O daf começa a guemará sobre a mishná dos homens de uma cidade grande, com que terminou Eruvin 61a. Rav Yehuda, em nome de Shmuel, ensina que, segundo os Rabanan, quem repousou numa cidade destruída a percorre toda e mais duas mil amot fora dela, mas quem só pôs nela o eruv tem duas mil amot a partir do eruv; Rabi Elazar não distingue. A guemará objeta com a resposta dos sábios a Rabi Akiva, “quando não há nela moradores”, e responde que se trata do lugar que não é apto para morada. Objeta ainda com a baraita da cidade grande como Antioquia e da caverna de Tzidkiyahu, que parece só permitir a quem repousou, e responde que a caverna se compara à cidade habitada e que a baraita é de Rabi Akiva; a caverna é como a de Tzidkiyahu no tamanho, mas não na falta de moradores. Mar Yehuda aconselha os de Mevarachta a levar o eruv até o fundo da sinagoga de Bei Agovar, e Rava o repreende: em eruvin ninguém se preocupa com a palavra de Rabi Akiva. Com o hadran encerra-se o Perek Heh (Keitzad Meabrin), e abre-se o Perek Vav (HaDar) com a mishná de quem mora com o gentio no pátio, a palavra de Rabi Eliezer ben Yaakov e o caso do saduceu contado por Rabban Gamliel, em duas versões; o daf termina com essa mishná.
GUEMARÁ. Disse Rav Yehuda, disse Shmuel: Se alguém repousou numa cidade destruída, segundo os Rabanan percorre toda ela, como se fosse quatro amot, e fora dela mais duas mil amot. Se pôs o seu eruv numa cidade destruída, não tem a partir do lugar do seu eruv senão duas mil amot, e a cidade lhe entra na medida. Rabi Elazar diz: Tanto quem repousou como quem pôs o eruv percorre toda ela e fora dela mais duas mil amot.
GUEMARÁ. “Numa cidade destruída” — isto é, destruída dos seus moradores, mas as suas muralhas estão de pé ao seu redor.
“Segundo os Rabanan, percorre toda ela” — pois repousou no espaço cercado por divisórias; e o mesmo vale para Rabi Akiva. E o que Shmuel mencionou, “segundo os Rabanan”, foi por causa de quem põe o seu eruv, pois quis ensinar a distinção entre a cidade destruída e a habitada; e, segundo Rabi Akiva, mesmo na habitada não tem a partir do lugar do seu eruv senão duas mil amot.
“Se pôs o seu eruv numa cidade destruída” etc. — pois, quando os Rabanan disseram que a cidade inteira lhe é como quatro amot, foi na habitada, como aprendemos explicitamente: “Quando? Quando não há nela moradores”; logo, na destruída concordam com Rabi Akiva.
Começa a guemará sobre a mishná dos homens de uma cidade grande (Mishná Eruvin 5:8–5:9), que o Talmud trouxe no fim de Eruvin 61a (blocos 2145–2148). Rav Yehuda, em nome de Shmuel, distingue: quem repousou de fato numa cidade destruída, isto é, sem moradores, percorre toda ela como quatro amot e mais duas mil fora; quem só pôs ali o seu eruv conta as duas mil amot a partir do eruv. Rabi Elazar não distingue. Segundo o Rashi, a cidade destruída é a que perdeu os moradores, mas conserva as muralhas; quem repousou nela está cercado por divisórias, e nisso também Rabi Akiva concorda; Shmuel diz “segundo os Rabanan” só por causa do caso do eruv, pois Rabi Akiva não distingue entre a cidade destruída e a habitada; e os Rabanan concordam com Rabi Akiva na destruída, pela resposta “quando não há nela moradores” da mishná (bloco 2147). O lema do Rashi “לרבנן מהלך את כולה” resume a frase da guemará, e “הניח עירובו” omite “אֶת”. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Objetam a partir da mishná: Disse-lhes Rabi Akiva: Não concordais comigo, quanto a quem põe o seu eruv numa caverna, que não tem a partir do lugar do seu eruv senão duas mil amot? Disseram-lhe os sábios: Quando é assim? Quando não há nela moradores. Logo, quando não há nela moradores, concordam com ele, que só tem duas mil amot a partir do eruv!
