Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Guimel (BaKol Mearvin)
תְּרֵי חֶזְקֵי

Duas chazakot ou uma; Rabi Yossi contra Rabi Yossi; os dois pães; hoje profano e amanhã consagrado; o fim do dia adquire o eruv

Eruvin 36a — Perek Guimel (BaKol Mearvin, Eruvin 26b:17-41b:5) · guemará sobre a mishná do eruv que se queimou ou, sendo terumá, se tornou impuro (Eruvin 3:4): Rabi Yossi e a dúvida, a baraita do eruv duvidoso, os dois pães, o crepúsculo e a consagração, o fim do dia · continua de Eruvin 35b; a guemará continua em Eruvin 36b

Rava responde de outro modo à contradição entre as palavras de Rabi Meir: no caso de quem tocou alguém à noite há duas presunções para a leniência, e na terumá do eruv só uma. A guemará contrapõe então Rabi Yossi a Rabi Yossi, rigoroso na dúvida sobre a imersão e leniente no eruv duvidoso, e traz três respostas: a impureza tem raiz na Torá e os techumin são dos Rabanan; a leniência é do seu mestre Avtolemos; e, nos mikvaot, só há presunção para o rigor. Uma baraita define o eruv duvidoso que Rabi Yossi valida, e a guemará corrige “frutos corrigidos” para “frutos misturados”. Rav Shmuel bar Rav Yitzchak pergunta sobre dois pães, um impuro e um puro, e Rav Huna responde que é preciso uma refeição própria enquanto ainda é dia. Rava pergunta a Rav Nachman sobre o pão que hoje é profano e amanhã consagrado, e o inverso, e Rav Nachman responde com o kor de sal. Por fim, a mishná do frasco do tevul yom leva Rava a concluir que o fim do dia adquire o eruv. O texto continua em Eruvin 36b.

Duas chazakot ou uma só: a resposta de Rava · תְּרֵי חֶזְקֵי לְקוּלָּא

1245Duas chazakot lá, uma só aqui
Rava
רָבָא אָמַר: הָתָם תְּרֵי חֶזְקֵי לְקוּלָּא, וְהָכָא חֲדָא חֲזָקָה לְקוּלָּא.

A guemará traz outra resposta à contradição entre as palavras de Rabi Meir: Rava disse: Mesmo que em ambos os casos houvesse duas turmas de testemunhas que se contradizem, não é difícil, pois lá, no caso de quem tocou alguém à noite e o achou morto de manhã, há duas chezkei (presunções de estado anterior) para a leniência, pois o morto estava antes vivo, e quem o tocou estava antes puro; e aqui, na terumá usada para o eruv, há uma só chazaká para a leniência, a de que a terumá era pura antes, e por isso Rabi Meir é rigoroso.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Rava amar”
רבא אמר - גבי נגע באחד נמי אפילו יש שני כיתי עדים חלוקות אחת אומרת קודם שנגע בו מת ואחת אומרת עכשיו מת הוי נמי ר"מ מטהר ואפילו הכי לא תיקשי:

“Rava disse” — também no caso de quem tocou em um homem, mesmo que haja duas turmas de testemunhas divididas, uma que diz: Morreu antes que este o tocasse, e outra que diz: Só agora morreu, também então Rabi Meir declara puro; e, mesmo assim, não é difícil:

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hatam trei chezkei ninhu”
התם תרי חזקי נינהו - לטהר ומשום הכי אזלינן לקולא דאוקי תרי לבהדי תרי והעמד מת על חזקתו ראשונה כל הלילה וחי הוה ועוד העמד נוגע על חזקתו ראשונה וטהור היה:

“Lá são duas chazakot” — para declarar puro; e por isso seguimos a leniência, pois pomos dois diante de dois, e as turmas se anulam, e mantém o morto na sua primeira chazaká durante toda a noite, e vivo estava; e mais, mantém o que tocou na sua primeira chazaká, e puro estava.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hacha”
הכא - במתניתין חדא חזקה הוא דאיכא למימר העמד תרומה על חזקתה ומשום חדא חזקה לא מרעינן סהדי הלכך אזלינן לחומרא:

“Aqui” — na nossa mishná, há só uma chazaká que se pode dizer: Mantém a terumá na sua chazaká; e por causa de uma só chazaká não desacreditamos testemunhas; por isso seguimos o rigor.

Nota

O primeiro lema do Rashi é só “רבא אמר”, e o segundo diz “התם תרי חזקי נינהו”, onde o texto diz “הָתָם תְּרֵי חֶזְקֵי לְקוּלָּא”. A tradução de referência entende que Rava rejeita a explicação das duas turmas de testemunhas, dada no fim de Eruvin 35b (bloco 1244); o Rashi, que seguimos no texto, entende que Rava aceita que também no caso de quem tocou o morto pode haver duas turmas, e mesmo assim Rabi Meir declara puro, porque ali há duas presunções e aqui só uma. A mishná de quem tocou alguém à noite é a Mishná Taharot 5:7, citada em Eruvin 35b.

