A guemará completa a lista do que há entre a razão de Shmuel, para quem o eruv vale por aquisição, e a de Rabba, para quem vale por moradia: também o menor que recolhe o eruv. Abaye objeta às duas razões a partir da baraita dos cinco que recolheram o seu eruv, em que um só o leva a outro pátio por todos, e Rabba responde que ele faz a agência de todos. Rabba traz, em nome de Rav Chama bar Gurya em nome de Rav, que a halachá dos três pátios é como Rabi Shimon. Começa então uma nova mishná: quem vinha pelo caminho e anoiteceu, e conhecia uma árvore ou uma cerca, e disse “a minha shevitá é debaixo dela”, não disse nada; se disse “no seu tronco”, anda quatro mil amot; quem não conhece ou não é perito adquire duas mil amot para cada lado do seu lugar, em círculo segundo Rabi Chanina ben Antigonos, em quadrado segundo os Sábios; e é isto que disseram: o pobre faz eruv com os pés, com a disputa de Rabi Meir e Rabi Yehuda. A guemará pergunta o que é “não disse nada”: para Rav, nem para debaixo da árvore pode ir; para Shmuel, não pode ir à sua casa, mas pode ir para debaixo da árvore, e o espaço debaixo dela torna-se chamar gamal, medido do norte ou do sul contra ele. O daf termina no meio desta explicação.
e um menor (que recolhe o eruv dos moradores do pátio).
Continuação da lista de Eruvin 49a (blocos 1733–1734) do que há entre a razão de Shmuel, aquisição, e a de Rabba, moradia; é o terceiro item da leitura que o Rashi traz ali, “כלי ושאין בו שוה פרוטה וקטן” (bloco 1733). Segundo o Rashi, para Shmuel não se pode fazer do menor agente para o eruv de pátios, pois ele não é capaz de adquirir nem de transferir; para Rabba, o menor recolhe o eruv, pois é o pão que os torna uma só moradia, e o menor não efetua coisa alguma. A tradução de referência (Steinsaltz) explica do mesmo modo. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Disse Abaye a Rabba: Para ti (que dizes: por causa de moradia) é difícil, e para Shmuel (que diz: por causa de aquisição) é difícil. Eis que foi ensinado numa baraita: Cinco moradores de um pátio que recolheram o seu eruv: quando levam o seu eruv para outro lugar (para fazer eruv com outro pátio), um deles o leva por todos. Mas, segundo Shmuel, ele é quem adquire, e mais ninguém; e, segundo Rabba, ele é quem mora, e mais ninguém!
“Para outro lugar” — isto é, que quiseram fazer eruv com outro pátio: põem dentro dele este seu eruv, que recolheram para permitir o seu próprio pátio.
“Um deles leva por todos” — em favor de todos; e, mesmo que só ele tenha dado um pão por eles (ao outro pátio), já que ele já fez eruv com os seus companheiros, adquire para a necessidade de todos.
A baraita diz que um só leva o eruv de todo o pátio ao outro pátio. Abaye objeta às duas razões: se o eruv é aquisição, só quem o leva adquiriria; se é moradia, só ele moraria; e os outros quatro ficariam de fora. Segundo o Rashi, o que leva adquire para todos, mesmo que só ele dê ali um pão por eles, porque antes já fez eruv com os seus companheiros. O lema do segundo comentário diz “אחד מהן מוליך ע"י כולן”, “um deles leva em nome de todos”, onde a baraita diz “אֶחָד מוֹלִיךְ לְכוּלָּן”.
Rabba disse-lhe: Nem para mim é difícil, nem para Shmuel é difícil: aquele que leva o eruv faz a agência de todos (e adquire, ou mora, em nome de cada um deles).
Quem responde é Rabba, a quem Abaye dirigiu a objeção; o hebraico diz só “אֲמַר לֵיהּ”, e a tradução de referência o entende assim. O que leva o eruv age como agente dos outros: segundo Shmuel, adquire em nome deles; segundo Rabba, estabelece em nome deles a moradia. “Faz a agência” traduz “שְׁלִיחוּת… קָא עָבֵיד”. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
A respeito dos três pátios, disse Rabba, disse Rav Chama bar Gurya, disse Rav: A halachá é como Rabi Shimon na mishná (o do meio está permitido com os exteriores, e eles com ele).
“Como Rabi Shimon” — que diz: “Ele está permitido com eles, e eles estão permitidos com ele”.
