Shabbat 120b abre completando a objeção deixada em aberto no fim de 120a: a baraita que permitia estender o manto e cobrir-se com ele, ou estender o Sefer Torá e ler nele, mesmo que isso indiretamente apagasse o fogo do lado ainda não queimado, é dita conforme Rabi Shimon ben Nanas — o mesmo tanna que, na Mishná anterior, permitiu estender couro de cabrito sobre arcas tocadas pelo fogo, pois o couro apenas chamusca sem se queimar. A Guemará prova essa atribuição a partir da própria Mishná: como Rabi Yosei precisou ressalvar que utensílios de barro novos cheios de água não servem para a divisória contra o incêndio — pois racham e apagam efetivamente o fogo —, conclui-se que o primeiro tanna, identificado com Rabi Shimon ben Nanas, permite de modo geral causar indiretamente a extinção (guerem kibui). Seguem-se duas baraitot correlatas: uma lâmpada acesa sobre uma mesinha pode ter a mesinha sacudida para que a lâmpada caia e talvez se apague, distinguindo a escola de Rabi Yanai entre quem a esqueceu ali sem intenção — permitido — e quem a deixou de propósito, hipótese em que a mesinha se torna base para uma coisa proibida; e uma lâmpada atrás da porta permite abrir e fechar a porta do modo costumeiro, ainda que isso a apague, ensinamento que Rav amaldiçoou. A pergunta de Ravina (ou Rav Acha, filho de Rava) a respeito do motivo da maldição é respondida: não se trata de uma disputa geral entre Rav, que segue Rabi Yehuda, e o tanna, que seguiria Rabi Shimon, pois mesmo Rabi Shimon — que em geral permite ações não intencionais — concorda no caso de pesik reishei ve-lo yamut, quando o resultado proibido é certo e inevitável. Segue-se o ensinamento de Rav Yehuda permitindo abrir uma porta em frente a uma fogueira em Shabat, apesar do vento que poderia atear as chamas, amaldiçoado por Abaie; a Guemará esclarece que se trata de vento comum, e a divergência entre os dois é sobre decretar ou não uma proibição por precaução mesmo nesse caso. O daf retorna então à Mishná sobre fazer uma divisória contra o incêndio com utensílios, cheios ou vazios, questionando se ela implica que os sábios permitem causar indiretamente a extinção e Rabi Yosei a proíbe — o oposto do que se ouviu numa baraita sobre utensílios de metal e os utensílios especialmente resistentes de Kfar Shichin e Kfar Chananya, que Rabi Yosei também permite. Rejeita-se a tentativa de inverter a Mishná, pois Rabá bar Tachlifá transmitiu em nome de Rav que é precisamente Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção; conclui-se que a baraita, incompleta, é toda ela de Rabi Yosei. Por fim, levanta-se uma contradição mais ampla — entre a opinião dos sábios aqui e a dos sábios noutra baraita, e entre a opinião de Rabi Yosei aqui e a de Rabi Yosei noutra baraita — a partir do caso de alguém que tem o Nome divino escrito na própria pele: não deve lavar-se nem ficar em lugar sujo, mas, diante de uma imersão de preceito, envolve a escrita com junco e desce e imerge, enquanto Rabi Yosei permite imergir do modo costumeiro, contanto que não esfregue. Resolve-se que, quanto ao Nome divino, agir diretamente para apagá-lo é proibido por um versículo explícito, mas causar isso indiretamente é permitido; quanto ao fogo em Shabat, a mesma lógica seria válida, exceto que, por a pessoa estar apressada com seu dinheiro, receia-se que venha a apagar diretamente. Discute-se ainda a natureza do junco — se apertado, causa uma interposição que invalida a imersão; se frouxo, deixa a água entrar e apagar o Nome mesmo assim — e propõe-se, por meio de Rava bar Rav Sheila, que os sábios exigem colocar a mão sobre o Nome por ser proibido ficar nu diante dele. O daf termina em pleno fluxo dessa última troca, no meio de uma frase, sem qualquer hadran, a continuar diretamente em Shabbat 121a, ainda não publicado.
Isso que ensina a baraita é dito conforme Rabi Shimon ben Nanas.
