Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Dalet (Shemoneh Sheratzim)
וְאִי לָא — לַיְיתֵי תְּלָתָא קְפִיזֵי שַׁמְכֵי פָרְסָאֵי

Continuação do copo de raízes (kos ikarin) — as cascatas de remédios para a zava e para a icterícia; o episódio do árabe e o jardineiro; o debate sobre a esterilidade incidental

Shabbat 110b · continuação direta de 110a · Perek Yud-Dalet (Shemoneh Sheratzim)

Shabbat 110b continua exatamente de onde 110a foi interrompido, no meio da cascata de remédios do "copo de raízes" (kos ikarin) de Rabi Yochanan: a receita de goma da Alexandria, alúmen e açafrão, usada para a zava e para a icterícia. A palavra solta "três" que fechou 110a se completa aqui em "três vasos de cebolas persas", abrindo uma longa série de remédios alternativos contra a zava, cada um introduzido por "e se não (funcionar)": cebolas persas cozidas em vinho; sentar a mulher numa encruzilhada com um copo de vinho na mão enquanto alguém a assusta por trás; punhados de cominho, açafrão e feno-grego; sessenta tampas de barril amolecidas; a erva pashtina; cinzas de um cardo de sarça romana; sete covas com ramos jovens de vinha orlá queimados, entre as quais a mulher é levantada e sentada; farinha fina; cinzas de ovo de avestruz; um barril de vinho só para ela; e um grão de cevada achado em esterco de mula branca, cujo efeito cresce com os dias em que é segurado. Segue-se uma cascata paralela de remédios para a icterícia: além da mistura original (que causa esterilidade), cabeça de peixe shibuta salgado; salmoura de gafanhotos ou de pássaros pequenos, com banho quente ou o espaço entre o forno e a parede; o conselho de Rabi Yochanan de envolver bem o doente num lençol, ilustrado pela cura de Rav Acha bar Yosef por Rav Kahana; tâmaras persas com cera derretida e aloés vermelho; a sangria de um jumentinho aplicada na cabeça raspada do doente; cabeça de carneiro em conserva; um porco malhado aberto sobre o coração; e alhos-porós do meio do canteiro — este último ilustrado pelo episódio de um árabe doente que trocou seu manto por um canteiro de alhos-porós do jardineiro, e depois lhe pediu o mesmo manto emprestado para dormir, que se desfez pedaço a pedaço com o calor de sua febre, deixando o jardineiro sem nada. A guemará então volta à mistura original da icterícia e questiona sua permissibilidade, já que causa esterilidade: cita a proibição da castração de um homem, derivada por Rabi Chanina de Levítico 22:24, e resolve que o remédio é permitido porque a esterilidade ocorre por si mesma, sem intenção direta de castrar — trazendo como prova o costume de tirar a crista do galo para que ele se "castre" sozinho. Rav Ashi rejeita essa prova, argumentando que a crista apenas afeta a altivez do galo, sem castrá-lo de fato; a guemará conclui então que o remédio da icterícia só é permitido para quem já é castrado. O daf termina interrompido logo no início de uma nova pergunta — "mas não disse Rabi Chiyya bar Abba que disse Rabi Yochanan" — cuja continuação é o ponto de partida de Shabbat 111a, ainda não publicado.

Guemará: continuação do copo de raízes (kos ikarin) — as cascatas de remédios para a zava e a icterícia · וְאִי לָא — לַיְיתֵי תְּלָתָא

