Shabbat 110b continua exatamente de onde 110a foi interrompido, no meio da cascata de remédios do "copo de raízes" (kos ikarin) de Rabi Yochanan: a receita de goma da Alexandria, alúmen e açafrão, usada para a zava e para a icterícia. A palavra solta "três" que fechou 110a se completa aqui em "três vasos de cebolas persas", abrindo uma longa série de remédios alternativos contra a zava, cada um introduzido por "e se não (funcionar)": cebolas persas cozidas em vinho; sentar a mulher numa encruzilhada com um copo de vinho na mão enquanto alguém a assusta por trás; punhados de cominho, açafrão e feno-grego; sessenta tampas de barril amolecidas; a erva pashtina; cinzas de um cardo de sarça romana; sete covas com ramos jovens de vinha orlá queimados, entre as quais a mulher é levantada e sentada; farinha fina; cinzas de ovo de avestruz; um barril de vinho só para ela; e um grão de cevada achado em esterco de mula branca, cujo efeito cresce com os dias em que é segurado. Segue-se uma cascata paralela de remédios para a icterícia: além da mistura original (que causa esterilidade), cabeça de peixe shibuta salgado; salmoura de gafanhotos ou de pássaros pequenos, com banho quente ou o espaço entre o forno e a parede; o conselho de Rabi Yochanan de envolver bem o doente num lençol, ilustrado pela cura de Rav Acha bar Yosef por Rav Kahana; tâmaras persas com cera derretida e aloés vermelho; a sangria de um jumentinho aplicada na cabeça raspada do doente; cabeça de carneiro em conserva; um porco malhado aberto sobre o coração; e alhos-porós do meio do canteiro — este último ilustrado pelo episódio de um árabe doente que trocou seu manto por um canteiro de alhos-porós do jardineiro, e depois lhe pediu o mesmo manto emprestado para dormir, que se desfez pedaço a pedaço com o calor de sua febre, deixando o jardineiro sem nada. A guemará então volta à mistura original da icterícia e questiona sua permissibilidade, já que causa esterilidade: cita a proibição da castração de um homem, derivada por Rabi Chanina de Levítico 22:24, e resolve que o remédio é permitido porque a esterilidade ocorre por si mesma, sem intenção direta de castrar — trazendo como prova o costume de tirar a crista do galo para que ele se "castre" sozinho. Rav Ashi rejeita essa prova, argumentando que a crista apenas afeta a altivez do galo, sem castrá-lo de fato; a guemará conclui então que o remédio da icterícia só é permitido para quem já é castrado. O daf termina interrompido logo no início de uma nova pergunta — "mas não disse Rabi Chiyya bar Abba que disse Rabi Yochanan" — cuja continuação é o ponto de partida de Shabbat 111a, ainda não publicado.
(Que se tragam) vasos (kefizei) de cebolas persas, e as cozinhemos em vinho, e demos a ela de beber, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não (funcionar) — que a sentem numa encruzilhada (parashat drachim), e que ela tome um copo de vinho em sua mão, e que um homem venha por trás dela e a assuste, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um punhado (buna) de cominho, e um punhado de açafrão (morika), e um punhado de feno-grego (shevlilta), e os cozinhemos em vinho, e demos a ela de beber, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se tragam sessenta tampas (shiei) de barril, e as amoleçam, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga pashtina (uma erva), e a cozinhemos em vinho, e a amoleçam, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um cardo (charnuga) de sarça romana (higta romita), e o queimem, e tomem (as cinzas) em trapos de linho no verão e em trapos de lã de algodão no inverno.
Este beat completa a receita interrompida em 110a: a palavra solta "três" (תְּלָתָא) se completa em "três vasos de cebolas persas". Abre-se então uma longa cascata de remédios populares contra a zava (o fluxo anormal da mulher mencionado desde o daf anterior), cada um introduzido pela fórmula "e se não (funcionar)", já usada nesta sugia para o remédio de icterícia: cebolas persas cozidas em vinho; o susto administrado por trás enquanto a mulher segura um copo de vinho numa encruzilhada; punhados de cominho, açafrão e feno-grego cozidos em vinho; tampas de barril amolecidas; a erva pashtina cozida; e, por fim, as cinzas de um cardo que cresce junto a sarças romanas, guardadas em trapos de linho no verão ou de lã de algodão no inverno. Em cada etapa, repete-se a fórmula de incantação "levanta-te de teu fluxo".
