Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Alef (Mavoi)
כְּחוּמְרֵי דְּבֵי תְרֵי

Rabi Yehoshua e a bat kol; as rigorosidades que se contradizem e as que não se contradizem; a rua principal e o vale; o mavoi que termina numa rechavá

Eruvin 7a — continuação da guemará sobre a primeira mishná · Perek Alef (Mavoi, Eruvin 2a:1-17b:14) · a guemará prossegue em 7b

A guemará conclui a segunda resposta à contradição da baraita: a palavra de que quem quer pode agir como Beit Shammai segue Rabi Yehoshua, que não dá atenção à bat kol; e propõe outra leitura, segundo a qual a baraita fala de quaisquer dois tanaítas ou amoraítas que divergem à semelhança de Beit Shammai e Beit Hillel. Volta à dificuldade do mavoi torto de Neharde’a, que Rav Nachman bar Yitzchak explica inteiramente segundo Rav, pela palavra “é a halachá, mas não se dá instrução assim”; e, segundo a versão de Rav Adda bar Ahava, Rav Sheizvi ensina que só não se age segundo duas rigorosidades quando elas se contradizem, como na espinha e no crânio e na tereifá. A guemará objeta pelo etrog que Rabi Akiva colheu no primeiro de Shevat, e responde que ele estava em dúvida quanto à sua tradição. Traz depois a palavra de Rav Yossef diante de Rav Huna, em nome de Rav Yehuda e de Rav, sobre a seratya, a pelatya e o vale, a conclusão de Rav Yehuda sobre o mavoi que termina numa rechavá, e a palavra de Abaye de que esta conclusão é de Shmuel.

Guemará: Rabi Yehoshua e a bat kol · דְּלָא מַשְׁגַּח בְּבַת קוֹל

167Rabi Yehoshua não dá atenção à bat kol
A guemará
וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ הִיא דְּלָא מַשְׁגַּח בְּבַת קוֹל.

…e a palavra de que quem quer pode agir como Beit Shammai é segundo Rabi Yehoshua, que não dá atenção à bat kol (voz celestial).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “verabi Yehoshua”
ורבי יהושע - בפרק הזהב בבבא מציעא (ד' נט:):

“E Rabi Yehoshua” — que não dá atenção à bat kol, como se vê no perek HaZahav, em Bava Metzia (59b).

168Dois tanaítas ou dois amoraítas que divergem
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא, הָכִי קָאָמַר: כׇּל הֵיכָא דְּמַשְׁכַּחַתְּ תְּרֵי תַּנָּאֵי וּתְרֵי אָמוֹרָאֵי דִּפְלִיגִי אַהֲדָדֵי כְּעֵין מַחֲלוֹקֶת בֵּית שַׁמַּאי וּבֵית הִלֵּל — לָא לֶיעְבַּד כִּי קוּלֵּיהּ דְּמָר וְכִי קוּלֵּיהּ דְּמָר, וְלָא כְּחוּמְרֵיהּ דְּמָר וְכִי חוּמְרֵיהּ דְּמָר. אֶלָּא, אוֹ כִּי קוּלֵּיהּ דְּמָר וּכְחוּמְרֵיהּ עָבֵיד, אוֹ כְּקוּלֵּיהּ דְּמָר וּכְחוּמְרֵיהּ עָבֵיד.

E, se quiseres, dize: Assim diz o ensinamento: Em todo lugar em que encontras dois tanaítas, ou dois amoraítas, que divergem um do outro à semelhança da controvérsia de Beit Shammai e Beit Hillel, não se aja segundo a leniência de um mestre e segundo a leniência do outro mestre, nem segundo a rigorosidade de um mestre e segundo a rigorosidade do outro mestre; mas, ou age segundo a leniência de um mestre e segundo a sua rigorosidade, ou age segundo a leniência do outro mestre e segundo a sua rigorosidade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’ibaet eima”
ואיבעית אימא - הרוצה לעשות דקתני לאו בית שמאי ובית הלל דווקא נקט על כרחיך כב"ה בעי למיעבד אלא אפלוגתא דשאר תנאי בעלמא קאי דפליגי בעלמא בשאר מילי כגון אלו מחלוקת דבית שמאי ובית הלל כלומר כי היכי דפליגי בית שמאי ובית הלל בדברי מחלוקתן:

“E, se quiseres, dize” — o “quem quer agir” que se ensina não mencionou Beit Shammai e Beit Hillel em sentido estrito, pois forçosamente é preciso agir como Beit Hillel; mas refere-se à controvérsia de outros tanaítas em geral, que divergem em geral em outros assuntos, à semelhança da controvérsia de Beit Shammai e Beit Hillel; isto é, assim como Beit Shammai e Beit Hillel divergem nas palavras da sua controvérsia.

