Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Heh (Keitzad Meabrin) · 56a
כֵּיצַד מְעַבְּרִין

Pão de farelo e rabanete; a cidade de subidas e descidas; como se quadra a cidade: a agalá, o akrav e o caminho do sol; as tekufot de Shmuel

Eruvin 56a — Perek Heh (Keitzad Meabrin, Eruvin 52b:16-61b:10) · o fim da baraita: pão de farelo, cerveja nova e verdura; alhos e alhos-porós e as demais verduras · o rabanete: poção de vida e poção de morte; as folhas e as raízes, o verão e o inverno · Rav Yehuda em nome de Rav: a cidade de subidas e descidas; Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: Bei Biri e Bei Naresh · como se quadra a cidade: segundo o quadrado do mundo; a agalá no norte e o akrav no sul · Rabi Yossi: à maneira da tekufá; “vai para o sul e gira para o norte”, Kohelet 1:6 · Rav Mesharshiya: estas regras não existem · Shmuel: as tekufot de Nissan, Tamuz, Tishrei e Tevet; noventa e um dias e sete horas e meia; meia hora; a tekufá que cai em Tzedek · continua de Eruvin 55b; continua em Eruvin 56b

O daf completa a baraita que Eruvin 55b deixou no meio: as três coisas que aumentam o excremento, curvam a estatura e tiram a luz dos olhos são o pão de farelo, a cerveja nova e a verdura. A guemará concilia a baraita com Rav Huna, que não deixa o sábio morar numa cidade sem verdura, distinguindo alhos e alhos-porós das demais verduras, e duas baraitot opostas sobre o rabanete, pelas folhas e pelas raízes, ou pelo verão e pelo inverno. Rav Yehuda, em nome de Rav, diz que numa cidade de subidas e descidas se envelhece na metade dos dias. Volta então à geometria do ibur da cidade: quem a quadra deve alinhá-la com o quadrado do mundo, reconhecendo o norte pela agalá e o sul pelo akrav; Rabi Yossi ensina a fazê-lo pelo caminho do sol nas estações, e Rav Mesharshiya rejeita essas regras a partir de outra baraita. O daf termina com Shmuel e as tekufot: as horas em que caem os equinócios e os solstícios, o intervalo de noventa e um dias e sete horas e meia, a meia hora de atraso na ordem dos planetas, e a tekufá que cai na hora de Tzedek.

Pão de farelo, cerveja nova e verdura · פַּת קִיבָּר וְשֵׁכָר חָדָשׁ וְיָרָק

1982O fim da baraita: as três coisas
A guemará
פַּת קִיבָּר וְשֵׁכָר חָדָשׁ וְיָרָק. לָא קַשְׁיָא: הָא — בְּתוּמֵי וְכַרָּתֵי, הָא — בִּשְׁאָר יַרְקֵי. כִּדְתַנְיָא: שׁוּם — יָרָק, כְּרֵישִׁין — חֲצִי יָרָק, נִרְאֶה צְנוֹן — נִרְאֶה סַם חַיִּים.

…e estas são elas: pão de kibar (farelo), cerveja nova e verdura. Não é difícil: esta palavra trata de alhos e alhos-porós; aquela, das demais verduras. Como foi ensinado numa baraita: O alho: verdura; os alhos-porós: meia verdura. Quando se vê o rabanete, vê-se uma sam chayim (poção de vida).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “pat kibar”
פת קיבר - שנודר' בלע"ז:

“Pão de kibar” — é o que se chama shnodr’ em laaz (francês antigo).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “tumei vecharatei”
תומי וכרתי - לא מעלו כך שמעתי. ונראה בעיני תומי וכרתי מעלי והכי תניא (ב"ק דף עב.) חמשה דברים נאמרו בשום משביע משחין ומצהיל הפנים ומרבה את הזרע והורג כינה שבמעים וכרישין נמי תניא בברכות (דף מד:) דיפין לבני מעים:

“Alhos e alhos-porós” — estes não são bons: assim ouvi dos meus mestres. Mas me parece que alhos e alhos-porós são bons, e assim foi ensinado numa baraita (Bava Kamma, folha 72a): “Cinco coisas foram ditas do alho: sacia, aquece, alegra o rosto, aumenta a semente e mata o piolho que está nas entranhas”; e, sobre os alhos-porós, também foi ensinado em Berachot (folha 44b) que são bons para os intestinos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shum yarak”
שום ירק - אני שמעתי לגנאי ואני אומר לשבח:

“O alho é verdura” — eu ouvi esta frase como depreciação, e eu digo que é como louvor.

