Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Alef (Mavoi)
מָבוֹי

O mavoi alto e largo; a sucá e o mavoi; a entrada do Heichal e a do Ulam

Eruvin 2a — abertura do tratado · Perek Alef (Mavoi, Eruvin 2a:1-17b:14) · a guemará prossegue em 2b

O tratado se abre direto na Mishná do Perek Alef, Mavoi (Eruvin 2a:1-17b:14, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria): o beco sem saída, para o qual se abrem pátios, só pode ser usado para carregar no Shabat depois de corrigido por uma viga transversal sobre a entrada; se a viga está acima de vinte amot, é preciso rebaixá-la, e, se a entrada é mais larga que dez amot, é preciso estreitá-la, a não ser que tenha forma de porta. A guemará pergunta por que a mishná paralela de Sucá diz “inválida” enquanto aqui se ensina a correção, e Rav explica que os Sábios aprenderam a medida da entrada do Heichal, e Rabi Yehuda, da entrada do Ulam, ambos a partir de “à entrada da Tenda do Encontro”; daí se pergunta como se aprende o Templo a partir do Mishkan, e o daf termina no meio da prova de que o Mishkan é chamado Mikdash.

Perek Alef · Mavoiפֶּרֶק רִאשׁוֹן · מָבוֹי

A Mishná · מַתְנִיתִין

01A korá acima de vinte amot
Mishná
מָבוֹי שֶׁהוּא גָּבוֹהַּ לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים אַמָּה — יְמַעֵט. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: אֵינוֹ צָרִיךְ.

MISHNÁ. Um mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) que é alto, acima de vinte amot (côvados), isto é, cuja korá (viga transversal), posta sobre a entrada para permitir carregar dentro dele, está acima dessa altura — deve-se diminuir a altura. Rabi Yehuda diz: Não é necessário diminuir.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mavoi shehu gavoha” e “yema’et”
מתני' מבוי שהוא גבוה - שהניחו את הקורה למעלה מעשרים אמה וקורה זו להתיר לטלטל לתוכה באה דמדאורייתא איתסר הוצאת רה"ר בשבת ומה היא רה"ר סרטיא ופלטיא גדולה כדאמרן בפרק יציאות השבת (שבת דף ו:) שדומין לדגלי מדבר דכל מילי דשבת ממשכן גמרינן ועגלות של לוים ברוחב י"ו אמה אזלי כדאמרן בהזורק (שם ד' צט.) הלכך לא הוי רה"ר בציר מי"ו אמה רוחב ומפולש משני ראשין אבל מבוי קצר הוא ואינו רחב י"ו אמה ואי נמי רחב הוא אינו מפולש אלא ראשו אחד פתוח לרה"ר וראשו אחד סתום דאי הוה מפולש לא הוי משתרי בקורה כדאמרינן בגמרא וכיון דלאו רה"ר הוא שרי לטלטולי ביה מן התורה בלי שום תיקון ורבנן גזור עליה משום דאתי לאיחלופי ברה"ר ושריוה בתקנתא דלחי או קורה דליהוי היכירא דלא ליתי למישרי רה"ר גמורה: ימעט - ישפיל וטעמא מפרש בגמרא:

“MISHNÁ. Um mavoi que é alto” — que puseram a korá sobre a sua entrada acima de vinte amot. E esta korá vem para permitir carregar dentro dele no Shabat, pois, pela Torá, é proibido o transporte no reshut harabim (domínio público) no Shabat. E o que é reshut harabim? Uma estrada e uma praça grande da cidade, como dissemos no capítulo Yetziot HaShabat (Shabat 6b), lugares que se assemelham às bandeiras do acampamento do deserto, pois todas as leis do Shabat aprendemos do Mishkan; e as carroças dos levitas, que levavam as tábuas do Mishkan, andavam numa largura de dezesseis amot, como dissemos em HaZorek (Shabat 99a). Por isso, não é reshut harabim um lugar com menos de dezesseis amot de largura e se não for aberto nas duas extremidades. Mas o mavoi é estreito e não tem dezesseis amot de largura; e, ainda que seja largo, não é aberto nas duas extremidades, mas uma extremidade é aberta para o reshut harabim e a outra extremidade é fechada; pois, se fosse aberto nas duas, não seria permitido com uma korá, como dizemos na guemará adiante. E, uma vez que não é reshut harabim, é permitido carregar nele pela Torá, sem nenhuma correção; e os Sábios decretaram uma proibição sobre ele porque as pessoas poderiam vir a confundi-lo com o reshut harabim, e o permitiram com a correção de um lechi (poste lateral) ou de uma korá, para que haja um sinal distintivo entre ele e o domínio público, de modo que não se venha a permitir carregar num reshut harabim completo.

