Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Tet (Amar Rabi Akiva)
טִלְטוּל עַל יְדֵי שְׁוָורִים

Retomada do fio sobre o transporte por bois segundo Chananya; a baraita das três carroças e das três arcas; a disputa entre Rav Zevid e Rav Pappa sobre a nave de barro; as derivações de Chizkiyahu e da escola de Rabi Yishmael; e a objeção de Rabi Ile'a sobre o mafatz, em aberto

Shabbat 84a — a folha não completa a fala interrompida de Rava ao final de 83b, mas retoma um fio halákhico anterior sobre Chananya e o transporte por bois; traz a baraita das três carroças e das três arcas, a disputa entre Rav Zevid e Rav Pappa sobre a leitura de uma baraita a respeito da pisadura do vaso de barro e da nave, e as derivações escriturísticas de Chizkiyahu e da escola de Rabi Yishmael — terminando, em aberto, na objeção de Rabi Ile'a sobre o mafatz.

83b terminara em aberto na palavra "אָמַר רָבָא" ("disse Rava"), sem predicado — uma lacuna real das fontes digitais consultadas (Sefaria, William Davidson Edition, e Wikisource), não um erro desta tradução. 84a não completa essa fala: em vez disso, a folha retoma um fio halákhico distinto, ligado à Mishná do barco tratada em 83b — perguntando se, segundo Chananya (para quem um utensílio só se torna impuro se for carregado tanto cheio quanto vazio), o transporte por bois também conta como "carregar", já que um barco grande, mesmo cheio, só se move puxado por bois. A Guemará responde que sim, com uma baraita (do tratado de Kelim) sobre três tipos de carroça — a fechada como cadeira, que é impura por pisadura; a aberta como cama, impura por impureza do morto; a de pedras, pura de tudo, exceto quando tem receptáculo para romãs, segundo Rabi Yochanan — e, por associação, sobre três tipos de arca, com a mesma tríade de resultados. Uma nova baraita ensina que a pisadura do vaso de barro é pura, e que Rabi Yossei acrescenta "também o barco"; a Guemará pergunta o que isso significa, e traz duas leituras opostas: a de Rav Zevid, segundo a qual o barco de barro é impuro (como ensina Chananya) e Rabi Yossei o purifica (como a Mishná deste tratado); e a de Rav Pappa, que inverte os papéis — o barco do Jordão é puro segundo a Mishná, e Rabi Yossei o impurifica segundo Chananya. A Guemará então busca a fonte bíblica da pureza do vaso de barro quanto à pisadura: Chizkiyahu a deriva do versículo sobre quem toca no leito do zav, comparando o leito a ele mesmo — só recebe impureza o que, como o próprio zav, tem purificação pela imersão, excluindo o barro; a escola de Rabi Yishmael traz uma derivação paralela a partir do leito da menstruada. A folha se fecha, em aberto, na objeção de Rabi Ile'a: se o mafatz (esteira de junco) é impuro por contato com um sheretz, de onde se deriva que também é impuro por contato com o morto? — pergunta cuja resposta (um argumento a fortiori) só vem no início de 84b.

Nota — sobre a fala interrompida de Rava, ao final de 83b

83b terminara na fala "disse Rava", sem predicado, no meio de uma corrente agádica sobre nunca abandonar o estudo da Torá. Depois de conferir três fontes independentes (Sefaria, William Davidson Edition, tanto na versão vocalizada quanto na de Wikisource), confirma-se que essa é uma lacuna real da edição e paginação do texto — não incomum em manuscritos e edições impressas do Talmud —, e não um erro de tradução. 84a, ao abrir, não completa gramaticalmente essa fala: o primeiro segmento da folha retoma, em vez disso, um fio halákhico diferente e anterior, ligado à Mishná do barco já discutida em 83b — a pergunta sobre se, segundo Chananya, o transporte por bois conta como transporte. Esta tradução trata essa retomada com honestidade, como o que ela é: a continuação de um tópico halákhico relacionado, não a conclusão da frase de Rava, cujo conteúdo permanece ausente das fontes digitais consultadas.