O daf abre resolvendo a questão deixada em aberto no fim de 120a: a baraita citada ali, que permitia estender o manto e cobrir-se com ele, ou estender o Sefer Torá e ler nele, mesmo que isso indiretamente apagasse as chamas do lado ainda não queimado, segue a mesma lógica de Rabi Shimon ben Nanas, autor da terceira Mishná do perek, que permitiu estender couro de cabrito sobre arcas já tocadas pelo fogo — pois o couro apenas chamusca sem se queimar, protegendo o conteúdo sem que isso constitua "apagar" o incêndio de modo proibido. Ambos os casos compartilham o mesmo princípio: causar indiretamente a extinção do fogo (guerem kibui), por meio de um ato cujo propósito principal não é apagar, é permitido.
"Guemará: isso é dito conforme Rabi Shimon" — pois ele permite deter o incêndio por meio de um ato indireto, como se vê com o couro de cabrito.
Diga-se que Rabi Shimon ben Nanas disse "pois ele chamusca" — mas será que ele disse que causar indiretamente a extinção é permitido? Sim: pois, visto que se ensina no final da Mishná que Rabi Yosei proíbe fazê-lo com utensílios de barro novos cheios de água, porque não conseguem suportar o fogo e se rompem e apagam o incêndio — daí se conclui que o primeiro tanna permite.
A Guemará antecipa uma objeção: Rabi Shimon ben Nanas apenas disse que o couro chamusca sem se queimar — de onde se prova que ele endossaria, de modo geral, causar indiretamente a extinção do fogo? A resposta vem da estrutura da própria Mishná: Rabi Yosei, ao discordar, precisou especificar uma exceção — utensílios de barro novos, que racham e derramam água, apagando o fogo de fato. Se o primeiro tanna (identificado com Rabi Shimon ben Nanas) não permitisse, em princípio, causar indiretamente a extinção, Rabi Yosei não precisaria dessa ressalva específica; o próprio fato de ele restringir apenas os utensílios que rompem e apagam diretamente mostra que, para o primeiro tanna, mesmo essa consequência seria tolerada, contanto que indireta.
"Causar indiretamente a extinção" — um caso deste tipo, em que, quando o fogo chega à água, ele se apaga. "Será que ele disse" — talvez o que se ensina na Mishná, "e faz-se uma divisória com todos os utensílios", não se refira aos utensílios novos que se rompem.
Ensinaram os sábios: uma lâmpada que está sobre uma mesinha — sacode-se a mesinha e ela a lâmpada cai, e se se apagou, se apagou. Disseram na escola de Rabi Yanai: não se ensinou isso senão de quem a esqueceu ali; mas de quem a deixou de propósito — a mesinha se torna uma base para uma coisa proibida.
Nova baraita sobre causar indiretamente a extinção: uma lâmpada acesa sobre uma mesinha pode ser derrubada sacudindo-se a mesinha, mesmo sabendo que ela provavelmente se apagará ao cair, pois o ato direto é apenas sacudir a mesinha, e a extinção é uma consequência indireta. A escola de Rabi Yanai qualifica essa permissão: ela só se aplica quando a lâmpada foi esquecida ali sem intenção, antes do início de Shabat; mas se a pessoa a colocou ali de propósito, sabendo que precisaria sacudir a mesinha depois, a própria mesinha se torna um "base" (basis) para um objeto cujo manuseio é proibido em Shabat (a lâmpada acesa), e por isso não pode mais ser movida.
"Lâmpada" — acesa (em francês antigo, creisuel). "Senão de quem esqueceu" — que a esqueceu ali antes de escurecer, sobre a mesinha, sem ter tido essa intenção. "Mas de quem a deixou de propósito" — a mesinha se torna uma base para uma coisa proibida, e é proibido movê-la para sacudi-la.
Ensinou-se: uma lâmpada que está atrás da porta — abre-se e fecha-se do modo costumeiro, e se se apagou, se apagou. Rav amaldiçoou isso. Disse-lhe Ravina a Rav Acha, filho de Rava — e alguns dizem que foi Rav Acha, filho de Rava, que disse a Rav Ashi: por que razão Rav amaldiçoou isso? Se dissesses que é porque Rav entende a lei conforme Rabi Yehuda, e o tanna a ensinou conforme Rabi Shimon — acaso, porque Rav entende a lei conforme Rabi Yehuda, amaldiçoa tudo o que se ensina conforme Rabi Shimon?!
