Shabbat 130a abre, sem qualquer hiato, o Perek Yud-Tet, chamado Rabi Eliezer DeMilah, com sua mishná: Rabi Eliezer ensina que, se não se trouxe o bisturi da circuncisão na véspera de Shabat, traz-se em Shabat a descoberto, diante de todos; mas em tempo de perigo — quando o império decretou contra a circuncisão —, cobre-se o bisturi mediante testemunhas, que atestarão tratar-se de um instrumento de mitzvá. Disse ainda Rabi Eliezer que se corta lenha para fazer carvão, a fim de forjar o ferro da lâmina, mesmo em Shabat. Rabi Akiva enuncia então a regra geral que governa todo o perek: toda obra que é possível realizar na véspera de Shabat não afasta o Shabat, mas a circuncisão, cujo oitavo dia não pode ser antecipado, afasta o Shabat quando com ele coincide. A guemará levanta a dúvida sobre o fundamento da permissão de Rabi Eliezer — seria por apreço à mitzvá, que se deve exibir abertamente, ou por suspeita, para que ninguém pense que se carrega um objeto proibido? A diferença prática recai sobre o caso de trazê-lo já coberto mediante testemunhas: se por apreço, isso não bastaria; se por suspeita, bastaria. Rabi Levi e uma baraita fixam que a razão é o apreço à mitzvá, e Rav Ashi confirma essa conclusão pela própria formulação da mishná, que distingue expressamente entre tempo de perigo e tempo normal. Uma baraita paralela, transmitida por Rabi Yehuda em nome do próprio Rabi Eliezer, ensina que, em tempo de perigo, o costume era efetivamente trazê-lo coberto mediante testemunhas — o que leva a uma nova dúvida: essas "testemunhas" seriam o próprio portador mais uma pessoa, ou o portador mais duas? A guemará resolve, a partir da linguagem plural da mishná, que são duas testemunhas além do portador, explicando que o termo se justifica porque essas mesmas pessoas seriam aptas a testemunhar também em outro contexto qualquer. Segue-se uma baraita sobre os costumes locais em tempos talmúdicos: no lugar de Rabi Eliezer cortava-se lenha para fazer carvão em Shabat, e no lugar de Rabi Yosei HaGelili comia-se carne de ave cozida em leite — o que traz à memória a história de Levi, hóspede na casa de Yosef Rishba, que recusou a cabeça de um pavão preparada em leite; questionado por Rabi por que não excomungara os anfitriões, respondeu que talvez ali se seguisse o ensinamento de Rabi Yosei HaGelili, cuja opinião — fundada na justaposição dos versículos sobre a carcaça proibida e sobre não cozer o cabrito no leite de sua mãe — exclui expressamente a ave da proibição de leite e carne, por não ter "leite de mãe". Rabi Yitzchak relata então que havia uma cidade em Eretz Israel cujos habitantes seguiam a opinião de Rabi Eliezer e, por mérito disso, morriam apenas em seu tempo natural; e que, quando o império perverso decretou contra a circuncisão em todo o povo, poupou justamente aquela cidade. Uma baraita de Rabban Shimon ben Gamliel ensina que toda mitzvá que Israel aceitou com alegria — como a circuncisão, à qual se aplica o versículo "alegro-me com a tua palavra, como quem encontra grande despojo" — ainda hoje se pratica com alegria; e toda mitzvá aceita com discórdia — como as leis das relações proibidas, ligadas ao choro do povo "por suas famílias" — ainda hoje se pratica com discórdia, pois não há contrato de casamento sem disputa. Outra baraita, de Rabi Shimon ben Elazar, generaliza: toda mitzvá pela qual Israel se entregou à morte sob decreto do império — como a idolatria e a circuncisão — permanece firmemente em suas mãos até hoje; e toda mitzvá pela qual não se entregou à morte — como os tefilin — permanece frouxa em suas mãos. Esse ensinamento é ilustrado pela explicação de Rabi Yanai de que os tefilin exigem um corpo limpo, como o de Elisha, o dono das asas — segundo Abaie, que não se solte gases usando-os; segundo Rava, que não se durma usando-os —, e pela história de por que Elisha recebeu esse apelido: certa vez, o império decretara que todo aquele que colocasse tefilin na cabeça teria o cérebro perfurado, e Elisha, ao ser perseguido por um oficial enquanto usava os tefilin, tirou-os da cabeça e os segurou na mão; perguntado o que trazia, respondeu "asas de pomba", e, ao estender a mão, ali se encontraram, milagrosamente, verdadeiras asas de pomba — daí o apelido. A guemará explica por que precisamente asas de pomba, e não de outra ave, lhe foram mostradas: porque a assembleia de Israel se assemelha a uma pomba, cujas asas a protegem, assim como as mitzvot protegem Israel. O daf termina interrompido, em pleno relato de Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak, sobre uma ocasião em que esqueceram de trazer o bisturi da circuncisão na véspera de Shabat e o trouxeram em Shabat por cima dos telhados e através dos pátios — a continuar em Shabat 130b, ainda não publicado.