“Deve-se diminuir” — rebaixar a korá; e a razão é explicada na guemará.

02A entrada mais larga que dez amot
Mishná
וְהָרָחָב מֵעֶשֶׂר אַמּוֹת יְמַעֵט. וְאִם יֵשׁ לוֹ צוּרַת הַפֶּתַח, אַף עַל פִּי שֶׁהוּא רָחָב מֵעֶשֶׂר אַמּוֹת אֵין צָרִיךְ לְמַעֵט.

E a entrada do mavoi que é mais larga que dez amot, deve-se diminuir a sua largura. E, se tem tzurat hapetach (forma de porta: dois postes verticais, um de cada lado, e uma viga horizontal sobre eles), ainda que seja mais larga que dez amot, não é necessário diminuir a largura, pois é considerada entrada e não brecha.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veharachav me’esser amot yema’et” e “tzurat hapetach”
והרחב מעשר אמות ימעט - דזהו שיעור רוחב סתם פתחים וטפי מהכי לא מיקרו פתח אלא פרצה ואנן בעינן פתח וצריך לנעוץ קנים למעט רוחב כניסתה ולהעמידה על עשר או על פחות: צורת הפתח - לחי מיכן ולחי מיכן קורה (ס"א וקנה) על גביהן:

“E a entrada que é mais larga que dez amot, deve-se diminuir” — pois esta é a medida da largura das entradas comuns, e mais do que isso não se chama entrada, mas brecha; e nós precisamos, no mavoi, de uma entrada. E é preciso fincar caniços junto à entrada para diminuir a largura do seu acesso e reduzi-la a dez amot ou a menos.

“Forma de porta” — um lechi daqui e um lechi dali, e uma korá sobre eles; em outra versão: e um caniço sobre eles.

Nota

A Mishná de abertura define as duas medidas da entrada de um mavoi corrigido por meio de uma korá: a viga não pode estar acima de vinte amot, e a entrada não pode ser mais larga que dez amot, a não ser que tenha forma de porta. Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre a forma de porta com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.

Guemará: sucá e mavoi · סוּכָּה וּמָבוֹי

03Por que na sucá “inválida” e no mavoi a correção?
A guemará
גְּמָ׳ תְּנַן הָתָם: סוּכָּה שֶׁהִיא גְּבוֹהָה לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים אַמָּה פְּסוּלָה, וְרַבִּי יְהוּדָה מַכְשִׁיר. מַאי שְׁנָא גַּבֵּי סוּכָּה דְּתָנֵי ״פְּסוּלָה״ וְגַבֵּי מָבוֹי תָּנֵי תַּקַּנְתָּא?

GUEMARÁ. Aprendemos ali, numa mishná do tratado de Sucá: “Uma sucá que é alta, acima de vinte amot, é inválida; e Rabi Yehuda a valida” (Mishná Sucá 1:1). Qual é a diferença, que a respeito da sucá a mishná ensina “inválida”, e a respeito do mavoi ensina a correção, isto é, que se deve diminuir a altura?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “detanei takanta”
גמ' דתני תקנתא - דתני ימעט ולא תנא פסול:

“Que ensina a correção” — que ensina “deve-se diminuir”, e não ensinou “inválido”.

04Da Torá ou dos Sábios
A guemará
סוּכָּה דְּאוֹרָיְיתָא, תָּנֵי ״פְּסוּלָה״. מָבוֹי דְּרַבָּנַן, תָּנֵי תַּקַּנְתָּא.

