O daf abre reforçando a conclusão de 44b com uma nova prova, extraída da própria prática de Rav: costumava-se colocar uma lâmpada sobre uma palmeira em Shabat, mas não em Yom Tov; se Rav seguisse Rabi Shimon, que praticamente não reconhece muktzeh, não haveria razão para distinguir entre os dois dias — a distinção só faz sentido se Rav segue Rabi Yehudá, para quem a lâmpada apagada permanece proibida por ter sido designada, no crepúsculo, para um uso proibido. A Guemará então levanta uma objeção a essa própria conclusão: perguntaram a Rav se era permitido mover a lâmpada de Chanucá, já apagada, diante dos chaverim (sacerdotes persas) em Shabat, e ele respondeu que sim — o que soa como a posição permissiva de Rabi Shimon. A resposta distingue: tratava-se de uma hora de necessidade premente, pois havia risco; e mesmo Rav Kahana e Rav Ashi, ao perguntarem a Rav se essa era de fato a lei normal, ouviram dele que Rabi Shimon é digno de que se apoie nele apenas em situação de urgência — confirmando que, fora dela, Rav mantém a posição mais restritiva de Rabi Yehudá. Em seguida, Reish Lakish pergunta a Rabi Yochanan sobre dois casos-limite do muktzeh segundo Rabi Shimon: trigo semeado na terra e ovos sob uma galinha, casos em que a pessoa não os rejeitou ativamente com as mãos. Rabi Yochanan responde de forma restritiva: o único muktzeh que Rabi Shimon reconhece é o óleo que está na lâmpada enquanto ela arde, pois, tendo sido designado para o preceito de iluminar o Shabat, foi também designado para a proibição de apagá-lo. A Guemará objeta a partir de uma baraita sobre a sucá: quem a cobriu segundo a lei e a decorou com colgaduras, lençóis bordados e frutas penduradas fica proibido de usá-los até a saída do último dia de Yom Tov, a menos que tenha estipulado de antemão — o que mostra que Rabi Shimon reconhece, sim, o muktzeh por designação ao preceito. A Guemará prova que essa baraita é de Rabi Shimon a partir de outro ensinamento de Rabi Chiya bar Yosef sobre a madeira da sucá, e explica que a comparação com o óleo da lâmpada significa que o muktzeh dura apenas enquanto persiste o preceito — no caso da sucá, os sete dias inteiros da festa. Por fim, Rav Yehudá, em nome de Shmuel, formula uma regra ainda mais restritiva: o único muktzeh que Rabi Shimon reconhece são figos secos e passas. A Guemará objeta com uma baraita que estende a mesma regra a pêssegos, marmelos e qualquer outra fruta levada ao telhado para secar, discute de quem seria essa baraita, e conclui que ainda é de Rabi Yehudá — o detalhe sobre quem comia as frutas enquanto as levava ensina que o próprio ato de levá-las ao telhado já basta para exigir nova designação. O daf termina de forma interrompida, no meio de uma nova pergunta que Rabi Shimon bar Rabi dirige a Rabi; a resposta completa aparece apenas no início de 45b.
Também assim é razoável dizer que Rav sustenta como Rabi Yehudá, pois disse Rav: coloca-se uma lâmpada sobre uma palmeira em Shabat, mas não se coloca uma lâmpada sobre uma palmeira em Yom Tov. Se dizes, com razão, que Rav sustenta como Rabi Yehudá — isso explica por que ele distingue entre Shabat e Yom Tov. Mas, se dizes que ele sustenta como Rabi Shimon, que diferença faz para mim entre Shabat e Yom Tov?
A frase que abre 45a continua diretamente o raciocínio que fechara 44b. Rav costumava permitir que se colocasse uma lâmpada acesa sobre uma palmeira em Shabat, mas não em Yom Tov. Essa distinção só é compreensível se Rav segue Rabi Yehudá: uma vez que a lâmpada foi designada, no crepúsculo, para arder presa à árvore — um uso proibido em Yom Tov, por envolver o uso de algo preso ao solo —, ela permanece muktzeh mesmo depois de apagada, tanto em Shabat quanto em Yom Tov; mas, em Yom Tov, há ainda a proibição adicional de tirar e recolocar a lâmpada na árvore, o que exige a distinção. Se Rav seguisse Rabi Shimon, que praticamente não reconhece muktzeh, não haveria motivo algum para tratar Shabat e Yom Tov de modo diferente quanto a essa lâmpada.
"Coloca-se a lâmpada" — ainda de dia, antes do início do Shabat ou de Yom Tov.
