O daf conclui a longa sugya sobre menções especiais em orações e bênçãos que ocupou o final deste trecho do Perek Bet. A Guemará rejeita todas as opiniões anteriores (Rav Huna, Rav Yehudá, Rav Guidel, Rav Achadvoi) e fixa a lei segundo Rabi Yehoshua ben Levi: em Yom Kipur que cai em Shabat, quem reza a oração de Neilá precisa mencionar Shabat, porque esse dia está obrigado a quatro orações. Uma contradição surge entre essa lei e a lei paralela de Rava sobre o chazan que desce para arvit em Yom Tov que cai em Shabat (que não precisa mencionar Yom Tov), resolvida pela distinção entre a origem tardia e emergencial da arvit pública (por causa do perigo dos assaltantes) e o caráter essencial das quatro orações do dia de Yom Kipur. Esta sugya se encerra com a conclusão da Mishná sobre a cauda e o rabo dos animais aptos para a vela, mostrando que a opinião dos sábios coincide com a do Tanna Kama, com a única exceção da opinião de Rav Bruna sobre a mistura de óleo. Em seguida, surge uma nova Mishná, ainda dentro do Perek Bet ("Bameh Madlikin"), continuação natural do mesmo tema: os óleos proibidos para acender a vela de Yom Tov — o óleo de queima, e, segundo Rabi Ishmael, também o alcatrão, por causa da honra de Shabat — com a posição permissiva dos sábios quanto a todos os demais óleos comuns, e a posição restritiva de Rabi Tarfon, que permite apenas azeite de oliva. A Guemará abre a sugya dessa nova Mishná buscando a fonte bíblica da proibição de queimar objetos sagrados impuros em Yom Tov, com três explicações sucessivas: a de Chizkia, a partir da repetição do verso sobre o sacrifício pascal; a de Abaie, a partir do verso sobre o holocausto de Shabat; e a de Rava, a partir do verso sobre o sacrifício pascal, "ele só, se fará para vós", que exclui tanto os preparativos da comida quanto a circuncisão fora de seu tempo devido.
E não é a lei (a que se segue) como (nenhum) desses ensinamentos (todas as opiniões da sugya anterior, de Rav Huna e Rav Yehudá, de Rav Guidel em nome de Rav, e a réplica com Rav Achadvoi), mas sim como aquilo que disse Rabi Yehoshua ben Levi: Yom Kipur que caiu (coincidiu) em Shabat — quem reza (a oração de) Neilá (a quinta e última oração do dia, exclusiva de Yom Kipur) precisa mencionar (o tema) de Shabat (dizendo "e nos deste este dia de repouso e este dia do Perdão", e selando "que santifica o Shabat e Yom Kipur"). (A razão:) é um dia que se tornou obrigado a quatro orações (Shacharit, Mussaf, Minchá e Neilá — não contando a de arvit da noite anterior — cada uma das quais deve mencionar plenamente ambos os temas do dia, Shabat e Yom Kipur).
Após toda a extensa discussão do daf anterior — a comparação de Abaie entre Chanucá e Mussaf e Rosh Chodesh e a Haftará, e a réplica que a substituiu pela comparação com Yom Tov e a Haftará de Minchá —, a Guemará agora rejeita completamente essa linha de raciocínio e todas as posições construídas sobre ela. A lei prática não segue nenhuma dessas opiniões, mas sim um ensinamento independente de Rabi Yehoshua ben Levi: quando Yom Kipur cai em Shabat, a oração de Neilá — a oração exclusiva do final de Yom Kipur, que não existe em nenhum outro dia do ano — deve necessariamente mencionar o tema de Shabat (inserindo a frase apropriada e selando a bênção com a menção de ambos os dias), e isso não é uma questão discricionária ou opcional, mas uma exigência plena, pelo fato de que aquele dia específico está obrigado a nada menos que quatro orações completas.
É difícil (há uma contradição): lei contra lei. Disseste (que) a lei é como Rabi Yehoshua ben Levi (que exige menção plena por causa da obrigação de quatro orações), mas também estabelecemos que a lei é como Rava (numa questão semelhante, que aparentemente diz o oposto). Pois disse Rava: Yom Tov que caiu em Shabat, o emissário da congregação que desce diante da tevá (a arca, isto é, quem lidera a oração pública) em (oração de) arvit (a oração da noite) não precisa mencionar (o tema) de Yom Tov (na repetição pública em voz alta da Amidá), pois, não fosse Shabat, o emissário da congregação não desce (para liderar a oração) de arvit (em voz alta, com repetição pública) em Yom Tov (comum, que não caia em Shabat — pois em Yom Tov não há repetição pública de arvit).
