Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Dalet (Mi SheHotziuhu) · 48a
שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו

A divisória de ferro e o riso de Rabi Yossi bar Rabi Chanina; as quatro amot de quem dormiu no caminho; a amá de cada um; Rabi Shimon e os três pátios

Eruvin 48a — Perek Dalet (Mi SheHotziuhu, Eruvin 41b:6-52b:15) · continuação da baraita de Rabi Chiya: uma divisória de ferro; Rabi Yossi bar Rabi Chanina ri · rios que correm e fontes que brotam; talvez em águas represadas · a leniência dos Sábios na água: Rabi Tavla e Rav · quem dormiu no caminho: Rava, oito por oito; andar e carregar · “Ficai cada um no seu lugar”: Rabi Meir e Rabi Yehuda · Rav Mesharshiya, o seu filho e Rav Pappa: a amá de cada um e Og, rei de Bashan · Rabi Shimon e os três pátios · Rav Yehuda e Rav Sheshet · continua de Eruvin 47b; a guemará continua em Eruvin 48b

A baraita de Rabi Chiya se completa: o cherem entre os techumin de duas cidades precisa de uma divisória de ferro para separá-lo; e Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria desse ensino. A guemará procura a razão do riso: não pode ser só porque ele pensa como os Rabanan; nem pela baraita dos rios que correm e das fontes que brotam, que são como os pés de toda pessoa, pois talvez se trate de águas represadas; nem por a água passar também pela divisória de ferro, pois talvez a baraita diga que não há remédio. Ria, antes, porque os Sábios foram lenientes na água, como Rav respondeu a Rabi Tavla sobre a divisória suspensa. A guemará volta então à mishná de quem dormiu no caminho: Rava explica que a diferença entre Rabi Yehuda e os sábios é um espaço de oito por oito amot, para andar e não para carregar; as quatro amot vêm de “Ficai cada um no seu lugar”, segundo Rabi Meir e Rabi Yehuda. Rav Mesharshiya manda o filho perguntar a Rav Pappa se as amot se medem pelo antebraço de cada um, e Rav Pappa responde que sim, embora não para o anão nos seus membros. Por fim, a guemará explica a comparação de Rabi Shimon com os três pátios e pergunta por que os dois pátios exteriores estão proibidos um com o outro; respondem Rav Yehuda e Rav Sheshet, cuja palavra continua em Eruvin 48b.

O cherem e a divisória de ferro · מְחִיצָה שֶׁל בַּרְזֶל לְהַפְסִיקוֹ

1676Uma divisória de ferro; Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria
A guemará
מְחִיצָה שֶׁל בַּרְזֶל לְהַפְסִיקוֹ. מְחַיֵּיךְ עֲלֵיהּ רַבִּי יוֹסֵי בְּרַבִּי חֲנִינָא.

Continuação da baraita: “…de uma divisória de ferro para separá-lo entre um techum e outro.” Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria dele (desse ensino).

Nota

A baraita de Rabi Chiya começa no fim de Eruvin 47b (bloco 1675): “Um cherem que está entre os techumin de Shabat precisa…”; aqui ela se completa. Mantemos a leitura do Rashi já adotada em 47b: o “cherem” é uma rede de pesca, uma cerca de canas estendida na água, que separa os techumin de duas cidades; segundo o Rashi, a divisória de ferro serve para que as águas de um techum não passem para o outro, pois a água dentro do techum de uma cidade segue a cidade. A tradução de referência entende “cherem” como um fosso cheio de água, que a divisória dividiria em duas partes. “Ria” traduz “מְחַיֵּיךְ”, particípio. O Sefaria não liga Rashi próprio a este segmento: os dois comentários que explicam “צריך לעשות מחיצה של ברזל” e a pergunta do segmento seguinte (“ה"ג אי נימא…”) estão ligados a Eruvin 47b:17 e já foram traduzidos em 47b (bloco 1675); não os repetimos aqui.

1677Por que ria?
A guemará
מַאי טַעְמָא קָא מְחַיֵּיךְ? אִילֵּימָא מִשּׁוּם דְּתָנֵי לַהּ כְּרַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי לְחוּמְרָא, וְאִיהוּ סְבִירָא לֵיהּ כְּרַבָּנַן לְקוּלָּא. ומִשּׁוּם דְּסָבַר לְקוּלָּא, מַאן דְּתָנֵי לְחוּמְרָא מְחַיֵּיךְ עֲלֵהּ?

Por que razão ria? Se disseres que é porque Rabi Chiya a ensinou segundo Rabi Yochanan ben Nuri, para o rigor, e ele (Rabi Yossi bar Rabi Chanina) pensa como os Rabanan, para a leniência; e, porque ele pensa para a leniência, de quem ensina para o rigor ele ri?