Esta é a versão que lemos: “Logo, quando não há nela moradores, concordam com ele.”
A objeção vem da própria mishná (blocos 2146–2147): os sábios responderam a Rabi Akiva que, na caverna sem moradores, se contam as duas mil amot a partir do eruv; logo, num lugar sem moradores, como a cidade destruída, eles concordam com Rabi Akiva, e isso contradiz a palavra de Rabi Elazar. O Rashi fixa a leitura “מודין ליה”, onde o texto impresso da guemará diz “מוֹדוּ לֵיהּ”; o sentido é o mesmo. A tradução de referência entende do mesmo modo.
A guemará responde: Que é “não há nela moradores”? Não é apta para morada.
“Não é apta para morada” — isto é, que as suas muralhas caíram.
A resposta salva Rabi Elazar: na mishná, “não há nela moradores” não quer dizer que esteja vazia, mas que não serve para morar; segundo o Rashi, porque as suas divisórias caíram. A cidade destruída de Shmuel, cujas muralhas estão de pé, continua apta para morada, e por isso, segundo Rabi Elazar, também quem só pôs ali o eruv a percorre toda. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Vem e ouve: Se alguém repousou numa cidade, mesmo que ela seja grande como Antioquia, numa caverna, mesmo que ela seja como a caverna de Tzidkiyahu, rei de Yehuda, percorre toda ela e fora dela mais duas mil amot. Ensina-se a cidade semelhante à caverna: assim como a caverna é destruída, também a cidade é destruída. E, se repousou, sim; mas, se pôs o eruv, não.
“A caverna de Tzidkiyahu” — era grande, e é aquela por onde Tzidkiyahu saiu de noite de Jerusalém, para fugir diante dos caldeus, como está escrito em Yirmeyahu: “E a cidade foi rompida” etc.
“Também a cidade é destruída” — e forçosamente é destruída de moradores, e não de muralha; pois, se fosse destruída de muralha, não ensinaria “percorre toda ela”, já que não repousou no espaço cercado por divisórias, e o mesmo vale para Rabi Akiva. E, embora haja muralha, ensina “repousou” e não ensina “pôs”.
A guemará objeta com uma baraita: quem repousou numa cidade, mesmo grande como Antioquia, ou numa caverna, mesmo como a de Tzidkiyahu, percorre toda ela. Como a caverna de Tzidkiyahu não tinha moradores, a guemará deduz que também a cidade é destruída, e que a baraita só permite a quem repousou ali, e não a quem pôs ali o eruv, contra Rabi Elazar. Segundo o Rashi, a cidade é destruída de moradores, mas não de muralha, pois sem muralha nem quem repousou nela a percorreria toda. O versículo que o Rashi cita é Yirmeyahu 52:7 (conferido; o paralelo é Melachim Bet 25:4, conferido), que conta que, rompida a cidade, os homens de guerra fugiram de noite pelo portão entre as duas muralhas; a caverna não é mencionada no versículo, e a identificação vem do Rashi. No Rashi, o capítulo “(נב)” e as palavras “(וה"ה ר' עקיבא)”, “e o mesmo vale para Rabi Akiva”, vêm entre parênteses no Sefaria. Mantemos “Antioquia” como nas páginas anteriores. A tradução de referência entende do mesmo modo.
De quem é a baraita? Se disseres Rabi Akiva, por que justamente a destruída? Mesmo a habitada também! Antes, não é dos Rabanan? E a razão é que repousou: sim; mas, se pôs o eruv, não!
“Segundo quem” — é isto, que não ensina “pôs”?
“Se disseres que é Rabi Akiva” — que não admite, no caso de quem pôs, que percorre toda ela: por que ensina a cidade semelhante à caverna, para dizer que se trata da destruída?
“Mesmo a habitada também” — quem pôs, segundo Rabi Akiva, não percorre toda ela. E não se pode dizer que mencionou “destruída” por causa de “repousou”, para dizer que, embora ela seja destruída, onde repousou percorre toda ela; pois, então, por que justamente uma cidade? Mesmo sobre um monte, numa cova, ou numa seara ceifada cercada de espigas ainda de pé, dissemos no nosso primeiro perek que percorre toda ela.
“Antes, não é dos Rabanan?” — e conclui-se daí que, na destruída, concordam com Rabi Akiva; pois forçosamente a baraita mencionou “destruída” por causa da omissão que deixou, ao não ensinar “pôs”.
