Sem qualquer pausa no texto original — mas com uma quebra editorial neste site entre 143a e 143b —, abre-se o Perek Vinte e Dois, Chavit ("o barril"), nome tirado das primeiras palavras de sua mishná. A nova mishná trata de um barril de vinho que se quebra no Shabat: salva-se dele o alimento de três refeições, e a pessoa pode convidar outros a vir salvar também para si, contanto que não se use uma esponja para absorver o vinho derramado, evitando o risco de espremê-la depois. Não se espremem frutas para extrair líquido delas, e o que sai por si mesmo é proibido — mas Rabi Yehuda distingue: se as frutas foram recolhidas para servir de alimento, o que delas sai é permitido, pois falta a satisfação com o líquido que escorreu; se foram recolhidas para servir de líquido, é proibido, pois a intenção original se cumpre. Favos de mel esmagados na véspera do Shabat, cujo mel escorre por si mesmo, são proibidos segundo os Sábios — decreto, por causa dos favos ainda não esmagados —, mas Rabi Eliezer permite, já que não há costume de espremer favos já esmagados. A guemará abre trazendo uma baraita relacionada: não se deve absorver o vinho derramado com esponja, nem dar tapinhas com ela no óleo, para não agir como se age em dia de semana; e outra baraita, sobre frutas espalhadas no pátio, que devem ser recolhidas aos poucos e comidas ali mesmo, nunca recolhidas para dentro de um cesto ou de uma cesta grande. Segue-se um debate sobre o verdadeiro alcance da opinião de Rabi Yehuda quanto a azeitonas e uvas — se ele concorda com os Sábios que o que delas sai é sempre proibido, ou se discorda mesmo nesse caso —, com opiniões de Rav Yehuda em nome de Shmuel, Ula em nome de Rav, Rabi Yochanan e Rabá; a pergunta de Rabi Yirmeya a Rabi Abba sobre o ponto exato da disputa; a sugestão de Rav Nachman bar Yitzchak de que ela recai sobre amoras e romãs; e uma baraita que confirma essa distinção. Por fim, a guemará objeta a partir de uma mishná sobre impureza ritual — o leite da mulher torna impuro tanto por vontade quanto sem vontade, mas o leite do animal só por vontade — e traz o kal vachomer de Rabi Akiva, que os Sábios começam a responder comparando o leite ao sangue de uma ferida; discussão que esta folha deixa em aberto, a ser concluída em Shabat 144a, ainda não publicada neste site.
Abre-se aqui o Perek Vinte e Dois, cujo nome, Chavit ("o barril"), vem das primeiras palavras de sua mishná. Conforme confirmado pela estrutura de capítulos do Sefaria (alt_structs → Chapters), o capítulo se estende de Shabbat 143b:1 a 148a:4. A mishná de abertura trata de um caso concreto e cotidiano — um barril de vinho que se quebra no Shabat — para, a partir dele, discutir os limites de "salvar" alimento e líquido de uma perda iminente, a proibição de espremer frutas para extrair delas líquido, e o caso particular dos favos de mel. A guemará que se segue examina cada cláusula, e logo se estende a um debate mais amplo sobre a extensão da opinião de Rabi Yehuda quanto a azeitonas, uvas, amoras e romãs — debate que termina cruzando com as leis de impureza ritual do leite, humano e animal.
MISHNÁ. Um barril de vinho que se quebrou no Shabat — salva-se dele o alimento de três refeições, e diz-se a outros: "Venham e salvem o vinho derramado para vocês". Contanto que não se absorva o vinho com esponja.
"Mishná: um barril... salva-se dele o alimento de três refeições" — mesmo em muitos utensílios diferentes; pois, quanto a um único utensílio, já dissemos em "Kol Kitvei HaKodesh" (acima, Shabat 120a) que se salva quanto a pessoa quiser.
"Para vocês" — cada um pode salvar o alimento de três refeições para si.
"Contanto que não se absorva" — que não se coloque uma esponja no lugar do vinho derramado, para depois fazê-lo gotejar de volta num utensílio — decreto, para que a pessoa não venha a espremê-la.
