Shabbat 137b abre concluindo a Mishná das pontas de pele iniciada em 137a: quem circuncidou mas não "descobriu" a área da circuncisão — isto é, não dobrou para trás a fina membrana que resta sob a pele removida, expondo completamente a coroa — é como se não tivesse circuncidado. A guemará, em nome de Rav, precisa o que a Mishná quis dizer com "a maior parte da coroa": inclui-se também a maior parte de sua altura, e não apenas de sua circunferência. Sobre o menor corpulento, cuja carne pode parecer, após a circuncisão, voltar a cobrir o membro, a guemará traz duas formulações — a de Shmuel e a baraita de Rabban Shimon ben Gamliel — e explica que elas diferem apenas no caso intermediário, em que o membro, ao endurecer, parece circuncidado mas não plenamente. Segue-se uma Tosefta com as bênçãos tradicionais recitadas no ato da circuncisão: a do circuncisor ("que nos ordenou acerca da circuncisão"), a do pai do filho ("que nos ordenou introduzi-lo no pacto de Avraham, nosso pai"), a saudação dos presentes ("assim como ele entrou no pacto..."), e a bênção poética completa, que celebra Yitzchak como o "amado desde o ventre" e liga o sangue do pacto à salvação da destruição. A guemará acrescenta as versões dessas bênçãos para quando se circuncida um prosélito ou um escravo, cada uma citando o versículo de Yirmeyáhu (33:25) sobre o pacto que sustenta o céu e a terra, de dia e de noite. Com isso, chega-se ao hadran — a fórmula tradicional de encerramento —, que fecha exatamente em Shabbat 137b:10 o Perek Yud-Tet, chamado Rabi Eliezer DeMilah, que se estendera desde Shabbat 130a:1: a extensão exata do perek foi confirmada através da estrutura de capítulos do próprio tratado, registrada na API do Sefaria (alt_structs "Chapters"), que marca "Shabbat 130a:1-137b:10" para o Perek Yud-Tet e "Shabbat 137b:11-141b:18" para o capítulo seguinte. Abre-se então, já em 137b:11, o Perek Vinte, chamado Tolin ("suspende-se"), com uma nova Mishná: Rabi Eliezer permite suspender, em dia festivo, a coadeira usada para filtrar a borra do vinho, e despejar vinho numa coadeira já suspensa, no Shabat; os sábios invertem essas permissões, proibindo suspendê-la em dia festivo mas permitindo despejar nela, já suspensa, também em dia festivo. A guemará levanta uma dificuldade contra Rabi Eliezer, comparando sua permissão à sua própria posição, noutra mishná, sobre a tampa da janela e sobre acrescentar a uma tenda temporária; cita Rabba bar bar Chana em nome de Rabi Yochanan, que todos concordam em proibir construir uma tenda temporária pela primeira vez, discordando apenas quanto a acrescentar a uma já existente; e resolve a permissão de Rabi Eliezer explicando que ele segue a opinião de Rabi Yehuda quanto aos preparativos de comida em dia festivo — sendo, aliás, ainda mais permissivo do que ele. O daf termina com o dilema de quem suspendeu a coadeira por engano no Shabat: Rav Yosef o considera responsável por uma oferenda pelo pecado, e Abaye desafia essa posição comparando-a ao caso de quem pendura um simples jarro num prego — desafio que permanece sem resposta neste daf, a ser tratado em Shabat 138a, já dentro do Perek Vinte.
Se alguém circuncidou, mas não descobriu (a área) da circuncisão (não dobrou para trás a fina membrana que resta sob a pele removida, expondo completamente a coroa) — é como se não tivesse circuncidado.
"Descobriu" — revelou.
A Mishná das pontas de pele, iniciada em 137a, prossegue e conclui aqui: além de remover toda a pele que cobre a maior parte da coroa (michshirin, o requisito examinado em 137a), exige-se também a periá — o ato de descobrir plenamente a coroa, dobrando para trás a fina membrana subjacente. Sem essa segunda etapa, a circuncisão é considerada como não realizada, com todas as consequências práticas daí derivadas (a proibição de comer teruma, no caso do filho de cohen, e a necessidade de repetir o procedimento).
GUEMARÁ. Disse Rabi Avina, disse Rabi Yirmeya bar Aba, disse Rav: a carne que a Mishná de 137a considera como invalidando a circuncisão é a carne que cobre a maior parte da altura da coroa (e não somente a maior parte de sua circunferência).
"A maior parte de sua altura" — não digas que "a maior parte da coroa", ensinada na Mishná, significa a maior parte de sua circunferência; mas sim, mesmo a maior parte de sua altura, num só ponto já basta para invalidar.
