Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Guimel (BaKol Mearvin)
חַמָּר גַּמָּל

Chamar gamal; Rav e os quatro anciãos; Rav contra Rav: a hachaná; o início do dia adquire o eruv; vai e se cala

Eruvin 38b — Perek Guimel (BaKol Mearvin, Eruvin 26b:17-41b:5) · continuação da guemará sobre a mishná do Yom Tov adjacente ao Shabat (Eruvin 3:6) · fim da baraita: Rabi Yehuda, chamar gamal; Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael · Rav: a halachá segundo os quatro anciãos e Rabi Eliezer; Rabi não a sustenta; Rav a aprendeu por tradição · Rav Chisda: Rav contra Rav, o ovo posto num dia, proibido no outro; Rabba: por causa da hachaná · Abaye e Rabba: o início do dia adquire o eruv, o frasco, os dois eruvin a mil amot, o eruv com os pés, Rabi Yochanan ben Nuri e quem está acordado · Rabba bar Rav Chanin: o fim do campo · continua de Eruvin 38a; a guemará continua em Eruvin 39a

A baraita termina com a palavra de Rabi Yehuda, para quem, por causa da dúvida, quem fez eruv para o primeiro dia fica como chamar gamal, puxado em duas direções, e com a de Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, para quem o eruv do primeiro dia vale também para o segundo. Rav decide segundo os quatro anciãos e segundo Rabi Eliezer, que são duas kedushot; a guemará inverte a baraita, explica por que Rabi não é contado entre eles e diz que Rav o aprendeu por tradição. Depois da morte de Rav Huna, Rav Chisda aponta uma contradição: Rav proíbe num dia o ovo posto no outro; Rabba responde que isso é por causa da hachaná, a proibição de preparar no Yom Tov para o Shabat, segundo o versículo “E será, no sexto dia, que prepararão”. Abaye objeta a Rabba com a mishná, com o frasco tevul yom, com os dois eruvin de Rabi Eliezer e com a palavra de Rav Yehuda sobre o eruv com os pés; Rabba responde que o início do dia adquire o eruv, que os eruvin estão a mil amot da cidade, e que quem faz eruv com os pés vai, cala-se e senta-se, pois quem está acordado é como quem disse. Por fim, Rabba bar Rav Chanin começa a citar uma baraita sobre quem anda até o fim do seu campo no Shabat, que continua em Eruvin 39a.

A baraita: Rabi Yehuda e Rabban Shimon ben Gamliel (continuação) · חַמָּר גַּמָּל

1318Eis que este é chamar gamal
Baraita
הֲרֵי זֶה חַמָּר גַּמָּל.

…eis que este é chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo), puxado em duas direções: por causa da dúvida se os dois dias são uma só kedushá ou duas kedushot, ele age com rigor, como se o eruv feito para o primeiro dia valesse e também não valesse para o segundo, e só pode andar onde lhe seria permitido nos dois casos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “harei ze chamar gamal”
הרי זה חמר גמל - דלמא חדא קדושה היא וקנה עירוב לשני ימים והפסיד אלפים שכנגד עירובו וכאן לא קנה כלום אלא אלפים שהיו לו בלא עירוב ודלמא ב' קדושות הן ולא קנה עירובו אלא ליום אחד ודינו להיות בשני כבני עירו ואין לו כאן אלא אלפים וממה נפשך בהנך אלפים אמה משתרי:

“Eis que este é chamar gamal” — talvez seja uma só kedushá, e o eruv lhe adquiriu a morada para os dois dias, e então perdeu as duas mil amot do lado oposto ao seu eruv, e aqui não adquiriu nada, senão as duas mil que tinha sem eruv; e talvez sejam duas kedushot, e o seu eruv só lhe adquiriu a morada para um dia, e a sua lei, no segundo, é ser como os habitantes da sua cidade, e aqui só tem duas mil amot. E, seja como for, nessas duas mil amot que ficam entre a sua cidade e o seu eruv, é permitido.

Nota

Continuação direta do bloco 1317 (Eruvin 38a), que termina: “Rabi Yehuda diz…”; aqui vem o restante da palavra de Rabi Yehuda na baraita. A expressão “chamar gamal” é a da Mishná Eruvin 3:4, já explicada em Eruvin 35a: quem conduz um jumento vai atrás do animal, e quem conduz um camelo vai à frente dele, de modo que quem faz as duas coisas é puxado em duas direções. A explicação em itálico segue a tradução de referência; o Rashi mostra a mesma coisa: por causa da dúvida, ele só pode andar nas duas mil amot que lhe são permitidas nos dois casos.