A mishná de abertura do novo capítulo trata de uma situação cotidiana: um barril de vinho se quebra no Shabat, e o vinho corre risco de se perder por completo. A lei permite salvar o equivalente a três refeições — o mesmo limite já visto anteriormente para outros casos de perda iminente — e mesmo convidar terceiros a vir salvar cada um sua própria porção, multiplicando, na prática, a quantidade total resgatada. A única restrição: não se pode usar uma esponja para absorver o vinho derramado, pois isso levaria ao risco de, depois, espremê-la para recuperar o líquido absorvido — um ato de "extrair" (mefarek) proibido no Shabat.
Não se espremem as frutas para fazer sair delas líquidos; e, se saíram por si mesmas, são proibidos. Rabi Yehuda diz: se foram recolhidas para servir de alimento — o que sai delas é permitido. E, se foram recolhidas para servir de líquidos — o que sai delas é proibido.
"Não se espremem as frutas" — pois isso é "mefarek" (extrair), derivado (tolada) de debulhar (dash).
"São proibidos" — decreto, para que a pessoa não venha a espremê-las de propósito.
"Rabi Yehuda diz: se para alimento" — essas frutas foram recolhidas com esse propósito, o que sai delas é permitido, pois a pessoa não tem satisfação com o que escorreu, e não há razão para decretar contra elas, por medo de que a pessoa venha a espremê-las.
"E, se para líquidos" — foram recolhidas com esse propósito, são proibidas, pois a pessoa tem satisfação com o que sai delas, e sua intenção se cumpre, e há razão para decretar, por medo de que venha a espremê-las; e assim dissemos no tratado Beitzá, que a razão pela qual os líquidos que escorreram são proibidos é por medo de que se venha a espremer.
A segunda cláusula proíbe, em princípio, espremer frutas no Shabat para extrair delas líquido — trata-se de uma forma de "mefarek", extrair, derivada da categoria proibida de debulhar; e mesmo o líquido que sai por si mesmo, sem intervenção direta, é proibido, por decreto, para que não se venha a espremer de propósito. Rabi Yehuda introduz uma distinção fundada na intenção original de quem recolheu as frutas: se foram guardadas para servir de alimento, o líquido que porventura escorra delas é irrelevante para a pessoa — ela não tinha essa intenção, e por isso não há razão para temer que venha a espremê-las; mas, se foram guardadas justamente para servir de líquido, o que escorre cumpre exatamente sua intenção original, e por isso há todo motivo para o decreto.
Favos de mel que foram esmagados na véspera do Shabat, e o mel saiu por si mesmo — é proibido; e Rabi Eliezer permite.
"Favos de mel" — já que estão esmagados, o mel escorre por si mesmo de dentro da cera, e não há costume de espremê-lo; por isso, Rabi Eliezer permite. E os Sábios proíbem — decreto, por causa dos favos que não estão esmagados, para que a pessoa não venha a esmagá-los.
A terceira cláusula trata de um caso limítrofe: favos de mel já esmagados desde a véspera do Shabat, dos quais o mel escorre sozinho por entre a cera, sem qualquer ação direta no Shabat. Como não há costume de espremer favos já esmagados, Rabi Eliezer os permite, sem qualquer restrição — não há aqui, na prática, risco de que a pessoa venha a espremê-los. Os Sábios discordam, e proíbem, por um decreto preventivo: temem que, ao ver isso permitido, a pessoa confunda esse caso com o dos favos ainda não esmagados, e venha a esmagá-los diretamente no Shabat.
Guemará. Ensinou-se numa baraita: não se absorva o vinho derramado com esponja, nem se dê tapinhas com ela no óleo derramado, para a pessoa não fazer como se costuma fazer em dia de semana. Ensinaram os Sábios numa baraita: espalharam-se para a pessoa frutas no pátio — cata-se pouco a pouco, e come-se; mas não se recolhe para dentro do cesto, nem para dentro da cesta grande, para a pessoa não fazer como se costuma fazer em dia de semana.
