Shabbat 121a abre completando a frase deixada em aberto no fim de 120b — "os sábios entendem" —, esclarecendo que os sábios entendem que a imersão dentro de seu tempo próprio não é um preceito, e por isso, se o junco se soltar, exige-se refazer a imersão depois de reenrolá-lo; já Rabi Yosei entende que a imersão dentro de seu tempo próprio é um preceito, e por isso não se exige refazê-la. Levanta-se uma objeção a partir de uma baraita distinta sobre o zav e a zava, o leproso e a leprosa, quem teve relação com uma nidá e o impuro por contato com um morto — cujas imersões ocorrem de dia —, a nidá e a parturiente — cujas imersões ocorrem à noite —, e o emissor de sêmen, que pode imergir e seguir seu dia normalmente; mas Rabi Yosei ali ensina que, a partir do meio da tarde, a pessoa não precisa mais imergir, sugerindo que também para ele a imersão no tempo próprio não é um preceito obrigatório — o oposto do que se acabou de estabelecer. Resolve-se identificando esse Rabi Yosei com Rabi Yosei ben Rabi Yehuda, que sustenta que basta que a última imersão ocorra no momento certo. O daf passa então a uma nova Mishná: a um gentio que vem apagar um incêndio em Shabat não se diz nem "apague" nem "não apague", pois o descanso sabático não recai sobre ele; mas a uma criança que vem apagar não se permite, pois seu descanso recai sobre os adultos responsáveis. A Guemará traz o ensinamento de Rav Ami, de que em caso de incêndio permitiram dizer "todo aquele que apaga não perde" — um incentivo indireto, sem ordem direta —, e tenta provar isso da própria Mishná, mas a tentativa é refutada de ambos os lados, concluindo-se que nada se aprende dali. Segue-se a baraita do incêndio no pátio de Yossef ben Simai em Shichin: os homens da guarnição de Tzipori vieram apagá-lo, por ele ser administrador do rei, mas ele não os deixou, por respeito ao Shabat, e ocorreu um milagre e choveu e o fogo se apagou; à noite ele enviou presentes a todos, e aos sábios, ao saberem, disseram que ele não precisava ter agido assim, pois já se ensinou que ao gentio que vem apagar não se diz nada. Discute-se se disso se aprende que o tribunal é obrigado a afastar uma criança que come proibidamente — respondido por Rabi Yochanan que se trata de uma criança que age com o conhecimento do pai, diferente do gentio, que age por vontade própria. O daf retorna então a uma nova Mishná: vira-se uma tigela sobre a lâmpada para que não pegue fogo na viga, e sobre as fezes de uma criança, e sobre um escorpião para que não pique, com o relato de Rabi Yehuda de que um caso assim veio perante Rabban Yochanan ben Zakai à noite, que disse temer que isso implicasse um sacrifício expiatório. A Guemará então relata que Rav Yehuda, Rav Yirmeya bar Abba e Rav Chanan bar Rava chegaram à casa de Avin, de Neshikeya, e a Rav Yehuda e a Rav Yirmeya bar Abba... O daf termina em pleno fluxo dessa nova história, no meio de uma frase, sem qualquer hadran, a continuar diretamente em Shabbat 121b, ainda não publicado.
... os sábios entendem: a imersão dentro de seu tempo próprio não é um preceito, e por isso exigimos refazê-la; e Rabi Yosei entende: a imersão dentro de seu tempo próprio é um preceito, e por isso não exigimos refazê-la.
Esta frase completa diretamente a que ficou interrompida no fim de 120b, no meio de "os sábios entendem" — encerrando a discussão sobre o junco que se soltou durante a imersão de quem tem o Nome divino escrito na pele. A conclusão: os sábios exigem que o junco seja reenrolado e a imersão refeita, porque, para eles, cumprir a imersão exatamente dentro do seu horário fixo (por exemplo, antes do anoitecer, para poder comer terumá ou orar a tempo) não é, em si, um preceito obrigatório — de modo que vale a pena perder esse horário para garantir que o Nome divino permaneça protegido. Rabi Yosei, ao contrário, entende que cumprir a imersão dentro do tempo certo é, ele mesmo, um preceito — por isso não exige refazê-la caso o junco se solte, preferindo manter o horário a arriscar perder o momento da imersão.
