O daf começa com o fim do caso de Rav Yehuda bar Ishtata, que trouxe um cesto de frutas a Rav Natan bar Oshaya e, depois de descer um degrau e ouvir “pernoita aqui”, madrugou e foi para casa: a guemará pergunta se isso foi conforme Rav Yossef, segundo Rabi Yossi, filho de Rabi Yehuda, e responde que pode ter sido conforme Rabba, segundo Rabi Yehuda. Sobre a palavra de Rabi Meir na mishná, “todo aquele que pode fazer eruv”, a guemará pergunta por que repeti-la, se já se aprendeu que na dúvida ele é chamar gamal; Rav Sheshet responde que a mishná ensina que é chamar gamal mesmo quem certamente não fez eruv. Começa então a mishná de quem saiu para fora do techum: mesmo uma amá, não entra; segundo Rabi Eliezer, duas, entra, e três, não. Rabi Chanina discute quem tem um pé dentro e um pé fora, a partir do versículo “se desviares do Shabat o teu pé”, em duas versões, e as baraitot são explicadas conforme Acherim, que segue a maior parte do corpo; as baraitot de Rabi Eliezer se conciliam com a mishná e com a de quem mede as suas duas mil amot. Vem a mishná de quem foi surpreendido pela noite fora do techum, em que Rabi Shimon permite entrar mesmo a quinze amot, porque os agrimensores não completam as medidas, por causa dos que erram na medida. Com o hadran encerra-se o Perek Dalet (Mi SheHotziuhu), e abre-se o Perek Heh (Keitzad Meabrin) com a mishná sobre como se faz o ibur das cidades; o daf termina no meio dela.
Isto foi conforme quem? Parece que foi conforme Rav Yossef, e segundo Rabi Yossi, filho de Rabi Yehuda?
“Conforme quem” — isto é, conforme quem requeremos que tenha tomado o caminho e que o companheiro lhe diga “Pernoita aqui”? E, segundo a outra versão, assim lemos: “Conforme quem é aquele a quem basta isto, embora não tenha dito ‘A minha shevitá (lugar de repouso de Shabat) é em tal lugar’? Conforme Rav Yossef, segundo Rabi Yossi, filho de Rabi Yehuda. Não: conforme Rabba e segundo Rabi Yehuda.” E esta é a explicação: Conforme quem é isto? Conforme Rav Yossef e segundo Rabi Yossi, filho de Rabi Yehuda, que não requer senão tomar o caminho, e este também tomou o caminho e não disse nada. E responde: Não, tratamos de quem disse, e é conforme Rabba segundo Rabi Yehuda, que requer duas coisas; e o mesmo vale também para Rav Yossef segundo Rabi Yehuda, mas lhe é preferível estabelecê-la segundo Rabba, porque, entre Rabba e Rav Yossef, a halachá (a lei estabelecida) é como Rabba, exceto em três casos: campo, assunto e metade.
O bloco completa a frase interrompida no fim de Eruvin 52a (bloco 1828): Rav Natan bar Oshaya esperou que Rav Yehuda bar Ishtata descesse um degrau e lhe disse “pernoita aqui”, e no dia seguinte ele madrugou e foi para casa. A guemará pergunta conforme quem isso foi feito. Seguimos a primeira explicação do Rashi, a mesma que seguimos em Eruvin 52a (blocos 1823–1824 e 1827): no caso houve as duas coisas, tomar o caminho (o degrau) e o “pernoita aqui” do companheiro; isso basta segundo Rav Yossef na opinião de Rabi Yossi, filho de Rabi Yehuda, e também segundo Rabba na opinião de Rabi Yehuda, e por isso a guemará responde “não”. Na outra versão do Rashi, que a tradução de referência segue, a pergunta é se ele agiu sem declarar “a minha shevitá é em tal lugar”, como Rav Yossef segundo Rabi Yossi, que só exige tomar o caminho; e a resposta é que se trata de quem declarou, conforme Rabba segundo Rabi Yehuda, que exige as duas coisas. O Rashi acrescenta que, entre Rabba e Rav Yossef, a halachá é como Rabba, exceto em três casos que ele lembra pelas palavras-chave “campo, assunto e metade”. O hebraico da guemará diz aqui “רַבִּי יוֹסֵי בַּר יְהוּדָה”, onde Eruvin 52a (blocos 1822 e 1827) diz “בְּרַבִּי יְהוּדָה”, e o Rashi diz “בר׳ יהודה”; mantemos a grafia do tratado, “filho de Rabi Yehuda”. No Rashi, as palavras “יוסי ברבי” estão entre parênteses no Sefaria, em “כרבה ואליבא דרבי (יוסי ברבי) יהודה”; pelo sentido, o texto é “Rabi Yehuda”, e assim traduzimos.