Retomando o fio: o transporte por bois conta como transporte, segundo Chananya? A baraita das três carroças e das três arcas · שָׁלֹשׁ עֲגָלוֹת הֵן, שָׁלֹשׁ תֵּיבוֹת הֵן

33Segundo Chananya, o transporte por bois conta como transporte? Sim — a baraita das três carroças: como cadeira (pisadura), como cama (impureza do morto), de pedras (pura), exceto com receptáculo para romãs
A Guemará; Rabi Yochanan
וְלַחֲנַנְיָא טִלְטוּל עַל יְדֵי שְׁוָורִים שְׁמֵיהּ טִלְטוּל? אִין דִּתְנַן: שָׁלֹשׁ עֲגָלוֹת הֵן. עֲשׂוּיָה כְּקָתֶידְרָא — טְמֵאָה מִדְרָס. כְּמִטָּה — טְמֵאָה טְמֵא מֵת. שֶׁל אֲבָנִים — טְהוֹרָה מִכְּלוּם. וְאָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: וְאִם יֵשׁ בָּהּ בֵּית קִבּוּל רִמּוֹנִים, טְמֵאָה טְמֵא מֵת.

E, segundo Chananya, o transporte por bois tem o nome de transporte (conta como carregar)? Sim, pois aprendemos numa Mishná: há três tipos de carroças. A que é feita como uma cadeira (fechada dos três lados) — é impura por pisadura (midrás). A que é feita como uma cama (comprida, com fundo fechado) — é impura por impureza do morto. A que é de pedras (para transportar pedras, com o fundo aberto) — é pura de tudo. E disse Rabi Yochanan: e se nela há um receptáculo com capacidade para romãs, é impura por impureza do morto.

Nota

A Guemará pergunta se, segundo Chananya (cuja derivação do saco exige que um utensílio seja carregado tanto cheio quanto vazio para se tornar impuro, examinada em 83b), o transporte por bois — e não por uma pessoa — também conta como esse "carregar". A pergunta importa porque um barco grande, mesmo cheio, só se move puxado por bois, nunca carregado por uma pessoa. A resposta é afirmativa, trazida de uma baraita do tratado de Kelim sobre três tipos de carroça, todas movidas por bois: a carroça fechada como uma cadeira, própria para sentar-se, é impura por pisadura; a carroça aberta como uma cama, sem furos no fundo, recebe as demais impurezas (inclusive a do morto) mas não a de pisadura, pois se usa também para carga, não exclusivamente para sentar-se; e a carroça de pedras, com o fundo vazado por grandes furos, não é considerada um utensílio e permanece pura de tudo — exceto, acrescenta Rabi Yochanan, se tiver um receptáculo cujos furos sejam pequenos demais para deixar passar uma romã, caso em que volta a ser considerada um utensílio e recebe a impureza do morto. Como essa carroça de pedras não é carregada senão por bois, e ainda assim pode se tornar impura, fica demonstrado que o transporte por bois conta como transporte.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "veLachananya", "kekatedra", "temeah midras", "kemitá", "temeah tumat met", "veshel avanim", "tehorá mikelum" e "ve'amar Rabi Yochanan"
ולחנניא - דאמר ספינה המיטלטלת מלאה טמאה אפילו אינה מיטלטלת אלא על ידי שוורים מרוב גודלה הוי טילטול וטמאה: כקתידרא - קצרה ומוקפת משלש צדדין: טמאה מדרס - שלישיבה מיוחדת היא: כמטה - שהיא ארוכה ומתחתיה מקבלת כמטה של עור שאין בה שום נקב: טמאה טומאת מת - כלומר מקבלת שאר טומאות כולן חוץ מטומאת מדרס דכלי הוה לקבל טומאה ולישיבה אינה מיוחדת שטוענין בה פרגמטיא ואומר לו עמוד ונעשה מלאכתנו והא דנקט טמא מת משום דאב הטומאה הוא והכי קאמר אב הטומאה הוא על ידי מת ולא על ידי זב: ושל אבנים - העשויה להוליך בה אבנים: טהורה מכלום - אינה מקבלת שום טומאה לפי שפרוצה מתחתיה נקבים גדולים ולא כלי הוא דכל הכלים שיעורן כרמונים: ואמר רבי יוחנן כו' - אלמא אף על גב דשל עץ איתקש לשק דבעינן מיטלטל מלא וריקן וזו אינה מיטלטלת אלא על ידי שוורים קאמר טמאה טמא מת:

"'E, segundo Chananya'" — que diz que um barco carregado cheio e vazio é impuro, mesmo que não seja carregado senão por bois: por causa de seu grande tamanho, isso conta como transporte, e é impuro. "'Como uma cadeira'" — curta e cercada pelos três lados. "'É impura por pisadura'" — pois é própria para assento. "'Como uma cama'" — que é comprida, e por baixo recebe impureza, como uma cama de couro que não tem nenhum furo. "'É impura por impureza do morto'" — isto é, recebe todas as demais impurezas, exceto a impureza de pisadura, pois é um utensílio apto a receber impureza, mas não é próprio especificamente para assento, já que nela se carrega mercadoria e se diz a quem se senta: "levanta-te e façamos nosso trabalho"; e o motivo de mencionar "impureza do morto" é que esta é a fonte principal de impureza (av hatumá), e assim se entende: é fonte principal de impureza por meio do morto, e não por meio do zav. "'E a de pedras'" — feita para transportar pedras. "'É pura de tudo'" — não recebe nenhuma impureza, pois seu fundo é aberto com grandes furos, e não é considerada um utensílio, já que a medida de todos os utensílios equivale à de romãs. "'E disse Rabi Yochanan, etc.'" — isso ensina que, ainda que a carroça de madeira tenha sido comparada ao saco — pois exigimos que seja carregada cheia e vazia —, e esta carroça de pedras não seja carregada senão por bois, ainda assim Rabi Yochanan diz que é impura por impureza do morto (quando tem receptáculo para romãs).

34A mesma baraita, por associação: três tipos de arca — a que abre pelo lado (pisadura), a que abre por cima (impureza do morto), a de grande medida (pura de tudo)
A baraita (continuação)
שָׁלֹשׁ תֵּיבוֹת הֵן: תֵּיבָה שֶׁפִּתְחָהּ מִצִּדָּהּ — טְמֵאָה מִדְרָס. מִלְּמַעְלָה — טְמֵאָה טְמֵא מֵת. וְהַבָּאָה בְּמִדָּה, טְהוֹרָה מִכְּלוּם.

Há três tipos de arcas: a arca cuja abertura é por seu lado — é impura por pisadura. A cuja abertura é por cima — é impura por impureza do morto. E a que vem em grande medida, é pura de tudo.

Nota

A mesma baraita de Kelim, citada por associação de tema, traz uma tríade paralela para as arcas (baús de madeira): a arca que se abre por um dos lados continua servindo para sentar-se mesmo fechada, e por isso é impura por pisadura; a que se abre apenas por cima não serve para sentar-se com a tampa fechada, mas ainda recebe as demais impurezas, inclusive a do morto; e a arca de grande medida (maior que quarenta se'á, segundo Rashi, "própria para homens de medida", isto é, que precisa ser medida em comprimento e largura) não serve nem para sentar-se nem é carregada cheia, e por isso permanece pura de tudo.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "teivá shepitchah mitzidah temeah midras", "milmaalá", "temeah temeh met" e "habaá bemidá"
תיבה שפתחה מצדה טמאה מדרס - לפי שמשמשת שכיבה עם מלאכתה שמשתמשין בה דרך פתחה ואין צריך לומר לשוכב עליה עמוד ונעשה מלאכתנו: מלמעלה - פתחה כאותן שלנו: טמאה טמא מת - כלומר נעשה אב הטומאה על ידי מת כשאר כל הכלים הראויין לקבל טומאה שאם האהיל אהל המת עליהן נעשין אב הטומאה ולענין שאר טומאות הויין ראשון לטומאה ככל הכלים ולא שמעינן ממתניתין אלא דכלי הוא לטומאה ומדרס לא הויא דאינה מיוחדת לשכיבה דצריך לומר לו עמוד: הבאה במדה - תיבה גדולה שאינה מיטלטלת ויש לה חלון מלמעלה להשתמש בתוכה: טהורה מכלום - למדרס לא חזיא הואיל וחלולה מלמעלה אינה משמשת שכיבה עם מלאכתה ולשאר טומאות לא חזיא דאינה מטלטלת מליאה ולא איתפרש מה לשון באה במדה ולי נראה על שם אנשי מדות כלומר שצריכה למוד ארכה ורחבה:

"'A arca cuja abertura é por seu lado é impura por pisadura'" — pois serve para deitar-se junto com seu uso de trabalho, já que se usa a arca através de sua abertura lateral enquanto alguém está sentado sobre ela, e não é preciso dizer a quem está deitado sobre ela "levanta-te e façamos nosso trabalho". "'Por cima'" — sua abertura é como as nossas. "'É impura por impureza do morto'" — isto é, torna-se fonte principal de impureza por meio do morto, como todos os demais utensílios aptos a receber impureza, que, se a tenda do morto os cobrir, tornam-se fonte principal de impureza, e, quanto às demais impurezas, tornam-se primeiro grau de impureza como todos os utensílios; e não aprendemos da Mishná senão que a arca é um utensílio sujeito à impureza, mas não à pisadura, pois não é própria especificamente para deitar-se, já que é preciso dizer-lhe "levanta-te". "'E a que vem em medida'" — uma arca grande, que não é carregada, e tem uma janela por cima para se usar em seu interior. "'É pura de tudo'" — não serve para pisadura, pois, sendo vazada por cima, não serve para deitar-se junto com seu uso de trabalho; e, quanto às demais impurezas, não serve, pois não é carregada cheia; e não se explicou o que significa a expressão "vem em medida", mas a mim parece que é por causa dos "homens de medida" (agrimensores), isto é, uma arca que precisa medir seu comprimento e sua largura.

A disputa entre Rav Zevid e Rav Pappa: a pisadura do vaso de barro e "também o barco" · מִדְרַס כְּלִי חֶרֶס טָהוֹר, רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר אַף הַסְּפִינָה

35Baraita: a pisadura do vaso de barro é pura; Rabi Yossei acrescenta "também o barco"; Rav Zevid explica que o barco de barro é impuro segundo Chananya, e Rabi Yossei o purifica segundo a Mishná; Rav Pappa inverte os papéis
A baraita; Rav Zevid; Rav Pappa
תָּנוּ רַבָּנַן: מִדְרַס כְּלִי חֶרֶס טָהוֹר. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אַף הַסְּפִינָה. מַאי קָאָמַר? אָמַר רַב זְבִיד, הָכִי קָאָמַר: מִדְרַס כְּלִי חֶרֶס — טָהוֹר, וּמַגָּעוֹ טָמֵא, וּסְפִינָה שֶׁל חֶרֶס טְמֵאָה כַּחֲנַנְיָא. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אַף הַסְּפִינָה טְהוֹרָה, כְּתַנָּא דִידַן. מַתְקִיף לַהּ רַב פָּפָּא: מַאי ״אַף״? אֶלָּא אָמַר רַב פָּפָּא, הָכִי קָאָמַר: מִדְרַס כְּלִי חֶרֶס — טָהוֹר, וּמַגָּעוֹ טָמֵא. וְשֶׁל עֵץ, בֵּין מִדְרָסוֹ וּבֵין מַגָּעוֹ — טָמֵא, וּסְפִינַת הַיַּרְדֵּן — טְהוֹרָה כְּתַנָּא דִידַן. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אַף הַסְּפִינָה טְמֵאָה, כַּחֲנַנְיָא.

Ensinaram os sábios numa baraita: a pisadura do vaso de barro é pura. Rabi Yossei diz: também o barco (é puro quanto à pisadura). O que isso quer dizer? Disse Rav Zevid: assim deve ser entendido: a pisadura do vaso de barro é pura, e seu contato é impuro; e o barco de barro é impuro por contato, segundo Chananya. Rabi Yossei diz: também o barco é puro, segundo o mestre de nossa Mishná. Rav Pappa objetou a isso: o que significa "também"? Mas disse Rav Pappa: assim deve ser entendido: a pisadura do vaso de barro é pura, e seu contato é impuro; e o vaso de madeira, tanto sua pisadura quanto seu contato — é impuro; e o barco do Jordão é puro, segundo o mestre de nossa Mishná. Rabi Yossei diz: também o barco é impuro, segundo Chananya.

