Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Alef (Mavoi)
חָקַק בּוֹ לְהַשְׁלִימוֹ לַעֲשָׂרָה

A elevação sob a korá, sinal visível ou divisória; o chão escavado sob a korá baixa; a brecha junto à entrada; o mavoi de quatro palmos e o lechi saliente

Eruvin 5a — continuação da guemará sobre a primeira mishná · Perek Alef (Mavoi, Eruvin 2a:1-17b:14) · a guemará prossegue em 5b

A guemará conclui a proposta iniciada em 4b: quem exige uma elevação de quatro palmos sob a korá alta entende que é proibido usar a área debaixo da korá. Rejeita-a e propõe três outras explicações da divergência entre Rav Yossef e Abaye: a korá como sinal visível ou como divisória; o sinal de baixo, que talvez não seja como o sinal de cima; e o decreto para que a elevação não se reduza pelo pisar dos pés. Passa à korá a menos de dez palmos do chão, que se completa escavando o chão, e pergunta até onde o escavado deve se estender para dentro do mavoi: Rav Yossef diz quatro palmos, e Abaye, quatro amot. Propõe que divergem sobre a palavra de Rabi Ami e Rabi Assi acerca da brecha junto à entrada, e Abaye distingue o fim do mavoi do seu início. Abaye traz duas provas, a baraita das casas e pátios abertos para o mavoi, com a tradição de Rav Nachman sobre o comprimento maior que a largura, e a palavra de Rami bar Chama sobre o lechi que sobressai da parede, e Rav Yossef responde a ambas; o daf termina quando a guemará volta a citar essa palavra.

Guemará: a elevação do chão sob a korá · הֶיכֵּר שֶׁל מַטָּה

114Quem diz quatro: é proibido usar a área debaixo da korá
A guemará
וּמַאן דְּאָמַר אַרְבָּעָה, קָסָבַר: אָסוּר לְהִשְׁתַּמֵּשׁ תַּחַת הַקּוֹרָה!

…e aquele que disse “quatro” entende que é proibido usar a área debaixo da korá (viga transversal); por isso a elevação precisa de uma medida significativa dentro do próprio mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios)!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uman de’amar arbaá kassavar assur lehishtamesh tachat hakorá”
ומאן דאמר ארבעה קסבר אסור להשתמש תחת הקורה - דחודה הפנימי יורד וסותם ורוחב הקורה הוי חוץ לסתימה ולמשתמשים במבוי אין להם היכר בקורה שהרי בנמוך הן הלכך צריך שימשך לתוך המבוי שתהא הקורה ניכרת להם כשישמשו באותו גובה וכיון דאפיקתיה מתחת הקורה צריך שיהא מקום הניכר וחשוב:

“E aquele que disse quatro entende que é proibido usar debaixo da korá” — pois a sua borda interna desce e fecha, e a largura da korá fica fora do fechamento; e, para os que usam o mavoi, não há sinal visível na korá, pois eles estão na parte baixa, onde a altura excede vinte amot (côvados). Portanto, é preciso que a elevação se estenda para dentro do mavoi, para que a korá lhes seja perceptível quando usarem o espaço naquela altura elevada; e, uma vez que a tiraste de debaixo da korá, é preciso que seja um lugar perceptível e significativo, isto é, de quatro palmos.

115A korá: sinal visível ou divisória
A guemará
לָא, דְּכוּלֵּי עָלְמָא קָסָבְרִי מוּתָּר לְהִשְׁתַּמֵּשׁ תַּחַת הַקּוֹרָה, וּבְהָא קָא מִיפַּלְגִי: מָר סָבַר קוֹרָה מִשּׁוּם הֶיכֵּר, וּמָר סָבַר קוֹרָה מִשּׁוּם מְחִיצָה.