Uma segunda baraita trata de uma lâmpada colocada atrás de uma porta: permite-se abrir e fechar a porta normalmente, mesmo correndo o risco de apagar a lâmpada com o movimento do ar, pois o ato direto é apenas abrir e fechar a porta, algo permitido e habitual. Surpreendentemente, Rav amaldiçoou quem ensina essa permissão. Levanta-se a pergunta: talvez a maldição se explique porque Rav segue a opinião de Rabi Yehuda, que proíbe qualquer ação cujo resultado poderia ser proibido, ainda que não intencional (davar she'eino mitkavein), enquanto a baraita segue Rabi Shimon, que permite. Mas essa explicação é rejeitada de imediato: se assim fosse, Rav teria que amaldiçoar todo ensinamento que segue Rabi Shimon, o que não é razoável — deve haver algo específico neste caso.
"Amaldiçoou isso" — amaldiçoou todos os que ensinam assim. "Conforme Rabi Yehuda" — que diz: uma coisa não intencional é proibida.
Disse-lhe: nisto, mesmo Rabi Shimon concorda. Pois eis que Abaie e Rava, ambos dizem: Rabi Shimon concorda no caso de "cortam-lhe a cabeça, e não morre?" — isto é, quando o resultado proibido é certo e inevitável.
A resposta esclarece a razão real da maldição de Rav: não se trata de uma disputa geral entre seguir Rabi Yehuda ou Rabi Shimon, mas de um princípio que Abaie e Rava, juntos, atribuem ao próprio Rabi Shimon — mesmo ele, que em geral permite uma ação cujo efeito colateral proibido não é certo, concorda que, quando esse efeito é absolutamente inevitável (a imagem usada é "decapitar um animal e ele não morrer?", ou seja, um resultado tão certo quanto a morte após a decapitação), a ação é proibida, pois a pessoa efetivamente pretende esse resultado ainda que não o declare. No caso da lâmpada atrás da porta, presumivelmente o vento do movimento a apagaria com certeza — por isso mesmo Rabi Shimon proibiria, e a maldição de Rav não dependia de sua filiação a Rabi Yehuda, mas de um erro na aplicação da própria opinião de Rabi Shimon.
"No caso de pesik reishei" — e aqui também o vento a apaga necessariamente.
Disse Rav Yehuda: um homem pode abrir uma porta em frente a uma fogueira em Shabat. Abaie amaldiçoou isso. Do que exatamente tratamos? Se dissesses que se trata de um vento comum — qual é o argumento de quem proíbe?! Se se trata de um vento incomum — qual é o argumento de quem permite?! Na verdade, trata-se de um vento comum: um mestre entende que decretamos proibição por precaução, e um mestre entende que não decretamos.
Um caso semelhante: Rav Yehuda ensina que se pode abrir uma porta em frente a uma fogueira, mesmo que a corrente de ar criada possa atiçar as chamas — o ato direto é apenas abrir a porta, e o efeito sobre o fogo é indireto e incerto. Abaie amaldiçoou também esse ensinamento. A Guemará esclarece a natureza da disputa: não pode se tratar de um vento raro e incomum, pois nesse caso ninguém proibiria; nem de certeza absoluta de que o vento atearia o fogo, pois nesse caso ninguém permitiria (seria como o caso anterior de pesik reishei). Trata-se, portanto, de um vento comum, mas cujo efeito sobre a fogueira não é inevitável nem imediato: a divergência entre Rav Yehuda e Abaie está em se decreta-se uma proibição preventiva mesmo nesse caso intermediário, por temor de que a pessoa venha a se descuidar, ou não.
"Em frente à fogueira" — ainda que o vento sopre e atice o fogo. "Qual é o argumento de quem proíbe" — não é costume o vento atear o fogo quando é vento comum, e não é caso de "pesik reishei ve-lo yamut".
"Faz-se uma divisória, etc." — Isso vem para dizer que os sábios entendem que causar indiretamente a extinção é permitido, e Rabi Yosei entende que causar indiretamente a extinção é proibido? Mas nós os ouvimos dizer o oposto! Pois foi ensinado numa baraita: faz-se uma divisória com utensílios vazios, e com utensílios cheios que não costumam se quebrar. E estes são os utensílios cheios que não costumam se quebrar: utensílios de metal. Rabi Yosei diz: também os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya não costumam se quebrar. E se disseres: inverte a nossa Mishná, de modo que o Rabi Yosei da baraita fala apenas segundo a opinião dos sábios, sem concordar com ela — acaso podes invertê-la? Mas não disse Rabá bar Tachlifá em nome de Rav: quem ensinou que causar indiretamente a extinção é proibido — foi Rabi Yosei!
