Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Vav · Bameh Isha Yotzah
כְּלִי כְּלִי

A derivação completada: o saco, o kilkeli e o chavak; e o agil e o kumaz do despojo de Midiã

Shabbat 64a — a analogia verbal "utensílio" "utensílio" que fecha a sugya da impureza de tecidos e ornamentos, com a inclusão do saco, do kilkeli e do chavak, e a discussão sobre a condição de "livre" das palavras "vestimenta" e "couro"; e a nova sugya sobre o agil e o kumaz do despojo de Midiã, com o diálogo entre Moshe e Israel e o ensinamento da escola de Rabi Yishmael sobre a necessidade de expiação — daf interrompido no meio da frase.

O daf abre completando a analogia verbal que ficara cortada ao final de 63b: "utensílio", "utensílio", dali — derivando-se, da palavra "utensílio" usada a respeito do despojo de Midiã, para a mesma palavra usada a respeito dos répteis impuros, que também esta última inclui um utensílio de ornamento e não apenas um utensílio de trabalho. A Guemará então esclarece a cláusula da baraita anterior sobre o saco: embora não seja tecido, ele é impuro por servir de base para o pobre trançar três fios e pendurá-los, como amuleto, no pescoço de sua filha. Segue-se uma baraita que estende, a partir de "ou saco", a impureza do réptil ao kilkeli (a cabeçada do cavalo) e ao chavak (a cilha da sela), desde que fiados e tecidos, excluindo cordas e tiras meramente trançadas; e, por meio de um raciocínio e depois de uma analogia verbal entre "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil e do morto, essa mesma inclusão — e, na direção inversa, também a extensão a coisas feitas de cauda de cavalo e de cauda de vaca como se fossem obra de pelos de cabra — se estende de um caso para o outro. A Guemará então examina se essa analogia verbal está devidamente "livre" de necessidade própria no texto, condição sem a qual poderia ser refutada pela peculiaridade do réptil de tornar impuro até no tamanho de uma lentilha; conclui que ambos os lados — o do réptil, justaposto à emissão seminal, e o do morto, igualmente justaposto a ela — estão livres, respondendo assim mesmo à opinião mais exigente, que admite objeções contra analogias verbais livres apenas de um lado. A Guemará então se volta a uma sugya inteiramente nova, também ligada ao despojo de Midiã: o versículo sobre a oferta de utensílios de ouro trazida pelos comandantes do exército, no qual Rabi Elazar identifica o agil e o kumaz como moldes de partes do corpo feminino; a discussão entre Rav Yosef e Rabá sobre a tradução aramaica de "kumaz"; e o relato de que Moshe se irou contra os comandantes, temendo que tivessem repetido em Midiã a corrupção de Baal-Peor, seguido do diálogo em que Israel afirma não ter faltado ninguém ao pecado propriamente dito, mas admite não ter escapado ao pensamento — daí a oferta trazida como expiação. O daf termina, mais uma vez de modo excepcional, com o ensinamento da escola de Rabi Yishmael sobre por que aquela geração precisou de expiação, interrompido na palavra "por causa", retomando apenas na abertura de Shabat 64b.

A analogia verbal completada · כְּלִי כְּלִי מֵהָתָם

01"Utensílio", "utensílio", dali
Guemará
״כְּלִי״ ״כְּלִי״ מֵהָתָם.

"Utensílio", "utensílio", dali.

Nota

Completa-se aqui a resposta de Rava que ficara cortada ao final de 63b: assim como a palavra "utensílio", usada a respeito do despojo de Midiã, inclui um utensílio de ornamento e não apenas um utensílio de trabalho, também a mesma palavra "utensílio", usada a respeito dos répteis impuros, deve incluir um utensílio de ornamento — respondendo à objeção de que a fonte de Midiã não se aplicaria, por si só, aos répteis.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "kli kli"
כלי כלי - בשרצים כתיב כל כלי אשר יעשה מלאכה וגו' ומגופיה דקרא דשרצים לא מצי יליף דאשר יעשה מלאכה לאו כלי תכשיט משמע:

"'Utensílio', 'utensílio'" — a respeito dos répteis está escrito: "todo utensílio com que se faz trabalho, etc."; e do próprio versículo dos répteis não se poderia derivar, pois "com que se faz trabalho" não indica um utensílio de ornamento.

O saco, o kilkeli e o chavak · שַׂק וְקִלְקְלִי וַחֲבָק

02O saco: para que serve tão pequeno? O pobre trança três fios para sua filha
Guemará; Rabi Yochanan
מוּסָף שַׂק עַל הַבֶּגֶד שֶׁטָּמֵא מִשּׁוּם אָרִיג. אַטּוּ בֶּגֶד לָאו אָרִיג הוּא?! הָכִי קָאָמַר: מוּסָף שַׂק עַל הַבֶּגֶד, אַף עַל פִּי שֶׁאֵינוֹ אָרִיג — טָמֵא. לְמַאי חֲזֵי? אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: שֶׁכֵּן עָנִי קוֹלֵעַ שָׁלֹשׁ נִימִין וְתוֹלָה בְּצַוַּאר בִּתּוֹ.

