A baraita de Rabi Chiya se completa: o cherem entre os techumin de duas cidades precisa de uma divisória de ferro para separá-lo; e Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria desse ensino. A guemará procura a razão do riso: não pode ser só porque ele pensa como os Rabanan; nem pela baraita dos rios que correm e das fontes que brotam, que são como os pés de toda pessoa, pois talvez se trate de águas represadas; nem por a água passar também pela divisória de ferro, pois talvez a baraita diga que não há remédio. Ria, antes, porque os Sábios foram lenientes na água, como Rav respondeu a Rabi Tavla sobre a divisória suspensa. A guemará volta então à mishná de quem dormiu no caminho: Rava explica que a diferença entre Rabi Yehuda e os sábios é um espaço de oito por oito amot, para andar e não para carregar; as quatro amot vêm de “Ficai cada um no seu lugar”, segundo Rabi Meir e Rabi Yehuda. Rav Mesharshiya manda o filho perguntar a Rav Pappa se as amot se medem pelo antebraço de cada um, e Rav Pappa responde que sim, embora não para o anão nos seus membros. Por fim, a guemará explica a comparação de Rabi Shimon com os três pátios e pergunta por que os dois pátios exteriores estão proibidos um com o outro; respondem Rav Yehuda e Rav Sheshet, cuja palavra continua em Eruvin 48b.
Continuação da baraita: “…de uma divisória de ferro para separá-lo entre um techum e outro.” Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria dele (desse ensino).
A baraita de Rabi Chiya começa no fim de Eruvin 47b (bloco 1675): “Um cherem que está entre os techumin de Shabat precisa…”; aqui ela se completa. Mantemos a leitura do Rashi já adotada em 47b: o “cherem” é uma rede de pesca, uma cerca de canas estendida na água, que separa os techumin de duas cidades; segundo o Rashi, a divisória de ferro serve para que as águas de um techum não passem para o outro, pois a água dentro do techum de uma cidade segue a cidade. A tradução de referência entende “cherem” como um fosso cheio de água, que a divisória dividiria em duas partes. “Ria” traduz “מְחַיֵּיךְ”, particípio. O Sefaria não liga Rashi próprio a este segmento: os dois comentários que explicam “צריך לעשות מחיצה של ברזל” e a pergunta do segmento seguinte (“ה"ג אי נימא…”) estão ligados a Eruvin 47b:17 e já foram traduzidos em 47b (bloco 1675); não os repetimos aqui.
Por que razão ria? Se disseres que é porque Rabi Chiya a ensinou segundo Rabi Yochanan ben Nuri, para o rigor, e ele (Rabi Yossi bar Rabi Chanina) pensa como os Rabanan, para a leniência; e, porque ele pensa para a leniência, de quem ensina para o rigor ele ri?
A pergunta é feita com espanto, como diz o Rashi em 47b (bloco 1675), que lê “ה"ג” esta passagem com pequenas diferenças. Segundo o Rashi ali, Rabi Chiya teria ensinado a sua baraita segundo Rabi Yochanan ben Nuri, para quem objetos sem dono adquirem shevitá dentro dos techumin (Eruvin 45b, bloco 1587), e por isso a água precisaria ser separada; e Rabi Yossi bar Rabi Chanina pensaria como os Rabanan da Mishná Eruvin 4:5 (Eruvin 45a, bloco 1572), para quem os objetos sem dono não adquirem shevitá e “são como os pés de toda pessoa”. Mas ter outra opinião não é razão para rir de quem ensina segundo a opinião mais rigorosa. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Antes, ria porque foi ensinado numa baraita: Rios que correm e fontes que brotam são como os pés de toda pessoa (quem tira água deles a leva aonde ele mesmo pode ir).
A mesma baraita está em Beitzá 39a (conferido): “נְהָרוֹת הַמּוֹשְׁכִין וּמַעֲיָנוֹת הַנּוֹבְעִין — הֲרֵי הֵן כְּרַגְלֵי כׇּל אָדָם”, onde ela é contraposta à mishná “o poço de um particular é como os pés do particular”. A água que corre não adquire shevitá num lugar; por isso, segundo esta proposta, também a água do cherem não precisaria de divisória, e Rabi Yossi bar Rabi Chanina riria de uma divisória de ferro. O parêntese segue a tradução de referência. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
E talvez a baraita de Rabi Chiya trate de águas represadas.