Rejeita a guemará: Não; todos entendem que é permitido usar a área debaixo da korá, e nisto divergem: um mestre, Rav Yossef, entende que a korá serve como sinal visível, e basta um palmo; e um mestre, Abaye, entende que a korá serve como divisória, e uma divisória não vale para um espaço de menos de quatro palmos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mar savar korá” e “uman de’amar arbaá kassavar korá”
לא דכולי עלמא מותר ובהא פליגי מר סבר קורה - שתיקנו חכמים למבוי משום היכר בעלמא הוא דלא ליתי למישרי רשות הרבים והרי יש כאן היכר בכניסתן כשמשתמשין תחת הקורה: ומאן דאמר ארבעה קסבר קורה - המתרת במבוי טעמא משום מחיצה דאמרינן חודה החיצון יורד וסותם ואמרו רבנן דבטפי מעשרים לא אמרינן יורד וסותם וכיון דלא הוי מיעוט ד' הוי מחיצה העשויה לפחות מד' וקיימא לן בכל דוכתא דמחיצה שאינה ראויה לד' לאו מחיצה היא דאין רשות היחיד לפחות מד' טפחים ואע"פ שמוקף מחיצה של עשרה טפחים ובגזוזטראות דחנניה בן עקביא נמי הכי אמרינן דאין מחיצות אלא אם כן יש תוך החלל ארבעה בפרק כיצד משתתפין (לקמן עירובין פו:):

“Não, todos concordam que é permitido, e nisto divergem: um mestre entende que a korá” — que os Sábios instituíram para o mavoi é apenas por causa de um sinal visível, para que não venham a permitir carregar no reshut harabim (domínio público); e eis que aqui há sinal visível na sua entrada, quando usam a área debaixo da korá.

“E aquele que disse quatro entende que a korá” — que permite carregar no mavoi, a razão é por causa de divisória, pois dizemos: a sua borda externa desce e fecha; e os Sábios disseram que, acima de vinte, não dizemos que desce e fecha. E, uma vez que a diminuição não é de quatro, é uma divisória feita para menos de quatro; e está estabelecido para nós em todo lugar que uma divisória que não é apta para quatro não é divisória, pois não há reshut hayachid (domínio privado) de menos de quatro tefachim (palmos), ainda que esteja cercado por uma divisória de dez tefachim. E também nas sacadas de Chananiá ben Akavyá dizemos assim: que não há divisórias a não ser que haja quatro dentro do espaço, no perek Keitsad Mishtatfin (adiante, Eruvin 86b).

116O sinal de baixo e o sinal de cima
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא, דְּכוּלֵּי עָלְמָא קוֹרָה מִשּׁוּם הֶיכֵּר, וְהָכָא — בְּהֶיכֵּר שֶׁל מַטָּה וּבְהֶיכֵּר שֶׁל מַעְלָה קָא מִיפַּלְגִי, דְּמָר סָבַר אָמְרִינַן הֶיכֵּר שֶׁל מַטָּה כְּהֶיכֵּר שֶׁל מַעְלָה, וּמָר סָבַר לָא אָמְרִינַן הֶיכֵּר שֶׁל מַטָּה כְּהֶיכֵּר שֶׁל מַעְלָה.

E, se quiseres, dize: todos concordam que a korá serve como sinal visível, e aqui divergem sobre o sinal de baixo, isto é, a elevação do chão, e o sinal de cima, isto é, a korá: pois um mestre, Rav Yossef, entende que dizemos que o sinal de baixo é como o sinal de cima, e basta um palmo; e um mestre, Abaye, entende que não dizemos que o sinal de baixo é como o sinal de cima, e o de baixo precisa ser mais destacado, de quatro palmos.

117Um decreto, para que não se reduza
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא: דְּכוּלֵּי עָלְמָא אָמְרִינַן: הֶיכֵּר שֶׁל מַטָּה כְּהֶיכֵּר שֶׁל מַעְלָה, וְהָכָא בִּגְזֵירָה שֶׁמָּא יִפְחוֹת קָמִיפַּלְגִי.