1319Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael
Baraita
רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי יִשְׁמָעֵאל בְּנוֹ שֶׁל רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָה אוֹמְרִים: עֵירַב בְּרַגְלָיו בָּרִאשׁוֹן — אֵין מְעָרֵב בְּרַגְלָיו בַּשֵּׁנִי, נֶאֱכַל עֵירוּבוֹ בְּיוֹם רִאשׁוֹן — יוֹצֵא עָלָיו בַּשֵּׁנִי.

Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, dizem: Se fez eruv com os seus pés na véspera do primeiro dia, não faz eruv com os seus pés de novo, na véspera do segundo, pois o seu eruv continua valendo também para o segundo dia. E, se fez o eruv com comida, e o seu eruv foi comido no primeiro dia, ainda assim sai além do limite dos demais habitantes da cidade, apoiado nele, no segundo dia, pois desde o início o eruv lhe adquiriu a morada para os dois dias.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ein me’arev beraglav basheni”
אין מערב ברגליו בשני - א"צ לערב דודאי קדושה אחת נינהו וכחדא יומא אריכא הוי:

“Não faz eruv com os seus pés no segundo” — não precisa fazer eruv de novo, pois certamente são uma só kedushá, e é como um só dia longo.

Nota

O hebraico diz “אֵין מְעָרֵב”, literalmente “não faz eruv”; o Rashi explica que não precisa fazê-lo. Estes dois sábios dizem o contrário de Rabi no bloco 1316 (Eruvin 38a): para eles, os dois dias são certamente uma só kedushá, e não há dúvida, ao contrário de Rabi Yehuda no bloco anterior.

Rav: a halachá segundo os quatro anciãos · אַרְבָּעָה זְקֵנִים

1320Os quatro anciãos
Rav
אָמַר רַב: הֲלָכָה כְּאַרְבָּעָה זְקֵנִים הַלָּלוּ, וְאַלִּיבָּא דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּאָמַר שְׁתֵּי קְדוּשּׁוֹת הֵן. וְאֵלּוּ הֵן אַרְבָּעָה זְקֵנִים: רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי יִשְׁמָעֵאל בְּרַבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָה וְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר בְּרַבִּי שִׁמְעוֹן וְרַבִּי יוֹסֵי בַּר יְהוּדָה סְתִימְתָּאָה. וְאִיכָּא דְּאָמְרִי: חַד מִינַּיְיהוּ רַבִּי אֶלְעָזָר, וּמַפֵּיק רַבִּי יוֹסֵי בַּר יְהוּדָה סְתִימְתָּאָה.

Rav disse: A halachá é segundo estes quatro anciãos, e segundo Rabi Eliezer, que disse: Quando o Shabat e o Yom Tov caem em dias seguidos, são duas kedushot. E estes são os quatro anciãos: Rabban Shimon ben Gamliel, e Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, e Rabi Eliezer, filho de Rabi Shimon, e Rabi Yossi bar Yehuda, o setimta’a (aquele cujas palavras foram muitas vezes ensinadas na mishná sem o nome do autor). E há quem diga: Um deles é Rabi Elazar, e se retira da lista Rabi Yossi bar Yehuda, o setimta’a.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chad minayhu Rabi Elazar”
חד מינייהו ר' אלעזר - כל רבי אלעזר סתם בתלמוד שהוא תנא רבי אלעזר בן שמוע הוא:

“Um deles é Rabi Elazar” — todo Rabi Elazar citado sem especificação no Talmud, que é tanaíta, é Rabi Elazar ben Shamua.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “setimta’a”
סתימתאה - קרי כל מי שראה רבי דבריו במקומות הרבה ושנאן במשנה סתם:

“Setimta’a” — chama assim todo aquele cujas palavras Rabi viu em muitos lugares e as ensinou na mishná sem especificação do nome.

Nota

“Setimta’a” (סְתִימְתָּאָה) vem de “סְתָם”, “sem especificação”: segundo o Rashi, é aquele cujas palavras Rabi, isto é, Rabi Yehuda HaNasi, o redator da Mishná, ensinou muitas vezes como mishná anônima. Rav decide como os quatro anciãos e como Rabi Eliezer, que no bloco 1308 (Eruvin 38a) diz que os dois dias são duas kedushot; a guemará logo mostra que isso parece contradizer a baraita do bloco 1319.

1321Ouvimos deles o contrário
A guemará
וְהָא רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי יִשְׁמָעֵאל בַּר רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָה אִיפְּכָא שָׁמְעִינַן לְהוּ! אֵיפוֹךְ.