Rabi Yossi contra Rabi Yossi · קַשְׁיָא דְּרַבִּי יוֹסֵי אַדְּרַבִּי יוֹסֵי

1246Difícil, Rabi Yossi contra Rabi Yossi
A guemará
קַשְׁיָא דְּרַבִּי יוֹסֵי אַדְּרַבִּי יוֹסֵי!

A guemará pergunta: Mas é difícil a palavra de Rabi Yossi contra a outra palavra de Rabi Yossi! Pois, na mishná dos mikvaot, ele é rigoroso na dúvida sobre a imersão, mesmo numa impureza dos Rabanan, e, na mishná do eruv, é leniente e diz que o eruv duvidoso é válido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kashya deRabi Yossi”
קשיא דר' יוסי - דברייתא דקתני בספק טבל ובספק לא טבל ובטומאה דרבנן אכל אוכלין כו' ורבי יוסי מטמא ומתני' קתני ספק עירוב כשר ואפילו תחומין דרבנן תיקשי:

“Difícil de Rabi Yossi” — pois na baraita, que ensina sobre a dúvida se imergiu e a dúvida se não imergiu, e sobre uma impureza dos Rabanan, como quem comeu alimentos impuros etc., Rabi Yossi declara impuro; e a mishná ensina: O eruv duvidoso é válido; e, mesmo que os techumin sejam dos Rabanan, é difícil, pois em ambos os casos a dúvida é numa regra dos Rabanan.

Nota

O Rashi chama de “baraita” o texto dos mikvaot citado em Eruvin 35b; ele está na Mishná Mikvaot 2:2 (numeração do Sefaria), que termina com “רַבִּי יוֹסֵי מְטַמֵּא”. A mishná do eruv duvidoso é a Mishná Eruvin 3:4.

1247A impureza tem raiz na Torá
Rav Huna bar Chinana e a guemará
אָמַר רַב הוּנָא בַּר חִינָּנָא: שָׁאנֵי טוּמְאָה, הוֹאִיל וְיֵשׁ לָהּ עִיקָּר מִן הַתּוֹרָה. שַׁבָּת נָמֵי דְּאוֹרָיְיתָא הִיא? קָסָבַר רַבִּי יוֹסֵי: תְּחוּמִין דְּרַבָּנַן.

Rav Huna bar Chinana disse: A impureza é diferente, já que ela tem raiz na Torá, e por isso Rabi Yossi é rigoroso também na dúvida sobre a imersão numa impureza dos Rabanan. A guemará pergunta: Mas o Shabat também é da Torá, e por que, então, Rabi Yossi não é rigoroso também nos techumin? A guemará responde: Rabi Yossi sustenta que os techumin (limites de Shabat) são dos Rabanan, e não da Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hoil veyesh la ikar min hatorá”
הואיל ויש לה עיקר מן התורה - דיש טומאה מן התורה ויש להחמיר בספק טבילתה להכי אחמור רבנן אף בספק טבילת טומאה דרבנן דלא ליתי לזלזולי בספק טבילת טומאה דאורייתא:

“Já que tem raiz na Torá” — pois há impureza da Torá, e há que ser rigoroso na dúvida sobre a sua imersão; por isso os Rabanan foram rigorosos também na dúvida sobre a imersão de uma impureza dos Rabanan, para que não se venha a desprezar a dúvida sobre a imersão de uma impureza da Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Shabat nami deoraita hi”
שבת נמי דאורייתא היא - אתחומין פריך למימר דתחומין דאורייתא וכר' עקיבא במס' סוטה (דף ל:):

“O Shabat também é da Torá” — sobre os techumin a guemará pergunta, para dizer que os techumin são da Torá, segundo Rabi Akiva no tratado Sotá (folha 30b).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kassavar Rabi Yossi techumin derabanan”
ומשני קסבר רבי יוסי תחומין דרבנן - ומשום דלא ליתו לזלזולי בשאר ספיקות דמלאכת שבת ליכא למיגזר דלא דמו מלאכות לתחומין אבל טומאות דמו להדדי:

“E responde: Rabi Yossi sustenta que os techumin são dos Rabanan” — e, por receio de que se venha a desprezar as outras dúvidas dos trabalhos proibidos do Shabat, não há por que decretar, pois os trabalhos não se parecem com os techumin; mas as impurezas se parecem umas com as outras.

Nota

A indicação “(דף ל:)” no Rashi é uma marca de editor no hebraico, mantida, e foi traduzida como referência: Sotá 30b, onde a guemará diz, sobre a exposição de Rabi Akiva, “מָר סָבַר: תְּחוּמִין דְּאוֹרָיְיתָא, וּמָר סָבַר: דְּרַבָּנַן”. O terceiro lema do Rashi começa com “ומשני”, “e responde”, palavra que não está no texto da guemará. As explicações acrescentadas seguem o Rashi e a tradução de referência.