Mishná: Rabi Eliezer diz: se não se trouxe o utensílio (o bisturi da circuncisão) na véspera de Shabat, traz-se em Shabat a descoberto; e em tempo de perigo, cobre-se mediante testemunhas.
Abre-se aqui o Perek Yud-Tet, cujo nome, Rabi Eliezer DeMilah, deriva desta mishná. Rabi Eliezer ensina que, se o bisturi necessário à circuncisão não foi trazido à sinagoga ou ao local do brit antes de Shabat, é permitido trazê-lo em pleno Shabat, e que isso deve ser feito abertamente, à vista de todos — sinal de que se trata de uma mitzvá da qual não há por que se envergonhar. Apenas em época de perseguição, quando o próprio ato da circuncisão era proibido sob pena, o bisturi deve ser coberto, mas acompanhado de testemunhas que atestem sua verdadeira finalidade.
"Se não se trouxe o utensílio" — o bisturi para circuncidar o bebê; e isso remete à mishná do capítulo anterior, já concluído, de que todas as necessidades da circuncisão se fazem em Shabat.
"Descoberto" — diante de todos; e a guemará explica adiante por que é necessário descobri-lo.
"E em tempo de perigo" — quando o império decretou contra a circuncisão.
"Cobre-o mediante testemunhas" — para que testemunhem que é um bisturi de mitzvá que se traz, e não o suspeitem.
E disse ainda Rabi Eliezer: corta-se lenha para fazer carvão, para fazer (um utensílio de) ferro.
Rabi Eliezer estende ainda mais a permissão: caso não haja sequer o metal para forjar um novo bisturi, é permitido cortar lenha em Shabat, transformá-la em carvão e usar esse carvão para forjar o próprio ferro do instrumento — todo o processo, por mais elaborado, é subordinado à urgência da circuncisão no seu oitavo dia.
Uma regra geral disse Rabi Akiva: toda obra que é possível fazer na véspera de Shabat não afasta o Shabat; mas a circuncisão, que não é possível fazer na véspera de Shabat, afasta o Shabat.
Rabi Akiva sintetiza o princípio subjacente a toda a mishná: o critério para permitir que uma obra proibida em Shabat seja realizada em função da circuncisão não é a gravidade da obra em si, mas a impossibilidade de adiantá-la para a véspera. Preparar o bisturi, cortar lenha, forjar o ferro — tudo isso poderia, em tese, ser feito antes de Shabat, mas às vezes não foi feito a tempo; já a própria circuncisão, cujo momento é fixado pela Torá exatamente no oitavo dia, não pode por definição ser antecipada, e por isso ela mesma afasta o Shabat quando os dois coincidem.
Guemará: foi levantada uma dúvida diante dos sábios: a razão de Rabi Eliezer é por causa do apreço pela mitzvá, ou, talvez, por causa da suspeita? Qual a diferença prática? Para incluir o caso de trazê-lo já coberto mediante testemunhas. Se disseres que é por causa do apreço pela mitzvá, descoberto sim, coberto não. Mas se disseres que é por causa da suspeita, mesmo coberto está bem. Qual é a conclusão?