A Guemará percebe uma tensão entre a lei recém-fixada de Rabi Yehoshua ben Levi e outra lei estabelecida de Rava, num caso estruturalmente idêntico. Rava havia ensinado que, quando Yom Tov cai em Shabat, o emissário público que lidera a repetição em voz alta da oração de arvit (a oração da noite) não precisa mencionar o tema de Yom Tov nessa repetição — porque essa própria repetição pública de arvit, com voz alta e liderança pelo chazan, não existe de modo algum num Yom Tov comum que não caia em Shabat (pois, diferentemente de Shabat, a Amidá de Yom Tov não tem tradicionalmente repetição pública em arvit). Isso é exatamente análogo ao raciocínio de Abaie que a Guemará acabara de rejeitar (a comparação com Rosh Chodesh e a Haftará) — e, no entanto, aqui a Guemará afirma que essa lei específica de Rava é, de fato, aceita como lei prática, criando uma aparente contradição direta com a exigência de menção plena de Rabi Yehoshua ben Levi para o caso de Neilá.
(Resposta:) Como se pode comparar assim?! Ali (no caso da arvit pública), por lei estrita (pela regra original), nem mesmo em Shabat (comum, sem coincidir com Yom Tov) seria necessário (repeti-la em voz alta pelo chazan), e foram os sábios que a instituíram (essa repetição pública noturna) por causa do perigo (para que quem chegasse atrasado à sinagoga não ficasse sozinho e vulnerável a assaltantes no caminho de volta, prolongando-se a oração pública). Mas aqui (no caso de Neilá em Yom Kipur) — é um dia que se tornou obrigado (essencialmente, pela própria estrutura do dia) a quatro orações.
A Guemará resolve a contradição apontando uma diferença fundamental entre os dois casos. A repetição pública da oração de arvit não é, em sua origem, uma obrigação essencial da própria estrutura do dia — pelo contrário, por lei estrita, nem sequer seria necessária num Shabat comum; ela foi instituída pelos sábios apenas por uma razão prática e circunstancial: o perigo de assaltantes no caminho, de modo que, ao prolongar-se a oração pública com essa repetição, todos os fiéis tivessem tempo de chegar à sinagoga e voltar para casa em segurança, em grupo. Por ser uma instituição tardia, de origem meramente rabínica e motivada por uma necessidade externa e circunstancial (que, além disso, nem sempre se aplica), ela não carrega o mesmo peso de obrigação essencial — e por isso, quando aplicada ao caso especial de Yom Tov que cai em Shabat, não exige menção plena do tema de Yom Tov. Já a oração de Neilá, em contraste, é uma das quatro orações que compõem essencialmente a própria estrutura obrigatória do dia de Yom Kipur (não uma adição tardia e circunstancial) — e por isso exige, sim, menção completa de ambos os temas do dia quando Yom Kipur coincide com Shabat.
"De acordo com todos esses ensinamentos" — (referindo-se às opiniões de) Rav Huna, Rav Yehudá, Rav Guidel e Rav Achadvoi. Mas (a regra correta é): assim como uma oração (a Amidá diária), assim sua companheira (Birkat Hamazon e o Mussaf), quanto a todo assunto do dia — e menciona-se (sempre plenamente).
"Precisa mencionar (o tema) de Shabat" — dizer "e nos deste este dia de repouso e este dia do Perdão", e sela (a bênção) "que santifica o Shabat e Yom Kipur" — ainda que (normalmente) não haja oração de Neilá em Shabat (comum, já que Neilá é exclusiva de Yom Kipur).
"É um dia que se tornou obrigado a quatro orações" — não está incluída a oração da noite (arvit), mas (sim) as orações do (próprio) dia: Shacharit, Mussaf, Minchá e Neilá.
"Emissário da congregação que desce (para) arvit" — aquele que reza a bênção resumida das sete (bênçãos, que substitui a repetição integral da Amidá na oração pública de arvit de Shabat), (começando por) "Criador dos céus e da terra... escudo dos pais", em suas palavras.
"Por causa do perigo" — de seres nocivos (demônios e ladrões), pois suas sinagogas não ficavam dentro do povoado (habitado), e em todas as demais noites de dia comum (as pessoas) estavam ocupadas com seu trabalho, e, ao terminarem seu trabalho, rezavam arvit em suas casas e não vinham à sinagoga; mas nas noites de Shabat vinham à sinagoga, e temeram que houvesse quem não se apressasse a vir e se demorasse depois da oração (sozinho, voltando tarde para casa) — por isso alongaram a oração pública (com essa repetição resumida, para que todos tivessem tempo de chegar e voltar juntos, em segurança).