Rav precisa a medida referida pela Mishná: a carne residual invalida a circuncisão não apenas quando cobre a maior parte da circunferência da coroa, mas também quando cobre a maior parte de sua altura, ainda que num único ponto — um critério mais rigoroso e específico do que a leitura simples da Mishná poderia sugerir.
"E, se era corpulento" etc. (retomando a cláusula final da Mishná sobre o menor corpulento, tratada em 137a). Disse Shmuel: quanto ao menor sobrecarregado de carne — examina-se: enquanto, ao endurecer o membro, ele parecer circuncidado, não é necessário circuncidá-lo de novo; e, se não parecer circuncidado, mesmo endurecido, é necessário circuncidá-lo.
"O menor sobrecarregado de carne" — em francês antigo (glosa de Rashi): "gordo e espesso", de modo que, depois de circuncidado, parece como se a carne voltasse a cobri-lo.
"Enquanto endurece" — e, por causa do endurecimento, sua carne se estende. Na versão de Shmuel, lemos "e parece circuncidado"; na versão da baraita (de Rabban Shimon ben Gamliel, a seguir), lemos "e não parece circuncidado".
Shmuel detalha a regra da Mishná sobre o menor corpulento (137a): examina-se o membro no momento em que ele naturalmente se estende — ao endurecer —, e o critério decisivo é se, nesse momento, ele aparenta estar circuncidado. Rashi observa que os dois textos transmissores (Shmuel e a baraita seguinte) invertem a formulação positiva e negativa da mesma condição.
Foi ensinado numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: quanto ao menor sobrecarregado de carne — examina-se: enquanto, ao endurecer, ele não parecer circuncidado, é necessário circuncidá-lo de novo; e, se não (isto é, se parecer circuncidado), não é necessário circuncidá-lo.
A baraita apresenta a mesma regra prática de Shmuel, mas em ordem inversa: parte da condição negativa (não parecer circuncidado) como gatilho da obrigação de repetir a circuncisão. A guemará, a seguir, examina se essa diferença de formulação implica alguma diferença prática real.
Qual é a diferença prática entre eles (Shmuel e Rabban Shimon ben Gamliel)? Há diferença entre eles no caso em que o membro, ao endurecer, parece circuncidado, mas não parece plenamente circuncidado — um caso intermediário.
"Há diferença entre eles no caso em que parece e não parece" — segundo Shmuel, apenas quando parece plenamente circuncidado é que não é necessário circuncidá-lo de novo; logo, quando parece e não parece plenamente, é necessário. Segundo a baraita, apenas quando não parece circuncidado de modo algum é que é necessário; logo, quando parece e não parece plenamente, não é necessário.
A guemará resolve a questão: as duas formulações não são equivalentes, mas se opõem exatamente no caso intermediário — quando o membro, ao endurecer, apresenta uma aparência ambígua, nem plenamente circuncidada, nem claramente incircuncisa. Shmuel exige a repetição nesse caso (pois exige aparência plena para dispensar); a baraita a dispensa (pois só exige repetição quando não há aparência alguma de circuncisão).
"Circuncidou, mas não descobriu" (retomando as palavras da Mishná, a guemará passa a detalhar as bênçãos ditas no ato da circuncisão). Ensinaram os rabinos (numa Tosefta): quem circuncida diz: "...que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acerca da circuncisão". O pai do filho circuncidado diz: "...que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou introduzi-lo no pacto de Avraham, nosso pai". Os que estão presentes dizem: "Assim como ele entrou no pacto, assim entre ele na Torá, no dossel nupcial e nas boas obras".
A guemará afasta-se momentaneamente da discussão técnica sobre a validade da circuncisão para registrar, numa Tosefta, as bênçãos tradicionais recitadas no momento do brit milá — texto que permanece, quase inalterado, na liturgia judaica até hoje: a bênção do circuncisor (mohel), a do pai, e a saudação dos presentes, desejando ao menino um futuro de estudo da Torá, casamento e boas obras.
E quem pronuncia a bênção adicional diz: "Que santificou o amado desde o ventre, e determinou o preceito em sua carne, e a seus descendentes selou com o sinal do santo pacto. Por isso, como recompensa por isto, o Deus vivo, nossa porção [nossa Rocha], ordenou livrar o amado de nossa carne da destruição, por causa de Seu pacto que colocou em nossa carne. Bendito és Tu, Eterno, que estabelece o pacto".
"Que santificou o amado desde o ventre" — Yitzchak é chamado "amado", por causa de "que amaste" (Bereshit 22:2).
