A folha abre completando a derasha de Rabi Yossei ben Rabi Chanina, interrompida ao final de 70a: assim como as letras excedentes de "uma" (achat/me'achat) ensinam que quem escreve apenas "Shem" com a intenção de escrever "Shimon" já é responsável — pois realizou parte de um trabalho —, as letras excedentes de "elas" (henah/mehenah) ensinam a distinção entre trabalhos principais (avot) e suas subcategorias (toldot). A Guemará então identifica, nesses mesmos pares de palavras, os dois casos com que a mishná abriu o perek: "uma que é elas" corresponde a quem sabe que é Shabat mas erra quanto aos trabalhos (múltiplas oferendas), e "elas que é uma" corresponde a quem erra quanto ao Shabat mas conhece os trabalhos (uma só oferenda) — mas nota que Shmuel, tendo já usado toda a redundância do texto para os ensinamentos sobre "Shem"/"Shimon" e sobre avot/toldot, não pode lê-los dessa forma, confirmando por que ele precisou de sua própria fonte, o versículo dos "profanadores". A Guemará passa então a uma nova pergunta de Rava a Rav Nachman: qual é a lei de quem tem em mãos, ao mesmo tempo, erro quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos? Rav Nachman hesita entre os dois lados; Rav Ashi propõe resolver observando qual conhecimento faltante realmente o levaria a se afastar da transgressão — mas Ravina refuta essa proposta com a mesma objeção, palavra por palavra, que o próprio Rav Nachman já fizera contra Rav Safra em 70a, concluindo que não há como distinguir, e que ele é responsável por uma só oferenda. A Guemará então traz uma prova contra essa conclusão a partir da própria mishná que enumera os trinta e nove trabalhos principais, e do ensinamento de Rabi Yochanan sobre por que a Torá precisou desse número exato — mostrando que só faz sentido se, no caso de erro quanto a ambos, a pessoa for responsável por cada trabalho separadamente. Isso leva a uma discussão técnica sobre como uma pessoa pode "conhecer" o Shabat apenas parcialmente — sabendo da proibição simples mas não do karet, segundo Rabi Yochanan, ou apenas por meio dos limites de techum (que, segundo Rabi Akiva, é uma proibição sem karet), segundo Reish Lakish. A folha termina com Rava propondo um caso concreto — quem colhe e mói, duas vezes, alternando entre erro quanto ao Shabat com dolo quanto aos trabalhos e dolo quanto ao Shabat com erro quanto aos trabalhos, e depois toma conhecimento de cada uma dessas transgressões em momentos distintos —, abrindo a sugia do "arrasto" (gerirah, o modo como o conhecimento de uma transgressão "arrasta" consigo transgressões vizinhas para a mesma expiação). O caso é interrompido no meio da frase, exatamente como ocorreu ao final de 70a, e sua resolução só vem em 71a.
"Shem" (nome), a partir de escrever Shimon por inteiro. "Elas" (henah) — trabalhos principais (avot); "delas" (mehenah) — subcategorias (toldot). "Uma que é elas" — dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos. "Elas que é uma" — erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos. E Shmuel não entende desse modo "uma que é elas" e "elas que é uma".
Esta frase completa diretamente a derasha interrompida ao final de 70a. Ali, Rabi Yossei ben Rabi Chanina havia explicado que a letra mem excedente de "achat"/"me'achat" ensina que "uma" pode referir-se a quem escreve o nome "Shem" (duas letras) com a intenção de escrever "Shimon" por completo: como "Shem" já é, em outro contexto, uma palavra própria, quem o escreve realizou "parte de uma" ação de escrita — e já é responsável, ainda que não tenha concluído a palavra maior pretendida. Agora, o mesmo padrão se aplica ao segundo par de palavras: a letra mem excedente de "henah"/"mehenah" ensina que "elas" — os trabalhos principais (avot) — geram, através de "delas", suas subcategorias (toldot), que seguem a mesma regra de responsabilidade. A Guemará então identifica, nesses dois pares de expressões, os dois casos exatos com que a mishná abriu o perek (67a): "uma que é elas" — um só ato, aparentemente, que na verdade conta como vários — corresponde a quem sabe que é Shabat mas erra quanto aos próprios trabalhos, responsável por cada um separadamente; e "elas que é uma" — vários atos que na verdade contam como um só — corresponde a quem erra quanto ao calendário do Shabat mas conhece os trabalhos, responsável por uma só oferenda total. Por fim, a Guemará observa que Shmuel não pode ler o versículo dessa maneira, pois, para ele, toda a redundância das letras excedentes já está consumida pelos dois ensinamentos anteriores — "Shem" a partir de "Shimon" e "avot"/"toldot" a partir de "henah"/"mehenah" — não sobrando texto para também ensinar a dualidade "uma que é elas". Esta é precisamente a razão, já indicada em 70a, pela qual Shmuel precisou derivar a divisão dos trabalhos de uma fonte independente e própria — o versículo dos "profanadores" (Êxodo 31:14) —, e não desta.