Responde-se: A sucá, cuja obrigação vem da Torá, a mishná ensina “inválida”, pois, se não foi feita como se deve, não se cumpre com ela o preceito; o mavoi, cuja proibição de carregar vem dos Sábios, a mishná ensina a correção, pois a korá só vem reparar uma proibição rabínica.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “sucá”, “tanei pessulá” e “mavoi”
סוכה - דטעמא דידה דאורייתא כדאמרי' התם מלמען ידעו דורותיכם: תני פסולה - הואיל וכבר מימות משה ניתנה מדה זו ובאו חכמים לפרש לך שאם לא עשה כן פסולה שייך למיתני בה לשון פסלות ואע"ג דמהניא בה תקנתא כל כמה דלא מתקן לה איקריא פסולה: מבוי - דכל עיקריה דרבנן הוא לא שייך למימר ביה לשון פסלות שהרי כאן התחילו להראותך עסקי מבוי ותורותיו ומאי פסול שייך למימר אכתי לא הודיעוך רבנן שיעוריה בהכי דליתני אם לא עשה כן פסול:

“A sucá” — cuja razão é da Torá, como dizemos ali: “Para que saibam as vossas gerações” (Vayikrá 23:43).

“Ensina ‘inválida’” — uma vez que esta medida já foi dada desde os dias de Moshé, e os Sábios vieram explicar-te que, se não a fizer assim, é inválida, cabe ensinar a respeito dela a linguagem de invalidade; e, ainda que a correção funcione nela, como rebaixar a cobertura, enquanto não for corrigida chama-se inválida.

“O mavoi” — cujo fundamento inteiro é dos Sábios, não cabe dizer a respeito dele a linguagem de invalidade, pois aqui os Sábios começaram a mostrar-te as questões do mavoi e as suas leis; e que “inválido” caberia dizer? Os Sábios ainda não te deram a conhecer as suas medidas, para que se ensinasse a respeito disso: se não fizer assim, é inválido.

05Muitas leis ou poucas
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא: דְּאוֹרָיְיתָא נָמֵי תָּנֵי תַּקַּנְתָּא. אֶלָּא, סוּכָּה דִּנְפִישִׁין מִילֵּיהּ — פָּסֵיק וְתָנֵי ״פְּסוּלָה״. מָבוֹי דְּלָא נְפִישִׁי מִילֵּיהּ — תָּנֵי תַּקַּנְתָּא.

E, se quiseres, dize: Também em matérias que vêm da Torá a mishná costuma ensinar a correção. Mas a sucá, cujas leis são numerosas, a mishná decide e ensina de uma vez “inválida”, pois ensinar a correção de cada defeito exigiria longa explicação; o mavoi, cujas leis não são numerosas, ela ensina a correção.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “deoraita nami tanei takanta”, “denafishei mileh” e “passek vetanei pessulá”
דאורייתא נמי תני תקנתא - בעלמא במילי אחריני: דנפישי מיליה - דקתני התם ושאין לה שלש דפנות ושאינה גבוהה עשרה ושחמתה מרובה מצילתה: פסיק ותני פסולה - דהשתא מצי כייל ותני להו כולהו כחדא דאי הוה תני תקנתא לא הוה מצי לערובינהו ולמתנינהו דבשאין לה שלש דפנות בעי למיתני יעשה לה דופן ובשאינה גבוהה בעי למיתני יגביה ובשחמתה מרובה מצילתה יוסיף על סככה ואמר מר לעולם ישנה אדם לתלמידו דרך קצרה (פסחים ד' ג:):

“Também da Torá ensina a correção” — em geral, em outras matérias da Torá.

“Cujas leis são numerosas” — pois ensina ali: “e a que não tem três paredes, e a que não é alta dez tefachim (palmos), e aquela cuja parte ensolarada é maior que a sombreada” (Mishná Sucá 1:1).