(A Mishná, em seu final, dizia:) "E não com (gordura de) cauda (de carneiro)..." (mas os sábios permitem, na Mishná anterior, todos os óleos comuns para acender). (Pergunta:) (A opinião dos) sábios (nesse ponto) não é a (mesma) do Tanna Kama (o primeiro sábio anônimo da Mishná, que já havia proibido a cauda; logo, por que os sábios repetiriam a mesma proibição)? (Resposta:) há (uma diferença) entre eles (quanto) ao (ensinamento) de Rav Bruna, disse Rav (que permite acender com gordura de cauda derretida se misturada com uma quantidade mínima de óleo apto). E não está determinado (com clareza na tradição recebida qual das duas opiniões — Tanna Kama ou sábios — proíbe e qual permite essa mistura).
Este breve trecho conclui a discussão da Mishná anterior (23a), sobre os materiais proibidos para a vela de Shabat, entre eles a gordura de cauda e o sebo. A Guemará observa que a opinião dos sábios, quanto à proibição da cauda, parece idêntica à do Tanna Kama (o sábio anônimo cuja opinião abre a Mishná) — o que levanta a pergunta óbvia de por que a Mishná repetiria a mesma proibição em nome de duas fontes diferentes. A resposta é que existe, de fato, uma diferença sutil entre as duas posições: ela diz respeito ao ensinamento de Rav Bruna em nome de Rav, que permite acender com gordura de cauda derretida quando misturada com qualquer quantidade, por menor que seja, de óleo apto — pois essa pequena quantidade de óleo próprio ajuda a gordura a se consumir de modo semelhante a um óleo comum. A tradição recebida, contudo, não deixa claro qual das duas opiniões da Mishná (Tanna Kama ou sábios) permite essa mistura e qual a proíbe, encerrando essa pequena sugya sem uma resolução completamente determinada.
"É a mesma do Tanna Kama" — que disse "e não com sebo (gordura)" — (o que inclui) toda gordura, sem distinção.
"De Rav Bruna" — que permite por meio de mistura com óleo, por menor que seja (a quantidade misturada).
"E não está determinado" — não é claro quem proíbe e quem permite.
Não se acende com óleo de queima (óleo de teruma impura, cujo único destino é ser queimado) em Yom Tov. Rabi Ishmael diz: não se acende com alcatrão, por causa da honra de Shabat (por seu mau cheiro, que desonraria a refeição de Shabat). E os sábios permitem (acender) com todos os (demais) óleos: com óleo de gergelim, com óleo de nozes, com óleo de rabanetes, com óleo de peixes, com óleo de paku'ot (uma espécie de abóbora selvagem), com alcatrão e com nafta. Rabi Tarfon diz: não se acende senão apenas com azeite de oliva.
Esta nova Mishná continua dentro do próprio Perek Bet, como sequência temática direta do assunto que já vinha sendo tratado — os óleos aptos para a vela de Shabat e de Yom Tov —, sem que se trate de uma abertura de capítulo. A nova Mishná estabelece que não se pode acender a vela de Yom Tov com óleo de queima — o óleo de teruma que se tornou impura, cujo único uso legítimo é ser incinerado — retomando e formalizando a regra já discutida no daf anterior. Rabi Ishmael acrescenta uma segunda proibição, específica: o alcatrão (um subproduto residual do piche, de cheiro desagradável), que não deve ser usado para a vela por causa da honra de Shabat — presumivelmente porque, se aceso na véspera para arder durante Shabat, seu mau cheiro incomodaria a refeição festiva. Os sábios, no entanto, discordam de Rabi Ishmael quanto ao alcatrão, e permitem expressamente uma longa lista de óleos comuns — de gergelim, de nozes, de rabanetes, de peixes, da abóbora selvagem chamada paku'ot, e também o próprio alcatrão e a nafta (um óleo mineral de cheiro ainda mais forte) — para acender a vela, tanto em Shabat quanto, por extensão, em Yom Tov, com a única exceção do óleo de queima. Rabi Tarfon, por fim, apresenta a posição mais restritiva de todas: só permite o uso de azeite de oliva puro, rejeitando todos os demais óleos da lista.
Mishná: "Óleo de queima" — óleo de teruma impura; e na Guemará se explica o motivo.
"Rabi Ishmael diz..." — (referindo-se também) a Shabat (e não apenas a Yom Tov).
"Alcatrão" — o resíduo do piche.
"Por causa da honra de Shabat" — porque seu cheiro é ruim.
