Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Chet (Mefanin)
כִּדְאָמְרִי אִינָשֵׁי

Shmuel explica "quatro e cinco" — como dizem as pessoas; a dúvida entre reduzir caminhadas ou carga; os casos de Rabi e Rabi Chiya ajuntando um campo inteiro; a grandeza de receber hóspedes

Shabbat 127a · continua diretamente de 126b · Perek Yud-Chet (Mefanin)

Shabbat 127a abre completando a posição dissidente de Shmuel, interrompida ao final de 126b: "quatro e cinco" — como dizem as pessoas, que fazem primeiro uma conta pequena, e, se precisarem de mais, removem mais; e, se quiserem, removem-se mesmo muitos cestos. E o que significa "mas não o depósito"? Que não se termine de esvaziá-lo por completo, para não vir a nivelar os buracos do fundo; mas começar, pode-se começar. E de quem é essa mishná? De Rabi Shimon, que não sustenta o princípio de muktzê. Uma baraita ensina: não se começa pelo depósito pela primeira vez, mas se abre nele um caminho, para poder entrar e sair — caminho esse feito com os próprios pés, na entrada e na saída, e não por outro meio. Outra baraita trata do grão amontoado: se já se começou a servir-se dele antes de Shabat, é permitido servir-se dele em Shabat; se não, é proibido — palavras de Rabi Shimon; Rabi Achá permite; a Guemará inverte os nomes: são palavras de Rabi Achá, e Rabi Shimon permite. Um tanna ensina a medida do grão amontoado: um letech; e Rav Nechumi bar Zecharia pergunta a Abaie por essa mesma medida, que ele confirma. A Guemará então examina se, na mishná de quatro e cinco cestos, o objetivo é reduzir as caminhadas ou reduzir a carga, trazendo baraitot sobre jarros de azeite e de vinho, com os números quatro e cinco, e dez e quinze; conclui-se que reduzir as caminhadas é sempre preferível, e que os números diferentes se referem a jarros de tamanhos diferentes, inclusive os pequenos jarros de Harpania. Pergunta-se ainda se "quatro e cinco" vale mesmo quando há muitos hóspedes, ou se tudo depende do número de hóspedes; e, nesse caso, se um só homem remove para todos ou cada um remove para si. Traz-se o caso de Rabi, que, ao visitar um lugar e achar espaço apertado para os discípulos, saiu ao campo e ajuntou sozinho um campo inteiro de feixes — e o caso paralelo de Rabi Chiya, segundo Rav Yosef em nome de Rabi Hoshaya —, concluindo-se que tudo depende dos hóspedes; mas, quanto a quem remove, conclui-se que Rabi apenas ordenou, e que, na prática, cada um remove para si. Sobre a cláusula "por causa dos hóspedes", disse Rabi Yochanan: grande é receber hóspedes, tanto quanto levantar cedo para a casa de estudo; Rav Dimi de Neharde'a: maior ainda, pois a mishná menciona primeiro os hóspedes; Rav Yehudá em nome de Rav: receber hóspedes é maior que receber a face da Shechiná, a partir do versículo em que Avraham pede ao Eterno que espere; Rabi Elazar contrasta esse atributo do Santo, Bendito Seja, com o atributo da carne e sangue, em que o pequeno não pode pedir ao grande que espere. Disse Rav Yehudá bar Sheilá, em nome de Rabi Assi, em nome de Rabi Yochanan: seis coisas cujos frutos o homem come neste mundo, com o capital reservado para o mundo vindouro: receber hóspedes, visitar doentes, concentração na oração, levantar cedo para a casa de estudo, criar os filhos para o estudo da Torá, e julgar o próximo para o lado do mérito. O daf termina em pleno fluxo com uma objeção a partir doutra lista, também de seis coisas — honra a pai e mãe, atos de bondade, trazer paz entre uma pessoa e seu próximo, e o estudo da Torá equivalente a todas elas —, a continuar diretamente em Shabbat 127b (ainda não publicado), que abre respondendo que aquelas também se relacionam a atos de bondade.

Conclui-se a posição de Shmuel · כִּדְאָמְרִי אִינָשֵׁי

904Shmuel: "quatro e cinco" — como dizem as pessoas; e mesmo mais, se quiser; "mas não o depósito" segue Rabi Shimon
Shmuel
כִּדְאָמְרִי אִינָשֵׁי, וְאִי בָּעֵי אֲפִילּוּ טוּבָא נָמֵי מְפַנִּין. וּמַאי ״אֲבָל לֹא אֶת הָאוֹצָר״ — שֶׁלֹּא יִגְמוֹר כּוּלּוֹ, דִּילְמָא אָתֵי לְאַשְׁווֹיֵי גּוּמּוֹת. אֲבָל אַתְחוֹלֵי מַתְחִיל. וּמַנִּי — רַבִּי שִׁמְעוֹן הִיא, דְּלֵית לֵיהּ מוּקְצֶה.