531Continuação do copo de raízes para a zava: cebolas persas, o susto na encruzilhada, cominho/açafrão/feno-grego, tampas de barril, pashtina, cinzas de cardo
A guemará (cascata de remédios populares)
קְפִיזֵי שַׁמְכֵי פָרְסָאֵי, וְנִישְׁלוֹק בְּחַמְרָא, וְנַשְׁקְיַיהּ, וְנֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לוֹתְבַהּ אַפָּרָשַׁת דְּרָכִים, וְלַנְקְטַהּ כָּסָא דְחַמְרָא בִּידַהּ, וְלַיְתֵי אִינִישׁ מֵאֲחוֹרַהּ וְלִיבַעֲתַהּ, וְלֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְתֵי בּוּנָא דְכַמּוֹנָא וּבוּנָא דְמוֹרִיקָא וּבוּנָא דְשַׁבְּלִילְתָּא, וְנִישְׁלוֹק בְּחַמְרָא, וְנַשְׁקְיַיהּ, וְנֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְתֵי שִׁיתִּין שִׁיעֵי דְּדַנָּא, וְלַשְׁפְּיַהּ, וְלֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְתֵי פְּשִׁיטְנָא, וְלִישְׁלוֹק בְּחַמְרָא, וְלִשְׁפְּיַהּ, וְנֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְתֵי חַרְנוּגָא דְּהִיגְתָּא רוֹמִיתָא, וְלִיקְלֵי, וְלִיסְּבַהּ בְּשַׁחֲקֵי דְכִיתָּנָא בְּקַיְיטָא וּבְשַׁחֲקֵי דַּעֲמַר גּוּפְנָא בְּסִיתְוָא.

(Que se tragam) vasos (kefizei) de cebolas persas, e as cozinhemos em vinho, e demos a ela de beber, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não (funcionar) — que a sentem numa encruzilhada (parashat drachim), e que ela tome um copo de vinho em sua mão, e que um homem venha por trás dela e a assuste, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um punhado (buna) de cominho, e um punhado de açafrão (morika), e um punhado de feno-grego (shevlilta), e os cozinhemos em vinho, e demos a ela de beber, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se tragam sessenta tampas (shiei) de barril, e as amoleçam, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga pashtina (uma erva), e a cozinhemos em vinho, e a amoleçam, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um cardo (charnuga) de sarça romana (higta romita), e o queimem, e tomem (as cinzas) em trapos de linho no verão e em trapos de lã de algodão no inverno.

Nota

Este beat completa a receita interrompida em 110a: a palavra solta "três" (תְּלָתָא) se completa em "três vasos de cebolas persas". Abre-se então uma longa cascata de remédios populares contra a zava (o fluxo anormal da mulher mencionado desde o daf anterior), cada um introduzido pela fórmula "e se não (funcionar)", já usada nesta sugia para o remédio de icterícia: cebolas persas cozidas em vinho; o susto administrado por trás enquanto a mulher segura um copo de vinho numa encruzilhada; punhados de cominho, açafrão e feno-grego cozidos em vinho; tampas de barril amolecidas; a erva pashtina cozida; e, por fim, as cinzas de um cardo que cresce junto a sarças romanas, guardadas em trapos de linho no verão ou de lã de algodão no inverno. Em cada etapa, repete-se a fórmula de incantação "levanta-te de teu fluxo".

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kefizei", "shamchei", "parsaei", "kum mizuvich", "buna", "morika", "shevalita", "shiei dedana" e "pashtina"
קפזיזי - כלי מחזיק ג' לוגין: שמכי - בצלים: פרסאי - גדולים הם: קום מזוביך - חדלי מזוביך כמו ויעמוד השמן (מלכים ב ד): וליבעתה - יבעתנה בלי ידיעתה פתאום: בונא - מלא אגרוף: מוריקא - כרכום: שבליתא - תלתן פנגרי"ג: שיעי דדנא - מגופת חבית: ולשייפיה - לכשישורו במים: פשטינא - עשב שאינו גדל בקומה אלא הולך ופשט על גבי קרקע: חרנוגא - מין עשב הוא שגדל אצל ההיגים: היגתא רומיתא - מין הגא הוא שנקראת רומי"ת: וליסבה בשחקי דכיתנא - יקחו אותו האפר בבלאי בגדי פשתן בקיץ: דעמר גופנא - קוטו"ן:

"'Kefizei'" — recipiente que contém três logim. "'Shamchei'" — cebolas. "'Persaei'" — são grandes. "'Levanta-te de teu fluxo'" — cessa teu fluxo, como "e o azeite parou" (Reis II 4:6). "'E o assuste'" — que a assuste sem que ela saiba, de repente. "'Buna'" — um punhado cheio. "'Morika'" — açafrão. "'Shevalita'" — feno-grego, "fenugrec" em francês antigo. "'Tampas de barril'" — tampas de barril. "'E as amoleçam'" — quando estiverem de molho na água. "'Pashtina'" — erva que não cresce em altura, mas se estende sobre o solo. "'Charnuga'" — espécie de erva que cresce junto às sarças (higim). "'Higta romita'" — espécie de sarça chamada "romit". "'E tomem (as cinzas) em trapos de linho'" — que tomem essa cinza em trapos velhos de roupa de linho no verão. "'De lã de algodão'" — algodão, "coton" em francês antigo.

