85a terminara em aberto, no meio de uma pergunta retórica sem resposta: já que Rav restringira a permissão da Mishná ao canteiro isolado por medo de que, se houvesse canteiros vizinhos, alguém viesse a preencher os próprios cantos internos do canteiro (violando a distância mínima entre sementes), a Guemará perguntara por que não inverter a estratégia — semear as espécies adicionais por fora do canteiro, e não preenchê-las por dentro. 85b abre respondendo exatamente essa pergunta: trata-se de um decreto, para que não se venha, por semelhança, a preencher os próprios cantos internos. A Guemará então testa esse decreto com o princípio de "cabeça de fileira de verdura" (que permite ao olhar humano distinguir onde termina um campo e começa outro), e o rejeita, pois esse princípio não vale de um canteiro para outro. Shmuel oferece uma leitura distinta da Mishná — o canteiro entre canteiros —, resolvendo a mistura das fileiras vizinhas com fileiras inclinadas em direções opostas. Segue-se a pergunta de Ulla, trazida do ocidente (Eretz Israel), sobre o efeito de um único sulco que atravessa toda a extensão do canteiro, com a disputa entre Rav Sheshet (que invalida a fileira) e Rav Asi (que não a invalida), e a objeção de Ravina a partir de uma baraita sobre pepinos, abóboras e favas egípcias, resolvida pela presença de trepadeiras entrelaçadas. Rav Kahana, em nome de Rabi Yochanan, ensina como encher o jardim inteiro de verduras: fazendo canteiros de seis por seis palmos, com cinco sementes dispostas em círculo, preenchendo os cantos à vontade. A Guemará pergunta pelo espaço entre um canteiro circular e outro, respondido pela escola de Rabi Yannai (destruindo o espaço intermediário) e por Rav Ashi (alternando a direção do plantio, trama por urdidura, entre canteiros vizinhos). A folha se fecha em aberto na objeção de Ravina a Rav Ashi, interrompida no meio da frase "e vemos-nas" — a continuação, "como uma tábua quadrada", só vem no início de 86a.
85a fechara com uma pergunta retórica genuinamente interrompida — sem resposta, e não apenas uma divisão comum de página: "e semeie por fora e não preencha por dentro!" ("וְלִיזְרַע מֵאַבָּרַאי וְלָא לִימַלֵּי מִגַּוַּאי"). 85b abre respondendo exatamente a essa pergunta, com a primeira palavra da folha: "גְּזֵירָה" — trata-se de um decreto. O leitor deve entender o início de 85b como a conclusão direta do raciocínio aberto em 85a, e não como um argumento novo e independente.
Não se semeia por fora do canteiro, e sim se preenchem os próprios cantos internos, porque isso é um decreto, para que não se venha a preencher os cantos internos além da medida devida, sem se perceber a diferença entre o que é permitido e o que não é. Replica a Guemará: mas que o plantio por fora do canteiro não seja senão como uma cabeça de fileira de verdura , que se distingue claramente a olho nu, sem risco de mistura? Acaso não aprendemos numa Mishná: se havia uma cabeça de fileira de verdura entrando para dentro de outro campo — é permitido, porque se vê que é o fim de um campo e o começo de outro! Responde a Guemará: não há o princípio de "cabeça de fileira" num canteiro — esse princípio só vale entre campos, não entre um canteiro e outro.
A resposta de Rav à pergunta em aberto de 85a é que a restrição ao canteiro isolado é um decreto preventivo: se se permitisse semear por fora do canteiro (nos seus cantos externos), o agricultor acabaria, por hábito ou descuido, preenchendo também os cantos internos do próprio canteiro além da medida permitida, misturando as sementes. A Guemará tenta enfraquecer esse decreto citando o princípio de "cabeça de fileira de verdura" — quando uma fileira de vegetais de um campo se estende visivelmente para dentro de outro campo, é permitida, pois o olho humano reconhece a transição entre os dois campos, evitando a aparência de mistura proibida. Se esse princípio bastasse para permitir o plantio externo ao canteiro, o decreto de Rav seria desnecessário. Mas a Guemará responde que o princípio de "cabeça de fileira" foi ensinado apenas para a transição entre um campo maior e outro (ou entre um campo e um canteiro), onde a diferença de escala e de aparência é evidente; entre dois canteiros pequenos e semelhantes, contudo, não há essa distinção visual clara, e o princípio não se aplica.