"A imersão dentro de seu tempo é um preceito" — pois está escrito: "e há de ser, ao anoitecer, que se lavará em água" (Devarim 23:12). "Não é um preceito" — e se agora não encontra junco, que espere até amanhã; e, segundo quem entende que não é um preceito, o versículo apenas ensinou um bom conselho, para que o pôr do sol o purifique ainda de dia, depois da imersão — pois, se esperasse para imergir à noite, não teria seu pôr do sol completo até a noite seguinte.
Mas será que Rabi Yosei entende que a imersão dentro de seu tempo próprio é um preceito? Mas não foi ensinado numa baraita: o homem com fluxo e a mulher com fluxo, o leproso e a leprosa, quem teve relação com uma nidá e o impuro por contato com um morto — sua imersão é de dia. A nidá e a parturiente — sua imersão é à noite. O emissor de sêmen — imerge e segue seu dia normalmente, o dia todo. Rabi Yosei diz: a partir do horário da oração da tarde, não precisa mais imergir! Responde-se: aquela opinião é de Rabi Yosei ben Rabi Yehuda, que disse: basta-lhe que a última imersão ocorra no momento certo.
Objeta-se contra a conclusão anterior a partir de uma baraita independente, que trata dos horários de imersão de diversas categorias de impuros: o zav, a zava, o leproso e outros impuros por contato imergem de dia; a nidá e a parturiente, à noite; e quem teve emissão seminal pode imergir a qualquer momento e seguir seu dia. Mas Rabi Yosei, nessa baraita, ensina que a partir do meio da tarde a pessoa já não precisa mais imergir naquele dia — o que sugeriria que, para ele também, cumprir a imersão exatamente no tempo certo não é obrigatório, contradizendo a atribuição anterior. A resposta identifica esse "Rabi Yosei" como sendo, na verdade, Rabi Yosei ben Rabi Yehuda (um tanna diferente, frequentemente confundido com Rabi Yosei por causa do nome semelhante), que tem uma posição própria e específica: para ele, o essencial é que a última de uma série de imersões obrigatórias ocorra no momento certo, não necessariamente cada uma delas — o que não contradiz a posição de Rabi Yosei (o tanna original) de que a imersão no tempo próprio é, em geral, um preceito.
"O homem com fluxo e a mulher com fluxo, etc." — esta baraita é ensinada, a respeito de Yom Kipur, na Tosefta de Yomá (capítulo 4). "O homem com fluxo e a mulher com fluxo, o leproso, quem teve relação com nidá e o impuro por morto imergem de dia" — depois que amanhecer no sétimo dia deles. "A nidá e a parturiente" — imergem do modo costumeiro nas noites de Yom Kipur. "O emissor de sêmen" — que precisa de imersão por exigência das palavras dos sábios (de origem rabínica). "Rabi Yosei diz: a partir do horário da oração da tarde" — se viu emissão depois de já ter rezado a oração da tarde, pois pode esperar até escurecer e imergir e rezar a oração da noite. "Basta-lhe que a imersão seja a última" — isto se refere ao caso tratado no tratado de Nidá, a respeito da mulher que saiu grávida e cheia e voltou vazia, e não sabe quando deu à luz, para a qual exigimos várias imersões por causa da dúvida; e Rabi Yosei ben Rabi Yehuda discorda disso e diz que basta que a imersão seja a última, e não dizemos que a imersão no tempo próprio é um preceito.
Um gentio que vem apagar um incêndio em Shabat — não se lhe diz "apague" nem "não apague", pois o descanso sabático não recai sobre eles (os israelitas, no que se refere ao gentio). Mas a uma criança que vem apagar — não se lhe permite, pois o descanso sabático dela recai sobre eles (os adultos responsáveis).
Nova Mishná, que trata de quem apaga um incêndio em Shabat sem ser o próprio dono. Um gentio que espontaneamente vem apagar o fogo não deve ser instruído nem a apagar (o que seria fazê-lo agente do israelita para um trabalho proibido) nem a não apagar (pois ele não está sujeito ao descanso sabático, e não há obrigação de impedi-lo de agir por conta própria). Já uma criança, mesmo pequena, que venha apagar o fogo, deve ser impedida — pois, embora a criança em si não seja obrigada nas mitzvot, o dever de garantir seu descanso sabático (educá-la a não realizar trabalhos proibidos) recai sobre os adultos responsáveis por ela.
