A baraita termina com a palavra de Rabi Yehuda, para quem, por causa da dúvida, quem fez eruv para o primeiro dia fica como chamar gamal, puxado em duas direções, e com a de Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, para quem o eruv do primeiro dia vale também para o segundo. Rav decide segundo os quatro anciãos e segundo Rabi Eliezer, que são duas kedushot; a guemará inverte a baraita, explica por que Rabi não é contado entre eles e diz que Rav o aprendeu por tradição. Depois da morte de Rav Huna, Rav Chisda aponta uma contradição: Rav proíbe num dia o ovo posto no outro; Rabba responde que isso é por causa da hachaná, a proibição de preparar no Yom Tov para o Shabat, segundo o versículo “E será, no sexto dia, que prepararão”. Abaye objeta a Rabba com a mishná, com o frasco tevul yom, com os dois eruvin de Rabi Eliezer e com a palavra de Rav Yehuda sobre o eruv com os pés; Rabba responde que o início do dia adquire o eruv, que os eruvin estão a mil amot da cidade, e que quem faz eruv com os pés vai, cala-se e senta-se, pois quem está acordado é como quem disse. Por fim, Rabba bar Rav Chanin começa a citar uma baraita sobre quem anda até o fim do seu campo no Shabat, que continua em Eruvin 39a.
…eis que este é chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo), puxado em duas direções: por causa da dúvida se os dois dias são uma só kedushá ou duas kedushot, ele age com rigor, como se o eruv feito para o primeiro dia valesse e também não valesse para o segundo, e só pode andar onde lhe seria permitido nos dois casos.
“Eis que este é chamar gamal” — talvez seja uma só kedushá, e o eruv lhe adquiriu a morada para os dois dias, e então perdeu as duas mil amot do lado oposto ao seu eruv, e aqui não adquiriu nada, senão as duas mil que tinha sem eruv; e talvez sejam duas kedushot, e o seu eruv só lhe adquiriu a morada para um dia, e a sua lei, no segundo, é ser como os habitantes da sua cidade, e aqui só tem duas mil amot. E, seja como for, nessas duas mil amot que ficam entre a sua cidade e o seu eruv, é permitido.
Continuação direta do bloco 1317 (Eruvin 38a), que termina: “Rabi Yehuda diz…”; aqui vem o restante da palavra de Rabi Yehuda na baraita. A expressão “chamar gamal” é a da Mishná Eruvin 3:4, já explicada em Eruvin 35a: quem conduz um jumento vai atrás do animal, e quem conduz um camelo vai à frente dele, de modo que quem faz as duas coisas é puxado em duas direções. A explicação em itálico segue a tradução de referência; o Rashi mostra a mesma coisa: por causa da dúvida, ele só pode andar nas duas mil amot que lhe são permitidas nos dois casos.
Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, dizem: Se fez eruv com os seus pés na véspera do primeiro dia, não faz eruv com os seus pés de novo, na véspera do segundo, pois o seu eruv continua valendo também para o segundo dia. E, se fez o eruv com comida, e o seu eruv foi comido no primeiro dia, ainda assim sai além do limite dos demais habitantes da cidade, apoiado nele, no segundo dia, pois desde o início o eruv lhe adquiriu a morada para os dois dias.
“Não faz eruv com os seus pés no segundo” — não precisa fazer eruv de novo, pois certamente são uma só kedushá, e é como um só dia longo.
O hebraico diz “אֵין מְעָרֵב”, literalmente “não faz eruv”; o Rashi explica que não precisa fazê-lo. Estes dois sábios dizem o contrário de Rabi no bloco 1316 (Eruvin 38a): para eles, os dois dias são certamente uma só kedushá, e não há dúvida, ao contrário de Rabi Yehuda no bloco anterior.
Rav disse: A halachá é segundo estes quatro anciãos, e segundo Rabi Eliezer, que disse: Quando o Shabat e o Yom Tov caem em dias seguidos, são duas kedushot. E estes são os quatro anciãos: Rabban Shimon ben Gamliel, e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, e Rabi Eliezer, filho de Rabi Shimon, e Rabi Yossi bar Yehuda, o setimta’a (aquele cujas palavras foram muitas vezes ensinadas na mishná sem o nome do autor). E há quem diga: Um deles é Rabi Elazar, e se retira da lista Rabi Yossi bar Yehuda, o setimta’a.
