98b continua exatamente onde 98a fechou, com dois fios ainda em aberto. Primeiro, Shmuel discorda da leitura de Rav Kahana sobre a declaração de Rav a respeito do espaço sob as carroças do Tabernáculo: para Shmuel, a referência era às estacas que sustentavam as tábuas antes de serem encaixadas, mais estreitas do que as próprias tábuas, deixando entre si vãos maiores que três palmos — e por isso via pública genuína. Em seguida, a Guemará traz a baraita, prometida ao final de 98a, que expõe formalmente a disputa sobre o formato das tábuas: segundo Rabi Yehuda, elas tinham um côvado de espessura na base e iam se estreitando até a largura de um dedo no topo, leitura apoiada na palavra “tamim” (perfeitas), comparada ao uso de “tamu” em Josué sobre as águas do Jordão que cessaram; segundo Rabi Nechemya, mantinham a mesma espessura de um côvado do topo à base, leitura apoiada na palavra “yachdav” (juntas). A Guemará desafia cada opinião com o versículo que sustenta a outra, respondendo que “tamim” ensina que as tábuas deviam ser inteiras (não serradas e unidas), e “yachdav” que deviam ficar perfeitamente alinhadas. Testando as duas opiniões contra a construção dos cantos ocidentais, a Guemará explica que, segundo Rabi Yehuda, não bastava afilar a espessura — era preciso também aparar a largura das tábuas dos cantos “como montanhas”, em declive, para que não ficassem salientes. Um versículo à parte revela que a barra central do Tabernáculo, que atravessava os três lados como uma única peça, ficava de pé por milagre, pois nenhum artesão seria capaz de dobrá-la assim. A folha então dedica um longo trecho a medir, uma a uma, as cortinas inferiores e superiores do Tabernáculo — comprimento contra largura, largura contra comprimento — para determinar, segundo cada opinião, se o côvado das bases ou o côvado das próprias tábuas ficava coberto ou exposto; o cálculo confirma a coerência interna de ambas as posições, inclusive quanto ao versículo sobre a meia cortina que “pende” atrás do Tabernáculo — que, segundo Rabi Nechemya, não significa arrastar-se no chão, mas apenas ser mais longa que as outras. A propósito, a escola de Rabi Yishmael comparou o Tabernáculo a uma mulher caminhando no mercado com as bainhas de suas vestes seguindo atrás dela. A folha fecha com uma nova baraita, iniciando outro tema: as tábuas eram ranhuradas e as bases eram ocas — frase que a folha interrompe em pleno desenvolvimento, a ser retomada em 99a.
Disse Shmuel: a declaração de Rav referia-se às estacas.
98b abre exatamente onde 98a fechou: Rav Kahana havia explicado que a declaração de Rav — de que debaixo, entre e ao lado das carroças do Tabernáculo era via pública, apesar de as carroças serem cobertas pelas tábuas — referia-se ao vão junto aos anéis fixados nas tábuas. Shmuel discorda e oferece outra leitura: antes de as próprias tábuas serem colocadas sobre a carroça, os levitas primeiro posicionavam estacas de sustentação, e essas estacas eram particularmente estreitas — mais estreitas do que as tábuas que viriam depois. Por isso, o vão entre elas era maior do que três palmos, e a área debaixo da carroça, nesse ponto, era considerada via pública descoberta genuína, e não meramente 'lavud' (unida por lei).
"'Disse Shmuel: nas estacas'" — por baixo, as carroças não eram cobertas, mas havia estacas, com um vão entre elas, semelhantes às nossas, feitas para carregar lenha. E a mim parece que a explicação de "atbei" é como o "atba" dos livreiros, mencionado em Menachot (32a) — o que em francês antigo se chama "gualhão": um instrumento talhado de um só pedaço de madeira, com uma ponta que se racha, e que morde as folhas do caderno; e é isto que Rav Kahana quis dizer: nos anéis não se deixava vão entre cada fileira e fileira, como dissestes, pois, sendo a fileira composta de três tábuas, cada uma com largura de um côvado e meio, e seu assento estreito — apenas um côvado de espessura, e nada mais —, elas cairiam umas sobre as outras; por isso, arranjava-se duas fileiras de três tábuas, uma junto à outra, como uma espécie dessa pinça, cujas duas hastes ficam próximas uma da outra; assim se arranjava na ponta de uma carroça, e sustentavam-se mutuamente, resultando um assento de duas fileiras com dois côvados de largura; e o mesmo se fazia na outra ponta, com o côvado do vão no meio. E perguntamos: onde colocavam essas tábuas em cima da carroça, se a própria carroça já era coberta? — e isto resolve bem o caso de "aos seus lados" e "entre elas", conforme já expliquei. Mas, segundo a explicação de meus mestres, o texto da versão não parece corresponder à interpretação deles, e por que seriam mencionados esses anéis aqui? Para que as tábuas das duas fileiras internas não ficassem deslocadas, de modo que seus anéis não ficassem alinhados um diante do outro.
