O daf começa com a palavra de Rava sobre a mishná de quem disse “a minha shevitá é no seu tronco”: isso só vale se, correndo, ele chegaria à árvore antes de anoitecer; à objeção de Abaye, “anoiteceu para ele”, responde-se que anoiteceu para ir à sua casa, e outra versão diz que anoiteceu para quem anda devagar. Segue-se o caso de Rabba e Rav Yossef, que iam pelo caminho: Rabba fixou a shevitá dos dois junto a uma palmeira conhecida e disse a Rav Yossef que confiasse nele, citando em nome de Rabi Yossi a baraita dos dois viajantes, um que conhece o lugar e outro não; a guemará observa que ele a atribuiu a Rabi Yossi para que fosse aceita, porque a razão de Rabi Yossi está com ele. Depois de citar a mishná sobre quem não conhece ou não é perito, a guemará pergunta onde estão escritas as duas mil amot: “ninguém saia do seu lugar” se liga, pela cadeia de analogias de Rav Chisda, ao “fora da cidade, duas mil amot” das cidades dos levitas, e não ao “do muro da cidade para fora, mil amot”, pois se deduz chutz de chutz e não de chutza, embora a escola de Rabi Yishmael deduza “voltar” de “vir”. Quanto às amot redondas de Rabi Chanina ben Antigonos, o “isto” do versículo dá lados só aos arrabaldes das cidades; os Sábios, com Rav Chananya, leem “como isto sejam todos os que repousam no Shabat”. Daí Rabi Acha bar Yaakov ensina que quem transporta quatro amot só é culpado pela diagonal, e Rava examinou os seus alunos sobre a coluna de quatro tefachim. O daf termina com a mishná do pobre que faz eruv com os pés e o começo da palavra de Rav Nachman, que situa a disputa de Rabi Meir e Rabi Yehuda em quem disse “no meu lugar”.
Disse Rava: E isto é quando, se corresse ao seu tronco, chegaria lá antes de anoitecer. Disse-lhe Abaye: Mas a mishná ensina “anoiteceu para ele” (e então não chegaria)!
“E isto quando, se corre, chega” — o que ensina a nossa mishná, que, se especificou o lugar, adquiriu shevitá (lugar de repouso de Shabat) no seu tronco, é quando, se corresse, chegaria lá antes que anoitecesse: só então lá a declaração é eficaz; e, se adquire lá, pode ir no Shabat à sua casa com calma.
“Anoiteceu para ele” — isto é, para ir até a sua casa, mesmo correndo; mas ao seu tronco da árvore chegaria correndo, se corresse.
A palavra de Rava explica a frase da mishná citada no fim de Eruvin 50b (bloco 1779; Mishná Eruvin 4:7, em Eruvin 49b, bloco 1740): quem disse “a minha shevitá é no seu tronco” adquire ali a shevitá e anda quatro mil amot. Segundo o Rashi, isso só vale se, correndo, ele chegaria à árvore antes de anoitecer; só então a declaração é eficaz, e depois pode ir à sua casa com calma. Abaye objeta com as palavras da mishná, “וְחָשְׁכָה לוֹ”, “e anoiteceu para ele” (bloco 1739). O lema do primeiro comentário do Rashi diz “והוא דכי רהיט מטי”, sem “לְעִיקָּרוֹ”, “ao seu tronco”. O segundo comentário, “חשכה לו”, explica a resposta que vem no bloco seguinte, mas o Sefaria o liga a este segmento, e mantemo-lo aqui. A tradução de referência explica do mesmo modo.
“Anoiteceu” para ir à sua casa; mas ao tronco da árvore pode ir correndo. Há quem diga de outro modo: Disse Rava: “Anoiteceu para ele” é quando anda devagar, devagar; mas, se corre, chega.
“Anda devagar” — isto é, anda pouco a pouco.
A resposta segue o Rashi (comentário ligado ao bloco 1780): “anoiteceu” quer dizer que já não chegaria à sua casa, nem correndo, mas ainda chegaria ao tronco correndo. Na segunda versão, o próprio Rava lê “anoiteceu para ele” como “se andasse devagar”; o hebraico não diz aonde ele chegaria correndo, e a tradução o deixa assim; a tradução de referência completa “à sua casa”. “Devagar, devagar” traduz “קַלִּי קַלִּי”.
Rabba e Rav Yossef iam pelo caminho na véspera do Shabat. Disse Rabba a Rav Yossef: Seja a nossa shevitá debaixo da palmeira que carrega o seu irmão (outra palmeira apoiada nela). E há quem o diga assim: debaixo da palmeira que livrou o seu dono do karga (imposto).