"Isso acrescenta o saco ao vestido, que é impuro por ser tecido." Ora, o vestido não é tecido?! Assim se quer dizer: isso acrescenta o saco ao vestido — ainda que não seja tecido, é impuro. Para que serve? Disse Rabi Yochanan: pois o pobre trança três fios e pendura no pescoço de sua filha.

Nota

A Guemará esclarece a cláusula final da baraita citada ao fim de 63b: dizer que o saco "acrescenta" algo ao vestido pareceria supérfluo, já que o próprio vestido é tecido; mas o que se quer dizer é que o saco é impuro mesmo sem ser tecido propriamente dito — e Rabi Yochanan explica o uso prático de um pedaço tão pequeno: o pobre, sem posses para ornamentos, trança apenas três fios de pelo de cabra e os pendura, como amuleto, no pescoço de sua filha.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "sak", "kolea shalosh nimin" e "vetolah be-tzavar bito"
שק - הוא עשוי מנוצה של עזים שאף על פי שאינו אריג אלא קלע קטן עשה מנוצה של עזים לתלות בו בתי נפש לצואר בתו טמא שדרכו בכך ותכשיט הוא וה"ק שהוא טמא משום אריג ואע"פ שאינו אריג: קולע ג' נימין כו' - ג' חוטין של מטוה של נוצה של עזים צבועה: ותולה בצואר בתו - וקליעתה זו היא אריגתו מאחר שהוא טווי כדאמרן גבי תיכי חלילתא בריש פירקין דקרי להו אריג והא דקאמר אע"פ שאינו אריג כלומר לאו אריג ממש:

"Saco" — é feito de pelo de cabra; e, embora não seja tecido, mas um pequeno trançado feito de pelo de cabra para pendurar nele amuletos no pescoço de sua filha, é impuro, pois esse é seu uso costumeiro, e é um ornamento; e isto é o que se quer dizer: que é impuro por ser tecido, ainda que não seja tecido. "Trança três fios, etc." — três fios de fiado de pelo de cabra tingido. "E pendura no pescoço de sua filha" — e essa trança sua é seu tecer, já que é fiado, como dissemos a respeito dos fios da flauta no início deste capítulo, que os chama de tecido; e o que disse "ainda que não seja tecido" significa que não é tecido propriamente dito.

03Baraita: "ou saco" inclui o kilkeli e o chavak, mas não cordas e tiras
Baraita
תָּנוּ רַבָּנַן: ״שָׂק״ — אֵין לִי אֶלָּא שַׂק, מִנַּיִין לְרַבּוֹת אֶת הַקִּילְקְלִי וְאֶת הַחֲבָק — תַּלְמוּד לוֹמַר: ״אוֹ שָׂק״. יָכוֹל שֶׁאֲנִי מְרַבֶּה אֶת הַחֲבָלִים וְאֶת הַמְּשִׁיחוֹת — תַּלְמוּד לוֹמַר: ״שָׂק״. מָה שַׂק טְוִוי וְאָרִיג — אַף כֹּל טְוִוי וְאָרִיג.

Ensinaram os Sábios: "saco" — não tenho senão o saco; de onde se aprende para incluir o kilkeli e o chavak? Ensina o versículo: "ou saco". Poderia eu incluir também as cordas e as tiras? Ensina o versículo: "saco" — assim como o saco é fiado e tecido, também tudo deve ser fiado e tecido.

Nota

Uma baraita amplia o alcance da palavra "saco": a partícula "ou" permite incluir o kilkeli, a cabeçada do cavalo, e o chavak, a cilha da sela e do arreio — ambos feitos de pelo de cabra, fiados e tecidos; mas a repetição da própria palavra "saco" serve para excluir cordas e tiras meramente trançadas do pelo tal como arrancado, sem fiação.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ein li ela sak", "kilkeli" e "chavak"
אין לי אלא שק - העשוי ללבוש רועים: קילקלי - מסרך של סוס שקורין פייטרא"ל: חבק - צינגלא של סרגא ואוכף ועושין אותה מנוצה של עזים טווי ואריג:

"Não tenho senão o saco" — o que é feito para os pastores vestirem. "Kilkeli" — a cabeçada do cavalo, chamada em francês antigo "peitral". "Chavak" — a cilha da sela e do arreio, feita de pelo de cabra, fiada e tecida.

04A prova, a respeito do morto: "toda obra de pelos de cabra"
Baraita
הֲרֵי הוּא אוֹמֵר בְּמֵת: ״וְכׇל כְּלִי עוֹר וְכׇל מַעֲשֵׂה עִזִּים וְגוֹ׳ תִּתְחַטָּאוּ״ — לְרַבּוֹת הַקִּילְקְלִי וְאֶת הַחֲבָק.