E, se quiseres, dize: todos concordam que dizemos que o sinal de baixo é como o sinal de cima, e aqui divergem sobre o decreto dos Sábios, para que a elevação não se reduza: Rav Yossef não teme isso, e Abaye o teme e exige quatro palmos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “guezerá shemá yifchat”
גזירה שמא יפחת - על ידי דריסת רגלים יפחת המיעוט ויעמוד על פחות מטפח הלכך בעינן טפי וכיון דאפיקתיה מהיכר של מעלה אוקמיה אד' דחשיבי בכל דוכתא:

“Um decreto, para que não se reduza” — pelo pisar dos pés, a diminuição feita no chão se reduzirá e ficará em menos de um tefach (palmo); portanto precisamos de mais. E, uma vez que a tiraste da medida do sinal de cima, estabeleceram-na em quatro, que são uma medida significativa em todo lugar.

Guemará: o chão escavado sob a korá · וְחָקַק בּוֹ לְהַשְׁלִימוֹ לַעֲשָׂרָה

118A extensão do escavado: quatro palmos ou quatro amot
Rav Yossef e Abaye
הָיָה פָּחוֹת מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים וְחָקַק בּוֹ לְהַשְׁלִימוֹ לַעֲשָׂרָה, כַּמָּה חוֹקֵק? כַּמָּה חוֹקֵק?! כַּמָּה דִּצְרִיךְ לֵיהּ! אֶלָּא מִשְׁכּוֹ בְּכַמָּה? רַב יוֹסֵף אָמַר: בְּאַרְבָּעָה, אַבָּיֵי אָמַר: בְּאַרְבַּע אַמּוֹת.

Se a korá estava a menos de dez palmos do chão, e ele escavou o chão debaixo dela para completá-la a dez, quanto escava? Espanta-se a guemará: Quanto escava?! Quanto lhe é necessário, até que a altura chegue a dez palmos! Antes, a pergunta é: A sua extensão, para dentro do mavoi, de quanto deve ser? Rav Yossef disse: Quatro palmos. Abaye disse: Quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mashchó” e “Rav Yossef”
משכו - של חקק לתוך אורך המבוי בדבר הבולט כגון מיעוט שייך למימר רוחב ובדבר השוקע ומקיפות אותו מחיצות כגון חקק שייך לומר לשון משך: רב יוסף - דבעי לעיל טפח הכא בעי ארבעה דהתם דאיתיה לדופן ולמעוטי קאתי בהיכר בעלמא סגי הכא דהשתא הוא דמשוי ליה דופן בין לרב יוסף ובין לאביי בעינן דליתחזי האי דופן לשיעור הכשר אורך מבוי שלם הלכך לרב יוסף שיעור משך מבוי בד' טפחים ואביי סבירא ליה שיעור משך מבוי בד' אמות:

“A sua extensão” — do escavado, para dentro do comprimento do mavoi. Em algo saliente, como a diminuição pela elevação do chão, cabe dizer “largura”; e em algo afundado, que paredes cercam, como o escavado, cabe usar a palavra “extensão”.

“Rav Yossef” — que acima exigia um tefach, aqui exige quatro: pois lá, onde a parede existe e a elevação vem diminuir a altura, basta um mero sinal visível; aqui, que agora é que a transforma em parede, tanto segundo Rav Yossef como segundo Abaye precisamos que essa parede seja apta para a medida de validade do comprimento de um mavoi completo. Portanto, segundo Rav Yossef, a medida da extensão do mavoi é de quatro tefachim; e Abaye entende que a medida da extensão do mavoi é de quatro amot.

119A brecha junto à entrada, segundo Rabi Ami e Rabi Assi
A guemará
לֵימָא בִּדְרַבִּי אַמֵּי וְרַבִּי אַסִּי קָמִיפַּלְגִי, דְּאִיתְּמַר: מָבוֹי שֶׁנִּפְרַץ מִצִּידּוֹ כְּלַפֵּי רֹאשׁוֹ, אִיתְּמַר מִשְּׁמֵיהּ דְּרַבִּי אַמֵּי וְרַבִּי אַסִּי: אִם יֵשׁ שָׁם פַּס אַרְבָּעָה — מַתִּיר בְּפִירְצָה עַד עֶשֶׂר.

