O Talmud Bavli, daf a daf — hebraico e português, com Rashi. Tradução fiel e literal.
Massechet Eruvin é o segundo tratado de Seder Moed, logo depois de Shabat, e é dedicado às leis do eruv (junção): a junção de domínios, que permite carregar no Shabat entre casas e pátios que partilham um mesmo espaço, e a junção de limites, que estende a distância que se pode caminhar fora da cidade no Shabat. O tratado começa pelo mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) e pelas correções que o tornam apto, como a korá (viga transversal) e o lechi (poste lateral), e percorre em dez perakim, do daf 2a ao daf 105a, as paredes, os limites, a participação dos vizinhos e os telhados. Como é costume no Talmud, a numeração das folhas começa em 2a, não em 1a.
Perek Alef (Mavoi), em andamento, 2a:1–17b:14: abre com a mishná sobre o mavoi cuja korá está acima de vinte amot e cuja entrada é mais larga que dez amot, a não ser que tenha forma de porta; em 2a, a guemará compara a linguagem da mishná com a da sucá, “inválida”, e explica que os Sábios aprenderam a medida da entrada do Heichal, e Rabi Yehuda, da entrada do Ulam, até o início da prova de que o Mishkan é chamado Mikdash; em 2b, conclui essa prova, pergunta por que não se aprende a medida da entrada do portão do pátio do Mishkan, e Rav Chisda explica que Rabi Yehuda aprende da entrada dos reis, até as perguntas sobre as portas do Heichal e a forma de porta; em 3a, objeta que a amaltera não deveria ser útil se os Sábios aprendem do Heichal, chega à disputa de tanaítas e à explicação de Rav Nachman bar Yitzchak pelo sinal visível, compara o mavoi com a sucá, define a amaltera e discute a korá e o sechach em parte acima de vinte amot, com as duas versões de Rabba, até a conclusão de Rava; em 3b, explica que se mede o espaço abaixo da korá e do sechach, com a baraita de Rav Pappa e a objeção de Rav Shimi bar Rav Ashi, e traz a palavra de Rav Nachman sobre a amá de cinco e a amá de seis palmos no mavoi, na sucá e em kilayim, até a objeção de uma baraita; em 4a, conclui a baraita, “contanto que não sejam exatas”, que Rava explica pelas amot sorridentes e tristes e Abaye emenda para a amá de kilayim, discute Rabban Shimon ben Gamliel e a amá do yesod e do sovev do altar, e traz a palavra de Rav de que as medidas, as interposições e as divisórias são halachá transmitida a Moshe no Sinai, até o início da enumeração das medidas do trigo, da cevada e da vinha; em 4b, conclui a enumeração com o figo, a romã, a azeitona e o mel, responde que as medidas são halachot apoiadas nos versículos, explica a interposição no cabelo, a maior e a menor parte e quem se importa, segundo Rabi Yitzchak, e as divisórias, pela arca e a kaporet, com gud, lavud e dofen akumá, e volta à korá acima de vinte amot, com a disputa de Rav Yossef e Abaye sobre a largura da elevação do chão; em 5a, explica essa disputa pelo uso da área debaixo da korá, pela korá como sinal visível ou divisória, pelo sinal de baixo e pelo decreto para que não se reduza, discute a extensão do chão escavado sob a korá baixa, quatro palmos ou quatro amot, e a palavra de Rabi Ami e Rabi Assi sobre a brecha junto à entrada, e traz as provas de Abaye, as casas e pátios abertos para o mavoi e o lechi que sobressai da parede, com as respostas de Rav Yossef, até voltar à palavra de Rami bar Chama; em 5b, conclui essa palavra, o lechi de quatro amot julgado como mavoi, discute onde se coloca o outro lechi, segundo Rav Pappa e Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, que limita a palavra ao mavoi de oito amot, pois o de sete se torna permitido quando a parte em pé é maior que a aberta, com o kal vachomer do pátio e a sua refutação, e traz a palavra de Rav Ashi, de que também no mavoi de oito não é preciso outro lechi, pois a dúvida nas palavras dos Sábios se resolve para a leniência, até o início da palavra de Rav sobre o mavoi aberto por uma brecha; em 6a, conclui essa palavra, a brecha do lado em dez e a da frente em quatro, explicada por Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, como brecha no canto, traz a opinião de Rav Huna, de que ambas proíbem em quatro, e a decisão de Rav em Damcharya, o mavoi torto segundo Rav e Shmuel e os restos de parede, e a baraita sobre o eruv num caminho do domínio público, até o início da palavra de Rabi Yehuda; em 6b, conclui a baraita de Rabi Yehuda sobre as duas casas dos dois lados do domínio público, objeta por Jerusalém e pelos portões de Machoza, traz a emenda de Rav Yehuda sobre os mevoot abertos para o domínio público, a decisão de Rav como o tanna kamma e a de Shmuel como Chananiá, a pergunta se é preciso trancar a porta, o mavoi torto de Neharde’a com as rigorosidades de Rav e de Shmuel, e a baraita sobre as rigorosidades de Beit Shammai e de Beit Hillel, resolvida pela bat kol, até o início da segunda resposta; em 7a, conclui essa resposta, segundo Rabi Yehoshua, que não dá atenção à bat kol, propõe que a baraita fala de quaisquer dois tanaítas ou amoraítas que divergem, e volta ao mavoi torto de Neharde’a, explicado por Rav Nachman bar Yitzchak pela palavra de Rav, “é a halachá, mas não se dá instrução assim”, e, segundo Rav Adda bar Ahava, pela regra de Rav Sheizvi de que só não se age segundo duas rigorosidades quando se contradizem, como na espinha e no crânio e na tereifá, com a objeção do etrog de Rabi Akiva; e traz a palavra de Rav Yossef sobre a seratya, a pelatya e o vale, e a conclusão de Rav Yehuda sobre o mavoi que termina numa rechavá, que Abaye atribui a Shmuel; em 7b, Abaye mostra que, se fosse de Rav, haveria dificuldade de Rav contra Rav em duas coisas, pela palavra de Rav sobre o mavoi rompido em toda a sua extensão para um pátio, Rav Yossef responde com o caso de Dura deRe’uta, e a guemará resolve a dificuldade pela explicação de Rav Sheshet, que distingue o caso em que os moradores do pátio fizeram eruv com os moradores do mavoi do caso em que não fizeram.