"Óleo de gergelim..." — a conclusão do assunto é (a opinião) dos sábios.
"Rabanetes" — (o óleo extraído da semente do) rabanete.
"Óleo de peixes" — das entranhas dos peixes que se dissolveram (decompuseram).
"Paku'ot" — abóbora selvagem.
"Nafta" — um tipo de óleo de cheiro ruim, como dizemos na ordem de Yoma (39a): quem vem medir nafta, dizem-lhe: mede sozinho, pois ninguém quer ajudá-lo (por causa do mau cheiro que gruda).
Guemará: qual é a razão (da proibição do óleo de queima na Mishná)? Porque não se queimam objetos sagrados (impuros) em Yom Tov. De onde (se aprendem) essas palavras (qual o fundamento bíblico dessa regra)? Disse Chizkia, e assim ensinou a academia (escola) de Chizkia: disse o verso (sobre o sacrifício pascal, em Êxodo 12:10): "e não deixareis sobrar dele até a manhã, e o que sobrar dele até a manhã (o queimareis a fogo)". Pois não seria necessário dizer (a segunda vez) "até a manhã" (já que a primeira metade do verso já estabelece que nada pode sobrar até a manhã; por que repetir "até a manhã" na segunda metade)! Para que (então) é necessário dizer (a segunda vez) "até a manhã"? O texto veio para lhe dar uma segunda manhã para sua queima (ou seja: se o sacrifício pascal se tornou impuro e não pôde ser comido a tempo, o verso concede um adiamento — a queima do que sobra pode esperar até a manhã seguinte àquela em que normalmente se queimaria; e, se essa manhã seguinte coincidir com um Yom Tov, isso prova que não se pode queimar objetos sagrados em Yom Tov, sendo necessário adiar para o dia seguinte).
A Guemará busca a fonte bíblica da regra citada na Mishná anterior (e retomada nesta) de que não se queimam objetos sagrados que se tornaram impuros durante Yom Tov. Chizkia extrai essa regra de uma repetição aparentemente redundante no verso sobre o sacrifício pascal: o verso primeiro proíbe deixar sobras até a manhã, e depois, ao tratar da queima do que sobrar, repete novamente "até a manhã" — uma repetição que, à primeira vista, pareceria desnecessária, já que a proibição de deixar sobras já foi estabelecida. Chizkia explica que essa segunda menção de "até a manhã" não é redundante, mas serve para conceder uma segunda manhã possível para a queima: se, por alguma razão (como a coincidência com Yom Tov), a queima não puder ocorrer na manhã imediatamente seguinte, o verso permite adiá-la até a manhã seguinte a essa. Esse adiamento só faz sentido se pressupormos que existe uma circunstância — precisamente, a proibição de queimar objetos sagrados em Yom Tov — que impede a queima na primeira manhã disponível, provando assim a existência dessa proibição.
Guemará: "de onde (se aprendem) essas palavras" — que não se queima (em Yom Tov); pois, se o verso não a excluísse, teríamos de dizer que viesse o (mandamento) positivo de "a fogo o queimareis" e afastasse o (mandamento) negativo de "nenhum trabalho (fareis)" (pois um mandamento positivo pode, em certos casos, prevalecer sobre uma proibição; mas o verso vem justamente para excluir essa possibilidade).
"Pois não seria necessário dizer 'até a manhã'" — uma segunda vez, mas sim (bastaria dizer) "e o que sobrar dele, a fogo o queimareis", pois já está escrito "até a manhã" no início (do verso).
"Segunda manhã" — que é (a manhã de) Chol HaMoed (os dias intermediários da festa, quando é permitido queimar); e assim se entende (o verso): "e o que sobrar dele" até a primeira manhã, até a segunda manhã aguardai, e então o queimareis.
Abaie disse: o verso disse (Números 28:10): "o holocausto de Shabat em seu (dia de) Shabat" — (o que exclui) e não (se oferece) holocausto de dia comum (um sacrifício cujo tempo próprio já passou, ou que se tornou impuro) em Shabat, e não (se oferece) holocausto de dia comum em Yom Tov (por extensão do mesmo princípio; e, por analogia, também não se queima em Yom Tov o que se tornou impuro fora de seu tempo próprio).