Não: pode ter sido conforme Rabba, e segundo Rabi Yehuda.
Segundo a primeira explicação do Rashi (bloco 1829), Rabba, na opinião de Rabi Yehuda, também exige as duas coisas, tomar o caminho e o “pernoita aqui”, e ambas estavam presentes no caso de Rav Yehuda bar Ishtata; por isso não se pode provar dele a opinião de Rav Yossef. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
“Rabi Meir diz: Todo aquele que pode fazer eruv (a refeição depositada que fixa a residência de Shabat) etc.” Eis que já aprendemos isso uma vez: No caso de dúvida, Rabi Meir e Rabi Yehuda dizem: Eis que este é chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo).
“Dúvida” — no capítulo BaKol Mearvin (Eruvin 35a): Se o eruv rolou para fora do techum (limite de Shabat), ou se queimou, enquanto ainda era dia, não é eruv; depois que escureceu, eis que é eruv; se há dúvida se foi enquanto ainda era dia, ou dúvida se foi depois que escureceu, Rabi Meir e Rabi Yehuda dizem etc. Logo, toda dúvida é chamar gamal, e a nossa mishná também é um caso de dúvida. E, segundo a última versão, assim lhe é difícil: Já aprendemos uma vez, para Rabi Meir, que, onde fez eruv num lugar que não é eruv (válido), é chamar gamal.
A guemará cita a palavra de Rabi Meir na Mishná Eruvin 4:10 (Eruvin 52a, bloco 1818), e mantemos a redação de lá. A outra mishná é a Mishná Eruvin 3:4 (conferido), em Eruvin 35a (bloco 1223): se não se sabe se o eruv rolou para fora do techum antes ou depois de escurecer, Rabi Meir e Rabi Yehuda dizem que ele é chamar gamal, preso entre os dois lugares. A pergunta é: se Rabi Meir já disse que toda dúvida faz chamar gamal, para que repeti-lo aqui? O Sefaria liga o comentário do Rashi “ספק” ao segmento seguinte (52b:4); como o seu lema está neste segmento, ele foi posto aqui. A “última versão” é a outra explicação do Rashi em Eruvin 52a (bloco 1824), segundo a qual a mishná de Rabi Meir trata do rico que declarou “a minha shevitá é em tal lugar”; nessa leitura, a repetição seria de que o eruv feito onde não vale torna chamar gamal.
Disse Rav Sheshet: Não digas: A razão de Rabi Meir é que dúvida se fez eruv, dúvida se não fez eruv, é que é chamar gamal; mas quando certamente não fez eruv, não é chamar gamal.
“Não digas” — que ali é que, dúvida se fez eruv e adquiriu shevitá ali, e dúvida se não fez eruv e adquiriu na sua casa, é que é chamar gamal; mas onde certamente não fez eruv, como este que voltou, que devia fazer eruv com pão, pois estava perto da sua casa (outra versão: que devia dizer “A minha shevitá é em tal lugar”), não é chamar gamal, pois aqui não há dúvida, mas teve a intenção totalmente voltada para a sua casa, e será como os moradores da sua cidade.
Rav Sheshet explica por que a mishná precisou repetir a palavra de Rabi Meir: sem ela, se pensaria que só há chamar gamal quando não se sabe se o eruv vale, e que quem certamente não fez eruv é simplesmente como os moradores da sua cidade. Segundo o Rashi, “este que voltou” é o da mishná de Eruvin 52a (bloco 1817), que estava perto de casa e poderia ter feito eruv com pão; a “outra versão” que ele intercala (“ל״א”) diz que poderia ter declarado “a minha shevitá é em tal lugar”.
Antes, a mishná vem ensinar que mesmo quando certamente não fez eruv, é chamar gamal; pois eis que aqui certamente não fez eruv, e é chamar gamal.
