Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh), continuação
הוּא דְּאָמַר כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס

Confirma-se a opinião de Rabi Shimon ben Nanas; lâmpadas sobre mesinha e atrás da porta; abrir porta em frente à fogueira; a divisória de utensílios e o Nome divino escrito na pele

Shabbat 120b · continua diretamente de 120a · Perek Tet-Zayin, Kol Kitvei HaKodesh

Shabbat 120b abre completando a objeção deixada em aberto no fim de 120a: a baraita que permitia estender o manto e cobrir-se com ele, ou estender o Sefer Torá e ler nele, mesmo que isso indiretamente apagasse o fogo do lado ainda não queimado, é dita conforme Rabi Shimon ben Nanas — o mesmo tanna que, na Mishná anterior, permitiu estender couro de cabrito sobre arcas tocadas pelo fogo, pois o couro apenas chamusca sem se queimar. A Guemará prova essa atribuição a partir da própria Mishná: como Rabi Yosei precisou ressalvar que utensílios de barro novos cheios de água não servem para a divisória contra o incêndio — pois racham e apagam efetivamente o fogo —, conclui-se que o primeiro tanna, identificado com Rabi Shimon ben Nanas, permite de modo geral causar indiretamente a extinção (guerem kibui). Seguem-se duas baraitot correlatas: uma lâmpada acesa sobre uma mesinha pode ter a mesinha sacudida para que a lâmpada caia e talvez se apague, distinguindo a escola de Rabi Yanai entre quem a esqueceu ali sem intenção — permitido — e quem a deixou de propósito, hipótese em que a mesinha se torna base para uma coisa proibida; e uma lâmpada atrás da porta permite abrir e fechar a porta do modo costumeiro, ainda que isso a apague, ensinamento que Rav amaldiçoou. A pergunta de Ravina (ou Rav Acha, filho de Rava) a respeito do motivo da maldição é respondida: não se trata de uma disputa geral entre Rav, que segue Rabi Yehuda, e o tanna, que seguiria Rabi Shimon, pois mesmo Rabi Shimon — que em geral permite ações não intencionais — concorda no caso de pesik reishei ve-lo yamut, quando o resultado proibido é certo e inevitável. Segue-se o ensinamento de Rav Yehuda permitindo abrir uma porta em frente a uma fogueira em Shabat, apesar do vento que poderia atear as chamas, amaldiçoado por Abaie; a Guemará esclarece que se trata de vento comum, e a divergência entre os dois é sobre decretar ou não uma proibição por precaução mesmo nesse caso. O daf retorna então à Mishná sobre fazer uma divisória contra o incêndio com utensílios, cheios ou vazios, questionando se ela implica que os sábios permitem causar indiretamente a extinção e Rabi Yosei a proíbe — o oposto do que se ouviu numa baraita sobre utensílios de metal e os utensílios especialmente resistentes de Kfar Shichin e Kfar Chananya, que Rabi Yosei também permite. Rejeita-se a tentativa de inverter a Mishná, pois Rabá bar Tachlifá transmitiu em nome de Rav que é precisamente Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção; conclui-se que a baraita, incompleta, é toda ela de Rabi Yosei. Por fim, levanta-se uma contradição mais ampla — entre a opinião dos sábios aqui e a dos sábios noutra baraita, e entre a opinião de Rabi Yosei aqui e a de Rabi Yosei noutra baraita — a partir do caso de alguém que tem o Nome divino escrito na própria pele: não deve lavar-se nem ficar em lugar sujo, mas, diante de uma imersão de preceito, envolve a escrita com junco e desce e imerge, enquanto Rabi Yosei permite imergir do modo costumeiro, contanto que não esfregue. Resolve-se que, quanto ao Nome divino, agir diretamente para apagá-lo é proibido por um versículo explícito, mas causar isso indiretamente é permitido; quanto ao fogo em Shabat, a mesma lógica seria válida, exceto que, por a pessoa estar apressada com seu dinheiro, receia-se que venha a apagar diretamente. Discute-se ainda a natureza do junco — se apertado, causa uma interposição que invalida a imersão; se frouxo, deixa a água entrar e apagar o Nome mesmo assim — e propõe-se, por meio de Rava bar Rav Sheila, que os sábios exigem colocar a mão sobre o Nome por ser proibido ficar nu diante dele. O daf termina em pleno fluxo dessa última troca, no meio de uma frase, sem qualquer hadran, a continuar diretamente em Shabbat 121a, ainda não publicado.

Confirma-se: a baraita segue Rabi Shimon ben Nanas · הוּא דְּאָמַר כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס

719A baraita do manto e do Sefer Torá tocados pelo fogo é dita conforme Rabi Shimon ben Nanas
Anônimo (Guemará)
הוּא דְּאָמַר כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס.

Isso que ensina a baraita é dito conforme Rabi Shimon ben Nanas.

Nota

O daf abre resolvendo a questão deixada em aberto no fim de 120a: a baraita citada ali, que permitia estender o manto e cobrir-se com ele, ou estender o Sefer Torá e ler nele, mesmo que isso indiretamente apagasse as chamas do lado ainda não queimado, segue a mesma lógica de Rabi Shimon ben Nanas, autor da terceira Mishná do perek, que permitiu estender couro de cabrito sobre arcas já tocadas pelo fogo — pois o couro apenas chamusca sem se queimar, protegendo o conteúdo sem que isso constitua "apagar" o incêndio de modo proibido. Ambos os casos compartilham o mesmo princípio: causar indiretamente a extinção do fogo (guerem kibui), por meio de um ato cujo propósito principal não é apagar, é permitido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hu de'amar keRabi Shimon"
גמ' הוא דאמר כר"ש - דשרי לעכובי דליקה בעור גדי:

"Guemará: isso é dito conforme Rabi Shimon" — pois ele permite deter o incêndio por meio de um ato indireto, como se vê com o couro de cabrito.