A guemará objeta: Mas não ouvimos de Rabban Shimon ben Gamliel e de Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, o contrário, isto é, que, na baraita citada acima, eles dizem que os dois dias são uma só kedushá? A guemará responde: Inverte as atribuições na baraita.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ipcha shamínan lehu”
איפכא שמעינן להו - לעיל:

“Ouvimos deles o contrário” — acima, na baraita.

Nota

O Rashi remete à baraita do bloco 1319, onde Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael dizem que o eruv feito com os pés no primeiro dia vale para o segundo, isto é, que são uma só kedushá. Segundo a resposta, deve-se ler a baraita ao contrário, atribuindo-lhes a opinião de que são duas kedushot.

1322E assim disse Rabban Shimon ben Gamliel
A guemará
אִי הָכִי, הַיְינוּ רַבִּי? אֵימָא: וְכֵן אָמַר רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל וְכוּ׳.

A guemará pergunta: Se é assim, isto é a mesma palavra de Rabi? Em que discordam? A guemará responde: Diz que não há disputa entre eles, e a baraita deve dizer assim: E assim disse Rabban Shimon ben Gamliel etc.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vechen amar Rabi Shimon”
וכן א"ר שמעון - נאכל עירובו בראשון אין יוצא עליו בשני:

“E assim disse Rabi Shimon” — se o seu eruv foi comido no primeiro dia, não sai apoiado nele no segundo.

Nota

Invertida a baraita, Rabban Shimon ben Gamliel diria o mesmo que Rabi no bloco 1316 (Eruvin 38a); por isso a guemará corrige a leitura para “E assim disse”, isto é, ele concorda com Rabi. O lema do Rashi abrevia: “וכן א״ר שמעון”, “E assim disse Rabi Shimon”; refere-se a Rabban Shimon ben Gamliel, como diz o texto.

1323Que se conte também Rabi
A guemará
וְלִיחְשׁוֹב נָמֵי רַבִּי! רַבִּי תָּנֵי לַהּ וְלָא סָבַר לַהּ.

A guemará pergunta: E que se conte também Rabi Yehuda HaNasi entre estes anciãos, pois também ele diz que são duas kedushot! A guemará responde: Rabi apenas a ensinou, esta opinião, mas ele próprio não a sustenta.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velichshov nami Rabi”
וליחשוב נמי רבי - דשמעינן ליה לעיל בהדיא:

“E que se conte também Rabi” — pois o ouvimos dizer isso acima explicitamente.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “tanei la velo savar la”
תני לה ולא סבר לה - ולדברי ר' אליעזר קאמר:

“Ensinou-a, mas não a sustenta” — e a disse segundo as palavras de Rabi Eliezer.

Nota

“Acima” é a baraita do bloco 1316 (Eruvin 38a), onde Rabi diz que o eruv feito com os pés precisa ser refeito no segundo dia. Segundo o Rashi, Rabi ensinou essa regra segundo o método de Rabi Eliezer, mas ele próprio não o sustenta; a tradução de referência explica que ele transmitiu o que recebeu dos seus mestres.

1324Rav o aprendeu por tradição
A guemará
רַבָּנַן נָמֵי תָּנוּ לַהּ וְלָא סָבְרִי לַהּ? רַב גְּמָרָא גְּמִיר לַהּ.

A guemará objeta: Se é assim, digamos que os Rabanan, isto é, Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael, também a ensinaram, mas não a sustentam? A guemará responde: Rav a aprendeu por tradição, dos seus mestres, que estes quatro anciãos sustentam esta opinião.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “rabanan nami”
רבנן נמי - הנך רבן שמעון ור' ישמעאל נהי דקתני וכן דלמא תנו ולא סברי לה:

“Os Rabanan também” — estes, Rabban Shimon e Rabi Yishmael: admitamos que a baraita ensina “e assim”; talvez eles a ensinaram e não a sustentam.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Rav gemara gamir la”
רב גמרא גמיר לה - מרביה דהנך ארבעה זקנים סבירא להו כר"א אבל רבי תני ולא סבר לה:

“Rav a aprendeu por tradição” — do seu mestre, que estes quatro anciãos sustentam como Rabi Eliezer; mas Rabi a ensinou e não a sustentou.

Nota

O hebraico diz “גְּמָרָא גְּמִיר לַהּ”, literalmente “aprendeu-a como tradição”, isto é, recebeu-a do seu mestre, e não a deduziu das baraitot. A identificação dos “Rabanan” com Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael segue o Rashi; a tradução de referência traduz “os Rabanan, Rabban Shimon ben Gamliel e Rabi Yishmael”, como se fossem três.

