O daf abre completando a frase de Rav Sheshet interrompida no limite de 38a: "segundo as palavras de quem diz" que se devolve a panela ao fogareiro — isso vale até mesmo em Shabat, não apenas no crepúsculo antes dele. A Guemará traz o apoio de Rabi Oshaya, confirmado pelo episódio em que ele e seus colegas subiram um bule de água quente de um andar a outro na casa de Rabi Chiya Rabah, serviram-lhe a bebida e devolveram o bule ao seu lugar, sem que Rabi Chiya Rabah objetasse. Segue-se uma cadeia de disputas refinando essa permissão: Rabi Tadai (segundo Rabi Zerika, Rabi Abba) distingue devolver enquanto o objeto ainda está na mão (permitido) de devolvê-lo depois de pousado no chão (proibido) — posição isolada, corrigida por Rabi Ami em nome de Rabi Chiya e Rabi Yochanan, que permitem em qualquer caso; Rav Dimi e Rav Shmuel bar Yehuda, ambos em nome de Rabi Elazar, disputam a mesma distinção; e Chizkia, em nome de Abaie, refina ainda mais com a intenção de devolver, em duas versões opostas transmitidas pela Guemará. O trecho fecha com duas dúvidas não resolvidas — de Rabi Yirmeya sobre pendurar num bastão ou pousar sobre uma cama, e de Rav Ashi sobre transferir de um bule a outro —, ambas com teiku. Uma nova Mishná então abre a segunda unidade do capítulo: o forno aceso com palha ou restolho não permite colocar comida nem dentro nem por cima; o fogareiro pequeno (kupach) aceso da mesma forma equipara-se ao fogareiro comum quanto a permitir, mas ao forno quanto a proibir se aceso com bagaço ou lenha. A Guemará debate longamente essa Mishná — a tentativa refutada de Rav Yossef de permitir encostar ao forno, a baraita paralela citada por Abaie, a resposta de Rav Adda bar Ahava distinguindo os dois tipos de aquecimento, a pergunta de Rav Acha bar Rava a Rav Ashi sobre a natureza intermediária do kupach, e as definições precisas de kupach e kirá segundo Rabi Yossei bar Chanina, confirmadas por uma Mishná paralela sobre pureza ritual. O daf fecha com uma terceira Mishná — não se põe ovo junto ao bule para que role, nem se envolve em panos quentes (com a permissão de Rabi Yossei), nem se enterra em areia ou pó de estrada aquecidos pelo sol — seguida do episódio histórico dos habitantes de Tiberíades que trouxeram um cano de água fria para dentro do canal de água quente, com a resposta dos sábios distinguindo Shabat de Yom Tov, e a abertura, interrompida no limite do daf, da dúvida da Guemará sobre o próprio ovo que rolou.
(Continuando a frase de Rav Sheshet, interrompida no fim de 38a:) Devolve-se — até mesmo em Shabat (e não apenas no crepúsculo, antes do início do Shabat). E também Rabi Oshaya entendia que "até se devolve" vale até mesmo em Shabat. Pois disse Rabi Oshaya: certa vez, estávamos hospedados num andar acima de Rabi Chiya Rabah, e subimos para ele um bule de água quente do andar de baixo para o andar de cima, e servimos-lhe o copo, e devolvemo-lo ao seu lugar, e (Rabi Chiya Rabah) não nos disse nada (demonstrando que a prática era permitida).
O daf abre completando a frase de Rav Sheshet, cortada exatamente no limite físico do daf anterior: "segundo as palavras de quem diz" que se pode devolver a panela ao fogareiro preparado — essa permissão vale não apenas no crepúsculo que precede o Shabat, mas durante o próprio Shabat. A Guemará apoia essa leitura com o testemunho de Rabi Oshaya, que também sustentava essa posição mais ampla, e narra um episódio concreto: hospedado num andar superior à casa de Rabi Chiya Rabah, Rabi Oshaya e seus colegas subiram um bule de água quente de um andar ao outro em pleno Shabat, serviram a bebida a Rabi Chiya Rabah, e devolveram o bule ao lugar de onde vinha — tudo isso sem que Rabi Chiya Rabah, autoridade da casa, objetasse ou proibisse o ato, prova silenciosa de que a prática era aceita.