720A Guemará confirma que Rabi Shimon ben Nanas permite causar indiretamente a extinção, a partir da ressalva de Rabi Yosei sobre utensílios de barro novos
Anônimo (Guemará)
אֵימַר דְּאָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס ״מִפְּנֵי שֶׁהוּא מְחָרֵךְ״, גְּרַם כִּיבּוּי מִי אָמַר? אִין, מִדְּקָתָנֵי סֵיפָא רַבִּי יוֹסֵי אוֹסֵר בִּכְלֵי חֶרֶס חֲדָשִׁים מְלֵאִים מַיִם, שֶׁאֵינָן יְכוֹלִים לְקַבֵּל אֶת הָאוּר וְהֵן מִתְבַּקְּעִין וּמְכַבִּין אֶת הַדְּלֵיקָה — מִכְּלָל דְּתַנָּא קַמָּא שָׁרֵי.

Diga-se que Rabi Shimon ben Nanas disse "pois ele chamusca" — mas será que ele disse que causar indiretamente a extinção é permitido? Sim: pois, visto que se ensina no final da Mishná que Rabi Yosei proíbe fazê-lo com utensílios de barro novos cheios de água, porque não conseguem suportar o fogo e se rompem e apagam o incêndio — daí se conclui que o primeiro tanna permite.

Nota

A Guemará antecipa uma objeção: Rabi Shimon ben Nanas apenas disse que o couro chamusca sem se queimar — de onde se prova que ele endossaria, de modo geral, causar indiretamente a extinção do fogo? A resposta vem da estrutura da própria Mishná: Rabi Yosei, ao discordar, precisou especificar uma exceção — utensílios de barro novos, que racham e derramam água, apagando o fogo de fato. Se o primeiro tanna (identificado com Rabi Shimon ben Nanas) não permitisse, em princípio, causar indiretamente a extinção, Rabi Yosei não precisaria dessa ressalva específica; o próprio fato de ele restringir apenas os utensílios que rompem e apagam diretamente mostra que, para o primeiro tanna, mesmo essa consequência seria tolerada, contanto que indireta.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "gram kibui" e "mi amar"
גרם כיבוי - כי האי גוונא כשמגיע למים הוא כבה: מי אמר - דילמא הא דקתני במתני' ועושין מחיצה בכל הכלים לאו בחדשים המתבקעים קאמר:

"Causar indiretamente a extinção" — um caso deste tipo, em que, quando o fogo chega à água, ele se apaga. "Será que ele disse" — talvez o que se ensina na Mishná, "e faz-se uma divisória com todos os utensílios", não se refira aos utensílios novos que se rompem.

A lâmpada sobre a mesinha e a lâmpada atrás da porta · נֵר שֶׁעַל גַּבֵּי טַבְלָא

721Baraita: sacode-se a mesinha para que a lâmpada caia; a escola de Rabi Yanai distingue entre esquecer e deixar de propósito
Beit Rabi Yanai
תָּנוּ רַבָּנַן: נֵר שֶׁעַל גַּבֵּי טַבְלָא — מְנַעֵר אֶת הַטַּבְלָא וְהִיא נוֹפֶלֶת, וְאִם כָּבְתָה — כָּבְתָה. אָמְרִי דְּבֵי רַבִּי יַנַּאי: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא בְּשׁוֹכֵחַ, אֲבָל בְּמַנִּיחַ — נַעֲשָׂה בָּסִיס לְדָבָר הָאָסוּר.

Ensinaram os sábios: uma lâmpada que está sobre uma mesinha — sacode-se a mesinha e ela a lâmpada cai, e se se apagou, se apagou. Disseram na escola de Rabi Yanai: não se ensinou isso senão de quem a esqueceu ali; mas de quem a deixou de propósitoa mesinha se torna uma base para uma coisa proibida.

Nota

Nova baraita sobre causar indiretamente a extinção: uma lâmpada acesa sobre uma mesinha pode ser derrubada sacudindo-se a mesinha, mesmo sabendo que ela provavelmente se apagará ao cair, pois o ato direto é apenas sacudir a mesinha, e a extinção é uma consequência indireta. A escola de Rabi Yanai qualifica essa permissão: ela só se aplica quando a lâmpada foi esquecida ali sem intenção, antes do início de Shabat; mas se a pessoa a colocou ali de propósito, sabendo que precisaria sacudir a mesinha depois, a própria mesinha se torna um "base" (basis) para um objeto cujo manuseio é proibido em Shabat (a lâmpada acesa), e por isso não pode mais ser movida.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ner", "ela beshoche'ach" e "aval beманиach na'asit"
נר - דולק קרושיי"ל: אלא בשכח - דשכחו מבעוד יום על הטבלא שלא מדעת: אבל מניח נעשית - טבלא בסיס לדבר האסור ואסור לטלטלה כדי לנערה:

"Lâmpada" — acesa (em francês antigo, creisuel). "Senão de quem esqueceu" — que a esqueceu ali antes de escurecer, sobre a mesinha, sem ter tido essa intenção. "Mas de quem a deixou de propósito" — a mesinha se torna uma base para uma coisa proibida, e é proibido movê-la para sacudi-la.