Eis que está dito a respeito do morto: "e todo utensílio de couro, e toda obra de pelos de cabra, etc., vos purificareis" — para incluir o kilkeli e o chavak.

Nota

A baraita traz um segundo apoio textual, agora a respeito da impureza transmitida pelo cadáver: a expressão "toda obra de pelos de cabra" serve para incluir os mesmos dois objetos.

05Mas não cordas e tiras — por raciocínio entre réptil e morto
Baraita
יָכוֹל שֶׁאֲנִי מְרַבֶּה אֶת הַחֲבָלִים וְאֶת הַמְּשִׁיחוֹת? וְדִין הוּא: טִימֵּא בַּשֶּׁרֶץ, וְטִימֵּא בַּמֵּת. מָה כְּשֶׁטִּימֵּא בַּשֶּׁרֶץ — לֹא טִימֵּא אֶלָּא טְוִוי וְאָרִיג, אַף כְּשֶׁטִּימֵּא בַּמֵּת — לֹא טִימֵּא אֶלָּא טְוִוי וְאָרִיג.

Poderia eu incluir também as cordas e as tiras? Isto se aprende por raciocínio: a Torá declarou impureza a respeito do réptil, e declarou impureza a respeito do morto; assim como, ao declarar impureza a respeito do réptil, não declarou impuro senão o fiado e o tecido, também, ao declarar impureza a respeito do morto, não declarou impuro senão o fiado e o tecido.

Nota

A baraita antecipa e rejeita uma extensão indevida: poder-se-ia pensar que a mesma expressão ampla incluiria também cordas e tiras de medir, meramente trançadas sem fiação; mas um raciocínio comparativo entre a impureza do réptil e a do morto mostra que ambas se limitam ao fiado e ao tecido.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "yachol she-ani marbeh" e "ve-din hu she-lo nerabeh"
יכול שאני מרבה החבלים והמשיחות - לציא"ל שעושין למדוד וקולעין מן הנוצה כמו שנתלשה ואינו טווי ולא דמי לקולע שלש נימין דלעיל דהתם טווי הוא וזו היא אריגתו: יכול שאני מרבה כו' - הואיל וכתיב כל: ודין הוא שלא נרבה - ולא צריך קרא למעוטי:

"Poderia eu incluir também as cordas e as tiras" — de medir, que se fazem trançando o pelo tal como foi arrancado, sem fiá-lo; e isso não se assemelha ao trançar três fios mencionado acima, pois ali é fiado, e essa é sua tecelagem. "Poderia eu incluir, etc." — visto que está escrito "todo". "E isto se aprende por raciocínio, que não devemos incluir" — e não é necessário um versículo para excluir.

06Objeção: se foi indulgente no réptil, leve, seremos indulgentes no morto, severo?
Baraita
הֵן אִם הֵיקֵל בְּטוּמְאַת שֶׁרֶץ שֶׁהִיא קַלָּה, נָקֵיל בְּטוּמְאַת הַמֵּת שֶׁהִיא חֲמוּרָה?! — תַּלְמוּד לוֹמַר ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ לִגְזֵירָה שָׁוָה.

Sim! Se [a Torá] foi indulgente quanto à impureza do réptil, que é leve, seremos nós indulgentes quanto à impureza do morto, que é severa?! Ensina o versículo "vestimenta" e "couro", "vestimenta" e "couro", para uma analogia verbal.

Nota

A baraita objeta ao raciocínio anterior: a impureza do réptil dura apenas até a tarde, ao passo que a do morto dura sete dias — comparar as duas seria equiparar o leve ao severo indevidamente. A resposta vem, então, não de um simples raciocínio, mas de uma analogia verbal firme entre as palavras "vestimenta" e "couro", repetidas em ambos os contextos.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hen", "im heikel be-tumat sheretz" e "nakel"
הן - תמיה הוא וכי דברים כוונים הם: אם היקל בטומאת שרץ שהיא קלה - כלומר אם היקל מלטמא חבלים ומשיחות היקל לך בשרץ שטומאתו קלה טומאת ערב: נקל - גם אנחנו בבנין אב זה במת שטומאתו חמורה טומאת ז':

"Sim" — é uma pergunta espantada: acaso as coisas são equiparáveis? "Se foi indulgente quanto à impureza do réptil, que é leve" — ou seja: se foi indulgente em não tornar impuras as cordas e as tiras, foi indulgente contigo no réptil, cuja impureza é leve, impureza até a tarde. "Seremos indulgentes" — também nós, por esta construção-modelo, quanto ao morto, cuja impureza é severa, impureza de sete dias?