“Que carrega o seu irmão” — isto é, outra árvore estava apoiada nela.
“Que livrou o seu dono do karga” — isto é, a palmeira carrega muitos frutos, e o dono os vende e paga com eles o imposto.
Segundo o Rashi, “a palmeira que carrega o seu irmão” é uma palmeira em que outra árvore estava apoiada, e “a que livrou o seu dono do karga” é uma palmeira que dá tantos frutos que o dono, vendendo-os, paga com eles o imposto. Em ambas as versões, Rabba declara a shevitá dos dois junto a uma árvore conhecida, à distância, como na mishná. “Karga” (“כְּרָגָא”) é o imposto por cabeça ou sobre a terra; a tradução de referência diz “imposto sobre a terra”.
O mestre a conhece (a palmeira)? Disse-lhe: Não a conheço. Disse-lhe: Confia em mim (e entrega-me a tua shevitá), pois foi ensinado numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná): Rabi Yossi diz: Se eram dois, um que conhece o lugar e um que não o conhece, aquele que não conhece entrega a sua shevitá ao que conhece, e o que conhece diz: “Seja a nossa shevitá em tal lugar”.
“Não a conheço” — isto é, não conheço aquela árvore.
“Entrega a sua shevitá ao que conhece” — diz a ele: “A minha shevitá seja contigo”.
A pergunta “o mestre a conhece?” e as duas respostas não trazem nomes; a tradução de referência atribui a pergunta a Rabba e a resposta a Rav Yossef, e o contexto o indica. A baraita citada é a mesma ensinada anonimamente em Eruvin 50b (bloco 1772), aqui em nome de Rabi Yossi e com “תְּהֵא שְׁבִיתָתֵנוּ”, “seja a nossa shevitá”, onde lá se lê “שְׁבִיתָתִי”, “a minha shevitá”. Segundo o Rashi, quem não conhece entrega a sua shevitá dizendo ao outro: “A minha shevitá seja contigo”. Na Tosefta Eruvin 3:16 (Lieberman; conferido), a palavra semelhante está em nome de “ר' יוסה”: “היו שנים, אחד מכיר ואחד שאינו מכיר, הואיל ואחד מהן מכיר, שניהן מותרין”.
Mas não é assim: Rabba não a aprendeu como de Rabi Yossi; mas disse-a em nome dele para que Rav Yossef a aceitasse dele, porque Rabi Yossi, nimuko imo (a sua razão está com ele).
“Mas não é assim” — o que Rabba lhe disse em nome de Rabi Yossi não é assim; pois não lhe foi ensinada a baraita em nome de Rabi Yossi, mas foi-lhe ensinada anonimamente acima; e por isso a disse em nome de Rabi Yossi, para que Rav Yossef a aceitasse dele.
Assim lemos: “Mas não é assim: não lhe foi ensinada como palavra de Rabi Yossi”.
“Nimuko imo” — isto é, a sua razão está com ele. No tratado Gittin (folha 67a), quem enumera os louvores dos Sábios disse: Rabi Yossi, nimuko imo; a palavra se lê nim vekav (fio e linha): coisa reta como a linha do prumo.
Segundo o Rashi, a baraita não foi ensinada a Rabba em nome de Rabi Yossi, mas anonimamente (como em Eruvin 50b, bloco 1772); Rabba a disse em nome de Rabi Yossi para que Rav Yossef a aceitasse, pois a halachá costuma seguir Rabi Yossi. O Rashi lê “לא תניא ליה כדר' יוסי”, “não lhe foi ensinada como de Rabi Yossi”, onde o texto do Sefaria traz “לָא תְּנָא לֵיהּ כְּרַבִּי יוֹסֵי”, “não a aprendeu como de Rabi Yossi”; o sentido é o mesmo. A tradução de referência diz “Rabba só a ensinou como se fosse de Rabi Yossi”. “Nimuko imo” está em Gittin 67a (conferido), na lista dos louvores dos Sábios: “רַבִּי יוֹסֵי – נִמּוּקוֹ עִמּוֹ”; ali quem a enumera é Isi ben Yehuda, que o Rashi não nomeia. O Rashi lê a palavra como “נים וקו”, “fio e linha”, isto é, reta como o prumo.
A mishná diz: Se não conhece, ou se não é perito etc.