"Guemará: nem dê tapinhas" — a pessoa introduz nele , no óleo, a palma da mão, e o óleo gruda nela, e ela o limpa na borda do utensílio; e proibiram isso por ser um ato próprio de dia de semana.
A guemará abre trazendo duas baraitot próximas em espírito à mishná. A primeira estende a preocupação com a esponja também ao óleo: não apenas não se deve absorver o vinho com esponja, como também não se deve dar tapinhas com a mão no óleo derramado — gesto comum em dia de semana, ao limpar a palma na borda do utensílio — pois isso também se enquadra como um ato "próprio de dia de semana", incompatível com o espírito do Shabat. A segunda baraita trata de frutas espalhadas pelo chão do pátio: podem ser catadas e comidas ali mesmo, aos poucos, mas nunca recolhidas para dentro de um cesto ou cesta grande — recipientes que sugeririam uma coleta organizada e sistemática, própria de dias comuns, e não do Shabat.
A Mishná ensinou: "não se espremem as frutas." Disse Rav Yehuda em nome de Shmuel: Rabi Yehuda concordava com os Sábios quanto a azeitonas e uvas , de que o que delas sai é sempre proibido. Qual a razão? Já que a maioria delas se destina à espremedura, a pessoa volta sua intenção para o líquido, mesmo ao recolhê-las para comer. E Ula disse em nome de Rav: Rabi Yehuda discordava mesmo quanto a azeitonas e uvas. E Rabi Yochanan disse: a lei segue Rabi Yehuda quanto às demais frutas, mas a lei não segue Rabi Yehuda quanto a azeitonas e uvas.
"Rabi Yehuda concordava quanto a azeitonas" — pois, ainda que a pessoa as tenha recolhido para servirem de alimento, o que sai delas é proibido, já que a maioria delas se destina à espremedura; assim, quando chegam a se tornar líquido, a pessoa volta sua intenção para isso, e tem satisfação com esse resultado.
"Mesmo quanto a azeitonas e uvas" — diz Ula que Rabi Yehuda discorda dos Sábios, já que estas também foram recolhidas para servirem de alimento , e ainda assim ele as trata como as demais frutas.
A guemará abre um debate sobre até onde vai a distinção de Rabi Yehuda, vista na mishná, entre frutas recolhidas para alimento e frutas recolhidas para líquido. Rav Yehuda, em nome de Shmuel, limita essa distinção: quanto a azeitonas e uvas, mesmo Rabi Yehuda concorda com os Sábios que o líquido que delas sai é sempre proibido, pois a esmagadora maioria delas, de fato, destina-se à extração de óleo e vinho — de modo que, mesmo recolhidas nominalmente "para comer", a intenção real da pessoa já está voltada, em algum nível, para o líquido. Ula, em nome de Rav, nega essa limitação: para ele, Rabi Yehuda mantém sua distinção original mesmo quanto a azeitonas e uvas. Rabi Yochanan fixa a lei prática na direção oposta à posição atribuída a Rabi Yehuda especificamente quanto a azeitonas e uvas, mas a favor de Rabi Yehuda quanto a todas as demais frutas.
Disse Rabá em nome de Rav Yehuda em nome de Shmuel: Rabi Yehuda concordava com os Sábios quanto a azeitonas e uvas, e os Sábios concordavam com Rabi Yehuda quanto às demais frutas.
Rabá transmite a mesma cadeia de tradição — Rav Yehuda em nome de Shmuel —, mas numa formulação mais completa e simétrica: não apenas Rabi Yehuda cede aos Sábios quanto a azeitonas e uvas, como também os Sábios cedem a Rabi Yehuda quanto a todas as outras frutas, aceitando ali sua distinção original entre alimento e líquido. Restava, porém, em aberto, exatamente qual fruta intermediária motivava essa disputa — pergunta que o próximo diálogo levanta diretamente.
Disse Rabi Yirmeya a Rabi Abba: mas então, em que exatamente discordam Rabi Yehuda e os Sábios? Disse-lhe: quando encontrares a resposta, saberás. Disse Rav Nachman bar Yitzchak: é razoável que discordem quanto a amoras e romãs.