Disse Rabi Ami: em caso de incêndio, permitiram dizer "todo aquele que apaga não perde nada, mesmo apagando em Shabat". Digamos que isto apoia a opinião dele, a partir da Mishná: um gentio que vem apagar — não se lhe diz "apague" nem "não apague", pois o descanso sabático não recai sobre eles. "Apague" é que não lhe dizemos, mas "todo aquele que apaga não perde" — isso sim lhe dizemos! Diga-se então o final da Mishná: "não apague" não lhe dizemos, e "todo aquele que apaga não perde" também não lhe dizemos! Mas então, disto não há como aprender nada.
Rav Ami ensina que, em caso de incêndio, os sábios permitiram anunciar publicamente "quem apagar o fogo não sairá prejudicado" — um incentivo indireto, sem dar uma ordem direta a ninguém, dirigido sobretudo aos gentios presentes, para encorajá-los a apagar o incêndio por conta própria. Tenta-se apoiar esse ensinamento na própria Mishná: já que ela proíbe apenas dizer "apague" (uma ordem direta), poderia ser permitido dizer a frase de incentivo indireto de Rav Ami. Mas a tentativa é refutada: a mesma leitura da Mishná, aplicada à sua segunda parte ("não se lhe diz... não apague"), sugeriria que mesmo a frase de incentivo também não é permitida — pois se já não se precisa dizer "não apague", tampouco se precisaria incentivá-lo com a frase de Rav Ami. Como a Mishná admite leituras opostas conforme se olhe para uma ou outra parte, conclui-se que dela não se pode provar nem refutar o ensinamento de Rav Ami.
"Mishná: não se lhe diz 'apague'" — os sábios decretaram proibição sobre dizer a um trabalho proibido a um gentio, por tratar-se de descanso sabático (shevut). "Nem 'não apague'" — não é preciso protestar com a mão contra ele, mas simplesmente deixá-lo apagar. "Pois o descanso sabático não recai sobre eles" — do gentio, sobre os israelitas: o israelita não é advertido a respeito do descanso sabático do gentio, que não é seu escravo. "Guemará: 'apague' é que não lhe dizemos" — pois isso o tornaria seu enviado de fato. "Mas 'todo aquele que apaga não perde', etc." — e o gentio age por sua própria conta, e por isso é permitido.
Ensinaram os sábios: aconteceu, e caiu um incêndio no pátio de Yossef ben Simai, em Shichin, e vieram os homens da guarnição de Tzipori para apagá-lo, pois ele era administrador do rei, mas ele não os deixou apagar, por respeito ao Shabat, e ocorreu-lhe um milagre e desceram chuvas e o fogo se apagou. À noite, ele enviou a cada um deles duas moedas selaim, e ao oficial entre eles — cinquenta. E quando os sábios ouviram a respeito do assunto, disseram: ele não precisava ter feito assim, pois já ensinamos: um gentio que vem apagar — não se lhe diz "apague" nem "não apague".
Uma baraita histórica ilustra o princípio da Mishná: Yossef ben Simai, um homem influente e administrador a serviço do rei, teve um incêndio em seu pátio em Shabat, e os soldados romanos da guarnição de Tzipori vieram apagá-lo por iniciativa própria — provavelmente por dever para com seu patrão. Mas Yossef ben Simai, por escrúpulo e respeito ao Shabat, recusou-se a permitir que apagassem, mesmo sendo um ato de um gentio, e mereceu um milagre: choveu e o fogo se apagou sozinho. Em agradecimento, à noite (após o término do Shabat) ele recompensou generosamente os soldados. Quando os sábios souberam do episódio, elogiaram sua piedade, mas esclareceram que, tecnicamente, ele não precisava ter sido tão rigoroso — pois a Mishná já ensina que, quando um gentio vem apagar por conta própria, não há necessidade alguma de impedi-lo, já que seu descanso sabático não é responsabilidade do israelita.
"Guistra" — uma guarnição militar. "Administrador" — encarregado de seus bens (do rei).
"Mas a uma criança que vem apagar não se permite, pois o descanso sabático dela recai sobre eles." Disso aprendes que, quanto a uma criança que come coisas proibidas, o tribunal é obrigado a afastá-la. Disse Rabi Yochanan: isso se refere a uma criança que age com o conhecimento de seu pai. E o caso equivalente, quanto ao gentio, seria que ele age com o conhecimento do israelita — acaso isso é permitido?! O gentio age por vontade própria.