(Continuação direta de Shabbat 126b:) ...como dizem as pessoas; e, se quiser, mesmo muitos cestos também se removem. E o que significa "mas não o depósito"? Que não termine de esvaziá-lo por completo, para que não venha a nivelar buracos no fundo dele. Mas começar, começa. E de quem é essa mishná? De Rabi Shimon, que não sustenta o princípio de muktzê.

Nota

O daf abre completando a posição dissidente de Shmuel, interrompida ao final de 126b, que explica os números "quatro e cinco" da mishná de modo diferente de Rav Chisdá: não como dois casos de depósito (pequeno e grande), mas simplesmente como o costume das pessoas, que primeiro fazem uma conta pequena e, se precisarem de mais, removem mais — sem limite fixo. Quanto a "mas não o depósito", Shmuel concorda com a explicação de que não se deve terminar de esvaziá-lo, mas atribui essa mishná a Rabi Shimon, que não sustenta o princípio de muktzê — em contraste com a atribuição a Rabi Yehudá, feita ao final de 126b para a explicação de "não começar".

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kedamrei inashei" e "shelo yigmor"
כדאמרי אינשי - חשבון קטן תחילה ואם יצטרך ליותר יפנה יותר משום הכי נקט ד' ברישא והדר חמשה וה"ה אפילו טובא: שלא יגמור - משום אשוויי גומות:

"Como dizem as pessoas" — fazem primeiro uma conta pequena, e, se precisarem de mais, removem mais; por isso a mishná menciona quatro primeiro, e depois cinco; e o mesmo vale mesmo para muitos. "Que não termine" — por causa de nivelar buracos.

905Baraita: não se começa pelo depósito, mas se abre nele um caminho para entrar e sair — com os próprios pés
Baraita (Sábios)
תָּנוּ רַבָּנַן: אֵין מַתְחִילִין בָּאוֹצָר תְּחִילָּה, אֲבָל עוֹשֶׂה בּוֹ שְׁבִיל כְּדֵי שֶׁיִּכָּנֵס וְיֵצֵא. עוֹשֶׂה בּוֹ שְׁבִיל?! וְהָא אָמְרַתְּ אֵין מַתְחִילִין! הָכִי קָאָמַר: עוֹשֶׂה בּוֹ שְׁבִיל בְּרַגְלָיו בִּכְנִיסָתוֹ וּבִיצִיאָתוֹ.

Ensinaram os sábios: não se começa pelo depósito pela primeira vez; mas se faz nele um caminho, para que a pessoa possa entrar e sair. Objeta-se: "faz nele um caminho"?! Mas não disseste "não se começa"! Isto é o que a baraita quer dizer: faz nele um caminho com os próprios pés, ao entrar e ao sair.

Nota

A baraita parece, à primeira vista, contradizer-se: proíbe começar o depósito, mas permite fazer nele um caminho — o que soa como um começo. A Guemará resolve: o "caminho" permitido não é feito com as mãos, removendo cestos, mas simplesmente pisando com os próprios pés ao entrar e sair, o que não constitui um ato de remoção propriamente dito.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "beraglo"
ברגלו - מפנה ברגלו לכאן ולכאן דרך הליכתו דלא הוי טלטול:

"Com os pés" — remove com os pés para cá e para lá, no seu próprio caminhar, o que não constitui manuseio.

906Baraita: grão amontoado — se já se começou a servir-se antes de Shabat, permitido; disputa entre Rabi Shimon e Rabi Achá, com os nomes invertidos
Baraita; Rabi Shimon; Rabi Achá
תָּנוּ רַבָּנַן: תְּבוּאָה צְבוּרָה, בִּזְמַן שֶׁהִתְחִיל בָּהּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת — מוּתָּר לְהִסְתַּפֵּק מִמֶּנָּה בְּשַׁבָּת, וְאִם לָאו — אָסוּר לְהִסְתַּפֵּק מִמֶּנָּה בְּשַׁבָּת, דִּבְרֵי רַבִּי שִׁמְעוֹן. רַבִּי אַחָא מַתִּיר: כְּלַפֵּי לְיָיא! אֶלָּא אֵימָא: דִּבְרֵי רַבִּי אַחָא, וְרַבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר.

Ensinaram os sábios: grão amontoado — quando já se começou a servir-se dele na véspera de Shabat, é permitido servir-se dele em Shabat; e, se não, é proibido servir-se dele em Shabat — palavras de Rabi Shimon. Rabi Achá permite mesmo sem ter começado antes. Objeta-se: ao contrário disso! Pois Rabi Shimon não sustenta o muktzê. Mas dize ao invés: são estas palavras de Rabi Achá, e Rabi Shimon permite.