Nota

A baraita começou no fim de Eruvin 55b (bloco 1981): “três coisas aumentam o excremento, curvam a estatura e tiram um quinhentos avos da luz dos olhos de uma pessoa, e estas são elas”; aqui vem a lista. A pergunta da guemará era que Rav Huna louva a verdura, ao proibir ao sábio morar numa cidade sem ela, e a baraita a põe entre as três coisas nocivas. A resposta distingue “estas” e “aquelas” sem dizer qual é qual. O Rashi conta que ouviu de seus mestres que alhos e alhos-porós não são bons, de modo que Rav Huna falaria das demais verduras e a baraita, dos alhos; mas ele mesmo entende o contrário: alhos e alhos-porós são bons, e a eles se refere Rav Huna. Pelo mesmo motivo, ouviu “o alho é verdura” como crítica, e ele o lê como louvor. A tradução de referência segue a leitura do próprio Rashi. A fonte das cinco qualidades do alho, que o Rashi cita como “Bava Kamma, folha 72a” (“ב״ק דף עב.”), está de fato em Bava Kamma 82a (conferido), numa baraita dos sábios; em Bava Kamma 72a não há essa passagem. Sobre os alhos-porós, Berachot 44b (conferido) diz: “os alhos-porós são nocivos aos dentes e bons para os intestinos”. Traduzimos “ומשחין” por “aquece”, como a raiz de “calor”; “כינה שבמעים” é literalmente “o piolho que está nas entranhas”, isto é, os vermes intestinais. “Pat kibar” é o pão de farinha grossa, não peneirada, com o farelo; o Rashi o traduz com uma palavra em laaz, que no Sefaria aparece abreviada, “שנודר׳”, e cuja forma exata não conseguimos esclarecer.

1983O rabanete: poção de vida e poção de morte
A guemará
וְהָא תַנְיָא: נִרְאֶה צְנוֹן — נִרְאֶה סַם הַמָּוֶת! לָא קַשְׁיָא: כָּאן — בֶּעָלִין, כָּאן — בָּאִמָּהוֹת. כָּאן — בִּימוֹת הַחַמָּה, כָּאן — בִּימוֹת הַגְּשָׁמִים.

Mas não foi ensinado noutra baraita: Quando se vê o rabanete, vê-se uma sam hamavet (poção de morte)? Não é difícil: aqui, trata-se das folhas; ali, das imahot (raízes; literalmente, “mães”). Aqui, nos dias de calor; ali, nos dias das chuvas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “alin”
עלין - קשין אמהות יפין אמהות שרשין:

“Folhas” — são nocivas; as imahot são boas; imahot são as raízes.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bimot hachamá”
בימות החמה - יפין שמצננין את הגוף בימות הגשמים קשין:

“Nos dias de calor” — os rabanetes são bons, pois refrescam o corpo; nos dias das chuvas, são nocivos.

Nota

Segundo o Rashi, as folhas do rabanete fazem mal e as raízes, chamadas “mães”, fazem bem; e no verão o rabanete é bom, porque refresca o corpo, e no inverno é nocivo. A guemará diz “כָּאן... כָּאן”, “aqui... aqui”, sem dizer qual das duas baraitot corresponde a cada caso; pelo Rashi, a “poção de morte” são as folhas, ou o rabanete do inverno, e a “poção de vida”, as raízes, ou o rabanete do verão. “Dias de calor” e “dias das chuvas” traduzem “יְמוֹת הַחַמָּה” e “יְמוֹת הַגְּשָׁמִים”, o verão e o inverno da terra de Israel e da Babilônia.

A cidade de subidas e descidas · מַעֲלוֹת וּמוֹרָדוֹת

1984Rav Yehuda em nome de Rav: envelhecem na metade dos seus dias
A guemará
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: כׇּל עִיר שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מַעֲלוֹת וּמוֹרָדוֹת, אָדָם וּבְהֵמָה שֶׁבָּהּ מֵתִים בַּחֲצִי יְמֵיהֶן. מֵתִים סָלְקָא דַּעְתָּךְ? אֶלָּא אֵימָא: מַזְקִינִים בַּחֲצִי יְמֵיהֶן. אָמַר רַב הוּנָא בְּרֵיהּ דְּרַב יְהוֹשֻׁעַ: הָנֵי מוּלְיָיתָא דְּבֵי בֵירֵי וּדְבֵי נָרֶשׁ אַזְקְנוּן.

Disse Rav Yehuda, disse Rav: Toda cidade em que há subidas e descidas, o homem e o animal que estão nela morrem na metade dos seus dias (o tempo da sua vida). Morrem, passa-te pela mente dizer? Não é assim; antes, dize: Envelhecem na metade dos seus dias. Disse Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: Estas mulyata (subidas) de Bei Biri e de Bei Naresh me envelheceram.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mazkinim”
מזקינין - מפני הטורח:

“Envelhecem” — por causa do esforço de subir e descer.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bei Biri uvei Naresh”
בי בירי ובי נרש - ב' עיירות ויש בין זו לזו מעלות ומורדות והן מולייתא:

“Bei Biri e Bei Naresh” — são duas cidades, e há entre uma e outra subidas e descidas, e elas são as mulyata.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “azkenun”
אזקנון - הזקינוני:

“Azkenun” — quer dizer: envelheceram-me.

Nota

A guemará não aceita que os moradores de tais cidades morram cedo, e corrige: envelhecem antes do tempo; segundo o Rashi, pelo esforço de subir e descer. Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, dá o seu próprio testemunho. Segundo o Rashi, Bei Biri e Bei Naresh são duas cidades com subidas e descidas entre elas, e “mulyata” são essas subidas. A tradução de referência acrescenta que Rav Huna morava ali; o Rashi não o diz. O lema do primeiro comentário diz “מזקינין”, onde a guemará diz “מַזְקִינִים”; o do segundo diz “בי בירי ובי נרש”, onde a guemará diz “דְּבֵי בֵירֵי וּדְבֵי נָרֶשׁ”.