“Um deles é Rabi Elazar” — todo Rabi Elazar citado sem especificação no Talmud, que é tanaíta, é Rabi Elazar ben Shamua.
“Setimta’a” — chama assim todo aquele cujas palavras Rabi viu em muitos lugares e as ensinou na mishná sem especificação do nome.
“Setimta’a” (סְתִימְתָּאָה) vem de “סְתָם”, “sem especificação”: segundo o Rashi, é aquele cujas palavras Rabi, isto é, Rabi Yehuda HaNasi, o redator da Mishná, ensinou muitas vezes como mishná anônima. Rav decide como os quatro anciãos e como Rabi Eliezer, que no bloco 1308 (Eruvin 38a) diz que os dois dias são duas kedushot; a guemará logo mostra que isso parece contradizer a baraita do bloco 1319.
A guemará objeta: Mas não ouvimos de Rabban Shimon ben Gamliel e de Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, o contrário, isto é, que, na baraita citada acima, eles dizem que os dois dias são uma só kedushá? A guemará responde: Inverte as atribuições na baraita.
“Ouvimos deles o contrário” — acima, na baraita.
O Rashi remete à baraita do bloco 1319, onde Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael dizem que o eruv feito com os pés no primeiro dia vale para o segundo, isto é, que são uma só kedushá. Segundo a resposta, deve-se ler a baraita ao contrário, atribuindo-lhes a opinião de que são duas kedushot.
A guemará pergunta: Se é assim, isto é a mesma palavra de Rabi? Em que discordam? A guemará responde: Diz que não há disputa entre eles, e a baraita deve dizer assim: E assim disse Rabban Shimon ben Gamliel etc.
“E assim disse Rabi Shimon” — se o seu eruv foi comido no primeiro dia, não sai apoiado nele no segundo.
Invertida a baraita, Rabban Shimon ben Gamliel diria o mesmo que Rabi no bloco 1316 (Eruvin 38a); por isso a guemará corrige a leitura para “E assim disse”, isto é, ele concorda com Rabi. O lema do Rashi abrevia: “וכן א״ר שמעון”, “E assim disse Rabi Shimon”; refere-se a Rabban Shimon ben Gamliel, como diz o texto.
A guemará pergunta: E que se conte também Rabi Yehuda HaNasi entre estes anciãos, pois também ele diz que são duas kedushot! A guemará responde: Rabi apenas a ensinou, esta opinião, mas ele próprio não a sustenta.
“E que se conte também Rabi” — pois o ouvimos dizer isso acima explicitamente.
“Ensinou-a, mas não a sustenta” — e a disse segundo as palavras de Rabi Eliezer.
“Acima” é a baraita do bloco 1316 (Eruvin 38a), onde Rabi diz que o eruv feito com os pés precisa ser refeito no segundo dia. Segundo o Rashi, Rabi ensinou essa regra segundo o método de Rabi Eliezer, mas ele próprio não o sustenta; a tradução de referência explica que ele transmitiu o que recebeu dos seus mestres.
A guemará objeta: Se é assim, digamos que os Rabanan, isto é, Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, também a ensinaram, mas não a sustentam? A guemará responde: Rav a aprendeu por tradição, dos seus mestres, que estes quatro anciãos sustentam esta opinião.
“Os Rabanan também” — estes, Rabban Shimon e Rabi Yishmael: admitamos que a baraita ensina “e assim”; talvez eles a ensinaram e não a sustentam.
“Rav a aprendeu por tradição” — do seu mestre, que estes quatro anciãos sustentam como Rabi Eliezer; mas Rabi a ensinou e não a sustentou.
O hebraico diz “גְּמָרָא גְּמִיר לַהּ”, literalmente “aprendeu-a como tradição”, isto é, recebeu-a do seu mestre, e não a deduziu das baraitot. A identificação dos “Rabanan” com Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael segue o Rashi; a tradução de referência traduz “os Rabanan, Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael”, como se fossem três.
Quando a alma de Rav Huna repousou, isto é, quando faleceu Rav Huna, o principal discípulo de Rav, Rav Chisda entrou na casa de estudo para apontar uma contradição de Rav contra Rav: Acaso Rav disse: A halachá é segundo os quatro anciãos, e segundo Rabi Eliezer, que disse que, quando o Shabat e o Yom Tov caem em dias seguidos, são duas kedushot?