Ensinaram os Sábios: as tábuas do Tabernáculo, por baixo, tinham a espessura de um côvado, e por cima iam se estreitando até chegarem à largura de um dedo, como está dito: “e serão perfeitas no topo dela” (Êxodo 26:24), e adiante , com relação às águas do Jordão que cessaram diante de Israel, se diz: “acabaram-se, foram cortadas” (Josué 3:16) — palavras de Rabi Yehuda. Rabi Nechemya diz: assim como por baixo tinham a espessura de um côvado, também por cima tinham a espessura de um côvado, como está dito: “juntas”.
A Guemará traz, finalmente, a baraita que expõe formalmente a disputa aludida ao final de 98a sobre o formato das tábuas do Tabernáculo. Segundo Rabi Yehuda, elas tinham um côvado de espessura na base e iam se estreitando gradualmente até restar apenas a largura de um dedo no topo — leitura que ele extrai da palavra “tamim” (perfeitas, terminadas), comparada com o uso do verbo aparentado “tamu” (acabaram-se) em Josué, a respeito das águas do Jordão que cessaram de fluir. Segundo Rabi Nechemya, ao contrário, as tábuas mantinham a mesma espessura de um côvado do topo à base, leitura que ele extrai da palavra “yachdav” (juntas).
"'E adiante se diz: acabaram-se, foram cortadas'" — assim como "tamu", dito adiante, tem sentido de extinção, também "tamim", dito aqui, tem sentido de extinção. "'Pois está dito: juntas'" — todas as tábuas eram iguais em espessura, do topo à base.
Mas não está escrito “perfeitas” (tamim)? Responde-se: isso vem ensinar que as tábuas deveriam ser trazidas inteiras, e não deveriam ser trazidas feitas de peças serradas e depois unidas. E, segundo a outra opinião também, não está escrito “juntas” (yachdav)? Responde-se: isso vem ensinar que as tábuas não deveriam ficar deslocadas umas das outras.
A Guemará desafia cada opinião com o próprio texto que, à primeira vista, sustentaria a posição contrária: Rabi Nechemya precisa explicar por que está escrito “tamim”, e Rabi Yehuda precisa explicar por que está escrito “yachdav”. A resposta, em ambos os casos, desloca o sentido dessas palavras para outro ensinamento, sem tocar na disputa sobre a espessura: “tamim” ensina que as tábuas deviam ser trazidas inteiras, de uma só peça, e não serradas em partes e depois unidas; “yachdav” ensina apenas que deviam ficar perfeitamente alinhadas entre si, sem deslocamento — não que fossem uniformemente espessas.
"'Que não tragam feita de peças serradas'" — que não tragam uma tábua feita de duas peças. "'Que não fiquem deslocadas umas das outras'" — uma para dentro e outra para fora; antes, que se coloquem as tábuas alinhadas, uma junto à outra, de modo que fiquem perfeitamente alinhadas, a espessura de uma correspondendo exatamente à espessura da outra.
Está bem, segundo quem diz que, assim como por baixo tinham a espessura de um côvado, também por cima tinham a espessura de um côvado — por isso está escrito: “e para o fundo do Tabernáculo, para o ocidente, farás seis tábuas; e duas tábuas farás para os cantos” (Êxodo 26:22–23) — pois a largura destas duas tábuas dos cantos vem preencher a espessura restante daquelas seis tábuas do lado ocidental. Mas, segundo quem diz que por baixo tinham a espessura de um côvado e por cima iam se estreitando até a largura de um dedo, esta tábua do canto sairia e aquela tábua da parede entraria! Respondem: aparavam-nas também na largura, no alto, como montanhas.