Guemará: as rigorosidades que se contradizem · הֵיכָא דְּסָתְרִי אַהֲדָדֵי

169De todo modo, é difícil
A guemará
מִכׇּל מָקוֹם קַשְׁיָא!

Diz a guemará: De todo modo, é difícil: o ensinamento está explicado, mas os de Neharde’a agiram segundo duas rigorosidades!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mikol makom”
מכל מקום - ברייתא (לא) מתרצה וקשיא לנהרדעי דעבוד כתרי חומרי:

“De todo modo” — a baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná) está explicada, e é difícil quanto aos de Neharde’a, que agiram segundo duas rigorosidades.

170É a halachá, mas não se dá instrução assim
Rav Nachman bar Yitzchak
אָמַר רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק: כּוּלֵּיהּ כְּרַב עַבְדוּהּ. דְּאָמַר רַב הוּנָא אָמַר רַב: הֲלָכָה וְאֵין מוֹרִין כֵּן.

Rav Nachman bar Yitzchak disse: Os de Neharde’a fizeram-no inteiramente segundo Rav, pois Rav Huna disse que Rav disse: É a halachá, como o tanna kamma (o primeiro tanaíta, anônimo), mas não se dá instrução assim; por isso exigiram portas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “halachá” e “ve’ein morin ken”
הלכה - כתנא קמא: ואין מורין כן - אלא כחנניה דבעי דלתות:

“É a halachá” — como o tanna kamma.

“Mas não se dá instrução assim” — mas sim como Chananiá, que exige portas.

171É a halachá, e se dá instrução assim
A guemará
וּלְרַב אַדָּא בַּר אַהֲבָה אָמַר רַב, דְּאָמַר: הֲלָכָה וּמוֹרִין כֵּן, מַאי אִיכָּא לְמֵימַר?

Pergunta a guemará: E, segundo o que Rav Adda bar Ahava disse em nome de Rav, que disse: É a halachá, e se dá instrução assim, que há para dizer? Por que os de Neharde’a exigiram portas?

172Quando as rigorosidades se contradizem
Rav Sheizvi
אָמַר רַב שֵׁיזְבִי: כִּי לָא עָבְדִינַן כְּחוּמְרֵי דְּבֵי תְרֵי — הֵיכָא דְּסָתְרִי אַהֲדָדֵי.

Rav Sheizvi disse: O caso em que não agimos segundo as rigorosidades de dois mestres é onde elas se contradizem uma à outra.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “desatran ahadadei”
דסתרן אהדדי - תרי תנאי דפליגי מר מחמיר ומר מיקל וטעמא דחומריה דמר בהאי הוי קולא בדוכתא אחריתי וטעמא דקוליה דמר בהאי הוי חומרא בדוכתא אחריתי מאן דעבד בהנך תרי דוכתי לחומרא מיקרי כסיל דהא חד טעמא הוא דהכא הוי חומרא והכא הוי קולא ואי ההוא טעמא סבירא ליה ליעביד כקוליה וכחומריה:

“Que se contradizem uma à outra” — trata-se de dois tanaítas que divergem: um mestre é rigoroso, e o outro mestre é leniente; e a razão da rigorosidade de um mestre neste caso é leniência em outro lugar, e a razão da leniência do outro mestre neste caso é rigorosidade em outro lugar. Quem age nesses dois lugares com rigorosidade é chamado tolo, pois é uma só razão, que aqui é rigorosidade e ali é leniência; e, se ele adota aquela razão, que aja segundo a sua leniência e segundo a sua rigorosidade.