A guemará cita a continuação da mishná (Mishná Eruvin 4:8, em Eruvin 49b, bloco 1741), onde a tradução completa é: “Se não conhece uma árvore ou uma cerca, ou se não é perito na halachá, e por isso disse: ‘A minha shevitá é no meu lugar’, o seu lugar lhe adquire duas mil amot para cada lado”. Aqui a mishná é citada com “וְכוּ׳”, “etc.”, e “בַּהֲלָכָה” não aparece. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Estas duas mil amot, onde estão escritas na Torá? Como foi ensinado numa baraita: “Ficai cada um no seu lugar” (Shemot 16:29): estas são as quatro amot (de quem saiu do seu limite). “Ninguém saia do seu lugar” (Shemot 16:29): estas são as duas mil amot.
“Estas são quatro amot” — isto é, para quem sai para fora do techum (limite de Shabat).
O versículo é Shemot 16:29 (conferido): “שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו אַל־יֵצֵא אִישׁ מִמְּקֹמוֹ בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי”. As duas metades já foram traduzidas antes: “Ficai cada um no seu lugar” em Eruvin 48a (bloco 1689), onde a baraita define as quatro amot do “תַּחְתָּיו”, e “Ninguém saia do seu lugar” em Eruvin 17b; mantemos a mesma redação. Segundo o Rashi, as quatro amot são as de quem saiu para fora do techum, e as duas mil são o limite de quem está no seu lugar. A tradução de referência explica do mesmo modo.
De onde o temos (que o “lugar” são duas mil amot)? Disse Rav Chisda: Aprendemos por analogia makom (lugar) de makom, e makom de nisá (fuga), e nisá de nisá, e nisá de gevul (limite), e gevul de gevul, e gevul de chutz (fora), e chutz de chutz; pois está escrito: “E medireis de fora da cidade o lado do oriente, duas mil amot etc.” (Bamidbar 35:5).
“Makom de makom, e makom de nisá” — um versículo em que se diz makom e não se diz nisá, deduzimo-lo de outro versículo em que se diz makom e nisá. Por exemplo, “Ninguém saia do seu lugar” (Shemot 16:29): deduzimo-lo de “E te designarei um lugar para onde fugirá” (Shemot 21:13). Assim como lá está escrito nisá, “para onde fugirá”, assim também no versículo “Ninguém saia do seu lugar” incluímos nisá, e é como se estivesse escrito nele nisá. E depois deduzimos nisá de nisá, e nisá de gevul; isto é, deduzimos esta nisá, em que não se diz gevul, da nisá em que se diz gevul, pois está escrito: “Do limite da cidade do seu refúgio, para onde fugirá” (Bamidbar 35:26); e incluímos também na outra nisá, a de “Ninguém saia do seu lugar”, a palavra gevul, como se estivesse escrito nela gevul. E depois deduzimos gevul de gevul, e gevul de chutz; isto é, deduzimos este gevul, em que não se diz chutz, do gevul em que se diz chutz, pois se diz: “E o vingador do sangue o encontrar fora do limite” (Bamidbar 35:27); e incluímos chutz, por gezerá shavá, neste gevul de “Ninguém saia do seu lugar”. E depois deduzimos este chutz do chutz de “E medireis de fora da cidade”, em que está escrito “duas mil amot” (e assim o “lugar” do Shabat é de duas mil amot).
Rav Chisda liga, por uma cadeia de analogias verbais, o “lugar” do Shabat (Shemot 16:29) às duas mil amot das cidades dos levitas: “מָקוֹם” e “יָנוּס” aparecem juntos em Shemot 21:13 (conferido), “וְשַׂמְתִּי לְךָ מָקוֹם אֲשֶׁר יָנוּס שָׁמָּה”; “יָנוּס” e “גְּבוּל” em Bamidbar 35:26 (conferido), “אֶת־גְּבוּל עִיר מִקְלָטוֹ אֲשֶׁר יָנוּס שָׁמָּה”; “גְּבוּל” e “מִחוּץ” em Bamidbar 35:27 (conferido), “מִחוּץ לִגְבוּל עִיר מִקְלָטוֹ”; e “מִחוּץ” com as duas mil amot em Bamidbar 35:5 (conferido), “וּמַדֹּתֶם מִחוּץ לָעִיר אֶת־פְּאַת־קֵדְמָה אַלְפַּיִם בָּאַמָּה”. Segundo o Rashi, em cada passo o versículo que não tem a segunda palavra “recebe-a” do que tem as duas, e assim “ninguém saia do seu lugar” equivale a “fora”, com duas mil amot. O Rashi cita Bamidbar 35:26 como “מגבול עיר מקלטו אשר ינוס”, onde o versículo diz “אֶת־גְּבוּל”. A tradução de referência explica do mesmo modo.