A palavra volta aos três pátios da mishná de Rabi Shimon (Eruvin 45b, bloco 1577), discutidos no fim de Eruvin 48b e no começo de Eruvin 49a (blocos 1708–1712). Segundo o Rashi, a halachá é a das próprias palavras da mishná: o pátio do meio está permitido com os exteriores, e eles com ele; os dois exteriores continuam proibidos um com o outro. É a leitura de Rav (Eruvin 48b, bloco 1708), e não a de Shmuel, para quem nem Rabi Shimon permitiu o do meio nos exteriores (Eruvin 49a, bloco 1710). A tradução de referência explica do mesmo modo. O Rashi escreve “כר"ש”, abreviatura de “כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן”, e cita a mishná no masculino, “והן מותרין עמה”, onde ela diz “וְהֵם מוּתָּרוֹת עִמָּהּ”.
MISHNÁ. Quem vinha pelo caminho na véspera do Shabat e anoiteceu para ele, e conhecia uma árvore ou uma cerca (a duas mil amot de onde estava), e disse: “A minha shevitá (lugar de repouso de Shabat) é debaixo dela”, não disse nada (não adquiriu ali a shevitá).
MISHNÁ. “Quem vinha pelo caminho e anoiteceu para ele” — assim lemos.
“E conhecia uma árvore ou uma cerca” — e ela está no fim de duas mil amot a partir do lugar dos seus pés, e da árvore até a sua casa há duas mil.
“E disse: A minha shevitá é debaixo dela” — como se dissesse: e dali terei duas mil amot; pois, embora agora o dia já esteja santificado, pode ir duas mil amot até lá, que é o lugar da sua shevitá; e por isso tem duas mil para cá e duas mil para o lado da sua casa.
“Não disse nada” — a razão disso explica-se na guemará.
“Cerca” — isto é, um muro de pedras.
Encerrada a guemará sobre a mishná dos que repousaram no caminho e dos três pátios de Rabi Shimon (Mishná Eruvin 4:6, em Eruvin 45a–45b), inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Dalet (Mi SheHotziuhu), que corresponde à Mishná Eruvin 4:7 na numeração das edições avulsas da Mishná (conferido); ela continua no bloco 1740. Os blocos 1741–1742 correspondem à Mishná Eruvin 4:8, e o bloco 1743 à Mishná Eruvin 4:9 (conferidas), sem nova marca de mishná no Talmud. Trata de quem estava no caminho ao anoitecer da véspera do Shabat e quis adquirir a shevitá num ponto distante, sem pão: segundo o Rashi, a árvore está a duas mil amot de onde ele está, e a sua casa a duas mil amot além da árvore. Declarar a shevitá “debaixo dela” não vale, e a guemará explica por quê (blocos 1744–1748). O primeiro comentário do Rashi diz apenas “גרסינן”, “assim lemos”, confirmando a leitura do início da mishná. Na edição avulsa lê-se “בַדֶּרֶךְ”, “pelo caminho”, com artigo, onde o Talmud diz “בְּדֶרֶךְ”, sem artigo; o sentido não muda.
Se disse: “A minha shevitá é no seu tronco” (da árvore), adquiriu-a ali, e anda do lugar dos seus pés até o seu tronco duas mil amot, e do seu tronco até a sua casa outras duas mil amot. Resulta que anda, desde que anoiteceu, quatro mil amot.
Continuação da Mishná Eruvin 4:7. Segundo o Rashi (no comentário que o Sefaria liga ao bloco 1741), quem diz “no seu tronco” especificou o lugar e sabe que do tronco até a sua casa não há mais de duas mil amot; adquire a shevitá no tronco, e ela lhe dá duas mil amot para o lado de onde está e duas mil para o lado da sua casa. Na edição avulsa lê-se “בְעִקָּרוֹ”, “עִקָּרוֹ” e “מִשֶּׁחֲשֵׁכָה”, onde o Talmud diz “בְּעִיקָּרוֹ”, “עִיקָּרוֹ” e “מִשֶּׁחָשֵׁיכָה”; são diferenças de grafia. O Sefaria não liga a este segmento nenhum comentário do Rashi.
Se não conhece uma árvore ou uma cerca, ou se não é perito na halachá (e não sabe que lhe valeria declarar a shevitá ali), e por isso disse: “A minha shevitá é no meu lugar”, o seu lugar lhe adquire duas mil amot para cada lado (a partir de onde está).