A Guemará retorna à Mishná do início da sugiá (720b, ainda em 120a): "faz-se uma divisória com todos os utensílios, cheios ou vazios", ressalvada por Rabi Yosei quanto aos utensílios de barro novos. À primeira vista, isso sugeriria que os sábios (tanna kama) permitem causar indiretamente a extinção — pois não se importam se os utensílios racham e apagam o fogo —, enquanto Rabi Yosei proíbe, daí sua ressalva. Mas essa leitura contradiz uma baraita distinta, na qual Rabi Yosei amplia a lista de utensílios permitidos (incluindo os de barro resistente de Kfar Shichin e Kfar Chananya), sugerindo que ele é mais permissivo quanto a causar indiretamente a extinção, não menos. Propõe-se resolver invertendo a atribuição na Mishná — mas essa inversão é rejeitada, pois uma tradição independente, transmitida por Rabá bar Tachlifá em nome de Rav, afirma categoricamente que é Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção, confirmando a leitura original da Mishná.
"Também os utensílios de Kfar Shichin" — barro feito daquela terra é forte e não se quebra; conclui-se disso que, para Rabi Yosei, quanto a causar indiretamente a extinção, ele é mais brando que os sábios. "E se disseres: inverte a nossa Mishná" — e ensina no início as palavras de Rabi Yosei, e os sábios proíbem fazê-lo com utensílios de barro novos, etc. "E o Rabi Yosei da baraita" — isso sugere que, quanto àqueles utensílios que se rompem, ele concorda com os sábios, pois apenas quanto aos de Kfar Shichin e Kfar Chananya é que ele permite. "Fala apenas segundo a opinião deles" — isto é, ele diria: para mim, todos os utensílios são permitidos, pois causar indiretamente a extinção é permitido; mas para vós, ainda que proibais causar indiretamente a extinção, concordai comigo ao menos que nestes (de Kfar Shichin e Kfar Chananya) nem sequer há causa indireta, pois não se rompem.
Mas na verdade não inverta a Mishná, e a baraita, toda ela, é opinião de Rabi Yosei; e ela está incompleta, e assim deveria ser ensinada: faz-se uma divisória com utensílios vazios e com utensílios cheios que não costumam se quebrar. E estes são os utensílios que não costumam se quebrar: utensílios de metal. E os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya também não costumam se quebrar, pois Rabi Yosei diz: também os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya não costumam se quebrar.
A resolução final: a baraita citada não contém, na verdade, duas opiniões (tanna kama e Rabi Yosei em desacordo), mas uma única opinião — a de Rabi Yosei — apresentada de forma incompleta. O texto original diria apenas que se faz a divisória com utensílios vazios ou cheios que não costumam se quebrar, exemplificando com os utensílios de metal; e, num segundo momento, o próprio Rabi Yosei esclarece que a mesma regra vale também para os utensílios especiais de Kfar Shichin e Kfar Chananya, que embora sejam de barro, são resistentes o bastante para não se romperem. Assim, não há contradição: em ambas as fontes, é Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção — permitindo a divisória apenas com utensílios que, de fato, não se quebram.
E contradiz-se a opinião dos sábios daqui com a opinião dos sábios dali, e contradiz-se a opinião de Rabi Yosei daqui com a opinião de Rabi Yosei dali. Pois foi ensinado: eis que alguém tinha o Nome divino escrito em sua pele — não deve lavar-se, nem ungir-se, nem ficar de pé em lugar sujo. Mas se lhe surgiu a oportunidade de cumprir uma imersão de preceito, envolve a escrita com junco, e desce e imerge. Rabi Yosei diz: sempre desce e imerge do modo costumeiro, contanto que não esfregue!