"Devolve-se, até mesmo em Shabat" — (referindo-se a devolver) no dia seguinte (depois de já ter passado uma noite fora do fogareiro), e não se diga que a disputa (entre Bet Shamai e Bet Hilel) era apenas sobre (devolver) desde o anoitecer (imediatamente após retirar) — pois ali é que permitiam, porque fica evidente que a pessoa a retirou com a intenção de devolvê-la para o dia seguinte; mas de dia (depois de já ter passado a noite fora), não fica evidente que a retirou com a intenção de devolver, e anula-se o "esconder" (o calor acumulado se dissipa), tornando-se como quem esconde a comida desde o início (o que seria proibido).
"Kumkemos" — uma caldeira pequena.
"Diyota" — andar superior.
"Ao seu lugar" — ao fogareiro.
Disse Rabi Zerika, disse Rabi Abba, disse Rabi Tadai: não ensinaram (a permissão de devolver) senão quando (o utensílio) ainda está na mão (de quem o retirou); mas se o pousou sobre o chão — (devolvê-lo) é proibido. Disse Rabi Ami: o que Rabi Tadai fez, fê-lo apenas por si mesmo (é opinião isolada, e a halachá não segue essa distinção). Mas assim disse Rabi Chiya, disse Rabi Yochanan: mesmo que o tenha pousado sobre o chão — (devolvê-lo) é permitido.
Uma nova camada de refinamento surge sobre a permissão de devolver: Rabi Tadai (transmitido por Rabi Zerika em nome de Rabi Abba) restringe-a apenas ao caso em que o utensílio retirado do fogareiro permaneceu o tempo todo na mão de quem o segurava, sem nunca ser pousado no chão — pousá-lo no chão, mesmo momentaneamente, anularia a permissão de devolvê-lo, pois se consideraria como esconder a comida desde o início. Mas Rabi Ami rejeita categoricamente essa distinção como uma prática isolada de Rabi Tadai, sem valor normativo, e cita em seu lugar o ensinamento de Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan, que permite devolver o utensílio mesmo que tenha sido pousado no chão no meio do processo.
"Mas se o pousou sobre o chão, é proibido" — devolvê-lo, pois se anula o "esconder" de ontem, e (o ato) torna-se como esconder desde o início (o que é proibido).
"Por si mesmo" — (Rabi Tadai) é opinião isolada nesse assunto, e a halachá não segue segundo ele.
Discordam nisso Rav Dimi e Rav Shmuel bar Yehuda, e ambos (a transmitem) em nome de Rabi Elazar. Um disse: enquanto ainda está na mão — (devolver) é permitido; sobre o chão — é proibido. E o outro disse: mesmo que o tenha pousado sobre o chão, também é permitido. Disse Chizkia, em nome de Abaie: isto que dissestes, "enquanto ainda está na mão, é permitido" — não o dissemos senão quando sua intenção é devolvê-lo; mas se sua intenção não é devolvê-lo — é proibido. (E) por dedução, sobre o chão, ainda que sua intenção seja devolvê-lo — é proibido.
A mesma disputa entre a posição restritiva (só na mão) e a permissiva (mesmo no chão) reaparece transmitida por dois outros amoraim, Rav Dimi e Rav Shmuel bar Yehuda, ambos em nome do mesmo mestre, Rabi Elazar — mostrando que essa incerteza atravessava diferentes cadeias de transmissão. Chizkia, em nome de Abaie, refina ainda mais a posição restritiva: mesmo quando o utensílio está na mão, a permissão de devolvê-lo depende de a pessoa ter tido, desde o início, a intenção de devolvê-lo ao fogareiro; se pretendia apenas retirá-lo definitivamente, sem planejar devolvê-lo, a devolução passa a ser proibida mesmo estando ele ainda na mão. E, por dedução lógica dessa mesma formulação, se o utensílio foi pousado no chão, ele se torna proibido para devolução mesmo que a pessoa tivesse, desde o início, a intenção de devolvê-lo — a intenção sozinha não basta para superar o efeito de pousá-lo no chão.