722Baraita: abre-se e fecha-se a porta do modo costumeiro, mesmo com a lâmpada atrás; Rav amaldiçoou esse ensinamento; pergunta o motivo
Ravina; Rav Acha filho de Rava; Rav Ashi; Rav
תָּנָא: נֵר שֶׁאֲחוֹרֵי הַדֶּלֶת — פּוֹתֵחַ וְנוֹעֵל כְּדַרְכּוֹ, וְאִם כָּבְתָה — כָּבְתָה. לָיֵיט עֲלַהּ רַב. אֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְרַב אַחָא בְּרֵיהּ דְּרָבָא, וְאָמְרִי לַהּ רַב אַחָא בְּרֵיהּ דְּרָבָא לְרַב אָשֵׁי: מַאי טַעְמָא לָיֵיט עֲלַהּ רַב? אִילֵּימָא מִשּׁוּם דְּרַב סָבַר לַהּ כְּרַבִּי יְהוּדָה, וְתָנָא קָתָנֵי לַהּ כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן. מִשּׁוּם דְּרַב סָבַר לַהּ כְּרַבִּי יְהוּדָה, כׇּל דְּתָנֵי כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן מֵילָט לָיֵיט לֵיהּ?!

Ensinou-se: uma lâmpada que está atrás da porta — abre-se e fecha-se do modo costumeiro, e se se apagou, se apagou. Rav amaldiçoou isso. Disse-lhe Ravina a Rav Acha, filho de Rava — e alguns dizem que foi Rav Acha, filho de Rava, que disse a Rav Ashi: por que razão Rav amaldiçoou isso? Se dissesses que é porque Rav entende a lei conforme Rabi Yehuda, e o tanna a ensinou conforme Rabi Shimon — acaso, porque Rav entende a lei conforme Rabi Yehuda, amaldiçoa tudo o que se ensina conforme Rabi Shimon?!

Nota

Uma segunda baraita trata de uma lâmpada colocada atrás de uma porta: permite-se abrir e fechar a porta normalmente, mesmo correndo o risco de apagar a lâmpada com o movimento do ar, pois o ato direto é apenas abrir e fechar a porta, algo permitido e habitual. Surpreendentemente, Rav amaldiçoou quem ensina essa permissão. Levanta-se a pergunta: talvez a maldição se explique porque Rav segue a opinião de Rabi Yehuda, que proíbe qualquer ação cujo resultado poderia ser proibido, ainda que não intencional (davar she'eino mitkavein), enquanto a baraita segue Rabi Shimon, que permite. Mas essa explicação é rejeitada de imediato: se assim fosse, Rav teria que amaldiçoar todo ensinamento que segue Rabi Shimon, o que não é razoável — deve haver algo específico neste caso.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "layeit alah" e "keRabi Yehuda"
לייט עליה - על כל המורין כן: כר' יהודה - דאמר דבר שאין מתכוין אסור:

"Amaldiçoou isso" — amaldiçoou todos os que ensinam assim. "Conforme Rabi Yehuda" — que diz: uma coisa não intencional é proibida.

723Resposta: mesmo Rabi Shimon concorda no caso de "pesik reishei ve-lo yamut" — quando o resultado é inevitável
Rav Acha filho de Rava (ou Ravina); Abaie e Rava
אֲמַר לֵיהּ: בְּהָא אֲפִילּוּ רַבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֶה. דְּהָא אַבָּיֵי וְרָבָא דְּאָמְרִי תַּרְוַיְיהוּ: מוֹדֶה רַבִּי שִׁמְעוֹן בִּ״פְסִיק רֵישֵׁיהּ וְלָא יָמוּת״.

Disse-lhe: nisto, mesmo Rabi Shimon concorda. Pois eis que Abaie e Rava, ambos dizem: Rabi Shimon concorda no caso de "cortam-lhe a cabeça, e não morre?" — isto é, quando o resultado proibido é certo e inevitável.

Nota

A resposta esclarece a razão real da maldição de Rav: não se trata de uma disputa geral entre seguir Rabi Yehuda ou Rabi Shimon, mas de um princípio que Abaie e Rava, juntos, atribuem ao próprio Rabi Shimon — mesmo ele, que em geral permite uma ação cujo efeito colateral proibido não é certo, concorda que, quando esse efeito é absolutamente inevitável (a imagem usada é "decapitar um animal e ele não morrer?", ou seja, um resultado tão certo quanto a morte após a decapitação), a ação é proibida, pois a pessoa efetivamente pretende esse resultado ainda que não o declare. No caso da lâmpada atrás da porta, presumivelmente o vento do movimento a apagaria com certeza — por isso mesmo Rabi Shimon proibiria, e a maldição de Rav não dependia de sua filiação a Rabi Yehuda, mas de um erro na aplicação da própria opinião de Rabi Shimon.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "bifsik reishei"
בפסיק רישיה - והכא נמי הרוח מכבהו:

"No caso de pesik reishei" — e aqui também o vento a apaga necessariamente.