532Mais remédios para a zava: as sete covas com ramos de orlá, farinha fina, cinzas de ovo de avestruz, barril de vinho, o grão de cevada no esterco de mula branca
A guemará (cascata de remédios populares)
וְאִי לָא — לִיכְרֵי שְׁבַע בֵּירֵי, וְלִיקְלֵי בְּהוּ שְׁבִישָׁתָא (יַלְדָּה) דְעׇרְלָה, וְלַינְקְטַהּ כָּסָא דְחַמְרָא בִּידַהּ, וְלוֹקְמַהּ מֵהָא וְלוֹתְבַהּ אַהָא, וְלוֹקְמַהּ מֵהָא וְלוֹתְבַהּ אַהָא, וְאַכֹּל חֲדָא וַחֲדָא לֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְיתֵי סְמִידָא, וְלֵיסְכַהּ מִפַּלְגָא לְתַתַּאי, וְלֵימָא לַהּ: קוּם מִזּוֹבִיךְ. וְאִי לָא — לַיְתֵי בֵּיעֲתָא דְנַעָמִיתָא, וְלִיקְלֵי, וְלִיסְּבַהּ בְּשַׁחֲקֵי דְכִיתָּנָא בְּקַיְיטָא וּבְשַׁחֲקֵי דַעֲמַר גּוּפְנָא בְּסִיתְוָא. וְאִי לָא — לִיפְתַּח לַהּ חָבִיתָא דְחַמְרָא לִשְׁמַהּ. וְאִי לָא — לִנְקִיט שְׂעָרְתָּא דְּמִשְׁתַּכְחָא בִּכְפוּתָא דְּכוּדַנְיָא חִיוָּרְתָּא, אִי נָקְטָה חַד יוֹמָא — פָּסְקָה תְּרֵי יוֹמֵי, וְאִי נָקְטָה תְּרֵי יוֹמֵי — פָּסְקָה תְּלָתָא יוֹמֵי, וְאִי נָקְטָה תְּלָתָא יוֹמֵי — פָּסְקָה לְעוֹלָם.

E se não — que se cavem sete covas, e que se queimem nelas ramos (jovens) de vinha orlá, e que ela tome um copo de vinho em sua mão, e a levantem desta (cova) e a sentem nesta, e a levantem desta e a sentem nesta (outra), e a cada uma (das covas) digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga farinha fina (semida), e a untem da metade (do corpo) para baixo, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um ovo de avestruz, e o queimem, e tomem (as cinzas) em trapos de linho no verão e em trapos de lã de algodão no inverno. E se não — que se abra para ela um barril de vinho só para ela. E se não — que se tome um grão de cevada que se encontra no esterco de uma mula branca; se o segurou um dia, cessa (o fluxo) por dois dias; e se o segurou dois dias, cessa por três dias; e se o segurou três dias, cessa para sempre.