A guemará continua: a baraita não pode ser de Rabi Akiva, pois para ele quem pôs o eruv não percorre a cidade nem mesmo habitada, e não haveria razão para falar da destruída; logo, é dos Rabanan, e eles só permitem a quem repousou ali, o que contradiz Rabi Elazar. Segundo o Rashi, a palavra “destruída” também não se explica como um “mesmo que destruída” para quem repousou, pois quem repousou num espaço cercado percorre todo ele, mesmo num monte, numa cova ou numa seara ceifada cercada de espigas, como se ensinou no primeiro perek: é a baraita de Eruvin 15a (conferido), que o Rashi indica entre parênteses no Sefaria, “(דף טו.)”. Sobrou, portanto, só a razão de que a baraita omitiu “pôs” de propósito. O lema “אי נימא” corresponde a “אִילֵימָא” da guemará, e “אפי' ישיבה נמי” a “אֲפִילּוּ יְשִׁיבָה נָמֵי”. A tradução de referência entende do mesmo modo.
A guemará rejeita: Não digas “a cidade semelhante à caverna”, mas dize “a caverna semelhante à cidade”: assim como a cidade é habitada, também a caverna é habitada. E a baraita é de Rabi Akiva, que disse: Não tem a partir do lugar do seu eruv senão duas mil amot; e, no caso de quem repousou ali, concorda que percorre toda ela.
“Também a caverna é habitada” — e a baraita vem ensinar-nos que, mesmo assim, se repousou, sim; se pôs, não, conforme Rabi Akiva.
A guemará inverte a comparação: a caverna é que se compara à cidade, e ambas são habitadas; a baraita é então de Rabi Akiva, que nega a quem pôs o eruv, mesmo num lugar habitado, o direito de percorrê-lo inteiro, mas concorda que quem repousou ali o percorre todo. Assim, a baraita nada diz contra Rabi Elazar. O Rashi o resume: mesmo na caverna habitada, segundo Rabi Akiva, “repousou” sim, “pôs” não. A tradução de referência entende do mesmo modo.
A guemará pergunta: Mas ensina-se “como a caverna de Tzidkiyahu”! Responde: Como a caverna de Tzidkiyahu e não como a caverna de Tzidkiyahu. Como a caverna de Tzidkiyahu: que é grande. E não como a caverna de Tzidkiyahu: pois ali era destruída, e aqui é habitada.
“Mas ensina-se ‘como a caverna de Tzidkiyahu’” — e ali não havia moradores, pois era do rei; ou então, a baraita diz que agora não há nela moradores.
A guemará objeta que a caverna de Tzidkiyahu não era habitada; e responde que a baraita a compara só pelo tamanho, e não pela falta de moradores. O Rashi dá duas razões para dizer que não era habitada: era do rei, e ninguém morava nela; ou então, agora, quando se ensinou a baraita, já não tinha moradores. No Rashi, a palavra “[דרין]”, “que morassem”, vem entre colchetes no Sefaria, ao lado de “דיורין”, como variante; a tradução a absorve em “moradores”. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Mar Yehuda encontrou os moradores de Mevarachta, que punham os seus eruvin na sinagoga de Bei Agovar, sem levá-los até o fundo dela. Disse-lhes: Entrai mais nela, com o eruv, para que vos seja permitido mais caminho.
“Na sinagoga de Bei Agovar” — era uma sinagoga grande, e toda ela estava absorvida dentro das duas mil amot do techum de Mevarachta; e eles não se preocupavam em levar o eruv até o fundo dela e pô-lo ali, pois entendiam como os Rabanan, que, uma vez que o eruv está posto no espaço cercado por divisórias, percorrem toda ela e fora dela duas mil amot.
“Entrai mais nela” — aprofundai-vos ainda mais, para colocar o eruv até o fundo dela e deixá-lo ali.
“Para que vos seja permitido mais” — pois a partir do lugar do eruv é que deveis medir.