"Sobre uma palmeira" — e ela arderá ali durante o Shabat, pois não há motivo para temer que, quando se apagar, a pessoa a retire dali e acabe usando algo preso ao solo; pois, já que a designou, no crepúsculo, para uma coisa proibida, tornou-se muktzeh para o dia inteiro.
"Mas não se coloca... em Yom Tov" — pois, em Yom Tov, a pessoa a tira e a recoloca, e assim acaba usando a árvore.
"Que diferença faz o Shabat..." — pois, em Shabat também, quando ela se apaga, a pessoa a tiraria (logo, segundo Rabi Shimon, não haveria motivo para distinguir).
Mas Rav sustenta mesmo como Rabi Yehudá? Ora, perguntaram a Rav qual é a lei quanto a mover a lâmpada de Chanucá diante dos chaverim em Shabat, e ele lhes respondeu: é perfeitamente permitido! (Resposta:) a hora de necessidade premente é diferente. Pois eis que Rav Kahana e Rav Ashi disseram a Rav: "é esta a lei?" (em tom de espanto), e ele lhes respondeu: Rabi Shimon é digno de que se apoie nele em hora de necessidade premente.
A Guemará objeta com um caso concreto: perguntaram a Rav se era permitido mover a lâmpada de Chanucá, já apagada, de onde estava colocada — perto da via pública, para publicar o milagre — diante dos chaverim, sacerdotes persas que haviam decretado contra o acender de fogo nesses dias, para que não a vissem e a destruíssem; e Rav respondeu que era perfeitamente permitido movê-la. Essa permissão soa como a posição de Rabi Shimon, que não reconhece muktzeh nesse caso. A resposta esclarece que se tratava de uma hora de necessidade premente — havia risco real — e que, precisamente por isso, mesmo quando Rav Kahana e Rav Ashi lhe perguntaram, em tom de espanto, se essa era realmente a lei normal, ele respondeu que Rabi Shimon é digno de que se apoie nele apenas em situação de urgência, confirmando que, fora dela, a posição adotada por Rav é a mais restritiva de Rabi Yehudá.
"A lâmpada de Chanucá" — depois de já ter se apagado.
"Diante dos chaverim" — para que não a vissem no pátio, como já dissemos no capítulo anterior (Shabat 22b), que se coloca a lâmpada a um palmo da via pública, para que soubessem que ali se acendeu uma lâmpada; e eles decretaram que não se acendesse fogo nesses dias, ou então, em seu dia de festa, não permitiam que se acendesse fogo senão numa casa de idolatria.
"Chaverim" — nome de um povo que vivia junto aos persas.
"É esta a lei" — em tom de espanto.
"Em hora de necessidade premente" — (isto é, quando há) risco; o que mostra que, fora de hora de necessidade premente, é proibido.
Perguntou Reish Lakish a Rabi Yochanan: trigo que se semeou na terra, e ovos que estão sob a galinha — qual é a lei? (A dúvida é:) quando Rabi Shimon diz que não há muktzeh, será que isso vale onde a pessoa não os rejeitou com as próprias mãos, mas onde os rejeitou com as próprias mãos ele reconhece muktzeh, ou talvez não haja diferença? Respondeu-lhe: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão o óleo que está na lâmpada enquanto ela arde, pois, já que foi designado para seu preceito, foi designado para sua proibição.
Reish Lakish traz dois casos-limite: trigo semeado na terra, ainda sem raízes, e ovos colocados sob uma galinha para chocar — em ambos, a pessoa não rejeitou ativamente o objeto com as mãos, apenas o colocou num destino que o torna temporariamente impróprio para uso imediato. A dúvida é se Rabi Shimon, que nega o muktzeh nos casos mais simples, também o negaria aqui, ou se reconheceria muktzeh nos casos em que há uma rejeição mais deliberada. Rabi Yochanan responde de forma surpreendentemente restritiva: para Rabi Shimon, o único muktzeh que existe é o óleo da lâmpada enquanto ela arde no Shabat — pois, tendo sido designado para o preceito de iluminar, foi também designado, durante esse tempo, para a proibição de apagá-lo movendo-o. Fora desse caso específico, Rabi Shimon não reconhece muktzeh algum.
"Que semeou na terra" — e ainda não criaram raízes; qual é a lei quanto a colhê-los e comê-los?
"Não há muktzeh para Rabi Shimon" — senão no óleo que está na lâmpada enquanto ela arde, como se ensinou acima.
"Já que foi designado para seu preceito" — para o Shabat.
"Foi designado para sua proibição" — a proibição de apagar.