“Decide e ensina ‘inválida’” — pois agora pode englobá-las e ensiná-las todas como uma só; pois, se ensinasse a correção, não poderia juntá-las e ensiná-las de uma vez, já que, no caso da que não tem três paredes, precisaria ensinar “faça-lhe uma parede”, e no da que não é alta, precisaria ensinar “eleve-a”, e no daquela cuja parte ensolarada é maior que a sombreada, “acrescente à sua cobertura”. E disse o mestre: Sempre ensine a pessoa ao seu aluno pelo caminho mais curto (Pessachim 3b).

Guemará: a entrada do Heichal e a entrada do Ulam · פִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל וּפִתְחוֹ שֶׁל אוּלָם

06De onde cada um aprendeu a medida
Rav Yehuda em nome de Rav
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: חֲכָמִים לֹא לְמָדוּהָ אֶלָּא מִפִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל, וְרַבִּי יְהוּדָה לֹא לְמָדָהּ אֶלָּא מִפִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם.

Disse Rav Yehuda, disse Rav: Os Sábios não aprenderam esta medida de vinte amot senão da entrada do Heichal (o Santuário), e Rabi Yehuda não a aprendeu senão da entrada do Ulam (o Vestíbulo que leva ao Santuário).

07As medidas das duas entradas
A guemará
דִּתְנַן: פִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל גׇּבְהוֹ עֶשְׂרִים אַמָּה וְרׇחְבּוֹ עֶשֶׂר אַמּוֹת, וְשֶׁל אוּלָם גׇּבְהוֹ אַרְבָּעִים אַמָּה וְרׇחְבּוֹ עֶשְׂרִים אַמּוֹת.

Como aprendemos numa mishná: “A entrada do Heichal tem vinte amot de altura e dez amot de largura” (Midot 4:1), “e a do Ulam tem quarenta amot de altura e vinte amot de largura” (Midot 3:7).

08Um mesmo versículo: a opinião dos Sábios
A guemará
וּשְׁנֵיהֶן מִקְרָא אֶחָד דָּרְשׁוּ: ״וּשְׁחָטוֹ פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד״, דְּרַבָּנַן סָבְרִי: קְדוּשַּׁת הֵיכָל לְחוּד וּקְדוּשַּׁת אוּלָם לְחוּד. וְכִי כְּתִיב ״פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד״ — אַהֵיכָל כְּתִיב.

E ambos, os Sábios e Rabi Yehuda, interpretaram um mesmo versículo: “E o abaterá à entrada da Tenda do Encontro” (Vayikrá 3:2). Pois os Sábios entendem: A santidade do Heichal é uma à parte, e a santidade do Ulam é outra à parte; e, quando está escrito “a entrada da Tenda do Encontro”, é a respeito do Heichal que está escrito, de modo que só uma abertura como a do Heichal, de vinte amot de altura, se chama entrada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ohel moed” e “rabanan savrei”
אהל מועד - הוא ההיכל ששם היה נתון מזבח הזהב והשלחן והמנורה ובכולהו כתיב אהל מועד: רבנן סברי - קדושת אולם לאו כקדושת היכל וכל עבודות האמורות בהיכל אי הוה עביד להו באולם שלפניו לא מיתכשרי הלכך: לא מיקרי אהל מועד ולא אשכחן קרא דליקרי לפתח דיליה פתח:

“Tenda do Encontro” — é o Heichal do Mishkan, onde estavam colocados o altar de ouro, a mesa e o candelabro, e a respeito de todos eles está escrito “Tenda do Encontro”.

“Os Sábios entendem” — a santidade do Ulam não é como a santidade do Heichal, e todos os serviços ditos a respeito do Heichal, se alguém os fizesse no Ulam que está diante dele, não seriam válidos. Por isso, o Ulam não se chama Tenda do Encontro, e não encontramos versículo que chame a sua entrada de entrada.

09A opinião de Rabi Yehuda
A guemará
וְרַבִּי יְהוּדָה סָבַר: הֵיכָל וְאוּלָם קְדוּשָּׁה אַחַת הִיא. וְכִי כְּתִיב: ״פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד״ — אַתַּרְוַיְיהוּ הוּא דִּכְתִיב.