“Antes, mesmo quando certamente não fez eruv” — que não disse “A minha shevitá é lá”, também o consideramos em dúvida, por causa da revelação de intenção. E, segundo a última versão, em que explicamos que Rabi Meir o faz rico, e mesmo assim é chamar gamal e não como os moradores da sua cidade, aprende-se daí que, mesmo em lugar onde não há dúvida, como o eruv que rolou para fora do techum enquanto ainda era dia, que certamente não é eruv, mesmo assim, para Rabi Meir, é chamar gamal, pois se retirou pela sua intenção das duas mil amot do segundo lado da sua casa. E aquela mishná anônima que ensina ali: “enquanto ainda era dia, não é eruv”, que dá a entender “e eis que é como os moradores da sua cidade”, é de Rabi Yehuda; e o fato de não juntá-los e ensiná-los com o fim da mishná, que ensina “eis que este é chamar gamal”, é porque Rabi Yehuda, no fim, concorda com Rabi Meir, mas, no início, os faz como os moradores da sua cidade; e o início é de Rabi Yehuda.
A conclusão de Rav Sheshet: o ensino da nossa mishná é que há chamar gamal também quando certamente não se fez eruv. Segundo a primeira explicação do Rashi, o que voltou não disse nada, mas a sua saída revelou a intenção de ir, e por isso fica em dúvida. Segundo a última versão, Rabi Meir trata o que declarou a shevitá como rico, e então ele perde as duas mil amot do outro lado da casa sem ganhar o lugar declarado; daí o Rashi conclui que, para Rabi Meir, também o eruv que certamente rolou para fora do techum ainda de dia torna chamar gamal, e que o início anônimo da Mishná Eruvin 3:4 (Eruvin 35a, blocos 1222–1223), “não é eruv”, é de Rabi Yehuda.
MISHNÁ. Quem saiu para fora do techum, mesmo uma amá, não entra de volta. Rabi Eliezer diz: Duas amot, entra; três, não entra.
MISHNÁ. “Quem saiu para fora do techum” — isto é, de propósito e conscientemente, não para uma mitzvá (preceito).
“Duas, entra” — por causa da absorção dos techumin, como dissemos no nosso capítulo (Eruvin 45a): Rabi Eliezer segue a sua razão, pois disse: “E ele está no meio delas”.
Encerrada a guemará sobre a mishná de quem saiu para ir a outra cidade e o seu companheiro o fez voltar (Mishná Eruvin 4:10, em Eruvin 52a–52b), inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Dalet (Mi SheHotziuhu). Ela corresponde à primeira parte da Mishná Eruvin 4:11 na numeração das edições avulsas da Mishná (conferido); a segunda parte, “quem foi surpreendido pela noite fora do techum”, vem no bloco 1841, e no Sefaria a Mishná Eruvin 4:12 está vazia. A palavra de Rabi Eliezer já foi citada em Eruvin 45a (bloco 1548), e mantemos a tradução de lá: “duas, entra; três, não entra”. Segundo o Rashi, a mishná fala de quem saiu de propósito, e não para uma mitzvá, e Rabi Eliezer permite duas amot porque, para ele, a pessoa está no meio das suas quatro amot (Mishná Eruvin 4:5, em Eruvin 45a), de modo que duas amot de cada lado se absorvem no techum. Na edição avulsa lê-se “אֲפִלּוּ” onde o Talmud diz “אֲפִילּוּ”; é diferença de grafia.
GUEMARÁ. Disse Rabi Chanina: Se um pé seu está dentro do techum e um pé seu fora do techum, não entra, pois está escrito: “Se desviares do Shabat o teu pé” (Yeshayahu 58:13): “o teu pé” (no singular) está escrito.
Rabi Chanina lê o versículo pela grafia, sem a letra yod, “רגלך”, que pode ser lida no singular: basta um só pé fora do techum para que se considere saído, e ele não pode entrar. O texto massorético vocaliza “רַגְלֶךָ”; o jogo entre o que está escrito e o que se lê volta no bloco 1837. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Mas não foi ensinado numa baraita: Se um pé seu está dentro do techum e um pé seu fora do techum, entra! Esta, de quem é? É de Acherim (outros sábios), pois foi ensinado numa baraita: Acherim dizem: Ao lugar onde está a maior parte dele, ele é atribuído.
GUEMARÁ. Assim lemos: “Esta, de quem é? É de Acherim.”
“Ao lugar onde a maior parte dele está, ele é atribuído” — e a maior parte dele está dentro do techum.
“É atribuído” — isto é, segundo a maior parte dele o julgamos (literalmente: o lançamos); e, já que não há senão um pé seu fora do techum, ainda a maior parte dele está dentro do techum; portanto, entra.