"'Kefizei'" — recipiente que contém três logim. "'Shamchei'" — cebolas. "'Persaei'" — são grandes. "'Levanta-te de teu fluxo'" — cessa teu fluxo, como "e o azeite parou" (Reis II 4:6). "'E o assuste'" — que a assuste sem que ela saiba, de repente. "'Buna'" — um punhado cheio. "'Morika'" — açafrão. "'Shevalita'" — feno-grego, "fenugrec" em francês antigo. "'Tampas de barril'" — tampas de barril. "'E as amoleçam'" — quando estiverem de molho na água. "'Pashtina'" — erva que não cresce em altura, mas se estende sobre o solo. "'Charnuga'" — espécie de erva que cresce junto às sarças (higim). "'Higta romita'" — espécie de sarça chamada "romit". "'E tomem (as cinzas) em trapos de linho'" — que tomem essa cinza em trapos velhos de roupa de linho no verão. "'De lã de algodão'" — algodão, "coton" em francês antigo.
E se não — que se cavem sete covas, e que se queimem nelas ramos (jovens) de vinha orlá, e que ela tome um copo de vinho em sua mão, e a levantem desta (cova) e a sentem nesta, e a levantem desta e a sentem nesta (outra), e a cada uma (das covas) digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga farinha fina (semida), e a untem da metade (do corpo) para baixo, e digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. E se não — que se traga um ovo de avestruz, e o queimem, e tomem (as cinzas) em trapos de linho no verão e em trapos de lã de algodão no inverno. E se não — que se abra para ela um barril de vinho só para ela. E se não — que se tome um grão de cevada que se encontra no esterco de uma mula branca; se o segurou um dia, cessa (o fluxo) por dois dias; e se o segurou dois dias, cessa por três dias; e se o segurou três dias, cessa para sempre.
A cascata de remédios para a zava continua com procedimentos ainda mais elaborados: cavar sete covas e nelas queimar ramos jovens de uma vinha ainda em orlá (proibida para uso comum, mas aqui permitida como remédio, já que não é ingerida), enquanto a mulher, segurando um copo de vinho, é levantada e sentada de cova em cova, repetindo-se a incantação a cada movimento. Seguem-se farinha fina aplicada da cintura para baixo, cinzas de ovo de avestruz guardadas em trapos conforme a estação, um barril de vinho aberto só para ela, e por fim um remédio cujo efeito é cumulativo: um grão de cevada achado no esterco de uma mula branca, cujo poder de interromper o fluxo aumenta progressivamente conforme o número de dias em que é seguro na mão, até cessar para sempre depois de três dias.
"'Que se cavem sete covas (birei)'" — sete buracos. "'Ramos de orlá'" — sarmentos de uma vinha jovem, ainda em orlá. "'E que ela tome um copo de vinho'" — que segure um copo de vinho em sua mão e se sente sobre a cova. "'E a levantem desta'" — desta cova a sentem sobre aquela outra, e a cada levantada digamos-lhe: levanta-te de teu fluxo. "'Semida'" — farinha fina (de sêmola). "'E a untem'" — que a untem com ela. "'De avestruz (naamita)'" — filha da avestruz. "'Que se abra para ela um barril de vinho só para ela'" — isto é, que beba muito vinho continuamente. "'Grão de cevada que se encontra no esterco de mula branca'" — a cevada que se encontra no esterco de uma mula branca. "'Se o segurou'" — em sua mão um dia, cessa seu fluxo por dois dias; há quem tenha a lição "segurou um" — isto é, um único grão.
Para a icterícia, duas (medidas) com cerveja, e (a pessoa) se torna estéril. E se não (funcionar) — que se traga a cabeça de um peixe shibuta salgado, e a cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga salmoura de gafanhotos (monine dekamtzei). E se não houver salmoura de gafanhotos — que se traga salmoura de pássaros pequenos (nekirei), e que (o doente) entre na casa de banhos, e se unte com ela. E se não houver casa de banhos — que o coloquem entre o forno e a parede. Disse Rabi Yochanan: quem quiser aquecê-lo, que o enxugue (envolva bem) em seu lençol. Rav Acha bar Yossef sofria disso, Rav Kahana fez isso a ele, e ele se curou.