Mas não há, para ele, (o princípio de) "foi designado para seu preceito"? Ora, não se ensinou numa baraita: se alguém cobriu a sucá conforme sua lei e a decorou com colgaduras e lençóis bordados, e nela pendurou nozes, pêssegos, amêndoas e romãs, cachos de uvas, coroas de espigas, vinhos, óleos e farinhas — é proibido servir-se deles até a saída do último dia de Yom Tov (Shemini Atzeret). E, se estipulou algo sobre eles, tudo depende de sua estipulação.
A Guemará objeta à resposta anterior com uma baraita sobre a sucá de Sucot: se alguém a cobriu corretamente e a decorou com colgaduras, lençóis bordados e frutas penduradas — nozes, pêssegos, amêndoas, romãs, cachos de uvas, coroas de espigas, além de vinhos, óleos e farinhas colocados como ornamento —, esses objetos ficam proibidos de uso até o fim da festa inteira, a menos que a pessoa tenha estipulado de antemão que não os estava designando dessa forma. Isso mostra que existe, sim, um muktzeh criado pela mera designação ao preceito da sucá, contradizendo a afirmação de que o único muktzeh de Rabi Shimon é o óleo da lâmpada.
"'Foi designado para seu preceito' ele não tem?" — em tom de espanto; pois se poderia pensar que ele falava especificamente do óleo da lâmpada, no qual há duas coisas: muktzeh por causa do preceito, e muktzeh, enquanto arde, por causa da proibição de apagar; mas o muktzeh por preceito puro ele não proibiria, mesmo durante o tempo do preceito.
"Não se ensinou: 'cobriu-a'" — refere-se à sucá.
"Colgaduras" — tecidos coloridos, chamados assim no idioma local.
"Pêssegos" — no idioma vernáculo.
"Vinhos, óleos" — em recipientes de vidro.
"Até a saída do último Yom Tov" — e aqui há muktzeh por preceito, mas não há muktzeh por proibição; pois, se fosse por causa de desmontar a tenda, quando chegasse o meio dos dias da festa (chol ha-moed) deveria ser permitido, à semelhança da lâmpada que se apagou.
E de onde (se sabe) que essa é (segundo) Rabi Shimon? Pois ensinou Rabi Chiya bar Yosef diante de Rabi Yochanan: não se toma madeira da sucá em Yom Tov, senão do que está junto a ela; mas Rabi Shimon permite. E concordam que, na sucá da festa, durante a própria festa, ela é proibida, e, se estipulou algo sobre ela, tudo depende de sua estipulação. É à semelhança do óleo na lâmpada que dizemos isso: já que foi designado para seu preceito, foi designado para sua proibição. Também se disse: disse Rabi Chiya bar Abba, disse Rabi Yochanan: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão à semelhança do óleo que está na lâmpada enquanto ela arde, pois, já que foi designado para seu preceito, foi designado para sua proibição.
A Guemará prova que a baraita da sucá decorada segue Rabi Shimon a partir de outro ensinamento paralelo: não se toma madeira da própria sucá em Yom Tov — apenas madeira meramente encostada a ela —, mas Rabi Shimon permite tomar até da própria sucá, caso ela tenha caído; ambos, porém, concordam que, durante a festa de Sucot, a madeira da sucá permanece proibida enquanto dura o preceito de habitá-la, os sete dias inteiros. A explicação final restringe a comparação com o óleo da lâmpada a um ponto específico: o muktzeh criado pela designação a um preceito dura apenas enquanto persiste esse preceito — no óleo, só enquanto arde; na sucá, os sete dias da festa — e não além disso. A mesma regra restritiva sobre o único muktzeh de Rabi Shimon é repetida de forma independente por Rabi Chiya bar Abba, em nome de Rabi Yochanan.
"Mas de onde (se sabe) que essa é Rabi Shimon" — a partir da qual eu te objeto?
"Que ensinou Rabi Chiya... 'não se toma madeira'" — refere-se a Pêssach e Atzeret, de uma sucá feita para sombra, mesmo que já tenha caído, por causa do muktzeh, pois foi designada para desmontar uma tenda em Yom Tov.
"Senão do que está junto a ela" — se encostou feixes de madeira junto à sua parede, não há proibição de muktzeh, pois sua intenção, desde a véspera, era retirá-los no dia seguinte, sem desmontar tenda; e, com este ensinamento de Rabi Chiya bar Yosef, já se poderia ter objetado desde o início, mas prefere-se objetar a partir da baraita de Rabi Chiya e Rabi Oshaya, como se diz em outro lugar (Chulin 141a).
"Mas Rabi Shimon permite" — se ela caiu, pois ele não reconhece muktzeh; e assim a explicamos no tratado Beitzá.
"E concordam, na sucá da festa, durante a festa" — que ela é muktzeh por causa de seu preceito, pois seu preceito dura os sete dias inteiros; o que mostra que, durante todo o tempo de seu preceito, vigora seu muktzeh, ainda que não haja proibição de desmontar.