Há quem diga (uma versão alternativa): disse Chizkia, em nome de Abaie: isto que dissestes, "sobre o chão, é proibido" — não o dissemos senão quando sua intenção não é devolvê-lo; mas se sua intenção é devolvê-lo — é permitido. (E) por dedução, enquanto ainda está na mão, ainda que sua intenção não seja devolvê-lo — é permitido. Perguntou Rabi Yirmeya: se os pendurou num bastão, qual é (a halachá)? Se os pousou sobre uma cama, qual é (a halachá)? Perguntou Rav Ashi: se os transferiu de um bule a outro, qual é (a halachá)? — Teiku (permanece sem solução).
A Guemará regista uma segunda versão, invertida, do mesmo ensinamento de Chizkia em nome de Abaie: nessa versão, a restrição do "pousar no chão" aplica-se apenas a quem não tinha intenção de devolver; se a pessoa tinha, desde o início, a intenção de devolver o utensílio, mesmo pousá-lo no chão não impede a devolução. E, por dedução dessa versão, estar na mão seria sempre permitido, mesmo sem intenção prévia de devolver. Com as duas versões contraditórias registradas lado a lado, a Guemará não resolve qual delas é a correta, deixando a questão em aberto. O trecho fecha com duas dúvidas adicionais não resolvidas: Rabi Yirmeya pergunta sobre pendurar o utensílio num bastão ou pousá-lo sobre uma cama — situações intermediárias entre "na mão" e "no chão" — e Rav Ashi pergunta sobre transferir o conteúdo de um bule a outro. Todas essas dúvidas permanecem com a resposta técnica de teiku, expressão que indica que a questão ficará sem resolução até a chegada do profeta Elias.
"Se os pendurou num bastão, qual é (a halachá)?" — assemelha-se a "enquanto ainda na mão", ou assemelha-se a "pousá-los sobre o chão"?
"Se os transferiu de um bule a outro, qual é (a halachá)?" — acaso é considerado como esconder desde o início, sendo proibido devolvê-los ao fogareiro, ou não?
"Meicham" — a caldeira em que se aquece a água quente.
O forno que foi aceso com palha ou com restolho, não se coloca (comida ali), nem dentro dele, nem por cima dele. O fogareiro pequeno (kupach) que foi aceso com palha ou com restolho — este é como um fogareiro comum (kirá; ou seja, permite-se colocar comida por cima); (mas se foi aceso) com bagaço de azeitona ou com lenha — este é como um forno (proibindo-se colocar comida de qualquer modo).
Encerrada a sugya sobre devolver a panela — que fechava a primeira Mishná do capítulo —, a Mishná avança para um novo caso: o forno (tanur), estrutura mais fechada e que retém calor com mais intensidade que o fogareiro, é sempre proibido para colocar comida depois de aceso, seja colocando-a dentro dele, seja apenas por cima de sua abertura — independentemente do combustível usado. Já o kupach, um fogareiro pequeno com espaço para apenas uma panela (a diferença exata entre ele e o fogareiro comum, kirá, será esclarecida adiante pela Guemará), tem um estatuto intermediário: se aceso com combustível fraco, como palha ou restolho, equipara-se ao fogareiro comum, permitindo colocar comida por cima; mas se aceso com combustível forte, como bagaço de azeitona ou lenha, equipara-se ao forno, proibindo qualquer uso.
Mishná: "Forno" — por ser estreito em cima e largo embaixo, seu calor se retém em seu interior mais do que num fogareiro comum.
"Kupach" — a Guemará explica adiante: (é uma estrutura) feita com uma cavidade como o fogareiro comum, mas seu comprimento é igual à sua largura, e nele cabe apenas o espaço para pousar uma única panela; já o fogareiro comum tem espaço para pousar duas panelas.
(Sobre) "o forno que foi aceso": pensou Rav Yossef em dizer (que) "dentro dele" — (significa) literalmente dentro dele; "por cima dele" — (significa) literalmente por cima dele; mas encostar (a panela à lateral externa do forno) é perfeitamente permitido. Objetou-lhe Abaie: o kupach que foi aceso com palha e com restolho é como um fogareiro comum; (se aceso) com bagaço e com lenha, é como um forno, e é proibido. (Se assim, quando) é como um fogareiro comum — é permitido. Em que (caso exatamente) estamos tratando? Se dissermos por cima dele — e em que (condição)? Se dissermos quando (o kupach) não está removido nem coberto de cinza, ora, um fogareiro comum, quando não está removido nem coberto de cinza, por cima dele, acaso é permitido? (Não!) Antes, (deve tratar-se) de encostar, e ensina-se (que quando aceso com bagaço e lenha): é como um forno, e é proibido! (Prova, portanto, que encostar ao forno também é proibido, contra Rav Yossef.)