"'É um decreto, para não vir a preencher'" — e depois viesse a semear no canteiro vizinho, junto à borda, a partir de dentro, do mesmo modo que semeou a semente do meio, sem atentar para a mistura entre os dois canteiros. "'Mas que não seja senão como cabeça de fileira'" — isto é: mesmo que preenchesse os cantos internos e depois semeasse um único grão no canteiro vizinho, sem a distância devida entre ele e a semente deste, o que importaria? Não seria julgado senão como uma cabeça de fileira de verdura que se estende e passa de um campo para outro, pois o olho percebe bem que ela não pertence ao campo em que entra, mas ao campo de onde sai — e há ali um sinal de distinção, e da nutrição de uma pela outra não nos preocupamos; e chama-se "cabeça de fileira" porque assim costuma ser o fim do campo, estreitando-se a lavoura e prolongando-se em diagonal como uma cabeça de fileira. "'Não há cabeça de fileira no canteiro'" — a lei da permissão de "cabeça de fileira" não vale de canteiro a canteiro, mas apenas de um campo grande para dentro de um canteiro, ou de um canteiro para dentro de um campo grande, ou de um campo grande para dentro de outro campo grande; mas entre dois canteiros não há esse sinal de distinção, e parecem como se fossem um só, pois nenhum deles tem importância suficiente por si mesmo para se distinguir do outro.
E Shmuel disse: a permissão da Mishná refere-se ao canteiro entre outros canteiros, ensinamos que se aplica. Objeta a Guemará: mas as sementes de canteiros vizinhos não se misturam entre si? Responde a Guemará: a permissão vale para quando se planta inclinando uma fileira para este lado e uma fileira para aquele lado , de modo que as fileiras de canteiros vizinhos não fiquem alinhadas frente a frente.
Shmuel discorda de Rav quanto ao alcance da Mishná: para ele, a permissão de plantar cinco sementes num canteiro de seis palmos vale mesmo quando o canteiro está cercado de outros canteiros semelhantes — sem a restrição de Rav ao canteiro isolado. A Guemará objeta que, nesse caso, as sementes de canteiros adjacentes pareceriam se misturar, pela proximidade das bordas. A resposta é que a permissão de Shmuel pressupõe uma técnica de plantio: as fileiras de sementes de cada canteiro são inclinadas em direções alternadas — uma para um lado, a próxima para o lado oposto —, de modo que, olhando o conjunto dos canteiros, as fileiras de um nunca ficam exatamente alinhadas com as do vizinho, preservando a distinção visual entre eles.
Disse Ulla: perguntaram no ocidente (Eretz Israel): se alguém abriu um único sulco de arado sobre toda a extensão do canteiro, o que é a lei? Disse Rav Sheshet: o sulco único traz a mistura e anula a distinção da fileira. Rav Asi disse: sua mistura não anula a distinção da fileira. Objetou-lhe Ravina a Rav Ashi , a partir de uma baraita: aquele que planta duas fileiras de pepinos, duas fileiras de abóboras, duas fileiras de favas egípcias — é permitido. Uma fileira de pepinos e uma fileira de abóboras e uma fileira de favas egípcias — é proibido! Isso mostra que uma única fileira não distingue, contradizendo Rav Asi. Responde a Guemará: diferente é o caso ali, pois há ali entrelaçamento de trepadeiras, que por si só apaga qualquer distinção de fileira, independente do sulco.