E aprendamos antes de “do muro da cidade para fora, mil amot” (Bamidbar 35:4) (que o limite é de mil amot)? Deduz-se chutz de chutz, e não se deduz chutz de chutza (para fora).
Bamidbar 35:4 (conferido): “מִקִּיר הָעִיר וָחוּצָה אֶלֶף אַמָּה סָבִיב”. A pergunta é por que não deduzir o limite de Shabat desse versículo, de mil amot; a resposta é que a analogia se faz entre a mesma forma, “חוּץ”, e não entre “חוּץ” e “חוּצָה”. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
E que diferença faz entre chutz e chutza? Eis que ensinou a escola de Rabi Yishmael a respeito das pragas das casas: “E voltará o sacerdote” (Vayikra 14:39), “e virá o sacerdote” (Vayikra 14:44): esta é a volta, esta é a vinda (a mesma coisa), e deduz-se uma da outra!
“E voltará o sacerdote”, “e virá o sacerdote” — está ensinado no Torat Kohanim, nas pragas das casas. Na semana do primeiro isolamento está escrito: “E voltará o sacerdote no sétimo dia e verá, e eis que a praga se espalhou nas paredes da casa” (Vayikra 14:39); e está escrito depois dele: “E arrancarão as pedras” (Vayikra 14:40), “e a casa raspará por dentro” (Vayikra 14:41), isto é, descascará a terra da casa ao redor da parede, “e outra terra tomará e rebocará a casa” (Vayikra 14:42); e está escrito: “E, se voltar a praga e brotar na casa etc.” (Vayikra 14:43), “e derrubará a casa” (Vayikra 14:45). E foi ensinado: “E brotar”: poderia pensar-se que não seja impura até que volte e se espalhe; diz o ensino: “lepra maligna”, “lepra maligna”, para a gezerá shavá: assim como a lepra maligna dita nas roupas tornou impura a praga que volta, embora não se espalhe, assim também a lepra maligna dita nas casas tornou impura a que volta, embora não se espalhe. Poderia pensar-se que, se voltou e brotou nela naquele mesmo dia, seja impura; diz-se “E, se voltar a praga”, e diz-se “E voltará o sacerdote”: assim como a volta dita lá é no fim da semana, assim também a volta dita aqui é no fim da semana. Aprendemos que lhe dá uma semana depois do arrancar, do raspar e do rebocar: se a praga voltou, derruba-a; e, se não voltou, purifica-a. Não tenho senão que arranca, raspa, reboca e dá uma semana no caso do que se espalhou na semana do primeiro isolamento; de onde se aprende que, na praga que ficou no seu aspecto na primeira semana, que não se espalhou, e o sacerdote não arrancou, nem raspou, nem rebocou, e esperou uma segunda semana, e se espalhou na segunda semana, de onde se aprende que arranca, raspa e reboca e lhe dá uma semana, e não a derruba logo? Diz o ensino: “E virá o sacerdote, e eis que se espalhou etc.”. E, embora este versículo esteja escrito depois de “E, se voltar a praga”, o que dá a entender que trata da praga que volta, tiramo-lo lá deste sentido, e incluímos a derrubada para a praga que volta, embora não se tenha espalhado; e este versículo, “E virá o sacerdote e verá, e eis que se espalhou”, que dá a entender que requer espalhamento, estabelecemo-lo na praga que ficou igual na primeira semana e se espalhou na segunda. E, embora a derrubada esteja escrita depois dele, deduz-se por gezerá shavá: diz-se aqui, no que se espalhou na segunda, “E virá o sacerdote”, e diz-se no que se espalhou na primeira “E voltará o sacerdote”: é a volta, é a vinda, isto é, esta como aquela: assim como lá arranca, raspa, reboca e lhe dá uma semana, assim também aqui arranca, raspa, reboca e lhe dá uma semana; e, se voltou de novo, requer derrubada. Vê-se, pois, que, embora a vinda não seja volta, já que volta e vinda são uma só coisa, pois ambas significam que o sacerdote vem da sua casa para a casa atingida, aplicamos entre elas a gezerá shavá.