"'Delas' (mehenah), para incluir as subcategorias (toldot)" — isto é, as que saem delas, dos trabalhos principais. "'Uma que é elas'" — isto é, o que dissemos, que às vezes é responsável por cada uma e cada uma; qual é o caso? Por exemplo, quando as fez com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos, pois há muitos erros. "E 'elas que é uma'" — isto é, o que dissemos, que às vezes é responsável por uma só oferenda por todas; qual é o caso? Por exemplo, erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, pois ele sabe que os trabalhos são proibidos no Shabat, mas esqueceu que hoje é Shabat. "Não entende desse modo" — pois ele precisa de toda a redundância para ensinar "Shem" a partir de "Shimon" e as subcategorias.
Perguntou-lhe Rava a Rav Nachman: aquele que tem em mãos erro quanto a isto e quanto a aquilo (o Shabat e os trabalhos), qual é a lei? Disse-lhe: eis que ele tem em mãos erro quanto ao Shabat, e não é responsável senão por uma só. Ao contrário, eis que ele tem em mãos erro quanto aos trabalhos, e é responsável por cada um e cada um! Mas então, disse Rav Ashi: examinamos — se é por causa do Shabat que ele se afasta, eis que ele tem em mãos erro quanto ao Shabat, e não é responsável senão por uma só; e se é por causa do trabalho que ele se afasta, eis que ele tem em mãos erro quanto aos trabalhos, e é responsável por cada um e cada um. Disse-lhe Ravina a Rav Ashi: acaso ele se afasta do Shabat senão por causa dos trabalhos, acaso ele se afasta dos trabalhos senão por causa do Shabat?! Mas então, não há diferença.
Rava propõe um novo caso, não idêntico aos dois da mishná original: alguém que tem, ao mesmo tempo, tanto a ignorância sobre o calendário do Shabat quanto a ignorância sobre quais atos configuram trabalho proibido — isto é, ele não sabe que hoje é Shabat, e além disso não sabe que aqueles atos específicos são trabalhos. Rav Nachman, ao ser questionado, hesita entre as duas respostas possíveis: poderia ser tratado como o primeiro caso da mishná (erro quanto ao Shabat, uma só oferenda) ou como o segundo (erro quanto aos trabalhos, responsabilidade separada por cada um). Rav Ashi tenta resolver essa indecisão propondo um critério prático: observar qual das duas informações, se fornecida, de fato o levaria a parar — se soubesse apenas que hoje é Shabat, ele pararia (então é tratado como erro quanto ao Shabat, uma oferenda); se soubesse apenas que aquele ato é proibido, ele pararia (então é tratado como erro quanto aos trabalhos, várias oferendas). Mas Ravina refuta essa proposta com exatamente a mesma objeção, quase palavra por palavra, que o próprio Rav Nachman já havia feito contra a distinção paralela de Rav Safra, no início de 70a: não é possível separar as duas causas, pois informá-lo de que é Shabat só o faz parar porque isso revela que os atos são proibidos, e informá-lo de que os atos são proibidos só o faz parar porque isso revela que é Shabat — as duas informações colapsam na mesma coisa. A conclusão da Guemará, "mas não há diferença", segundo Rashi, é que ele não é responsável senão por uma só oferenda, tratando esse caso de ignorância dupla como equivalente ao primeiro caso da mishná — conclusão que a Guemará questionará no próximo passo.