Nota

A cascata de remédios para a zava continua com procedimentos ainda mais elaborados: cavar sete covas e nelas queimar ramos jovens de uma vinha ainda em orlá (proibida para uso comum, mas aqui permitida como remédio, já que não é ingerida), enquanto a mulher, segurando um copo de vinho, é levantada e sentada de cova em cova, repetindo-se a incantação a cada movimento. Seguem-se farinha fina aplicada da cintura para baixo, cinzas de ovo de avestruz guardadas em trapos conforme a estação, um barril de vinho aberto só para ela, e por fim um remédio cujo efeito é cumulativo: um grão de cevada achado no esterco de uma mula branca, cujo poder de interromper o fluxo aumenta progressivamente conforme o número de dias em que é seguro na mão, até cessar para sempre depois de três dias.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "lichrei shva birei", "shevishta de'orla", "veliyinketah casa dechamra", "kamcha desemida" e "shaarta demishtakcha"
ליכרי שב בירי - שבעה גומות: שבישתא דערלה - זמורות של כרם ילדה: ולינקטה כסא דחמרא - יאחוז כוס של יין בידה ותשב על הגומא: ולוקמה מהא - מעל גומא זו יושיבוה על זו ועל כל עמידה נימא לה קום מזוביך: קמחא דסמידא - קמח סולת: וליסכה - יסוכו אותה ממנו: דנעמיתא - בת היענה: ליפתח לה חביתא דחמרא לשמה - כלומר יין הרבה תשתה תמיד: שערתא דמשתכח בכפותא דכודנא חיורתי - שעורה הנמצאת בגללי פרדה לבנה: אי נקטא - לה בידה חד יומא פסקה מזובה תרי יומא אית דגרס נקטה חדא נימא גרעין אחד:

"'Que se cavem sete covas (birei)'" — sete buracos. "'Ramos de orlá'" — sarmentos de uma vinha jovem, ainda em orlá. "'E que ela tome um copo de vinho'" — que segure um copo de vinho em sua mão e se sente sobre a cova. "'E a levantem desta'" — desta cova a sentem sobre aquela outra, e a cada levantada digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. "'Semida'" — farinha fina (de sêmola). "'E a untem'" — que a untem com ela. "'De avestruz (naamita)'" — filha da avestruz. "'Que se abra para ela um barril de vinho só para ela'" — isto é, que beba muito vinho continuamente. "'Grão de cevada que se encontra no esterco de mula branca'" — a cevada que se encontra no esterco de uma mula branca. "'Se o segurou'" — em sua mão um dia, cessa seu fluxo por dois dias; há quem tenha a lição "segurou um" — isto é, um único grão.

533O remédio da icterícia (duas medidas com cerveja, com esterilidade); alternativas: cabeça de shibuta, salmoura de gafanhotos ou de pássaros, a casa de banhos; Rabi Yochanan sobre o lençol; a cura de Rav Acha bar Yosef por Rav Kahana
A guemará; Rabi Yochanan
לְיַרְקוֹנָא תְּרֵין בְּשִׁיכְרָא, וּמִיעֲקַר. וְאִי לָא — לַיְיתֵי רֵישָׁא דְשִׁיבּוּטָא דְּמִילְחָא וְלִישְׁלוֹק בְּשִׁיכְרָא, וְלִישְׁתֵּי. וְאִי לָא — לַיְיתֵי מוֹנִינֵי דְקַמְצֵי. וְאִי לֵיכָּא מוֹנִינֵי דְקַמְצֵי — לַיְיתֵי מוֹנִינֵי דִּנְקִירֵי, וְלִיעַיְילֵיהּ לְבֵי בָנֵי וְלִישְׁפְּיֵיהּ. וְאִי לֵיכָּא בֵּי בָנֵי — לוֹקְמֵיהּ בֵּין תַּנּוּרָא לְגוּדָּא. אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: הָרוֹצֶה שֶׁיְּחַמְּמֶנּוּ — יְקַנְּחֶנּוּ בִּסְדִינוֹ. רַב אַחָא בַּר יוֹסֵף חַשׁ בֵּיהּ, עֲבַד לֵיהּ רַב כָּהֲנָא, וְאִיתַּסִּי.

Para a icterícia, duas (medidas) com cerveja, e (a pessoa) se torna estéril. E se não (funcionar) — que se traga a cabeça de um peixe shibuta salgado, e a cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga salmoura de gafanhotos (monine dekamtzei). E se não houver salmoura de gafanhotos — que se traga salmoura de pássaros pequenos (nekirei), e que (o doente) entre na casa de banhos, e se unte com ela. E se não houver casa de banhos — que o coloquem entre o forno e a parede. Disse Rabi Yochanan: quem quiser aquecê-lo, que o enxugue (envolva bem) em seu lençol. Rav Acha bar Yossef sofria disso, Rav Kahana fez isso a ele, e ele se curou.