Nota

A pergunta é feita com espanto, como diz o Rashi em 47b (bloco 1675), que lê “ה"ג” esta passagem com pequenas diferenças. Segundo o Rashi ali, Rabi Chiya teria ensinado a sua baraita segundo Rabi Yochanan ben Nuri, para quem objetos sem dono adquirem shevitá dentro dos techumin (Eruvin 45b, bloco 1587), e por isso a água precisaria ser separada; e Rabi Yossi bar Rabi Chanina pensaria como os Rabanan da Mishná Eruvin 4:5 (Eruvin 45a, bloco 1572), para quem os objetos sem dono não adquirem shevitá e “são como os pés de toda pessoa”. Mas ter outra opinião não é razão para rir de quem ensina segundo a opinião mais rigorosa. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1678Rios que correm e fontes que brotam
A guemará
אֶלָּא, מִשּׁוּם דְּתַנְיָא: נְהָרוֹת הַמּוֹשְׁכִין וּמַעְיָינוֹת הַנּוֹבְעִין — הֲרֵי הֵן כְּרַגְלֵי כׇּל אָדָם.

Antes, ria porque foi ensinado numa baraita: Rios que correm e fontes que brotam são como os pés de toda pessoa (quem tira água deles a leva aonde ele mesmo pode ir).

Nota

A mesma baraita está em Beitzá 39a (conferido): “נְהָרוֹת הַמּוֹשְׁכִין וּמַעֲיָנוֹת הַנּוֹבְעִין — הֲרֵי הֵן כְּרַגְלֵי כׇּל אָדָם”, onde ela é contraposta à mishná “o poço de um particular é como os pés do particular”. A água que corre não adquire shevitá num lugar; por isso, segundo esta proposta, também a água do cherem não precisaria de divisória, e Rabi Yossi bar Rabi Chanina riria de uma divisória de ferro. O parêntese segue a tradução de referência. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1679E talvez em águas represadas
A guemará
וְדִילְמָא בִּמְכוּנָּסִין.

E talvez a baraita de Rabi Chiya trate de águas represadas.

Nota

“Represadas” traduz “מְכוּנָּסִין”, literalmente “reunidas”: águas paradas, que não correm, às quais não se aplica a baraita dos rios e das fontes. A mesma resposta, “הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — בִּמְכוּנָּסִין”, é dada em Beitzá 39a (conferido) para conciliar aquela baraita com a mishná do poço particular. Portanto, esta não pode ser a razão do riso. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1680A água entra também numa divisória de ferro
A guemará
אֶלָּא, מִשּׁוּם דְּקָתָנֵי: ״צָרִיךְ מְחִיצָה שֶׁל בַּרְזֶל לְהַפְסִיקוֹ״. וּמַאי שְׁנָא קָנִים דְּלָא — דְּעָיְילִי בְּהוּ מַיָּא, שֶׁל בַּרְזֶל נָמֵי — עָיְילִי בְּהוּ מַיָּא.

Antes, ria porque ensina: “Precisa de uma divisória de ferro para separá-lo.” E em que difere uma divisória de canas, que não serve? Porque a água entra nela; numa divisória de ferro também a água entra.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mechitzá shel barzel nami ailei bah maya”
מחיצה של ברזל נמי עיילי בה מיא - מתתאי דהם סתם מחיצה י' טפחים היא ולא מטיא עד קרקעית המים ואפילו מגעת לקרקעית המים אי אפשר שלא יכנסו המים מתחתיה:

“Uma divisória de ferro: também nela a água entra” — entra por baixo; pois uma divisória comum tem dez tefachim (palmos de altura) e não chega ao fundo da água; e, mesmo que chegue ao fundo da água, é impossível que a água não entre por baixo dela.

Nota

Segundo o Rashi, nenhuma divisória impede de fato que a água passe: uma divisória comum tem dez tefachim de altura e não chega ao fundo, e, mesmo que chegue, a água passa por baixo dela. Se a divisória de canas não serve porque a água passa, também a de ferro não deveria servir; por isso Rabi Yossi bar Rabi Chanina riria. O Rashi em 47b (bloco 1675) já disse que o próprio cherem é “uma cerca de canas”. O lema do Rashi diz “עיילי בה מיא”, onde a guemará diz “עָיְילִי בְּהוּ מַיָּא”.

1681Precisa, e não tem remédio
A guemará
וְדִילְמָא ״צָרִיךְ וְאֵין לוֹ תַּקָּנָה״ קָאָמַר.

E talvez a baraita diga: “Precisa, e não tem remédio” (não há como separar as águas, e não se pode tirar delas).

Nota

Isto é, talvez Rabi Chiya não tenha ensinado que uma divisória de ferro resolve, mas que seria necessária e que, como nem ela impede a passagem da água, não há solução; e então não haveria do que rir. O parêntese segue a tradução de referência. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1682A leniência dos Sábios na água
A guemará
מִשּׁוּם דְּקַל הוּא שֶׁהֵקֵילּוּ חֲכָמִים בְּמַיִם.