07A analogia verbal, primeira direção: do réptil para o morto
Baraita
נֶאֱמַר ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ בְּשֶׁרֶץ וְנֶאֱמַר ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ בְּמֵת. מָה בֶּגֶד וָעוֹר הָאָמוּר בְּשֶׁרֶץ — לֹא טִימֵּא אֶלָּא טְוִוי וְאָרִיג, אַף בֶּגֶד וָעוֹר הָאָמוּר בְּמֵת — לֹא טִימֵּא אֶלָּא טְוִוי וְאָרִיג.

Está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil, e está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do morto: assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil não tornam impuro senão o fiado e o tecido, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto não tornam impuro senão o fiado e o tecido.

Nota

A baraita formula a analogia verbal em sua primeira direção, confirmando o limite ao fiado e tecido em ambos os contextos, agora com base textual firme e não apenas raciocínio.

08A mesma analogia, na direção inversa: do morto para o réptil
Baraita
וּמָה בֶּגֶד וָעוֹר הָאָמוּר בְּמֵת — טִמֵּא כׇּל מַעֲשֵׂה עִזִּים, אַף בֶּגֶד וָעוֹר הָאָמוּר בְּשֶׁרֶץ — טִמֵּא כׇּל מַעֲשֵׂה עִזִּים.

E assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto tornam impura toda obra de pelos de cabra, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil tornam impura toda obra de pelos de cabra.

Nota

A mesma analogia verbal opera também no sentido contrário: assim como se limitou o morto pelo réptil, estende-se agora o réptil pelo morto, para incluir toda obra de pelos de cabra — preparando o caminho para incluir também o kilkeli e o chavak no lado do réptil.

09Incluindo também cauda de cavalo e de vaca
Baraita
אֵין לִי אֶלָּא דָּבָר הַבָּא מִן הָעִזִּים, מִנַּיִין לְרַבּוֹת דָּבָר הַבָּא מִזְּנַב הַסּוּס וּמִזְּנַב הַפָּרָה? — תַּלְמוּד לוֹמַר: ״אוֹ שָׂק״.

Não tenho senão a coisa feita de pelos de cabra; de onde se aprende para incluir a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca? Ensina o versículo: "ou saco".

Nota

A baraita estende ainda mais o alcance: também objetos feitos de cauda de cavalo ou de vaca, e não apenas de pelo de cabra, se incluem, a partir da mesma partícula "ou" já usada para o kilkeli e o chavak.

10Objeção: mas essa palavra já tinha excluído o kilkeli e o chavak!
Guemará
וְהָא אַפֵּיקְתֵּיהּ לְקִילְקְלִי וַחֲבָק?

Mas não se tirou já dali o kilkeli e o chavak?

Nota

A Guemará observa uma dificuldade: a palavra "ou saco" já havia sido usada, num passo anterior, para incluir precisamente o kilkeli e o chavak — como pode agora servir também para incluir a cauda de cavalo e de vaca?

11Resposta: antes da analogia verbal ela era necessária; agora, sobra para isso
Guemará
הָנֵי מִילֵּי מִקַּמֵּי דְּתֵיתֵי גְּזֵירָה שָׁוָה, הַשְׁתָּא דְּאָתְיָא גְּזֵירָה שָׁוָה אִיַּיתַּר לֵיהּ.

Isso era antes de vir a analogia verbal; agora que veio a analogia verbal, sobrou para ela.

Nota

A Guemará resolve a dificuldade: antes de se estabelecer a analogia verbal entre "vestimenta" e "couro", a palavra "ou saco" era necessária para incluir o kilkeli e o chavak; mas, agora que a analogia verbal já cumpre essa função por outra via, a palavra "ou saco" fica livre para servir a um novo propósito — incluir a cauda de cavalo e de vaca.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hashta de-atya gezerá shavá"
השתא דאתיא גזירה שוה - וכי היכי דיליף מת משרץ למעוטי חבלים ומשיחות יליף נמי שרץ ממת לכל מעשה עזים לרבות קילקלי וחבק:

"Agora que veio a analogia verbal" — e, assim como se deriva o morto do réptil para excluir as cordas e as tiras, deriva-se também o réptil do morto para toda obra de pelos de cabra, incluindo o kilkeli e o chavak.

12E quanto à impureza do morto — de onde se aprende cauda de cavalo e de vaca?
Guemará
וְאֵין לִי אֶלָּא בְּשֶׁרֶץ, בְּטוּמְאַת מֵת מִנַּיִין?

E não tenho isso senão a respeito do réptil; quanto à impureza do morto, de onde se aprende?

Nota

A Guemará observa que a extensão à cauda de cavalo e de vaca, derivada de "ou saco", só se demonstrou até agora a respeito do réptil, pois é ali que essa expressão está escrita; falta ainda estendê-la também à impureza do morto.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ein li ela be-sheretz"
אין לי אלא בשרץ - דאו שק התם כתיב:

"Não tenho isso senão a respeito do réptil" — pois "ou saco" está escrito ali.