173A espinha e o crânio
A guemará
כְּגוֹן שִׁדְרָה וְגוּלְגּוֹלֶת. דִּתְנַן: הַשִּׁדְרָה וְהַגּוּלְגּוֹלֶת שֶׁחָסְרוּ — וְכַמָּה חֶסְרוֹן? בַּשִּׁדְרָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: שְׁתֵּי חוּלְיוֹת, וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים: חוּלְיָא אַחַת. וּבַגּוּלְגּוֹלֶת, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: כִּמְלֹא מַקְדֵּחַ, וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים: כְּדֵי שֶׁיִּנָּטֵל מִן הַחַי וְיָמוּת.

Como a espinha e o crânio. Pois aprendemos numa mishná: A espinha e o crânio que ficaram incompletos, não transmitem impureza por estar sob o mesmo teto do morto. E quanto é a falta? Na espinha, Beit Shammai dizem: Se faltam duas vértebras; e Beit Hillel dizem: Basta uma vértebra. E no crânio, Beit Shammai dizem: Se falta como o volume do furo de uma broca; e Beit Hillel dizem: É preciso que falte o bastante para que, se fosse retirado de um vivo, ele morresse.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kegon shidrá vegulgolet”, “hashidrá vehagulgolet” e “kimlo makdeach”
כגון שדרה וגולגולת - של מת דאיפליגו בה דלבית שמאי לא הוי חסרון אלא בב' חוליות ואם חסרה חוליא אחת עדיין מטמא באהל וגבי טריפה נמי לא הוי חסרון וכשירה והוי טעמא דבית שמאי חומרא לגבי מת ולבית הלל דאמרי חסרון הוא הוי חומרא לגבי טריפה ומאן דעביד בטריפה כבית הלל וכבית שמאי במת הוי כסיל דהא סתרין עובדי אהדדי דהכא הוי חסרון והכא לא הוי חסרון: השדרה והגולגולת - גבי טומאת אהל במת תנן כמה חסרון בשדרה ותצא מתורת שדרה ותידון כשאר עצם כשעורה שאינו מטמא באהל: כמלא מקדח - וכדי שינטל מן החי וימות מפרש להו בבכורות בפרק שלישי:

“Como a espinha e o crânio” — de um morto, sobre os quais divergiram: para Beit Shammai, não é falta senão quando faltam duas vértebras, e, se faltou uma vértebra, ainda transmite impureza por ohel (tenda, isto é, por estar sob o mesmo teto); e, quanto à tereifá (animal com lesão mortal, proibido mesmo após o abate), também não é falta, segundo eles, e o animal é apto. E a razão de Beit Shammai é rigorosidade quanto ao morto; e, para Beit Hillel, que dizem que é falta, é rigorosidade quanto à tereifá. E quem age na tereifá como Beit Hillel, e como Beit Shammai no morto, é tolo, pois as suas ações se contradizem uma à outra: aqui é falta, e aqui não é falta.

“A espinha e o crânio” — acerca da impureza por ohel no morto, aprendemos: Quanto é a falta na espinha para que saia da categoria de espinha e seja julgada como os outros ossos, do volume de um grão de cevada, que não transmitem impureza por ohel?

“Como o volume de uma broca” — e “o bastante para que fosse retirado de um vivo e ele morresse” são explicados em Bechorot, no terceiro perek.

174E assim quanto à tereifá
Rav Yehuda em nome de Shmuel
וְאָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: וְכֵן לְעִנְיַן טְרֵיפָה.

E Rav Yehuda disse que Shmuel disse: E assim divergem quanto à tereifá; e quem fosse rigoroso na tereifá como Beit Hillel e no morto como Beit Shammai agiria segundo rigorosidades que se contradizem.

175Onde não se contradizem, agimos
Rav Sheizvi
אֲבָל הֵיכָא דְּלָא סָתְרִי אַהֲדָדֵי עָבְדִינַן.

Mas onde não se contradizem uma à outra, agimos segundo as duas; e assim fizeram em Neharde’a, onde as rigorosidades de Rav e de Shmuel tratam de duas questões diferentes.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aval heicha dela satran chumrei ahadadei”
אבל היכא דלא סתרן חומרי אהדדי - כגון הכא דפליגי בתרי מילי דתליין בתרי טעמא מר מחמיר בהא עקום ומר מחמיר בהא מפולש ולא סתרן חומרי אהדדי עבדינן:

“Mas onde as rigorosidades não se contradizem uma à outra” — como aqui, onde divergem em duas questões que dependem de duas razões: um mestre é rigoroso neste caso, o torto, e o outro mestre é rigoroso neste caso, o aberto; e as rigorosidades não se contradizem uma à outra: agimos segundo ambas.