A guemará busca o fundamento por trás da exigência de trazer o bisturi a descoberto: seria para exibir com orgulho o instrumento de uma mitzvá tão querida, caso em que apenas trazê-lo descoberto cumpriria a exigência; ou seria apenas para afastar a suspeita de que se carrega algo proibido, caso em que também trazê-lo coberto, mas acompanhado de testemunhas que atestassem seu propósito, seria suficiente? A diferença prática recai justamente sobre esse segundo cenário.
Foi dito: disse Rabi Levi: Rabi Eliezer não a disse senão por causa do apreço pela mitzvá. Ensinou-se também assim numa baraita: traz-o descoberto, e não o traz coberto — palavras de Rabi Eliezer. Disse Rav Ashi: também a mishná é precisa nesse sentido, pois ensina: e em tempo de perigo cobre-o mediante testemunhas — em tempo de perigo, sim; sem perigo, não. Conclui-se daí que a razão é o apreço pela mitzvá. Conclui-se daí.
A guemará resolve a dúvida a favor do apreço pela mitzvá: Rabi Levi e uma baraita afirmam isso diretamente, e Rav Ashi extrai a mesma conclusão da própria redação da mishná, que só permite cobrir o bisturi especificamente em tempo de perigo — sinal de que, fora dessa exceção, a regra é sempre trazê-lo descoberto, por apreço à mitzvá, e não meramente para afastar suspeitas, que poderiam ser afastadas de outras formas.
Ensinou-se em outra baraita: traz-o descoberto, e não o traz coberto — palavras de Rabi Eliezer. Rabi Yehuda diz em nome de Rabi Eliezer: costumavam, em tempo de perigo, trazê-lo coberto mediante testemunhas.
Esta segunda baraita confirma, em nome do próprio Rabi Eliezer, que na prática, em tempo de perseguição, adotava-se a exceção mencionada na mishná: cobria-se o bisturi, mas sempre acompanhado de testemunhas capazes de atestar, se necessário, que se tratava de um instrumento de mitzvá e não de arma ou objeto proibido.
Foi levantada uma dúvida diante dos sábios: as "testemunhas" de que fala a mishná — seriam ele mesmo e mais uma pessoa, ou, talvez, ele e mais duas?
A guemará questiona o alcance exato do termo "testemunhas": bastaria que, além do próprio portador do bisturi, houvesse apenas mais uma pessoa capaz de testemunhar a seu favor, totalizando duas pessoas; ou seria necessário que houvesse duas outras pessoas além dele, totalizando três, conforme o padrão usual de duas testemunhas independentes exigido em outras áreas da halachá?
Venha e ouça: e em tempo de perigo cobre-o mediante testemunhas. Se disseres, com razão, que são ele e mais duas — está bem; mas se disseres que são ele e mais uma, que sentido faz o plural "testemunhas"? Explica-se: porque são aptas a testemunhar em outro lugar.
A guemará resolve a dúvida a favor de "ele e mais duas" — ou seja, além do próprio portador, exigem-se duas testemunhas plenas, num total de três pessoas —, pois só assim se explica naturalmente o uso do plural "testemunhas" na mishná. A explicação alternativa, de que bastaria uma única testemunha além do portador, é descartada, salvo pela ressalva de que, mesmo com apenas uma pessoa adicional, poder-se-ia ainda falar em "testemunhas" no sentido de que ela seria apta, em outro contexto qualquer, a testemunhar validamente ao lado de outra pessoa.
Retomando "e disse ainda Rabi Eliezer": ensinaram os sábios: no lugar de Rabi Eliezer, cortavam-se lenhas para fazer carvão, para fazer o ferro, em Shabat; no lugar de Rabi Yosei HaGelili, comia-se carne de ave com leite.
A baraita ilustra, com dois exemplos paralelos, como a opinião halachicamente minoritária de um sábio podia, na prática, tornar-se o costume vigente em sua própria região: no lugar de Rabi Eliezer, seguia-se sua permissão de cortar lenha para o ferro da circuncisão mesmo em Shabat; no lugar de Rabi Yosei HaGelili, seguia-se sua opinião — que a guemará explicará adiante — de que a proibição de misturar carne e leite não se aplica à carne de aves.
Levi chegou de visita à casa de Yosef Rishba. Ofereceram-lhe cabeça de pavão cozida em leite; não comeu. Quando veio diante de Rabi, este lhe disse: por que não os excomungaste? Ele lhe respondeu: era o lugar de Rabi Yehuda ben Beteira, e eu disse: talvez ele lhes tenha ensinado conforme Rabi Yosei HaGelili.