Rav Chisda: Rav contra Rav; a hachaná · נוֹלְדָה בָּזֶה אֲסוּרָה בָּזֶה

1325Rav contra Rav
Rav Chisda
כִּי נָח נַפְשֵׁיהּ דְּרַב הוּנָא, עָיֵיל רַב חִסְדָּא לְמִירְמָא דְּרַב אַדְּרַב. מִי אָמַר רַב: הֲלָכָה כְּאַרְבָּעָה זְקֵנִים, וְאַלִּיבָּא דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּאָמַר שְׁתֵּי קְדוּשּׁוֹת הֵן?

Quando a alma de Rav Huna repousou, isto é, quando faleceu Rav Huna, o principal discípulo de Rav, Rav Chisda entrou na casa de estudo para apontar uma contradição de Rav contra Rav: Acaso Rav disse: A halachá é segundo os quatro anciãos, e segundo Rabi Eliezer, que disse que, quando o Shabat e o Yom Tov caem em dias seguidos, são duas kedushot?

Nota

O hebraico diz “כִּי נָח נַפְשֵׁיהּ”, literalmente “quando a sua alma repousou”, expressão usual para a morte de um sábio. A identificação de Rav Huna como o principal discípulo de Rav segue a tradução de referência. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1326Posto num, proibido no outro
Rav Chisda
וְהָא אִיתְּמַר: שַׁבָּת וְיוֹם טוֹב, רַב אָמַר: נוֹלְדָה בָּזֶה אֲסוּרָה בָּזֶה!

Mas não foi dito: Quanto ao Shabat e ao Yom Tov que caem em dias seguidos, Rav disse: Um ovo posto num deles é proibido no outro, como se fossem um só dia?

Nota

O hebraico diz “נוֹלְדָה בָּזֶה אֲסוּרָה בָּזֶה”, literalmente “nascida neste, proibida neste”, no feminino, referindo-se ao ovo (בֵּיצָה). A palavra de Rav está em Beitzá 4a (numeração do Sefaria), com a forma “אִתְּמַר” em lugar de “וְהָא אִיתְּמַר”, onde ela se opõe à de Rabi Yochanan. Segundo a tradução de referência, o ovo posto no Yom Tov é proibido no próprio dia, e Rav o proíbe também no dia seguinte; isso indica que os dois dias são uma só kedushá, e por isso Rav Chisda pergunta como Rav pode decidir que são duas. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1327Ali, por causa da hachaná
Rabba
אָמַר רַבָּה: הָתָם — מִשּׁוּם הֲכָנָה.

Rabba disse: Ali, o ovo é proibido no segundo dia não porque os dois dias sejam uma só kedushá, mas por causa da hachaná (preparação), isto é, da proibição de preparar no Yom Tov para o Shabat, ou no Shabat para o Yom Tov.

Nota

O hebraico diz “רַבָּה”, Rabba, e não Rava. É a mesma resposta que, no bloco 1315 (Eruvin 38a), a guemará dá em nome de Rabi Eliezer. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1328E prepararão no sexto dia
Baraita
דְּתַנְיָא: ״וְהָיָה בַּיּוֹם הַשִּׁשִּׁי וְהֵכִינוּ״ — חוֹל מֵכִין לְשַׁבָּת וְחוֹל מֵכִין לְיוֹם טוֹב, וְאֵין יוֹם טוֹב מֵכִין לְשַׁבָּת וְאֵין שַׁבָּת מְכִינָה לְיוֹם טוֹב.

Pois foi ensinado numa baraita: “E será, no sexto dia, que prepararão” (Shemot 16:5): o dia comum prepara para o Shabat, e o dia comum prepara para o Yom Tov; mas o Yom Tov não prepara para o Shabat, e o Shabat não prepara para o Yom Tov.

Nota

O versículo citado é Shemot 16:5, sobre o maná: “E será, no sexto dia, que prepararão o que trouxerem”. A mesma exposição aparece em Beitzá 2b, em nome de Rabba. Segundo a tradução de referência, conclui-se daqui que o ovo posto no Yom Tov é proibido no Shabat não porque sejam uma só kedushá, mas porque é proibido preparar num dia santo para outro. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

Abaye e Rabba: o início do dia adquire o eruv · תְּחִלַּת הַיּוֹם קוֹנָה עֵירוּב

1329Leva-o no primeiro e escurece junto a ele
Abaye
אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי, אֶלָּא הָא דִּתְנַן: כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה — מוֹלִיכוֹ בָּרִאשׁוֹן, וּמַחְשִׁיךְ עָלָיו, וְנוֹטְלוֹ וּבָא לוֹ. בַּשֵּׁנִי מַחְשִׁיךְ עָלָיו, וְאוֹכְלוֹ וּבָא לוֹ. הָא קָא מֵכִין מִיּוֹם טוֹב לְשַׁבָּת!