Abrir uma porta em frente à fogueira · פּוֹתֵחַ אָדָם דֶּלֶת כְּנֶגֶד מְדוּרָה

724Rav Yehuda permite abrir porta em frente à fogueira; Abaie amaldiçoou; resolvido como divergência sobre decretar por precaução, mesmo com vento comum
Rav Yehuda; Abaie
אָמַר רַב יְהוּדָה: פּוֹתֵחַ אָדָם דֶּלֶת כְּנֶגֶד מְדוּרָה בְּשַׁבָּת. לָיֵיט עֲלַהּ אַבָּיֵי. בְּמַאי עָסְקִינַן? אִילֵימָא בְּרוּחַ מְצוּיָה — מַאי טַעְמֵיהּ דְמַאן דְּאָסַר?! אִי בְּרוּחַ שֶׁאֵינָהּ מְצוּיָה — מַאי טַעְמָא דְמַאן דְּשָׁרֵי?! לְעוֹלָם בְּרוּחַ מְצוּיָה: מָר סָבַר גָּזְרִינַן, וּמָר סָבַר לָא גָּזְרִינַן.

Disse Rav Yehuda: um homem pode abrir uma porta em frente a uma fogueira em Shabat. Abaie amaldiçoou isso. Do que exatamente tratamos? Se dissesses que se trata de um vento comum — qual é o argumento de quem proíbe?! Se se trata de um vento incomum — qual é o argumento de quem permite?! Na verdade, trata-se de um vento comum: um mestre entende que decretamos proibição por precaução, e um mestre entende que não decretamos.

Nota

Um caso semelhante: Rav Yehuda ensina que se pode abrir uma porta em frente a uma fogueira, mesmo que a corrente de ar criada possa atiçar as chamas — o ato direto é apenas abrir a porta, e o efeito sobre o fogo é indireto e incerto. Abaie amaldiçoou também esse ensinamento. A Guemará esclarece a natureza da disputa: não pode se tratar de um vento raro e incomum, pois nesse caso ninguém proibiria; nem de certeza absoluta de que o vento atearia o fogo, pois nesse caso ninguém permitiria (seria como o caso anterior de pesik reishei). Trata-se, portanto, de um vento comum, mas cujo efeito sobre a fogueira não é inevitável nem imediato: a divergência entre Rav Yehuda e Abaie está em se decreta-se uma proibição preventiva mesmo nesse caso intermediário, por temor de que a pessoa venha a se descuidar, ou não.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "keneged hamedura" e "mai ta'ama deman de'asar"
כנגד המדורה - ואע"פ שרוח מנשבת ומבעיר האור: מאי טעמא דמאן דאסר - אין דרך להבעיר ברוח מצויה ולא פסיק רישיה ולא ימות הוא:

"Em frente à fogueira" — ainda que o vento sopre e atice o fogo. "Qual é o argumento de quem proíbe" — não é costume o vento atear o fogo quando é vento comum, e não é caso de "pesik reishei ve-lo yamut".

Retorno à Mishná: a divisória de utensílios · עוֹשִׂין מְחִיצָה בְּכׇל הַכֵּלִים

725A Mishná implicaria que os sábios permitem e Rabi Yosei proíbe causar indiretamente a extinção — mas ouviu-se o oposto, numa baraita sobre utensílios de metal e de Kfar Shichin e Kfar Chananya
Anônimo (Guemará); Rabá bar Tachlifá em nome de Rav
עוֹשִׂין מְחִיצָה כּוּ׳. לְמֵימְרָא דְּרַבָּנַן סָבְרִי גְּרַם כִּבּוּי מוּתָּר, וְרַבִּי יוֹסֵי סָבַר גְּרַם כִּבּוּי אָסוּר? וְהָא אִיפְּכָא שָׁמְעִינַן לְהוּ. דְּתַנְיָא: עוֹשִׂין מְחִיצָה בְּכֵלִים רֵיקָנִין, וּבִמְלֵאִין שֶׁאֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר. וְאֵלּוּ מְלֵאִין שֶׁאֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר — כְּלֵי מַתָּכוֹת. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אַף כְּלֵי כְּפַר שִׁיחִין וּכְלֵי כְּפַר חֲנַנְיָה אֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר. וְכִי תֵּימָא: אֵיפוֹךְ מַתְנִיתִין, וְרַבִּי יוֹסֵי דְּבָרַיְיתָא לְדִבְרֵיהֶם קָאָמַר. וּמִי מָצֵית אָפְכַתְּ לַהּ? וְהָאָמַר רַבָּה בַּר תַּחְלִיפָא מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב: מַאן תָּנָא גְּרַם כִּבּוּי אָסוּר — רַבִּי יוֹסֵי!

"Faz-se uma divisória, etc." — Isso vem para dizer que os sábios entendem que causar indiretamente a extinção é permitido, e Rabi Yosei entende que causar indiretamente a extinção é proibido? Mas nós os ouvimos dizer o oposto! Pois foi ensinado numa baraita: faz-se uma divisória com utensílios vazios, e com utensílios cheios que não costumam se quebrar. E estes são os utensílios cheios que não costumam se quebrar: utensílios de metal. Rabi Yosei diz: também os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya não costumam se quebrar. E se disseres: inverte a nossa Mishná, de modo que o Rabi Yosei da baraita fala apenas segundo a opinião dos sábios, sem concordar com ela — acaso podes invertê-la? Mas não disse Rabá bar Tachlifá em nome de Rav: quem ensinou que causar indiretamente a extinção é proibido — foi Rabi Yosei!