A Guemará testa as duas opiniões contra a construção dos cantos ocidentais do Tabernáculo, onde seis tábuas formavam a parede oeste e duas tábuas adicionais reforçavam os cantos. Segundo Rabi Nechemya (espessura uniforme), o encaixe funciona perfeitamente: a largura da tábua do canto completa, sem sobra nem falta, a espessura que falta na tábua vizinha, do topo à base. Mas, segundo Rabi Yehuda (tábuas afiladas), no topo — onde a espessura já se reduziu a um dedo — a tábua do canto, ainda com largura de um côvado e meio, ficaria saliente para fora, sem correspondência com a tábua vizinha, já estreitada. A Guemará resolve a dificuldade: não apenas a espessura da tábua se afilava — sua largura, nos cantos, também era aparada em declive, “como montanhas”, para que não ficasse saliente.
"'E vem a largura destas e preenche a espessura restante daquelas'" — pois, ao colocar seis tábuas para o ocidente, sua largura totalizava nove côvados, e o Tabernáculo tinha dez côvados de largura; faltava, portanto, meio côvado para a parede do norte e meio côvado para a do sul; e trazia-se duas tábuas, uma para cada canto, colocando-as junto às seis; e a largura da tábua do canto era um côvado e meio, de modo que o meio côvado preenchia e fechava a falta da parede ocidental, e o côvado restante cobria a espessura da tábua do sul, a externa — resultando que os cantos ficavam alinhados por fora, com as duas pontas das tábuas justapostas; e o mesmo ao norte. "'Esta sairia e aquela entraria'" — pois, como a tábua do sul e a do norte, no alto, terminavam quase de todo em sua espessura, e aquela tábua do canto media um côvado e meio de largura, a largura da tábua do canto ficaria saliente e sairia para o sul, no alto, além da espessura da tábua do sul; e o mesmo ao norte. "'Aparavam-nas'" — a largura das duas tábuas do canto, encurtando-as no alto em relação à sua largura, para que não ficassem salientes. "'Como montanhas'" — como estas montanhas, que são inclinadas de ambos os lados.
“E a barra central, no meio das tábuas” , passará de uma ponta a outra (Êxodo 26:28) — foi ensinado: essa barra ficava de pé por milagre.
Prosseguindo a leitura de versículos sobre a construção do Tabernáculo à luz da disputa recém-estabelecida, a Guemará traz outro ensinamento: a barra central, que atravessava as tábuas ao longo de toda a extensão do Tabernáculo — passando pelos três lados, norte, oeste e sul, como uma única peça de madeira —, não poderia ter sido dobrada nos cantos por mãos humanas; nenhum artesão seria capaz de curvar uma barra rígida dessa maneira sem quebrá-la. Por isso, os Sábios ensinaram que ela se curvava e ficava de pé sozinha, por milagre.
"'Ficava de pé por milagre'" — pois, depois que todas as tábuas já estavam colocadas nas bases, ao norte, a oeste e ao sul, colocava-se essa barra, e ela atravessava e sustentava os três lados; e não há artesão capaz de fazer isso — era por milagre que ela se dobrava por si mesma.
“E o Tabernáculo farás com dez cortinas... o comprimento de cada cortina será de vinte e oito côvados” (Êxodo 26:1–2). Coloca seu comprimento , o comprimento das cortinas, na largura do Tabernáculo — quanto era? Vinte e oito. Subtrai dez para o teto — restam-lhe nove côvados para este lado e nove para aquele lado. Segundo Rabi Yehuda, fica exposto o côvado das bases; segundo Rabi Nechemya, fica exposto o côvado das tábuas.
A Guemará passa a um cálculo minucioso sobre as cortinas inferiores do Tabernáculo, de linho e lã tingida, medindo quanto de cada dimensão cobria as tábuas e as bases, segundo cada opinião. Colocando o comprimento de cada cortina (vinte e oito côvados) transversalmente à largura do Tabernáculo, e subtraindo os dez côvados do teto, restam nove côvados pendentes de cada lado — cobrindo as nove tábuas visíveis do exterior, mas deixando exposto o côvado da base (que tinha essa altura). Segundo Rabi Yehuda, como o topo das tábuas já se estreitou a quase nada, o cálculo bate exatamente: fica exposto apenas o côvado da base. Segundo Rabi Nechemya, como as tábuas mantêm sua espessura total até o topo, é necessário somar mais um côvado à largura total consumida pelas tábuas — de modo que, além do côvado da base, também fica exposto um côvado das próprias tábuas.