13Resposta: por raciocínio, do réptil para o morto
Guemará
וְדִין הוּא: טִימֵּא בְּמֵת וְטִימֵּא בְּשֶׁרֶץ. מָה כְּשֶׁטִּימֵּא בְּשֶׁרֶץ — עָשָׂה דָּבָר הַבָּא מִזְּנַב הַסּוּס וּמִזְּנַב הַפָּרָה כְּמַעֲשֵׂה עִזִּים, אַף כְּשֶׁטִּימֵּא בְּמֵת — עָשָׂה דָּבָר הַבָּא מִזְּנַב הַסּוּס וּמִזְּנַב הַפָּרָה כְּמַעֲשֵׂה עִזִּים.

Isto se aprende por raciocínio: a Torá declarou impureza a respeito do morto, e declarou impureza a respeito do réptil; assim como, ao declarar impureza a respeito do réptil, tratou a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra, também, ao declarar impureza a respeito do morto, deve tratar a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra.

Nota

A Guemará propõe, primeiro, um simples raciocínio comparativo para estender ao morto o que já se estabelecera para o réptil.

14Objeção: se ampliou na impureza ampla, ampliaremos na restrita?
Guemará
הֵן אִם רִיבָּה בְּטוּמְאַת עֶרֶב שֶׁהִיא מְרוּבָּה, נְרַבֶּה בְּטוּמְאַת שִׁבְעָה שֶׁהִיא מוּעֶטֶת?!

Sim! Se [a Torá] estendeu quanto à impureza até a tarde, que é ampla, estenderemos nós quanto à impureza de sete dias, que é restrita?!

Nota

Como antes, o simples raciocínio é rejeitado: a impureza até a tarde, do réptil, aplica-se a muitos tipos de contato, sendo por isso "ampla"; a impureza de sete dias, do morto, aplica-se apenas ao contato com o próprio morto, sendo "restrita" — e não se pode estender indevidamente do caso amplo para o restrito por mera analogia de raciocínio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "im riba", "she-hi merubah" e "nerabeh anu be-tumat sheva"
אם ריבה - לטמא דבר הבא מזנב הסוס בטומאת ערב הוא דריבה: שהיא מרובה - שכל המגעות טומאת ערב הן בין דשרץ ונבילה ושכבת זרע מגע הזב ומגע טמא מת: נרבה אנו בטומאת ז' שכן מועטת היא - שאינה בכל המגעות אלא במגע המת בלבד:

"Se estendeu" — foi para tornar impura a coisa feita de cauda de cavalo que a Torá estendeu, na impureza até a tarde. "Que é ampla" — pois todos os contatos são de impureza até a tarde, seja do réptil, do animal morto, da emissão seminal, do contato com o zav, ou do contato com quem está impuro por morto. "Estenderemos nós quanto à impureza de sete dias, que é restrita" — pois não se aplica a todos os contatos, senão ao contato com o morto apenas.

15Resposta final: também por analogia verbal, em ambas as direções
Guemará
תַּלְמוּד לוֹמַר: ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ לִגְזֵירָה שָׁוָה. נֶאֱמַר ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ בְּשֶׁרֶץ, וְנֶאֱמַר ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ בְּמֵת. מָה ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ הָאָמוּר בְּשֶׁרֶץ — עָשָׂה דָּבָר הַבָּא מִזְּנַב הַסּוּס וּמִזְּנַב הַפָּרָה כְּמַעֲשֵׂה עִזִּים, אַף ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ הָאָמוּר בְּמֵת — עָשָׂה דָּבָר הַבָּא מִזְּנַב הַסּוּס וּמִזְּנַב הַפָּרָה כְּמַעֲשֵׂה עִזִּים.

Ensina o versículo "vestimenta" e "couro", "vestimenta" e "couro", para uma analogia verbal. Está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil, e está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do morto: assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil tratam a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto tratam a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra.

Nota

Assim como no caso do kilkeli e do chavak, a extensão final à cauda de cavalo e de vaca se apoia, também aqui, na mesma analogia verbal firme entre "vestimenta" e "couro" — e não em simples raciocínio, que já se mostrara vulnerável a objeções.

16A analogia deve ser "livre" — senão, cabe a objeção da lentilha
Guemará
וּמוּפְנֶה. דְּאִי לָאו מוּפְנֶה, אִיכָּא לְמִיפְרַךְ: מָה לְשֶׁרֶץ שֶׁכֵּן מְטַמֵּא בְּכַעֲדָשָׁה?!

E [essa analogia verbal deve ser] livre. Pois, se não fosse livre, haveria como refutar: o que há de peculiar no réptil, que torna impuro até no tamanho de uma lentilha?!