Antes, Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria porque é uma leniência que os Sábios introduziram no que se refere à água.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela” e “dekal hu shehekelu chachamim bemayim”
אלא - משום הכי מחייך עליה:

“Antes” — por isso Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria dele.

דקל הוא שהקילו חכמים במים - במחיצה כל דהו ובלבד שיהא בה י' מהניא בה ואע"ג דעיילי בה מיא מעילאי ומתתאי:

“Que é uma leniência que os Sábios introduziram na água” — que uma divisória qualquer, contanto que tenha dez tefachim, é eficaz para ela, embora a água entre nela por cima e por baixo.

Nota

O lema do Rashi começa com “אלא”, que não está no texto deste segmento no Sefaria; por isso o completamos em itálico, “Antes, ria”, como faz também a tradução de referência. Segundo o Rashi, a leniência é que, na água, basta qualquer divisória de dez tefachim, mesmo que a água passe por cima e por baixo; e então bastaria uma divisória de canas, e não seria preciso uma de ferro. A mesma frase aparece em Eruvin 86b (conferido), também introduzida por “אֶלָּא מִשּׁוּם דְּקַל הוּא שֶׁהֵקֵילּוּ חֲכָמִים בְּמַיִם”.

1683Rabi Tavla e a divisória suspensa
A guemará
כִּדְרַבִּי טַבְלָא, דִּבְעָא מִינֵּיהּ רַבִּי טַבְלָא מֵרַב: מְחִיצָה תְּלוּיָה, מַהוּ שֶׁתַּתִּיר בְּחוּרְבָּה?

Como no caso de Rabi Tavla, pois Rabi Tavla perguntou a Rav: Uma divisória suspensa (que não chega ao chão), o que é? Permite carregar numa ruína?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kedeva minei Rabi Tavla”
כדבעא מיניה רבי טבלא כו' - וכי היכי דמחיצה תלויה מהניא מחיצת הקנים נמי מהניא דמה לי מיערבי מיא מתתאי מה לי מיערבי בין קנה לחברו:

“Como perguntou Rabi Tavla etc.” — e, assim como a divisória suspensa é eficaz na água, a divisória de canas também é eficaz; pois que diferença há para mim se as águas se misturam por baixo ou se misturam entre uma cana e a sua companheira?

Nota

A pergunta de Rabi Tavla e a resposta de Rav aparecem também em Eruvin 12a, Eruvin 16b, Eruvin 86b e Shabat 101a (conferidos). Segundo o Rashi, a divisória suspensa sobre a água é eficaz embora a água passe por baixo dela; do mesmo modo, a divisória de canas deveria ser eficaz embora a água passe entre uma cana e outra. O lema do Rashi diz “כדבעא מיניה רבי טבלא”, como em Eruvin 12a e 16b, onde aqui se lê “כִּדְרַבִּי טַבְלָא, דִּבְעָא מִינֵּיהּ”.

1684Rav: só na água
A guemará
אֲמַר לֵיהּ: אֵין מְחִיצָה תְּלוּיָה מַתֶּרֶת אֶלָּא בְּמַיִם, קַל הוּא שֶׁהֵקֵילּוּ חֲכָמִים בְּמַיִם.

Disse-lhe Rav: Uma divisória suspensa não permite carregar, a não ser na água; é uma leniência que os Sábios introduziram na água.

Nota

Seguimos a redação de Eruvin 16b para a resposta de Rav. Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria, portanto, porque, na água, os Sábios se contentaram com qualquer divisória, e a exigência de uma divisória de ferro lhe parecia sem fundamento. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

Quem dormiu no caminho: as quatro amot · שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו

1685Rabi Yehuda é o mesmo que o tanna kamma
A guemará
וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אֵין לוֹ אֶלָּא אַרְבַּע וְכוּ׳. רַבִּי יְהוּדָה הַיְינוּ תַּנָּא קַמָּא!

“E os sábios dizem: Não tem senão quatro etc.” Rabi Yehuda é o mesmo que o tanna kamma (o primeiro sábio da mishná)!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “haynu tanna kamma”
היינו תנא קמא - ר' יהודה דאמר לאיזה רוח שירצה יש לו ד' אמות היינו תנא קמא רבנן דפליגי עליה דר' יוחנן בן נורי:

“É o mesmo que o tanna kamma” — Rabi Yehuda, que diz: para o lado que quiser a pessoa tem quatro amot, é o mesmo que o tanna kamma, os Rabanan que divergem de Rabi Yochanan ben Nuri e também dão quatro amot.

Nota

A guemará volta à Mishná Eruvin 4:5, citada com a redação já traduzida em Eruvin 45a: “E os sábios dizem: Não tem senão quatro amot” (bloco 1572) e “Rabi Yehuda diz: Para o lado que quiser, anda” (bloco 1573). Se também os sábios só lhe dão quatro amot, não se vê em que Rabi Yehuda diverge deles. A citação da guemará termina em “quatro” e “etc.”.