Nota

A baraita, tal como citada, atribuiria a Rabi Shimon a posição mais restritiva — exigindo uso prévio antes de Shabat — o que contradiz o que se sabe dele em toda parte, que não sustenta o princípio de muktzê e é sempre o mais lenitente. A Guemará corrige: os nomes devem ser invertidos; é Rabi Achá quem exige o uso prévio, e Rabi Shimon quem permite servir-se do grão amontoado mesmo sem uso prévio, consistente com sua posição habitual.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "tevuah tzevura", "lehistapek", "klapei laya" e "laya"
תבואה צבורה - מוכחא מילתא דהוקצה לאוצר: להסתפק - להאכיל לבהמתו אסור דברי ר"ש ור' אחא כו': כלפי לייא - כנגד היכן פונה הדבר הזה האמור להיפך ר"ש מתיר מוקצה בכל מקום וכאן הוא מחמיר: לייא - היכן כגון חצבי לנהרא כגני לייא דברכות (דף נח.):

"Grão amontoado" — mostra-se claramente que foi destinado a depósito. "Servir-se" — por exemplo, alimentar seu animal com ele é proibido — palavras de Rabi Shimon e Rabi Achá etc. "Ao contrário" — para onde se volta essa afirmação, que é o oposto? Rabi Shimon permite o muktzê em toda parte, e aqui ele seria estrito? "Laya" — expressão que significa "para onde", como "cântaros para o rio" ou "jardins para lá", em Berachot (58a).

907Tanna: a medida do grão amontoado é um letech; Rav Nechumi bar Zecharia pergunta a Abaie
Tanna; Rav Nechumi bar Zecharia; Abaie
תָּנָא: כַּמָּה שִׁיעוּר תְּבוּאָה צְבוּרָה — לֶתֶךְ. בְּעָא מִינֵּיהּ רַב נְחוּמִי בַּר זְכַרְיָה מֵאַבָּיֵי: שִׁיעוּר תְּבוּאָה צְבוּרָה בְּכַמָּה? אֲמַר לֵיהּ הֲרֵי אָמְרוּ: שִׁיעוּר תְּבוּאָה צְבוּרָה — לֶתֶךְ.

Ensinou um tanna: qual é a medida do grão para ser considerado amontoado e, portanto, muktzê? Um letech. Perguntou-lhe Rav Nechumi bar Zecharia a Abaie: qual é a medida do grão amontoado? Disse-lhe: já disseram: a medida do grão amontoado é um letech.

Nota

Um tanna fixa a quantidade mínima de grão que, quando amontoado, é considerado destinado a depósito e, portanto, sujeito à restrição de muktzê discutida acima: um letech, medida equivalente a meio cor, ou quinze seá. Abaixo dessa quantidade, o grão não é considerado um depósito propriamente dito. Rav Nechumi bar Zecharia confirma essa mesma medida junto a Abaie.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "letech" (duas vezes)
לתך - אבל בציר מהכי לאו אוצר הוא: לתך - חצי כור הוא ט"ו סאין:

"Um letech" — mas menos do que isso não é considerado depósito. "Um letech" — é meio cor, quinze seá.

Reduzir caminhadas ou reduzir carga? · לְמַעוֹטֵי בְּהִילּוּכָא

908Dúvida: nos quatro e cinco cestos, o que se busca é reduzir caminhadas, ou reduzir carga?
Anônimo (Guemará)
אִיבַּעְיָא לְהוּ: הָנֵי אַרְבַּע וְחָמֵשׁ קוּפּוֹת דְּקָאָמַר, בְּאַרְבַּע וְחָמֵשׁ קוּפּוֹת — אִין, טְפֵי — לָא, אַלְמָא לְמַעוֹטֵי בְּהִילּוּכָא עֲדִיף, אוֹ דִילְמָא לְמַעוֹטֵי מַשּׂוֹי עֲדִיף.

Perguntou-se na academia: esses quatro e cinco cestos que a mishná mencionou — em quatro ou cinco cestos grandes, sim; mais cestos, ainda que menores, não; ou seja, reduzir as caminhadas é preferível? Ou, quem sabe, reduzir a carga é preferível , podendo-se então usar mais cestos, desde que pequenos?

Nota

A Guemará levanta uma dúvida sobre o propósito exato do limite de quatro ou cinco cestos: seria para limitar o número de idas e vindas (reduzir caminhadas), permitindo cestos grandes mas poucos trajetos? Ou seria para limitar o peso carregado de cada vez (reduzir carga), permitindo então mais trajetos, desde que com cestos pequenos e leves?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "be'arba vechamesh kupot ein tefi lo", "lemautei behilucha adif" e "o dilma mautei bemasoi adif"
בד' וה' קופות אין טפי לא - בקופות עצמן הוא יפנה וימלאם אם ירצה או שק בכתפו שיעור קופה בפעם אחת אבל טפי להלך יותר מה' פעמים כגון לפנות בכלים קטנים וירבה בהילוך לא: למעוטי בהילוכא עדיף - ואע"ג דאפושי משוי הוא: או דילמא מעוטי משוי עדיף - ואם בא לפנות בכלים קטנים כשיעור ה' קופות מותר ולרב חסדא קבעי לה דאמר ה' דוקא:

"Em quatro e cinco cestos, sim; mais, não" — nos próprios cestos grandes, removerá, enchendo-os se quiser, ou carregando um saco no ombro na medida de um cesto de uma só vez; mas mais do que isso, andar mais de cinco vezes — como remover em utensílios pequenos, multiplicando as caminhadas — não. "Reduzir as caminhadas é preferível" — ainda que isso aumente a carga de cada vez. "Ou, quem sabe, reduzir a carga é preferível" — e, se alguém vier a remover em utensílios pequenos, na medida de cinco cestos grandes, é permitido; e é conforme Rav Chisdá que se pergunta isso, pois ele disse que cinco é exato.

909Venha ouvir: baraitot sobre jarros de azeite e vinho — quatro e cinco, ou dez e quinze
Baraitot
תָּא שְׁמַע, דְּתָנֵי חֲדָא: מְפַנִּין אֲפִילּוּ אַרְבַּע וְחָמֵשׁ קוּפּוֹת שֶׁל כַּדֵּי שֶׁמֶן וְשֶׁל כַּדֵּי יַיִן. וְתַנְיָא אִידַּךְ: בְּעֶשֶׂר וּבַחֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה. מַאי לָאו בְּהָא קָמִיפַּלְגִי, דְּמָר סָבַר מַעוֹטֵי בְּהִילּוּכָא עָדִיף, וּמָר סָבַר מַעוֹטֵי בְּמַשּׂוֹי עֲדִיף?

Venha ouvir uma resolução: pois foi ensinado numa baraita: removem-se, mesmo, quatro ou cinco cestos de jarros de azeite e de jarros de vinho. E foi ensinado noutra: com dez e com quinze. Não é, acaso, que essas duas baraitot discordam nisto: um mestre entende que reduzir as caminhadas é preferível, e o outro mestre entende que reduzir a carga é preferível?

Nota

A Guemará traz duas baraitot aparentemente contraditórias quanto ao número de cestos de jarros de azeite e de vinho que se removem: uma fala em quatro ou cinco, como a mishná; a outra, em dez ou quinze. À primeira vista, isso parece refletir exatamente a dúvida levantada: se o número é fixo em quatro-cinco (reduzir caminhadas), ou se pode variar conforme o tamanho dos cestos (reduzir carga, permitindo até dez ou quinze cestos pequenos).

910Não: segundo todos, reduzir caminhadas é preferível; "dez e quinze" refere-se aos jarros, não aos cestos
Anônimo (Guemará)
לָא, דְּכוּלֵּי עָלְמָא מַעוֹטֵי בְּהִילּוּכָא עֲדִיף, וּמִי סָבְרַתְּ ״בְּעֶשֶׂר וּבַחֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה״ אַקּוּפּוֹת קָאֵי? אַכַּדִּין קָאֵי, וְלָא קַשְׁיָא: הָא דְּמִשְׁתַּקְלִי חַד חַד בְּקוּפָּה, וְהָא דְּמִישְׁתַּקְלִי תְּרֵי תְּרֵי, וְהָא דְּמִשְׁתַּקְלִי תְּלָתָא תְּלָתָא — וּבִדְקוּרֵי דְהַרְפַּנְיָא.

Não há contradição alguma: segundo todos, reduzir as caminhadas é preferível. E pensas que "dez e quinze" se refere aos cestos? Não; refere-se aos jarros dentro deles. E não há dificuldade: esta baraita fala de jarros grandes, dos quais se toma um a um por cesto; e esta outra baraita fala de jarros médios, dos quais se toma dois a dois; e esta terceira, de jarros pequenos, dos quais se toma três a três — e refere-se aos pequenos jarros de Harpania.

Nota

A Guemará rejeita a leitura anterior: não há disputa alguma entre as baraitot, pois todos concordam que reduzir as caminhadas é sempre preferível — o número de cestos permanece fixo em quatro ou cinco. A aparente variação (dez, quinze) não se refere ao número de cestos, mas ao número de jarros contidos dentro dos cinco cestos: com jarros grandes, cabe um por cesto (cinco ao todo); com jarros médios, dois por cesto (dez ao todo); e com os pequenos jarros de Harpania, três por cesto (quinze ao todo) — mantendo-se, em todos os casos, o mesmo limite de cinco cestos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "be'asar uvatet esreh", "akadin ka'ei", "ha demishtaklei chada chada bekupah" e "ki dekurei deharpania"
בי' ובט"ו - קס"ד אקופות קאי לומר שמפנה בקופות קטנות וירבה בהילוך: אכדין קאי - ולא פליגי והכי קאמר בי' בט"ו יפנה באותן ה' קופות: הא דמשתקלי חדא חדא בקופה - הך דתניא ד' וה' ולא נחת למניינא דכדין איירי בכדין גדולים דמשתקלי חדא בקופה והך דתנא בי' וט"ו איירי בכדים בינונים ובכדין קטנים עשר כדמשתקלי תרי תרי בקופה ט"ו כדמשתקלי תלתא תלתא בקופה דקטנים: כי דקורי דהרפניא - בכדין של הרפניא:

"Com dez e com quinze" — pensou-se, a princípio, que se referia aos cestos, para dizer que se remove em cestos pequenos, multiplicando as caminhadas. "Refere-se aos jarros" — e não há discordância; e isto é o que a baraita diz: com dez, com quinze jarros, removerá naqueles mesmos cinco cestos. "Esta baraita fala de jarros dos quais se toma um a um por cesto" — a que ensina quatro e cinco, e não desce à contagem dos jarros, fala de jarros grandes, dos quais se toma um por cesto; e a que ensina dez e quinze fala de jarros médios e de jarros pequenos: dez, jarros dos quais se toma dois a dois por cesto; quinze, jarros dos quais se toma três a três por cesto, os pequenos. "Como os pequenos jarros de Harpania" — isto é, jarros de Harpania.

Tudo depende dos hóspedes? · הַכֹּל לְפִי הָאוֹרְחִין

911Dúvida: "quatro e cinco" vale mesmo com muitos hóspedes, ou tudo depende deles? E, se depende, um homem remove para todos, ou cada um para si?
Anônimo (Guemará)
אִיבַּעְיָא לְהוּ: הָנֵי אַרְבַּע וְחָמֵשׁ דְּקָאָמַר, אַף עַל גַּב דְּאִית לֵיהּ אוֹרְחִין טוּבָא, אוֹ דִילְמָא הַכֹּל לְפִי הָאוֹרְחִין? וְאִם תִּמְצֵי לוֹמַר הַכֹּל לְפִי הָאוֹרְחִין, חַד גַּבְרָא מְפַנֵּי לְכוּלְּהוּ, אוֹ דִילְמָא גַּבְרָא גַּבְרָא מְפַנֵּי לְנַפְשֵׁיהּ?

Perguntou-se na academia: esses números quatro e cinco que a mishná mencionou — valem ainda que se tenha muitos hóspedes, ou, quem sabe, tudo depende do número de hóspedes? E, se disseres que tudo depende dos hóspedes: um só homem remove para todos eles, ou, quem sabe, cada homem remove para si mesmo?

Nota

Levanta-se nova dúvida, agora sobre se o limite de quatro-cinco cestos é absoluto — aplicando-se mesmo quando há muitos hóspedes a acomodar — ou se, na verdade, o número varia conforme a necessidade real, sendo maior quando há mais hóspedes. E, admitindo essa segunda hipótese, pergunta-se ainda se apenas uma pessoa realiza toda a remoção necessária para o grupo, ou se cada hóspede (ou anfitrião) remove individualmente sua própria porção.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "iberaya lehu"
איבעיא להו - אליבא דרב חסדא:

"Perguntou-se na academia" — segundo a opinião de Rav Chisdá.

912Venha ouvir: Rabi, ao ver lugar apertado para os discípulos, ajuntou sozinho um campo inteiro de feixes
Rabá em nome de Rabi Chiya
תָּא שְׁמַע, דְּאָמַר רַבָּה אָמַר רַבִּי חִיָּיא: פַּעַם אַחַת הָלַךְ רַבִּי לְמָקוֹם אֶחָד, וְרָאָה מָקוֹם דָּחוּק לַתַּלְמִידִים, וְיָצָא לַשָּׂדֶה וּמָצָא שָׂדֶה מְלֵאָה עוֹמָרִים, וְעִימֵּר רַבִּי כׇּל הַשָּׂדֶה כּוּלָּהּ. (שְׁמַע מִינַּהּ: הַכֹּל לְפִי הָאוֹרְחִין.)

Venha ouvir uma resolução: pois disse Rabá, disse Rabi Chiya: certa vez, foi Rabi a um lugar, e viu um lugar apertado para os discípulos; saiu ao campo e encontrou um campo cheio de feixes, e Rabi ajuntou o campo inteiro, todo ele. (Conclui-se disso: tudo depende dos hóspedes.)

Nota

Traz-se um episódio concreto envolvendo Rabi Yehudá HaNassi: ao encontrar um espaço insuficiente para acomodar seus discípulos, ele mesmo saiu ao campo vizinho e ajuntou todos os feixes de gavelas espalhados ali — muito além do limite de quatro ou cinco — para criar espaço suficiente. Disso se conclui que o número de cestos ou feixes removidos depende, de fato, da necessidade real, isto é, do número de hóspedes ou discípulos a acomodar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "dachuk letalmidim" e "ve'imer"
דחוק לתלמידים - שאין מקום לתלמידים להושיב: ועימר - פנה את העומרים וכרמלית הואי ובפחות פחות מד' אמות:

"Apertado para os discípulos" — que não havia lugar para sentar os discípulos. "E ajuntou" — removeu os feixes; e era uma carmelit, e fez isso em trechos de menos de quatro cúbitos cada vez.