Nota

A Guemará retorna à Mishná do início da sugiá (720b, ainda em 120a): "faz-se uma divisória com todos os utensílios, cheios ou vazios", ressalvada por Rabi Yosei quanto aos utensílios de barro novos. À primeira vista, isso sugeriria que os sábios (tanna kama) permitem causar indiretamente a extinção — pois não se importam se os utensílios racham e apagam o fogo —, enquanto Rabi Yosei proíbe, daí sua ressalva. Mas essa leitura contradiz uma baraita distinta, na qual Rabi Yosei amplia a lista de utensílios permitidos (incluindo os de barro resistente de Kfar Shichin e Kfar Chananya), sugerindo que ele é mais permissivo quanto a causar indiretamente a extinção, não menos. Propõe-se resolver invertendo a atribuição na Mishná — mas essa inversão é rejeitada, pois uma tradição independente, transmitida por Rabá bar Tachlifá em nome de Rav, afirma categoricamente que é Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção, confirmando a leitura original da Mishná.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "af klei Kfar Shichin", "vechi teima eifoch matnitin", "veRabi Yosei debarayta" e "ledivreihem kaamar lehu"
אף כלי כפר שיחין - חרס העשוי מאותו עפר חזק הוא ואין משתבר אלמא לר' יוסי בגרם כבוי טפי מיקל מדרבנן: וכי תימא איפוך מתני' - ותני ברישא דברי ר' יוסי וחכמים אוסרין בכלי חרס חדשים כו': ור' יוסי דברייתא - דמשמע דבהנהו דפקעי מודה דהא כפר שיחין וכפר חנניה הוא דקשרי: לדבריהם קאמר להו - לדידי כל הכלים שרו דגרם כבוי מותר אלא לדידכו נהי דאסריתו גרם כבוי אודו לי מיהת דבהני אפילו גרם ליכא:

"Também os utensílios de Kfar Shichin" — barro feito daquela terra é forte e não se quebra; conclui-se disso que, para Rabi Yosei, quanto a causar indiretamente a extinção, ele é mais brando que os sábios. "E se disseres: inverte a nossa Mishná" — e ensina no início as palavras de Rabi Yosei, e os sábios proíbem fazê-lo com utensílios de barro novos, etc. "E o Rabi Yosei da baraita" — isso sugere que, quanto àqueles utensílios que se rompem, ele concorda com os sábios, pois apenas quanto aos de Kfar Shichin e Kfar Chananya é que ele permite. "Fala apenas segundo a opinião deles" — isto é, ele diria: para mim, todos os utensílios são permitidos, pois causar indiretamente a extinção é permitido; mas para vós, ainda que proibais causar indiretamente a extinção, concordai comigo ao menos que nestes (de Kfar Shichin e Kfar Chananya) nem sequer há causa indireta, pois não se rompem.

726Conclui-se: não se inverte a Mishná; a baraita, incompleta, é toda ela de Rabi Yosei
Anônimo (Guemará)
אֶלָּא לְעוֹלָם לָא תֵּיפוֹךְ, וּבָרָיְיתָא כּוּלָּהּ רַבִּי יוֹסֵי הִיא. וְחַסּוֹרֵי מְחַסְּרָא וְהָכִי קָתָנֵי: עוֹשִׂין מְחִיצָה בְּכֵלִים רֵיקָנִין וּבִמְלֵאִים שֶׁאֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר. וְאֵלּוּ הֵן כֵּלִים שֶׁאֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר: כְּלֵי מַתָּכוֹת. וּכְלֵי כְּפַר שִׁיחִין וּכְלֵי כְּפַר חֲנַנְיָה נָמֵי אֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר, שֶׁרַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אַף כְּלִי כְּפַר שִׁיחִין וּכְלֵי כְּפַר חֲנַנְיָה אֵין דַּרְכָּן לְהִשְׁתַּבֵּר.

Mas na verdade não inverta a Mishná, e a baraita, toda ela, é opinião de Rabi Yosei; e ela está incompleta, e assim deveria ser ensinada: faz-se uma divisória com utensílios vazios e com utensílios cheios que não costumam se quebrar. E estes são os utensílios que não costumam se quebrar: utensílios de metal. E os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya também não costumam se quebrar, pois Rabi Yosei diz: também os utensílios de Kfar Shichin e os utensílios de Kfar Chananya não costumam se quebrar.

Nota

A resolução final: a baraita citada não contém, na verdade, duas opiniões (tanna kama e Rabi Yosei em desacordo), mas uma única opinião — a de Rabi Yosei — apresentada de forma incompleta. O texto original diria apenas que se faz a divisória com utensílios vazios ou cheios que não costumam se quebrar, exemplificando com os utensílios de metal; e, num segundo momento, o próprio Rabi Yosei esclarece que a mesma regra vale também para os utensílios especiais de Kfar Shichin e Kfar Chananya, que embora sejam de barro, são resistentes o bastante para não se romperem. Assim, não há contradição: em ambas as fontes, é Rabi Yosei quem proíbe causar indiretamente a extinção — permitindo a divisória apenas com utensílios que, de fato, não se quebram.