1686Rava: oito por oito
A guemará
אָמַר רָבָא: שְׁמוֹנֶה עַל שְׁמוֹנֶה אִיכָּא בֵּינַיְיהוּ. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: יֵשׁ לוֹ שְׁמוֹנֶה עַל שְׁמוֹנֶה, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר.

Disse Rava: Oito por oito há de diferença entre eles. Assim também foi ensinado numa baraita: Tem oito por oito; são palavras de Rabi Meir.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shmoneh al shmoneh ika beinaihu”
שמונה על שמונה איכא בינייהו - דרבנן סברי ד' לכל צדדין היינו שמונה על שמונה ור' יהודה סבר לחד רוח ותו לא כדקתני ומודה ר' יהודה לר' אליעזר שאם בירר לו שתים לכאן ושתים לכאן שאין יכול לחזור בו וכן אם בירר ארבעתן לרוח אחת:

“Oito por oito há entre eles” — pois os Rabanan pensam: quatro amot para todos os lados, isto é, oito por oito; e Rabi Yehuda pensa: quatro amot para um lado, e não mais que isso; como se ensina: “E Rabi Yehuda admite a Rabi Eliezer que, se escolheu para si duas amot para cá e duas para lá, não pode voltar atrás”; e também se escolheu as quatro para um só lado.

Nota

Segundo o Rashi, para os sábios a pessoa tem quatro amot para cada lado, um quadrado de oito por oito; para Rabi Yehuda, só quatro amot para um lado. A baraita mostra que os sábios anônimos da mishná são Rabi Meir. A frase que o Rashi cita depois de “como se ensina” corresponde à mishná já traduzida em Eruvin 45a (bloco 1573), “E Rabi Yehuda admite que, se escolheu para si, não pode voltar atrás”, mas com o acréscimo “a Rabi Eliezer” e “duas para cá e duas para lá”; não localizamos essa forma no Sefaria e não a atribuímos a outra fonte.

1687A disputa é sobre andar
A guemará
וְאָמַר רָבָא: מַחֲלוֹקֶת לְהַלֵּךְ, אֲבָל לְטַלְטֵל דִּבְרֵי הַכֹּל: אַרְבַּע אַמּוֹת — אִין, טְפֵי — לָא.

E disse Rava: A disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda é para andar; mas, para carregar, são palavras de todos: quatro amot, sim; mais, não.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “machloket”
מחלוקת - דר' מאיר דשרי שמונה על שמונה להילוך: לרבי יהודה מצומצמות ולרבי מאיר גדולות דפישוט ידים ורגלים יותר מאמה הוא:

“A disputa” — é de Rabi Meir, que permite oito por oito para andar. Segundo Rabi Yehuda, as quatro amot são exatas; e, segundo Rabi Meir, grandes, pois o espaço para estender as mãos e os pés é mais do que uma amá.

Nota

Rabi Meir permite andar num espaço de oito por oito amot, mas, para carregar objetos, todos concordam que só se pode levá-los quatro amot. O Sefaria liga a este segmento um único texto do Rashi com duas explicações: a primeira é sobre “a disputa”; a segunda, “segundo Rabi Yehuda, exatas”, explica a palavra “quatro amot exatas” do bloco 1690, e a deixamos aqui como o Sefaria a traz.

1688Onde estão escritas as quatro amot?
A guemará
וְהָנֵי אַרְבַּע אַמּוֹת הֵיכָא כְּתִיבָא?

E estas quatro amot, onde estão escritas na Torá?

Nota

Pergunta-se qual é a fonte das quatro amot que se dão a toda pessoa que está fora do techum, ou que dormiu no caminho. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1689“Ficai cada um no seu lugar”
A guemará
כִּדְתַנְיָא: ״שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו״ — כְּתַחְתָּיו. [וְכַמָּה תַּחְתָּיו] גּוּפוֹ שָׁלֹשׁ אַמּוֹת, וְאַמָּה כְּדֵי לִפְשׁוֹט יָדָיו וְרַגְלָיו — דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: גּוּפוֹ שָׁלֹשׁ אַמּוֹת, וְאַמָּה כְּדֵי שֶׁיִּטּוֹל חֵפֶץ מִתַּחַת מַרְגְּלוֹתָיו וּמַנִּיחַ תַּחַת מְרַאֲשׁוֹתָיו.

Como foi ensinado numa baraita: “Ficai cada um no seu lugar” (Shemot 16:29): um espaço como o seu lugar. E quanto é o seu lugar? O seu corpo mede três amot, e mais uma amá para estender as suas mãos e os seus pés; são palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz: O seu corpo mede três amot, e mais uma amá para que tome um objeto de debaixo dos seus pés e o ponha debaixo da sua cabeça.

