83b terminara em aberto na palavra "אָמַר רָבָא" ("disse Rava"), sem predicado — uma lacuna real das fontes digitais consultadas (Sefaria, William Davidson Edition, e Wikisource), não um erro desta tradução. 84a não completa essa fala: em vez disso, a folha retoma um fio halákhico distinto, ligado à Mishná do barco tratada em 83b — perguntando se, segundo Chananya (para quem um utensílio só se torna impuro se for carregado tanto cheio quanto vazio), o transporte por bois também conta como "carregar", já que um barco grande, mesmo cheio, só se move puxado por bois. A Guemará responde que sim, com uma baraita (do tratado de Kelim) sobre três tipos de carroça — a fechada como cadeira, que é impura por pisadura; a aberta como cama, impura por impureza do morto; a de pedras, pura de tudo, exceto quando tem receptáculo para romãs, segundo Rabi Yochanan — e, por associação, sobre três tipos de arca, com a mesma tríade de resultados. Uma nova baraita ensina que a pisadura do vaso de barro é pura, e que Rabi Yossei acrescenta "também o barco"; a Guemará pergunta o que isso significa, e traz duas leituras opostas: a de Rav Zevid, segundo a qual o barco de barro é impuro (como ensina Chananya) e Rabi Yossei o purifica (como a Mishná deste tratado); e a de Rav Pappa, que inverte os papéis — o barco do Jordão é puro segundo a Mishná, e Rabi Yossei o impurifica segundo Chananya. A Guemará então busca a fonte bíblica da pureza do vaso de barro quanto à pisadura: Chizkiyahu a deriva do versículo sobre quem toca no leito do zav, comparando o leito a ele mesmo — só recebe impureza o que, como o próprio zav, tem purificação pela imersão, excluindo o barro; a escola de Rabi Yishmael traz uma derivação paralela a partir do leito da menstruada. A folha se fecha, em aberto, na objeção de Rabi Ile'a: se o mafatz (esteira de junco) é impuro por contato com um sheretz, de onde se deriva que também é impuro por contato com o morto? — pergunta cuja resposta (um argumento a fortiori) só vem no início de 84b.
83b terminara na fala "disse Rava", sem predicado, no meio de uma corrente agádica sobre nunca abandonar o estudo da Torá. Depois de conferir três fontes independentes (Sefaria, William Davidson Edition, tanto na versão vocalizada quanto na de Wikisource), confirma-se que essa é uma lacuna real da edição e paginação do texto — não incomum em manuscritos e edições impressas do Talmud —, e não um erro de tradução. 84a, ao abrir, não completa gramaticalmente essa fala: o primeiro segmento da folha retoma, em vez disso, um fio halákhico diferente e anterior, ligado à Mishná do barco já discutida em 83b — a pergunta sobre se, segundo Chananya, o transporte por bois conta como transporte. Esta tradução trata essa retomada com honestidade, como o que ela é: a continuação de um tópico halákhico relacionado, não a conclusão da frase de Rava, cujo conteúdo permanece ausente das fontes digitais consultadas.
E, segundo Chananya, o transporte por bois tem o nome de transporte (conta como carregar)? Sim, pois aprendemos numa Mishná: há três tipos de carroças. A que é feita como uma cadeira (fechada dos três lados) — é impura por pisadura (midrás). A que é feita como uma cama (comprida, com fundo fechado) — é impura por impureza do morto. A que é de pedras (para transportar pedras, com o fundo aberto) — é pura de tudo. E disse Rabi Yochanan: e se nela há um receptáculo com capacidade para romãs, é impura por impureza do morto.
A Guemará pergunta se, segundo Chananya (cuja derivação do saco exige que um utensílio seja carregado tanto cheio quanto vazio para se tornar impuro, examinada em 83b), o transporte por bois — e não por uma pessoa — também conta como esse "carregar". A pergunta importa porque um barco grande, mesmo cheio, só se move puxado por bois, nunca carregado por uma pessoa. A resposta é afirmativa, trazida de uma baraita do tratado de Kelim sobre três tipos de carroça, todas movidas por bois: a carroça fechada como uma cadeira, própria para sentar-se, é impura por pisadura; a carroça aberta como uma cama, sem furos no fundo, recebe as demais impurezas (inclusive a do morto) mas não a de pisadura, pois se usa também para carga, não exclusivamente para sentar-se; e a carroça de pedras, com o fundo vazado por grandes furos, não é considerada um utensílio e permanece pura de tudo — exceto, acrescenta Rabi Yochanan, se tiver um receptáculo cujos furos sejam pequenos demais para deixar passar uma romã, caso em que volta a ser considerada um utensílio e recebe a impureza do morto. Como essa carroça de pedras não é carregada senão por bois, e ainda assim pode se tornar impura, fica demonstrado que o transporte por bois conta como transporte.