Digamos que divergem sobre a palavra de Rabi Ami e Rabi Assi, pois foi dito: Sobre um mavoi que foi aberto por uma brecha no seu lado, junto à sua cabeceira, perto da entrada que dá para o domínio público, foi dito em nome de Rabi Ami e Rabi Assi: Se há ali um pas (tábua vertical) de quatro palmos, a korá permite, mesmo com uma brecha de até dez amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shenifrats mitsidó”, “kelapei roshó”, “im iesh sham pas arbaá” e “matir pirtsá”
שנפרץ מצידו אחד - מן הכתלים שבצד ארכו: כלפי ראשו - סמוך לקורה הימנה ולפנים: אם יש שם פס ד' - אם נשתייר מן הכותל או עשה פס ד' במקום הפרצה סמוך לקורה: מתיר פירצה - אף על גב שנשתייר שם עדיין פירצה עד עשר דכיון דיש הכשר אורך מבוי מן הקורה עד הפירצה לא בטל ליה תורת פתח מקמאי ובמלתיה קאי וקורתו מתירתו ופירצתה מתרת כיון דלאו יותר מעשר תורת פתח עליה ומבוי אינו נפסל בפתחים הרבה אי נמי שבקו בני מבוי פתחא קמא ונפקו ועיילי בההיא פירצה משום דדרך קצרה היא להם אפ"ה לא בטלה תורת פתח וקורה מן הראשון משום דהוי פתח לד' הסמוכין לו הואיל וד' אורך ראויין לקורה דיש בהן הכשר מבוי:

“Que foi aberto por uma brecha num dos seus lados” — de uma das paredes que estão ao lado do seu comprimento.

“Junto à sua cabeceira” — perto da korá, dela para dentro.

“Se há ali um pas de quatro” — se restou um pedaço da parede, ou se fez um pas de quatro no lugar da brecha, junto à korá.

“Permite mesmo com a brecha” — ainda que reste ali uma brecha de até dez amot; pois, uma vez que há a medida de validade do comprimento de um mavoi entre a korá e a brecha, a primeira entrada não perde a condição de entrada, mas permanece como estava, e a sua korá a permite. E a sua brecha também fica permitida, já que não tem mais de dez amot e tem condição de entrada; e um mavoi não fica inválido por muitas entradas. Ou ainda: mesmo se os moradores do mavoi abandonaram a primeira entrada e saem e entram por aquela brecha, por ser para eles um caminho mais curto, mesmo assim a primeira entrada não perde a condição de entrada e de korá, pois ela é entrada para os quatro palmos próximos dela, já que quatro de comprimento são aptos para uma korá, pois há neles a validade de um mavoi.

Nota

Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre o pas de quatro palmos com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.

120Sem pas: a brecha de menos de três palmos
A guemará
וְאִם לָאו, פָּחוֹת מִשְּׁלֹשָׁה מַתִּיר. שְׁלֹשָׁה אֵינוֹ מַתִּיר. לְרַב יוֹסֵף אִית לֵיהּ דְּרַבִּי אַמֵּי, לְאַבָּיֵי לֵית לֵיהּ דְּרַבִּי אַמֵּי.