Nota

A guemará retoma o remédio da icterícia já mencionado (a mistura de goma, alúmen e açafrão com cerveja, que causa esterilidade) e abre para ela também uma cascata de alternativas: a cabeça de um peixe shibuta salgado cozida em cerveja; salmoura de gafanhotos, ou, na falta dela, salmoura de pássaros pequenos, aplicada num banho quente; e, na falta de casa de banhos, o simples calor do espaço entre o forno e a parede, para suar e expelir a doença. Rabi Yochanan acrescenta uma instrução geral para aquecer o doente — envolvê-lo bem apertado num lençol —, ilustrada por um caso concreto: Rav Acha bar Yossef, doente de icterícia, foi tratado por Rav Kahana com este remédio do lençol, e se curou.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "leyarkona terein", "ve'i la layetei risha deshibuta", "monine dekamtzei", "bein tanura legudra" e "yekancheno bisdino"
לירקונא - דאמרן לעיל קומא וגביא גילא וכורכמא תרי בשיכרא ומיעקר: ואי לא - דלית ליה אי נמי עביד ולא אהני: רישא דשיבוטא - ראש דג ששמו שיבוטא: דמילחא - שהוא מלוח: מוניני דקמצי - ציר חגבים: דנקירי - מין עופות קטנים: ולישייפיה - ישפשפוהו בו: בין תנור לגודא - בין תנור לכותל במקום חם שיזיע ויצא החולי: הרוצה שיחממנו - לזה: יקנחנו בסדינו - יעטפנו בסדינו יפה או בסדין של חולה אחר של חולי זה: עבד ליה רב כהנא - רפואה זו של סדין:

"'Para a icterícia'" — as substâncias que dissemos acima, goma, alúmen e açafrão, duas medidas com cerveja, e se torna estéril. "'E se não'" — não as tiver, ou ainda que as tenha feito e não tenham funcionado. "'Cabeça de shibuta'" — cabeça de um peixe chamado shibuta. "'Salgado'" — que está salgado. "'Salmoura de gafanhotos'" — salmoura de gafanhotos. "'De nekirei'" — espécie de pássaros pequenos. "'E se unte'" — que se esfregue com ela. "'Entre o forno e a parede'" — entre o forno e a parede, em lugar quente, para que sue e a doença saia. "'Quem quiser aquecê-lo'" — a este doente. "'Que o enxugue em seu lençol'" — que o envolva bem em seu lençol, ou no lençol de outro doente desta mesma doença. "'Rav Kahana fez-lhe'" — este remédio do lençol.

534Mais remédios para a icterícia: tâmaras persas com cera e aloés, a sangria do jumentinho, cabeça de carneiro em conserva, o porco malhado, os alhos-porós do meio do canteiro
A guemará (cascata de remédios populares)
וְאִי לָא — לַיְתֵי תְּלָתָא קְפִיזִי תַּמְרֵי פָּרְסְיָיתָא, וּתְלָתָא קְפִיזֵי דְקִירָא דְּנִישְׁתְּרוּפֵי, וּתְלָתָא קְפִיזֵי אַהֲלָא תּוֹלְעָנָא, וְלִישְׁלוֹקִינְהוּ בְּשִׁיכְרָא, וְלִישְׁתֵּי. וְאִי לָא — לַיְתֵי עִילָא בַּר חֲמָרָא, וְלִיגַלַּח מְצִיעֲתָא דְרֵישָׁא, וְלִישְׁבּוֹק לֵיהּ דְּמָא מֵאַפּוּתֵיהּ, וְלוֹתְבֵיהּ אַרֵישֵׁיהּ, וְלִיזְדְּהַר מֵעֵינֵיהּ דְּלָא לִיסַּמֵּי לְהוּ. וְאִי לָא — לַיְתֵי רֵישָׁא דְּבַרְחָא דְּמַנַּח בְּכִיבְשָׁא, וְלִישְׁלוֹק בְּשִׁיכְרָא, וְלִישְׁתֵּי. וְאִי לָא — לַיְתֵי דָּבָר אַחֵר חוּטְרָנָא, וְלִיקְרְעֵיהּ, וְלוֹתְבֵיהּ אַלִּיבֵּיהּ. וְאִי לָא — לַיְתֵי כַּרָּתֵי מִכַּבְתְּוָתָא דְּמֵישָׁרֵי.