Nota

Uma nova baraita ensina que o vaso de barro é puro quanto à impureza por pisadura (se um zav se sentar sobre ele sem tocar seu interior), e Rabi Yossei acrescenta "também o barco". A Guemará pergunta o sentido dessa adição, e traz duas leituras opostas. Segundo Rav Zevid: o primeiro mestre da baraita considera o barco de barro impuro por contato, seguindo Chananya (para quem só a comparação ao saco importa, e o barro não foi comparado a ele); e Rabi Yossei discorda, purificando também o barco, seguindo a Mishná deste tratado (derivada de "no meio do mar"). Rav Pappa objeta que essa leitura não explica por que Rabi Yossei diria "também", palavra que soa como concordância, não discordância — e propõe a leitura oposta: o primeiro mestre já concorda que o barco do Jordão é puro, seguindo a Mishná; e é Rabi Yossei quem acrescenta que esse mesmo barco é impuro, seguindo Chananya, invertendo por completo a atribuição das duas opiniões.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "midras klí cheres tahor", "mai kaamar", "umagaó tamé", "usfiná shel cheres temeá", "kaChananya", "ketaná didan", "mai af sfiná" e "usfinat haYarden tehorá ketaná didan"
מדרס כלי חרס טהור - שאם ישב עליו הזב ולא נגע באוירו טהור ואינו מטמא משום מדרס ולקמיה יליף לה מקרא: מאי קאמר - מה ענין ספינה אצל מדרס ספינה טהורה אף מטומאת מגע ולמדרס לא חזיא: ומגעו טמא - אם נגע הזב בתוכו: וספינה של חרס טמאה - במגעה: כחנניא - דיליף טעמא משק וחרס לא איתקש לשק: כתנא דידן - דיליף מבלב ים והא נמי בלב ים היא: מאי אף ספינה - על כרחיך טהורה ממגע קאמר ומאי אף הא לא טיהר תנא קמא כלי ממגע דנימא אף זו כיוצא בו: וספינת הירדן טהורה כתנא דידן - דיליף מבלב ים לא שנא גדולה לא שנא קטנה והוא הדין נמי דמצי לתרוצי וספינה של חרס טהורה בתר דמפכינן דתנא קמא לרבי יוסי אלא משום דשכיחא טפי של עץ משל חרס:

"'A pisadura do vaso de barro é pura'" — pois, se um zav se sentar sobre ele e não tocar em seu interior (o ar dentro dele), é puro, e não se torna impuro por pisadura; e adiante a Guemará deriva isso de um versículo. "'O que isso quer dizer'" — que relação tem o barco com a pisadura? Explica-se que o barco é puro também quanto à impureza por contato, e não serve para pisadura. "'E seu contato é impuro'" — se o zav tocou em seu interior. "'E o barco de barro é impuro'" — por contato. "'Segundo Chananya'" — que deriva o motivo da comparação ao saco, e o barro não foi comparado ao saco. "'Segundo o mestre de nossa Mishná'" — que deriva a pureza de "no meio do mar", e este barco de barro também está no meio do mar. "'O que significa "também o barco"'" — necessariamente Rabi Yossei fala de puro quanto a contato; e o que significa "também", se o primeiro mestre não purificou o utensílio quanto a contato, para que digamos "também este é semelhante"? "'E o barco do Jordão é puro, segundo o mestre de nossa Mishná'" — que deriva de "no meio do mar", sem diferença entre grande e pequeno; e, pela mesma razão, poder-se-ia também explicar que o barco de barro é puro, depois de invertermos as posições, atribuindo a opinião do primeiro mestre a Rabi Yossei — mas prefere-se a outra ordem porque o barco de madeira é mais comum do que o de barro.

As derivações de Chizkiyahu e da escola de Rabi Yishmael para a pureza do vaso de barro quanto à pisadura · וּמִדְרַס כְּלִי חֶרֶס מְנָלַן דְּטָהוֹר

36De onde se deriva a pureza do vaso de barro quanto à pisadura? Chizkiyahu: do versículo sobre quem toca no leito do zav, comparando o leito a ele mesmo
Chizkiyahu
וּמִדְרַס כְּלִי חֶרֶס מְנָלַן דְּטָהוֹר? אָמַר חִזְקִיָּה, דְּאָמַר קְרָא: ״וְאִישׁ אֲשֶׁר יִגַּע בְּמִשְׁכָּבוֹ״, מַקִּישׁ מִשְׁכָּבוֹ לוֹ: מָה הוּא אִית לֵיהּ טׇהֳרָה בְּמִקְוֶה — אַף מִשְׁכָּבוֹ נָמֵי אִית לֵיהּ טׇהֳרָה בְּמִקְוֶה.

E de onde derivamos que a pisadura do vaso de barro é pura? Disse Chizkiyahu: pois o versículo diz: "e o homem que tocar em seu leito" (Levítico 15:5)o versículo compara seu leito a ele mesmo: assim como ele tem purificação através da imersão (no mikvê), também seu leito tem purificação através da imersão.