176O etrog de Rabi Akiva
Rav Mesharshiya
וְהֵיכָא דְּסָתְרִי אַהֲדָדֵי לָא עָבְדִינַן?! מֵתִיב רַב מְשַׁרְשְׁיָא: מַעֲשֶׂה בְּרַבִּי עֲקִיבָא שֶׁלִּיקֵּט אֶתְרוֹג בְּאֶחָד בִּשְׁבָט, וְנָהַג בּוֹ שְׁנֵי עִישּׂוּרִין: אֶחָד כְּדִבְרֵי בֵּית שַׁמַּאי, וְאֶחָד כְּדִבְרֵי בֵּית הִלֵּל?!

Pergunta a guemará: E onde se contradizem uma à outra não agimos?! Rav Mesharshiya objetou: Houve um caso com Rabi Akiva, que colheu um etrog no primeiro de Shevat e aplicou a ele as leis de dois dízimos: um segundo as palavras de Beit Shammai, para quem o primeiro de Shevat é o ano novo das árvores, e um segundo as palavras de Beit Hillel, para quem o ano novo das árvores é o quinze de Shevat?!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shelikét etrog”, “shenei issurin”, “echad kedivrei Beit Shammai” e “ve’echad kedivrei Beit Hillel”
שליקט אתרוג - כל האילן קרוי אתרוג: שני עישורין - שניה יוצאה ושלישית נכנסת הואי שנה שניה לשמיטה מעשר ראשון ושני והשלישית מעשר ראשון ומעשר עני: אחד כדברי בית שמאי - דאמרי באחד בשבט ראש השנה לאילן וכבר נכנסת שלישית: ואחד כדברי בית הלל - דאמרי עד חמשה עשר בו לא הוי ראש השנה ועדיין שניה היא:

“Que colheu um etrog” — toda a árvore é chamada etrog.

“Dois dízimos” — o segundo ano saía e o terceiro entrava. Era o segundo ano do ciclo da shemitá (ano sabático): nele se separam o primeiro dízimo e o segundo; e, no terceiro, o primeiro dízimo e o dízimo dos pobres.

“Um segundo as palavras de Beit Shammai” — que dizem: No primeiro de Shevat é o ano novo das árvores, e já entrou o terceiro ano.

“E um segundo as palavras de Beit Hillel” — que dizem: Até o quinze do mês não é o ano novo, e ainda é o segundo ano.

177Rabi Akiva estava em dúvida
A guemará
רַבִּי עֲקִיבָא גְּמָרֵיהּ אִיסְתַּפֵּיק לֵיהּ, וְלָא יְדַע אִי בֵּית הִלֵּל בְּחַד בִּשְׁבָט אֲמוּר, אִי בַּחֲמֵיסַר בִּשְׁבָט אֲמוּר, וַעֲבַד הָכָא לְחוּמְרָא וְהָכָא לְחוּמְרָא.

Responde a guemará: Rabi Akiva ficou em dúvida quanto à sua tradição, e não sabia se Beit Hillel disseram no primeiro de Shevat ou se disseram no quinze de Shevat; e agiu aqui com rigorosidade e aqui com rigorosidade, e não por seguir as rigorosidades de duas opiniões.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “gemarei istapek lei”
גמריה איסתפיק ליה - וכוליה כבית הלל עבד:

“Ficou em dúvida quanto à sua tradição” — e agiu inteiramente como Beit Hillel.

Guemará: a rua principal e o vale · סְרַטְיָא מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן

178Seratya de um lado e seratya do outro
Rav Yossef em nome de Rav Yehuda e de Rav
יָתֵיב רַב יוֹסֵף קַמֵּיהּ דְּרַב הוּנָא, וְיָתֵיב וְקָאָמַר, אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: מַחֲלוֹקֶת בִּסְרַטְיָא מִכָּאן וּסְרַטְיָא מִכָּאן, וּפְלַטְיָא מִכָּאן וּפְלַטְיָא מִכָּאן.