A Guemará infere da Mishná um princípio mais amplo: o fato de se impedir a criança de apagar o fogo (por seu descanso sabático recair sobre os adultos) implicaria que, de modo geral, o tribunal (ou os adultos responsáveis) tem o dever de impedir uma criança de transgredir, mesmo em casos como comer alimentos proibidos (como carne de animal não abatido ritualmente). Rabi Yochanan qualifica essa inferência: ela só vale quando a criança age com o conhecimento e consentimento explícito do pai — pois nesse caso a ação é, de certo modo, atribuída ao adulto, tornando-se sua responsabilidade direta impedi-la. A Guemará então contrasta esse caso com o do gentio: se o gentio agisse com o conhecimento do israelita (isto é, incentivado ou instruído por ele), certamente seria proibido, exatamente como a criança; mas na Mishná, o gentio que vem apagar age inteiramente por vontade própria, sem qualquer instrução do israelita — por isso não há necessidade de impedi-lo.
"Disso aprendes que, quanto a uma criança que come coisas proibidas, o tribunal é obrigado a afastá-la" — mas há aqui uma dificuldade contra Rabi Yochanan, que disse em Massechet Yevamot, a Rabá bar bar Chaná, a respeito de terem se perdido as chaves da casa de estudo em área pública em Shabat, que ele diga a meninos e meninas para brincarem ali, pois se as encontrarem, as trarão. "Com o conhecimento de seu pai" — refere-se a uma criança que sabe distinguir que essa extinção agrada a seu pai, e age por causa dele. "O gentio age por vontade própria" — mesmo sabendo que isso agrada o israelita, ele tem em mente seu próprio benefício, pois sabe que não sairá prejudicado.
Vira-se uma tigela sobre a lâmpada, para que o fogo não pegue na viga do teto, e sobre as fezes de uma criança, e sobre um escorpião, para que não pique. Disse Rabi Yehuda: aconteceu um caso assim que veio perante Rabban Yochanan ben Zakai, em certo lugar chamado Arav, e ele disse: temo que isso implique um sacrifício expiatório.
Nova Mishná, que trata de virar um utensílio (uma tigela) sobre algo em Shabat, sem tocá-lo ou movê-lo diretamente, por três motivos distintos: sobre uma lâmpada acesa colocada perigosamente perto de uma viga de madeira, para evitar que o fogo se espalhe; sobre as fezes de uma criança, presumivelmente por questões de decência ou pureza do ambiente para orar; e sobre um escorpião, para proteger as pessoas de serem picadas. Rabi Yehuda relata que um caso concreto — provavelmente relacionado ao escorpião — foi trazido perante Rabban Yochanan ben Zakai, num lugar chamado Arav, e ele expressou preocupação de que a ação, tal como praticada naquele caso específico, pudesse envolver uma transgressão que exigisse um sacrifício expiatório (chatat) — sugerindo alguma dúvida sobre se o ato realizado ali excedeu os limites do permitido.
"Mishná: vira-se uma tigela" — de barro. "Sobre a lâmpada" — contanto que não a apague. "Aconteceu um caso" — de virar um utensílio sobre um escorpião. "Em Arav" — nome de um lugar. "Temo que isso implique um sacrifício expiatório" — visto que o escorpião não estava correndo atrás dele, não sei se a pessoa é responsável por ato de caça ou não, e temo dizer que é obrigada a um sacrifício expiatório.
Rav Yehuda, Rav Yirmeya bar Abba e Rav Chanan bar Rava chegaram de visita à casa de Avin, de Neshikeya. A Rav Yehuda e a Rav Yirmeya bar Abba...
A Guemará abre uma nova história, aparentemente sem ligação direta com a Mishná anterior, sobre três sábios — Rav Yehuda, Rav Yirmeya bar Abba e Rav Chanan bar Rava — que se hospedaram na casa de Avin, de Neshikeya. O relato é interrompido no meio da frase, exatamente quando começa a descrever o que aconteceu "a Rav Yehuda e a Rav Yirmeya bar Abba" — presumivelmente em contraste com o que ocorreu, ou deixou de ocorrer, com Rav Chanan bar Rava. A continuação, em Shabbat 121b, revela que lhes trouxeram camas (ou bancos), mas não a Rav Chanan bar Rava, dando origem a uma nova discussão.