"Desde o ventre" — pois, antes mesmo de nascer, ele já fora santificado para este mandamento, como está escrito (ali, 17:19): "Mas Sará, tua mulher, te dará um filho... e estabelecerei Meu pacto com ele" — isto é a circuncisão.
"Bisharo" — "em sua carne".
"Sam" (determinou) — o preceito da circuncisão.
"E seus descendentes" — os que vêm depois dele.
"Selou com o sinal" — este, do santo pacto.
"Ordenou livrar o amado de nossa carne, da destruição" — do Geinom (inferno), pois está escrito: "também com o sangue de teu pacto libertei teus prisioneiros da cova sem água nela" (Zecharyá 9:11).
A bênção adicional, mais poética, celebra Yitzchak — o "amado desde o ventre" — como o modelo original da santificação pela circuncisão, e liga o próprio pacto da carne (a milá) à salvação futura da destruição, citando o versículo de Zecharyá sobre o "sangue do pacto" que liberta.
Quem circuncida os prosélitos diz: "Bendito és Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou acerca da circuncisão"; e quem pronuncia a bênção adicional diz: "...que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou circuncidar os prosélitos e fazer gotejar deles o sangue do pacto — pois, se não fosse o sangue do pacto, não se manteriam o céu e a terra, como está dito: 'Se não for Meu pacto, de dia e de noite, os decretos do céu e da terra Eu não teria estabelecido'". Bendito és Tu, Eterno, que estabelece o pacto".
Para o prosélito que se converte, a bênção adicional acrescenta um fundamento cosmológico ao mandamento da circuncisão: citando Yirmeyáhu (33:25), a guemará ensina que o próprio pacto da circuncisão — presente "de dia e de noite" — é o que sustenta a existência contínua do céu e da terra.
Quem circuncida os escravos (cananeus, adquiridos por um judeu, que assim entram parcialmente no pacto de Israel) diz: "...que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acerca da circuncisão", e quem pronuncia a bênção adicional diz: "...que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou circuncidar os escravos e fazer gotejar deles o sangue do pacto — pois, se não fosse o sangue do pacto, os decretos do céu e da terra não se manteriam, como está dito: 'Se não for Meu pacto, de dia e de noite, os decretos do céu e da terra Eu não teria estabelecido'". Bendito és Tu, Eterno, que estabelece o pacto".
A mesma fórmula, com a mesma citação de Yirmeyáhu, aplica-se ao escravo cananeu circuncidado por seu proprietário judeu — encerrando, com esta série de quatro bênçãos (circuncisor, pai, prosélito, escravo), o tratamento talmúdico das fórmulas litúrgicas da milá, e com elas todo o corpo de leis do Perek Yud-Tet.
Com as bênçãos da circuncisão, encerra-se, exatamente em Shabbat 137b:10, o Perek Yud-Tet, chamado Rabi Eliezer DeMilah ("Rabi Eliezer sobre a circuncisão"), que se estendera desde Shabbat 130a:1 — quase oito folhas inteiras. Ao longo do perek, tratou-se da circuncisão que afasta o Shabat mesmo em caso de dúvida sobre o oitavo dia, das ferramentas e preparativos permitidos e proibidos, da circuncisão do androginus e do tumtum, da disputa sobre se o androginus é tratado como macho apenas quanto à milá, do bebê circuncidado por engano no dia errado, dos dias possíveis para a circuncisão e da criança doente, e, por fim, das pontas de pele que invalidam o ato e das bênçãos que o acompanham. A extensão exata do perek — de 130a:1 a 137b:10 — foi confirmada via a estrutura de capítulos ("Chapters") registrada na API do Sefaria para o tratado Shabbat, que identifica o Perek Yud-Tet como "Shabbat 130a:1-137b:10" e o capítulo seguinte como "Shabbat 137b:11-141b:18". O texto talmúdico tradicional marca o encerramento com a fórmula "Hadran Alach Rabi Eliezer DeMilah" ("Retornaremos a você, Rabi Eliezer DeMilah"), dita ao concluir o estudo de um capítulo — expressando o compromisso de retornar ao seu estudo.
Abre-se aqui, em Shabbat 137b:11, o Perek Vinte, cujo nome, Tolin ("suspende-se"), vem da primeira palavra de sua mishná de abertura — a permissão, segundo Rabi Eliezer, de suspender a coadeira usada para filtrar a borra do vinho. O perek prossegue, segundo a estrutura de capítulos do Sefaria, até Shabbat 141b:18, tratando das leis de coar, filtrar e preparar alimentos e bebidas em Shabat e em dia festivo.