“Represadas” traduz “מְכוּנָּסִין”, literalmente “reunidas”: águas paradas, que não correm, às quais não se aplica a baraita dos rios e das fontes. A mesma resposta, “הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — בִּמְכוּנָּסִין”, é dada em Beitzá 39a (conferido) para conciliar aquela baraita com a mishná do poço particular. Portanto, esta não pode ser a razão do riso. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Antes, ria porque ensina: “Precisa de uma divisória de ferro para separá-lo.” E em que difere uma divisória de canas, que não serve? Porque a água entra nela; numa divisória de ferro também a água entra.
“Uma divisória de ferro: também nela a água entra” — entra por baixo; pois uma divisória comum tem dez tefachim (palmos de altura) e não chega ao fundo da água; e, mesmo que chegue ao fundo da água, é impossível que a água não entre por baixo dela.
Segundo o Rashi, nenhuma divisória impede de fato que a água passe: uma divisória comum tem dez tefachim de altura e não chega ao fundo, e, mesmo que chegue, a água passa por baixo dela. Se a divisória de canas não serve porque a água passa, também a de ferro não deveria servir; por isso Rabi Yossi bar Rabi Chanina riria. O Rashi em 47b (bloco 1675) já disse que o próprio cherem é “uma cerca de canas”. O lema do Rashi diz “עיילי בה מיא”, onde a guemará diz “עָיְילִי בְּהוּ מַיָּא”.
E talvez a baraita diga: “Precisa, e não tem remédio” (não há como separar as águas, e não se pode tirar delas).
Isto é, talvez Rabi Chiya não tenha ensinado que uma divisória de ferro resolve, mas que seria necessária e que, como nem ela impede a passagem da água, não há solução; e então não haveria do que rir. O parêntese segue a tradução de referência. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Antes, Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria porque é uma leniência que os Sábios introduziram no que se refere à água.
“Antes” — por isso Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria dele.
“Que é uma leniência que os Sábios introduziram na água” — que uma divisória qualquer, contanto que tenha dez tefachim, é eficaz para ela, embora a água entre nela por cima e por baixo.
O lema do Rashi começa com “אלא”, que não está no texto deste segmento no Sefaria; por isso o completamos em itálico, “Antes, ria”, como faz também a tradução de referência. Segundo o Rashi, a leniência é que, na água, basta qualquer divisória de dez tefachim, mesmo que a água passe por cima e por baixo; e então bastaria uma divisória de canas, e não seria preciso uma de ferro. A mesma frase aparece em Eruvin 86b (conferido), também introduzida por “אֶלָּא מִשּׁוּם דְּקַל הוּא שֶׁהֵקֵילּוּ חֲכָמִים בְּמַיִם”.
Como no caso de Rabi Tavla, pois Rabi Tavla perguntou a Rav: Uma divisória suspensa (que não chega ao chão), o que é? Permite carregar numa ruína?
“Como perguntou Rabi Tavla etc.” — e, assim como a divisória suspensa é eficaz na água, a divisória de canas também é eficaz; pois que diferença há para mim se as águas se misturam por baixo ou se misturam entre uma cana e a sua companheira?
A pergunta de Rabi Tavla e a resposta de Rav aparecem também em Eruvin 12a, Eruvin 16b, Eruvin 86b e Shabat 101a (conferidos). Segundo o Rashi, a divisória suspensa sobre a água é eficaz embora a água passe por baixo dela; do mesmo modo, a divisória de canas deveria ser eficaz embora a água passe entre uma cana e outra. O lema do Rashi diz “כדבעא מיניה רבי טבלא”, como em Eruvin 12a e 16b, onde aqui se lê “כִּדְרַבִּי טַבְלָא, דִּבְעָא מִינֵּיהּ”.
Disse-lhe Rav: Uma divisória suspensa não permite carregar, a não ser na água; é uma leniência que os Sábios introduziram na água.
Seguimos a redação de Eruvin 16b para a resposta de Rav. Rabi Yossi bar Rabi Chanina ria, portanto, porque, na água, os Sábios se contentaram com qualquer divisória, e a exigência de uma divisória de ferro lhe parecia sem fundamento. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
“E os sábios dizem: Não tem senão quatro etc.” Rabi Yehuda é o mesmo que o tanna kamma (o primeiro sábio da mishná)!
“É o mesmo que o tanna kamma” — Rabi Yehuda, que diz: para o lado que quiser a pessoa tem quatro amot, é o mesmo que o tanna kamma, os Rabanan que divergem de Rabi Yochanan ben Nuri e também dão quatro amot.
A guemará volta à Mishná Eruvin 4:5, citada com a redação já traduzida em Eruvin 45a: “E os sábios dizem: Não tem senão quatro amot” (bloco 1572) e “Rabi Yehuda diz: Para o lado que quiser, anda” (bloco 1573). Se também os sábios só lhe dão quatro amot, não se vê em que Rabi Yehuda diverge deles. A citação da guemará termina em “quatro” e “etc.”.