A guemará retoma o remédio da icterícia já mencionado (a mistura de goma, alúmen e açafrão com cerveja, que causa esterilidade) e abre para ela também uma cascata de alternativas: a cabeça de um peixe shibuta salgado cozida em cerveja; salmoura de gafanhotos, ou, na falta dela, salmoura de pássaros pequenos, aplicada num banho quente; e, na falta de casa de banhos, o simples calor do espaço entre o forno e a parede, para suar e expelir a doença. Rabi Yochanan acrescenta uma instrução geral para aquecer o doente — envolvê-lo bem apertado num lençol —, ilustrada por um caso concreto: Rav Acha bar Yossef, doente de icterícia, foi tratado por Rav Kahana com este remédio do lençol, e se curou.
"'Para a icterícia'" — as substâncias que dissemos acima, goma, alúmen e açafrão, duas medidas com cerveja, e se torna estéril. "'E se não'" — não as tiver, ou ainda que as tenha feito e não tenham funcionado. "'Cabeça de shibuta'" — cabeça de um peixe chamado shibuta. "'Salgado'" — que está salgado. "'Salmoura de gafanhotos'" — salmoura de gafanhotos. "'De nekirei'" — espécie de pássaros pequenos. "'E se unte'" — que se esfregue com ela. "'Entre o forno e a parede'" — entre o forno e a parede, em lugar quente, para que sue e a doença saia. "'Quem quiser aquecê-lo'" — a este doente. "'Que o enxugue em seu lençol'" — que o envolva bem em seu lençol, ou no lençol de outro doente desta mesma doença. "'Rav Kahana fez-lhe'" — este remédio do lençol.
E se não — que se tragam três vasos de tâmaras persas, e três vasos de cera derretida (kira denishterufei), e três vasos de aloés vermelho (ahala tolana), e os cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga um jumentinho (ila bar chamara), e raspem o meio de sua cabeça, e tirem sangue de sua testa, e o coloquem sobre a cabeça dele (do doente); e que se cuide com seus olhos, para que não os cegue. E se não — que se traga uma cabeça de carneiro que está em conserva (bekivsha), e a cozinhem em cerveja, e (a pessoa) beba. E se não — que se traga outra coisa (davar acher), isto é, um porco malhado (chutrana), e o rasguem, e o coloquem sobre seu coração. E se não — que se tragam alhos-porós (karatei) do meio do canteiro (mikavtevata demeisharei).
A cascata de remédios para a icterícia prossegue com preparados cada vez mais extremos: tâmaras persas cozidas com cera derretida e aloés vermelho em cerveja; a sangria de um jumentinho, cujo sangue, tirado de sua testa depois de se raspar o meio da cabeça, é aplicado sobre a cabeça raspada do próprio doente (com o cuidado explícito de não deixá-lo entrar nos olhos, sob risco de cegueira); uma cabeça de carneiro em conserva cozida em cerveja; e, com o eufemismo "outra coisa" (davar acher, usado no Talmud para evitar nomear diretamente o animal impuro), um porco malhado, aberto e colocado sobre o coração do doente. A cascata termina com alhos-porós retirados do meio do canteiro, por serem mais picantes — remédio cuja aplicação prática é ilustrada no episódio seguinte.
"'Cera derretida (kira denishterufei)'" — a cera que flutua e goteja de uma colmeia que se encheu e transborda. "'Ahala'" — aloés. "'Tolana'" — vermelho. "'Ila bar chamara'" — um jumentinho, filhote de jumentas. "'E raspem'" — o doente (raspe a cabeça do animal). "'O meio de sua cabeça'" — o meio da cabeça do jumentinho. "'E tirem sangue de sua testa'" — que sangrem o jumentinho de sua testa. "'E o coloquem sobre a cabeça dele'" — que se derrame o sangue sobre a raspagem do doente. "'E que se cuide com seus olhos'" — para que não entre desse sangue em seus olhos. "'Cabeça de carneiro (barcha)'" — de carneiro. "'Que está em conserva'" — em conserva de vinagre ou de salmoura. "'Outra coisa, chutrana'" — porco malhado, com manchas, listrado. "'Do meio do canteiro'" — do meio do canteiro, pois são mais picantes.
Certo árabe (taaya) sofria disso (icterícia). Disse ele ao jardineiro (ginai): toma meu manto (gelimai) e dá-me um canteiro de alhos-porós. (O jardineiro) deu-lhe, e ele o comeu. Disse-lhe (o árabe): empresta-me teu manto e dormirei nele um pouco. (O jardineiro deu-lhe,) se enrolou nele e dormiu. Quando esquentou e se levantou, caiu (o manto) pedaço a pedaço dele.