O Nome divino escrito na pele · שֵׁם כָּתוּב עַל בְּשָׂרוֹ

727Nova contradição, entre os sábios e os sábios, e entre Rabi Yosei e Rabi Yosei: a baraita de quem tem o Nome divino escrito na pele e a imersão de preceito com junco
Anônimo (Guemará); Rabi Yosei
וְרָמֵי דְּרַבָּנַן אַדְּרַבָּנַן, וְרָמֵי דְּרַבִּי יוֹסֵי אַדְּרַבִּי יוֹסֵי. דְּתַנְיָא: הֲרֵי שֶׁהָיָה שֵׁם כָּתוּב לוֹ עַל בְּשָׂרוֹ — הֲרֵי זֶה לֹא יִרְחוֹץ וְלֹא יָסוּךְ וְלֹא יַעֲמוֹד בִּמְקוֹם הַטִּינּוֹפֶת. נִזְדַּמְּנָה לוֹ טְבִילָה שֶׁל מִצְוָה — כּוֹרֵךְ עָלֶיהָ גֶּמִי, וְיוֹרֵד וְטוֹבֵל. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: לְעוֹלָם יוֹרֵד וְטוֹבֵל כְּדַרְכּוֹ, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יְשַׁפְשֵׁף!

E contradiz-se a opinião dos sábios daqui com a opinião dos sábios dali, e contradiz-se a opinião de Rabi Yosei daqui com a opinião de Rabi Yosei dali. Pois foi ensinado: eis que alguém tinha o Nome divino escrito em sua pele — não deve lavar-se, nem ungir-se, nem ficar de pé em lugar sujo. Mas se lhe surgiu a oportunidade de cumprir uma imersão de preceito, envolve a escrita com junco, e desce e imerge. Rabi Yosei diz: sempre desce e imerge do modo costumeiro, contanto que não esfregue!

Nota

Levanta-se uma contradição mais ampla, envolvendo um caso totalmente diferente: alguém que tem o Nome divino escrito na própria pele (por exemplo, por razões medicinais ou místicas) deve tomar cuidado para não apagá-lo, evitando lavar-se, ungir-se ou entrar em lugares sujos. Mas se surgir a obrigação de realizar uma imersão ritual de preceito (como após emissão seminal, para poder estudar Torá ou orar), os sábios permitem envolver a escrita com junco antes de descer à água, para protegê-la — implicando que, sem essa proteção, a água apagaria o Nome de modo proibido, e que causar isso indiretamente (por meio da água que penetra) é preocupante o bastante para exigir uma barreira física. Rabi Yosei, por sua vez, permite imergir normalmente, sem qualquer proteção, contanto que a pessoa não esfregue o local diretamente — sugerindo que causar indiretamente o apagamento do Nome pela água é permitido para ele. Essa dupla atribuição parece contradizer o que se acabou de estabelecer sobre o incêndio: ali, eram os sábios que permitiam e Rabi Yosei quem proibia causar indiretamente a extinção; aqui, a relação parece inversa.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "korech alav gemi" e "uvilvad shelo yeshapshef"
כורך עליו גמי - קס"ד השתא כדי שלא ימחק את השם במים אלמא לרבנן גרם מחק אסור ולר' יוסי שרי: ובלבד שלא ישפשף - דהוי מוחק בידים:

"Envolve a escrita com junco" — supõe-se agora que isso é para que a água não apague o Nome; conclui-se disso que, para os sábios, causar indiretamente o apagamento é proibido, e para Rabi Yosei é permitido. "Contanto que não esfregue" — pois isso seria apagar com as próprias mãos.

728Resolução: quanto ao Nome divino, um versículo explícito proíbe apenas o ato direto de apagar; causar isso indiretamente é permitido
Anônimo (Guemará)
שָׁאנֵי הָתָם דְּאָמַר קְרָא: ״וְאִבַּדְתֶּם אֶת שְׁמָם מִן הַמָּקוֹם הַהוּא לֹא תַעֲשׂוּן כֵּן לַה׳ אֱלֹהֵיכֶם״ — עֲשִׂיָּיה הוּא דְּאָסוּר, גְּרָמָא שְׁרֵי.

É diferente ali, pois diz o versículo: "e destruireis o nome deles daquele lugar; não fareis assim ao Eterno, vosso Deus" — um ato de fazer é que é proibido; uma causa indireta é permitida.

Nota

A primeira parte da resposta: o caso do Nome divino escrito na pele não é comparável ao caso do incêndio, pois a proibição de apagar o Nome deriva de um versículo específico (Devarim 12:3–4), que fala em termos de um ato ativo de destruição — "não fareis assim". A leitura cuidadosa do versículo restringe a proibição bíblica ao ato direto; uma causa meramente indireta do apagamento (como a água que penetra através do junco frouxo, ou a própria imersão sem proteção) permanece permitida, e é por isso que os sábios, nessa baraita, toleram causar indiretamente o apagamento, enquanto Rabi Yosei — mais rigoroso aqui — exige ainda mais cuidado.

729Se assim, o mesmo deveria valer para o fogo em Shabat; resposta: por a pessoa estar apressada com seu dinheiro, receia-se que venha a apagar diretamente
Anônimo (Guemará)
אִי הָכִי, הָכָא נָמֵי, כְּתִיב: ״לֹא תַעֲשֶׂה [כׇל] מְלָאכָה״ — עֲשִׂיָּיה הוּא דְּאָסוּר, גְּרָמָא שְׁרֵי! מִתּוֹךְ שֶׁאָדָם בָּהוּל עַל מָמוֹנוֹ, אִי שָׁרֵית לֵיהּ — אָתֵי לְכַבּוֹיֵי.

Se assim, aqui também deveria valer o mesmo, pois está escrito: "não farás nenhum trabalho" — um ato de fazer é que é proibido; uma causa indireta é permitida! Responde-se: visto que a pessoa está apressada por causa de seu dinheiro, se lhe permitíssemos isso, viria a apagar o fogo diretamente.

