A folha abre sem qualquer novo raciocínio independente, mas completando exatamente a frase que 76a havia deixado cortada: "disse Rava:" ganha aqui sua continuação — "aqui também, é apto para servir de amostra" —, respondendo à objeção levantada a partir da baraita sobre roupa, saco, couro e esteira, que se combinam entre si apesar de terem medidas desiguais. Rava explica que essa combinação não depende da aptidão para a impureza por assento (como sugerira Rabi Shimon), mas de uma razão mais modesta e comum a todos os quatro materiais: cada um deles, mesmo em pedaço pequeno, é apto para servir de amostra a um comerciante que queira exibir sua mercadoria — e é essa aptidão para servir de amostra que permite a combinação entre medidas desiguais, sem contradizer a distinção de Rabi Yosei bar Chanina quanto às folhas de alho e cebola (que não têm essa aptidão comum em jogo). Com a resposta de Rava concluída, a Guemará introduz uma nova Mishná: quem transporta alimentos, o equivalente a um figo seco, é responsável, e todos os alimentos se combinam entre si, por terem a mesma medida — exceto suas cascas, seus caroços, seus talos, o farelo grosso e o farelo fino, que não se combinam com o alimento em si; Rabi Yehuda faz uma exceção às cascas de lentilha, que se cozinham junto com o próprio alimento e por isso se combinam com ele. A Guemará elucida essa Mishná em duas etapas. Primeiro, levanta uma objeção: como pode ser que o farelo grosso e o fino não se combinem com o alimento, se uma outra Mishná ensina que cinco quartos de farinha e mais um pouco ficam obrigados à chalá, incluindo nessa medida a própria farinha e seu farelo grosso e fino? Aviye responde que ali se trata de uma consideração diferente — o pobre come seu pão misturado com o farelo, de modo que, para a chalá, o farelo conta como parte do alimento, mas, para o Shabat, exige-se algo de valor reconhecido, e o farelo, em geral, não é considerado alimento por si. Em segundo lugar, a Guemará examina a exceção de Rabi Yehuda: "exceto cascas de lentilha que se cozinham com elas" — implicando que lentilhas sim, mas favas não? Mas uma baraita ensina, em nome do próprio Rabi Yehuda, "exceto cascas de favas e de lentilhas", sem distinção! A resolução: não há contradição — a Mishná fala de cascas velhas (que não se combinam, pois já caíram da vagem na eira e por isso não se cozinham mais junto com o grão), e a baraita fala de cascas novas (que ainda se cozinham junto com o grão, e por isso se combinam com ele, sejam de lentilha ou de fava). E por que as cascas velhas, mesmo de fava, não se combinam mais? Rabi Avahu explica: porque, quando fervidas junto com o alimento numa panela, parecem moscas na tigela — repulsivas, e por isso não contam como parte do alimento. Com isso, encerra-se toda a sugya das medidas mínimas de transporte no Shabat, e com ela todo o Perek Zayin, Klal Gadol, que se abrira em 67b; a folha marca esse encerramento com a fórmula tradicional do hadran, "voltaremos a ti". Abre-se então, sem qualquer interrupção no texto original, o Perek Chet, cujo nome vem de sua primeira expressão, Hamotzi Yayin ("quem transporta vinho"): a nova Mishná estabelece as medidas mínimas para transportar vinho — o suficiente para misturar o copo; leite — um gole; mel — o suficiente para pôr sobre uma ferida (nas costas de animais de carga); azeite — o suficiente para ungir um pequeno membro; água — o suficiente para dissolver o colírio; e todos os demais líquidos, e todos os despejos, num quarto de log; com a opinião de Rabi Shimon de que todos os líquidos valem num quarto de log, e que essas medidas menores só se aplicam a quem os guarda especificamente (não a qualquer pessoa que os transporte). A Guemará elucida a primeira cláusula: foi ensinado, numa baraita, que a medida é "o suficiente para misturar um copo bonito" — e "copo bonito" é o copo de bênção (usado na bênção após as refeições, que os sábios exigiram que fosse embelezado). Disse Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh: o copo de bênção precisa conter um quarto de um quarto de log de vinho puro, para que, ao ser misturado com água, chegue a um quarto de log completo. A folha se interrompe, então, exatamente ao citar "disse Rava: também nós..." — sem que a continuação da frase apareça nesta folha; ela só chega na primeira linha de 77a, onde se revela que Rava cita uma Mishná de apoio para sua própria posição sobre a proporção de água e vinho.