913Versão paralela: Rabi Chiya, segundo Rav Yosef em nome de Rabi Hoshaya
Rav Yosef em nome de Rabi Hoshaya
וְרַב יוֹסֵף אָמַר רַבִּי הוֹשַׁעְיָא: פַּעַם אַחַת הָלַךְ רַבִּי חִיָּיא לְמָקוֹם אֶחָד וְרָאָה מָקוֹם דָּחוּק לַתַּלְמִידִים, וְיָצָא לַשָּׂדֶה וּמָצָא שָׂדֶה מְלֵאָה עוֹמָרִים, וְעִימֵּר רַבִּי חִיָּיא כׇּל הַשָּׂדֶה כּוּלָּהּ. שְׁמַע מִינַּהּ: הַכֹּל לְפִי הָאוֹרְחִין.

E Rav Yosef disse, disse Rabi Hoshaya: certa vez, foi Rabi Chiya a um lugar, e viu um lugar apertado para os discípulos; saiu ao campo e encontrou um campo cheio de feixes, e Rabi Chiya ajuntou o campo inteiro, todo ele. Conclui-se disso: tudo depende dos hóspedes.

Nota

A Guemará traz uma segunda versão do mesmo episódio, transmitida por outra cadeia de tradição, com o protagonista sendo Rabi Chiya em vez de Rabi. Ambas as versões chegam à mesma conclusão: o número de cestos ou feixes removidos depende do número real de hóspedes ou discípulos, e não está fixado em quatro ou cinco.

914Ainda resta perguntar: um homem remove para todos, ou cada um para si?
Anônimo (Guemará)
וַעֲדַיִין תִּבְּעֵי לָךְ: חַד גַּבְרָא מְפַנֵּי (לֵיהּ) לְכוּלְּהוּ, אוֹ דִילְמָא כׇּל גַּבְרָא וְגַבְרָא מְפַנֵּי לְנַפְשֵׁיהּ?

E ainda te resta perguntar: um só homem remove tudo para todos, ou, quem sabe, cada homem e homem remove para si mesmo?

Nota

Ainda que se tenha resolvido a primeira parte da dúvida — que o número depende dos hóspedes —, permanece em aberto a segunda parte: se, no episódio de Rabi (ou Rabi Chiya), foi ele mesmo, sozinho, quem realizou toda a remoção para o benefício de todos os discípulos, ou se cada pessoa é responsável por remover apenas sua própria porção.

915Venha ouvir: "e Rabi ajuntou" — mas Rabi mesmo, pessoalmente, ajuntou?! Ele apenas ordenou, e cada um remove para si
Anônimo (Guemará)
תָּא שְׁמַע: וְעִימֵּר רַבִּי. וּלְטַעְמָיךְ, רַבִּי בְּדִנְפָשֶׁיהָ עִימֵּר?! אֶלָּא צִוָּה וְעִימֵּר, וּלְעוֹלָם כׇּל חַד וְחַד מְפַנֵּי לְנַפְשֵׁיהּ.

Venha ouvir uma resolução: "e Rabi ajuntou". Mas, segundo o teu raciocínio, foi Rabi, pessoalmente, quem ajuntou?! Certamente não — pois um nassi não realiza tal trabalho com as próprias mãos. Mas o correto é dizer: ele ordenou, e assim se ajuntou; e, na verdade, cada um e cada um remove para si mesmo.

Nota

A Guemará resolve a segunda dúvida a partir da própria linguagem do relato: dizer que "Rabi ajuntou" não pode significar, literalmente, que ele mesmo, com as próprias mãos, realizou todo o trabalho — pois não seria condizente com sua posição de nassi. Conclui-se, portanto, que Rabi apenas deu a ordem para que se ajuntasse o campo, e que, na prática, cada discípulo removeu sua própria porção necessária.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ta shema ve'imer rabi" e "rabi benafshei imer"
ת"ש ועימר רבי - אלמא חד גברא פנינהו: רבי בנפשיה עימר - בתמיה וכי אורחיה דנשיא בהכי:

"Venha ouvir: e Rabi ajuntou" — logo, um só homem os removeu a todos. "Rabi, pessoalmente, ajuntou?!" — em tom de espanto: e acaso é costume de um nassi fazer isso?