Disse Rava: Oito por oito há de diferença entre eles. Assim também foi ensinado numa baraita: Tem oito por oito; são palavras de Rabi Meir.
“Oito por oito há entre eles” — pois os Rabanan pensam: quatro amot para todos os lados, isto é, oito por oito; e Rabi Yehuda pensa: quatro amot para um lado, e não mais que isso; como se ensina: “E Rabi Yehuda admite a Rabi Eliezer que, se escolheu para si duas amot para cá e duas para lá, não pode voltar atrás”; e também se escolheu as quatro para um só lado.
Segundo o Rashi, para os sábios a pessoa tem quatro amot para cada lado, um quadrado de oito por oito; para Rabi Yehuda, só quatro amot para um lado. A baraita mostra que os sábios anônimos da mishná são Rabi Meir. A frase que o Rashi cita depois de “como se ensina” corresponde à mishná já traduzida em Eruvin 45a (bloco 1573), “E Rabi Yehuda admite que, se escolheu para si, não pode voltar atrás”, mas com o acréscimo “a Rabi Eliezer” e “duas para cá e duas para lá”; não localizamos essa forma no Sefaria e não a atribuímos a outra fonte.
E disse Rava: A disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda é para andar; mas, para carregar, são palavras de todos: quatro amot, sim; mais, não.
“A disputa” — é de Rabi Meir, que permite oito por oito para andar. Segundo Rabi Yehuda, as quatro amot são exatas; e, segundo Rabi Meir, grandes, pois o espaço para estender as mãos e os pés é mais do que uma amá.
Rabi Meir permite andar num espaço de oito por oito amot, mas, para carregar objetos, todos concordam que só se pode levá-los quatro amot. O Sefaria liga a este segmento um único texto do Rashi com duas explicações: a primeira é sobre “a disputa”; a segunda, “segundo Rabi Yehuda, exatas”, explica a palavra “quatro amot exatas” do bloco 1690, e a deixamos aqui como o Sefaria a traz.
E estas quatro amot, onde estão escritas na Torá?
Pergunta-se qual é a fonte das quatro amot que se dão a toda pessoa que está fora do techum, ou que dormiu no caminho. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Como foi ensinado numa baraita: “Ficai cada um no seu lugar” (Shemot 16:29): um espaço como o seu lugar. E quanto é o seu lugar? O seu corpo mede três amot, e mais uma amá para estender as suas mãos e os seus pés; são palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz: O seu corpo mede três amot, e mais uma amá para que tome um objeto de debaixo dos seus pés e o ponha debaixo da sua cabeça.
O versículo é Shemot 16:29 (conferido): “שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו אַל־יֵצֵא אִישׁ מִמְּקֹמוֹ בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי”. “O seu lugar” traduz “תַּחְתָּיו”, literalmente “debaixo dele”, o espaço que o seu corpo ocupa; “como o seu lugar” traduz “כְּתַחְתָּיו”. As palavras “וְכַמָּה תַּחְתָּיו”, “E quanto é o seu lugar?”, estão entre colchetes no texto do Sefaria, que as marca como acréscimo à redação de base; mantivemos os colchetes no hebraico e traduzimos as palavras. Segundo Rabi Meir, a quarta amá é para estender as mãos e os pés; segundo Rabi Yehuda, para pegar um objeto aos pés e pô-lo à cabeceira. A tradução de referência entende que, para Rabi Meir, o espaço de estender as mãos e os pés passa um pouco de uma amá, como diz o Rashi no bloco 1687. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Que diferença há entre eles? Há entre eles quatro amot exatas.
Segundo o Rashi ligado ao bloco 1687, para Rabi Yehuda as quatro amot são exatas, e para Rabi Meir são “grandes”, pois o espaço para estender as mãos e os pés passa de uma amá. “Exatas” traduz “מְצוּמְצָמוֹת”. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Disse Rav Mesharshiya ao seu filho: Quando entrares diante de Rav Pappa, pergunta-lhe: As quatro amot que disseram, damos a ele (a cada pessoa) pela amá (antebraço) dele, ou damos a ele pela amá do kodesh (a medida sagrada, igual para todos)?
“Amá” é ao mesmo tempo o antebraço e a medida de comprimento, do cotovelo à ponta do dedo; a pergunta é se cada um mede as suas quatro amot com o seu próprio antebraço, ou com a amá padrão. Sobre a amá do kodesh, veja o Rashi no bloco seguinte. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Se Rav Pappa te disser: Damos a ele quatro amot do kodesh, Og, rei de Bashan, o que será dele (que era um gigante)? E se te disser: Damos a ele as quatro amot pela amá dele, dize-lhe: Por que razão não a ensina a mishná junto a “Há os que disseram: tudo segundo o que é a pessoa”?