E, se não há pas: se a brecha tem menos de três palmos, a korá permite; se tem três, não permite. Propõe a guemará: Rav Yossef adota a palavra de Rabi Ami, e por isso quatro palmos lhe bastam; Abaye não adota a palavra de Rabi Ami.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’im lav”, “pachot mishloshá”, “matir” e “ve’Abaye leit lei deRabi Ami”
ואם לאו - דאין שם פס ד': פחות מג' - אם הפירצה פחותה מג': מתיר - תיקון המבוי את המבוי שהרי כלבוד דמי ואין כאן פירצה ואם הפירצה ג' אינו מתיר דכיון דממעטין בני מבוי בהילוכן ומקצרין את דרכן דרך אותה פירצה חיישינן דילמא שבקי פתחא רבה ועיילי ונפקי בההיא פירצה ובטיל ליה פתחא קמא ובטלה קורה דידיה ואין קורה למבוי זה והאי טעמא מפרש לקמן בפירקין: ואביי לית ליה דר' אמי ודר' אסי - דהא הכשר מבוי בד' אמות קאמר והכא נמי אי ליכא פס ד' אמות אין קורה זו ראויה לאותו הפס ואין כאן קורה:

“E, se não” — que não há ali um pas de quatro.

“Menos de três” — se a brecha é menor que três palmos.

“Permite” — a correção do mavoi permite o mavoi, pois é como lavud (junção de um vão menor que três palmos), e não há aqui brecha. E, se a brecha é de três, não permite: pois, uma vez que os moradores do mavoi diminuem o seu andar e encurtam o seu caminho por aquela brecha, tememos que talvez abandonem a entrada grande e entrem e saiam por aquela brecha, e a primeira entrada perca a sua condição, e a sua korá perca a sua função, e não haja korá para este mavoi. E esta razão se explica adiante, no nosso perek.

“E Abaye não adota a palavra de Rabi Ami e Rabi Assi” — pois ele diz que a validade do mavoi é com quatro amot; e aqui também, se não há um pas de quatro amot, esta korá não é apta para aquele pas, e não há aqui korá.

121O fim do mavoi e o início do mavoi
A guemará
אָמַר לָךְ אַבָּיֵי: הָתָם סוֹף מָבוֹי, הָכָא תְּחִלַּת מָבוֹי. אִי אִיכָּא אַרְבַּע אַמּוֹת — אִין, אִי לָא — לָא.

Responde-se: Abaye te dirá: Lá, no caso de Rabi Ami, é o fim do mavoi, que já existia e se rompeu; aqui é o início do mavoi, que agora se vem constituir. Se há quatro amot, sim, é mavoi; se não, não.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “sof mavoi” e “techilat mavoi”
סוף מבוי - כגון הא דר' אמי ור' אסי שכבר היה מבוי ואירע בו פסול ה"נ דלמיהדר לשוייה מבוי סגי בד' טפחים: תחילת מבוי - כגון גבי חקק דהשתא קאתי לשוייה מבוי:

“Fim do mavoi” — como este caso de Rabi Ami e Rabi Assi, em que já era mavoi e lhe ocorreu uma invalidação; aqui também, para voltar a fazê-lo mavoi, bastam quatro tefachim.

“Início do mavoi” — como no caso do escavado, em que agora se vem fazê-lo mavoi.

Guemará: as provas de Abaye · מְנָא אָמֵינָא לַהּ

122Casas e pátios abertos para dentro dele
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: מְנָא אָמֵינָא לַהּ — דְּתַנְיָא: אֵין מָבוֹי נִיתָּר בְּלֶחִי וְקוֹרָה עַד שֶׁיְּהוּ בָּתִּים וַחֲצֵרוֹת פְּתוּחִין לְתוֹכוֹ.

Abaye disse: De onde eu o digo, que são necessárias quatro amot? Pois foi ensinado numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná): Um mavoi não se torna permitido com lechi (poste lateral) e korá, a não ser que haja casas e pátios abertos para dentro dele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “batim vachatserot”
בתים וחצרות - בתים פתוחין לחצירות וחצירות למבוי שכן היה דרכן שאין בתים פתוחין אלא לחצריהן וכל חצר האמור בהש"ס ובמשנה אינו אלא לפני הבית אבל שאחורי הבית מוקצה או רחבה קרי ליה:

“Casas e pátios” — casas abertas para os pátios, e pátios abertos para o mavoi; pois esse era o costume deles, que as casas só se abriam para os seus pátios. E todo “pátio” mencionado no Talmud e na Mishná não é senão o que fica diante da casa; mas o que fica atrás da casa chama-se mukzé (área cercada atrás da casa) ou rechavá (espaço aberto).