Nota

O versículo é Shemot 16:29 (conferido): “שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו אַל־יֵצֵא אִישׁ מִמְּקֹמוֹ בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי”. “O seu lugar” traduz “תַּחְתָּיו”, literalmente “debaixo dele”, o espaço que o seu corpo ocupa; “como o seu lugar” traduz “כְּתַחְתָּיו”. As palavras “וְכַמָּה תַּחְתָּיו”, “E quanto é o seu lugar?”, estão entre colchetes no texto do Sefaria, que as marca como acréscimo à redação de base; mantivemos os colchetes no hebraico e traduzimos as palavras. Segundo Rabi Meir, a quarta amá é para estender as mãos e os pés; segundo Rabi Yehuda, para pegar um objeto aos pés e pô-lo à cabeceira. A tradução de referência entende que, para Rabi Meir, o espaço de estender as mãos e os pés passa um pouco de uma amá, como diz o Rashi no bloco 1687. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1690Quatro amot exatas
A guemará
מַאי בֵּינַיְיהוּ, אִיכָּא בֵּינַיְיהוּ: אַרְבַּע אַמּוֹת מְצוּמְצָמוֹת.

Que diferença há entre eles? Há entre eles quatro amot exatas.

Nota

Segundo o Rashi ligado ao bloco 1687, para Rabi Yehuda as quatro amot são exatas, e para Rabi Meir são “grandes”, pois o espaço para estender as mãos e os pés passa de uma amá. “Exatas” traduz “מְצוּמְצָמוֹת”. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

Rav Mesharshiya, o seu filho e Rav Pappa · בְּאַמָּה דִּידֵיהּ

1691Rav Mesharshiya ao seu filho: a amá de cada um?
A guemará
אֲמַר לֵיהּ רַב מְשַׁרְשְׁיָא לִבְרֵיהּ: כִּי עָיְילַתְּ לְקַמֵּיהּ דְּרַב פָּפָּא, בְּעִי מִינֵּיהּ: אַרְבַּע אַמּוֹת שֶׁאָמְרוּ, בְּאַמָּה דִּידֵיהּ יָהֲבִינַן לֵיהּ, אוֹ בְּאַמָּה שֶׁל קֹדֶשׁ יָהֲבִינַן לֵיהּ?

Disse Rav Mesharshiya ao seu filho: Quando entrares diante de Rav Pappa, pergunta-lhe: As quatro amot que disseram, damos a ele (a cada pessoa) pela amá (antebraço) dele, ou damos a ele pela amá do kodesh (a medida sagrada, igual para todos)?

Nota

“Amá” é ao mesmo tempo o antebraço e a medida de comprimento, do cotovelo à ponta do dedo; a pergunta é se cada um mede as suas quatro amot com o seu próprio antebraço, ou com a amá padrão. Sobre a amá do kodesh, veja o Rashi no bloco seguinte. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1692Og, rei de Bashan, e “há os que disseram”
A guemará
אִם אָמַר לָךְ: אַמּוֹת שֶׁל קֹדֶשׁ יָהֲבִינַן לֵיהּ — עוֹג מֶלֶךְ הַבָּשָׁן מַה תְּהֵא עָלָיו? וְאִם אָמַר לָךְ בְּאַמָּה דִּידֵיהּ יָהֲבִינַן לֵיהּ, אֵימָא לֵיהּ: מַאי טַעְמָא לָא קָתָנֵי לַהּ גַּבֵּי ״יֵשׁ שֶׁאָמְרוּ הַכֹּל לְפִי מַה שֶּׁהוּא אָדָם״?

Se Rav Pappa te disser: Damos a ele quatro amot do kodesh, Og, rei de Bashan, o que será dele (que era um gigante)? E se te disser: Damos a ele as quatro amot pela amá dele, dize-lhe: Por que razão não a ensina a mishná junto a “Há os que disseram: tudo segundo o que é a pessoa”?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “be’amá dideh”, “shel kodesh” e “gabei yesh she’amru”
באמה דידה - איש לפי מה שגופו ארוך יש לו ד' אמות באמתו הארוכה:

“Pela amá dele” — cada pessoa, conforme o quanto o seu corpo é comprido, tem quatro amot pela sua amá, que é comprida.

של קדש - לכל אדם אמות שוה של ו' טפחים בינונים למידת שתי אמות שהיו בשושן הבירה שנעשו למידת אמתו של משה:

“Do kodesh” — damos a toda pessoa amot iguais, de seis tefachim médios, pela medida das duas amot que havia em Shushan HaBirá, que foram feitas pela medida da amá de Moshé.

גבי יש שאמרו - משנה היא במס' כלים (פ' י"ז משנה יא) יש שאמרו הכל לפי מה שהוא אדם מלא קומצו מנחה מלא חפניו קטרת מלא לוגמיו ביום הכפורים ובמזון שתי סעודות לעירוב וליתני נמי ד' אמות ליוצא חוץ לתחום:

“Junto a ‘há os que disseram’” — é uma mishná no tratado Kelim (capítulo 17, mishná 11): “Há os que disseram: tudo segundo o que é a pessoa”: o seu punhado cheio para a oferta de farinha, as suas mãos cheias para o incenso, a sua boca cheia no Yom Kipur, e o alimento de duas refeições para o eruv; e que ensine ali também as quatro amot de quem sai para fora do techum.