Como se quadra a cidade · מְרַבְּעָהּ בְּרִיבּוּעַ עוֹלָם

1985Segundo o quadrado do mundo: a agalá e o akrav
A guemará
תָּנוּ רַבָּנַן: בָּא לְרַבְּעָהּ — מְרַבְּעָהּ בְּרִיבּוּעַ עוֹלָם, נוֹתֵן צְפוֹנָהּ לִצְפוֹן עוֹלָם וּדְרוֹמָהּ לִדְרוֹם עוֹלָם, וְסִימָנָיךְ: עֲגָלָה בַּצָּפוֹן, וְעַקְרָב בַּדָּרוֹם.

Os sábios ensinaram numa baraita: Se vem quadrá-la (a cidade), quadra-a segundo o ribua olam (o quadrado do mundo): põe o seu norte voltado para o norte do mundo e o seu sul, para o sul do mundo. E o teu sinal: a agalá (a Carroça, a Ursa Maior) está no norte, e o akrav (o Escorpião), no sul.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “beribua shel olam”
בריבוע של עולם - כדמפרש ואזיל:

“Segundo o quadrado do mundo” — como a baraita vai explicando em seguida.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “noten tzefonah litzfon olam”
נותן צפונה לצפון עולם ודרומה לדרום עולם - ולא באלכסונו של עולם:

“Põe o seu norte para o norte do mundo e o seu sul para o sul do mundo” — e não de modo que fique na diagonal do mundo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vesimanecha”
וסימניך - אם אינך יודע לכוין צפון ודרום:

“E o teu sinal” — serve se não sabes orientar a direção do norte e do sul.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “agalá batzafon ve’akrav badarom”
עגלה בצפון ועקרב בדרום - מזלות הן:

“A agalá no norte e o akrav no sul” — estes são mazalot (constelações).

Nota

A baraita retoma a geometria do ibur da cidade de Eruvin 55a (blocos 1949–1952): antes de medir as duas mil amot do techum, traça-se o contorno da cidade como um quadrado, e a guemará já ensinara que a cidade quadrada “mas não segundo o quadrado do mundo” não recebe cantos novos (bloco 1952). Aqui se diz como se faz o quadrado quando é preciso fazê-lo: com os lados voltados para os quatro pontos cardeais, e não, como acrescenta o Rashi, na diagonal. Para achar o norte e o sul, a baraita dá um sinal no céu: a “agalá”, a Carroça, isto é, a Ursa Maior, que se vê ao norte, e o “akrav”, o Escorpião, constelação do zodíaco que, nas terras de Israel e da Babilônia, fica baixa no céu do sul. O Rashi diz apenas que são “mazalot”, constelações. Um paralelo está na Tosefta Eruvin 4:6 (Lieberman; conferido): “מרבעה כריבוע עולם, נותן צפונה לצפון עולם, ודרומה לדרום עולם”, sem o sinal da agalá e do akrav. O lema do primeiro comentário diz “בריבוע של עולם”, onde a guemará diz “בְּרִיבּוּעַ עוֹלָם”.

1986Rabi Yossi: à maneira da tekufá
A guemará
רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: אִם אֵינוֹ יוֹדֵעַ לְרַבְּעָהּ בְּרִיבּוּעַ שֶׁל עוֹלָם, — מְרַבְּעָהּ כְּמִין הַתְּקוּפָה. כֵּיצַד? חַמָּה יוֹצְאָה בְּיוֹם אָרוֹךְ וְשׁוֹקַעַת בְּיוֹם אָרוֹךְ — זֶה הוּא פְּנֵי צָפוֹן. חַמָּה יוֹצְאָה בְּיוֹם קָצָר וְשׁוֹקַעַת בְּיוֹם קָצָר — זֶה הוּא פְּנֵי דָרוֹם. תְּקוּפַת נִיסָן וּתְקוּפַת תִּשְׁרֵי — חַמָּה יוֹצְאָה בַּחֲצִי מִזְרָח וְשׁוֹקַעַת בַּחֲצִי מַעֲרָב,

Rabi Yossi diz: Se não sabe quadrá-la segundo o quadrado do mundo, quadra-a à maneira da tekufá (o ciclo do sol nas estações). Como se faz? O lado em que o sol sai no dia longo e se põe no dia longo, esse lado é a face norte. O lado em que o sol sai no dia curto e se põe no dia curto, esse lado é a face sul. Na tekufá de Nissan (o equinócio da primavera) e na tekufá de Tishrei (o equinócio do outono), o sol sai no meio do leste e se põe no meio do oeste,

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “im eino yodea lerab’ah”
אם אינו יודע לרבעה בריבוע של עולם - שאינו מכיר במזלות הללו:

“Se não sabe quadrá-la segundo o quadrado do mundo” — isto é, que não reconhece estas constelações.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “merab’ah kemin hatekufá”
מרבעה כמין התקופה - לפי הילוך סיבוב החמה ניכר איזו רוח דרומית ואיזו רוח צפונית:

“Quadra-a à maneira da tekufá” — conforme o andar do giro do sol nas estações, reconhece-se qual lado é o do sul e qual lado é o do norte.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chamá yotz’á beyom aroch”
חמה יוצאה ביום ארוך - אותו רוח שאתה רואה שחמה יוצאה ביום ארוך של ימי תקופת תמוז יוצאה בצידו האחד ושוקעת באותו רוח עצמו בצידו האחר:

“O sol sai no dia longo” — aquele lado em que vês que o sol sai, no dia longo dos dias da tekufá de Tamuz (o solstício de verão): sai numa das suas pontas e se põe nesse mesmo lado, na sua outra ponta.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “zehu penei tzafon”
זהו פני צפון - לפי שהחמה לעולם ביום ממזרח לדרום מהלכת כדאמר קרא (קהלת א׳:ו׳) הולך אל דרום והליכת החמה ביום היא אבל בלילה אינו הולך אלא סובב מחוץ לכיפה וביום הארוך עומדת בקרן מזרחית צפונית ומהלכת מזרח דרום ומערב ושוקעת בקרן צפונית מערבית ובלילה סובבת פני צפון ולמחרת היום נקצר מעט ואינה יוצאה בקרן אלא נמשכת מן הקרן ולמזרח מעט ויוצאה ובערב שוקעת בתוך המערב משוך מן הקרן מעט ובלילה סובבת אותו מעט וכל הצפון ומעט במזרח יותר מליל של אמש וכן בכל יום עד שיוצאה בתקופת תשרי באמצע המזרח ושוקעת באמצע המערב לפיכך היום והלילה שוין ועדיין בכל יום נמשכת לצד דרום ויוצאה ובשקיעתה נמשכת לצד דרום ושוקעת עד שיוצאה ביום בתקופת טבת בקרן מזרחית דרומית ומהלכת דרום לבדו ושוקעת בקרן מערבית דרומית והיינו דקאמר חמה יוצאה ביום קצר ושוקעת ביום קצר זהו פני דרום:

“Esse é a face norte” — porque o sol, de dia, sempre anda do leste para o sul, como diz o versículo (Kohelet 1:6): “Vai para o sul”; e o andar do sol é de dia, mas de noite não anda à nossa vista, senão que gira por fora da abóbada do céu. E, no dia longo, o sol está no canto nordeste, anda pelo leste, pelo sul e pelo oeste, e se põe no canto noroeste; e, de noite, contorna a face norte. E, no dia seguinte, o dia se encurta um pouco, e o sol não sai no canto, mas se afasta do canto um pouco para o leste, e sai; e, à tarde, se põe dentro do oeste, um pouco afastado do canto; e, de noite, contorna esse pouco do oeste, e todo o norte, e um pouco do leste, mais do que na noite de ontem. E assim todo dia, até que, na tekufá de Tishrei, sai no meio do leste e se põe no meio do oeste; por isso o dia e a noite são iguais. E ainda, a cada dia, se afasta para o lado do sul ao sair, e, ao se pôr, se afasta para o lado do sul e se põe, até que, no dia da tekufá de Tevet, sai no canto sudeste, anda somente pelo sul e se põe no canto sudoeste. E é isso o que a baraita diz: “O sol sai no dia curto e se põe no dia curto: esse é a face sul”.

Nota

“Tekufá” é o momento em que o sol chega a um dos quatro pontos do seu ciclo anual: a de Nissan e a de Tishrei são os equinócios, da primavera e do outono, e a de Tamuz e a de Tevet, os solstícios, de verão e de inverno. Rabi Yossi ensina a achar os pontos cardeais pelo sol: no dia mais longo, o sol nasce e se põe do lado norte do céu, e esse é o norte; no mais curto, nasce e se põe do lado sul, e esse é o sul; nos equinócios, nasce exatamente no leste e se põe exatamente no oeste. O Rashi descreve o caminho do sol ao longo do ano, partindo de Tamuz: no dia mais longo, ele nasce no canto nordeste, passa pelo leste, pelo sul e pelo oeste, e se põe no canto noroeste, e de noite contorna o norte “por fora da abóbada”; a cada dia nasce e se põe um pouco mais ao sul, até que, em Tishrei, nasce no meio do leste, e, em Tevet, nasce no canto sudeste e se põe no sudoeste. A frase “por fora da abóbada” reflete a imagem do céu como uma cúpula, por trás da qual o sol passa de noite. O versículo citado pelo Rashi é Kohelet 1:6 (conferido), que a guemará traz no bloco seguinte. Na Tosefta Eruvin 4:6 (Lieberman; conferido), o ensino é de “ר׳ יוסה”, com as palavras “ירבענה כמין תקופה”. O lema do primeiro comentário diz “בריבוע של עולם”, como no bloco anterior; o do quarto diz “זהו פני צפון”, onde a guemará diz “זֶה הוּא פְּנֵי צָפוֹן”.