123Com quatro palmos, como encontrá-lo?
A guemará
וְאִי בְּאַרְבָּעָה הֵיכִי מַשְׁכַּחַתְּ לֵיהּ!

E, se o comprimento do mavoi é de quatro palmos, como o encontras, se a entrada de cada pátio tem ao menos quatro palmos?!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’i amrat be’arbaá havei mavoi heichi nitar be’orech arbaá”
ואי אמרת בד' הוי מבוי היאך ניתר באורך ארבעה - מכדי מיעוט חצירות שתים ואין פתח פחות מד' ואיך יפתח פתח רוחבו ארבעה במשך המבוי שאינו אלא ד' איה מקום הפצימין ועוד כולו פרוץ הוא:

“E, se disseres que com quatro é mavoi, como se torna permitido com comprimento de quatro?” — Ora, o mínimo de pátios é dois, e não há entrada de menos de quatro; e como se abrirá uma entrada de quatro de largura na extensão do mavoi, que não tem mais que quatro? Onde fica o lugar dos batentes? E mais: ele está todo aberto em brecha!

124Na parede do meio? O comprimento maior que a largura
A guemará
וְכִי תֵּימָא דְּפָתַח לֵהּ בְּדוֹפֶן הָאֶמְצָעִי, וְהָאָמַר רַב נַחְמָן: נְקִיטִינַן, אֵיזֶהוּ מָבוֹי שֶׁנִּיתָּר בְּלֶחִי וְקוֹרָה כֹּל שֶׁאׇרְכּוֹ יָתֵר עַל רׇחְבּוֹ, וּבָתִּים וַחֲצֵרוֹת פְּתוּחִין לְתוֹכוֹ.

E, se disseres que ele abre os pátios na parede do meio, a do fundo de um mavoi largo, eis que Rav Nachman disse: Temos por tradição: Qual é o mavoi que se torna permitido com lechi e korá? Todo aquele cujo comprimento é maior que a sua largura, e que tem casas e pátios abertos para dentro dele; e, se o comprimento é de quatro palmos, a largura é menor ainda.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vechi teima depatach lei bedofen emtsait”, “vehaamar Rav Nachman nekitinan” e “orkó yater al rochbó”
וכי תימא דפתח ליה בדופן אמצעית - וכי קאמר רב יוסף הכשר מבוי באורך ד' במבוי רחב מאד קאמר ויכול לפתוח פתח החצירות בדופן שמאחריו: והאמר רב נחמן נקיטינן - מסורת מאבותינו מנהג מרבותינו: ארכו יתר על רחבו - הוי מבוי וניתר בלחי וקורה אבל מרובע דין חצר עליו ואמרי' לקמן חצר צריכה פס ד' או פס משהו מכאן ופס משהו מכאן היכא דפריצה במלואה לרה"ר וכיון דאמרת ארכו ד' כשר הרי רחבו ד' חסר משהו ואין שם שיעור פתח דבכולי הך מסכתא אמרי' דאין פתח פחות מד':

“E, se disseres que ele abre na parede do meio” — e, quando Rav Yossef fala da validade do mavoi com comprimento de quatro, fala de um mavoi muito largo, e pode abrir a entrada dos pátios na parede que está atrás dele.

“Eis que Rav Nachman disse: Temos” — tradição dos nossos pais, costume dos nossos mestres.