“Disse: A minha shevitá é no seu tronco” — e ele sabe que do seu tronco até a sua casa não há mais de duas mil amot: adquiriu para si shevitá no seu tronco, já que especificou o seu lugar; e essa shevitá lhe adquire duas mil amot para o lado dos seus pés e duas mil para o lado da sua casa.
“E se não conhece” — isto é, uma árvore ou uma cerca.
“Ou não é perito na halachá” — e não sabe que lhe seria útil, e por isso não disse assim.
A disputa de Rabi Chanina ben Antigonos e dos Sábios, a respeito das amot redondas ou quadradas, explica-se na guemará.
Corresponde à Mishná Eruvin 4:8 na edição avulsa (conferido). Segundo o Rashi, “não conhece” é quem não conhece uma árvore ou uma cerca, e “não é perito” é quem não sabe que lhe valeria declarar a shevitá à distância e por isso não o diz. O Sefaria liga a este segmento o comentário “אמר שביתתי בעיקרו”, cujo lema é do bloco 1740, e o comentário sobre a disputa de Rabi Chanina ben Antigonos e dos Sábios, que é do bloco 1742 e não tem lema separado; mantemo-los onde o Sefaria os põe. O lema “אמר שביתתי בעיקרו” acrescenta “אמר” ao texto da mishná, e o lema “או אינו בקי בהלכה” diz “או אינו” onde a mishná diz “אוֹ שֶׁאֵינוֹ”. “Rabanan” (“ורבנן”) traduz-se “os Sábios”. Na edição avulsa lê-se “בָקִי בַהֲלָכָה” e “לְכָל”; são diferenças de grafia.
As duas mil amot são agulot (em círculo) — palavras de Rabi Chanina ben Antigonos. E os Sábios dizem: meruba'ot (em quadrado), como uma tábua quadrada, para que ganhe os cantos.
Continuação da Mishná Eruvin 4:8. Segundo a tradução de referência, para Rabi Chanina ben Antigonos as duas mil amot formam um círculo com raio de duas mil amot; para os Sábios, um quadrado de quatro mil amot de lado, de modo que nos cantos se ganha a diagonal, cerca de duas mil e oitocentas amot. O Rashi diz apenas que a disputa se explica na guemará (comentário ligado ao bloco 1741). Na edição avulsa lê-se “עֲגֻלּוֹת”, “מְרֻבָּעוֹת” e “שֶׁיְּהֵא”, onde o Talmud diz “עֲגוּלּוֹת”, “מְרוּבָּעוֹת” e “שֶׁיִּהְיֶה”; são diferenças de grafia e de forma, sem mudança de sentido. O Sefaria não liga a este segmento nenhum comentário do Rashi.
E é isto que disseram: O pobre faz eruv com os seus pés. Disse Rabi Meir: Nós não temos esta lei senão para o pobre. Rabi Yehuda diz: A lei vale tanto para o pobre quanto para o rico. Os Sábios não disseram que se faz eruv com pão senão para facilitar ao rico, para que não precise sair e fazer eruv com os pés.
“E é isto que disseram” — trata-se de um caso como este, que vem pelo caminho e não tem pão consigo, pois agora ele é pobre; a ele os Sábios permitiram fazer eruv com os pés, sem pão.
“E tanto o rico” — que está na sua casa e quer ir e estar ao escurecer no techum (limite de Shabat) e adquirir shevitá: é permitido.
“Para facilitar ao rico” — que possa enviar o eruv por meio de um emissário, e não se incomode ele mesmo.
É a Mishná Eruvin 4:9 (conferida), já citada em Eruvin 47a (blocos 1639–1640), onde o Talmud diz “וְזֶהוּ שֶׁאָמְרוּ” e “רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר”; a tradução segue a mesma redação. Aqui o Talmud lê, como a edição avulsa, “וְזוֹ הִיא שֶׁאָמְרוּ” e “אָמַר רַבִּי מֵאִיר”. Segundo o Rashi, “é isto que disseram” refere-se ao caso desta mishná: quem está no caminho sem pão é “pobre” naquele momento, e por isso pode adquirir a shevitá com os pés, isto é, declarando a sua morada num lugar sem depositar ali comida. A tradução de referência entende “o pobre” como quem não tem alimento para duas refeições; seguimos o Rashi. Em Eruvin 47a (bloco 1641), Rav manda concluir a mishná com “a halachá é como Rabi Yehuda”. O lema do primeiro comentário do Rashi diz “וזהו שאמרו”, como a guemará em 47a.