O hebraico diz “כִּי נָח נַפְשֵׁיהּ”, literalmente “quando a sua alma repousou”, expressão usual para a morte de um sábio. A identificação de Rav Huna como o principal discípulo de Rav segue a tradução de referência. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Mas não foi dito: Quanto ao Shabat e ao Yom Tov que caem em dias seguidos, Rav disse: Um ovo posto num deles é proibido no outro, como se fossem um só dia?
O hebraico diz “נוֹלְדָה בָּזֶה אֲסוּרָה בָּזֶה”, literalmente “nascida neste, proibida neste”, no feminino, referindo-se ao ovo (בֵּיצָה). A palavra de Rav está em Beitzá 4a (numeração do Sefaria), com a forma “אִתְּמַר” em lugar de “וְהָא אִיתְּמַר”, onde ela se opõe à de Rabi Yochanan. Segundo a tradução de referência, o ovo posto no Yom Tov é proibido no próprio dia, e Rav o proíbe também no dia seguinte; isso indica que os dois dias são uma só kedushá, e por isso Rav Chisda pergunta como Rav pode decidir que são duas. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Rabba disse: Ali, o ovo é proibido no segundo dia não porque os dois dias sejam uma só kedushá, mas por causa da hachaná (preparação), isto é, da proibição de preparar no Yom Tov para o Shabat, ou no Shabat para o Yom Tov.
O hebraico diz “רַבָּה”, Rabba, e não Rava. É a mesma resposta que, no bloco 1315 (Eruvin 38a), a guemará dá em nome de Rabi Eliezer. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Pois foi ensinado numa baraita: “E será, no sexto dia, que prepararão” (Shemot 16:5): o dia comum prepara para o Shabat, e o dia comum prepara para o Yom Tov; mas o Yom Tov não prepara para o Shabat, e o Shabat não prepara para o Yom Tov.
O versículo citado é Shemot 16:5, sobre o maná: “E será, no sexto dia, que prepararão o que trouxerem”. A mesma exposição aparece em Beitzá 2b, em nome de Rabba. Segundo a tradução de referência, conclui-se daqui que o ovo posto no Yom Tov é proibido no Shabat não porque sejam uma só kedushá, mas porque é proibido preparar num dia santo para outro. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Abaye disse-lhe: Mas e aquilo que aprendemos na mishná: Como faz? Ele ou o seu enviado leva-o, o eruv, ao lugar que quer estabelecer como morada, na véspera do primeiro dia, e escurece junto a ele, isto é, fica ali até o anoitecer, e então o toma e vai embora. No segundo, leva-o de volta e escurece junto a ele, e o come, se quiser, e vai embora. Eis que ele está preparando do Yom Tov para o Shabat!
A mishná citada é a parte central da Mishná Eruvin 3:6, trazida em Eruvin 38a (bloco 1306) com a forma “כֵּיצַד יַעֲשֶׂה”; aqui a guemará diz “כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה”, como em Eruvin 33b. Segundo a tradução de referência, o Yom Tov cai na sexta-feira, e levar o eruv ao seu lugar no Yom Tov seria, segundo Rabba, uma preparação proibida para o Shabat. Abaye fala a Rabba. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Rabba disse-lhe: Acaso pensas que o fim do dia adquire o eruv, isto é, o último momento da véspera do Shabat, que aqui é Yom Tov, de modo que haveria uma preparação proibida? O início do dia adquire o eruv, isto é, o primeiro momento do Shabat, e assim nada se preparou no Yom Tov para o Shabat; e o Shabat prepara para si mesmo.
“Acaso pensas que o fim do dia” — da véspera do Shabat adquire o eruv, de modo que é o Yom Tov que prepara para o Shabat?
A expressão “o fim do dia adquire o eruv” é a de Rava em Eruvin 36a (bloco 1262), sobre o frasco tevul yom; Rabba sustenta aqui o contrário, que o eruv adquire a morada no início do dia, e a guemará volta a isso no bloco seguinte.
Abaye perguntou: Mas, sendo assim, que façam eruv com o frasco, isto é, com o vinho do frasco enchido do barril de maaser ainda tevel, sobre o qual se disse: Isto é terumat maaser quando escurecer. Se o início do dia adquire o eruv, por que se ensina que não se faz eruv com ele?