"Isto e aquilo" — o Shabat e os trabalhos. "Qual é a lei" — isto é, é responsável por uma só oferenda por todos, ou por cada um e cada um? E ele pergunta isto porque já se ensinou acima (Shabbat 69a): "errou quanto a isto e quanto a aquilo — este é o erro de que fala a Torá" — qual é a lei, é responsável por uma só, ou é responsável por todos? E da mishná sobre quem esquece o essencial do Shabat, que não é responsável senão por uma, não se pode deduzir a resposta, pois quem esquece o essencial do Shabat tem um só erro contínuo; e a nossa pergunta é sobre quem conhece o essencial do Shabat, mas não sabe que estes trabalhos são proibidos, e além disso lhe é oculto que hoje é Shabat — pois nesse caso é possível atribuir o erro a cada trabalho e trabalho, já que ele conhece o essencial do Shabat; e também é possível atribuí-lo ao esquecimento do Shabat, sendo um só erro. "Se é por causa do Shabat que ele se afasta" — aquele que se afasta da transgressão e vem buscar expiação: se foi por causa do Shabat, isto é, que lhe disseram "é Shabat hoje" e ele se afastou, verifica-se que era por causa do erro quanto ao Shabat que ele agia. Esta é a versão correta do texto: "e se é por causa destes trabalhos que ele se afasta" — isto é, que lhe disseram "isto é um trabalho" e ele se afastou, eis que ele tem em mãos erro quanto ao trabalho, e siga-se pelos trabalhos. "Acaso ele se afasta do Shabat senão por causa dos trabalhos" — quando lhe disseram "é Shabat hoje", ele entendeu que estes trabalhos são proibidos, pois, se não fossem proibidos, por que precisariam dizer-lhe "é Shabat hoje"? "Mas então, não há diferença" — e não é responsável senão por uma só.
Aprendemos na mishná: os trabalhos principais são quarenta menos um. E discutimos sobre isso: por que preciso do número? E disse Rabi Yochanan: é para que, se os realizou todos sob um só esquecimento, seja responsável por cada um e cada um. Se dissesses, com razão, que aquele que tem em mãos erro quanto a isto e quanto a aquilo é responsável por cada um e cada um — estaria bem; mas se dissesses que aquele que tem em mãos erro quanto ao Shabat não é responsável senão por uma só, onde encontrarias caso para aplicar o ensinamento de Rabi Yochanan? — Só com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos!
A Guemará traz uma objeção contra a conclusão do passo anterior — que quem tem ignorância dupla (Shabat e trabalhos) é responsável por uma só oferenda. A objeção vem de uma mishná já conhecida (67b), que enumera os trabalhos principais como "quarenta menos um" — trinta e nove — e da pergunta, já discutida em tradição anterior, sobre por que a Torá precisou fornecer esse número exato. Rabi Yochanan respondeu que o número serve precisamente para ensinar que, se alguém realizou todos os trinta e nove trabalhos sob um único esquecimento contínuo — a situação de ignorância mais completa possível, cobrindo tanto o Shabat quanto todos os trabalhos —, ele ainda assim é responsável por cada um separadamente. Mas isso só faz sentido, argumenta a Guemará, se a ignorância dupla (Shabat e trabalhos ao mesmo tempo) realmente gerar responsabilidade separada por cada trabalho — pois é exatamente esse o caso a que Rabi Yochanan se refere. Se, ao contrário, se sustentasse que a ignorância quanto ao Shabat, por si só, basta para reduzir tudo a uma única oferenda (como concluiu o passo anterior), então o ensinamento de Rabi Yochanan, sobre o esquecimento total dos trinta e nove trabalhos, não teria onde se aplicar — pois, segundo Rashi, a única situação em que de fato se multiplicam as oferendas por cada trabalho é aquela em que há dolo (conhecimento) quanto ao Shabat e erro apenas quanto aos trabalhos; e nessa hipótese de ignorância total (Shabat e trabalhos juntos), não haveria esse dolo quanto ao Shabat.
"Realizou-os a todos" — isto é, o caso de erro quanto a isto e quanto a aquilo em mãos, pois ele não conhece o Shabat de modo algum, já que todas as suas leis lhe são ocultas — não há diferença entre hoje e os demais dias. "Se dissesses, com razão... onde encontrarias" — pois, para que uma pessoa seja responsável por cada uma separadamente, necessariamente isso só se encontra com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos; e aqui, que dolo quanto ao Shabat há?
Isso funciona bem se ele entende o assunto como Rabi Yochanan, que diz: uma vez que errou quanto ao karet, ainda que tivesse agido com dolo quanto à proibição simples, encontras um caso em que ele conhecia o Shabat pela proibição simples. Mas se ele entende o assunto como Rabi Shimon ben Lakish, que diz que não é responsável a menos que erre tanto quanto à proibição simples quanto ao karet — então, em que ele conhecia o Shabat? Responde-se: ele o conhecia pelos limites (techumin), e isso, segundo a opinião de Rabi Akiva.