Nota

A Guemará questiona por que a mesma lógica não se aplicaria ao próprio Shabat: o versículo que proíbe o trabalho em Shabat ("não farás nenhum trabalho") também fala em termos de ato direto, o que sugeriria que causar indiretamente a extinção do fogo deveria sempre ser permitido — contrariando a posição de Rabi Yosei na Mishná sobre a divisória de utensílios. A resposta introduz uma consideração prática, além da análise puramente legal: no caso do incêndio, a pessoa está emocionalmente apressada e ansiosa por salvar seus bens, e por isso há um receio real de que, se lhe permitirmos qualquer forma de causar indiretamente a extinção, ela acabe se descuidando e apagando o fogo diretamente, de modo totalmente proibido. Esse receio prático não existe no caso do Nome divino na pele, onde não há a mesma pressão emocional imediata.

730Objeção: se o receio da pressa permite no caso do dinheiro, no caso do Nome divino deveria permitir ainda mais
Anônimo (Guemará)
אִי הָכִי קַשְׁיָא דְּרַבָּנַן אַדְּרַבָּנַן: וּמָה הָתָם דְּאָדָם בָּהוּל עַל מָמוֹנוֹ — שְׁרֵי, הָכָא לֹא כׇּל שֶׁכֵּן?!

Se assim, é difícil a opinião dos sábios daqui contra a opinião dos sábios dali: e se ali, onde a pessoa está apressada por causa de seu dinheiro, é permitido — aqui (quanto ao Nome divino) não seria ainda mais razoável permitir?!

Nota

A resposta anterior é virada contra si mesma por meio de um argumento a fortiori (kal vachomer): se mesmo no caso do incêndio — onde a pressa e a ansiedade da pessoa por seu dinheiro criam um risco real de descuido — os sábios ainda assim permitem causar indiretamente a extinção (segundo a leitura anterior da Mishná), então no caso do Nome divino, onde não há essa pressa emocional equivalente, os sábios deveriam permitir com ainda mais razão. A contradição entre as duas posições dos sábios permanece, portanto, sem solução completa nesta etapa da sugiá.

731Reconsidera-se a natureza do junco: apertado, causa interposição; frouxo, deixa a água entrar; a questão permanece difícil mesmo distinguindo tinta seca de úmida
Anônimo (Guemará)
וְתִסְבְּרָא הַאי גֶּמִי הֵיכִי דָּמֵי? אִי דְּמִיהַדַּק — קָא הָוֵי חֲצִיצָה, אִי לָא מִיהַדַּק — עָיְילִי בֵּיהּ מַיָּא! חֲצִיצָה, תִּיפּוֹק לֵיהּ מִשּׁוּם דְּיוֹ! בְּלַחָה. דְּתַנְיָא: הַדָּם וְהַדְּיוֹ הַדְּבַשׁ וְהֶחָלָב, יְבֵשִׁין — חוֹצְצִין, לַחִים — אֵין חוֹצְצִין. מִכׇּל מָקוֹם קַשְׁיָא?

Mas pensa bem: esse junco, como é o caso exatamente? Se está apertado — isso constitui uma interposição; se não está apertado — a água entra nele e apaga o Nome de qualquer modo! E quanto à interposição, por que não deduzi-la já por causa da tinta (com que o Nome foi escrito)? Responde-se: trata-se de tinta úmida. Pois foi ensinado: o sangue e a tinta, o mel e o leite — secos, interpõem; úmidos, não interpõem. Mas de qualquer modo continua difícil?

Nota

A Guemará interrompe a linha de raciocínio para examinar mais de perto a mecânica do junco usado na imersão: se ele é enrolado apertadamente ao redor da escrita, protege o Nome da água, mas cria uma interposição (chatzitzá) entre a pele e a água da imersão, o que invalidaria a imersão ritual por completo; mas se é enrolado frouxamente, para não invalidar a imersão, a água acaba entrando de qualquer modo e apagando o Nome — tornando o junco inútil para seu propósito declarado. Levanta-se ainda uma objeção lateral: mesmo sem o junco, a própria tinta com que o Nome foi escrito já deveria causar uma interposição — respondida com a distinção entre tinta seca, que interpõe, e tinta úmida, que não interpõe, conforme uma baraita sobre substâncias como sangue, tinta, mel e leite. Mas mesmo com essa distinção, a dificuldade original sobre a função do junco permanece sem resposta completa.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "vetisberá", "hai gemi heichi dami", "i demihadak", "ve'i la mihadak", "ayeili beih maya", "tipuk leih mishum deyo" e "mikol makom kashya"
ותסברא - דהכא גמי דאצרכוה רבנן משום שלא ימחק הוא: האי גמי היכי דמי - להגין עליו: אי דמיהדק - שלא יכנסו בו מים וימחק הוי חציצה: ואי דלא מיהדק - לבשרו: עיילי ביה מיא - ואינו מגין מלמחוק: תיפוק ליה דמשום דיו - בלא גמי נמי חייץ דיו ומשני בלחה: מכל מקום קשיא - גמי לרבנן למה להו:

"Mas pensa bem" — que aqui o junco que os sábios exigiram é por causa de que o Nome não se apague. "Esse junco, como é o caso" — que deve ser colocado para protegê-lo. "Se está apertado" — de modo que a água não entre nele e o Nome se apague, isso constitui uma interposição. "E se não está apertado" — rente à sua pele. "A água entra nele" — e o junco não protege o Nome de se apagar. "Por que não deduzi-la já por causa da tinta" — mesmo sem o junco, a tinta já interpõe; e responde-se: trata-se de tinta úmida. "Mas de qualquer modo continua difícil" — para que serve o junco aos sábios?