“Pela amá dele” — cada pessoa, conforme o quanto o seu corpo é comprido, tem quatro amot pela sua amá, que é comprida.
“Do kodesh” — damos a toda pessoa amot iguais, de seis tefachim médios, pela medida das duas amot que havia em Shushan HaBirá, que foram feitas pela medida da amá de Moshé.
“Junto a ‘há os que disseram’” — é uma mishná no tratado Kelim (capítulo 17, mishná 11): “Há os que disseram: tudo segundo o que é a pessoa”: o seu punhado cheio para a oferta de farinha, as suas mãos cheias para o incenso, a sua boca cheia no Yom Kipur, e o alimento de duas refeições para o eruv; e que ensine ali também as quatro amot de quem sai para fora do techum.
Og, rei de Bashan, é o último dos gigantes, cujo leito de ferro tinha nove amot de comprimento e quatro de largura “בְּאַמַּת־אִישׁ” (Devarim 3:11, conferido); quatro amot comuns seriam pouco para ele. A mishná citada é a Mishná Kelim 17:11 (conferida), onde se lê “וְיֵשׁ שֶׁאָמְרוּ, הַכֹּל לְפִי מַה שֶּׁהוּא אָדָם: הַקּוֹמֵץ אֶת הַמִּנְחָה, וְהַחוֹפֵן אֶת הַקְּטֹרֶת, וְהַשּׁוֹתֶה כִמְלֹא לֻגְמָיו בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים, וְכִמְזוֹן שְׁתֵּי סְעֻדּוֹת לָעֵרוּב”; o Rashi a resume. As duas amot de Shushan HaBirá, que excediam a de Moshé em meio dedo e em um dedo, estão na Mishná Kelim 17:9 (conferida), que diz que “a amá de que falaram é a amá média”. O lema do Rashi diz “באמה דידה”, onde a guemará diz “בְּאַמָּה דִּידֵיהּ”.
Quando o filho de Rav Mesharshiya veio diante de Rav Pappa, disse-lhe: Se fôssemos precisos em tudo isto, não estaríamos estudando.
“Se fôssemos precisos em tudo isto” — em todo o Talmud, não conseguiríamos responder a todas as perguntas de precisão, e não estaríamos estudando.
Segundo o Rashi, quem quisesse responder a toda pergunta de precisão em todo o Talmud não conseguiria e não chegaria a estudar. O lema do Rashi diz “אי הוה דייקינן כולי האי”, onde a guemará diz “אִי דָּיְיקִינַן כּוּלֵּא הַאי”.
Na verdade, damos a ele pela amá dele. E, quanto ao que te é difícil: por que razão não a ensina a mishná junto a “Há os que disseram”? Porque não lhe é absoluta (não vale em todos os casos), pois há quem seja anão nos seus membros.
“Porque há quem seja anão nos seus membros” — cujo corpo é médio e a sua amá é curta; e não lhe basta a sua amá, e é preciso dar-lhe as quatro amot pela amá do kodesh.
Segundo o Rashi, quem tem corpo de tamanho médio e antebraço curto não mede pela sua amá, mas pela amá do kodesh; como a regra não vale para todos, a mishná de Kelim não a incluiu. “Não lhe é absoluta” traduz “לָא פְּסִיקָא לֵיהּ”. O lema do Rashi diz “באיבריו”, onde a guemará diz “בְּאֵבָרָיו”.
“Se eram dois, parte das amot de um etc.” Para que Rabi Shimon precisa dizer na mishná: “A que se assemelha a coisa”?
“Se eram dois etc.” — a mishná, já a explicamos acima.
A guemará volta à Mishná Eruvin 4:6, citada com a redação já traduzida em Eruvin 45a (bloco 1574): “Se eram dois, parte das amot de um estava dentro das amot do outro, trazem e comem no meio”; e às palavras de Rabi Shimon em Eruvin 45b (bloco 1577): “A que se assemelha a coisa? A três pátios abertos um para o outro”. O Rashi remete à sua explicação da mishná, no bloco 1574.
Assim disse Rabi Shimon aos Rabanan: Ora, a que se assemelha a coisa? A três pátios abertos um para o outro e abertos para o domínio público. Que diferença há ali (nos pátios), que divergis de mim, e que diferença há aqui (nas pessoas), que não divergis de mim?