Levanta-se uma contradição mais ampla, envolvendo um caso totalmente diferente: alguém que tem o Nome divino escrito na própria pele (por exemplo, por razões medicinais ou místicas) deve tomar cuidado para não apagá-lo, evitando lavar-se, ungir-se ou entrar em lugares sujos. Mas se surgir a obrigação de realizar uma imersão ritual de preceito (como após emissão seminal, para poder estudar Torá ou orar), os sábios permitem envolver a escrita com junco antes de descer à água, para protegê-la — implicando que, sem essa proteção, a água apagaria o Nome de modo proibido, e que causar isso indiretamente (por meio da água que penetra) é preocupante o bastante para exigir uma barreira física. Rabi Yosei, por sua vez, permite imergir normalmente, sem qualquer proteção, contanto que a pessoa não esfregue o local diretamente — sugerindo que causar indiretamente o apagamento do Nome pela água é permitido para ele. Essa dupla atribuição parece contradizer o que se acabou de estabelecer sobre o incêndio: ali, eram os sábios que permitiam e Rabi Yosei quem proibia causar indiretamente a extinção; aqui, a relação parece inversa.
"Envolve a escrita com junco" — supõe-se agora que isso é para que a água não apague o Nome; conclui-se disso que, para os sábios, causar indiretamente o apagamento é proibido, e para Rabi Yosei é permitido. "Contanto que não esfregue" — pois isso seria apagar com as próprias mãos.
É diferente ali, pois diz o versículo: "e destruireis o nome deles daquele lugar; não fareis assim ao Eterno, vosso Deus" — um ato de fazer é que é proibido; uma causa indireta é permitida.
A primeira parte da resposta: o caso do Nome divino escrito na pele não é comparável ao caso do incêndio, pois a proibição de apagar o Nome deriva de um versículo específico (Devarim 12:3–4), que fala em termos de um ato ativo de destruição — "não fareis assim". A leitura cuidadosa do versículo restringe a proibição bíblica ao ato direto; uma causa meramente indireta do apagamento (como a água que penetra através do junco frouxo, ou a própria imersão sem proteção) permanece permitida, e é por isso que os sábios, nessa baraita, toleram causar indiretamente o apagamento, enquanto Rabi Yosei — mais rigoroso aqui — exige ainda mais cuidado.
Se assim, aqui também deveria valer o mesmo, pois está escrito: "não farás nenhum trabalho" — um ato de fazer é que é proibido; uma causa indireta é permitida! Responde-se: visto que a pessoa está apressada por causa de seu dinheiro, se lhe permitíssemos isso, viria a apagar o fogo diretamente.
A Guemará questiona por que a mesma lógica não se aplicaria ao próprio Shabat: o versículo que proíbe o trabalho em Shabat ("não farás nenhum trabalho") também fala em termos de ato direto, o que sugeriria que causar indiretamente a extinção do fogo deveria sempre ser permitido — contrariando a posição de Rabi Yosei na Mishná sobre a divisória de utensílios. A resposta introduz uma consideração prática, além da análise puramente legal: no caso do incêndio, a pessoa está emocionalmente apressada e ansiosa por salvar seus bens, e por isso há um receio real de que, se lhe permitirmos qualquer forma de causar indiretamente a extinção, ela acabe se descuidando e apagando o fogo diretamente, de modo totalmente proibido. Esse receio prático não existe no caso do Nome divino na pele, onde não há a mesma pressão emocional imediata.
Se assim, é difícil a opinião dos sábios daqui contra a opinião dos sábios dali: e se ali, onde a pessoa está apressada por causa de seu dinheiro, é permitido — aqui (quanto ao Nome divino) não seria ainda mais razoável permitir?!
A resposta anterior é virada contra si mesma por meio de um argumento a fortiori (kal vachomer): se mesmo no caso do incêndio — onde a pressa e a ansiedade da pessoa por seu dinheiro criam um risco real de descuido — os sábios ainda assim permitem causar indiretamente a extinção (segundo a leitura anterior da Mishná), então no caso do Nome divino, onde não há essa pressa emocional equivalente, os sábios deveriam permitir com ainda mais razão. A contradição entre as duas posições dos sábios permanece, portanto, sem solução completa nesta etapa da sugiá.
Mas pensa bem: esse junco, como é o caso exatamente? Se está apertado — isso constitui uma interposição; se não está apertado — a água entra nele e apaga o Nome de qualquer modo! E quanto à interposição, por que não deduzi-la já por causa da tinta (com que o Nome foi escrito)? Responde-se: trata-se de tinta úmida. Pois foi ensinado: o sangue e a tinta, o mel e o leite — secos, interpõem; úmidos, não interpõem. Mas de qualquer modo continua difícil?