Rav Yossef propõe inicialmente uma leitura restritiva da proibição do forno: ela se aplicaria apenas a colocar a comida literalmente dentro do forno ou literalmente sobre sua abertura superior, mas encostar a panela à sua parede externa lateral seria perfeitamente permitido, por não haver ali o mesmo calor concentrado. Abaie refuta essa leitura trazendo a segunda cláusula da própria Mishná, sobre o kupach: se aceso com bagaço e lenha, o kupach equipara-se ao forno e é proibido — mas em que situação exatamente? Não pode ser "por cima dele" quando não está removido nem coberto de cinza, pois isso já seria óbvio até para um fogareiro comum sem essa preparação. Deve, portanto, tratar-se do caso de simplesmente encostar a panela à sua lateral — e mesmo assim a Mishná o proíbe quando aceso com bagaço e lenha, provando que a proibição do forno se estende também a encostar, contra a posição inicial de Rav Yossef.
Guemará: "Por cima dele" — sobre sua borda.
"Mas encostar" — junto à sua parede externa.
"(Se) é como fogareiro comum, é permitido" — isto é, do fato de ensinar "é como um forno", deduzimos que, se se assemelhasse a um fogareiro comum, seria permitido; e daí aprendemos que um fogareiro comum aceso com bagaço e lenha é permitido (quanto a encostar).
"E em que (condição) estamos (tratando)?" — a suposição inicial é (tratar-se) de quando (o fogareiro) não está removido; e, se (fosse o caso de colocar) por cima dele, acaso seria permitido?
Disse Rav Adda bar Ahava: aqui, estamos tratando de um kupach removido e coberto de cinza, e de um forno removido e coberto de cinza. (A Mishná diz que o kupach aceso com bagaço e lenha) é como um forno — pois, mesmo estando removido e coberto de cinza, por cima dele é proibido; pois, se fosse como um fogareiro comum quando removido e coberto de cinza — (colocar comida por cima) seria perfeitamente permitido. Ensina-se numa baraita de acordo com (a posição de) Abaie: o forno que foi aceso com palha e com restolho, não se encosta a ele, e não é preciso dizer (que não se coloca) por cima dele, e não é preciso dizer dentro dele, e não é preciso dizer (quando aceso) com bagaço e lenha. O kupach que foi aceso com palha e com restolho, encosta-se a ele, mas não se coloca (comida) por cima dele; (se aceso) com bagaço e lenha, não se encosta a ele.
Rav Adda bar Ahava esclarece o caso exato da Mishná: trata-se de um kupach e de um forno, ambos já devidamente removidos e cobertos de cinza (a preparação que, no fogareiro comum, permite colocar comida por cima). Mesmo assim, quando o kupach é aceso com bagaço ou lenha, ele se equipara ao forno quanto a proibir colocar comida por cima — pois, se fosse equiparado a um fogareiro comum removido e coberto de cinza, colocar por cima seria permitido sem qualquer restrição. Essa proibição específica do kupach aceso com combustível forte, mesmo removido, mostra que ele retém mais calor do que o fogareiro comum na mesma condição. A Guemará confirma toda essa estrutura com uma baraita que corrobora exatamente a posição de Abaie: o forno é sempre proibido, mesmo para simplesmente encostar; o kupach aceso com combustível fraco permite encostar mas não colocar por cima; e o kupach aceso com combustível forte proíbe até encostar.
"Ensina-se de acordo com Abaie" — que é proibido encostar ao forno.
"Mesmo com bagaço e lenha" — (a Mishná não menciona essa condição para o forno) para que fosse permitido quando removido e coberto de cinza (pois o forno é sempre proibido, independentemente disso).
Disse-lhe Rav Acha, filho de Rava, a Rav Ashi: este kupach, como é seu caso (exatamente; a que se assemelha)? Se se assemelha a um fogareiro comum, deveria (ser permitido) mesmo (quando aceso) com bagaço e lenha! Se se assemelha a um forno, deveria (ser proibido) mesmo (quando aceso) com palha e restolho! Disse-lhe (Rav Ashi): seu calor é maior que o de um fogareiro comum, e seu calor é menor que o de um forno (por isso tem um estatuto verdadeiramente intermediário, dependendo do combustível usado).