1248Esta é sua, aquela é do seu mestre
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא: הָא דִּידֵיהּ, הָא דְּרַבֵּיהּ. דַּיְקָא נָמֵי, דְּקָתָנֵי: אָמַר רַבִּי יוֹסֵי: אַבְטוּלְמוֹס הֵעִיד מִשּׁוּם חֲמִשָּׁה זְקֵנִים שֶׁסְּפֵק עֵירוּב כָּשֵׁר — שְׁמַע מִינַּהּ.

A guemará traz outra resposta: E, se quiseres, dize: Esta, a decisão rigorosa sobre a imersão, é sua própria opinião; aquela, a decisão leniente sobre o eruv, é do seu mestre. A linguagem da mishná também é precisa assim, pois ensina: “Disse Rabi Yossi: Avtolemos testemunhou em nome de cinco anciãos que o eruv duvidoso é válido”; Rabi Yossi apenas transmitiu o que ouviu, e talvez ele mesmo não o aceite. De fato, conclui-se disto.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “didei”
דידיה - מחמיר אפילו בספק דרבנן ומתניתין דרביה אבטולמוס היא:

“Sua” — Rabi Yossi é rigoroso mesmo numa dúvida dos Rabanan; e a mishná é a opinião do seu mestre, Avtolemos.

Nota

A citação é da Mishná Eruvin 3:4; a edição avulsa diz “אַבְטוֹלְמוֹס הֵעִיד מִשּׁוּם חֲמִשָּׁה זְקֵנִים עַל סְפֵק עֵרוּב שֶׁכָּשֵׁר”, com pequena diferença de redação; o sentido é o mesmo. A resposta segue o mesmo modelo da que foi dada sobre Rabi Meir em Eruvin 35b (bloco 1240).

1249Mantém o impuro na sua chazaká
Rava
רָבָא אָמַר, הָתָם הַיְינוּ טַעְמָא דְּרַבִּי יוֹסֵי: הַעֲמֵד טָמֵא עַל חֶזְקָתוֹ, וְאֵימָא לֹא טָבַל.

A guemará traz ainda outra resposta: Rava disse: Lá, nos mikvaot, esta é a razão de Rabi Yossi: Mantém o impuro na sua chazaká de impureza, e dize que não imergiu como se deve; mas, no eruv, há também uma chazaká para a leniência.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “haamed tamé al chezkato”
העמד טמא על חזקתו - כוליה חזקה לחומרא איכא לקולא ליכא אבל מתניתין איכא חזקה לקולא ולחומרא העמד אדם על חזקת תחום ביתו ואמר לא עירב העמד תרומה על חזקתה ועירב ובדרבנן לקולא אזלינן:

“Mantém o impuro na sua chazaká” — toda a chazaká é para o rigor, e para a leniência não há; mas na mishná há chazaká para a leniência e para o rigor: para o rigor, mantém o homem na chazaká do techum da sua casa e dize que não fez eruv; para a leniência, mantém a terumá na sua chazaká, e assim fez eruv; e numa regra dos Rabanan seguimos a leniência.

Nota

A última frase acrescentada no texto segue o Rashi, que explica por que, no eruv, Rabi Yossi é leniente.

1250Um mikvê que não foi medido
A guemará
אַדְּרַבָּה הַעֲמֵד מִקְוֶה עַל חֶזְקָתוֹ, וְאֵימָא לֹא חָסַר! בְּמִקְוֶה שֶׁלֹּא נִמְדַּד.

A guemará objeta: Pelo contrário, mantém o mikvê (banho ritual) na sua chazaká de validade, e dize que não lhe faltava a medida de quarenta seá de água! A guemará responde: Trata-se de um mikvê que não foi medido desde o início, e por isso nunca teve chazaká de validade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shelo nimdad”
שלא נמדדה - מתחילתה ולא עמדה בחזקת כשרות:

“Que não foi medido” — desde o seu início, e não esteve nunca na chazaká de validade.

Nota

O lema do Rashi diz “שלא נמדדה”, no feminino, onde o texto diz “שֶׁלֹּא נִמְדַּד”; o sentido é o mesmo.

Qual é o eruv duvidoso que é válido: a baraita · סְפֵק עֵירוּב כָּשֵׁר

1251Terumá impura e frutos corrigidos
A baraita
תַּנְיָא: כֵּיצַד אָמַר רַבִּי יוֹסֵי סְפֵק עֵירוּב כָּשֵׁר? עֵירַב בִּתְרוּמָה, סָפֵק מִבְּעוֹד יוֹם נִטְמֵאת סָפֵק מִשֶּׁחָשֵׁיכָה נִטְמֵאת; וְכֵן בְּפֵירוֹת, סָפֵק מִבְּעוֹד יוֹם נִתַּקְּנוּ סָפֵק מִשֶּׁחָשֵׁיכָה נִתַּקְּנוּ — זֶה הוּא סָפֵק עֵירוּב כָּשֵׁר.

