrompido em pleno relato de Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak sobre o bisturi esquecido e trazido por telhados e pátios — o texto é cortado nas palavras "דרך גגות ודרך חצירות", sem a conclusão da história nem sua análise, a continuar em Shabbat 130b (ainda não publicado).