"'E, segundo Chananya'" — que diz que um barco carregado cheio e vazio é impuro, mesmo que não seja carregado senão por bois: por causa de seu grande tamanho, isso conta como transporte, e é impuro. "'Como uma cadeira'" — curta e cercada pelos três lados. "'É impura por pisadura'" — pois é própria para assento. "'Como uma cama'" — que é comprida, e por baixo recebe impureza, como uma cama de couro que não tem nenhum furo. "'É impura por impureza do morto'" — isto é, recebe todas as demais impurezas, exceto a impureza de pisadura, pois é um utensílio apto a receber impureza, mas não é próprio especificamente para assento, já que nela se carrega mercadoria e se diz a quem se senta: "levanta-te e façamos nosso trabalho"; e o motivo de mencionar "impureza do morto" é que esta é a fonte principal de impureza (av hatumá), e assim se entende: é fonte principal de impureza por meio do morto, e não por meio do zav. "'E a de pedras'" — feita para transportar pedras. "'É pura de tudo'" — não recebe nenhuma impureza, pois seu fundo é aberto com grandes furos, e não é considerada um utensílio, já que a medida de todos os utensílios equivale à de romãs. "'E disse Rabi Yochanan, etc.'" — isso ensina que, ainda que a carroça de madeira tenha sido comparada ao saco — pois exigimos que seja carregada cheia e vazia —, e esta carroça de pedras não seja carregada senão por bois, ainda assim Rabi Yochanan diz que é impura por impureza do morto (quando tem receptáculo para romãs).
Há três tipos de arcas: a arca cuja abertura é por seu lado — é impura por pisadura. A cuja abertura é por cima — é impura por impureza do morto. E a que vem em grande medida, é pura de tudo.
A mesma baraita de Kelim, citada por associação de tema, traz uma tríade paralela para as arcas (baús de madeira): a arca que se abre por um dos lados continua servindo para sentar-se mesmo fechada, e por isso é impura por pisadura; a que se abre apenas por cima não serve para sentar-se com a tampa fechada, mas ainda recebe as demais impurezas, inclusive a do morto; e a arca de grande medida (maior que quarenta se'á, segundo Rashi, "própria para homens de medida", isto é, que precisa ser medida em comprimento e largura) não serve nem para sentar-se nem é carregada cheia, e por isso permanece pura de tudo.
"'A arca cuja abertura é por seu lado é impura por pisadura'" — pois serve para deitar-se junto com seu uso de trabalho, já que se usa a arca através de sua abertura lateral enquanto alguém está sentado sobre ela, e não é preciso dizer a quem está deitado sobre ela "levanta-te e façamos nosso trabalho". "'Por cima'" — sua abertura é como as nossas. "'É impura por impureza do morto'" — isto é, torna-se fonte principal de impureza por meio do morto, como todos os demais utensílios aptos a receber impureza, que, se a tenda do morto os cobrir, tornam-se fonte principal de impureza, e, quanto às demais impurezas, tornam-se primeiro grau de impureza como todos os utensílios; e não aprendemos da Mishná senão que a arca é um utensílio sujeito à impureza, mas não à pisadura, pois não é própria especificamente para deitar-se, já que é preciso dizer-lhe "levanta-te". "'E a que vem em medida'" — uma arca grande, que não é carregada, e tem uma janela por cima para se usar em seu interior. "'É pura de tudo'" — não serve para pisadura, pois, sendo vazada por cima, não serve para deitar-se junto com seu uso de trabalho; e, quanto às demais impurezas, não serve, pois não é carregada cheia; e não se explicou o que significa a expressão "vem em medida", mas a mim parece que é por causa dos "homens de medida" (agrimensores), isto é, uma arca que precisa medir seu comprimento e sua largura.
Ensinaram os sábios numa baraita: a pisadura do vaso de barro é pura. Rabi Yossei diz: também o barco (é puro quanto à pisadura). O que isso quer dizer? Disse Rav Zevid: assim deve ser entendido: a pisadura do vaso de barro é pura, e seu contato é impuro; e o barco de barro é impuro por contato, segundo Chananya. Rabi Yossei diz: também o barco é puro, segundo o mestre de nossa Mishná. Rav Pappa objetou a isso: o que significa "também"? Mas disse Rav Pappa: assim deve ser entendido: a pisadura do vaso de barro é pura, e seu contato é impuro; e o vaso de madeira, tanto sua pisadura quanto seu contato — é impuro; e o barco do Jordão é puro, segundo o mestre de nossa Mishná. Rabi Yossei diz: também o barco é impuro, segundo Chananya.
Uma nova baraita ensina que o vaso de barro é puro quanto à impureza por pisadura (se um zav se sentar sobre ele sem tocar seu interior), e Rabi Yossei acrescenta "também o barco". A Guemará pergunta o sentido dessa adição, e traz duas leituras opostas. Segundo Rav Zevid: o primeiro mestre da baraita considera o barco de barro impuro por contato, seguindo Chananya (para quem só a comparação ao saco importa, e o barro não foi comparado a ele); e Rabi Yossei discorda, purificando também o barco, seguindo a Mishná deste tratado (derivada de "no meio do mar"). Rav Pappa objeta que essa leitura não explica por que Rabi Yossei diria "também", palavra que soa como concordância, não discordância — e propõe a leitura oposta: o primeiro mestre já concorda que o barco do Jordão é puro, seguindo a Mishná; e é Rabi Yossei quem acrescenta que esse mesmo barco é impuro, seguindo Chananya, invertendo por completo a atribuição das duas opiniões.