GUEMARÁ. Que é o sentido, na mishná, de “não disse nada”?
A guemará volta à primeira frase da mishná (bloco 1739). O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Disse Rav: Não disse nada, de modo algum (não adquiriu shevitá em lugar nenhum); pois nem mesmo para debaixo da árvore que indicou pode ir (e não se move do seu lugar).
GUEMARÁ. “Não disse nada, de modo algum” — e não se move do seu lugar; pois no lugar dos seus pés não tem shevitá, já que desarraigou dali a sua mente e o seu coração; e debaixo da árvore também não adquiriu shevitá, pois não especificou o lugar. E, embora todo o espaço debaixo da copa da árvore esteja dentro de duas mil amot do lugar dos seus pés, explica-se a razão de Rav adiante (em Eruvin 50a): já que não especificou que quatro amot escolheu para si debaixo da árvore, não é shevitá (válida).
“E Shmuel disse: Não disse nada quanto à sua casa, mas para debaixo da árvore pode ir” — adiante explica-se que, quando Shmuel disse a sua palavra, tratava-se do caso em que toda a copa da árvore está dentro de duas mil amot do lugar dos seus pés, de modo que quaisquer quatro amot que dás a ele para a shevitá debaixo dela lhe são todas adequadas. Por isso, quanto à sua casa, não disse nada, pois a sua casa dista do seu tronco duas mil amot, como ensina a mishná: “Do seu tronco até a sua casa, duas mil”; e talvez ele tenha escolhido para si as quatro primeiras amot que estão debaixo da árvore, as do seu lado (do lado de onde está), e dali até a sua casa há mais de duas mil, a saber, a mais toda a largura da copa da árvore. Mas para debaixo da árvore pode ir, pois, seja como for, quaisquer quatro amot que lhe dás debaixo dela para shevitá alcançam duas mil amot até o lugar dos seus pés.
Segundo o Rashi, para Rav quem disse “debaixo da árvore” perdeu as duas coisas: não tem shevitá onde está, porque desviou dali a sua intenção, nem debaixo da árvore, porque não especificou em que quatro amot sob a copa; por isso não se move do seu lugar. A tradução de referência diz que não pode andar mais de quatro amot de onde está. A razão de Rav é explicada no começo de Eruvin 50a, onde Rabba diz: “מַאי טַעְמָא דְּרַב — מִשּׁוּם דְּלָא מְסַיַּים אַתְרֵיהּ” (conferido). O Sefaria liga a este segmento também o comentário do Rashi sobre a palavra de Shmuel, que é do bloco 1746; nele, “[תחתיו]” está entre colchetes, acréscimo do editor, e a tradução o inclui sem marca. A tradução de referência entende Shmuel como o Rashi: toda a copa está dentro de duas mil amot de onde ele está.
E Shmuel disse: Não disse nada quanto a ir à sua casa (duas mil amot além da árvore); mas para debaixo da árvore pode ir (se toda a copa está dentro de duas mil amot de onde está).
Segundo o Rashi (comentário ligado ao bloco 1745), Shmuel fala do caso em que toda a copa da árvore está dentro de duas mil amot de onde ele está: quaisquer quatro amot debaixo dela que se lhe atribuam, ele pode chegar até lá. Mas, como a casa está a duas mil amot do tronco, e talvez ele tenha escolhido as quatro amot da beira da copa do seu lado, a casa pode ficar além das duas mil; por isso não pode ir até ela. O Sefaria não liga a este segmento nenhum comentário do Rashi.
E o espaço debaixo da árvore torna-se chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo, puxado para os dois lados).
“E torna-se o espaço debaixo da árvore” — a largura da extensão da copa da árvore, se for larga, por exemplo, vinte ou trinta amot, torna-se para ele chamar gamal, isto é, puxa-o para cá e para lá.
O condutor de jumento vai atrás do animal, e o de camelo vai à frente; assim, quem está entre os dois é puxado para os dois lados. Segundo o Rashi, a largura da copa age assim: como não se sabe que quatro amot debaixo dela são a sua shevitá, em cada direção se lhe aplica a medida mais estrita. A expressão “chamar gamal” já apareceu em Eruvin 35a e 36a, e a glosa segue a daquelas páginas.
Se vem medir a partir do norte, medem-lhe a partir do sul; se vem medir a partir do sul, medem-lhe a partir do norte.