E se não — que se tragam três vasos de tâmaras persas, e três vasos de cera derretida (kira denishterufei), e três vasos de aloés vermelho (ahala tolana), e os cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga um jumentinho (ila bar chamara), e raspem o meio de sua cabeça, e tirem sangue de sua testa, e o coloquem sobre a cabeça dele (do doente); e que se cuide com seus olhos, para que não os cegue. E se não — que se traga uma cabeça de carneiro que está em conserva (bekivsha), e a cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga outra coisa (davar acher), isto é, um porco malhado (chutrana), e o rasguem, e o coloquem sobre seu coração. E se não — que se tragam alhos-porós (karatei) do meio do canteiro (mikavtevata demeisharei).

Nota

A cascata de remédios para a icterícia prossegue com preparados cada vez mais extremos: tâmaras persas cozidas com cera derretida e aloés vermelho em cerveja; a sangria de um jumentinho, cujo sangue, tirado de sua testa depois de se raspar o meio da cabeça, é aplicado sobre a cabeça raspada do próprio doente (com o cuidado explícito de não deixá-lo entrar nos olhos, sob risco de cegueira); uma cabeça de carneiro em conserva cozida em cerveja; e, com o eufemismo "outra coisa" (davar acher, usado no Talmud para evitar nomear diretamente o animal impuro), um porco malhado, aberto e colocado sobre o coração do doente. A cascata termina com alhos-porós retirados do meio do canteiro, por serem mais picantes — remédio cuja aplicação prática é ilustrada no episódio seguinte.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kira denishterufei", "ahala tolana", "ila bar chamara", "risha deverach" e "davar acher chutrana"
קירא דנישתרופי - שעוה הצפה ונוטפת מכוורת שנתמלאה ועודפת: אהלא - אלויין: תולענא - אדום: עילא בר חמרא - עייר בן אתונות: וליגלח - החולה: מציעתא דרישיה - אמצעית ראשו: ולישבוק ליה דמא מאפותיה - יקיז לעייר ממצחו: ולותביה ארישיה - ישפך הדם על התגלחת: ולזדהר מעיניה - שלא יכנס מדם זה בעיניו: רישא דברחא - של איל: דמנח בכבשא - כבוש בחומץ או בציר: דבר אחר חוטרנא - חזיר טלוא בחברבורות מנומר: מכבתותא דמישרי - מאמצע הערוגה שהם חריפים:

"'Cera derretida (kira denishterufei)'" — a cera que flutua e goteja de uma colmeia que se encheu e transborda. "'Ahala'" — aloés. "'Tolana'" — vermelho. "'Ila bar chamara'" — um jumentinho, filhote de jumentas. "'E raspem'" — o doente (raspe a cabeça do animal). "'O meio de sua cabeça'" — o meio da cabeça do jumentinho. "'E tirem sangue de sua testa'" — que sangrem o jumentinho de sua testa. "'E o coloquem sobre a cabeça dele'" — que se derrame o sangue sobre a raspagem do doente. "'E que se cuide com seus olhos'" — para que não entre desse sangue em seus olhos. "'Cabeça de carneiro (barcha)'" — de carneiro. "'Que está em conserva'" — em conserva de vinagre ou de salmoura. "'Outra coisa, chutrana'" — porco malhado, com manchas, listrado. "'Do meio do canteiro'" — do meio do canteiro, pois são mais picantes.

535O episódio do árabe e o jardineiro: a troca do canteiro de alhos-porós pelo manto que se desfez no calor da febre
A guemará (episódio ilustrativo)
הָהוּא טַיָּיעָא דְּחַשׁ בֵּיהּ, אֲמַר לֵיהּ לְגִינַּאי: שְׁקוֹל גְּלִימַאי וְהַב לִי מֵישָׁרָא דְכַרָּתֵי. יְהַב לֵיהּ וְאַכְלַהּ. אֲמַר לֵיהּ: אוֹשְׁלַן גְּלִימָיךְ וְאֶיגְנֵי בֵּיהּ קַלִּי. אִיכְּרַךְ גְּנָא בֵּיהּ. כַּד אִיחַמַּם וְקָם, נְפַל פּוּרְתָּא פּוּרְתָּא מִינֵּיהּ.