1987“Vai para o sul e gira para o norte”
A guemará
שֶׁנֶּאֱמַר: ״הוֹלֵךְ אֶל דָּרוֹם וְסוֹבֵב אֶל צָפוֹן״, הוֹלֵךְ אֶל דָּרוֹם — בַּיּוֹם, וְסוֹבֵב אֶל צָפוֹן — בַּלַּיְלָה. ״סוֹבֵב סוֹבֵב הוֹלֵךְ הָרוּחַ״ — אֵלּוּ פְּנֵי מִזְרָח וּפְנֵי מַעֲרָב, פְּעָמִים מְהַלַּכְתָּן וּפְעָמִים מְסַבַּבְתָּן.

como foi dito: “Vai para o sul e gira para o norte” (Kohelet 1:6): “vai para o sul”: isto é, de dia; “e gira para o norte”: isto é, de noite. “Girando, girando vai o ruach” (o vento; aqui, o lado): estas são a face leste e a face oeste: às vezes o sol as percorre, e às vezes as contorna.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “penei mizrach uma’arav”
פני מזרח ומערב פעמים מהלכתן - ביום בימים הארוכין פעמים מסבבתן בלילה בימי תקופת טבת:

“A face leste e a face oeste: às vezes as percorre” — de dia, nos dias longos; às vezes as contorna, de noite, nos dias da tekufá de Tevet (o solstício de inverno).

Nota

O versículo é Kohelet 1:6 (conferido), “הוֹלֵךְ אֶל דָּרוֹם וְסוֹבֵב אֶל צָפוֹן סוֹבֵב סֹבֵב הוֹלֵךְ הָרוּחַ”, que Rabi Yossi lê como uma descrição do sol: de dia, ele “vai” para o sul, à vista; de noite, “gira” pelo norte, fora da vista. A palavra “רוּחַ”, vento, também significa lado, e o “girando, girando” refere-se ao leste e ao oeste. Segundo o Rashi, nos dias longos o sol percorre de dia os dois lados, pois nasce no nordeste e se põe no noroeste; nos dias de Tevet, contorna-os de noite, pois se põe no sudoeste e nasce no sudeste. A Tosefta Eruvin 4:6 (Lieberman; conferido) traz a mesma leitura do versículo, terminando com “זה הוא מזרח ומערב”. O lema do Rashi diz “פני מזרח ומערב”, onde a guemará diz “פְּנֵי מִזְרָח וּפְנֵי מַעֲרָב”.

1988Rav Mesharshiya: estas regras não existem
A guemará
אָמַר רַב מְשַׁרְשְׁיָא: לֵיתַנְהוּ לְהָנֵי כְּלָלֵי, דְּתַנְיָא: לֹא יָצְאָה חַמָּה מֵעוֹלָם מִקֶּרֶן מִזְרָחִית צְפוֹנִית וְשָׁקְעָה בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית צְפוֹנִית, וְלֹא יָצְאָה חַמָּה מִקֶּרֶן מִזְרָחִית דְּרוֹמִית וְשָׁקְעָה בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית.

Disse Rav Mesharshiya: Não existem estas regras de Rabi Yossi, pois foi ensinado numa baraita: Jamais o sol saiu, nem no verão, do canto nordeste e se pôs no canto noroeste; nem o sol saiu, no inverno, do canto sudeste e se pôs no canto sudoeste.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “leitnehu lehanei klalei”
ליתנהו להני כללי - דאמרן לעיל חמה יוצאה ביום ארוך כו':

“Não existem estas regras” — as regras que dissemos acima: “o sol sai no dia longo etc.”

Nota

Segundo o Rashi, Rav Mesharshiya rejeita as regras ditas acima, “o sol sai no dia longo” e “no dia curto”: segundo a baraita, nem no dia mais longo o sol nasce exatamente no canto nordeste, nem no mais curto nasce exatamente no canto sudeste; por isso o lado em que nasce e se põe nesses dias não marca o norte e o sul com precisão. Note-se que a descrição do Rashi no bloco 1986, com o sol nascendo no canto nordeste e no sudeste, explica a regra de Rabi Yossi, que é justamente a que esta baraita nega. A tradução de referência conclui que só os equinócios servem para achar os pontos cardeais; o Rashi não o diz.

As tekufot de Shmuel · תְּקוּפַת נִיסָן

1989A tekufá de Nissan: nos quatro quartos do dia
A guemará
אָמַר שְׁמוּאֵל: אֵין תְּקוּפַת נִיסָן נוֹפֶלֶת אֶלָּא בְּאַרְבָּעָה רִבְעֵי הַיּוֹם, אוֹ בִּתְחִלַּת הַיּוֹם אוֹ בִּתְחִלַּת הַלַּיְלָה, אוֹ בַּחֲצִי הַיּוֹם אוֹ בַּחֲצִי הַלַּיְלָה.