“Vem medir a partir do norte” — isto é, no fim da extensão da copa, para o lado da sua casa, duas mil amot, para que chegue à sua casa.
“Medem-lhe a partir do sul” — e diz-se: talvez ele tenha escolhido para si as quatro primeiras amot do lado dos seus pés, debaixo da árvore; e dali se lhe medem duas mil amot para a sua casa, e resulta que está distante dela trinta amot.
“Vem medir a partir do sul” — isto é, das quatro primeiras amot, duas mil para o lado dos seus pés, para que possa voltar para trás do lugar dos seus pés trinta amot.
“Medem-lhe a partir do norte” — talvez tenha escolhido para si as quatro amot do fim da árvore, para o lado da sua casa, e dali até o lugar dos seus pés tem duas mil amot, e não pode voltar para trás nem um passo. Mas, seja como for, tem quatro mil amot do lugar dos seus pés para o lado da sua casa, menos trinta amot; e perde o espaço da largura da árvore, porque não especificou. Outra versão: assim se explica “E Shmuel disse: Não disse nada quanto à sua casa” — que não tem nada da árvore para o lado da sua casa; “mas para debaixo da árvore pode ir” — pois Shmuel sustenta que adquiriu para si shevitá nos dois lugares: já que não especificou as suas quatro amot, não tem lugar reservado para si, nem debaixo da árvore nem no lugar dos seus pés, mas ou aqui ou ali; e, seja como for, tem as duas mil amot que há do lugar dos seus pés até a árvore. E, quando chega debaixo da árvore, torna-se para ele chamar gamal: se vem medir a partir do norte, da árvore até a sua casa, medem-lhe a partir do sul, do lugar dos seus pés; se vem medir a partir do lugar dos seus pés, para voltar para trás duas mil amot, medem-lhe a partir da árvore. Isto ouvi. E há contra isso objeções e dificuldades em demasia, segundo a linguagem do Talmud e o seu andamento. Uma: que pergunta a guemará: “Qual é a razão de Rav?” Deveria antes perguntar a razão de Shmuel, pois a palavra de Rav é mais razoável: no lugar dos seus pés não quis adquirir, e debaixo da árvore não adquiriu, pois não sabemos o que especificou. Mas Shmuel, que sustenta? Se é aquisição sem especificação, que adquira lá (debaixo da árvore); e, se não é aquisição, que não adquira nem aqui (no lugar dos seus pés) nem lá, pois aqui não quis adquirir. E mesmo Rabi Yochanan ben Nuri não disse a sua palavra senão sobre objetos sem dono ou sobre quem dorme; mas este, que disse expressamente: “Não quero adquirir aqui”, como adquirirá? E mais: que é a expressão “torna-se o espaço debaixo da árvore chamar gamal”? Assim deveria ter dito: “E Shmuel disse: Eis que este é chamar gamal”. E mais: que é “do norte” e “do sul”? Num só lugar de shevitá pode-se dizer “do seu norte” e “do seu sul”, mas em dois lugares esta linguagem não cabe.
Segundo a primeira explicação do Rashi, que a tradução segue: se quer medir a partir da borda norte da copa, do lado da sua casa, para chegar a ela, mede-se a partir da borda sul, do lado onde está, como se tivesse escolhido ali as suas quatro amot, e a casa fica além do limite tanto quanto a largura da copa (no exemplo do Rashi, trinta amot); se quer medir a partir do sul, para poder voltar para trás de onde está, mede-se a partir do norte, e não pode voltar nem um passo. Ao todo, tem quatro mil amot desde onde está até o lado da sua casa, menos a largura da copa, que perde por não ter especificado. O Rashi traz ainda outra versão, que diz ter ouvido, segundo a qual, para Shmuel, a shevitá fica em dúvida entre o lugar onde está e a árvore, e é esse espaço que se torna chamar gamal; e levanta contra ela três dificuldades a partir da linguagem da guemará. A tradução de referência explica no sentido da primeira explicação. Rabi Yochanan ben Nuri, lembrado pelo Rashi, é o da mishná de quem dormiu no caminho (Mishná Eruvin 4:5, em Eruvin 45a, bloco 1571) e da pergunta de Rava sobre os objetos sem dono (Eruvin 45b, bloco 1578). O Rashi escreve “ל"א”, abreviatura de “לשון אחר”, “outra versão”, e “הש"ס”, “o Talmud”. O lema do segundo comentário diz “מודדים”, onde a guemará diz “מוֹדְדִין”.