Certo árabe (taaya) sofria disso (icterícia). Disse ele ao jardineiro (ginai): toma meu manto (gelimai) e dá-me um canteiro de alhos-porós. (O jardineiro) deu-lhe, e ele o comeu. Disse-lhe (o árabe): empresta-me teu manto e dormirei nele um pouco. (O jardineiro deu-lhe,) se enrolou nele e dormiu. Quando esquentou e se levantou, caiu (o manto) pedaço a pedaço dele.

Nota

A guemará ilustra o remédio dos alhos-porós com um episódio concreto e algo cômico: um árabe doente de icterícia troca seu próprio manto por um canteiro inteiro de alhos-porós do jardineiro, e o come — aplicando o remédio da beat anterior. Em seguida, ainda com a febre alta da doença, pede ao mesmo jardineiro que lhe empreste de volta o manto (que já lhe pertencia por direito) para dormir um pouco. O calor intenso de seu corpo febril, saindo em suor, consome o tecido do manto, que se desfaz pedaço a pedaço quando ele se levanta — de modo que o jardineiro, que já havia dado o canteiro de graça, acaba também sem o manto, tendo sido enganado duas vezes.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "oshlan gelimach", "ve'igenei bah", "kali" e "nafal purta purta"
אושלן גלימיך - השאילני הטלית: ואיגני בה - ואישן בה: קלי - מעט: איכריך גנא - נכרך בה וישן בה: נפל פורתא פורתא - קדחה הטלית מחום שריפת החולי שיצא עם הזיעה ונפלה חתיכות דקות:

"'Empresta-me teu manto'" — empresta-me o manto. "'E dormirei nele'" — e dormirei nele. "'Um pouco (kali)'" — pouco tempo. "'Se enrolou e dormiu'" — se enrolou nele e dormiu nele. "'Caiu pedaço a pedaço'" — o manto se consumiu do calor ardente da doença que saiu com o suor, e caiu em pedaços pequenos.

536A guemará pergunta se é permitido causar esterilidade; a proibição da castração segundo Rabi Chanina; a resposta de que ocorre por si mesmo; a prova do galo e sua rejeição por Rav Ashi; conclusão: só para quem já é castrado
A guemará; Rabi Chanina; Rabi Yochanan; Rav Ashi
לְיַרְקוֹנָא תְּרֵין בְּשִׁיכְרָא, וּמִיעֲקַר. וּמִי שְׁרֵי? וְהָתַנְיָא, מִנַּיִין לַסֵּירוּס בָּאָדָם שֶׁהוּא אָסוּר — תַּלְמוּד לוֹמַר: ״וּבְאַרְצְכֶם לֹא תַעֲשׂוּ״ — בָּכֶם לֹא תַעֲשׂוּ, דִּבְרֵי רַבִּי חֲנִינָא. הָנֵי מִילֵּי — הֵיכָא דְּקָא מִיכַּוֵּין, הָכָא — מֵעַצְמוֹ הוּא. דְּאָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: הָרוֹצֶה שֶׁיְּסָרֵס תַּרְנְגוֹל — יִטּוֹל כַּרְבׇּלְתּוֹ, וּמִסְתָּרֵס מֵאֵלָיו. וְהָאָמַר רַב אָשֵׁי: רָמוּת רוּחָא הוּא דִּנְקִיטָא לֵיהּ. אֶלָּא בְּסָרִיס.

Para a icterícia, duas (medidas) com cerveja, e (a pessoa) se torna estéril. E isso é permitido? Mas não foi ensinado (numa baraita): de onde (se aprende) que a castração de um homem é proibida? O texto ensina: "e em vossa terra não fareis" (Levítico 22:24) — em vós (mesmos) não fareis; palavras de Rabi Chanina. Isso se aplica onde há intenção (de castrar); aqui, (na icterícia,) é por si mesmo (que ocorre). Como disse Rabi Yochanan: quem quiser castrar um galo, que lhe tire a crista, e ele se castra por si mesmo. Mas não disse Rav Ashi: é (apenas) altivez (ramut rucha) que lhe é tirada? Mas, sim: (o remédio é permitido apenas) para um (que já é) castrado.