“Que façam eruv com o frasco” — o frasco tevul yom de que aprendemos acima, no nosso capítulo (Eruvin 36a), que alguém o encheu do barril de tevel e disse: Eis que isto é terumat maaser quando escurecer, e as suas palavras se mantêm; e, se disse: Fazei eruv para mim com ele, não disse nada. Portanto, o fim do dia adquire o eruv, e no fim do dia ainda é tevel.
O hebraico diz “בְּלָגִין”, no singular, “com o frasco”. A referência do Rashi, entre parênteses no hebraico, “(עירובין דף לו.)”, está correta: a mishná do frasco tevul yom é citada em Eruvin 36a (blocos 1261 e 1262); trata-se da Mishná Tevul Yom 4:4 (numeração do Sefaria), e foi dela que Rava concluiu que o fim do dia adquire o eruv. A atribuição da pergunta a Abaye segue a tradução de referência.
A guemará responde: Ali o eruv não vale por outra razão, pois precisamos de uma refeição própria para ser comida enquanto ainda é dia, e não há, pois o vinho do frasco continua tevel, impróprio para beber, até o anoitecer.
A exigência “precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia” já apareceu em Eruvin 36a (bloco 1257) e em Eruvin 36b (bloco 1264). A explicação em itálico segue a tradução de referência. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Abaye perguntou ainda: Mas e aquilo que aprendemos na mishná: Rabi Eliezer diz: Quanto a um Yom Tov adjacente ao Shabat, quer antes dele, quer depois dele, uma pessoa pode fazer dois eruvin. Eis que precisamos de uma refeição própria para ser comida enquanto ainda é dia, e não há, pois, se no primeiro dia ele adquiriu a morada numa direção, não pode chegar, nesse dia, ao eruv que pôs na direção oposta para o segundo.
Assim lemos: “Mas aquilo que aprendemos: Rabi Eliezer” etc. — eis que precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia, e não há.
“Uma pessoa faz dois eruvin” — e passava pela mente da guemará que este está no fim de duas mil amot para o oriente, e aquele no fim de duas mil para o ocidente; e, quando o eruv lhe adquiriu a morada no primeiro dia para o oriente, se quisesse ir ao ocidente da cidade um só passo, não poderia ir, pois do lugar do seu eruv tem duas mil amot para cada lado, e eis que do seu eruv até a sua cidade são duas mil; e toda a sua cidade, ao menos, pode percorrer, pois, já que pernoita nela, toda ela é, para ele, como quatro amot; mas além disso não pode ir. E como lhe adquire a morada o eruv do ocidente no crepúsculo do segundo dia? Eis que precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia, e, se quisesse ir e comê-la enquanto ainda é dia, não poderia ir!
A mishná citada é o início da Mishná Eruvin 3:6 (Eruvin 38a, bloco 1304). O primeiro Rashi começa com “ה״ג”, abreviação de “הָכִי גָּרְסִינַן”, “assim lemos”, isto é, o Rashi estabelece a versão do texto; o hebraico do Sefaria já traz esta versão. A explicação em itálico no texto segue o segundo Rashi e a tradução de referência.
A guemará responde: Acaso pensas que ele o põe no fim de duas mil amot para cá, e o outro no fim de duas mil amot para lá? Não; trata-se de um caso em que o põe no fim de mil amot para cá, e o outro no fim de mil amot para lá, de modo que, mesmo depois de adquirir a morada de um lado com o primeiro eruv, ainda pode chegar ao lugar onde deixou o outro eruv para o segundo dia.
“No fim de duas mil” — pois então não tem mais nada do seu techum para o lado oposto no primeiro dia.
“Não; que o põe no fim de mil” etc. — pois não precisava ir, nem no primeiro nem no segundo dia, senão três mil amot, e pôs o seu eruv no fim de mil para cada lado; portanto, no primeiro dia, embora o eruv lhe tenha adquirido a morada no oriente, pode ir até o seu eruv no ocidente, pois do lugar do seu eruv no oriente até o eruv no ocidente são apenas duas mil.
Segundo o Rashi, quem põe o eruv a mil amot da cidade pode andar, a partir dele, mais duas mil amot, isto é, até três mil amot da cidade nessa direção; e a distância entre os dois eruvin, mil para cada lado, é de duas mil amot, dentro do limite do primeiro dia.