76a se interrompera no meio de uma frase gramaticalmente cortada: "אָמַר רָבָא:" — "disse Rava:" — sem que a resposta em si aparecesse. A folha aqui abre completando exatamente essa frase: "הָכָא נָמֵי, חַזְיָא לְדוּגְמָא" — "aqui também, é apto para servir de amostra". A frase completa, portanto, lida através da fronteira entre as duas folhas, é: "disse Rava: aqui também, é apto para servir de amostra." Rava responde à objeção final de 76a — que roupa, saco, couro e esteira, de medidas desiguais entre si, se combinam segundo Rabi Shimon por serem aptos para a impureza por assento, o que sugeriria que folhas de alho e cebola (frescas e secas) também deveriam se combinar plenamente, contradizendo a distinção de Rabi Yosei bar Chanina. Rava explica que a combinação daqueles quatro materiais não depende, na verdade, apenas da aptidão comum para a impureza por assento (a explicação de Rabi Shimon trata de uma consequência lateral, não da causa exclusiva da combinação): mesmo sem essa aptidão específica, cada um dos materiais, em pedaço pequeno, é apto para servir de amostra a um comerciante que queira anunciar sua mercadoria — e é esta aptidão, mais modesta e mais amplamente compartilhada, que de fato permite a combinação entre medidas desiguais. Sendo uma razão distinta e mais restrita (nem toda "amostra" seria também apta à impureza por assento, nem vice-versa em todos os casos), ela não se estende às folhas de alho e cebola, que não têm essa aptidão de "amostra" em jogo — preservando, assim, a distinção original de Rabi Yosei bar Chanina.
Aqui também, é apto para servir de amostra.
Ver a nota de costura acima: esta é a segunda metade da frase que 76a deixara cortada em "disse Rava". Um comerciante de tecidos, que deseja anunciar sua mercadoria, costuma reunir pequenas amostras de cada tipo de material que vende e expô-las juntas à janela de sua loja, para mostrar, de uma só vez, tudo o que tem à venda; e lhe convém que fiquem unidas, pois, sendo pequenas, cada uma se dispersaria ao vento se estivesse solta. É essa aptidão para servir de amostra reunida — comum à roupa, ao saco, ao couro e à esteira — que permite a combinação entre eles, independentemente de suas medidas desiguais e independentemente também da impureza por assento.
"'Aqui também, é apto'" — juntos. "'Para servir de amostra'" — aquele que tem mercadoria para vender reúne pedaços de todos os materiais e os coloca diante de sua janela, para mostrar que tem de tudo para vender; e lhe convém que fiquem unidos juntos, pois, sendo pequenos, cada um deles, separado, o vento o dispersaria.
MISHNÁ. Quem transporta alimentos, o equivalente a um figo seco — é responsável, e se combinam uns com os outros, porque são iguais em suas medidas. Exceto suas cascas, seus caroços, seus talos, seu farelo grosso e seu farelo fino. Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de lentilha, que se cozinham junto com elas.
Nova Mishná, agora já dentro do Perek Zayin ainda em curso: alimentos humanos, ao contrário das forragens da Mishná anterior (que tinham medidas diferentes conforme o tipo e o animal de destino), têm todos a mesma medida mínima para responsabilizar — o equivalente a um figo seco —, e por isso se combinam livremente entre si para completar essa medida, sejam quais forem os tipos de alimento misturados. A exceção fica por conta das partes não comestíveis que costumam acompanhar o alimento: cascas, caroços, talos, e os dois tipos de farelo (o grosso, que se solta na debulha, e o fino, que fica na peneira) — nenhum deles conta como alimento, e por isso não se combina com o alimento propriamente dito para completar sua medida. Rabi Yehuda introduz uma exceção à exceção: as cascas de lentilha, por se cozinharem junto com o próprio grão (ao contrário de outras cascas, que se descartam antes do cozimento), acabam sendo consumidas junto com ele, e por isso se combinam, sim, com o alimento.