"'Subtraem-se dez para o teto'" — referindo-se à largura do espaço interno do Tabernáculo, que era de dez côvados. "'Segundo Rabi Yehuda'" — que disse acima que a espessura das tábuas ia se estreitando até a largura de um dedo, essa estreiteza não reduz nada das cortinas; e, ao estendê-las pela largura do Tabernáculo, restam nove côvados para o norte, cobrindo nove côvados de tábuas por fora, e fica exposto um côvado das bases, pois as bases tinham um côvado de altura e eram ocas, e as tábuas eram ranhuradas por baixo, no meio, num vão de meio côvado de largura por um côvado de altura, restando meio côvado para cá e meio côvado para lá — que são as duas "mãos" de cada tábua; e essas "mãos" ficavam reduzidas por fora, em seus dois lados, para cavalgar sobre a espessura das paredes da base, quando se encaixavam as duas "mãos" em duas bases, de modo que as tábuas ficassem justapostas e entrelaçadas, uma à outra, sem que a espessura da base se interpusesse entre elas. "'Segundo Rabi Nechemya'" — que disse que também por cima a espessura era de um côvado, essa espessura reduz a espessura das tábuas do sul e do norte um côvado para cá e um côvado para lá, no comprimento das cortinas, e elas não chegam senão a oito côvados de cada lado. "'Fica exposto um côvado das tábuas'" — além das bases e do côvado das bases.
Coloca sua largura , a largura das cortinas, no comprimento do Tabernáculo — quanto era? Quarenta. Subtrai trinta para o teto — resta-lhes dez. Segundo Rabi Yehuda, fica coberto o côvado das bases; segundo Rabi Nechemya, fica exposto o côvado das bases.
Repetindo o cálculo com a outra dimensão — a largura da cortina (quarenta côvados) colocada ao longo do comprimento do Tabernáculo, e subtraindo os trinta côvados do teto — restam dez côvados. Segundo Rabi Yehuda, esses dez côvados bastam para cobrir toda a altura das tábuas do lado ocidental e ainda as bases, deixando tudo coberto; segundo Rabi Nechemya, o côvado extra necessário no topo das tábuas consome parte desse excedente, deixando o côvado das bases exposto.
“E farás cortinas de pelos de cabra para a tenda” etc. “o comprimento de cada cortina será de trinta côvados” etc. (Êxodo 26:7–8). Coloca seu comprimento na largura do Tabernáculo — quanto era? Trinta. Subtrai dez para o teto — restam-lhe dez para este lado e dez para aquele lado. Segundo Rabi Yehuda, fica coberto o côvado das bases; segundo Rabi Nechemya, fica exposto o côvado das bases.
A Guemará repete o cálculo para as cortinas superiores, de pelos de cabra, que formavam a cobertura sobre as cortinas inferiores. Colocando o comprimento de cada uma (trinta côvados) transversalmente à largura do Tabernáculo, e subtraindo os dez côvados do teto, restam dez côvados de cada lado. Segundo Rabi Yehuda, esse excedente é suficiente para cobrir também o côvado da base que as cortinas inferiores haviam deixado exposto; segundo Rabi Nechemya, mesmo esse excedente maior não basta, e o côvado da base permanece exposto.
"'E farás cortinas de pelos de cabra'" — estas são as cortinas superiores, estendidas sobre as cortinas inferiores; as superiores são chamadas "tenda", isto é, para teto e cobertura, e as inferiores são chamadas o próprio "Tabernáculo", pois eram para ornamento, de azul, púrpura e escarlate. "'Fica coberto o côvado das bases'" — que ficava exposto pelas cortinas inferiores, as superiores vêm e o cobrem. "'Segundo Rabi Nechemya, fica exposto o côvado das bases'" — pois o excedente desta cortina superior precisou cobrir o côvado das tábuas que as inferiores não cobriram.
Isso também foi ensinado assim numa baraita: “e o côvado deste lado, e o côvado daquele lado, do que sobra” (Êxodo 26:13) — vem para cobrir o côvado das bases; palavras de Rabi Yehuda. Rabi Nechemya diz: vem para cobrir o côvado das tábuas. Coloca sua largura , a largura das cortinas superiores, no comprimento do Tabernáculo — quanto era? Quarenta e quatro. Subtrai trinta para o teto — restam-lhe catorze. Subtrai dois côvados para a dobra, como está escrito: “e dobrarás a sexta cortina diante da face da tenda” (Êxodo 26:9) — restam-lhe doze.