Abaye objetou ainda: Mas e aquilo que disse Rav Yehuda: Se fez eruv com os seus pés no primeiro dia, faz eruv com os seus pés também no segundo dia; se fez eruv com pão no primeiro dia, faz eruv com pão também no segundo dia. Eis que ele está preparando do Yom Tov para o Shabat!
“Se fez eruv com pão no primeiro, faz eruv com pão no segundo” — adiante a guemará explica: com o mesmo pão.
“Eis que está preparando” — quando faz eruv com os seus pés no segundo, do Yom Tov para o Shabat. Compreende-se que faça eruv no segundo com pão: já respondeste que o início do dia adquire o eruv, e o eruv de pão adquire a morada por si mesmo, em silêncio. Mas quanto a quem fez eruv com os seus pés, passava pela mente da guemará que precisa dizer: A minha morada seja no meu lugar; e não pode acertar exatamente o início do dia, e precisa dizer isso enquanto ainda é dia; e verifica-se que prepara, com a sua declaração, do Yom Tov para o Shabat.
A explicação “com o mesmo pão”, a que o Rashi remete com “adiante”, está em Eruvin 39a, em nome de Shmuel. Segundo o segundo Rashi, a dificuldade de Abaye é sobretudo o eruv feito com os pés, que exigiria uma declaração ainda de dia.
Rabba disse-lhe: Acaso pensas que ele vai e diz alguma coisa no lugar do eruv, e assim faz um ato de preparação? Trata-se de um caso em que vai, cala-se e senta-se ali, e adquire a morada por si mesmo, sem dizer nem fazer nada.
A atribuição da resposta a Rabba segue a tradução de referência e o Rashi do bloco 1339, que diz que Rabba vai respondendo todas estas objeções. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.
Abaye perguntou: Segundo quem dizes isso? Segundo Rabi Yochanan ben Nuri, que disse: Os chafetzei hefker (objetos sem dono) adquirem shevitá (morada de Shabat), e por isso também quem dorme adquire a morada onde está, sem dizer nada.
“Rabi Yochanan ben Nuri” — adiante, no capítulo Mi Shehotziuhu, diz que quem dorme adquire a sua morada, embora seja como meros objetos sem dono, aos quais ninguém adquire morada.
O Rashi remete à Mishná Eruvin 4:5, no capítulo Mi Shehotziuhu: “Quem dormiu no caminho e não soube que escureceu tem duas mil amot para cada lado, palavras de Rabi Yochanan ben Nuri; e os sábios dizem: só tem quatro amot”. A pergunta de Abaye é se a resposta de Rabba vale apenas segundo Rabi Yochanan ben Nuri, e não segundo os sábios. A atribuição da pergunta a Abaye segue a tradução de referência.
Rabba respondeu: Podes dizer até que é segundo os Rabanan: os Rabanan só discordam de Rabi Yochanan ben Nuri quanto a quem dorme, que não pode dizer nada; mas, quanto a quem está acordado, que, se quisesse dizer, poderia dizer, embora não tenha dito, é considerado como quem disse.
Lemos “quem está acordado”.
O hebraico diz “עַד כָּאן לָא פְּלִיגִי רַבָּנַן … אֶלָּא”, literalmente “até aqui não discordam os Rabanan… senão”, isto é, só discordam. O Rashi, “בניעור גרסינן”, estabelece a leitura “בְּנֵיעוֹר”, “quanto a quem está acordado”, que é a do hebraico do Sefaria. A atribuição da resposta a Rabba segue a tradução de referência.
Rabba bar Rav Chanin disse a Abaye: Se o mestre, Rabba, tivesse ouvido aquilo que foi ensinado numa baraita: Uma pessoa não andará até o fim do seu campo, no Shabat, para saber de que ele precisa, para fazê-lo depois do Shabat; da mesma forma…
“Se o mestre tivesse ouvido” — isto é, Rabba, que vai respondendo todas estas respostas e diz que, porque ele não disse nada, é permitido, embora tenha ido lá enquanto ainda era dia.
“Não andará” — isto é, no Shabat.
“Para saber de que ele precisa” — depois do Shabat.
O daf termina no meio da baraita, em “כַּיּוֹצֵא בּוֹ”, “da mesma forma”; a baraita e a palavra de Rabba bar Rav Chanin continuam em Eruvin 39a. O hebraico diz “מָה הִיא צְרִיכָה”, no feminino, referindo-se ao campo (שָׂדֶה); “ele” na tradução é o campo.