"À semelhança do óleo, digo eu" — e não por causa de proibição, mas por causa do preceito: pois, já que foi designado para o preceito do Shabat, foi designado por todo o tempo de sua proibição de apagar, e não mais, pois seu preceito só existe enquanto arde; mas, na sucá da festa, seu preceito dura os sete dias inteiros, e sua designação dura todo esse tempo.
Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão figos secos e passas apenas. Mas nada mais? Ora, não se ensinou numa baraita: se alguém estava comendo figos e sobrou, e os levou ao telhado para deles fazer figos secos; ou uvas, e sobrou, e as levou ao telhado para delas fazer passas — não coma até que os designe (novamente). E o mesmo dizes quanto a pêssegos, marmelos e todos os demais tipos de frutas.
Shmuel formula, através de Rav Yehudá, uma regra ainda mais restritiva que a de Rabi Yochanan: para Rabi Shimon, o único caso de muktzeh — fora do óleo da lâmpada — seriam figos secos e passas, isto é, figos e uvas levados ao telhado para secar, que ficam temporariamente impróprios para consumo enquanto não secam. A Guemará objeta com uma baraita que parece estender essa mesma regra a qualquer fruta levada ao telhado com o mesmo propósito — pêssegos, marmelos e outras —, sugerindo que a categoria não se limita a figos e passas, mas abrange qualquer fruta colocada para secar.
"Senão figos secos e passas" — figos secos são figos que se levam ao telhado para secar, e, depois de ficarem ali um pouco, não estão aptos para comer até que sequem; o mesmo com as passas de uvas.
"Estava comendo figos" — ensina-nos algo notável: mesmo que estivesse comendo enquanto os levava, já que os levou para cima, desviou sua atenção deles e os tornou muktzeh.
"Marmelos" — no idioma vernáculo.
"E o mesmo dizes..." — ainda que estas frutas estejam aptas o tempo todo, e mesmo que fiquem ali não se estraguem, contudo, já que a pessoa as tornou muktzeh, são proibidas.
De quem (é esta baraita)? Se dizes que é de Rabi Yehudá — ora, se onde a pessoa não o rejeitou com as próprias mãos ele já reconhece muktzeh, onde o rejeitou com as próprias mãos, não seria com muito mais razão? Mas então, não é de Rabi Shimon?! (Resposta:) na verdade, é de Rabi Yehudá, e era necessário (mencionar o caso) de quem estava comendo. Poderias pensar: já que ele está comendo (as frutas) enquanto vai (subindo ao telhado), não precisaria de nova designação. (Por isso) nos ensina que, já que as levou ao telhado, com isso desviou sua atenção delas.
A Guemará examina de quem é a baraita objetada. Não pode ser de Rabi Yehudá, pois, se ele já reconhece muktzeh onde a pessoa nem sequer rejeitou o objeto ativamente com as mãos, com muito mais razão o reconheceria aqui, onde a fruta foi deliberadamente levada ao telhado — o que tornaria a baraita óbvia demais para precisar ser dita. Parece, então, que deve ser de Rabi Shimon, contradizendo a regra restritiva de Shmuel. A resposta final resolve a dificuldade de outra forma: a baraita é, sim, de Rabi Yehudá, mas seu propósito não é estabelecer a regra geral — óbvia para ele —, e sim o caso específico de quem ia comendo as frutas enquanto as levava ao telhado; poder-se-ia pensar que, por estar comendo, ele não teria desviado sua atenção do restante, dispensando nova designação; a baraita ensina que, mesmo assim, o próprio ato de levá-las ao telhado já basta para tornar necessária uma nova designação antes de comer o restante.
"Se dizes que é Rabi Yehudá" — por que eu precisaria dos casos que menciona, em que a pessoa os rejeitou com as próprias mãos? Mesmo que os tivesse apenas recolhido ao depósito, já precisariam de nova designação.
Perguntou Rabi Shimon bar Rabi a Rabi: …
O daf 45a termina em plena pergunta, de forma interrompida: "perguntou Rabi Shimon bar Rabi a Rabi" — sem que a pergunta em si, tampouco a resposta, sejam registradas antes da virada de folha. A continuação, no início de 45b, revela que a pergunta era sobre datas ainda não maduras, caídas da tamareira ("פַּצְעִילֵי תְמָרָה"): qual é a lei quanto a elas segundo Rabi Shimon? E Rabi responde ali, retomando a fórmula já conhecida: não há muktzeh para Rabi Shimon, senão figos secos e passas apenas — a mesma regra de Shmuel, agora confirmada por Rabi.