Nota

Og, rei de Bashan, é o último dos gigantes, cujo leito de ferro tinha nove amot de comprimento e quatro de largura “בְּאַמַּת־אִישׁ” (Devarim 3:11, conferido); quatro amot comuns seriam pouco para ele. A mishná citada é a Mishná Kelim 17:11 (conferida), onde se lê “וְיֵשׁ שֶׁאָמְרוּ, הַכֹּל לְפִי מַה שֶּׁהוּא אָדָם: הַקּוֹמֵץ אֶת הַמִּנְחָה, וְהַחוֹפֵן אֶת הַקְּטֹרֶת, וְהַשּׁוֹתֶה כִמְלֹא לֻגְמָיו בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים, וְכִמְזוֹן שְׁתֵּי סְעֻדּוֹת לָעֵרוּב”; o Rashi a resume. As duas amot de Shushan HaBirá, que excediam a de Moshé em meio dedo e em um dedo, estão na Mishná Kelim 17:9 (conferida), que diz que “a amá de que falaram é a amá média”. O lema do Rashi diz “באמה דידה”, onde a guemará diz “בְּאַמָּה דִּידֵיהּ”.

1693Rav Pappa: se fôssemos tão precisos
A guemará
כִּי אֲתָא לְקַמֵּיהּ דְּרַב פָּפָּא, אֲמַר לֵיהּ: אִי דָּיְיקִינַן כּוּלֵּא הַאי, לָא הֲוֵי תָּנֵינַן.

Quando o filho de Rav Mesharshiya veio diante de Rav Pappa, disse-lhe: Se fôssemos precisos em tudo isto, não estaríamos estudando.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i havah daikinan kulei hai”
אי הוה דייקינן כולי האי - בכולי הש"ס לא הוי מצינו לתרוצי כל דיוקי ולא הוה תנינן:

“Se fôssemos precisos em tudo isto” — em todo o Talmud, não conseguiríamos responder a todas as perguntas de precisão, e não estaríamos estudando.

Nota

Segundo o Rashi, quem quisesse responder a toda pergunta de precisão em todo o Talmud não conseguiria e não chegaria a estudar. O lema do Rashi diz “אי הוה דייקינן כולי האי”, onde a guemará diz “אִי דָּיְיקִינַן כּוּלֵּא הַאי”.

1694Pela amá dele; e o anão nos seus membros
A guemará
לְעוֹלָם בְּאַמָּה דִּידֵיהּ יָהֲבִינַן לֵיהּ. וּדְקָא קַשְׁיָא לָךְ: מַאי טַעְמָא לָא קָתָנֵי גַּבֵּי ״יֵשׁ שֶׁאָמְרוּ״? — דְּלָא פְּסִיקָא לֵיהּ, מִשּׁוּם דְּאִיכָּא נַנָּס בְּאֵבָרָיו.

Na verdade, damos a ele pela amá dele. E, quanto ao que te é difícil: por que razão não a ensina a mishná junto a “Há os que disseram”? Porque não lhe é absoluta (não vale em todos os casos), pois há quem seja anão nos seus membros.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mishum de’ika nanas be’evarav”
משום דאיכא ננס באיבריו - שגופו בינוני ואמתו קצרה ולא סגי ליה באמה דידיה ובעי למיתב ליה באמה של קדש:

“Porque há quem seja anão nos seus membros” — cujo corpo é médio e a sua amá é curta; e não lhe basta a sua amá, e é preciso dar-lhe as quatro amot pela amá do kodesh.

Nota

Segundo o Rashi, quem tem corpo de tamanho médio e antebraço curto não mede pela sua amá, mas pela amá do kodesh; como a regra não vale para todos, a mishná de Kelim não a incluiu. “Não lhe é absoluta” traduz “לָא פְּסִיקָא לֵיהּ”. O lema do Rashi diz “באיבריו”, onde a guemará diz “בְּאֵבָרָיו”.

Rabi Shimon e os três pátios · לְמָה הַדָּבָר דּוֹמֶה

1695Para que dizer “a que se assemelha”?
A guemará
הָיוּ שְׁנַיִם מִקְצָת אַמּוֹתָיו שֶׁל זֶה וְכוּ׳. לְמָה לֵיהּ לְמֵימַר ״לְמָה הַדָּבָר דּוֹמֶה״?

“Se eram dois, parte das amot de um etc.” Para que Rabi Shimon precisa dizer na mishná: “A que se assemelha a coisa”?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hayu shnayim”
היו שנים כו' - מתניתין פרישנא לעיל:

“Se eram dois etc.” — a mishná, já a explicamos acima.