Rav Yossef estava sentado diante de Rav Huna, e estava sentado e dizia: Rav Yehuda disse que Rav disse: A controvérsia entre o tanna kamma e Chananiá é quando há uma seratya (rua principal) de um lado e uma seratya do outro, ou uma pelatya (praça) de um lado e uma pelatya do outro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “machloket” e “seratya ufelatya”
מחלוקת - דמבואות המפולשין דת"ק וחנניה: סרטיא ופלטיא - שתיהן רה"ר כדאמרינן ביציאות השבת (שבת ד' ו.) איזהו רה"ר סרטיא ופלטיא סרטיא דרך הילוך בני אדם פלטיא רחוב לשווקים והיכא דשני ראשין מפולשין ברה"ר הוא דפליג חנניה ואמר בעי דלת:

“A controvérsia” — sobre os mevoot (becos para os quais se abrem pátios) abertos, do tanna kamma e de Chananiá.

“Seratya e pelatya” — ambas são domínio público, como dizemos no perek Yetziot HaShabbat (Shabbat 6a): Qual é o domínio público? Seratya e pelatya. Seratya é o caminho por onde andam as pessoas; pelatya, a praça dos mercados. E é onde as duas extremidades estão abertas para o domínio público que Chananiá diverge e diz que é preciso porta.

179Seratya de um lado e vale do outro
Rav Yossef em nome de Rav Yehuda e de Rav
אֲבָל סְרַטְיָא מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן, אוֹ בִּקְעָה מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן — עוֹשֶׂה צוּרַת הַפֶּתַח מִכָּאן וְלֶחִי וְקוֹרָה מִכָּאן.

Mas se há uma seratya de um lado e um vale do outro, ou um vale de um lado e um vale do outro, faz-se uma tzurat hapetach (forma de porta: dois postes verticais, um de cada lado, e uma viga horizontal sobre eles) de um lado, e lechi (poste lateral) e korá (viga transversal) do outro, e isto basta também segundo Chananiá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bik’á”
בקעה - כרמלית היא ואיסורא דרבנן הוא:

“Vale” — é karmelit (domínio intermediário, nem público nem privado), e a sua proibição é rabínica.

180Vale de um lado e vale do outro: é preciso dizer?
A guemará
הַשְׁתָּא סְרַטְיָא מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן, עוֹשֶׂה לוֹ צוּרַת הַפֶּתַח מִכָּאן וְלֶחִי וְקוֹרָה מִכָּאן — בִּקְעָה מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן מִיבַּעְיָא?!

Pergunta a guemará: Agora, se quando há uma seratya de um lado e um vale do outro faz-se tzurat hapetach de um lado, e lechi e korá do outro, quando há um vale de um lado e um vale do outro, é preciso dizê-lo?!

181Torna-se como vale de um lado e vale do outro
A guemará
הָכִי קָאָמַר: סְרַטְיָא מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן — נַעֲשֶׂה כְּבִקְעָה מִכָּאן וּבִקְעָה מִכָּאן.

Responde a guemará: Assim ele diz: Se há uma seratya de um lado e um vale do outro, o mavoi torna-se como se houvesse um vale de um lado e um vale do outro.

Guemará: o mavoi que termina numa rechavá · מָבוֹי כָּלֶה לִרְחָבָה

182Não é preciso coisa alguma
Rav Yossef em nome de Rav Yehuda
וּמְסַיֵּים בַּהּ מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב יְהוּדָה: אִם הָיָה מָבוֹי כָּלֶה לִרְחָבָה, אֵין צָרִיךְ כְּלוּם.