A baraita contradiz Rabi Chanina, e a guemará responde que ela é de Acherim, para quem se segue a maior parte do corpo. “É atribuído” traduz “נִזְקָר”, que o Rashi explica como “segundo a maior parte dele o lançamos”, isto é, o julgamos; a tradução de referência diz “é atribuído”. O primeiro comentário do Rashi registra a leitura do texto, “הא מני אחרים היא”, que é a do Sefaria. O lema do segundo comentário diz “למקום שרובו שם הוא נזקר”, com “שם” (“ali”), que não está na guemará.
Há quem diga: Disse Rabi Chanina: Se um pé seu está dentro do techum e um pé seu fora do techum, entra, pois está escrito: “Se desviares do Shabat o teu pé” (Yeshayahu 58:13): “os teus pés” (no plural) lemos.
Na outra versão, Rabi Chanina segue a leitura, “רַגְלֶיךָ”, no plural: só quem tem os dois pés fora do techum é considerado saído, e quem tem um só pé fora pode entrar. A guemará cita o versículo com a vocalização “רַגְלֶךָ” nos dois blocos; traduzimos a citação do mesmo modo e deixamos a diferença na palavra que se segue. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Mas não foi ensinado numa baraita: Não entra! Ele disse a sua palavra conforme Acherim, pois foi ensinado numa baraita: Ao lugar onde está a maior parte dele, ele é atribuído.
“Ele disse” — isto é, Rabi Chanina.
Nesta versão, a baraita que diz “não entra” contradiz Rabi Chanina, e a guemará responde que ele segue Acherim, para quem a pessoa é atribuída ao lugar onde está a maior parte do corpo; como só um pé está fora, ela pode entrar. Segundo o Rashi, quem “disse” é Rabi Chanina.
“Rabi Eliezer diz: Duas, entra; três, não entra.” Mas não foi ensinado numa baraita: Rabi Eliezer diz: Uma, entra; duas, não entra? Não é difícil: esta (a mishná), quando desarraigou o pé da primeira e está na segunda; aquela (a baraita), quando desarraigou o pé da segunda e está na terceira.
MISHNÁ. “Que desarraigou uma” — que saiu da primeira amá e está na segunda; e assim diz: se está na segunda, entra; e a baraita que ensina “duas, não entra” trata de quem saiu de todas as duas.
Segundo o Rashi, a mishná (“duas, entra”) trata de quem deixou a primeira amá e está na segunda, e a baraita (“duas, não entra”) de quem deixou as duas e está na terceira; a medida de Rabi Eliezer é a mesma. O Sefaria liga este comentário do Rashi, “מתני׳ דעקר חדא”, ao segmento seguinte (52b:12); como o seu lema está neste segmento, ele foi posto aqui. “Desarraigou” traduz “עֲקַר”, “arrancou”, isto é, levantou o pé.
Mas não foi ensinado numa baraita: Rabi Eliezer diz: Mesmo uma amá, não entra! Quando foi ensinada aquela, foi para quem mede, pois aprendemos numa mishná: E, quanto a quem mede, de quem disseram que se lhe dão duas mil amot, mesmo se o fim da sua medida termina numa caverna, não passa além delas.
“Para quem mede” — a quem anoiteceu e disse “A minha shevitá é no meu lugar”, e mede duas mil passadas médias, para ver se talvez entre no techum da cidade; e as suas duas mil terminaram uma amá fora do techum da cidade: não entra, pois, mesmo quando as duas mil o levam para dentro dele, não lhe é permitido sair das duas mil, como aprendemos: “E, quanto a quem mede, de quem disseram que se lhe dão duas mil, mesmo se o fim da sua medida termina numa caverna”, não ande além das duas mil; pois, já que mediu duas mil, além do lugar da sua shevitá, que são quatro amot, não pode passar para fora das duas mil.
A mishná citada é o fim da Mishná Eruvin 5:9 (conferido), que vem mais adiante, em Eruvin 61a; na edição avulsa e em Eruvin 61a lê-se “שֶׁאֲפִלּוּ” / “שֶׁאֲפִילּוּ”, e aqui, “אֲפִילּוּ”, sem o “שֶׁ”. Segundo o Rashi, a baraita de “mesmo uma amá” trata de quem fixou a shevitá onde anoiteceu e mediu as suas duas mil passadas: a medida é exata, e ele não pode dar nem uma amá além dela, mesmo para entrar no techum da cidade. As palavras “não passa além delas”, no fim do bloco, completam a mishná conforme o Rashi (“לא יהלך להלן מאלפים”). A frase do Rashi “שאפילו האלפים מוליכות אותו לתוכו” é de leitura incerta; traduzimo-la literalmente, “mesmo quando as duas mil o levam para dentro dele”, e o “dele” parece referir-se ao techum da cidade.