“Que diferença há ali, que divergis” — pois os Rabanan dizem adiante, na nossa discussão, que os três pátios estão proibidos de carregar um com o outro.
Segundo o Rashi, no caso dos três pátios os Rabanan divergem de Rabi Shimon e proíbem carregar entre todos eles, como se verá adiante na discussão; no caso das três pessoas, aceitam que o do meio come com cada um dos exteriores. Rabi Shimon traz a comparação para mostrar que os dois casos são iguais. “Ora” traduz “מִכְּדִי”.
E os Rabanan respondem: Ali, os moradores são numerosos; aqui, com três pessoas, os moradores não são numerosos.
“Os moradores são numerosos” — os moradores dos pátios são muitos, e nem todos sabem tomar cuidado, e chegariam a carregar utensílios que repousaram num pátio exterior para dentro do outro pátio exterior, pelo caminho do pátio do meio.
“Aqui” — no caso de três pessoas, os exteriores podem tomar cuidado, pois são poucos e não são numerosos.
“São numerosos” traduz “אָוְושִׁי”, literalmente “fazem ruído”: há muita gente. Segundo o Rashi, a diferença é prática: entre muitos moradores, alguém levaria objetos de um pátio exterior ao outro passando pelo do meio; três pessoas conseguem vigiar-se.
“E os dois exteriores etc.” E por que estão proibidos? Uma vez que os pátios exteriores fizeram eruv com o do meio, tornaram-se um só!
“Os dois exteriores estão proibidos um com o outro” — utensílios que repousaram neste pátio, é proibido trazê-los para aquele pelo caminho do pátio do meio, pois se acharia que saíram do seu domínio para um domínio proibido para eles.
Assim lemos: “Por quê? Uma vez que os exteriores fizeram eruv com o do meio, tornaram-se um só” — (e que todos sejam permitidos, pois são como quem mora ali; à semelhança dos moradores de um pátio que fizeram eruv e todos deram o seu eruv numa só casa, que são como se todos morassem naquela casa, e o pátio é daquela casa, e é permitido nele; aqui também os moradores de todos os pátios são como se morassem no pátio do meio etc.). E subia à mente (pensava-se) que fosse o caso em que ambos deram o seu eruv no do meio; pois esta é a regra dos eruvei chatzerot (o eruv dos pátios): um pátio comum tem muitas casas, e os moradores das casas precisam fazer eruv juntos, porque a casa é particular de cada um, e o pátio é domínio de todos, e é proibido levar de um domínio a outro, isto é, das casas para o pátio, sem eruv; e o depositam numa das casas. E, quando o pátio se abre para outro pátio e querem fazer deles um só domínio, tomam o eruv que recolheram das casas do seu pátio e o põem numa das casas do outro pátio. As palavras “E, quando o do meio voltou e fez eruv com o outro, fez a função de agente do exterior” não as lemos aqui, mas só adiante.
A guemará cita a mishná de Rabi Shimon com a redação já traduzida em Eruvin 45b (bloco 1577): “mas os dois exteriores estão proibidos um com o outro”. Segundo o Rashi, a pergunta supõe que os dois pátios exteriores puseram o seu eruv no do meio: então todos seriam como moradores do pátio do meio, assim como os moradores de um pátio que põem o eruv numa só casa são como se morassem nela. A passagem do Rashi entre parênteses está entre parênteses no texto do Sefaria. O Rashi também registra que a frase “e, quando o do meio voltou e fez eruv com o outro, fez a função de agente do exterior” não pertence a este lugar na sua versão.
Disse Rav Yehuda: Trata-se do caso em que o pátio do meio deu o seu eruv neste e o seu eruv naquele.
“Em que o do meio deu o seu eruv neste e neste” — pois o do meio é como se morasse neles (nos dois exteriores); e os moradores dos exteriores não estão no do meio, para dizer que são como um só uns com os outros.
Segundo Rav Yehuda e o Rashi, os moradores do pátio do meio puseram o seu eruv em cada um dos pátios exteriores, e não o contrário; assim o do meio se junta a cada um deles, mas os exteriores não se juntam entre si. O lema do Rashi diz “עירובה בזו ובזו”, onde a guemará diz “עֵירוּבָהּ בָּזוֹ וְעֵירוּבָהּ בָּזוֹ”.
E Rav Sheshet disse: Mesmo que digas que os exteriores deram o seu eruv no do meio, trata-se do caso em que o deram…
O daf termina no meio da frase de Rav Sheshet, que se completa no começo de Eruvin 48b (conferido): “בִּשְׁנֵי בָתִּים”, isto é, puseram cada eruv numa casa diferente do pátio do meio. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.