A guemará ilustra o remédio dos alhos-porós com um episódio concreto e algo cômico: um árabe doente de icterícia troca seu próprio manto por um canteiro inteiro de alhos-porós do jardineiro, e o come — aplicando o remédio da beat anterior. Em seguida, ainda com a febre alta da doença, pede ao mesmo jardineiro que lhe empreste de volta o manto (que já lhe pertencia por direito) para dormir um pouco. O calor intenso de seu corpo febril, saindo em suor, consome o tecido do manto, que se desfaz pedaço a pedaço quando ele se levanta — de modo que o jardineiro, que já havia dado o canteiro de graça, acaba também sem o manto, tendo sido enganado duas vezes.
"'Empresta-me teu manto'" — empresta-me o manto. "'E dormirei nele'" — e dormirei nele. "'Um pouco (kali)'" — pouco tempo. "'Se enrolou e dormiu'" — se enrolou nele e dormiu nele. "'Caiu pedaço a pedaço'" — o manto se consumiu do calor ardente da doença que saiu com o suor, e caiu em pedaços pequenos.
Para a icterícia, duas (medidas) com cerveja, e (a pessoa) se torna estéril. E isso é permitido? Mas não foi ensinado (numa baraita): de onde (se aprende) que a castração de um homem é proibida? O texto ensina: "e em vossa terra não fareis" (Levítico 22:24) — em vós (mesmos) não fareis; palavras de Rabi Chanina. Isso se aplica onde há intenção (de castrar); aqui, (na icterícia,) é por si mesmo (que ocorre). Como disse Rabi Yochanan: quem quiser castrar um galo, que lhe tire a crista, e ele se castra por si mesmo. Mas não disse Rav Ashi: é (apenas) altivez (ramut rucha) que lhe é tirada? Mas, sim: (o remédio é permitido apenas) para um (que já é) castrado.
Voltando ao remédio original da icterícia, a guemará levanta uma objeção legal: como pode ser permitido um remédio que causa esterilidade, se uma baraita ensina, em nome de Rabi Chanina, que a castração de um homem é proibida por derivação de Levítico 22:24 ("e em vossa terra não fareis", entendido como referência ao próprio corpo)? A resposta distingue entre castrar com intenção direta — proibido — e um efeito colateral que "ocorre por si mesmo", sem intenção de castrar, como no caso do remédio da icterícia. Como prova desse princípio, cita-se o costume de tirar a crista de um galo para que ele se torne infértil por si mesmo, sem um ato direto de castração. Mas a guemará rejeita essa prova com a objeção de Rav Ashi: tirar a crista do galo não o castra de fato, apenas lhe tira a altivez (fazendo-o ficar deprimido e deixar de copular), o que é categoricamente diferente de uma castração real. A guemará conclui, então, de forma mais restritiva: o remédio da icterícia com esse efeito colateral só é permitido para quem já é castrado, de modo que a esterilidade não constitui, para ele, uma mudança real de condição.
"'E é permitido?'" — beber o copo de raízes. "'Não fareis'" — lê-se (também) "não vos façais", na forma reflexiva. "'E se castra por si mesmo'" — ainda que a castração (direta) seja proibida com as próprias mãos. "'Mas não disse Rav Ashi'" — que aquilo não é castração, mas sim que é a altivez que domina o galo (por causa de sua crista), e quando lhe é tirado o esplendor, ele fica abatido e não copula; mas na (verdadeira) castração, mesmo a que ocorre por si mesma, é proibida. "'Mas, para um castrado'" — aquilo que é permitido beber o copo de raízes, tratamos de alguém que já é castrado.
Mas não disse Rabi Chiyya bar Abba que disse Rabi Yochanan:
Concluída a discussão sobre a permissibilidade do remédio da icterícia, a guemará abre uma nova objeção ou tradição, introduzida pela fórmula usual "mas não disse (fulano) que disse (fulano)", citando Rabi Chiyya bar Abba em nome de Rabi Yochanan. O texto se interrompe imediatamente após a atribuição, antes de qualquer conteúdo ser citado — não há, portanto, Rashi disponível para este segmento, pois o comentário só viria sobre o conteúdo ainda por vir. O assunto dessa nova citação de Rabi Yochanan, e sua relação com o debate sobre esterilidade e castração que a precede, ficam para a continuação em Shabbat 111a, ainda não publicado.