Abaye disse-lhe: Mas e aquilo que aprendemos na mishná: Como faz? Ele ou o seu enviado leva-o, o eruv, ao lugar que quer estabelecer como morada, na véspera do primeiro dia, e escurece junto a ele, isto é, fica ali até o anoitecer, e então o toma e vai embora. No segundo, leva-o de volta e escurece junto a ele, e o come, se quiser, e vai embora. Eis que ele está preparando do Yom Tov para o Shabat!

Nota

A mishná citada é a parte central da Mishná Eruvin 3:6, trazida em Eruvin 38a (bloco 1306) com a forma “כֵּיצַד יַעֲשֶׂה”; aqui a guemará diz “כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה”, como em Eruvin 33b. Segundo a tradução de referência, o Yom Tov cai na sexta-feira, e levar o eruv ao seu lugar no Yom Tov seria, segundo Rabba, uma preparação proibida para o Shabat. Abaye fala a Rabba. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1330O início do dia adquire o eruv
Rabba
אֲמַר לֵיהּ רַבָּה: מִי סָבְרַתְּ סוֹף הַיּוֹם קוֹנֶה עֵירוּב? תְּחִלַּת הַיּוֹם קוֹנָה עֵירוּב, וְשַׁבָּת מְכִינָה לְעַצְמָהּ.

Rabba disse-lhe: Acaso pensas que o fim do dia adquire o eruv, isto é, o último momento da véspera do Shabat, que aqui é Yom Tov, de modo que haveria uma preparação proibida? O início do dia adquire o eruv, isto é, o primeiro momento do Shabat, e assim nada se preparou no Yom Tov para o Shabat; e o Shabat prepara para si mesmo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mi savrat sof hayom”
מי סברת סוף היום - של ע"ש קונה עירוב דהוי יו"ט מכין לשבת:

“Acaso pensas que o fim do dia” — da véspera do Shabat adquire o eruv, de modo que é o Yom Tov que prepara para o Shabat?

Nota

A expressão “o fim do dia adquire o eruv” é a de Rava em Eruvin 36a (bloco 1262), sobre o frasco tevul yom; Rabba sustenta aqui o contrário, que o eruv adquire a morada no início do dia, e a guemará volta a isso no bloco seguinte.

1331Que façam eruv com o frasco
Abaye
אֶלָּא מֵעַתָּה — יְעָרְבוּ בְּלָגִין?

Abaye perguntou: Mas, sendo assim, que façam eruv com o frasco, isto é, com o vinho do frasco enchido do barril de maaser ainda tevel, sobre o qual se disse: Isto é terumat maaser quando escurecer. Se o início do dia adquire o eruv, por que se ensina que não se faz eruv com ele?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ye’arvu belaguin”
יערבו בלגין - לגין טבול יום דתנן לעיל בפירקין (עירובין דף לו.) שמילאהו מן החבית של טבל ואמר הרי זה תרומת מעשר לכשתחשך דבריו קיימין ואם אמר עירבו לי בה לא אמר כלום אלמא סוף היום קונה עירוב ואכתי טבל הוא:

“Que façam eruv com o frasco” — o frasco tevul yom de que aprendemos acima, no nosso capítulo (Eruvin 36a), que alguém o encheu do barril de tevel e disse: Eis que isto é terumat maaser quando escurecer, e as suas palavras se mantêm; e, se disse: Fazei eruv para mim com ele, não disse nada. Portanto, o fim do dia adquire o eruv, e no fim do dia ainda é tevel.

Nota

O hebraico diz “בְּלָגִין”, no singular, “com o frasco”. A referência do Rashi, entre parênteses no hebraico, “(עירובין דף לו.)”, está correta: a mishná do frasco tevul yom é citada em Eruvin 36a (blocos 1261 e 1262); trata-se da Mishná Tevul Yom 4:4 (numeração do Sefaria), e foi dela que Rava concluiu que o fim do dia adquire o eruv. A atribuição da pergunta a Abaye segue a tradução de referência.

1332Uma refeição própria enquanto ainda é dia
A guemará
בָּעִינַן סְעוּדָה הָרְאוּיָה מִבְּעוֹד יוֹם, וְלֵיכָּא.

A guemará responde: Ali o eruv não vale por outra razão, pois precisamos de uma refeição própria para ser comida enquanto ainda é dia, e não há, pois o vinho do frasco continua tevel, impróprio para beber, até o anoitecer.