Disse Shmuel: A tekufá de Nissan (o equinócio da primavera) não cai senão nos quatro quartos do dia inteiro, no início de um deles: ou no início do dia, ou no início da noite, ou ao meio-dia, ou à meia-noite.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “o bitchilat hayom o bitchilat halaila”
או בתחלת היום או בתחלת הלילה כו'. לפי שהמאורות נתלו בתחילת ליל רביעי בשבת ובחדש ניסן וימות החמה שס"ה ימים ושש שעות חשוב אותן כולן בשביעית וישאר בידך יום ורביע נמצאת תקופת ניסן בשנה הבאה בחצי ליל חמישי לשנה השלישית בתחלת יום ו' ובשנה הרביעית בחצי יום שבת וכן לעולם יום ורביע בין תקופת שנה לתקופת שנה הבאה ולעולם הן כלות בא' מן הרביעיות הללו:

“Ou no início do dia, ou no início da noite etc.” — porque os luzeiros foram suspensos no início da noite do quarto dia da semana, e no mês de Nissan. E os dias do ano do sol são trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas: conta-os todos em grupos de sete, e restará contigo um dia e um quarto. Acha-se então a tekufá de Nissan, no ano seguinte, à meia-noite da noite do quinto dia; no terceiro ano, no início do sexto dia; e, no quarto ano, ao meio-dia do Shabat. E assim sempre: há um dia e um quarto entre a tekufá de um ano e a tekufá do ano seguinte, e sempre elas terminam em um destes quartos.

Nota

Shmuel conta o ano solar como trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto. Segundo o Rashi, a primeira tekufá de Nissan foi no início da noite do quarto dia da Criação, quando os luzeiros foram suspensos no céu; e, como o ano tem cinquenta e duas semanas completas mais um dia e seis horas, cada tekufá de Nissan cai um dia e seis horas depois, na semana, da do ano anterior: no início da noite do quarto dia, à meia-noite do quinto, no início do dia do sexto, ao meio-dia do Shabat, e de novo no início de uma noite. Assim, ela sempre cai no início de um dos quatro quartos do dia de vinte e quatro horas. O dia judaico começa à noite: “o início da noite” é o pôr do sol, por volta das seis da tarde, e “o início do dia”, o nascer do sol, por volta das seis da manhã, contando doze horas para cada metade. O lema do Rashi vem no Sefaria terminado por ponto, e não por travessão.

1990As tekufot de Tamuz, Tishrei e Tevet
A guemará
וְאֵין תְּקוּפַת תַּמּוּז נוֹפֶלֶת אֶלָּא אוֹ בְּאַחַת וּמֶחֱצָה, אוֹ בְּשֶׁבַע וּמֶחֱצָה, בֵּין בַּיּוֹם וּבֵין בַּלַּיְלָה. וְאֵין תְּקוּפַת תִּשְׁרֵי נוֹפֶלֶת אֶלָּא אוֹ בְּשָׁלֹשׁ שָׁעוֹת אוֹ בְּתֵשַׁע שָׁעוֹת, בֵּין בַּיּוֹם וּבֵין בַּלַּיְלָה. וְאֵין תְּקוּפַת טֵבֵת נוֹפֶלֶת אֶלָּא אוֹ בְּאַרְבַּע וּמֶחֱצָה אוֹ בְּעֶשֶׂר וּמֶחֱצָה, בֵּין בַּיּוֹם וּבֵין בַּלַּיְלָה.

E a tekufá de Tamuz (o solstício de verão) não cai senão ou em uma hora e meia, ou em sete horas e meia, seja de dia, seja de noite. E a tekufá de Tishrei não cai senão ou em três horas, ou em nove horas, seja de dia, seja de noite. E a tekufá de Tevet (o solstício de inverno) não cai senão ou em quatro horas e meia, ou em dez horas e meia, seja de dia, seja de noite.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’ein tekufat Tamuz”
ואין תקופת תמוז נופלת אלא באחת ומחצה או בשבע ומחצה או ביום או בלילה - שכשתקופת ניסן נופלת בתחילת היום אותה של תמוז בשבעה ומחצה ביום וכשתקופת ניסן בחצי היום של תמוז בא' ומחצה בלילה לפי שז' שעות ומחצה יש בין תקופה לתקופה שבאותו יום שזו נופלת זו נופלת אלא נמשכת להלן משעה שנפלה זו ז' שעות ומחצה שהן ל' שעות לד' התקופות דהיינו יום ורביע ולפי זה החשבון אותה של תשרי נופלת או בג' או בט' אם נפלה תקופת תמוז בא' ומחצה של תשרי נופלת בט' ואם של תמוז בז' ומחצה של תשרי בג' וכן כולם וזהו סימן אזג"י ואט"ד כשתקופת ניסן בא' של תמוז בז' ומחצה ושל תשרי בג' ושל טבת בי' ומחצה ושנה שניה של ניסן בחצי היום דהיינו בו' שעות ושל תמוז בא' ומחצה ושל תשרי בט' ושל טבת בד' ומחצה ביום:

“E a tekufá de Tamuz não cai senão em uma e meia ou em sete e meia, ou de dia ou de noite” — pois, quando a tekufá de Nissan cai no início do dia, a de Tamuz cai em sete horas e meia do dia; e, quando a tekufá de Nissan cai ao meio-dia, a de Tamuz cai em uma hora e meia da noite. Porque há sete horas e meia entre uma tekufá e outra: pois no mesmo dia da semana em que esta cai, aquela cai, só que se estende adiante sete horas e meia a partir da hora em que esta caiu; e são trinta horas para as quatro tekufot, isto é, um dia e um quarto. E, segundo este cálculo, a de Tishrei cai ou em três ou em nove: se a tekufá de Tamuz caiu em uma e meia, a de Tishrei cai em nove; e, se a de Tamuz caiu em sete e meia, a de Tishrei cai em três; e assim todas. E este é o sinal: azgy (alef, zayin, guímel, yod) e vatd (vav, alef, tet, dalet): quando a tekufá de Nissan cai em uma, a de Tamuz cai em sete e meia, a de Tishrei em três, e a de Tevet em dez e meia; e, no segundo ano, a de Nissan cai na metade do dia, isto é, em seis horas, a de Tamuz em uma e meia, a de Tishrei em nove, e a de Tevet em quatro e meia do dia.