Nota

Voltando ao remédio original da icterícia, a guemará levanta uma objeção legal: como pode ser permitido um remédio que causa esterilidade, se uma baraita ensina, em nome de Rabi Chanina, que a castração de um homem é proibida por derivação de Levítico 22:24 ("e em vossa terra não fareis", entendido como referência ao próprio corpo)? A resposta distingue entre castrar com intenção direta — proibido — e um efeito colateral que "ocorre por si mesmo", sem intenção de castrar, como no caso do remédio da icterícia. Como prova desse princípio, cita-se o costume de tirar a crista de um galo para que ele se torne infértil por si mesmo, sem um ato direto de castração. Mas a guemará rejeita essa prova com a objeção de Rav Ashi: tirar a crista do galo não o castra de fato, apenas lhe tira a altivez (fazendo-o ficar deprimido e deixar de copular), o que é categoricamente diferente de uma castração real. A guemará conclui, então, de forma mais restritiva: o remédio da icterícia com esse efeito colateral só é permitido para quem já é castrado, de modo que a esterilidade não constitui, para ele, uma mudança real de condição.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "umi sherei", "lo taasu", "umistares me'elav", "veha amar rav ashi" e "ela besaris"
ומי שרי - לשתות כוס עיקרין: לא תעשו - קרי ביה לא תיעשו: ומסתרס מאליו - ואע"ג דסירוס אסור בידים: והא אמר רב אשי - דההוא לאו סירוס הוא אלא רמות רוחא נקיטא ליה לתרנגול ומשניטל הודו הוא מתאבל ואינו משמש אבל בסירוס אפילו ממילא אסור: אלא בסריס - הך דשרי למישתי כוס של עיקרין במי שהוא סריס כבר עסקינן:

"'E é permitido?'" — beber o copo de raízes. "'Não fareis'" — lê-se (também) "não vos façais", na forma reflexiva. "'E se castra por si mesmo'" — ainda que a castração (direta) seja proibida com as próprias mãos. "'Mas não disse Rav Ashi'" — que aquilo não é castração, mas sim que é a altivez que domina o galo (por causa de sua crista), e quando lhe é tirado o esplendor, ele fica abatido e não copula; mas na (verdadeira) castração, mesmo a que ocorre por si mesma, é proibida. "'Mas, para um castrado'" — aquilo que é permitido beber o copo de raízes, tratamos de alguém que já é castrado.

537Abertura de uma nova pergunta de Rabi Chiyya bar Abba em nome de Rabi Yochanan — texto interrompido
A guemará; Rabi Chiyya bar Abba; Rabi Yochanan
וְהָאָמַר רַבִּי חִיָּיא בַּר אַבָּא אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן:

Mas não disse Rabi Chiyya bar Abba que disse Rabi Yochanan:

Nota

Concluída a discussão sobre a permissibilidade do remédio da icterícia, a guemará abre uma nova objeção ou tradição, introduzida pela fórmula usual "mas não disse (fulano) que disse (fulano)", citando Rabi Chiyya bar Abba em nome de Rabi Yochanan. O texto se interrompe imediatamente após a atribuição, antes de qualquer conteúdo ser citado — não há, portanto, Rashi disponível para este segmento, pois o comentário só viria sobre o conteúdo ainda por vir. O assunto dessa nova citação de Rabi Yochanan, e sua relação com o debate sobre esterilidade e castração que a precede, ficam para a continuação em Shabbat 111a, ainda não publicado.

O daf termina aqui, no meio de uma nova pergunta introduzida por "וְהָאָמַר רַבִּי חִיָּיא בַּר אַבָּא אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן" ("mas não disse Rabi Chiyya bar Abba que disse Rabi Yochanan"), logo após a conclusão do debate sobre a permissibilidade do remédio da icterícia (permitido apenas para quem já é castrado). O conteúdo dessa citação de Rabi Yochanan, e o que se segue, são o ponto de partida de Shabbat 111a, ainda não publicado.