Foi ensinado numa baraita: Em que caso disse Rabi Yossi que o eruv duvidoso é válido? Se alguém fez eruv com terumá que era pura e se tornou impura, e há dúvida se se tornou impura enquanto ainda era dia, antes de entrar o Shabat, dúvida se se tornou impura só depois que escureceu; e assim também com frutos de tevel (produto do qual ainda não se separaram a terumá e os dízimos), e há dúvida se foram corrigidos, isto é, dizimados, enquanto ainda era dia, dúvida se foram corrigidos só depois que escureceu: este é o eruv duvidoso que Rabi Yossi disse que é válido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “erev bitrumá”
עירב בתרומה - טהורה ונטמאת משהניחה שם:

“Fez eruv com terumá” — pura, e ela se tornou impura depois que a pôs ali.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “safek mibeod yom nitmeat safek mishechashecha nitmeat”
ספק מבעוד יום נטמאת ספק משחשיכה נטמאת - אמרינן אוקמיה בין השמשות אחזקת' קמייתא וטהורה הואי והשתא משחשיכה הוא דאיטמי:

“Dúvida se se tornou impura enquanto ainda era dia, dúvida se se tornou impura depois que escureceu” — dizemos: Mantém-na, durante o crepúsculo, na sua primeira chazaká, e pura estava, e só agora, depois que escureceu, é que se tornou impura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vechen beperot”
וכן בפירות - של טבל:

“E assim com frutos” — de tevel.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “safek mibeod yom nitakenu”
ספק מבעוד יום נתקנו - לאחר שהניחן שם:

“Dúvida se foram corrigidos enquanto ainda era dia” — depois que os pôs ali.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “safek mishechashecha nitakenu”
ספק משחשיכה נתקנו - ולא קנה עירוב כדתנן במתני' אבל לא בטבל ולקמן פריך בהאי מה חזקת כשרות איכא דמכשר רבי יוסי דהא איכא למימר העמד טבל על חזקתו:

“Dúvida se foram corrigidos depois que escureceu” — e então o eruv não adquiriu, como aprendemos na mishná: “Mas não com tevel”; e adiante a guemará pergunta sobre isto: que chazaká de validade há aqui, para que Rabi Yossi o valide, se há que dizer: Mantém o tevel na sua chazaká?

Nota

Esta baraita está na Tosefta Eruvin 2:16 (edição Lieberman no Sefaria; 2:11 na edição de Vilna), que começa com a frase de Avtolemos e diz “אִי זֶהוּ סְפֵק הָעֵירוּב כָּשֵׁר”, com pequenas diferenças de redação. A regra “Mas não com tevel”, citada pelo Rashi, é da Mishná Eruvin 3:2: “אֲבָל לֹא בְטֶבֶל”.

1252Dúvida desde o início
A baraita
אֲבָל עֵירַב בִּתְרוּמָה, סָפֵק טְהוֹרָה סָפֵק טְמֵאָה; וְכֵן בְּפֵירוֹת, סָפֵק נִתַּקְּנוּ סָפֵק לֹא נִתַּקְּנוּ — אֵין זֶה סְפֵק עֵירוּב כָּשֵׁר.

Mas se fez eruv com terumá sobre a qual havia, desde o início, dúvida se era pura, dúvida se era impura; e assim também com frutos sobre os quais havia dúvida se foram corrigidos, dúvida se não foram corrigidos: este não é o eruv duvidoso que Rabi Yossi disse que é válido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “safek teméa safek tehorá”
ספק טמאה ספק טהורה - דקודם שהניחה שם נולד לה ספק ולא היה שם חזקת הכשר עירוב מעולם:

“Dúvida se é impura, dúvida se é pura” — pois, antes que a pusesse ali, surgiu para ela a dúvida, e nunca houve ali chazaká de validade do eruv.

Nota

O lema do Rashi diz “ספק טמאה ספק טהורה”, na ordem inversa à do texto, “סָפֵק טְהוֹרָה סָפֵק טְמֵאָה”; o sentido é o mesmo.

1253Em que difere a terumá dos frutos?
A guemará
מַאי שְׁנָא תְּרוּמָה — דְּאָמַר הַעֲמֵד תְּרוּמָה עַל חֶזְקָתָהּ, וְאֵימָא טְהוֹרָה הִיא; פֵּירוֹת נָמֵי — הַעֲמֵד טֶבֶל עַל חֶזְקָתוֹ, וְאֵימָא לֹא נִתַּקְּנוּ!