Nota

A guemará volta à Mishná Eruvin 4:6, citada com a redação já traduzida em Eruvin 45a (bloco 1574): “Se eram dois, parte das amot de um estava dentro das amot do outro, trazem e comem no meio”; e às palavras de Rabi Shimon em Eruvin 45b (bloco 1577): “A que se assemelha a coisa? A três pátios abertos um para o outro”. O Rashi remete à sua explicação da mishná, no bloco 1574.

1696Rabi Shimon aos Rabanan
A guemará
הָכִי קָאֲמַר לְהוּ רַבִּי שִׁמְעוֹן לְרַבָּנַן: מִכְּדִי לְמָה הַדָּבָר דּוֹמֶה, לְשָׁלֹשׁ חֲצֵירוֹת הַפְּתוּחוֹת זוֹ לָזוֹ, וּפְתוּחוֹת לִרְשׁוּת הָרַבִּים, מַאי שְׁנָא הָתָם דִּפְלִיגִיתוּ, וּמַאי שְׁנָא הָכָא דְּלָא פְּלִיגִיתוּ?

Assim disse Rabi Shimon aos Rabanan: Ora, a que se assemelha a coisa? A três pátios abertos um para o outro e abertos para o domínio público. Que diferença há ali (nos pátios), que divergis de mim, e que diferença há aqui (nas pessoas), que não divergis de mim?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mai shna hatam difligitu”
מאי שנא התם דפליגיתו - דאמרו רבנן לקמן בשמעתין שלשתן אסורין לטלטל זו עם זו:

“Que diferença há ali, que divergis” — pois os Rabanan dizem adiante, na nossa discussão, que os três pátios estão proibidos de carregar um com o outro.

Nota

Segundo o Rashi, no caso dos três pátios os Rabanan divergem de Rabi Shimon e proíbem carregar entre todos eles, como se verá adiante na discussão; no caso das três pessoas, aceitam que o do meio come com cada um dos exteriores. Rabi Shimon traz a comparação para mostrar que os dois casos são iguais. “Ora” traduz “מִכְּדִי”.

1697Os Rabanan: ali os moradores são numerosos
A guemará
וְרַבָּנַן: הָתָם אָוְושִׁי דָּיוֹרִין. הָכָא לָא אָוְושִׁי דָּיוֹרִין.

E os Rabanan respondem: Ali, os moradores são numerosos; aqui, com três pessoas, os moradores não são numerosos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “avshei dayorin” e “hacha”
אוושי דיורין - דיורי החצרות רבים ולא ידעי כולן להזהר ואתו לטלטולי כלים ששבתו בחיצונה לתוך חיצונה אחרת דרך אמצעית:

“Os moradores são numerosos” — os moradores dos pátios são muitos, e nem todos sabem tomar cuidado, e chegariam a carregar utensílios que repousaram num pátio exterior para dentro do outro pátio exterior, pelo caminho do pátio do meio.

הכא - גבי ג' אנשים יכולין החיצונים ליזהר דהא מועטין נינהו ולא אוושי:

“Aqui” — no caso de três pessoas, os exteriores podem tomar cuidado, pois são poucos e não são numerosos.

Nota

“São numerosos” traduz “אָוְושִׁי”, literalmente “fazem ruído”: há muita gente. Segundo o Rashi, a diferença é prática: entre muitos moradores, alguém levaria objetos de um pátio exterior ao outro passando pelo do meio; três pessoas conseguem vigiar-se.

1698“E os dois exteriores”: por quê?
A guemará
וּשְׁתַּיִם הַחִיצוֹנוֹת כּוּ׳. וְאַמַּאי? כֵּיוָן דְּעָרְבִי לְהוּ חִיצוֹנוֹת בַּהֲדֵי אֶמְצָעִית, הָוְיָא לְהוּ חֲדָא!

“E os dois exteriores etc.” E por que estão proibidos? Uma vez que os pátios exteriores fizeram eruv com o do meio, tornaram-se um só!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shtayim hachitzonot asurot zo im zo” e “hachi garsinan”
שתים החיצונות אסורות זו עם זו - כלים ששבתו בזו אסור להכניס לזו דרך אמצעית שנמצא שיצאו מרשותן לרשות האסור להן:

“Os dois exteriores estão proibidos um com o outro” — utensílios que repousaram neste pátio, é proibido trazê-los para aquele pelo caminho do pátio do meio, pois se acharia que saíram do seu domínio para um domínio proibido para eles.