Levi, embora tenha se recusado pessoalmente a comer a ave com leite — seguindo a opinião majoritária, que proíbe —, absteve-se de excomungar seus anfitriões por essa prática, explicando a Rabi que, tratando-se da região onde outrora ensinara Rabi Yehuda ben Beteira, era possível que este tivesse transmitido ali o ensinamento de Rabi Yosei HaGelili, que permite expressamente ave com leite — e, havendo base halachica reconhecida para a prática local, não haveria fundamento para uma medida tão severa quanto o herem.
Como ensinamos na mishná (Chulin): Rabi Yosei HaGelili diz: está dito "não comereis nenhuma carcaça (nevelá)" (Devarim 14:21), e está dito "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe" (Shemot 23:19). Aquilo que é proibido por ser carcaça — é proibido cozer em leite. A ave, que é proibida por ser carcaça, poderia se pensar que seria proibida cozer em leite — o versículo ensina: "no leite de sua mãe", excluindo a ave, que não tem leite de mãe.
A guemará expõe o fundamento exegético de Rabi Yosei HaGelili: a proibição de cozinhar carne com leite, formulada como "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe", aplica-se apenas às espécies cujas carcaças já estão proibidas por outra razão e que, biologicamente, mamam leite materno — isto é, aos mamíferos comestíveis. As aves, embora proibidas como carcaça caso morram sem abate ritual, não mamam leite de mãe, e por isso ficam, segundo esta opinião, fora da proibição específica de carne com leite — opinião que os sábios, na maioria, rejeitam, mas que era seguida na região de Rabi Yehuda ben Beteira.
Disse Rabi Yitzchak: havia uma cidade em Eretz Israel onde procediam conforme Rabi Eliezer, e morriam em seu tempo (de velhice, morte natural). E não só isso, mas certa vez o império perverso decretou um decreto contra Israel sobre a circuncisão, e contra aquela cidade não decretou.
Rabi Yitzchak relata um sinal de mérito divino atribuído à fidelidade a Rabi Eliezer: os habitantes de uma certa cidade, ao seguir escrupulosamente sua opinião sobre os preparativos da circuncisão em Shabat, mereciam morrer apenas de velhice, sem sofrer mortes prematuras; e, quando o império romano decretou uma perseguição geral contra a prática da circuncisão em todo o povo de Israel, essa cidade específica foi poupada do decreto — mérito atribuído ao zelo com que ali se praticava a mitzvá.
Ensinou-se numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: toda mitzvá que Israel aceitou sobre si com alegria — como a circuncisão, pois está escrito "alegro-me com a tua palavra, como quem encontra grande despojo" (Salmos 119:162) — ainda hoje a praticam com alegria. E toda mitzvá que aceitaram sobre si com discórdia — como as relações proibidas (arayot), pois está escrito "e Moshé ouviu o povo chorando por suas famílias" (Bamidbar 11:10), por causa dos assuntos íntimos de suas famílias (as relações agora proibidas) — ainda hoje a praticam com discórdia, pois não há contrato de casamento (ketubá) em que não se lance uma disputa.
Rabban Shimon ben Gamliel observa um padrão histórico: o modo como o povo de Israel recebeu originalmente cada mitzvá no Sinai — com entusiasmo ou com resistência — deixou uma marca permanente na forma como ela é vivida por gerações. A circuncisão, recebida com alegria genuína, comparada a quem encontra um grande despojo, continua a ser celebrada com festa; já as leis das relações proibidas, que restringiram uniões antes permitidas e provocaram o choro do povo, continuam associadas a atrito e disputa, como se vê no fato de que praticamente todo casamento envolve algum grau de negociação e conflito em torno do contrato matrimonial.
Ensinou-se numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar diz: toda mitzvá pela qual Israel entregou-se à morte no tempo do decreto do império — como a idolatria (recusar-se a ela) e a circuncisão — ainda hoje está firme em suas mãos; e toda mitzvá pela qual Israel não se entregou à morte no tempo do decreto do império — como os tefilin — ainda hoje está frouxa em suas mãos.