A grandeza de receber hóspedes · גְּדוֹלָה הַכְנָסַת אוֹרְחִין

916Rabi Yochanan, Rav Dimi de Neharde'a e Rav Yehudá em nome de Rav sobre a grandeza de receber hóspedes; Rabi Elazar contrasta com a carne e sangue
Rabi Yochanan; Rav Dimi de Neharde'a; Rav Yehudá em nome de Rav; Rabi Elazar
מִפְּנֵי הָאוֹרְחִין וְכוּ׳. אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: גְּדוֹלָה הַכְנָסַת אוֹרְחִין כְּהַשְׁכָּמַת בֵּית הַמִּדְרָשׁ, דְּקָתָנֵי: ״מִפְּנֵי הָאוֹרְחִין וּמִפְּנֵי בִּטּוּל בֵּית הַמִּדְרָשׁ״. וְרַב דִּימִי מִנְּהַרְדְּעָא אָמַר: יוֹתֵר מֵהַשְׁכָּמַת בֵּית הַמִּדְרָשׁ, דְּקָתָנֵי ״מִפְּנֵי הָאוֹרְחִין״, וַהֲדַר ״וּמִפְּנֵי בִּטּוּל בֵּית הַמִּדְרָשׁ״. אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: גְּדוֹלָה הַכְנָסַת אוֹרְחִין מֵהַקְבָּלַת פְּנֵי שְׁכִינָה, דִּכְתִיב: ״וַיֹּאמַר ה׳ אִם נָא מָצָאתִי חֵן בְּעֵינֶיךָ אַל נָא תַעֲבֹר וְגוֹ׳״. אָמַר רַבִּי אֶלְעָזָר: בֹּא וּרְאֵה שֶׁלֹּא כְּמִדַּת הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא מִדַּת בָּשָׂר וָדָם. מִדַּת בָּשָׂר וְדָם, אֵין קָטָן יָכוֹל לוֹמַר לַגָּדוֹל ״הַמְתֵּן עַד שֶׁאָבֹא אֶצְלְךָ״, וְאִילּוּ בְּהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא כְּתִיב ״וַיֹּאמַר ה׳ אִם נָא מָצָאתִי וְגוֹ׳״.

"Por causa dos hóspedes" etc. Disse Rabi Yochanan: grande é receber hóspedes, tanto quanto levantar cedo para ir à casa de estudo, pois a mishná ensina: "por causa dos hóspedes, e por causa da perda de tempo da casa de estudo" (colocando ambos no mesmo nível). E Rav Dimi de Neharde'a disse: é maior ainda do que levantar cedo para a casa de estudo, pois a mishná ensina "por causa dos hóspedes" primeiro, e só depois "por causa da perda de tempo da casa de estudo". Disse Rav Yehudá, disse Rav: grande é receber hóspedes, mais do que receber a face da Shechiná, pois está escrito: "E disse Avraham ao Eterno: se agora achei graça a teus olhos, não passes, por favor, adiante" etc. (pois Avraham deixou a Shechiná à espera para atender aos visitantes.) Disse Rabi Elazar: vem e vê que o atributo do Santo, Bendito Seja, não é como o atributo da carne e sangue. No atributo da carne e sangue, não pode o pequeno dizer ao grande "espera até que eu venha a ti"; e, quanto ao Santo, Bendito Seja, está escrito: "e disse Avraham ao Eterno: se agora achei" etc.

Nota

Ligada à cláusula "por causa dos hóspedes" da mishná, a Guemará traz uma série de ditos sobre a grandeza de receber hóspedes (hachnassat orchim), medindo-a contra outros valores elevados: Rabi Yochanan a equipara ao estudo da Torá na casa de estudo; Rav Dimi de Neharde'a a considera ainda maior, pela ordem das palavras na mishná; e Rav Yehudá, em nome de Rav, eleva-a acima até de receber a própria presença divina, com base no relato de Avraham (Gênesis 18:3), que pede ao Eterno que aguarde enquanto ele atende aos três visitantes. Rabi Elazar extrai daí uma lição sobre a humildade divina: enquanto, entre os homens, o inferior jamais poderia pedir ao superior que esperasse, o Santo, Bendito Seja, aceitou esperar por Avraham.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kehashkamat beit hamidrash", "mehashkamat beit hamidrash" e "al na ta'avor"
כהשכמת ביהמ"ד - מדשוי להו במתני' כי הדדי: מהשכמת בית המדרש - דתנא דידן אקדמה ברישא: אל נא תעבור - והניחו והלך לקבל האורחים:

"Tanto quanto levantar cedo para a casa de estudo" — porque a mishná as equipara uma à outra. "Mais do que levantar cedo para a casa de estudo" — porque nossa mishná a antecipou, colocando-a primeiro. "Não passes, por favor, adiante" — e Avraham deixou a Shechiná à espera e foi receber os hóspedes.