A guemará pergunta: Em que difere o caso da terumá, em que se diz: Mantém a terumá na sua chazaká de pureza, e dize que ainda era pura quando entrou o Shabat? Nos frutos também se deveria dizer: Mantém o tevel na sua chazaká, e dize que não foram corrigidos antes de entrar o Shabat, e o eruv deveria ser inválido!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mai shna terumá”
מאי שנא תרומה - דרישא ספק מבעוד יום ניטמא ספק משחשיכה דמכשר ר' יוסי משום חזקה קמייתא:

“Em que difere a terumá” — do início da baraita: dúvida se se tornou impura enquanto ainda era dia, dúvida se depois que escureceu, que Rabi Yossi valida por causa da primeira chazaká?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “perot”
פירות - ספק מבעוד יום נתקנו ספק משחשיכה נוקמינהו נמי אחזקה קמייתא דטבל הוו וליפסול:

“Frutos” — dúvida se foram corrigidos enquanto ainda era dia, dúvida se depois que escureceu: mantenhamo-los também na primeira chazaká, pois eram tevel, e invalidemos o eruv!

1254Não digas “corrigidos”, mas “misturados”
A guemará
לָא תֵּימָא: סָפֵק מִבְּעוֹד יוֹם נִתַּקְּנוּ, אֶלָּא אֵימָא: סָפֵק מִבְּעוֹד יוֹם נִדְמְעוּ, סָפֵק מִשֶּׁחָשֵׁיכָה נִדְמְעוּ.

A guemará responde: Corrige a baraita: Não digas: Dúvida se foram corrigidos enquanto ainda era dia; mas dize: Dúvida se foram nidmeu (misturados com terumá) enquanto ainda era dia, dúvida se foram misturados só depois que escureceu. Nesse caso, mantêm-se os frutos na sua chazaká de antes da mistura, e dize que não foram misturados enquanto ainda era dia; por isso o eruv é válido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “nidmeu”
נדמעו - חולין הוו מעיקרא מתוקנין ונפלה בהן תרומה ונדמעו והאי תנא סבר לה כסומכוס דאמר (לעיל עירובין דף כו:) אין מערבין לישראל בתרומה הלכך אם מבע"י נדמעו אע"ג דחזי לכהנים אין עירובו עירוב ל"א נדמעו שנפל לתוכן טבל דלא חזי אפילו לכהן:

“Foram misturados” — eram chulin desde o início, corrigidos, isto é, já dizimados, e caiu neles terumá e foram misturados; e este Taná sustenta como Sumchus, que disse (acima, Eruvin 26b): Não se faz eruv para um israelita com terumá; por isso, se foram misturados enquanto ainda era dia, embora os frutos sejam próprios para os kohanim, o seu eruv não é eruv. Outra explicação: nidmeu, isto é, que caiu dentro deles tevel, que não é próprio nem para o kohen.

Nota

Seguimos no texto a primeira explicação do Rashi, “misturados com terumá”; a tradução de referência segue a outra explicação do Rashi: os frutos se misturaram com tevel. A indicação “(לעיל עירובין דף כו:)” no Rashi é uma marca de editor no hebraico, mantida, e foi traduzida como referência: Eruvin 26b, onde está a Mishná Eruvin 3:1, “מְעָרְבִין… וּלְיִשְׂרָאֵל בִּתְרוּמָה. סוֹמְכוֹס אוֹמֵר: בְּחוּלִּין”; o Rashi resume a opinião de Sumchus com outras palavras.

Os dois pães, um impuro e um puro · שְׁתֵּי כִכָּרוֹת

1255Fazei eruv para mim com o puro
Rav Shmuel bar Rav Yitzchak
בְּעָא רַב שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק מֵרַב הוּנָא: הָיוּ לְפָנָיו שְׁתֵּי כִכָּרוֹת, אַחַת טְמֵאָה וְאַחַת טְהוֹרָה, וְאָמַר: עָירְבוּ לִי בַּטְּהוֹרָה בְּכׇל מָקוֹם שֶׁהִיא, מַהוּ?

Rav Shmuel bar Rav Yitzchak perguntou a Rav Huna: Se havia diante dele dois pães de terumá, um impuro e um puro, e ele não sabia qual era o puro, e disse: Fazei eruv para mim com o puro, onde quer que ele esteja, e puseram os dois juntos, qual é a lei? O eruv é válido ou não?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “eravu li batehorá bechol makom shehi”
עירבו לי בטהורה בכל מקום שהיא - והניחום שתיהן יחד בסוף התחום ובככרות של תרומה עסקינן דאי בחולין חולין טמאין מותרין הן דלאו כל אדם אוכל חוליו בטהרה:

“Fazei eruv para mim com o puro, onde quer que ele esteja” — e puseram os dois juntos no fim do techum; e tratamos de pães de terumá, pois, se fossem de chulin (alimento não consagrado), chulin impuros são permitidos, pois nem toda pessoa come o seu chulin em pureza.