Rabi Shimon ben Elazar propõe um segundo padrão histórico, complementar ao de Rabban Shimon ben Gamliel: mitzvot pelas quais o povo aceitou o martírio durante as perseguições — recusar a idolatria e insistir em circuncidar seus filhos, mesmo sob pena de morte — permaneceram, por esse próprio sacrifício, firmemente enraizadas na prática popular até hoje; já mitzvot que, mesmo proibidas sob pena, não levaram o povo ao martírio — como o uso de tefilin — permaneceram, em contrapartida, mais frouxamente observadas.
Pois disse Rabi Yanai: os tefilin exigem um corpo limpo, como o de Elisha, o dono das asas. O que significa isso? Disse Abaie: que não se solte gases usando-os. Rava disse: que não se durma usando-os.
Explicando por que a mitzvá dos tefilin permaneceu, segundo o ensinamento anterior, mais frouxamente observada, a guemará traz o ensinamento de Rabi Yanai: os tefilin exigem de quem os usa um nível de pureza e cuidado corporal comparável ao de Elisha, apelidado "o dono das asas" — cuja história será narrada a seguir. Abaie e Rava discordam sobre em que consiste exatamente esse cuidado: para Abaie, trata-se de evitar soltar gases enquanto os usa; para Rava, de evitar adormecer usando-os, pois o sono relaxa o controle do corpo.
E por que o chamavam de "Elisha, o dono das asas"? Porque certa vez o império perverso decretou um decreto contra Israel: todo aquele que colocasse tefilin sobre a cabeça teria o cérebro perfurado. E Elisha colocava os tefilin e saía ao mercado. Um oficial (kasdor) o viu; Elisha correu fugindo diante dele, e este correu atrás dele. Quando chegou perto dele, Elisha tirou-os da cabeça e segurou-os na mão. O oficial disse-lhe: o que há em tua mão? Respondeu-lhe: asas de pomba. Ele estendeu a mão, e encontraram-se nela asas de pomba. Por isso o chamavam de "o dono das asas".
A guemará narra o episódio que deu origem ao apelido de Elisha: em tempo de perseguição contra os tefilin, ele insistia em usá-los mesmo em público; perseguido por um oficial romano, escondeu-os na mão ao ser alcançado, e, quando questionado sobre o que segurava, respondeu com uma frase enigmática — "asas de pomba" — que se tornou miraculosamente verdadeira quando ele abriu a mão, salvando-o da acusação e originando seu apelido permanente.
Por que foi especificamente "asas de pomba" que o milagre lhe disse (mostrou), e não lhe disse a forma de outras aves? Porque a assembleia de Israel se assemelha a uma pomba, como se diz: "as asas da pomba cobertas de prata, e suas penas de ouro verde-amarelado" (Salmos 68:14) — assim como esta pomba, suas asas a protegem, também Israel, as mitzvot os protegem.
A guemará explica o simbolismo por trás do milagre: a pomba foi escolhida, entre todas as aves, porque a própria assembleia de Israel é tradicionalmente comparada a ela nos versículos dos Salmos. Assim como as asas protegem fisicamente a pomba, as mitzvot — e, em particular, o par de tefilin que Elisha recusava-se a abandonar mesmo sob risco de morte — protegem espiritualmente o povo de Israel, numa correspondência entre o objeto físico escondido na mão e sua transformação milagrosa em símbolo da própria proteção que ele representava.
Disse Rabi Abba bar Rav Ada em nome de Rabi Yitzchak: certa vez esqueceram e não trouxeram o bisturi na véspera de Shabat, e o trouxeram em Shabat por cima dos telhados e através dos pátios...
A guemará inicia o relato de um caso concreto em que, tendo-se esquecido de trazer o bisturi da circuncisão antes de Shabat, os responsáveis tiveram de trazê-lo já em pleno Shabat — e o fizeram por uma rota alternativa, passando por cima dos telhados e através dos pátios, em vez do caminho público comum, provavelmente para reduzir a gravidade da transgressão envolvida no transporte. O relato, porém, é interrompido exatamente neste ponto, sem que se conheça ainda o desfecho da história nem sua conclusão halachica, que prosseguirá em Shabat 130b.