Nota

A exigência “precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia” já apareceu em Eruvin 36a (bloco 1257) e em Eruvin 36b (bloco 1264). A explicação em itálico segue a tradução de referência. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1333Rabi Eliezer: dois eruvin
Abaye
אֶלָּא הָא דִּתְנַן, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר: יוֹם טוֹב הַסָּמוּךְ לַשַּׁבָּת, בֵּין מִלְּפָנֶיהָ וּבֵין מִלְּאַחֲרֶיהָ, מְעָרֵב אָדָם שְׁנֵי עֵירוּבִין. הָא בָּעִינַן סְעוּדָה הָרְאוּיָה מִבְּעוֹד יוֹם, וְלֵיכָּא.

Abaye perguntou ainda: Mas e aquilo que aprendemos na mishná: Rabi Eliezer diz: Quanto a um Yom Tov adjacente ao Shabat, quer antes dele, quer depois dele, uma pessoa pode fazer dois eruvin. Eis que precisamos de uma refeição própria para ser comida enquanto ainda é dia, e não há, pois, se no primeiro dia ele adquiriu a morada numa direção, não pode chegar, nesse dia, ao eruv que pôs na direção oposta para o segundo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela ha ditnan Rabi Eliezer”
ה"ג אלא הא דתנן ר' אליעזר כו' - הא בעינן סעודה הראויה מבעוד יום וליכא:

Assim lemos: “Mas aquilo que aprendemos: Rabi Eliezer” etc. — eis que precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia, e não há.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “me’arev adam shnei eruvin”
מערב אדם שני עירובין - וקס"ד זה לסוף אלפים למזרח וזה לסוף אלפים למערב וכי קנה לו יום ראשון למזרח אי הוה בעי למיזל למערב העיר פסיעה אחת לא מצי אזיל דממקום עירובו יש לו אלפים אמה לכל רוח והרי מעירובו ועד עירו הוי אלפים וכל עירו מיהא מצי אזיל דכולה לדידיה כיון דלן בה כד' אמות דמיא ליה אבל טפי לא מצי אזיל ליה והיכי קני ליה עירוב דבמערב בבין השמשות הא בעינן סעודה הראויה מבעוד יום והא אי הוה בעי למיזל ומיכליה מבעוד יום לא מצי אזיל:

“Uma pessoa faz dois eruvin” — e passava pela mente da guemará que este está no fim de duas mil amot para o oriente, e aquele no fim de duas mil para o ocidente; e, quando o eruv lhe adquiriu a morada no primeiro dia para o oriente, se quisesse ir ao ocidente da cidade um só passo, não poderia ir, pois do lugar do seu eruv tem duas mil amot para cada lado, e eis que do seu eruv até a sua cidade são duas mil; e toda a sua cidade, ao menos, pode percorrer, pois, já que pernoita nela, toda ela é, para ele, como quatro amot; mas além disso não pode ir. E como lhe adquire a morada o eruv do ocidente no crepúsculo do segundo dia? Eis que precisamos de uma refeição própria enquanto ainda é dia, e, se quisesse ir e comê-la enquanto ainda é dia, não poderia ir!

Nota

A mishná citada é o início da Mishná Eruvin 3:6 (Eruvin 38a, bloco 1304). O primeiro Rashi começa com “ה״ג”, abreviação de “הָכִי גָּרְסִינַן”, “assim lemos”, isto é, o Rashi estabelece a versão do texto; o hebraico do Sefaria já traz esta versão. A explicação em itálico no texto segue o segundo Rashi e a tradução de referência.

1334No fim de mil amot
A guemará
מִי סָבְרַתְּ דְּמַנַּח לֵיהּ בְּסוֹף אַלְפַּיִם אַמָּה לְכָאן, וּבְסוֹף אַלְפַּיִם אַמָּה לְכָאן? לָא, דְּמַנַּח לֵיהּ בְּסוֹף אֶלֶף אַמָּה לְכָאן, וּבְסוֹף אֶלֶף אַמָּה לְכָאן.