Rav Acha bar Rava levanta uma dificuldade conceitual sobre a própria natureza do kupach: por que seu estatuto varia conforme o combustível, ao invés de ser consistentemente equiparado a um único dos dois extremos (fogareiro comum ou forno)? Se ele fosse verdadeiramente como um fogareiro comum, deveria permanecer permissivo mesmo com combustível forte; se fosse verdadeiramente como um forno, deveria ser sempre restritivo, mesmo com combustível fraco. Rav Ashi explica que o kupach ocupa, de fato, uma posição física intermediária real: seu calor retido é maior que o de um fogareiro comum (por ser mais estreito e concentrado, embora sem o formato afunilado do forno) mas menor que o de um forno propriamente dito — daí sua sensibilidade ao tipo específico de combustível usado, comportando-se ora como um, ora como outro.
"Mesmo com bagaço e lenha" — deveria ser permitido quando removido e coberto de cinza.
Como é o caso do kupach, como é o caso do fogareiro comum (kirá)? Disse Rabi Yossei bar Chanina: o kupach é um lugar (com espaço) para pousar uma única panela; o fogareiro comum é um lugar (com espaço) para pousar duas panelas. Disse Abaie — e há quem diga que (foi) Rabi Yirmeya: também nós aprendemos (isso, numa Mishná sobre pureza ritual): o fogareiro comum que se dividiu ao longo de seu comprimento — está puro (pois se anulam ambos os espaços de pousar panela, sendo como se tivesse sido destruído); (se se dividiu) ao longo de sua largura — permanece impuro (pois cada metade mantém, por si só, um espaço de pousar panela). O kupach, seja dividido ao longo de seu comprimento, seja ao longo de sua largura — está puro (pois, tendo apenas um espaço de pousar, qualquer divisão o anula por completo).
A Guemará finalmente esclarece a distinção física exata entre o kupach e o fogareiro comum, prometida desde o início da Mishná: segundo Rabi Yossei bar Chanina, o kupach tem espaço suficiente para pousar apenas uma panela, enquanto o fogareiro comum (kirá) tem espaço para duas panelas lado a lado — sendo, portanto, maior e mais alongado. Abaie (ou, segundo outra tradição, Rabi Yirmeya) traz uma confirmação independente dessa distinção a partir de uma Mishná sobre as leis de pureza ritual de utensílios de barro: um fogareiro comum, ao ser quebrado ao longo de seu comprimento (na direção que separa os dois espaços de panela), torna-se puro, pois cada metade perde sua função completa de utensílio; mas se quebrado ao longo de sua largura, cada metade retém um espaço de panela intacto, permanecendo impuro. Já o kupach, por ter apenas um único espaço de panela em toda sua extensão, torna-se puro com qualquer tipo de divisão — confirmando que sua estrutura é menor e mais compacta que a do fogareiro comum.
"Que se dividiu ao longo de seu comprimento" — eis que se anularam seus dois espaços de pousar, pois sua largura se divide em duas (partes); por isso, purificou-se de sua impureza, pois foi (como se tivesse sido) demolida.
"Se se dividiu ao longo de sua largura" — encontram-se os dois espaços de pousar existentes, um por si e outro por si (cada metade mantendo seu próprio espaço completo).
"O kupach, seja ao longo de seu comprimento, seja ao longo de sua largura, está puro" — pois seu comprimento é igual à sua largura, e toda sua extensão é um único espaço de pousar.
Não se coloca um ovo ao lado do bule para que ele role (e cozinhe parcialmente com o calor), e não se deve embrulhá-lo em panos quentes (para o mesmo fim). E Rabi Yossei permite. E não se deve enterrá-lo em areia ou em pó de estrada (aquecidos pelo sol) para que ele se asse.