Nota

A Guemará introduz uma condição técnica para a validade de qualquer analogia verbal: as palavras usadas devem estar "livres", isto é, não ser estritamente necessárias no próprio contexto em que aparecem; caso contrário, a analogia poderia ser refutada por uma diferença relevante entre os dois casos — aqui, o fato de que o réptil, ao contrário do morto, transmite impureza mesmo num pedaço do tamanho de uma lentilha.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mufneh", "de-i lav mufneh" e "de-ika lemifrach"
מופנה - צריך שתהא גזירה שוה זו מב' תיבות דבגד ועור מופנין למדרש זה שלא יהו צריכין לגופן ומאחר שמופנין ללמוד גזירה שוה ה"ל כמאן דכתיב דרשא בקרא בהדיא ואין משיבין עליה: דאי לאו מופנה - אמרינן לגופן באו ולא ילפינן להא מילתא מינייהו: דאיכא למיפרך כו' - וה"ה דמצי למימר הכי אגזירה שוה קמייתא ומיהו אסקי לכולה ברייתא ברישא ופריך אהא דסליק מינה ובשינויא דמשנינן בהא מתרצה נמי קמייתא:

"Livre" — é preciso que esta analogia verbal, a partir das duas palavras "vestimenta" e "couro", esteja livre para esta interpretação, isto é, que não sejam necessárias por si mesmas; e, uma vez livres para aprender por analogia verbal, é como se a interpretação estivesse escrita explicitamente no versículo, e não se objeta contra ela. "Pois, se não fosse livre" — diríamos que vieram por si mesmas, e não derivaríamos disso este ensinamento. "Que haveria como refutar, etc." — e do mesmo modo se poderia dizer isso a respeito da primeira analogia verbal; porém expuseram toda a baraita primeiro, e a objeção recai sobre a parte final dela; e, com a resposta que se dá aqui, resolve-se também a primeira.

17Em verdade, estão livres — pelo réptil justaposto à emissão seminal
Guemará
לָאיֵי אִפְּנוֹיֵי מוּפְנֵי. מִכְּדֵי שֶׁרֶץ אִיתַּקַּשׁ לְשִׁכְבַת זֶרַע, דִּכְתִיב: ״אִישׁ אֲשֶׁר תֵּצֵא מִמֶּנּוּ שִׁכְבַת זָרַע״, וּסְמִיךְ לֵיהּ: ״אִישׁ אֲשֶׁר יִגַּע בְּכׇל שֶׁרֶץ״, וּכְתִיב בֵּיהּ בְּשִׁכְבַת זֶרַע: ״וְכׇל בֶּגֶד וְכׇל עוֹר אֲשֶׁר יִהְיֶה עָלָיו שִׁכְבַת זָרַע״ — ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ דִּכְתַב רַחֲמָנָא בְּשֶׁרֶץ לְמָה לִי? שְׁמַע מִינַּהּ לְאַפְנוֹיֵי.

Em verdade, elas estão livres. Pois, afinal, o réptil está justaposto à emissão seminal, como está escrito: "o homem de quem sair emissão seminal", e logo em seguida: "o homem que tocar em qualquer réptil"; e está escrito a respeito da emissão seminal: "e toda vestimenta e todo couro sobre o qual houver emissão seminal" — para que preciso, então, de "vestimenta" e "couro" que o Misericordioso escreveu a respeito do réptil? Aprende-se disso que estão livres.

Nota

A Guemará demonstra a condição de "livre" para o lado do réptil: como a Torá justapõe, num mesmo contexto, o réptil à emissão seminal, e já se aprende, a respeito desta última, que vestimenta e couro se tornam impuros por ela, a menção separada de "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil seria redundante — e, sendo redundante, está disponível para servir à analogia verbal.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "la'ai" e "u-chtiv beih be-shichvat zera"
לאי - באמת: וכתיב ביה בשכבת זרע - דבגד ועור טמאים הם בו:

"Em verdade" — de fato. "E está escrito a respeito da emissão seminal" — que vestimenta e couro são impuros por ela.

18Mas isso é livre só de um lado — e para quem admite objeção, o que se diz?
Guemará
וְאַכַּתִּי מוּפְנֶה מִצַּד אֶחָד הוּא. הָנִיחָא לְמַאן דְּאָמַר מוּפְנֶה מִצַּד אֶחָד לְמֵידִין וְאֵין מְשִׁיבִין. אֶלָּא לְמַאן דְּאָמַר לְמֵידִין וּמְשִׁיבִין, מַאי אִיכָּא לְמֵימַר?

Mas ainda assim é livre apenas de um lado. Isso está bem para quem diz que, quando livre apenas de um lado, se pode aprender mas não se pode objetar; mas para quem diz que se aprende e se objeta, o que há a dizer?