ה"ג אמאי כיון דערבי חיצונות בהדי אמצעית הוו להו חדא - (ולישתרו כולם דדמי כמאן דדיירי התם דומיא דבני חצר שעירבו ויהבי כולהו עירובן בבית אחד דדמו כאילו דרו כולהו באותו בית וחצר דההוא בית הויא ומשתרי בה הכא נמי דמו כמאן דדיירי כולהו בחצר אמצעית וכו') וקס"ד כגון שנתנו שתיהן עירובן באמצעית שזהו משפט עירובי חצירות סתם חצר יש בה בתים הרבה וצריכות בני הבתים לערב יחד לפי שהבית מיוחד לכל אחד והחצר רשות כולן ואסור להוציא מרשות לרשות דהיינו מן הבתים לחצר בלא עירוב ומניחים אותו באחד מן הבתים וכשהחצר פתוחה לחצר אחרת ורוצין לעשותן רשות אחת נוטלין העירוב שגבו מן הבתים ונותנין אותו באחד מבתי חצר אחרת: וכי הדרה אמצעית ועירבה בהדי אידך שליחותה דחיצונה עבדה לא גרסינן הכא עד לקמן:

Assim lemos: “Por quê? Uma vez que os exteriores fizeram eruv com o do meio, tornaram-se um só” — (e que todos sejam permitidos, pois são como quem mora ali; à semelhança dos moradores de um pátio que fizeram eruv e todos deram o seu eruv numa só casa, que são como se todos morassem naquela casa, e o pátio é daquela casa, e é permitido nele; aqui também os moradores de todos os pátios são como se morassem no pátio do meio etc.). E subia à mente (pensava-se) que fosse o caso em que ambos deram o seu eruv no do meio; pois esta é a regra dos eruvei chatzerot (o eruv dos pátios): um pátio comum tem muitas casas, e os moradores das casas precisam fazer eruv juntos, porque a casa é particular de cada um, e o pátio é domínio de todos, e é proibido levar de um domínio a outro, isto é, das casas para o pátio, sem eruv; e o depositam numa das casas. E, quando o pátio se abre para outro pátio e querem fazer deles um só domínio, tomam o eruv que recolheram das casas do seu pátio e o põem numa das casas do outro pátio. As palavras “E, quando o do meio voltou e fez eruv com o outro, fez a função de agente do exterior” não as lemos aqui, mas só adiante.

Nota

A guemará cita a mishná de Rabi Shimon com a redação já traduzida em Eruvin 45b (bloco 1577): “mas os dois exteriores estão proibidos um com o outro”. Segundo o Rashi, a pergunta supõe que os dois pátios exteriores puseram o seu eruv no do meio: então todos seriam como moradores do pátio do meio, assim como os moradores de um pátio que põem o eruv numa só casa são como se morassem nela. A passagem do Rashi entre parênteses está entre parênteses no texto do Sefaria. O Rashi também registra que a frase “e, quando o do meio voltou e fez eruv com o outro, fez a função de agente do exterior” não pertence a este lugar na sua versão.

1699Rav Yehuda: o do meio deu o seu eruv neste e naquele
A guemará
אָמַר רַב יְהוּדָה: כְּגוֹן שֶׁנָּתְנָה אֶמְצָעִית עֵירוּבָהּ בָּזוֹ וְעֵירוּבָהּ בָּזוֹ.

Disse Rav Yehuda: Trata-se do caso em que o pátio do meio deu o seu eruv neste e o seu eruv naquele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shenatnah emtza’it eruvah bazo uvazo”
שנתנה אמצעית עירובה בזו ובזו - דדמיא אמצעית כאילו דרה בהן ואין דיורי חיצונות באמצעית למימרא דכי הדדי נינהו:

“Em que o do meio deu o seu eruv neste e neste” — pois o do meio é como se morasse neles (nos dois exteriores); e os moradores dos exteriores não estão no do meio, para dizer que são como um só uns com os outros.

Nota

Segundo Rav Yehuda e o Rashi, os moradores do pátio do meio puseram o seu eruv em cada um dos pátios exteriores, e não o contrário; assim o do meio se junta a cada um deles, mas os exteriores não se juntam entre si. O lema do Rashi diz “עירובה בזו ובזו”, onde a guemará diz “עֵירוּבָהּ בָּזוֹ וְעֵירוּבָהּ בָּזוֹ”.

1700Rav Sheshet: mesmo que o tenham dado no do meio
A guemará
וְרַב שֵׁשֶׁת אָמַר: אֲפִילּוּ תֵּימָא שֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בָּאֶמְצָעִית, כְּגוֹן שֶׁנְּתָנוּהוּ

E Rav Sheshet disse: Mesmo que digas que os exteriores deram o seu eruv no do meio, trata-se do caso em que o deram…

Nota

O daf termina no meio da frase de Rav Sheshet, que se completa no começo de Eruvin 48b (conferido): “בִּשְׁנֵי בָתִּים”, isto é, puseram cada eruv numa casa diferente do pátio do meio. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

O daf termina aqui, no meio da palavra de Rav Sheshet sobre os três pátios: depois do fim da baraita de Rabi Chiya e da discussão sobre o riso de Rabi Yossi bar Rabi Chanina, a guemará trata das quatro amot de quem dormiu no caminho, da amá pela qual são medidas e da comparação de Rabi Shimon com os três pátios. A guemará prossegue em Eruvin 48b.