A Guemará examina a exigência, contida no ensinamento de Rabi Yochanan sobre os trinta e nove trabalhos, de que haja "dolo quanto ao Shabat" — pois é preciso explicar como alguém pode, simultaneamente, "conhecer" o Shabat (para que seu erro quanto aos trabalhos gere múltiplas oferendas) e ainda assim se qualificar como tendo cometido erro na transgressão, que é o que permite trazer oferenda. A resposta depende de uma disputa, já referida antes no tratado, entre Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre o que conta como "erro" apto a gerar responsabilidade de oferenda: para Rabi Yochanan, basta que o erro seja quanto à pena de karet (extirpação), mesmo que a pessoa tivesse pleno conhecimento da proibição simples (lo taaseh) — nesse caso, ela "conhecia o Shabat" apenas através da proibição simples, o que já basta para configurar "dolo quanto ao Shabat" na medida relevante para o ensinamento de Rabi Yochanan sobre a divisão dos trabalhos. Mas para Reish Lakish, que exige erro tanto quanto à proibição simples quanto quanto ao karet para que haja responsabilidade de oferenda, surge a dificuldade: se a pessoa erra até mesmo quanto à proibição simples, em que sentido ela "conhecia" o Shabat? A resposta é que ela poderia conhecê-lo por meio de outra lei sabática — os limites de deslocamento no Shabat (techum) —, que, segundo a opinião de Rabi Akiva, constitui uma proibição sem pena de karet; assim, uma pessoa poderia conhecer plenamente essa lei do Shabat (os limites de techum) e, ainda assim, errar completamente quanto à proibição e à pena dos trinta e nove trabalhos propriamente ditos — preenchendo, também para Reish Lakish, a condição de "conhecer o Shabat" exigida pelo ensinamento de Rabi Yochanan.
"Isso funciona bem segundo Rabi Yochanan etc." — encontras um caso em que apenas as penas de karet lhe eram ocultas, mas ele conhece as proibições simples — e isto é "dolo quanto ao Shabat".
Disse Rava: colheu e moeu o equivalente a um figo seco (kegrogueret), com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, e voltou a colher e moer o equivalente a um figo seco, com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos; e tornou-se-lhe conhecida a transgressão da colheita e da moagem daquela feita com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos; e voltou a tornar-se-lhe conhecida a transgressão da colheita e da moagem daquela feita com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos —
Rava abre um novo caso concreto, que dá início à sugia do "arrasto" (gerirah) — o princípio segundo o qual o conhecimento de uma transgressão, em certas condições, "arrasta" consigo transgressões vizinhas para dentro da mesma expiação, ou, ao contrário, as mantém separadas. O caso: uma pessoa colhe e mói, cada ato no valor mínimo de responsabilidade (o tamanho de um figo seco, medida padrão para transgressões alimentares no Shabat), numa primeira ocasião com erro quanto ao calendário do Shabat mas dolo (conhecimento pleno) quanto aos trabalhos — o primeiro caso da mishná, uma só oferenda cobriria colheita e moagem juntas. Ela então repete os mesmos dois atos — colher e moer — numa segunda ocasião, agora com dolo quanto ao Shabat mas erro quanto aos trabalhos — o segundo caso da mishná, exigindo oferendas separadas para colheita e moagem. Depois, ela toma conhecimento da transgressão da primeira ocasião (a colheita e moagem feitas com erro de Shabat e dolo de trabalhos) — presumivelmente trazendo, ou preparando-se para trazer, a oferenda correspondente. E então toma conhecimento também da segunda ocasião (dolo de Shabat, erro de trabalhos). A pergunta que a Guemará está prestes a explorar — e que só se resolve no início de 71a — é se e como o conhecimento de uma transgressão "arrasta" a outra para a mesma expiação, dado que ambas envolvem os mesmos atos físicos (colheita e moagem), mas sob categorias de erro/dolo invertidas.
"Como um figo seco" (kegrogueret) — é a medida para todas as proibições dos trabalhos do Shabat que envolvem alimentos. "Colheu" — o equivalente a um figo seco, e moeu o equivalente a um figo seco, com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos, pois nesse caso não é responsável senão por uma só oferenda. "E voltou a colher" — o equivalente a um figo seco, e moeu o equivalente a um figo seco, com dolo quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos, pois nesse caso é responsável por duas, e não se lhe tornou conhecido, entre uma e outra, que havia pecado. "E tornou-se-lhe conhecida" — depois disso, a transgressão da colheita e da moagem — isto é, ou desta ou daquela, e tanto mais se se tornou conhecida de ambas. "Daquela feita com erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos trabalhos" — e ele separou uma oferenda pelo pecado, e esta oferenda expia por ambas (colheita e moagem), pois por elas juntas ele é responsável apenas uma vez.