732Rava bar Rav Sheila: os sábios exigem cobrir o Nome por ser proibido ficar nu diante dele; segue-se disso que Rabi Yosei permitiria? Não — pois ele também exige a mão sobre o Nome
Rava bar Rav Sheila
אֶלָּא אָמַר רָבָא בַּר רַב שֵׁילָא, הַיְינוּ טַעְמַיְיהוּ דְּרַבָּנַן, דְּקָסָבְרִי: אָסוּר לַעֲמוֹד בִּפְנֵי הַשֵּׁם עָרוֹם. מִכְּלָל דְּרַבִּי יוֹסֵי סָבַר מוּתָּר לַעֲמוֹד בִּפְנֵי הַשֵּׁם עָרוֹם? דְּמַנַּח יְדֵיהּ עִילָּוֵיהּ.

Mas disse Rava bar Rav Sheila: este é o argumento dos sábios, pois entendem: é proibido ficar de pé diante do Nome nu. Segue-se disso que Rabi Yosei entende que é permitido ficar de pé diante do Nome nu? Não — pois ele exige que a pessoa ponha sua mão sobre ele (o Nome, cobrindo-o).

Nota

Rava bar Rav Sheila propõe uma explicação inteiramente diferente para a exigência do junco, deslocando o foco de "apagar o Nome" para "ficar nu diante do Nome": os sábios exigem o junco não para proteger o Nome da água, mas porque é proibido a uma pessoa ficar de pé, nua, diante do Nome divino escrito visivelmente sobre sua própria pele — o junco serve, então, como uma cobertura, um véu sobre a escrita. A Guemará então questiona se isso implicaria que Rabi Yosei, que permite imergir sem junco, também permitiria ficar nu diante do Nome — o que pareceria surpreendente. A resposta esclarece que não: mesmo Rabi Yosei exige alguma forma de cobertura, mas para ele basta colocar a mão sobre o Nome durante a imersão, sem necessidade do junco.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "mikelal deRabi Yosei"
מכלל דלר' יוסי כו' - בתמיה והא כתיב לא יראה בך ערות דבר (דברים כ"ג:ט"ו):

"Segue-se disso que, para Rabi Yosei, etc." — em tom de espanto: e não está escrito "não se verá em ti coisa indecente" (Devarim 23:15)?

733Objeção: os sábios também exigem apenas a mão; resposta sobre esquecer a mão; a discussão volta ao junco e é interrompida no meio de uma frase
Anônimo (Guemará)
לְרַבָּנַן נָמֵי, דְּמַנַּח יְדֵיהּ עִילָּוֵיהּ! זִימְנִין דְּמִשְׁתְּלֵי וְשָׁקֵיל לֵיהּ. לְרַבִּי יוֹסֵי נָמֵי, זִימְנִין דְּמִשְׁתְּלֵי וְשָׁקֵיל לֵיהּ? אֶלָּא: אִי דְּאִיכָּא גֶּמִי — הָכִי נָמֵי, הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — לְהַדּוֹרֵי אַגֶּמִי, רַבָּנַן סָבְרִי

Também para os sábios, que exigem que a pessoa ponha sua mão sobre ele! Responde-se: às vezes esquece e a retira. Também para Rabi Yosei, poderia acontecer que às vezes esqueça e a retire? Mas: se há junco — também aí ele concorda que é necessário; aqui do que tratamos? De voltar a enrolar outra vez o junco que se soltou; os sábios entendem

Nota

A Guemará testa a distinção recém-proposta: por que Rabi Yosei se contentaria com a mão sobre o Nome, se os próprios sábios já exigem a mão como cobertura mínima — e mesmo assim os sábios exigem, adicionalmente, o junco? A resposta é que a mão sozinha é uma proteção precária, pois a pessoa pode se distrair durante a imersão e esquecer, retirando a mão sem perceber, deixando o Nome exposto; por isso os sábios exigem o junco, mais seguro. Mas a Guemará devolve a objeção: esse mesmo risco de esquecimento também deveria preocupar Rabi Yosei! A discussão então parece se reorientar para o caso de alguém que já possui o junco disponível — mesmo Rabi Yosei concordaria que ele deve ser usado — e passa a perguntar sobre a situação específica de o junco se soltar durante a imersão, exigindo que a pessoa o reenrole. O daf termina exatamente aqui, no meio da frase "os sábios entendem", sem qualquer hadran, pois o Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh) continua sua discussão diretamente em Shabbat 121a, ainda não publicado, onde presumivelmente a Guemará completará a resposta sobre o reenrolar do junco solto.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ela i de'ika gemi hachi nami"
אלא אי איכא גמי הכי נמי - דמודה ר' יוסי דצריך לכרוך עליו גמי ולא סגי ליה לאנוחי ידיו עליו דילמא מישתלי ושקיל ליה לידיה:

"Mas: se há junco, também aí ele concorda" — que Rabi Yosei concorda que é necessário envolvê-lo com junco, e não lhe basta pôr a mão sobre ele, pois talvez esqueça e a retire.

O daf termina aqui, no meio de uma frase — "רַבָּנַן סָבְרִי" ("os sábios entendem") —, em pleno fluxo da discussão sobre o junco que se soltou durante a imersão, sem qualquer hadran, pois o Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh) continua. A discussão prossegue diretamente em Shabbat 121a (ainda não publicado).