"É razoável que discordem quanto a amoras e romãs" — pois há quem as queira para servirem de líquidos; por isso os Sábios as igualam a azeitonas e uvas, e Rabi Yehuda discorda deles. Mas quanto às demais frutas, não há quem as queira para líquidos; por isso os Sábios concordam com Rabi Yehuda quanto a elas.
Rabi Yirmeya formula diretamente a pergunta que a versão de Rabá deixara implícita: se Rabi Yehuda e os Sábios concordam tanto quanto a azeitonas e uvas quanto quanto às demais frutas, sobre que fruta específica ainda discordam? Rabi Abba recusa-se a responder de imediato — "quando encontrares, saberás" —, deixando a questão em aberto até que Rav Nachman bar Yitzchak proponha, com cautela ("é razoável"), amoras e romãs como o caso intermediário: frutas que, como azeitonas e uvas, também costumam ser destinadas à extração de líquido por uma parte considerável das pessoas, mas não pela esmagadora maioria — o suficiente para que os Sábios as tratem com o rigor de azeitonas e uvas, enquanto Rabi Yehuda mantém, mesmo ali, sua distinção baseada na intenção declarada de quem as recolheu.
Pois foi ensinado numa baraita: azeitonas das quais escorreu óleo, e uvas das quais escorreu vinho, e a pessoa as recolheu — seja para alimento, seja para líquidos — o que sai delas é proibido. Amoras das quais escorreu água, e romãs das quais escorreu vinho (seu suco), e a pessoa as recolheu para servirem de alimento — o que sai delas é permitido; para servirem de líquidos, e quando recolhidas sem propósito especificado — o que sai delas é proibido; palavras de Rabi Yehuda. E os Sábios dizem: seja para alimento, seja para líquidos — o que sai delas é proibido.
"Escorreu" — vazou por si mesmo, como na expressão "rios que correm" (acima, Shabat 121a).
"E as recolheu" — desde o início, seja para alimento, seja para líquidos etc.; e chama de "vinho" o que sai das romãs, por terem sabor forte.
"E os Sábios dizem etc." — e o motivo de Rav Nachman bar Yitzchak ter usado a expressão "é razoável", sem dizer explicitamente que discordam quanto a amoras e romãs, é que se poderia dizer que discordam quanto a amoras e romãs, e o mesmo valeria para as demais frutas; e ele as mencionou apenas para dar a conhecer a força da opinião de Rabi Yehuda. E, quanto à baraita que se segue, da qual se ouviria que os Sábios concordam com Rabi Yehuda quanto às demais frutas, não se ouve isso explicitamente, pois se poderia dizer que ela toda é apenas a opinião de Rabi Yehuda, como a guemará objeta sobre ela a seguir.
A baraita confirma exatamente a sugestão de Rav Nachman bar Yitzchak. Quanto a azeitonas e uvas, o que escorre é sempre proibido, sem exceção — mesmo se recolhidas nominalmente para comer, refletindo a posição de Rav Yehuda em nome de Shmuel. Quanto a amoras e romãs, porém, aparece exatamente a distinção original de Rabi Yehuda: se recolhidas para alimento, o líquido que escorre é permitido; se para líquido, ou sem propósito declarado, é proibido. Os Sábios, por sua vez, tratam amoras e romãs com o mesmo rigor de azeitonas e uvas — sempre proibindo o que delas sai, independentemente da intenção declarada.
A guemará objeta: mas será que Rabi Yehuda sustenta que o que sai sem propósito especificado é proibido?! Ora, não ensinamos numa mishná: o leite da mulher torna impuro , capacitando o alimento a receber impureza, seja o que saiu por vontade, seja o que saiu sem vontade; o leite do animal não torna impuro senão quando saiu por vontade?
"Mas será que Rabi Yehuda sustenta que, quando sem propósito especificado" — isto é, que não se especificou se recolhidas para alimento nem para líquido, o líquido que delas escorre seja proibido?