Rabi Eliezer diz: pode-se suspender a coadeira (usada para filtrar a borra do vinho, esticando-a sobre uma base) em dia festivo, e pode-se despejar vinho na coadeira já suspensa desde a véspera, no Shabat.
E os sábios dizem: não se suspende a coadeira em dia festivo, e não se despeja na coadeira suspensa, no Shabat; mas despeja-se na coadeira suspensa, em dia festivo.
MISHNÁ: "suspende-se a coadeira" — com a qual se filtra a borra do vinho; estica-se sua boca para todos os lados, em círculo, formando algo como uma tenda sobre o espaço vazio do utensílio, que chamam "estande" (em francês antigo, glosa de Rashi). E, embora isso constitua fazer uma tenda, é permitido em dia festivo, como se explica na guemará; mas, no Shabat, suspendê-la desde o início não é permitido. Porém, se já está suspensa, despeja-se nela a borra e filtra-se, pois isso não constitui o modo usual de separar (borer, um dos trabalhos proibidos).
Primeira Mishná do Perek Vinte (Tolin): trata da coadeira usada para filtrar a borra do vinho, cuja suspensão sobre uma base assemelha-se a erguer uma tenda. Rabi Eliezer permite suspendê-la em dia festivo (mas não no Shabat) e despejar vinho na já suspensa no Shabat (mas não em dia festivo); os sábios permitem exatamente o inverso — nunca suspendê-la, mas despejar na já suspensa tanto no Shabat quanto em dia festivo. A guemará examina essas permissões aparentemente cruzadas.
GUEMARÁ. Ora, se Rabi Eliezer sustenta que nem mesmo se pode acrescentar a uma tenda temporária já existente — seria de esperar que ele permitisse fazê-la desde o início?! Pois suspender a coadeira sobre uma base é comparável a fazer uma tenda.
A guemará levanta uma dificuldade interna à posição de Rabi Eliezer: se, noutro contexto, ele proíbe até mesmo acrescentar a uma tenda temporária já existente, seria de esperar, a fortiori, que proibisse construir uma tenda inteiramente nova — e no entanto ele permite exatamente isso, ao suspender a coadeira em dia festivo.
O que é isso (a que posição de Rabi Eliezer a guemará se refere)? Como aprendemos (numa mishná): quanto à tampa da janela (usada para tapar uma claraboia no teto), Rabi Eliezer diz: quando está atada e suspensa (sem tocar o chão), tapa-se a claraboia com ela; e, se não estiver atada e suspensa assim, não se tapa com ela. E os sábios dizem: tanto num caso quanto no outro, tapa-se com ela.
"A tampa da janela" — como, por exemplo, a que tapa a claraboia do teto.
A guemará identifica a fonte da restrição de Rabi Eliezer numa outra mishná: quanto à tampa que veda uma claraboia no teto, Rabi Eliezer só permite usá-la se ela já estiver atada e suspensa de antemão — indicando que, para ele, "acrescentar" a uma estrutura já erguida (o teto) por meio de algo pendente é mais tolerável do que erguer algo novo desde o início, algo que, nesse contexto, ele parece proibir por completo.
E disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: todos concordam que não se faz uma tenda temporária pela primeira vez, em dia festivo, e tampouco é necessário dizer que não se faz no Shabat. Não discordam senão quanto a acrescentar a uma tenda já existente: pois Rabi Eliezer diz: não se acrescenta em dia festivo, e tampouco é necessário dizer no Shabat; e os sábios dizem: acrescenta-se no Shabat, e tampouco é necessário dizer que se acrescenta em dia festivo.
"Senão quanto a acrescentar" — como esta tampa da janela, que não é senão um acréscimo temporário à tenda já existente, o teto da casa.
Rabi Yochanan esclarece que o consenso e a disputa operam em níveis diferentes: todos proíbem construir uma tenda temporária inteiramente nova, tanto em dia festivo quanto no Shabat; a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios diz respeito apenas a acrescentar a uma estrutura já existente — e, curiosamente, é justamente aqui que Rabi Eliezer é o mais restritivo dos dois (proibindo mesmo em dia festivo), enquanto os sábios são mais permissivos (permitindo mesmo no Shabat). Isso aprofunda a dificuldade: se Rabi Eliezer é tão restritivo quanto a acrescentar, como pôde permitir suspender a coadeira, que é fazer uma tenda nova?
Rabi Eliezer entende que suspender a coadeira, embora constitua fazer uma tenda, é permitido segundo a opinião de Rabi Yehuda. Pois foi ensinado numa baraita: não há diferença entre o dia festivo e o Shabat, senão quanto à preparação de comida somente (permitida em dia festivo, proibida no Shabat). Rabi Yehuda permite também os preparativos indiretos da comida.