E Rabi Yehuda entende: O Heichal e o Ulam são uma só santidade; e, quando está escrito “a entrada da Tenda do Encontro”, é a respeito de ambos que está escrito, e por isso também uma abertura como a do Ulam, maior que vinte amot, se chama entrada.

10Outra explicação: “à entrada do Ulam da Casa”
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא: לְרַבִּי יְהוּדָה נָמֵי קְדוּשַּׁת אוּלָם לְחוּד וּקְדוּשַּׁת הֵיכָל לְחוּד. וְהָכָא הַיְינוּ טַעְמָא דְּרַבִּי יְהוּדָה — דִּכְתִיב: ״אֶל פֶּתַח אוּלָם הַבַּיִת״.

E, se quiseres, dize: Também para Rabi Yehuda a santidade do Ulam é uma à parte e a santidade do Heichal é outra à parte; e aqui esta é a razão de Rabi Yehuda: pois está escrito “à entrada do Ulam da Casa”; vê-se que também a abertura do Ulam é chamada entrada, e o mesmo vale para qualquer abertura com as suas medidas.

Nota

A expressão “à entrada do Ulam da Casa”, tal como a guemará a cita, não aparece literalmente num único versículo: ela reúne a linguagem de mais de um versículo sobre o Templo.

11A resposta dos Sábios
A guemará
וְרַבָּנַן: אִי הֲוָה כְּתִב ״אֶל פֶּתַח אוּלָם״ — כִּדְקָאָמְרַתְּ. הַשְׁתָּא דִּכְתִיב ״אֶל פֶּתַח אוּלָם הַבַּיִת״ — הַבַּיִת הַפָּתוּחַ לָאוּלָם.

E os Sábios respondem: Se estivesse escrito “à entrada do Ulam”, seria como tu dizes. Agora que está escrito “à entrada do Ulam da Casa”, o sentido é: à entrada da Casa que se abre para o Ulam, isto é, o Heichal, e dele se aprende a medida da entrada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “el petach ulam” e “habayit hapatuach laulam”
אל פתח אולם - אלמא פיתחא אקרי: הבית הפתוח לאולם - והוא היכל:

“À entrada do Ulam” — vê-se que a abertura do Ulam se chama entrada.

“A Casa que se abre para o Ulam” — e esta é o Heichal.

Guemará: o Mishkan e o Mikdash · מִשְׁכָּן וּמִקְדָּשׁ

12Mas o versículo fala do Mishkan!
A guemará
וְהָא כִּי כְּתִיב הַאי, בְּמִשְׁכָּן כְּתִיב!

Mas, quando está escrito este versículo, “a entrada da Tenda do Encontro”, é a respeito do Mishkan (o Tabernáculo do deserto) que está escrito! Como se aprendem dele as leis do Templo permanente?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veha ki ketiv”
והא כי כתיב - פתח אהל מועד במשכן שהיה במדבר כתיב ושם לא היה אולם ופתח היכל י' אמות הוא דגבוה שהקרשים לא היו אלא עשרה אמות גובהן:

“Mas, quando está escrito” — “a entrada da Tenda do Encontro” está escrito a respeito do Mishkan que havia no deserto, e lá não havia Ulam diante do Heichal; e a entrada do Heichal tinha dez amot de altura, pois as tábuas do Mishkan não tinham mais que dez amot de altura.

13O Mishkan chamado Mikdash e o Mikdash chamado Mishkan
Rav Yehuda em nome de Shmuel
אַשְׁכְּחַן מִשְׁכָּן דְּאִיקְּרִי מִקְדָּשׁ, וּמִקְדָּשׁ דְּאִיקְּרִי מִשְׁכָּן. דְּאִי לָא תֵּימָא הָכִי, הָא דְּאָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: שְׁלָמִים שֶׁשְּׁחָטָן קוֹדֶם פְּתִיחַת דַּלְתוֹת הַהֵיכָל — פְּסוּלִין, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וּשְׁחָטוֹ פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד״ — בִּזְמַן שֶׁפְּתוּחִין וְלֹא בִּזְמַן שֶׁהֵן נְעוּלִים, וְהָא כִּי כְתִיב הָהִיא, בְּמִשְׁכָּן כְּתִיב! אֶלָּא, אַשְׁכְּחַן מִקְדָּשׁ דְּאִיקְּרִי מִשְׁכָּן וּמִשְׁכָּן דְּאִיקְּרִי מִקְדָּשׁ.