MISHNÁ. "'Alimentos', etc." — para alimento humano. "'E se combinam'" — todos os alimentos humanos, uns com os outros. "'Exceto suas cascas'" — pois não são alimento, e não completam a medida. "'E seus talos'" — o rabinho do fruto, que é mera madeira. "'E seu farelo grosso'" — a casca do trigo que se solta por causa da moagem. "'E seu farelo fino'" — o que resta na peneira. "'Rabi Yehuda diz'" — todas as cascas não se combinam, como dissemos, exceto as cascas de lentilha, que ele considera que se combinam. "'Que se cozinham junto com elas'" — para excluir a casca externa, que crescem dentro dela e que se soltam na eira.
GUEMARÁ. E o farelo grosso e o farelo fino não se combinam? Mas não foi ensinado: cinco quartos de farinha e mais um pouco ficam obrigados à chalá, eles e seu farelo grosso e seu farelo fino! Disse Aviye: porque o pobre come seu pão numa massa misturada.
A Guemará levanta uma objeção contra a própria Mishná, a partir de uma lei distinta: as leis da chalá (a porção separada da massa para o sacerdote) medem a obrigação por cinco quartos de cabo de farinha, e uma outra Mishná ensina explicitamente que, nessa medida, entram também o farelo grosso e o fino que a farinha contém — sugerindo que o farelo, afinal, conta como parte do alimento. Aviye resolve a contradição distinguindo os contextos: para a chalá, a consideração é que o pobre, por necessidade, não peneira sua farinha com cuidado e acaba comendo seu pão com o farelo misturado à massa — de modo que, ali, o farelo é, de fato, parte do "pão" que se come; mas, para a responsabilidade no Shabat, o critério é diferente — exige-se um alimento de valor reconhecido como tal por si só, e o farelo, tomado isoladamente (sem estar já incorporado numa massa que alguém de fato coma), não é considerado alimento.
GUEMARÁ. "'Misturada'" — a massa misturada com seu farelo grosso e seu farelo fino; por isso a chamamos de "pão da terra" para efeito da chalá; mas, quanto ao Shabat, exige-se algo de valor reconhecido, e estes, em geral, não são alimento.
"Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de lentilha que se cozinham junto com elas." Lentilhas sim, favas não? Mas não foi ensinado numa baraita, Rabi Yehuda diz: exceto as cascas de favas e de lentilhas! Não é difícil: esta trata de cascas novas, aquela trata de cascas velhas. Velhas, qual é a razão de não? Disse Rabi Avahu: porque parecem moscas na tigela.
A Guemará examina uma possível limitação na formulação da Mishná: ao mencionar apenas "cascas de lentilha" como exceção que se combina, ela pareceria excluir as cascas de fava do mesmo tratamento. Mas uma baraita, transmitindo a mesma opinião de Rabi Yehuda, inclui explicitamente também as cascas de fava, sem distinção entre os dois legumes! A Guemará resolve: não há contradição real, pois as duas fontes falam de estágios diferentes da casca. A Mishná, ao restringir a exceção às lentilhas, refere-se a cascas velhas — as que já caíram do grão na eira, antes do cozimento, e que, mesmo fervidas junto com o alimento, não se combinam mais com ele; a baraita, ao incluir tanto favas quanto lentilhas, refere-se a cascas novas — as que ainda estão aderidas ao grão no momento do cozimento, e que por isso se combinam com ele, seja qual for o legume. Rabi Avahu explica por que as cascas velhas, mesmo fervidas junto com o alimento, deixam de contar como parte dele: soltas e escurecidas pelo tempo, elas parecem, na panela, moscas boiando na tigela — repulsivas à vista, e por isso não se consideram mais alimento.
"'Favas novas'" — sua casca se combina. "'Como moscas'" — porque as cascas velhas são escuras.
Com a distinção entre cascas de lentilha (e fava) novas e velhas, encerra-se toda a sugya das medidas mínimas de transporte no Shabat — forragens, alimentos, e as respectivas exceções — e, com ela, todo o Perek Zayin, Klal Gadol ("uma grande regra"), que se abrira em Shabat 67b com a Mishná sobre os graus de esquecimento do princípio do Shabat. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach Klal Gadol" ("Retornaremos a você, Klal Gadol"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.