“Seu comprimento é maior que a sua largura” — é mavoi e se torna permitido com lechi e korá; mas se é quadrado, aplica-se a ele a lei de pátio, e dizemos adiante que o pátio precisa de um pas de quatro, ou de um pas de qualquer medida daqui e um pas de qualquer medida dali, quando está aberto em toda a sua largura para o domínio público. E, já que disseste que o comprimento de quatro é válido, eis que a sua largura é de quatro menos um pouco, e não há ali a medida de uma entrada, pois em todo este tratado dizemos que não há entrada de menos de quatro.

125No canto
Rav Yossef
וְרַב יוֹסֵף: דְּפָתַח לֵיה בְּקֶרֶן זָוִית.

E Rav Yossef, como responde? Trata-se do caso em que ele abre os pátios no canto, de modo que cada entrada se divide entre a parede do fundo e a parede do comprimento.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bekeren zavit”
בקרן זוית - טפח מן הפתח בדופן האמצעי ושלשה טפחים בדופן המשך וכן בצידו השני כזה:

“No canto” — um tefach da entrada na parede do meio e três tefachim na parede do comprimento; e assim no seu outro lado, como neste desenho.

Nota

Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre as entradas no canto com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.

126O lechi que sobressai da parede do mavoi
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: מְנָא אָמֵינָא לַהּ — דְּאָמַר רָמֵי בַּר חָמָא אָמַר רַב הוּנָא: לֶחִי הַבּוֹלֵט מִדּוֹפְנוֹ שֶׁל מָבוֹי, פָּחוֹת מֵאַרְבַּע אַמּוֹת — נִידּוֹן מִשּׁוּם לֶחִי, וְאֵינוֹ צָרִיךְ לֶחִי אַחֵר לְהַתִּירוֹ. אַרְבַּע אַמּוֹת — נִידּוֹן מִשּׁוּם מָבוֹי וְצָרִיךְ לֶחִי אַחֵר לְהַתִּירוֹ.

Abaye disse: De onde eu o digo? Pois Rami bar Chama disse que Rav Huna disse: Um lechi que sobressai da parede do mavoi: se sobressai menos de quatro amot, é julgado como lechi, e não precisa de outro lechi para permiti-lo; se sobressai quatro amot, é julgado como mavoi, e precisa de outro lechi para permiti-lo. Vê-se que menos de quatro amot não tem condição de mavoi.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lechi haboleit midofnó shel mavoi”
לחי הבולט מדופנו של מבוי - לתוך רוחב המבוי ולא נעשה שם לשם לחי אלא הוציא בניינו בפאת ביתו כדרך שעושין משום חיזוק:

“Um lechi que sobressai da parede do mavoi” — para dentro da largura do mavoi, e não foi feito ali com o propósito de lechi, mas ele prolongou a sua construção no canto da sua casa, como costumam fazer para reforço.

Nota

Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre o lechi saliente com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.

127A condição de lechi e a condição de mavoi
Rav Yossef
וְרַב יוֹסֵף? לְאַפּוֹקֵי מִתּוֹרַת לֶחִי עַד דְּאִיכָּא אַרְבַּע אַמּוֹת. לְמִיהְוֵי מָבוֹי אֲפִילּוּ בְּאַרְבָּעָה טְפָחִים נָמֵי הָוֵי מָבוֹי.

E Rav Yossef, como responde? Para tirá-lo da condição de lechi, não basta menos, até que haja quatro amot; para ser mavoi, mesmo com quatro tefachim também é mavoi.

Guemará: a palavra de Rami bar Chama · גּוּפָא

128O próprio ensinamento
A guemará
גּוּפָא. אָמַר רָמֵי בַּר חָמָא אָמַר רַב הוּנָא: לֶחִי הַבּוֹלֵט מִדׇּפְנוֹ שֶׁל מָבוֹי

Voltando ao próprio ensinamento: Rami bar Chama disse que Rav Huna disse: Um lechi que sobressai da parede do mavoi…

O daf termina aqui, no meio da frase: a guemará volta à própria palavra de Rami bar Chama em nome de Rav Huna sobre o lechi que sobressai da parede do mavoi e começa a citá-la. A guemará prossegue em Eruvin 5b.