Abaie propõe uma fonte bíblica alternativa para a mesma regra, a partir de um verso diferente: "o holocausto de Shabat em seu Shabat" (referente ao sacrifício adicional de Mussaf de Shabat). A expressão "em seu Shabat" é lida como restritiva: apenas o holocausto próprio de Shabat pode ser oferecido em Shabat, excluindo qualquer holocausto de dia comum (isto é, um sacrifício cujo momento apropriado de oferenda já passou) de ser oferecido em Shabat como reposição atrasada. Por extensão do mesmo princípio, a exclusão se aplica igualmente a Yom Tov: não se pode "recuperar" em Yom Tov um sacrifício de dia comum que não foi oferecido a tempo. Por analogia, a Guemará estende esse princípio de exclusão de "recuperações atrasadas" também à queima de objetos sagrados impuros, que igualmente não pode ser realizada como uma espécie de tarefa adiada em Yom Tov.
"Holocausto de dia comum" — como, por exemplo, os membros do (sacrifício) contínuo (tamid) da véspera de Yom Tov que não foram queimados (no altar) ainda de dia: não os fazemos subir (ao altar) depois de escurecer (em Yom Tov); e tanto mais (que) não queimamos (fora do altar) objetos sagrados desqualificados (impuros, como o óleo de queima).
Rava disse: o verso disse (Êxodo 12:16): "ele só, isso (apenas o preparo da comida) se fará para vós (em Yom Tov)". "Ele" — e não (também) os preparativos (indiretos) dela (da comida — como fazer um espeto, uma faca ou um forno, que são permitidos apenas quando não há como prepará-los antes). "Só" (exclusivamente ele) — e não a circuncisão (realizada) fora de seu tempo (devido, no oitavo dia; pois se ela viesse por inferência a fortiori — kal vachomer — de outra fonte, a excluímos aqui).
Rava oferece uma terceira fonte bíblica, extraída de um verso sobre Yom Tov em geral (não restrito ao sacrifício pascal ou ao Mussaf): "ele só, isso se fará para vós", referente ao preparo da comida, que é a única categoria de trabalho permitida em Yom Tov. Rava lê as duas palavras do verso, "ele" e "só", como duas exclusões distintas. "Ele" exclui os "preparativos" (machshirin) — ou seja, atividades indiretas de preparação de utensílios (como fazer uma faca, um espeto ou consertar um forno) que não são, em si, o próprio ato de cozinhar, mas apenas viabilizam o cozimento; essas só são permitidas quando não podiam ter sido feitas antes de Yom Tov. "Só" exclui a circuncisão realizada fora de seu tempo devido (isto é, não no oitavo dia natural do bebê, mas adiada por alguma razão) — pois, embora a circuncisão no seu tempo próprio (o oitavo dia) prevaleça sobre Shabat e Yom Tov por ordem explícita da Torá, poder-se-ia pensar, por um argumento a fortiori (kal vachomer, "quanto mais"), que a circuncisão adiada também deveria prevalecer; o verso vem justamente para excluir essa inferência, e a Guemará estende esse mesmo princípio de exclusão — de que tarefas "atrasadas" ou "fora de seu tempo próprio" não têm licença especial em Yom Tov — também à proibição de queimar objetos sagrados que se tornaram impuros.
"Ele só" — são versos (palavras) excedentes, pois (o texto) poderia ter escrito (de modo mais simples): "apenas o que se come por toda pessoa, isso se fará para vós".
"Preparativos" — os preparativos (indiretos) da comida, como fazer um espeto, uma faca, um forno e um fogão.
"Só" — para excluir a circuncisão fora de seu tempo (devido), que não prevalece sobre Shabat e Yom Tov; pois, se o verso não a excluísse, viria (a prevalecer) por (inferência) a fortiori, que (deveria) prevalecer, (como se explica) no capítulo de Rabi Eliezer (adiante, Shabat 132b), onde se ensina assim: e se a lepra, que prevalece sobre (a interrupção do) serviço (sacerdotal do Templo, mesmo quando este exige pureza), e o serviço (do Templo) prevalece sobre Shabat, (não seria lógico que) a circuncisão fora de seu tempo prevalecesse sobre ela (a lepra, e por extensão sobre Shabat)? Pois assim se ensina ali: a circuncisão prevalece sobre a lepra, tanto (quando realizada) em seu tempo quanto fora de seu tempo, e (esse princípio) se deriva dos versos (por inferência): (se) Shabat, que é afastado por causa do serviço (do Templo), não seria lógico que a circuncisão fora de seu tempo (devido também) a afastasse (prevalecesse sobre ela)? Veio (a palavra) "só" para excluir (a circuncisão) dessa inferência a fortiori, para que não a apliquemos (a ela); e daí ouvimos por conta própria que um preceito cujo tempo não é fixo, e que se pode realizar amanhã, não prevalece sobre Yom Tov — e o mesmo vale para a queima de objetos sagrados impuros.