MISHNÁ. Quem transporta vinho — o suficiente para misturar o copo. Leite — o suficiente para um gole. Mel — o suficiente para pôr sobre uma ferida. Azeite — o suficiente para ungir um pequeno membro. Água — o suficiente para dissolver o colírio. E todos os demais líquidos, num quarto de log; e todos os despejos, num quarto de log. Rabi Shimon diz: todos, num quarto de log, e não se disseram todas essas medidas senão para quem os guarda especificamente.
Sem qualquer interrupção no texto original, abre-se aqui o Perek Chet, cujo nome tradicional, Hamotzi Yayin ("quem transporta vinho"), vem de sua primeira palavra. A nova Mishná estabelece as medidas mínimas para responsabilizar por transportar líquidos no Shabat, cada qual segundo seu uso mais comum: vinho, o suficiente para misturar um copo (a quantidade de vinho puro necessária para, com água, completar um copo pronto para beber); leite, o suficiente para um único gole; mel, o suficiente para untar sobre uma ferida (especialmente nas costas de animais de carga, machucadas pelo peso); azeite, o suficiente para ungir um pequeno membro (como um dedo de criança); água, o suficiente para dissolver o colírio medicinal aplicado ao olho. Todos os demais líquidos — e também "todos os despejos" (águas usadas, sujas, sem utilidade direta) — têm a medida uniforme de um quarto de log (uma medida de volume). Rabi Shimon discorda da estrutura toda: para ele, todos os líquidos, sem exceção, têm a medida de um quarto de log; as medidas menores listadas na primeira parte da Mishná (um gole, uma untada, etc.) aplicam-se apenas a quem guarda especificamente aquele líquido para aquele uso — não a qualquer pessoa que o transporte sem essa intenção específica.
MISHNÁ. "'Quem transporta vinho'" — puro. "'O suficiente para misturar o copo'" — a medida que se coloca de vinho puro num copo, para acrescentar-lhe água conforme o costume e misturá-lo com ela; e a Guemará explica, mais adiante, com qual copo se mede isso. "'Ferida'" — a que há nas costas de cavalos e camelos por causa das cargas. "'Para dissolver'" — para esfregar e diluir o colírio com a água. "'Colírio'" — que se coloca sobre o olho. "'Num quarto'" — o volume de um ovo e meio é um quarto de log. "'Despejos'" — águas fétidas, e a Guemará explica, mais adiante, para que servem. "'Todos, num quarto'" — inclusive o vinho, o leite e o mel. "'E não se disseram'" — as medidas da Mishná, senão para quem os guarda especificamente; e se este mesmo guardião voltar e os transportar, é responsável; mas qualquer outra pessoa que os transporte não é responsável por essas medidas menores.
GUEMARÁ. Foi ensinado: o suficiente para misturar um copo bonito. E o que é "copo bonito"? O copo de bênção. Disse Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh: o copo de bênção precisa ter nele um quarto de um quarto de log, para que, ao ser misturado, chegue a um quarto de log.
A Guemará elucida a primeira cláusula da Mishná através de uma baraita que precisa a expressão: a medida não é para misturar um copo qualquer, mas um "copo bonito" — identificado como o copo de bênção, usado na bênção após as refeições (Birkat HaMazon), que os sábios exigiram que fosse embelezado (enfeitado, limpo, cheio, e passado de mão em mão com cuidado). Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuh, precisa a medida exata de vinho puro exigida: um quarto de um quarto de log — ou seja, um dezesseis avos de log — de vinho puro, que, ao ser diluído com três partes de água (a proporção costumeira), completa um quarto de log inteiro, a medida padrão do copo de bênção pronto para beber.
GUEMARÁ. "'Foi ensinado'" — na Tosefta: quem transporta vinho, o suficiente para misturar um copo bonito — explicação para o "copo" da Mishná. "'O copo de bênção'" — a bênção da refeição, que os sábios exigiram que fosse embelezada, como dizemos em Berachot (51a): ornamento, envolvimento, enxágue e lavagem, copo puro e cheio. "'Disse Rav Nachman'" — lemos assim, e não lemos "que disse". "'A medida do copo de bênção precisa ter nele'" — vinho puro, um quarto de um quarto de log. "'Para que o misture'" — com água, três partes de água e uma de vinho. "'E chegue a um quarto'" — de log.
Disse Rava: também nós...