Mar Yehuda age conforme Rabi Akiva: as duas mil amot se medem a partir do próprio eruv, e por isso aconselha os de Mevarachta a levá-lo até o fundo da sinagoga, do lado do seu caminho. Segundo o Rashi, era uma sinagoga grande, toda dentro do techum de Mevarachta, e eles a tratavam como um espaço cercado, à maneira dos Rabanan, sem se preocupar com o lugar do eruv dentro dela. Mantemos a grafia “Mevarachta” de Eruvin 47b. “Bei Agovar” traduz “בֵּי אַגּוֹבָר”, literalmente “a casa de Agovar”; não fica claro se é o nome de um lugar ou de uma pessoa, e a tradução de referência diz “Beit Agovar”. O lema do Rashi diz “דלישתרו”, onde a guemará diz “דְּלִישְׁתְּרֵי”. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Disse-lhe Rava: Palgaá (tu que divergis dos sábios)! Em eruvin, não há quem se preocupe com esta palavra de Rabi Akiva.
“Palgaá” — isto é, tu divergis dos sábios!
“Em eruvin, não há quem se preocupe com esta de Rabi Akiva” — pois temos estabelecido que a halachá é conforme as palavras de quem é leniente no eruv.
Rava repreende Mar Yehuda por seguir a opinião isolada de Rabi Akiva contra os sábios: em eruvin, segue-se a opinião leniente, e quem pôs o eruv numa cidade a percorre toda. Seguimos o Rashi, que explica “פָּלְגָאָה” como “tu divergis dos sábios”; a tradução de referência traduz por “argumentativo”, isto é, quem gosta de discutir. A regra que o Rashi cita é de Rabi Yehoshua ben Levi, em Eruvin 46a (conferido): “a halachá é conforme as palavras de quem é leniente no eruv”. O lema do Rashi diz “להא דר' עקיבא”, abreviando “לְהָא דְּרַבִּי עֲקִיבָא”.
Voltaremos a ti, Keitzad Meabrin! Com esta fórmula tradicional se encerra o estudo de cada capítulo do Talmud: quem estuda promete voltar ao capítulo concluído, aqui o Perek Heh, chamado Keitzad Meabrin pelas palavras com que começa.
MISHNÁ. Quem mora com o nochri (gentio) no mesmo pátio, ou com quem não reconhece o eruv, eis que este lhe proíbe o pátio, isto é, levar objetos da sua casa para ele.
Com o hadran, encerra-se o Perek Heh (Keitzad Meabrin), que vai de 52b a 61b, e abre-se aqui o Perek Vav (HaDar), chamado pelas palavras com que começa esta mishná, “הַדָּר”, “quem mora”. Os blocos 2159–2160 correspondem à Mishná Eruvin 6:1, e os blocos 2161–2162 à Mishná Eruvin 6:2 (conferido). A mishná passa do techum ao eruv dos pátios: quem mora num pátio com um gentio, ou com quem não reconhece o eruv, não pode levar objetos da sua casa ao pátio, enquanto não alugar o domínio do vizinho, como explica o Rashi. Ao fim desta cláusula, a edição avulsa acrescenta “דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר”, “palavras de Rabi Meir”, e escreve “הַנָּכְרִי בֶחָצֵר” e “בָעֵרוּב”. A guemará desta mishná vem em Eruvin 62a. A tradução de referência entende do mesmo modo.
MISHNÁ. “Quem mora com o idólatra, ou com quem não reconhece o eruv” — isto é, o kuti (samaritano), como se diz no perek BaKol Mearvin.
“Proíbe-lhe” — levar da sua casa para o pátio, até que alugue dele o domínio que ele tem no pátio.
Segundo o Rashi, quem não reconhece o eruv é o kuti, como se diz no Perek Guimel (BaKol Mearvin), em Eruvin 31b (conferido), onde Rav Chisda identifica com os “כּוּתָאֵי” quem não reconhece o eruv; o Rashi indica a página entre parênteses no Sefaria, “(עירובין דף לא:)”. A proibição dura até que o judeu alugue do vizinho o domínio que este tem no pátio. O lema do Rashi diz “עם העכו"ם”, “com o idólatra”, onde a guemará diz “עִם הַנׇּכְרִי”, “com o gentio”, e omite “בֶּחָצֵר”; é uma troca comum nas edições impressas, e traduzimos o lema como está.
Rabi Eliezer ben Yaakov diz: Nunca o gentio proíbe, até que haja dois israelitas, que proíbem um ao outro, morando no pátio.