"'A pisadura do vaso de barro é pura'" — pois, se um zav se sentar sobre ele e não tocar em seu interior (o ar dentro dele), é puro, e não se torna impuro por pisadura; e adiante a Guemará deriva isso de um versículo. "'O que isso quer dizer'" — que relação tem o barco com a pisadura? Explica-se que o barco é puro também quanto à impureza por contato, e não serve para pisadura. "'E seu contato é impuro'" — se o zav tocou em seu interior. "'E o barco de barro é impuro'" — por contato. "'Segundo Chananya'" — que deriva o motivo da comparação ao saco, e o barro não foi comparado ao saco. "'Segundo o mestre de nossa Mishná'" — que deriva a pureza de "no meio do mar", e este barco de barro também está no meio do mar. "'O que significa "também o barco"'" — necessariamente Rabi Yossei fala de puro quanto a contato; e o que significa "também", se o primeiro mestre não purificou o utensílio quanto a contato, para que digamos "também este é semelhante"? "'E o barco do Jordão é puro, segundo o mestre de nossa Mishná'" — que deriva de "no meio do mar", sem diferença entre grande e pequeno; e, pela mesma razão, poder-se-ia também explicar que o barco de barro é puro, depois de invertermos as posições, atribuindo a opinião do primeiro mestre a Rabi Yossei — mas prefere-se a outra ordem porque o barco de madeira é mais comum do que o de barro.
E de onde derivamos que a pisadura do vaso de barro é pura? Disse Chizkiyahu: pois o versículo diz: "e o homem que tocar em seu leito" (Levítico 15:5) — o versículo compara seu leito a ele mesmo: assim como ele tem purificação através da imersão (no mikvê), também seu leito tem purificação através da imersão.
A Guemará busca a fonte bíblica para a regra, já pressuposta nas discussões anteriores, de que o vaso de barro é puro quanto à impureza de pisadura. Chizkiyahu a deriva do versículo sobre o zav e seu leito: a Torá justapõe "seu leito" a "ele" (o zav), ensinando que só é suscetível à impureza de pisadura o utensílio que, como o próprio zav, pode ser purificado pela imersão num mikvê. O vaso de barro impuro, porém, não tem purificação pela imersão — segundo Rashi, porque a Torá prescreve, para ele, apenas a quebra (Levítico 11:33) —, e por isso fica excluído dessa impureza específica, ainda que continue sujeito à impureza por contato, como qualquer outro utensílio.
"'Seu leito'" — ele mesmo e seu leito são mencionados aqui juntos no mesmo versículo, permitindo a comparação.
A escola de Rabi Yishmael ensinou: "como o leito de sua menstruação será para ela" (Levítico 15:26) — o versículo compara seu leito a ela mesma: assim como ela tem purificação através da imersão, também seu leito tem purificação através da imersão — excluindo, assim, o vaso de barro, que não tem purificação através da imersão. Objetou Rabi Ile'a: o mafatz (esteira de junco), quanto ao morto, de onde se deriva que é impuro?
A escola de Rabi Yishmael traz uma segunda derivação, paralela à de Chizkiyahu, a partir do versículo sobre o leito da menstruada: também aqui a Torá justapõe "seu leito" a "ela", excluindo o vaso de barro (que não tem purificação pela imersão) da impureza de pisadura. Rabi Ile'a levanta então uma objeção a partir de outra fonte, sobre o mafatz — uma esteira feita de junco: de onde se deriva que ele é impuro por contato com um morto? A folha termina exatamente nessa pergunta, ainda sem resposta; não se trata, porém, da mesma lacuna que fechou 83b, mas de uma divisão comum de página no meio de um argumento em curso — verificado o início de 84b, a Guemará ali prossegue com a resposta de Rabi Ile'a à sua própria pergunta, um argumento a fortiori (qal vachômer): se até os pequenos jarros de barro, puros quanto ao zav, são impuros pelo morto, quanto mais o mafatz, que já é impuro quanto ao zav, deveria ser impuro pelo morto — argumento que Rabi Chanina em seguida qualifica, distinguindo os casos.
"'O vaso de barro não tem purificação pela imersão'" — pois está escrito a seu respeito: "será quebrado" (Levítico 11:33) — não tem purificação senão por sua quebra. "'Mafatz'" — esteira de junco. "'Quanto ao morto, de onde'" — isto é: de onde se deriva que ele é impuro por contato com o morto, visto que encontramos que os utensílios simples de madeira são puros quanto à impureza por contato com um sheretz — de onde se deriva que um utensílio próprio para servir de leito ou assento recebe impureza por contato com o morto?