"Ora, não ensinamos: o leite da mulher torna impuro" — ou seja, capacita o alimento a receber impureza, como um dos sete líquidos que a tornam suscetível.
"Por vontade e sem vontade" — seja que saiu dela por vontade, seja que saiu sem vontade; pois o leite é chamado de "líquido", como está dito: "e abriu o odre do leite, e lhe deu de beber" (Juízes 4:19).
A guemará levanta uma dificuldade contra a própria baraita recém-citada: sua cláusula final, sobre amoras e romãs "sem propósito especificado", atribui a Rabi Yehuda a posição de que o resultado não declarado é proibido. Mas isso contradiz outro princípio conhecido, tirado de uma mishná sobre impureza ritual: o leite da mulher torna o alimento suscetível a impureza tanto quando sai por vontade quanto sem vontade — pois o leite, mesmo involuntário, ainda é considerado "líquido" pleno, categoria que capacita receber impureza —, ao passo que o leite do animal só tem esse efeito quando sai por vontade explícita. Se o "não especificado" fosse sempre tratado como proibido ou irrelevante por padrão, essa distinção entre leite humano e animal não faria sentido — sugerindo que, em geral, Rabi Yehuda não trataria o caso não especificado com o mesmo rigor do caso declaradamente "para líquido".
Disse Rabi Akiva: é um caso de kal vachomer (inferência do menor para o maior): se o leite da mulher, que se destina apenas aos pequenos (bebês), torna impuro tanto o que saiu por vontade quanto sem vontade — o leite do animal, que se destina tanto aos pequenos quanto aos grandes, não seria lógico que tornasse impuro tanto por vontade quanto sem vontade? Disseram-lhe: se o leite da mulher é impuro mesmo quando saiu sem vontade, é porque o sangue de sua ferida é impuro , e o leite lhe é equiparado; tornaria impuro o leite do animal pelo mesmo motivo…
"O leite do animal só torna impuro se saiu por vontade" — e, se não, não é considerado líquido, e, se um réptil impuro o tocar, ele não recebe impureza; e a razão se explica logo adiante , na folha seguinte.
"Pois o sangue de sua ferida" — da mulher: se machucou seu pé ou sua mão, e qualquer ferimento do qual saiu sangue dela — como se diz no capítulo "Dam HaNidá" (Nidá 25b): "sangue de mortos por violência" é chamado de líquido, como está dito a seu respeito; e explica-se ali que o sangue de mortos por violência é considerado assim tanto se a pessoa o matou de uma vez quanto pela metade; e o leite é como o sangue de sua ferida, pois o sangue se transforma e se torna leite; e o sangue de sua ferida, via de regra, é derramado sem vontade, e ainda assim é impuro.
"Tornaria impuro o leite do animal , sem vontade" — a resposta continua em tom de pergunta retórica, e conclui-se na folha seguinte: o sangue da ferida do animal é puro, pois o animal não se inclui na categoria de "morto por violência"; mas o sangue do abate capacita o alimento a receber impureza, por ser equiparado à água, como está escrito: "sobre a terra o derramarás como água" (Devarim 12:16).
Rabi Akiva propõe um kal vachomer a partir da mesma mishná citada na objeção: se o leite humano, destinado apenas aos bebês, já torna impuro mesmo quando sai involuntariamente, tanto mais o leite animal — que serve tanto aos filhotes quanto aos adultos — deveria ter o mesmo efeito em ambos os casos. Os Sábios começam a responder distinguindo a razão específica pela qual o leite da mulher tem esse estatuto especial: ele se equipara ao sangue de sua ferida, que é considerado impuro mesmo quando derramado sem intenção, por sua ligação com a categoria de "sangue de mortos por violência". O texto se interrompe exatamente neste ponto — a comparação entre o sangue da ferida da mulher e o sangue (puro) da ferida do animal, e a resposta final ao kal vachomer de Rabi Akiva, ficam para a folha seguinte. Esta sugia sobre impureza do leite, embora tenha surgido como uma simples objeção lateral à baraita sobre amoras e romãs, prossegue e se aprofunda em Shabbat 144a, folha ainda não publicada neste site.