Nota

A Guemará observa que a liberdade demonstrada vale apenas para o lado do réptil, e não ainda para o lado do morto — o que bastaria para a opinião mais branda, segundo a qual uma liberdade de um só lado impede objeções, mas não para a opinião mais rigorosa, segundo a qual, nesse caso, ainda se admitem objeções contra a analogia.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mi-tzad echad", "hanicha le-man de-amar" e "mai ika lemeimar"
מצד אחד - הכתובין בשרץ מופנים כדאמרן אבל הכתובין במת אין מופנין: הניחא למ"ד כו' - פלוגתא דרבי ישמעאל ורבנן היא במסכת נדה בהמפלת (נדה דף כב:): אלא למאן דאמר למידין - אם אין תשובה: ומשיבין - אם יש להשיב: מאי איכא למימר - הרי יש להשיב שכן מטמא בכעדשה:

"De um lado" — os termos escritos a respeito do réptil estão livres, como dissemos; mas os escritos a respeito do morto não estão livres. "Isso está bem para quem diz, etc." — é a controvérsia de Rabi Yishmael e os Sábios, no tratado Nidá, no capítulo "Hamapelet" (Nidá 22b). "Mas para quem diz que se aprende" — se não há resposta. "E se objeta" — se há o que responder. "O que há a dizer?" — de fato há o que objetar, pois o réptil torna impuro até no tamanho de uma lentilha.

19Também o morto está livre — pela mesma justaposição à emissão seminal
Guemará
דְּמֵת נָמֵי אִפְּנוֹיֵי מוּפְנֶה: מִכְּדֵי מֵת אִתַּקַּשׁ לְשִׁכְבַת זֶרַע, דִּכְתִיב: ״וְהַנֹּגֵעַ בְּכׇל טְמֵא נֶפֶשׁ אוֹ אִישׁ אֲשֶׁר תֵּצֵא מִמֶּנּוּ שִׁכְבַת זָרַע״, וּכְתִיב בְּשִׁכְבַת זֶרַע: ״וְכׇל בֶּגֶד וְכׇל עוֹר״ — ״בֶּגֶד״ וָ״עוֹר״ דִּכְתַב רַחֲמָנָא בְּמֵת לְמָה לִי? — שְׁמַע מִינַּהּ לְאַפְנוֹיֵי.

Pois também o morto está livre: afinal, o morto está justaposto à emissão seminal, como está escrito: "e quem tocar em qualquer impuro por um cadáver, ou o homem de quem sair emissão seminal"; e está escrito a respeito da emissão seminal: "e toda vestimenta e todo couro" — para que preciso, então, de "vestimenta" e "couro" que o Misericordioso escreveu a respeito do morto? Aprende-se disso que estão livres.

Nota

A Guemará estende a mesma demonstração ao lado do morto: também este está justaposto, num outro versículo, à emissão seminal, tornando igualmente redundante — e por isso livre — a menção de "vestimenta" e "couro" em seu contexto. Com isso, a analogia verbal se sustenta mesmo para a opinião mais rigorosa, que exige liberdade dos dois lados.

Rashi · רַשִׁ״י
Citação do versículo
והנוגע בכל טמא נפש או איש אשר תצא ממנו שכבת זרע:

[Citação do versículo:] "e quem tocar em qualquer impuro por um cadáver, ou o homem de quem sair emissão seminal."

O agil e o kumaz do despojo de Midiã · עָגִיל וְכוּמָז

20Rabi Elazar: o agil e o kumaz são moldes do corpo feminino
Rabi Elazar
״וַנַּקְרֵב אֶת קׇרְבַּן ה׳ אִישׁ אֲשֶׁר מָצָא כְלִי זָהָב אֶצְעָדָה וְצָמִיד טַבַּעַת עָגִיל וְכוּמָז״. אָמַר רַבִּי אֶלְעָזָר: ״עָגִיל״ — זֶה דְּפוּס שֶׁל דַּדִּין. ״כּוּמָז״ — זֶה דְּפוּס שֶׁל בֵּית הָרֶחֶם.

"E trouxemos a oferta do Eterno, cada homem que achou um utensílio de ouro: etzada e bracelete, anel, agil e kumaz." Disse Rabi Elazar: "agil" — esse é o molde dos seios; "kumaz" — esse é o molde do lugar do ventre.

Nota

Deixando a sugya da impureza de tecidos e ornamentos, a Guemará se volta a um novo versículo sobre o mesmo despojo de Midiã: a oferta de utensílios de ouro trazida pelos comandantes do exército israelita. Rabi Elazar identifica dois desses ornamentos — o agil e o kumaz — como moldes que reproduziam partes do corpo feminino, revelando o caráter sensual do despojo tomado das mulheres midianitas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "defus shel dadin"
דפוס של דדין - שמונחות בו:

"Molde dos seios" — em que estes se colocam.

21Rav Yosef e Rabá: por que se traduz "kumaz" como "machoch"
Rav Yosef; Rabá
אָמַר רַב יוֹסֵף: אִי הָכִי, הַיְינוּ דִּמְתַרְגְּמִינַן ״מָחוֹךְ״ — דָּבָר הַמֵּבִיא לִידֵי גִּיחוּךְ. אֲמַר לֵיהּ רַבָּה: מִגּוּפֵיהּ דִּקְרָא שְׁמַע מִינַּהּ, ״כּוּמָז״ — כָּאן מְקוֹם זִימָּה.