“Até que haja dois israelitas” — que moram em duas casas, e proíbem um ao outro, e vêm fazer eruv entre eles: então o gentio lhes proíbe; mas ao indivíduo não proíbe. E na guemará se explica a razão.
Rabi Eliezer ben Yaakov limita a regra: o gentio só proíbe quando há no pátio dois judeus que precisariam de eruv entre si; o judeu que mora sozinho com o gentio pode levar objetos da sua casa ao pátio. Segundo o Rashi, a razão se explica na guemará, que vem em Eruvin 62a. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Disse Rabban Gamliel: Houve um caso com um tzeduki (saduceu) que morava conosco num mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) em Jerusalém, e que nos anulara o seu domínio; e o pai nos disse: Apressai-vos e levai os objetos para o mavoi, antes que ele leve os seus e vos proíba o mavoi.
“Um caso com um tzeduki” — Rabban Gamliel entende que o tzeduki não é como o idólatra, e não se compara ao kuti, pois estes são convertidos por medo dos leões, e não convertidos completos; mas o tzeduki é israelita, e se voltou para a heresia, e não reconhece a Torá oral; e, já que é israelita, pode anular o seu domínio sem nenhum aluguel.
“Um caso com um tzeduki que morava conosco no mavoi” — e ele nos anulou o seu domínio.
“E o pai nos disse: Apressai-vos e levai os vossos objetos para o mavoi” — e tomai posse dele logo que o dia se santificar, para que ele não volte atrás.
“Antes que ele leve” — os seus objetos primeiro, e volte a tomar posse do seu domínio e vos proíba. E daqui se conclui que ele não é como o gentio; pois, se tivessem alugado dele, como poderia voltar atrás? Mesmo que os levasse, não proibiria, pois tomou o dinheiro do aluguel.
Começa aqui a Mishná Eruvin 6:2 (conferido). Rabban Gamliel conta que, em Jerusalém, um saduceu do mesmo mavoi lhes tinha anulado o seu domínio, e o pai dele os mandou levar logo os objetos para o mavoi, antes que o saduceu levasse os seus e voltasse a proibir. Segundo o Rashi, Rabban Gamliel trata o saduceu como israelita, que anula o domínio sem aluguel, ao contrário do gentio, de quem é preciso alugar, e do kuti, que é chamado convertido por causa dos leões, referência a Melachim Bet 17:25–26 (conferido); e, ao tomar posse do mavoi assim que entra o Shabat, os moradores impedem que ele volte atrás. Compare-se a Tosefta Eruvin 5:18 (Lieberman; conferida): o israelita dá e anula o domínio, e com o gentio, só depois de alugar. No Rashi, “וביטלנו רשותו” é conciso; entendemos “e nos anulou o seu domínio”, como a tradução de referência, e a leitura é incerta. O lema do Rashi diz “והוציאו כליכם”, “levai os vossos objetos”, onde a mishná diz “וְהוֹצִיאוּ אֶת הַכֵּלִים”; a edição avulsa diz “אֶת כָּל הַכֵּלִים”, “todos os objetos”, e escreve “בִצְדוֹקִי” e “דָר”. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Rabi Yehuda diz que ele o disse com outra linguagem: Apressai-vos e fazei as vossas necessidades no mavoi, ainda de dia, antes que ele leve os seus objetos e vos proíba o mavoi.
“Apressai-vos e fazei as vossas necessidades no mavoi” — enquanto ainda é dia; pois no Shabat essa anulação não vos serve, porque talvez ele leve os seus objetos e vos proíba; pois Rabi Yehuda entende que, mesmo que os moradores do mavoi tenham tomado posse do mavoi primeiro, ele pode voltar atrás.
Na versão de Rabi Yehuda, o pai de Rabban Gamliel não permitiu usar o mavoi no Shabat: mandou fazer ainda de dia tudo o que precisassem, pois o saduceu poderia voltar atrás a qualquer momento. Segundo o Rashi, para Rabi Yehuda a anulação do saduceu não vale no Shabat, porque ele pode voltar atrás mesmo depois de os moradores tomarem posse do mavoi. A edição avulsa escreve “צָרְכֵיכֶם”, onde o Talmud diz “צׇרְכֵיכֶם”. A tradução de referência entende do mesmo modo.