E concluía com ela, em nome de Rav Yehuda: Se o mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) terminava numa rechavá (espaço aberto atrás das casas), não é preciso coisa alguma daquele lado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “umessayem bah” e “ein tsarich klum”
ומסיים בה - רב יוסף משמיה דרב יהודה סתמא ולא פירש לו רב יהודה לרב יוסף ממי קבל האי סיום דאם היה סוף המבוי הזה המפולש לרה"ר כלה לרחבה ודרך הרחבה היה המבוי מפולש שנפרץ כותל הרחבה שכנגדו לרה"ר. רחבה היקף חצר שאחורי בתים קרי רחבה מוקפת ארבע מחיצות: אין צריך כלום - לתקן אותה פתיחה של צד הרחבה אלא ראש המופלש לרה"ר צריך לחי או קורה כתורת מבוי סתום ועל כרחיך בדנפרצה נמי רחבה כנגד פרצת המבוי בכותל שכנגדו לרה"ר אתא לאשמועינן ואמפולשין דלעיל קאי דאי ברחבה סתומה לגמרי פשיטא דהא סתימה מעלייתא היא והא ליכא למימר דמשום בני רחבה איצטריך לאשמועינן דלא אסרי אבני מבוי ואפילו לא עירבו עמהן דהא נמי פשיטא דרחבה לא בעיא לערובי דסתם רחבה אין בה דיורין לצאת ולבא ואין תשמישה תדיר כדאמרינן בפרק שני (ד' כה.) מאן דשרי לטלטולי מן המבוי לתוכה משום דלית בה דיורין והלכתא כוותיה דקיימא לן בכל התורה רב אחא לחומרא ורבינא לקולא והלכתא כרבינא לקולא בר מאומצא ביעי ומזריקי ורחבה לאו דוקא נקט והוא הדין לחצר שיש בה דיורין וערבו אלא עובדא ברחבה היתה כדאמרינן לקמן עובדא הוה בדורא דרעותא כו'. כל כניסה ויציאה דבתים שבהש"ס דרך החצר הוא וחצר לפני הבתים:

“E concluía com ela” — Rav Yossef, em nome de Rav Yehuda, sem especificar; e Rav Yehuda não explicou a Rav Yossef de quem recebeu esta conclusão: que, se o fim deste mavoi aberto para o domínio público terminava numa rechavá, e era por meio da rechavá que o mavoi estava aberto, pois a parede da rechavá que lhe fica em frente foi rompida para o domínio público, não é preciso coisa alguma. Rechavá: o recinto do pátio que fica atrás das casas é chamado rechavá, cercado por quatro divisórias.

“Não é preciso coisa alguma” — para consertar aquela abertura do lado da rechavá; mas a extremidade aberta para o domínio público precisa de lechi ou korá, segundo a lei de um mavoi fechado. E forçosamente vem nos ensinar o caso em que também a rechavá foi rompida, em frente à brecha do mavoi, na parede que lhe fica em frente, para o domínio público; e refere-se aos abertos de que se falou acima. Pois, se fosse numa rechavá completamente fechada, é óbvio, pois esta é um fechamento perfeito. E não se pode dizer que foi necessário ensinar-nos por causa dos moradores da rechavá, que não proíbem os moradores do mavoi, mesmo que não tenham feito eruv (junção) com eles; pois também isto é óbvio, já que a rechavá não precisa de eruv, pois uma rechavá comum não tem moradores que entrem e saiam, e o seu uso não é frequente, como dizemos no segundo perek (Eruvin 25a) sobre quem permite carregar do mavoi para dentro dela: porque não há nela moradores. E a halachá é como ele, pois estabelecemos em toda a Torá: Rav Acha, para a rigorosidade, e Ravina, para a leniência, e a halachá é como Ravina, para a leniência, exceto quanto ao umtza (a carne crua), aos beiei (os testículos) e aos mezrikei (as veias). E não disse rechavá em sentido estrito, e o mesmo vale para um pátio que tem moradores e fizeram eruv; mas o caso ocorreu numa rechavá, como dizemos adiante: Houve um caso em Dura deRe’uta etc. Toda entrada e saída das casas em todo o Talmud é por meio do pátio, e o pátio fica diante das casas.

Nota

Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre o mavoi que termina numa rechavá com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.

183Esta palavra de Rav Yehuda é de Shmuel
Abaye
אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי לְרַב יוֹסֵף: הָא דְּרַב יְהוּדָה דִּשְׁמוּאֵל הִיא.

Abaye disse a Rav Yossef: Esta palavra de Rav Yehuda é de Shmuel.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ha deRav Yehuda”
הא דר"י - הא דסיימת משמיה דרב יהודה ולא פירש לך ממאן גמרה כדמפרש ברישא דמילתיה משמיה דרב האי סיומא ע"כ משמואל רביה גמרה:

“Esta de Rav Yehuda” — esta palavra que concluíste em nome de Rav Yehuda, e não te explicou de quem a aprendeu, como explica no início da sua palavra: em nome de Rav; esta conclusão, forçosamente, ele a aprendeu de Shmuel, o seu mestre.

O daf termina aqui: Abaye diz a Rav Yossef que a conclusão de Rav Yehuda sobre o mavoi que termina numa rechavá é de Shmuel. A guemará prossegue em Eruvin 7b.