Nota

O acréscimo “de terumá” segue o Rashi e a tradução de referência.

1256Segundo Rabi Meir ou segundo Rabi Yossi
A guemará
תִּיבְּעֵי לְרַבִּי מֵאִיר, תִּיבְּעֵי לְרַבִּי יוֹסֵי. תִּיבְּעֵי לְרַבִּי מֵאִיר: עַד כָּאן לָא קָאָמַר רַבִּי מֵאִיר הָתָם — דְּלֵיכָּא טְהוֹרָה. הָכָא — הָא אִיכָּא טְהוֹרָה. אוֹ דִילְמָא: אֲפִילּוּ לְרַבִּי יוֹסֵי, לָא קָאָמַר אֶלָּא הָתָם, דְּאִם אִיתָא דְּהִיא טְהוֹרָה — יָדַע לַהּ. אֲבָל הָכָא, הָא לָא יָדַע לַהּ?

A guemará esclarece: Pode-se perguntar segundo Rabi Meir, e pode-se perguntar segundo Rabi Yossi. Pode-se perguntar segundo Rabi Meir: Até aqui, Rabi Meir só falou, lá, que o eruv duvidoso é inválido, porque não há terumá com certeza pura; mas aqui, eis que há um pão com certeza puro, e talvez até Rabi Meir seja leniente. Ou talvez se diga que, mesmo segundo Rabi Yossi, ele só falou, lá, que o eruv duvidoso é válido, porque, se de fato ela é pura, ele a conhece, isto é, sabe onde ela está; mas aqui, eis que ele não a conhece?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “deleika tehorá”
דליכא טהורה - ודאית דשמא מבעוד יום נטמאת:

“Que não há pura” — certa, pois talvez se tornou impura enquanto ainda era dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “o dilma afilu Rabi Yossi”
או דילמא אפילו ר' יוסי - לא מכשר במתני' אלא משום דאי טהורה היא הא ידע לה היכא היא ואיזו היא סעודתו ומשום ספק טומאה לא מיפסלא דאמר אוקמא אחזקה:

“Ou talvez mesmo Rabi Yossi” — não valida o eruv na mishná senão porque, se ela é pura, ele sabe onde ela está e qual é a sua refeição, e por causa da dúvida de impureza não fica invalidada, pois diz: Mantém-na na sua chazaká.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aval hacha la yada”
אבל הכא לא ידע - הי ניהו סעודתו:

“Mas aqui não sabe” — qual é a sua refeição.

Nota

Os lemas do Rashi diferem levemente do texto: “או דילמא אפילו ר׳ יוסי”, sem “לְ”, e “אבל הכא לא ידע”, sem “הָא” nem “לַהּ”; o sentido é o mesmo.

1257Precisamos de uma refeição própria
Rav Huna
אֲמַר לֵיהּ: בֵּין לְרַבִּי יוֹסֵי בֵּין לְרַבִּי מֵאִיר בָּעִינַן סְעוּדָה הָרְאוּיָה מִבְּעוֹד יוֹם — וְלֵיכָּא.

Rav Huna disse-lhe: Tanto segundo Rabi Yossi quanto segundo Rabi Meir, precisamos de uma refeição que seja própria para comer enquanto ainda é dia, antes de entrar o Shabat, e aqui não há, pois, por causa da dúvida sobre qual pão é o puro, nenhum dos dois pode ser comido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bainan seudá haraui mibeod yom veleika”
בעינן סעודה הראויה מבע"י וליכא - ואין עירובו כלום דאפילו חמר גמל לא הוי דבשלמא מתני' סעודה הראויה הואי והשתא הוא דאיתיליד בה ספק:

“Precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia, e não há” — e o seu eruv não é nada, pois nem sequer é caso de chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo); pois, na mishná, compreende-se: era uma refeição própria, e só agora é que surgiu nela a dúvida.

Nota

O lema do Rashi abrevia “מבעוד יום” como “מבע״י”. “Chamar gamal” é a expressão da Mishná Eruvin 3:4 para quem fica preso entre dois lugares, pois só pode andar o que é permitido a partir de ambos; o Rashi diz que aqui nem isso há, pois o eruv não é nada.

Hoje profano e amanhã consagrado · הַיּוֹם חוֹל וּלְמָחָר קֹדֶשׁ

1258Este pão, hoje profano e amanhã consagrado
Rava e Rav Nachman
בְּעָא מִינֵּיהּ רָבָא מֵרַב נַחְמָן: כִּכָּר זוֹ הַיּוֹם חוֹל וּלְמָחָר קֹדֶשׁ, וְאָמַר: עָירְבוּ לִי בָּזֶה, מַהוּ? אֲמַר לֵיהּ: עֵירוּבוֹ עֵירוּב.