Uma terceira Mishná do capítulo introduz novos casos de aquecimento indireto de alimentos em Shabat, agora focados especificamente no ovo. É proibido colocar um ovo cru ao lado de um bule de água quente para que gire lentamente e cozinhe de modo parcial com o calor irradiado, e também é proibido embrulhá-lo em panos que foram aquecidos ao sol ou ao fogo, com o mesmo propósito — ambas as práticas equiparando-se a cozinhar ativamente em Shabat. Rabi Yossei discorda e permite essa segunda prática (embrulhar em panos), por razões que a Guemará discutirá adiante. Por fim, todos concordam que também é proibido enterrar o ovo em areia ou no pó de estradas que foram aquecidos pelo calor do próprio sol, para que ele asse lentamente sob esse calor.
Mishná: "Não se coloca ovo ao lado do bule" — (referindo-se ao) kumkemos (caldeira) de cobre.
"Para que ele role" — que asse um pouco, até que fique (consistente o bastante para) rolar.
"E não deve embrulhá-lo em panos" — não deve quebrá-lo sobre um pano que foi aquecido ao sol, para que asse com o calor do pano.
"Em areia e em pó de estradas" — que foram aquecidos pela força do sol; e na Guemará se explica por que Rabi Yossei não discorda também nesse caso.
Houve um caso em que os habitantes de Tiberíades fizeram e trouxeram (desde véspera) um cano de água fria para dentro do canal de água quente (das fontes termais de Tiberíades, para que a água fria se aquecesse ao passar por ele). Disseram-lhes os sábios: se (a água passou pelo cano) em Shabat, (considera-se) como água quente que se aqueceu em Shabat, e é proibida tanto para banhar-se quanto para beber. Se (passou) em Yom Tov, (considera-se) como água quente que se aqueceu em Yom Tov, e é proibida para banhar-se, mas permitida para beber.
A Mishná fecha o capítulo com um episódio histórico concreto: os habitantes da cidade de Tiberíades, famosa por suas fontes termais, instalaram um cano trazendo água fria para dentro do canal onde corria a água naturalmente quente das fontes, de modo que a água fria se aquecesse ao passar por ele — um esquema instalado antes do início de Shabat ou Yom Tov, mas cujo efeito de aquecimento continuava a ocorrer durante o próprio dia sagrado. Os sábios trataram esse aquecimento, ocorrido de modo contínuo e automático (sem ação humana direta durante o dia sagrado), de modo diferenciado conforme o dia: se ocorreu em Shabat, a água resultante é tratada com o mesmo rigor de água que foi ativamente aquecida em Shabat, proibida tanto para banho quanto para bebida. Mas se ocorreu em Yom Tov — dia em que se permite cozinhar para a própria necessidade da festa —, a água é proibida apenas para banho (que não é considerado necessidade essencial do dia), mas permitida para beber.
"E trouxeram um cano" — ainda de dia (antes do início do Shabat ou Yom Tov).
"De água fria" — para aquecê-la, pois as águas continuam fluindo durante todo o Shabat.
"Para dentro do canal" — das fontes termais de Tiberíades.
"Se em Shabat" — (refere-se às águas) que vieram (passaram pelo cano) em Shabat.
(Sobre a Mishná dos ovos:) Levantou-se uma dúvida diante deles: (quanto a quem transgrediu e efetivamente) fez rolar (o ovo), o que (é a halachá)? Disse Rav Yossef: quem fez (o ovo) rolar (e ele efetivamente cozinhou por esse meio) é obrigado a trazer um sacrifício expiatório (chatat). Disse Mar, filho de Ravina: também nós aprendemos (uma prova, numa Mishná, de que...)
O daf fecha abrindo o comentário da Guemará sobre a Mishná recém-citada: levanta-se uma nova dúvida, agora não sobre a proibição preventiva em si, mas sobre a consequência de quem de fato transgrediu e fez o ovo rolar ao lado do bule até ele cozinhar parcialmente — seria essa uma transgressão grave o bastante para exigir um sacrifício expiatório (chatat), como ocorre com outras formas ativas de cozinhar em Shabat? Rav Yossef responde afirmativamente: quem faz o ovo rolar dessa maneira é de fato obrigado ao chatat, equiparando essa ação a um verdadeiro ato de cozinhar. Mar, filho de Ravina, começa a trazer uma prova adicional a partir de outra Mishná — "também nós aprendemos" —, mas a frase é cortada exatamente no limite físico do daf, sem que se saiba ainda qual Mishná ele cita nem como ela prova o ponto. A continuação integral dessa prova segue no início de 39a.