Nota

As horas são contadas a partir do início do dia ou da noite, em duas séries de doze. Segundo o Rashi, entre uma tekufá e a seguinte há treze semanas completas mais sete horas e meia, de modo que cada tekufá cai sete horas e meia mais tarde, no relógio da semana, do que a anterior; quatro vezes sete horas e meia são trinta horas, o dia e um quarto que separa as tekufot de Nissan de dois anos seguidos (bloco 1989). Se a tekufá de Nissan cai no início do dia, a de Tamuz cai na sétima hora e meia do dia, a de Tishrei na terceira hora da noite, e a de Tevet na décima hora e meia da noite; se cai ao meio-dia, as outras caem em uma hora e meia da noite, na nona hora da noite e na quarta hora e meia do dia seguinte. O sinal do Rashi junta as letras-números: “אזג״י” para o primeiro caso (alef, zayin, guímel, yod: um, sete, três, dez) e “ואט״ד” para o segundo (vav, alef, tet, dalet: seis, um, nove, quatro); o “alef” do primeiro caso indica o início do dia. As meias horas não estão marcadas nas letras; o Rashi as acrescenta no comentário seguinte. O lema do Rashi diz “או ביום או בלילה”, onde a guemará diz “בֵּין בַּיּוֹם וּבֵין בַּלַּיְלָה”.

1991Noventa e um dias e sete horas e meia; meia hora
A guemará
וְאֵין בֵּין תְּקוּפָה לִתְקוּפָה אֶלָּא תִּשְׁעִים וְאֶחָד יוֹם וְשֶׁבַע שָׁעוֹת וּמֶחֱצָה. וְאֵין תְּקוּפָה מוֹשֶׁכֶת מֵחֲבֶרְתָּהּ אֶלָּא חֲצִי שָׁעָה.

E não há entre o início de uma tekufá e o da outra senão noventa e um dias e sete horas e meia. E uma tekufá não se estende além da sua companheira anterior senão meia hora na ordem dos astros que servem as horas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’ein bein tekufá litkufá”
ואין בין תקופה לתקופה כו' - כדפרישית חשוב צ"א יום כולן שביעיות תמימות הן וז' שעות ומחצה היא נמשכת אחריהן שימי התקופות כך הם צ"א יום וז' שעות ומחצה הם שהן רביע של שס"ה ורביע:

“E não há entre uma tekufá e outra etc.” — como expliquei: conta os noventa e um dias: todos eles são semanas de sete completas, e as sete horas e meia se estendem depois deles. Pois os dias das tekufot são assim: noventa e um dias e sete horas e meia, que são um quarto de trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’ein tekufá moshechet mechavertah”
ואין תקופה מושכת מחברתה אלא חצי שעה - סימן לחציו אז"ח גי"ח וא"ח טד"ח שמוש השעות כל"ש צמח"ן הוא סידורן והילוכן תחלת ליל א' בשבת משמש כוכב ואחריו לבנה ואחריו שבתי צדק מאדים חמה נוגה הרי ז' שעות וחוזרים חלילה נמצא שעה ראשונה ליום א' בשבת חמה ואחריו נוגה ועוד כל"ש צמח"ן תמצא סימני שעות ראשונות של ימות השבוע חל"מ כצנ"ש ימים וסימני שעות ראשונות של כל לילי השבוע כצנ"ש חל"מ ור' שבתי דטל"ו הרופא זצ"ל פירשו היטב בספר חכמוני שלו למה נסדרו הכוכבים בענין זה וכיון דאין בין תקופה לתקופה אלא ז' שעות ומחצה נמצא שאם נפלה תקופת ניסן בתחלת כוכב תקופת תמוז יפול בחצי כוכב תשרי בראש לבנה טבת בחצי לבנה וכן כולם כשתוציא ז' שעות ומחצה אחר נפילתה של זו תגיע לאותה שעה עצמה אלא שנמשכת חצי שעה לאחריה:

“E uma tekufá não se estende além da sua companheira senão meia hora” — o sinal para as suas metades é azach, giach, vaach, tedach (as letras de antes, com chet, de chatzi, “meia”). O serviço das horas: kalash tzamchan é a sua ordem e o seu percurso. No início da noite do primeiro dia da semana serve Kochav (Mercúrio), e depois dele Levaná (a Lua), e depois dela Shabtai (Saturno), Tzedek (Júpiter), Maadim (Marte), Chamá (o Sol) e Noga (Vênus): eis sete horas; e voltam em roda. Acha-se assim que a primeira hora do primeiro dia da semana é de Chamá, e depois dele, Noga, e de novo kalash tzamchan. Acharás que os sinais das primeiras horas dos dias da semana são chalam katznash, para os dias, e os sinais das primeiras horas de todas as noites da semana, katznash chalam. E Rabi Shabtai, chamado “Datlo”, o médico, de memória justa e abençoada, explicou bem, no seu livro Chachmoni, por que os astros foram ordenados desta maneira. E, já que entre uma tekufá e outra não há a mais senão sete horas e meia, acha-se que, se a tekufá de Nissan caiu no início da hora de Kochav, a tekufá de Tamuz cairá na metade de Kochav; a de Tishrei, no início de Levaná; a de Tevet, na metade de Levaná; e assim todas: quando contares sete horas e meia depois da queda desta, chegarás àquela mesma hora do mesmo astro, só que a tekufá se estende meia hora depois dela.

Nota

Noventa e um dias são treze semanas exatas, e sete horas e meia são um quarto de trinta horas, de modo que quatro tekufot somam trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto. A “meia hora” se entende, segundo o Rashi, pelas horas dos planetas: cada hora do dia e da noite é “servida” por um dos sete astros, em ciclo fixo, na ordem que ele resume como “כל״ש צמח״ן”: Kochav (Mercúrio), Levaná (a Lua), Shabtai (Saturno), Tzedek (Júpiter), Maadim (Marte), Chamá (o Sol) e Noga (Vênus). Começando com Kochav no início da noite do primeiro dia da semana, a primeira hora de cada dia é, de domingo a sábado, Chamá, Levaná, Maadim, Kochav, Tzedek, Noga e Shabtai, “חל״ם כצנ״ש”; e a primeira hora de cada noite, Kochav, Tzedek, Noga, Shabtai, Chamá, Levaná e Maadim, “כצנ״ש חל״ם”. Como sete horas e meia são um ciclo completo dos sete astros mais meia hora, cada tekufá cai na hora do mesmo astro que a anterior, meia hora mais adiante. É o mesmo ciclo de Shabbat 156a (conferido), onde Rabi Chanina diz que o “mazal da hora” é o que determina, e o Rashi ali conta os sete astros que servem as horas como “חנכ״ל שצ״ם”, a mesma roda começada em Chamá. O sinal “אז״ח גי״ח וא״ח טד״ח” repete os do comentário anterior com um “ח”, de “חצי”, “meia”, junto às horas que têm meia hora. O nome do médico vem no Sefaria como “ר׳ שבתי דטל״ו”, grafia que não conseguimos esclarecer, e o livro Chachmoni não está no Sefaria; não o citamos. O lema do segundo comentário diz “ואין תקופה מושכת מחברתה”, como a guemará.

1992A tekufá que cai em Tzedek
A guemará
וְאָמַר שְׁמוּאֵל: אֵין לְךָ תְּקוּפַת נִיסָן שֶׁנּוֹפֶלֶת בְּצֶדֶק, שֶׁאֵינָהּ מְשַׁבֶּרֶת אֶת הָאִילָנוֹת. וְאֵין לְךָ תְּקוּפַת טֵבֵת שֶׁנּוֹפֶלֶת בְּצֶדֶק, שֶׁאֵינָהּ מְיַיבֶּשֶׁת אֶת הַזְּרָעִים. וְהוּא, דְּאִיתְיְלִיד לְבָנָה אוֹ בִּלְבָנָה אוֹ בְּצֶדֶק.

E disse Shmuel: Não há para ti tekufá de Nissan que caia em hora de Tzedek (Júpiter) que não quebre as árvores; e não há para ti tekufá de Tevet que caia em hora de Tzedek que não seque as sementes. E isso, quando a lua nasceu ou em hora de Levaná, ou em hora de Tzedek.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vehanei milei de’ityelid”
והני מילי דאתיליד - מולד לבנה של ניסן או של טבת בשעת לבנה או בשעת צדק:

“E isso vale quando nasceu” — o molad (nascimento) da lua de Nissan ou de Tevet, na hora de Levaná ou na hora de Tzedek.

Nota

Shmuel liga o tempo das tekufot às horas dos planetas do bloco anterior: a tekufá de Nissan que cai na hora de Tzedek quebra as árvores, e a de Tevet, na mesma hora, seca as sementes; segundo o Rashi, isso vale quando o molad, o nascimento da lua nova, de Nissan ou de Tevet, também cai na hora de Levaná ou de Tzedek. A tradução de referência explica que as árvores se quebram pelos ventos fortes; a guemará não o diz. O lema do Rashi diz “והני מילי דאתיליד”, onde a guemará diz “וְהוּא, דְּאִיתְיְלִיד”.

O daf termina aqui, no meio do ensino de Shmuel sobre as tekufot: depois de concluir a baraita das três coisas, a discussão sobre o rabanete e a cidade de subidas e descidas, a guemará voltou ao modo de quadrar a cidade, segundo o quadrado do mundo ou segundo o caminho do sol, e daí passou às horas em que caem as tekufot e às horas dos planetas. A guemará prossegue em Eruvin 56b.