Nota

A Guemará busca a fonte bíblica para a regra, já pressuposta nas discussões anteriores, de que o vaso de barro é puro quanto à impureza de pisadura. Chizkiyahu a deriva do versículo sobre o zav e seu leito: a Torá justapõe "seu leito" a "ele" (o zav), ensinando que só é suscetível à impureza de pisadura o utensílio que, como o próprio zav, pode ser purificado pela imersão num mikvê. O vaso de barro impuro, porém, não tem purificação pela imersão — segundo Rashi, porque a Torá prescreve, para ele, apenas a quebra (Levítico 11:33) —, e por isso fica excluído dessa impureza específica, ainda que continue sujeito à impureza por contato, como qualquer outro utensílio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mishkavo"
משכבו - הוא והמשכב הוזכר כאן:

"'Seu leito'" — ele mesmo e seu leito são mencionados aqui juntos no mesmo versículo, permitindo a comparação.

37A escola de Rabi Yishmael: derivação paralela a partir do leito da menstruada; a objeção de Rabi Ile'a sobre o mafatz quanto ao morto — em aberto, continua em 84b
A escola de Rabi Yishmael; Rabi Ile'a
דְּבֵי רַבִּי יִשְׁמָעֵאל תָּנָא: ״כְּמִשְׁכַּב נִדָּתָהּ יִהְיֶה לָּהּ״, מַקִּישׁ מִשְׁכָּבָהּ לָהּ: מָה הִיא אִית לַהּ טׇהֳרָה בְּמִקְוֶה — אַף מִשְׁכָּבָהּ נָמֵי אִית לַהּ טׇהֳרָה בְּמִקְוֶה, לְאַפּוֹקֵי כְּלִי חֶרֶס דְּלֵית לֵיהּ טׇהֳרָה בְּמִקְוֶה. מֵתִיב רַבִּי אִילְעָא: מַפָּץ בְּמֵת מִנַּיִן?

A escola de Rabi Yishmael ensinou: "como o leito de sua menstruação será para ela" (Levítico 15:26)o versículo compara seu leito a ela mesma: assim como ela tem purificação através da imersão, também seu leito tem purificação através da imersão — excluindo, assim, o vaso de barro, que não tem purificação através da imersão. Objetou Rabi Ile'a: o mafatz (esteira de junco), quanto ao morto, de onde se deriva que é impuro?

Nota — trecho aberto, continua em 84b

A escola de Rabi Yishmael traz uma segunda derivação, paralela à de Chizkiyahu, a partir do versículo sobre o leito da menstruada: também aqui a Torá justapõe "seu leito" a "ela", excluindo o vaso de barro (que não tem purificação pela imersão) da impureza de pisadura. Rabi Ile'a levanta então uma objeção a partir de outra fonte, sobre o mafatz — uma esteira feita de junco: de onde se deriva que ele é impuro por contato com um morto? A folha termina exatamente nessa pergunta, ainda sem resposta; não se trata, porém, da mesma lacuna que fechou 83b, mas de uma divisão comum de página no meio de um argumento em curso — verificado o início de 84b, a Guemará ali prossegue com a resposta de Rabi Ile'a à sua própria pergunta, um argumento a fortiori (qal vachômer): se até os pequenos jarros de barro, puros quanto ao zav, são impuros pelo morto, quanto mais o mafatz, que já é impuro quanto ao zav, deveria ser impuro pelo morto — argumento que Rabi Chanina em seguida qualifica, distinguindo os casos.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "klí cheres ein lo tahorá bemikvê", "mafatz" e "bemet minayin"
כלי חרס אין לו טהרה במקוה - דכתיב ישבר אין לו טהרה אלא שבירתו: מפץ - של קנים: במת מניין - שהוא טמא לפי שמצינו שפשוטי כלי עץ טהורין מטומאת מגע שרץ מניין שכלי הראוי למשכב ומושב מקבל טומאת מגע במת:

"'O vaso de barro não tem purificação pela imersão'" — pois está escrito a seu respeito: "será quebrado" (Levítico 11:33) — não tem purificação senão por sua quebra. "'Mafatz'" — esteira de junco. "'Quanto ao morto, de onde'" — isto é: de onde se deriva que ele é impuro por contato com o morto, visto que encontramos que os utensílios simples de madeira são puros quanto à impureza por contato com um sheretz — de onde se deriva que um utensílio próprio para servir de leito ou assento recebe impureza por contato com o morto?