Responde-se: Encontramos o Mishkan chamado Mikdash (Templo), e o Mikdash chamado Mishkan; por isso, as leis de um se aprendem do outro. Pois, se não disseres assim, aquilo que disse Rav Yehuda, disse Shmuel seria difícil: “Shelamim (ofertas de paz) que foram abatidos no Templo antes da abertura das portas do Heichal são inválidos, pois foi dito: ‘E o abaterá à entrada da Tenda do Encontro’ (Vayikrá 3:2) — pois petach (entrada) evoca petuchin (abertas), isto é: no momento em que estão abertas, e não no momento em que estão trancadas.” Mas, quando está escrito aquele versículo, é a respeito do Mishkan que está escrito! Antes, conclui-se que encontramos o Mikdash chamado Mishkan e o Mishkan chamado Mikdash.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shelamim sheshechatan” e “ha bemishkan ketiv”
שלמים ששחטן - שחרית קודם פתיחת דלתות ההיכל פסולין: הא במשכן כתיב - ובבית עולמים מנא לן:

“Shelamim que foram abatidos” — de manhã, antes da abertura das portas do Heichal, são inválidos, como disse Shmuel.

“Mas está escrito a respeito do Mishkan” — e quanto ao Templo eterno, de onde sabemos que vale a mesma lei?

14De onde se sabe que o Mishkan é chamado Mikdash?
A guemará
בִּשְׁלָמָא מִקְדָּשׁ דְּאִיקְּרִי מִשְׁכָּן, דִּכְתִיב: ״וְנָתַתִּי (אֶת) מִשְׁכָּנִי בְּתוֹכְכֶם״. אֶלָּא מִשְׁכָּן דְּאִיקְּרִי מִקְדָּשׁ מְנָלַן? אִילֵּימָא מִדִּכְתִיב: ״וְנָשְׂאוּ הַקְּהָתִים נוֹשְׂאֵי הַמִּקְדָּשׁ וְהֵקִימוּ אֶת הַמִּשְׁכָּן עַד בּוֹאָם״ —

Está bem que o Mikdash seja chamado Mishkan, pois está escrito: “E porei o Meu Mishkan no meio de vós” (Vayikrá 26:11), o que se refere ao tempo em que Israel estaria assentado na sua terra, isto é, ao Templo. Mas que o Mishkan seja chamado Mikdash, de onde o sabemos? Se disseres que se aprende daquilo que está escrito: “E partiram os kehatitas, os que carregavam o Mikdash, e erguiam o Mishkan antes que eles chegassem” (Bamidbar 10:21)…

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “venatati mishkani betochechem”
ונתתי משכני בתוככם - וכשנאמר מקרא זה כבר הוקם המשכן שהרי בתורת כהנים נכתב וכל אותו הספר באהל מועד נאמר כדכתיב (ויקרא א׳:א׳) וידבר ה' אליו מאהל מועד ועל איזה משכן היה מבטיחן עוד אם לא על המקדש:

“E porei o Meu Mishkan no meio de vós” — e, quando este versículo foi dito, o Mishkan já tinha sido erguido, pois está escrito em Torat Kohanim (o livro de Vayikrá), e todo aquele livro foi dito na Tenda do Encontro, como está escrito: “E falou o Eterno a ele desde a Tenda do Encontro” (Vayikrá 1:1). E a respeito de que Mishkan Deus ainda lhes prometia, senão a respeito do Templo?

O daf termina aqui, no meio da pergunta sobre de onde se sabe que o Mishkan é chamado Mikdash. A guemará prossegue em Eruvin 2b.