A Guemará interrompe a linha de raciocínio para examinar mais de perto a mecânica do junco usado na imersão: se ele é enrolado apertadamente ao redor da escrita, protege o Nome da água, mas cria uma interposição (chatzitzá) entre a pele e a água da imersão, o que invalidaria a imersão ritual por completo; mas se é enrolado frouxamente, para não invalidar a imersão, a água acaba entrando de qualquer modo e apagando o Nome — tornando o junco inútil para seu propósito declarado. Levanta-se ainda uma objeção lateral: mesmo sem o junco, a própria tinta com que o Nome foi escrito já deveria causar uma interposição — respondida com a distinção entre tinta seca, que interpõe, e tinta úmida, que não interpõe, conforme uma baraita sobre substâncias como sangue, tinta, mel e leite. Mas mesmo com essa distinção, a dificuldade original sobre a função do junco permanece sem resposta completa.
"Mas pensa bem" — que aqui o junco que os sábios exigiram é por causa de que o Nome não se apague. "Esse junco, como é o caso" — que deve ser colocado para protegê-lo. "Se está apertado" — de modo que a água não entre nele e o Nome se apague, isso constitui uma interposição. "E se não está apertado" — rente à sua pele. "A água entra nele" — e o junco não protege o Nome de se apagar. "Por que não deduzi-la já por causa da tinta" — mesmo sem o junco, a tinta já interpõe; e responde-se: trata-se de tinta úmida. "Mas de qualquer modo continua difícil" — para que serve o junco aos sábios?
Mas disse Rava bar Rav Sheila: este é o argumento dos sábios, pois entendem: é proibido ficar de pé diante do Nome nu. Segue-se disso que Rabi Yosei entende que é permitido ficar de pé diante do Nome nu? Não — pois ele exige que a pessoa ponha sua mão sobre ele (o Nome, cobrindo-o).
Rava bar Rav Sheila propõe uma explicação inteiramente diferente para a exigência do junco, deslocando o foco de "apagar o Nome" para "ficar nu diante do Nome": os sábios exigem o junco não para proteger o Nome da água, mas porque é proibido a uma pessoa ficar de pé, nua, diante do Nome divino escrito visivelmente sobre sua própria pele — o junco serve, então, como uma cobertura, um véu sobre a escrita. A Guemará então questiona se isso implicaria que Rabi Yosei, que permite imergir sem junco, também permitiria ficar nu diante do Nome — o que pareceria surpreendente. A resposta esclarece que não: mesmo Rabi Yosei exige alguma forma de cobertura, mas para ele basta colocar a mão sobre o Nome durante a imersão, sem necessidade do junco.
"Segue-se disso que, para Rabi Yosei, etc." — em tom de espanto: e não está escrito "não se verá em ti coisa indecente" (Devarim 23:15)?
Também para os sábios, que exigem que a pessoa ponha sua mão sobre ele! Responde-se: às vezes esquece e a retira. Também para Rabi Yosei, poderia acontecer que às vezes esqueça e a retire? Mas: se há junco — também aí ele concorda que é necessário; aqui do que tratamos? De voltar a enrolar outra vez o junco que se soltou; os sábios entendem —
A Guemará testa a distinção recém-proposta: por que Rabi Yosei se contentaria com a mão sobre o Nome, se os próprios sábios já exigem a mão como cobertura mínima — e mesmo assim os sábios exigem, adicionalmente, o junco? A resposta é que a mão sozinha é uma proteção precária, pois a pessoa pode se distrair durante a imersão e esquecer, retirando a mão sem perceber, deixando o Nome exposto; por isso os sábios exigem o junco, mais seguro. Mas a Guemará devolve a objeção: esse mesmo risco de esquecimento também deveria preocupar Rabi Yosei! A discussão então parece se reorientar para o caso de alguém que já possui o junco disponível — mesmo Rabi Yosei concordaria que ele deve ser usado — e passa a perguntar sobre a situação específica de o junco se soltar durante a imersão, exigindo que a pessoa o reenrole. O daf termina exatamente aqui, no meio da frase "os sábios entendem", sem qualquer hadran, pois o Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh) continua sua discussão diretamente em Shabbat 121a, ainda não publicado, onde presumivelmente a Guemará completará a resposta sobre o reenrolar do junco solto.
"Mas: se há junco, também aí ele concorda" — que Rabi Yosei concorda que é necessário envolvê-lo com junco, e não lhe basta pôr a mão sobre ele, pois talvez esqueça e a retire.