Uma baraita independente confirma a disputa a partir de outro versículo, sobre o côvado que sobra de cada lado das cortinas superiores, destinado a cobrir o que ficou exposto. Segundo Rabi Yehuda, esse excedente cobre o côvado das bases; segundo Rabi Nechemya, cobre o côvado das tábuas — já que, em sua opinião, é este, e não o das bases, que permanece exposto pelas cortinas inferiores. A Guemará então calcula a largura das cortinas superiores ao longo do comprimento do Tabernáculo: onze cortinas de quatro côvados cada somam quarenta e quatro côvados; subtraindo trinta para o teto, restam catorze; subtraindo dois côvados para a dobra da sexta cortina sobre a entrada oriental — que não tinha tábuas, apenas um véu —, restam doze: seis côvados para cada lado, norte e sul.
"'Do que sobra'" — pois as cortinas da tenda excediam as cortinas do Tabernáculo em dois côvados; esse excedente ficará pendente sobre a cobertura das inferiores, para cobrir o que elas não cobriram. "'Quarenta e quatro'" — pois eram onze cortinas de quatro côvados cada. "'Dois côvados para a dobra'" — pois a sexta cortina se inclinava, com a largura de meia cortina, sobre o lado oriental, onde não havia tábuas — que era a entrada do Tabernáculo, e ali não havia senão uma cortina estendida, como um véu, conforme está escrito: "e farás um véu para a entrada da tenda" etc.
Está bem, segundo Rabi Yehuda: por isso está escrito: “a metade da cortina que sobra penderá” (Êxodo 26:12). Mas, segundo Rabi Nechemya, o que significa “penderá”? Penderá mais do que as outras cortinas, sem se arrastar pelo chão. Ensinou a escola de Rabi Yishmael: a que se assemelha o Tabernáculo? A uma mulher que caminha no mercado, com as bainhas de suas vestes andando atrás dela.
A Guemará verifica a coerência de cada opinião com o versículo sobre a metade da cortina que “pende” na parte de trás, ocidental, do Tabernáculo. Segundo Rabi Yehuda, isso é direto: como a espessura das tábuas não consome nada da largura das cortinas, a cortina realmente pende — arrastando-se pelo chão atrás do Tabernáculo. Segundo Rabi Nechemya, que já havia consumido parte desse excedente para cobrir o topo das tábuas, o verbo “pender” não pode significar arrastar-se no chão; a Guemará reinterpreta: significa apenas que essa cortina fica um pouco mais longa do que as outras. A propósito dessa imagem de um tecido que se arrasta atrás da estrutura, a escola de Rabi Yishmael ensinou uma comparação memorável: o Tabernáculo era como uma mulher andando no mercado, com as bainhas de suas vestes seguindo atrás dela.
"'Está bem, segundo Rabi Yehuda'" — que disse que a espessura das tábuas não reduz nada das cortinas; por isso está escrito: "a meia cortina que sobra" — nas superiores, mais do que nas inferiores — "penderá" sobre a parte traseira do Tabernáculo, pendendo sobre todo o comprimento das tábuas e das bases do ocidente, e arrastando-se pelo chão. "'O que significa penderá'" — segundo Rabi Nechemya: apenas um côvado se arrasta, e nada mais, pois a espessura das tábuas reduziu o comprimento disponível em um côvado. "'Mais do que as outras'" — a meia cortina pende, em relação às outras, um côvado a mais, para cobrir as bases, e outro côvado se arrasta. "'E suas bainhas'" — as bordas de suas vestes; assim a cortina de trás se arrastava pelo chão.
Ensinaram os Sábios a respeito da construção do Tabernáculo: as tábuas eram ranhuradas, e as bases eram ocas,
Encerrando esta seção sobre a construção do Tabernáculo, a Guemará traz uma nova baraita técnica sobre o encaixe entre tábuas e bases: as tábuas eram ranhuradas — talhadas com um vão em sua parte inferior — e as bases eram ocas, de modo que as duas "mãos" salientes de cada tábua se encaixavam nos vazios das bases, mantendo as tábuas firmemente unidas, sem que a espessura da base se interpusesse entre elas. A frase é interrompida exatamente aqui — a folha termina em pleno desenvolvimento desta baraita, e sua continuação, com os detalhes completos do encaixe, prossegue em 99a.
"'As tábuas eram ranhuradas'" — como já expliquei, havia um vão de meio côvado no meio de sua largura, por baixo, numa altura de um côvado, restando as "mãos" para cá e para lá; e elas também eram ranhuradas por fora, na medida da espessura da parede da base, em largura e em altura de um côvado, até o chão, para cavalgar sobre a base, de modo que ficassem entrelaçadas, tábua sobre tábua, sem que a espessura das duas bases se interpusesse entre elas. "'E as bases eram ocas'" — pois nesse vazio se encaixavam as "mãos" das tábuas.