917Rav Yehudá bar Sheilá, em nome de Rabi Assi, em nome de Rabi Yochanan: seis coisas cujos frutos o homem come neste mundo, com o capital reservado para o mundo vindouro
Rav Yehudá bar Sheilá; Rabi Assi; Rabi Yochanan
אָמַר רַב יְהוּדָה בַּר שֵׁילָא אָמַר רַבִּי אַסִּי אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: שִׁשָּׁה דְּבָרִים אָדָם אוֹכֵל פֵּירוֹתֵיהֶן בָּעוֹלָם הַזֶּה וְהַקֶּרֶן קַיֶּימֶת לוֹ לָעוֹלָם הַבָּא, וְאֵלּוּ הֵן: הַכְנָסַת אוֹרְחִין, וּבִיקּוּר חוֹלִים, וְעִיּוּן תְּפִלָּה, וְהַשְׁכָּמַת בֵּית הַמִּדְרָשׁ, וְהַמְגַדֵּל בָּנָיו לְתַלְמוּד תּוֹרָה, וְהַדָּן אֶת חֲבֵרוֹ לְכַף זְכוּת.

Disse Rav Yehudá bar Sheilá, disse Rabi Assi, disse Rabi Yochanan: seis coisas cujos frutos o homem come neste mundo, e o capital permanece reservado para ele no mundo vindouro; e estas são elas: receber hóspedes; visitar os doentes; concentração devida na oração; levantar cedo para a casa de estudo; quem cria seus filhos para o estudo da Torá; e quem julga o próximo para o lado do mérito.

Nota

A mesma cadeia de transmissão que abriu 126b (Rav Yehudá bar Sheilá, em nome de Rav Assi ou Rabi Assi, em nome de Rabi Yochanan) traz agora um ensinamento aggádico: seis atos meritórios cujo benefício se desfruta já neste mundo, sem que isso diminua a recompensa integral reservada no mundo vindouro. A lista reúne receber hóspedes (o tema da mishná deste perek), visitar doentes, orar com concentração, estudar com afinco desde cedo, educar os filhos na Torá, e julgar o próximo favoravelmente.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "iyun tefila"
ועיון תפלה - לכוין בתפלתו:

"E concentração na oração" — dirigir a intenção do coração na sua oração.

918Objeção: mas não aprendemos outra lista de seis coisas — honra a pai e mãe, atos de bondade, trazer paz, e o estudo da Torá equivalente a todas elas?
Anônimo (Guemará); Mishná (Peá)
אִינִי?! וְהָא אֲנַן תְּנַן: אֵלּוּ דְּבָרִים שֶׁאָדָם עוֹשֶׂה אוֹתָם וְאוֹכֵל פֵּירוֹתֵיהֶן בָּעוֹלָם הַזֶּה, וְהַקֶּרֶן קַיֶּימֶת לוֹ לָעוֹלָם הַבָּא, וְאֵלּוּ הֵן: כִּיבּוּד אָב וָאֵם, וּגְמִילוּת חֲסָדִים, וַהֲבָאַת שָׁלוֹם שֶׁבֵּין אָדָם לַחֲבֵרוֹ, וְתַלְמוּד תּוֹרָה כְּנֶגֶד כּוּלָּם [הָנֵי — אִין, מִידֵּי אַחֲרִינָא — לָא]!

É assim mesmo?! Mas não aprendemos nós numa mishná: estas são as coisas que o homem faz, e come seus frutos neste mundo, e o capital permanece reservado para ele no mundo vindouro; e estas são elas: honrar pai e mãe; atos de bondade; trazer paz entre uma pessoa e seu próximo; e o estudo da Torá é equivalente a todas elas juntasdonde se conclui: estas coisas, sim; qualquer outra coisa, não!

Nota

A Guemará objeta contra a lista de Rabi Yochanan a partir de uma mishná bem conhecida (Peá 1:1), que também enumera coisas cujos frutos se comem neste mundo com o capital reservado para o vindouro — mas com uma lista quase totalmente diferente: honra a pai e mãe, atos de bondade, trazer paz, e o estudo da Torá. A objeção presume que essa mishná, ao dizer "e estas são elas", pretende ser exaustiva, excluindo qualquer outro item — o que contradiria diretamente a lista de seis coisas de Rabi Yochanan. O daf termina precisamente neste ponto de tensão, sem resolução nesta página; a resposta viria em Shabbat 127b (ainda não publicado), que explica que os itens da lista de Rabi Yochanan também se relacionam, no fundo, a atos de bondade.

O daf termina aqui, em pleno fluxo da objeção contra a lista de Rabi Yochanan, a partir da mishná de Peá sobre honra a pai e mãe, atos de bondade, trazer paz e o estudo da Torá. Não há qualquer hadran nesta página — o Perek Yud-Chet (Mefanin) continua em andamento. A discussão prossegue diretamente em Shabbat 127b (ainda não publicado), que abre respondendo que os itens da lista de Rabi Yochanan "הָנֵי נָמֵי בִּגְמִילוּת חֲסָדִים שָׁיְיכִי" ("estes também se relacionam a atos de bondade").