Rava perguntou a Rav Nachman: Se alguém disse na véspera do Shabat: Este pão, hoje será profano, e amanhã, consagrado; e disse: Fazei eruv para mim com este, qual é a lei? Será que, como o crepúsculo é duvidoso, a consagração pode ter recaído sobre ele antes de o eruv adquirir, e não se faz eruv com hekdesh (bens consagrados)? Rav Nachman disse-lhe: O seu eruv é eruv.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kikar zo”
ככר זו כו' - אמר על ככר אחת בע"ש היום יהא חול ולמחר יהא קדש ועירב שלוחו בה:

“Este pão etc.” — disse sobre um pão, na véspera do Shabat: Hoje será profano e amanhã será consagrado; e o seu emissário fez eruv com ele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ma hu”
מהו - הואיל ובין השמשות ספק הוא חיישינן דילמא קודם קניית עירוב חל עליה הקדש ואין מערבין בהקדש או לא אמרינן הכי:

“Qual é a lei” — já que o crepúsculo é duvidoso, receamos que talvez, antes da aquisição do eruv, tenha recaído sobre ele a consagração, e não se faz eruv com hekdesh; ou não dizemos assim?

1259Hoje consagrado e amanhã profano
Rava e Rav Nachman
הַיּוֹם קֹדֶשׁ וּלְמָחָר חוֹל, וְאָמַר: עָירְבוּ לִי בָּזֶה, מַהוּ? אֲמַר לֵיהּ: אֵין עֵירוּבוֹ עֵירוּב. מַאי שְׁנָא?

Rava perguntou ainda: Se disse: Hoje será consagrado e amanhã, profano, isto é, será resgatado com moedas que tenho em casa; e disse: Fazei eruv para mim com este, qual é a lei? Rav Nachman disse-lhe: O seu eruv não é eruv. Rava perguntou-lhe: Em que difere um caso do outro?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hayom tehé kodesh ulmachar tehé chol”
היום תהא קודש ולמחר תהא חול - על מעות שיש לי בבית מהו מי אמרינן כי מטא בין השמשות נפק ליה מקדושתיה וקנה עירוב או לא:

“Hoje será consagrado e amanhã será profano” — resgatado com moedas que tenho em casa; qual é a lei? Será que dizemos que, quando chega o crepúsculo, sai da sua santidade, e o eruv adquire, ou não?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “umai shna”
ומאי שנא - הא בין השמשות ספיקא הוא מאי שנא הכא לקולא והכא לחומרא:

“E em que difere” — eis que o crepúsculo é uma dúvida; em que difere, que aqui se vai para a leniência e ali para o rigor?

Nota

O primeiro lema do Rashi diz “היום תהא קודש ולמחר תהא חול”, com “תהא” (“será”), que não está no texto, e o segundo diz “ומאי שנא”, com “e”; o sentido é o mesmo. A explicação do resgate com moedas segue o Rashi e a tradução de referência.

1260Um kor de sal
Rav Nachman
אֲמַר לֵיהּ: לְכִי תֵּיכוּל עֲלֵיהּ כּוֹרָא דְמִלְחָא: הַיּוֹם חוֹל וּלְמָחָר קֹדֶשׁ — מִסְּפֵיקָא לָא נָחֲתָא לֵיהּ קְדוּשָּׁה. הַיּוֹם קֹדֶשׁ וּלְמָחָר חוֹל — מִסְּפֵיקָא לָא פָּקְעָא לֵיהּ קְדוּשְׁתֵּיהּ מִינֵּיהּ.

Rav Nachman disse-lhe: Quando medires por isto um kor (grande medida de secos) de sal, e mo deres, dir-te-ei a razão: quando disse: Hoje profano e amanhã consagrado, por uma dúvida não desce sobre ele a santidade, e por isso o pão continua profano no crepúsculo, e o eruv é válido; quando disse: Hoje consagrado e amanhã profano, por uma dúvida não sai dele a sua santidade, e por isso o pão continua consagrado no crepúsculo, e o eruv é inválido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lechi teichul ala kora demilcha”
לכי תיכול עלה כורא דמילחא - לכשתמדוד כור של מלח על דבר זה ותתנהו לי אומר לך טעמו:

“Quando medires por isto um kor de sal” — quando medires um kor de sal por esta coisa e mo deres, dir-te-ei a sua razão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hayom chol ulmachar kodesh”
היום חול ולמחר קודש - ובין השמשות דקניית עירוב ספיקא הוא ומספיקא לא תפקיה ממילתיה קמייתא וכן סיפא:

“Hoje profano e amanhã consagrado” — e o crepúsculo, momento da aquisição do eruv, é uma dúvida, e por uma dúvida não o tires da sua primeira condição; e assim também o final.