Vayikra 14:39 (conferido): “וְשָׁב הַכֹּהֵן בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי”; Vayikra 14:44 (conferido): “וּבָא הַכֹּהֵן וְרָאָה וְהִנֵּה פָּשָׂה הַנֶּגַע בַּבָּיִת”. A escola de Rabi Yishmael faz analogia entre “voltar” e “vir”, palavras diferentes; com mais razão se faria entre “חוּץ” e “חוּצָה”. O Rashi expõe a passagem do Torat Kohanim (o Sifra) sobre as pragas das casas: a praga que se espalhou na primeira semana exige arrancar as pedras, raspar e rebocar, e outra semana; a que volta depois disso exige derrubar a casa, mesmo sem se espalhar, pela analogia de “צָרַעַת מַמְאֶרֶת”, “lepra maligna”, dita das roupas (Vayikra 13:51, conferido) e das casas (Vayikra 14:44); e a praga que só se espalhou na segunda semana recebe o mesmo tratamento que a da primeira, por causa da analogia entre “וְשָׁב” e “וּבָא”. Os versículos que o Rashi cita foram conferidos (Vayikra 14:39–45); o Rashi parafraseia Vayikra 14:41, “וְאֶת־הַבַּיִת יַקְצִעַ מִבַּיִת סָבִיב”, com “יקלף עפר הבית סביב הקיר”, “descascará a terra da casa ao redor da parede”. A tradução de referência explica do mesmo modo.
Estas palavras valem onde não há coisa semelhante a ela (à palavra); mas, onde há coisa semelhante a ela (como chutz e chutz), deduzimos do semelhante a ela.
A resposta: a analogia entre palavras diferentes só se faz quando não há outra palavra idêntica; havendo “חוּץ” e “חוּץ”, deduz-se da idêntica. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
A mishná diz: Duas mil amot agulot (em círculo). E Rabi Chanina ben Antigonos, seja como for é difícil: se ele aceita a gezerá shavá (analogia verbal), “lados” está escrito (e o limite seria quadrado); se ele não aceita a gezerá shavá, as duas mil amot, de onde as tira?
“Se ele aceita a gezerá shavá” — isto é, a de makom de nisá, e a de chutz de chutz, como a guemará disse acima.
“Lados está escrito” — pois está escrito “o lado do sul” e “o lado”, o que significa um quadrado.
A guemará cita a mishná (Mishná Eruvin 4:8, em Eruvin 49b, bloco 1742), aqui com “אַלְפַּיִם אַמָּה” antes de “עֲגוּלּוֹת”. Segundo o Rashi, a gezerá shavá é a de Rav Chisda (bloco 1787), e “lados” refere-se a “פְּאַת” em Bamidbar 35:5, que significa quadrado. No texto do Rashi, a palavra “(נגב)”, “do sul”, está entre parênteses no Sefaria; a tradução a inclui sem marca. A tradução de referência explica do mesmo modo.
Na verdade, ele aceita a gezerá shavá de Rav Chisda; mas aqui (nas cidades dos levitas) é diferente, pois diz o versículo: “Isto lhes será os arrabaldes das cidades” (Bamidbar 35:5): a isto (aos arrabaldes) dás lados, e não dás lados aos que repousam no Shabat (cujo limite é redondo).
Bamidbar 35:5 termina com “זֶה יִהְיֶה לָהֶם מִגְרְשֵׁי הֶעָרִים” (conferido). Para Rabi Chanina ben Antigonos, o “isto” restringe os lados (o quadrado) aos arrabaldes das cidades dos levitas; o limite de quem repousa no Shabat tem duas mil amot, mas em círculo. “Arrabaldes” traduz “מִגְרְשֵׁי”, os espaços abertos em volta das cidades. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
E os Sábios (o que fazem do “isto”)? Foi ensinado: Rav Chananya diz: Como isto (em quadrado) sejam todos os que repousam no Shabat.
Os Sábios, que dizem que as duas mil amot são quadradas (Mishná Eruvin 4:8), leem o “isto” ao contrário: como isto, isto é, em quadrado, seja o limite de todos os que repousam no Shabat. A tradução de referência explica do mesmo modo. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Disse Rabi Acha bar Yaakov: Quem transporta um objeto por quatro amot no domínio público não é culpado até que o transporte por elas e pela sua diagonal.
“Elas e a sua diagonal” — quatro amot e oito quintos de amá; pois dissemos: “Como isto sejam todos os que repousam no Shabat”: dá-lhes lados (em quadrado). E, a respeito de transportar, não é possível dar lados senão desta maneira: que se lhes dá a medida da sua diagonal; pois não se pode falar nelas de quadrado e círculo (já que se transporta numa só linha).