"Entende segundo Rabi Yehuda" — por isso, aqui, Rabi Eliezer permite, pois se trata de um preparativo para a comida (o vinho a ser consumido no dia festivo).
A guemará resolve a dificuldade: Rabi Eliezer não trata a suspensão da coadeira como uma tenda comum, mas como um preparativo para a preparação de comida (o vinho a ser filtrado e consumido naquele mesmo dia festivo) — e, quanto a isso, ele segue a posição mais permissiva de Rabi Yehuda, que permite até mesmo os "preparativos dos preparativos" de comida em dia festivo, ainda que constituam, em si, um trabalho normalmente proibido.
Digamos que ouvimos de fato Rabi Yehuda permitir os preparativos que não podem ser feitos na véspera do dia festivo (pois só surgem no próprio dia) — mas, quanto aos preparativos que podem ser feitos na véspera do dia festivo (como suspender a coadeira, que poderia ter sido feito antes), porventura o ouviste permitir isso?!
"Que não podem ser feitos na véspera do dia festivo" — como, por exemplo, um espeto que se entortou no próprio dia festivo e só então pode ser reparado.
A guemará objeta: a permissão conhecida de Rabi Yehuda para "preparativos dos preparativos" de comida limita-se a casos em que a necessidade surge apenas no próprio dia festivo, sem alternativa prévia. Mas a coadeira poderia ter sido suspensa já na véspera — então por que Rabi Eliezer, seguindo Rabi Yehuda, permitiria suspendê-la também no próprio dia festivo?
A opinião de Rabi Eliezer é mais permissiva do que a de Rabi Yehuda (pois ele não distingue entre preparativos que podiam e que não podiam ser feitos na véspera).
"É mais permissiva" — é certo que Rabi Eliezer permite até mesmo os preparativos que já podiam ser feitos na véspera do dia festivo.
A guemará responde que Rabi Eliezer vai além de Rabi Yehuda: enquanto este só permite os preparativos indiretos de comida quando não havia alternativa antes do dia festivo, Rabi Eliezer permite mesmo aqueles que poderiam ter sido feitos na véspera — daí sua permissão de suspender a coadeira também no próprio dia festivo.
"E os sábios dizem" (que não se suspende a coadeira em dia festivo, e menos ainda no Shabat). Foi indagado diante deles: se alguém a suspendeu por engano, no Shabat, sem saber que era proibido, qual é a halachá? Disse Rav Yosef: se a suspendeu, é responsável por uma oferenda pelo pecado (como qualquer um que realiza, por erro, um trabalho proibido pela Torá no Shabat).
Segundo a opinião dos sábios, que jamais permitem suspender a coadeira (nem em dia festivo, nem no Shabat), a guemará pergunta pela consequência de quem o fez por erro no Shabat. Rav Yosef responde que essa pessoa é responsável por uma oferenda pelo pecado, tratando o ato de suspender a coadeira como o trabalho proibido de "construir" (erguer uma tenda), sujeito à mesma responsabilidade de qualquer outro trabalho proibido pela Torá realizado por engano.
Disse-lhe Abaye: mas, se assim é (que suspender a coadeira constitui o trabalho de construir, pelo qual se é responsável), então quem pendurou um jarro num prego (de parede) também seria, do mesmo modo, responsável por construir uma tenda?!
"Pendurou um jarro num prego" — pendeu um pequeno utensílio num gancho de parede.
"Também seria responsável, do mesmo modo" — mas, aqui (no caso da coadeira), que responsabilidade poderia haver? Uma tenda temporária não constitui construção plena segundo a Torá, e é apenas por decreto rabínico que é proibida — logo, não deveria haver responsabilidade por oferenda pelo pecado.
Abaye desafia a posição de Rav Yosef: se suspender a coadeira fosse verdadeiramente equiparável ao trabalho bíblico de construir, então até mesmo pendurar um simples jarro num prego de parede — algo trivial, que ninguém consideraria "construir uma tenda" — deveria acarretar a mesma responsabilidade. Como isso é absurdo, Rashi já indica a direção da resposta esperada: suspender uma tenda temporária não constitui, de fato, construção plena segundo a lei da Torá, mas apenas uma proibição de origem rabínica — o que afastaria a responsabilidade por oferenda pelo pecado. O desafio de Abaye permanece aqui sem resposta explícita, a ser resolvido em Shabat 138a, já dentro do Perek Vinte (Tolin).