Nota

Seguimos no texto o Rashi, que entende “תֵּיכוּל” como “medires” e lê a frase como um pedido de pagamento pela resposta. A tradução de referência traduz “comeres”: depois de comeres um kor de sal sobre isto, isto é, depois de examinares longamente o assunto. O lema do Rashi diz “לכי תיכול עלה כורא דמילחא”, com “עלה” onde o texto diz “עֲלֵיהּ”; o sentido é o mesmo.

O frasco do tevul yom: o fim do dia adquire o eruv · סוֹף הַיּוֹם קוֹנֶה עֵירוּב

1261Terumat maaser quando escurecer
A guemará
תְּנַן הָתָם: לָגִין טְבוּל יוֹם שֶׁמִּלְּאוֹ מִן הֶחָבִית שֶׁל מַעֲשֵׂר טֶבֶל, וְאָמַר: הֲרֵי זֶה תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר לִכְשֶׁתֶּחֱשַׁךְ — דְּבָרָיו קַיָּימִין.

Aprendemos lá, numa mishná: Se alguém encheu um frasco que é tevul yom (que foi imerso hoje e só fica puro ao pôr do sol), tirando do barril de maaser (dízimo) que ainda é tevel, isto é, do qual ainda não se separou a terumat maaser (a terumá do dízimo), e disse: Eis que isto é terumat maaser quando escurecer, as suas palavras se mantêm, pois ao escurecer o frasco já está puro, e a terumat maaser não se torna impura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shel maaser”
של מעשר - ראשון שהיה עדיין טבל שלא הפריש הלוי ממנה תרומת מעשר והרי הוא במיתה בעודו טבל ואפילו לכהנים ולא חזי לעירוב ולגבי לגין טבול יום בעודו טבל לא פסיל דטבול יום מותר בנגיעה לחולין ולמעשר ואע"ג דפתיכא ביה תרומה שלא הורמה ואמר הרי זו שבלגין תרומת מעשר על החבית לכשתחשך ויעריב שמשו שתהא כשרה לתרומה:

“De maaser” — maaser rishon, que ainda era tevel, pois o levita não separou dele a terumat maaser, e comê-lo é passível de morte enquanto é tevel, mesmo para os kohanim, e não é próprio para o eruv; e, quanto ao frasco tevul yom, enquanto o conteúdo é tevel, o frasco não o invalida, pois o tevul yom é permitido no contato com chulin e com o maaser, embora esteja misturada nele terumá que não foi separada; e disse: Eis que isto que está no frasco é terumat maaser sobre o barril quando escurecer e o seu sol se puser, para que ela seja própria como terumá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “devarav kayamin”
דבריו קיימין - והתרומה טהורה:

“As suas palavras se mantêm” — e a terumá é pura.

Nota

A mishná citada é a Mishná Tevul Yom 4:4 (numeração do Sefaria): “לָגִין שֶׁהוּא טְבוּל יוֹם, וּמִלְּאָהוּ מִן הֶחָבִית מַעֲשֵׂר טֶבֶל”, com diferenças de redação em relação à citação da guemará (por exemplo, “מִשֶּׁתֶּחְשַׁךְ” e “הֲרֵי זוֹ תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר”); o sentido é o mesmo. Não é uma nova mishná deste tratado, mas uma mishná de outro tratado trazida pela guemará.

1262O fim do dia adquire o eruv
A guemará e Rava
וְאִם אָמַר: עָירְבוּ לִי בָּזֶה — לֹא אָמַר כְּלוּם. אָמַר רָבָא זֹאת אוֹמֶרֶת: סוֹף הַיּוֹם קוֹנֶה עֵירוּב,

E a mishná continua: E, se disse: Fazei eruv para mim com este, não disse nada, pois, quando chega o crepúsculo, o conteúdo do frasco ainda é tevel. Rava disse: Isto quer dizer que o fim do dia, isto é, o último momento da véspera do Shabat, adquire o eruv…

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veim amar eravu li bazé lo amar klum”
ואם אמר עירבו לי בלגין זה לא אמר כלום - הואיל וכי מטא בין השמשות אכתי טבל הוה:

“E, se disse: Fazei eruv para mim com este frasco, não disse nada” — já que, quando chega o crepúsculo, ainda é tevel.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “sof hayom”
סוף היום - תחילת בין השמשות שהוא סוף היום של ע"ש:

“O fim do dia” — o início do crepúsculo, que é o fim do dia da véspera do Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “koné eruv”
קונה עירוב - וסוף היום אכתי טבל הוא:

“Adquire o eruv” — e, no fim do dia, o conteúdo do frasco ainda é tevel.

Nota

O lema do Rashi diz “עירבו לי בלגין זה”, “com este frasco”, onde o texto diz “בָּזֶה”. O daf termina no meio da frase de Rava, que continua em Eruvin 36b.