Ulla traz uma dúvida originada em Eretz Israel: se, entre dois canteiros vizinhos (ou entre as fileiras dentro de um mesmo canteiro), alguém passa o arado uma única vez, abrindo um sulco contínuo que atravessa toda a extensão — isso anula a distinção entre as fileiras (pois o sulco cria uma aparência de continuidade entre elas), ou não? Rav Sheshet entende que sim: o sulco único, por unir visualmente o terreno, anula a separação das fileiras. Rav Asi discorda: um único sulco não é suficiente para apagar a distinção. Ravina traz uma objeção de uma baraita sobre plantio de cucurbitáceas (pepinos, abóboras) e favas egípcias: quando se planta apenas uma fileira de cada espécie (em vez de duas), o plantio é proibido, sugerindo que uma única fileira de cada não basta para distinguir as espécies — o que pareceria contradizer Rav Asi, que diz que a distinção da fileira não se anula facilmente. A Guemará resolve a dificuldade dizendo que o caso da baraita é diferente: ali, o problema não é a falta de fileiras suficientes, mas o entrelaçamento das trepadeiras dessas plantas rasteiras, que se estendem e se misturam fisicamente, apagando qualquer distinção, independente da questão do sulco único.
Disse Rav Kahana, disse Rabi Yochanan: aquele que deseja encher todo o seu jardim de verduras — faz um canteiro de seis palmos por seis palmos, e dispõe nele cinco sementes em círculo, e preenche seus cantos com tudo o que quiser.
Rabi Yochanan ensina uma técnica prática para plantar o máximo de espécies possível num jardim inteiro, sem violar a proibição de misturar sementes: constrói-se um canteiro de seis palmos por seis palmos, plantando cinco sementes dispostas em círculo (afastadas o suficiente entre si, conforme a medida já estabelecida), e os cantos do canteiro — que ficam fora desse círculo — podem ser preenchidos livremente com quaisquer outras espécies que o agricultor desejar, pois a disposição circular já garante a distância mínima de nutrição entre as cinco sementes centrais, deixando os cantos disponíveis sem risco de mistura proibida.
Objeta a Guemará: mas não há espaço entre um canteiro circular e outro , que fica sem distinção clara de qual canteiro pertence? Disseram os sábios da escola de Rabi Yannai: a solução está em destruir , deixando ermo, o espaço intermediário entre os canteiros circulares, para que não seja área de plantio ambígua. Rav Ashi disse: se as sementes de um canteiro foram semeadas no sentido da trama (um eixo), semeia-as no canteiro vizinho no sentido da urdidura (o eixo perpendicular); se foram semeadas no sentido da urdidura, semeia-as no vizinho no sentido da trama — alternando a orientação do plantio entre canteiros adjacentes, para evitar o alinhamento que causaria a aparência de mistura. Objetou-lhe Ravina a Rav Ashi: quanto à distância de cultivo entre uma verdura e outra verdura , quando se trata de canteiros vizinhos, exige-se seis palmos. E vemos-nas...
Depois de Rabi Yochanan ensinar como encher o jardim inteiro com canteiros circulares de seis por seis, cada um com cinco sementes centrais e os cantos livres, a Guemará pergunta pelo espaço que fica entre um canteiro circular e o seguinte — esse espaço intermediário, que não pertence claramente a nenhum dos dois canteiros, poderia causar confusão quanto à distinção entre eles. A escola de Rabi Yannai responde que esse espaço deve ficar ermo, sem plantio, evitando qualquer ambiguidade. Rav Ashi propõe, em vez disso, alternar a orientação do plantio entre canteiros vizinhos — se um foi semeado no sentido da trama (um eixo do tear), o vizinho é semeado no sentido da urdidura (o eixo perpendicular) — de modo que as fileiras de sementes nunca fiquem alinhadas de um canteiro para o outro, preservando a distinção visual sem precisar destruir o espaço intermediário. Ravina levanta uma objeção a partir de uma baraita sobre a distância mínima de seis palmos exigida entre uma verdura e outra quando se trata de canteiros vizinhos — objeção que a folha corta no meio da frase, exatamente no ponto em que a baraita explica como se calcula essa distância ("e vemos-nas..."). A continuação, "como uma tábua quadrada" — que resolve a objeção distinguindo entre a forma como se mede a distância e a leniência adicional de "cabeça de fileira" —, só vem logo no início de Shabat 86a.