A guemará responde: Acaso pensas que ele o põe no fim de duas mil amot para cá, e o outro no fim de duas mil amot para lá? Não; trata-se de um caso em que o põe no fim de mil amot para cá, e o outro no fim de mil amot para lá, de modo que, mesmo depois de adquirir a morada de um lado com o primeiro eruv, ainda pode chegar ao lugar onde deixou o outro eruv para o segundo dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “besof alpayim”
בסוף אלפים - דתו לית ליה לצד שכנגדו ביום ראשון כלום:

“No fim de duas mil” — pois então não tem mais nada do seu techum para o lado oposto no primeiro dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo deminach leh besof elef”
לא דמנח ליה בסוף אלף כו' - דלא הוה צריך למיזל לא בראשון ולא בשני אלא שלשה אלפים ונתן עירובו בסוף אלף לכל צד הילכך ביום ראשון אע"פ שקנה עירובו למזרח יכול לילך אצל עירובו במערב דהא ממקום עירובו שבמזרח עד עירוב שבמערב אלפים הוא דהוו:

“Não; que o põe no fim de mil” etc. — pois não precisava ir, nem no primeiro nem no segundo dia, senão três mil amot, e pôs o seu eruv no fim de mil para cada lado; portanto, no primeiro dia, embora o eruv lhe tenha adquirido a morada no oriente, pode ir até o seu eruv no ocidente, pois do lugar do seu eruv no oriente até o eruv no ocidente são apenas duas mil.

Nota

Segundo o Rashi, quem põe o eruv a mil amot da cidade pode andar, a partir dele, mais duas mil amot, isto é, até três mil amot da cidade nessa direção; e a distância entre os dois eruvin, mil para cada lado, é de duas mil amot, dentro do limite do primeiro dia.

O eruv com os pés: vai e se cala · דְּאָזֵיל וְשָׁתֵיק

1335Rav Yehuda: com os pés e com pão
Abaye
אֶלָּא הָא דְּאָמַר רַב יְהוּדָה: עֵירַב בְּרַגְלָיו יוֹם רִאשׁוֹן — מְעָרֵב בְּרַגְלָיו יוֹם שֵׁנִי, עֵירַב בְּפַת בְּיוֹם רִאשׁוֹן — מְעָרֵב בְּפַת בְּיוֹם שֵׁנִי, הָא קָא מֵכִין מִיּוֹם טוֹב לַשַּׁבָּת!

Abaye objetou ainda: Mas e aquilo que disse Rav Yehuda: Se fez eruv com os seus pés no primeiro dia, faz eruv com os seus pés também no segundo dia; se fez eruv com pão no primeiro dia, faz eruv com pão também no segundo dia. Eis que ele está preparando do Yom Tov para o Shabat!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “erav bepat barishon me’arev bepat basheni”
עירב בפת בראשון מערב בפת בשני - לקמן מפרש באותו פת:

“Se fez eruv com pão no primeiro, faz eruv com pão no segundo” — adiante a guemará explica: com o mesmo pão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veha ka mechin”
והא קא מכין - כשמערב ברגליו בשני מיו"ט לשבת בשלמא מערב בשני בפת תרצת דתחילת היום קונה עירוב ועירוב דפת שתיקה ממילא קני אלא עירב ברגליו ס"ד דבעי למימר שביתתי במקומי ולא מצי לכוין תחילת היום ובעי למימר מבעוד יום ואישתכח דמכין באמירתו מיו"ט לשבת:

“Eis que está preparando” — quando faz eruv com os seus pés no segundo, do Yom Tov para o Shabat. Compreende-se que faça eruv no segundo com pão: já respondeste que o início do dia adquire o eruv, e o eruv de pão adquire a morada por si mesmo, em silêncio. Mas quanto a quem fez eruv com os seus pés, passava pela mente da guemará que precisa dizer: A minha morada seja no meu lugar; e não pode acertar exatamente o início do dia, e precisa dizer isso enquanto ainda é dia; e verifica-se que prepara, com a sua declaração, do Yom Tov para o Shabat.

Nota

A explicação “com o mesmo pão”, a que o Rashi remete com “adiante”, está em Eruvin 39a, em nome de Shmuel. Segundo o segundo Rashi, a dificuldade de Abaye é sobretudo o eruv feito com os pés, que exigiria uma declaração ainda de dia.

1336Vai, cala-se e senta-se
Rabba
אֲמַר לֵיהּ: מִי סָבְרַתְּ דְּאָזֵיל וְאָמַר מִידֵּי? דְּאָזֵיל וְשָׁתֵיק, וְיָתֵיב.

Rabba disse-lhe: Acaso pensas que ele vai e diz alguma coisa no lugar do eruv, e assim faz um ato de preparação? Trata-se de um caso em que vai, cala-se e senta-se ali, e adquire a morada por si mesmo, sem dizer nem fazer nada.

Nota

A atribuição da resposta a Rabba segue a tradução de referência e o Rashi do bloco 1339, que diz que Rabba vai respondendo todas estas objeções. Não há Rashi do Sefaria para este segmento.

1337Segundo Rabi Yochanan ben Nuri
Abaye
כְּמַאן? כְּרַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי, דְּאָמַר: חֶפְצֵי הֶפְקֵר קוֹנִין שְׁבִיתָה.