Segundo o Rashi, quem transporta no domínio público só é culpado se transportou quatro amot mais oito quintos de amá, a diagonal de um quadrado de quatro amot; pois, já que a Torá dá “lados” às medidas do Shabat, e no transporte não se pode falar de quadrado nem de círculo, a medida é a da diagonal. A regra de que a diagonal é uma amá e dois quintos para cada amá está em Eruvin 57a e Sukkah 8a (conferidos): “כל אמתא בריבועא אמתא ותרי חומשי באלכסונא”. No texto do Sefaria, o nome é “רַבִּי אַחָא בַּר יַעֲקֹב”; em Eruvin 17b o amora é chamado Rav Acha bar Yaakov, e assim o identifica o Rashi em Eruvin 40b, e a tradução de referência diz aqui “Rav”. Seguimos o texto: Rabi.
Disse Rav Pappa: Rava nos examinou: Uma coluna no domínio público, alta dez tefachim (palmos) e larga quatro, precisa ter elas e a sua diagonal (isto é, de quatro em quadrado, para ser domínio privado), ou não? E lhe dissemos: Não é isto o que ensinou Rav Chananya? Pois foi ensinado: Rav Chananya diz: Como isto (em quadrado) sejam todos os que repousam no Shabat.
“Examinou-nos” — isto é, pôs-nos à prova.
“Precisamos delas e da sua diagonal?” — isto é, que seja larga quatro tefachim em quadrado, de modo que possas achar nela diagonal; pois uma coisa redonda não tem diagonal.
Uma coluna de dez tefachim de altura e quatro de largura no domínio público é domínio privado. Rava perguntou se os quatro tefachim precisam ser “elas e a sua diagonal”. Seguimos o Rashi: a pergunta é se a coluna precisa ser quatro por quatro em quadrado, de modo que tenha diagonal, pois uma coisa redonda não tem diagonal; e os alunos responderam com a palavra de Rav Chananya, “como isto sejam todos”, isto é, em quadrado. A tradução de referência entende que a largura precisa medir quatro tefachim mais a diagonal. O lema do segundo comentário diz “מי בעינן”, “precisamos?”, onde a guemará diz “צָרִיךְ”. Quem conta é Rav Pappa, aluno de Rava.
A mishná diz: E é isto que disseram: O pobre faz eruv (a refeição depositada que fixa a residência de Shabat) com os seus pés. Disse Rabi Meir: Nós não temos esta lei senão para o pobre etc.
A guemará cita a Mishná Eruvin 4:9 (em Eruvin 49b, bloco 1743), mantendo ali a tradução: “E é isto que disseram: O pobre faz eruv com os seus pés. Disse Rabi Meir: Nós não temos esta lei senão para o pobre”. Aqui o Talmud lê “וְזֶה הוּא שֶׁאָמְרוּ”, onde em 49b se lê “וְזוֹ הִיא שֶׁאָמְרוּ” e em Eruvin 47a “וְזֶהוּ שֶׁאָמְרוּ”; o sentido é o mesmo. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Disse Rav Nachman: A disputa de Rabi Meir e Rabi Yehuda é no caso de quem disse: “A minha shevitá é no meu lugar”; pois Rabi Meir sustenta: o principal do eruv é com pão,
“A disputa é em ‘no meu lugar’” — lemos com yod (bimkomi, “no meu lugar”). A disputa de Rabi Meir e Rabi Yehuda, em que Rabi Yehuda permite mesmo ao rico fazer eruv com os pés, é no que diz: “A minha shevitá é no meu lugar”. E o “é isto que disseram” da mishná, adiante a guemará explica a que se refere: se ao que conhece uma árvore, de que ensina que disse “A minha shevitá é em tal lugar”, ou ao que não é perito, de que ensina que disse “A minha shevitá é no meu lugar”.
Segundo o Rashi, deve-se ler “בִּמְקוֹמִי”, “no meu lugar”, com yod: a disputa de Rabi Meir e Rabi Yehuda, em que Rabi Yehuda permite também ao rico fazer eruv com os pés, é sobre quem diz “a minha shevitá é no meu lugar”; e a guemará vai explicar adiante se o “é isto que disseram” da mishná se refere ao que conhece a árvore ou ao que não é perito. O Rashi parafraseia a mishná como “שביתתי במקום פלוני”, “a minha shevitá é em tal lugar”, para quem conhece a árvore, e chama de “זהו שאמרו” o que a guemará cita como “וְזֶה הוּא שֶׁאָמְרוּ”. A frase de Rav Nachman continua em Eruvin 51b.