Disse Rav Yosef: se é assim, é por isso que traduzimos "machoch" — coisa que leva ao escárnio. Disse-lhe Rabá: já do próprio versículo se aprende isso: "kumaz" — [é como se dissesse] aqui, o lugar da luxúria.

Nota

Rav Yosef vê na explicação de Rabi Elazar a razão da tradução aramaica tradicional de "kumaz" por "machoch" — algo que provoca riso ou escárnio, por seu caráter obsceno. Rabá responde que não é preciso recorrer à tradução para tal conclusão: o próprio nome hebraico "kumaz" já se decompõe, por trocadilho, na frase "aqui o lugar da luxúria".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "gichuch"
גיחוך - ליצנות:

"Escárnio" — zombaria.

22Moshe se ira: temendo Baal-Peor; Israel: não faltou ninguém, mas o pensamento não escapou
Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh
״וַיִּקְצֹף מֹשֶׁה עַל פְּקוּדֵי הֶחָיִל״. אָמַר רַב נַחְמָן אָמַר רַבָּה בַּר אֲבוּהּ: אָמַר לָהֶן מֹשֶׁה לְיִשְׂרָאֵל, שֶׁמָּא חֲזַרְתֶּם לְקִלְקוּלְכֶם הָרִאשׁוֹן? אָמְרוּ לוֹ: ״לֹא נִפְקַד מִמֶּנּוּ אִישׁ״. אָמַר לָהֶן: אִם כֵּן כַּפָּרָה לָמָּה? אָמְרוּ לוֹ: אִם מִידֵי עֲבֵירָה יָצָאנוּ, מִידֵי הִרְהוּר לֹא יָצָאנוּ! מִיָּד ״וַנַּקְרֵב אֶת קׇרְבַּן ה׳״.

"E Moshe se irou contra os comandantes do exército." Disse Rav Nachman, disse Rabá bar Avuh: disse-lhes Moshe a Israel: acaso voltastes à vossa primeira corrupção? Disseram-lhe: "não faltou de nós nenhum homem". Disse-lhes: se assim é, para que a expiação? Disseram-lhe: se do pecado saímos, do pensamento não saímos! Imediatamente: "e trouxemos a oferta do Eterno".

Nota

A Guemará explica a ira de Moshe contra os comandantes: temia que, ao lidar com as mulheres midianitas capturadas, os soldados tivessem repetido a corrupção de Baal-Peor, quando Israel se prostituiu com as filhas de Moav. Os comandantes respondem que nenhum soldado transgrediu de fato; mas, quando Moshe pergunta então por que trazem uma oferta de expiação, admitem que, mesmo sem pecado consumado, não escaparam ao pensamento impróprio — e é por essa falha, mais sutil, que trazem imediatamente os ornamentos como oferta.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le-kilkulchem" e "lo nifkad"
לקלקולכם - של מעשה שטים לזנות את בנות מואב שמא כך עשיתם במדין לכך אתם צריכין קרבן: לא נפקד - לא נחסר מדת יהודית:

"À vossa corrupção" — a do episódio de Shitim, de se prostituir com as filhas de Moav; temia Moshe que assim tivésseis feito também em Midiã, e por isso precisásseis de uma oferta. "Não faltou" — não se perdeu o padrão de pureza de nenhum israelita.

A escola de Rabi Yishmael: por que aquela geração precisou de expiação · מִפְּנֵי מָה הוּצְרְכוּ כַּפָּרָה

23O daf se interrompe no meio da frase
Tana devei Rabi Yishmael
תָּנָא דְּבֵי רַבִּי יִשְׁמָעֵאל: מִפְּנֵי מָה הוּצְרְכוּ יִשְׂרָאֵל שֶׁבְּאוֹתוֹ הַדּוֹר כַּפָּרָה — מִפְּנֵי…

Ensinou a escola de Rabi Yishmael: por que precisou Israel, naquela geração, de expiação? Por causa…

Nota

A escola de Rabi Yishmael retoma, num plano mais geral, a mesma pergunta que os comandantes haviam respondido a Moshe: por que toda aquela geração — não apenas os que tiveram contato direto com as midianitas — precisou de expiação. A resposta se inicia com "por causa", mas o daf se interrompe exatamente aí, retomando apenas na abertura de Shabat 64b: "por terem alimentado os olhos com a nudez proibida".

O daf 64a termina aqui, interrompido no meio da frase — caso excepcional nesta tradução, como já ocorrera ao final de 62b, de 63a e de 63b. A resposta da escola de Rabi Yishmael se corta na palavra "por causa" (mipnei), retomando apenas na abertura de Shabat 64b, com a continuação: "por terem alimentado os olhos com a nudez proibida".