Abaye perguntou: Segundo quem dizes isso? Segundo Rabi Yochanan ben Nuri, que disse: Os chafetzei hefker (objetos sem dono) adquirem shevitá (morada de Shabat), e por isso também quem dorme adquire a morada onde está, sem dizer nada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Rabi Yochanan ben Nuri”
רבי יוחנן בן נורי - לקמן במי שהוציאוהו קאמר דישן קונה שביתתו ואף על גב דהוי כחפצי הפקר בעלמא שאין אדם מקנה להם שביתה:

“Rabi Yochanan ben Nuri” — adiante, no capítulo Mi Shehotziuhu, diz que quem dorme adquire a sua morada, embora seja como meros objetos sem dono, aos quais ninguém adquire morada.

Nota

O Rashi remete à Mishná Eruvin 4:5, no capítulo Mi Shehotziuhu: “Quem dormiu no caminho e não soube que escureceu tem duas mil amot para cada lado, palavras de Rabi Yochanan ben Nuri; e os sábios dizem: só tem quatro amot”. A pergunta de Abaye é se a resposta de Rabba vale apenas segundo Rabi Yochanan ben Nuri, e não segundo os sábios. A atribuição da pergunta a Abaye segue a tradução de referência.

1338Quem está acordado é como quem disse
Rabba
אֲפִילּוּ תֵּימָא רַבָּנַן, עַד כָּאן לָא פְּלִיגִי רַבָּנַן עֲלֵיהּ דְּרַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי אֶלָּא בְּיָשֵׁן, דְּלָא מָצֵי אָמַר. אֲבָל בְּנֵיעוֹר, דְּאִי בָּעֵי לְמֵימַר מָצֵי אָמַר — אַף עַל גַּב דְּלָא אָמַר, כְּמַאן דְּאָמַר דָּמֵי.

Rabba respondeu: Podes dizer até que é segundo os Rabanan: os Rabanan só discordam de Rabi Yochanan ben Nuri quanto a quem dorme, que não pode dizer nada; mas, quanto a quem está acordado, que, se quisesse dizer, poderia dizer, embora não tenha dito, é considerado como quem disse.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bene’or”
בניעור גרסינן:

Lemos “quem está acordado”.

Nota

O hebraico diz “עַד כָּאן לָא פְּלִיגִי רַבָּנַן … אֶלָּא”, literalmente “até aqui não discordam os Rabanan… senão”, isto é, só discordam. O Rashi, “בניעור גרסינן”, estabelece a leitura “בְּנֵיעוֹר”, “quanto a quem está acordado”, que é a do hebraico do Sefaria. A atribuição da resposta a Rabba segue a tradução de referência.

Rabba bar Rav Chanin: o fim do campo · לְסוֹף שָׂדֵהוּ

1339Não andará até o fim do seu campo
Rabba bar Rav Chanin
אֲמַר לֵיהּ רַבָּה בַּר רַב חָנִין לְאַבָּיֵי: אִי הֲוָה שְׁמִיעַ לֵיהּ לְמָר הָא דְּתַנְיָא: לֹא יְהַלֵּךְ אָדָם לְסוֹף שָׂדֵהוּ לֵידַע מָה הִיא צְרִיכָה; כַּיּוֹצֵא בּוֹ,

Rabba bar Rav Chanin disse a Abaye: Se o mestre, Rabba, tivesse ouvido aquilo que foi ensinado numa baraita: Uma pessoa não andará até o fim do seu campo, no Shabat, para saber de que ele precisa, para fazê-lo depois do Shabat; da mesma forma…

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i hava shemia leh lemar”
אי הוה שמיע ליה למר - לרבה דמתרץ ואזיל כל הנך תירוצי וקאמר דמשום דלא אמר מידי שרי ואף על גב דאזל התם מבעוד יום:

“Se o mestre tivesse ouvido” — isto é, Rabba, que vai respondendo todas estas respostas e diz que, porque ele não disse nada, é permitido, embora tenha ido lá enquanto ainda era dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo yehalech”
לא יהלך - בשבת:

“Não andará” — isto é, no Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “leida ma hi tzricha”
לידע מה היא צריכה - אחר השבת:

“Para saber de que ele precisa” — depois do Shabat.

Nota

O daf termina no meio da baraita, em “כַּיּוֹצֵא בּוֹ”, “da mesma forma”; a baraita e a palavra de Rabba bar Rav Chanin continuam em Eruvin 39a. O hebraico diz “מָה הִיא צְרִיכָה”, no feminino, referindo-se ao campo (שָׂדֶה); “ele” na tradução é o campo.