MISHNÁ. Aquele para quem anoiteceu fora do techum, mesmo a uma amá, não entra no techum da cidade. Rabi Shimon diz: Mesmo a quinze amot, entra, pois os mashochot (agrimensores) não completam as medidas, por causa dos que erram.
MISHNÁ. “Aquele para quem anoiteceu” — que vinha pelo caminho, e anoiteceu para ele fora do techum.
“Mesmo quinze amot etc.” — não exatamente quinze amot.
“Os mashochot” — os medidores dos techumin para as cidades, e fazem um sinal dentro do techum.
“Não completam as medidas” — a ponto de pôr o sinal no fim das duas mil, mas o recolhem para dentro das duas mil.
“Por causa dos que erram” — por causa dos que erram na medida, que não reconhecem o sinal e às vezes andam além dele e voltam, e não se dão conta disso. Outra versão, e não a ouvi dos meus mestres: que tomou quinze exatamente; e os que erram na medida são os mashochot que fixam os techumin; e dizemos adiante, em Keitzad Meabrin (Eruvin 57b): Não se mede senão com uma corda de cinquenta amot; há quarenta cordas nas duas mil, e cada corda diminui em duas pegadas, pois este segura daqui e aquele segura dali, e a pegada é um palmo e meio dedo; eis oitenta palmos e quarenta dedos, que somam dez palmos: eis noventa palmos, que são quinze amot.
Segunda parte da Mishná Eruvin 4:11 (conferido; ver a nota do bloco 1834). Na edição avulsa lê-se “שֶׁהֶחְשִׁיךְ” e “אֲפִלּוּ”, onde o Talmud diz “שֶׁהֶחֱשִׁיךְ” e “אֲפִילּוּ”; são diferenças de grafia. Segundo o Rashi, trata-se de quem vinha pelo caminho em direção à cidade e anoiteceu antes de chegar ao seu techum; Rabi Shimon permite entrar porque os agrimensores põem o sinal do techum para dentro das duas mil amot. Seguimos a primeira explicação do Rashi: o número quinze não é exato, e “os que erram” são os que não reconhecem o sinal e o ultrapassam sem perceber. Na outra versão, que o Rashi diz não ter ouvido dos seus mestres, as quinze amot são exatas, e “os que erram” são os próprios agrimensores: a corda de cinquenta amot (Mishná Eruvin 5:4, em Eruvin 57b; conferido) perde em cada medição duas pegadas de um palmo e meio dedo, e nas quarenta cordas das duas mil amot a perda soma noventa palmos, isto é, quinze amot de seis palmos. A tradução de referência segue esta segunda leitura.
GUEMARÁ. Foi ensinado numa baraita: Por causa dos que erram na medida.
A baraita precisa a palavra da mishná, “os que erram”: são “os que erram na medida”. Segundo a primeira explicação do Rashi (bloco 1841), são os viajantes que não reconhecem o sinal; segundo a outra, que a tradução de referência segue, são os agrimensores, cuja medição perde algumas amot. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.
Voltaremos a ti, Mi SheHotziuhu! Com esta fórmula tradicional se encerra o estudo de cada capítulo do Talmud: quem estuda promete voltar ao capítulo concluído, aqui o Perek Dalet, chamado Mi SheHotziuhu pelas palavras com que começa.
MISHNÁ. Como se faz o ibur (literalmente “gravidez”, isto é, a extensão do contorno) das cidades? Uma casa entra, uma casa sai; um pagum (torre saliente) entra, um pagum sai; se havia ali gedudiyot (restos de muros) de dez palmos de altura,
Com o hadran, encerra-se o Perek Dalet (Mi SheHotziuhu), que vai de 41b a 52b, e abre-se aqui o Perek Heh (Keitzad Meabrin), chamado pelas palavras com que começa esta mishná, a Mishná Eruvin 5:1 (conferido). Ela ensina como se traça o contorno da cidade antes de medir as duas mil amot do techum: as casas e torres que entram ou saem da linha, os restos de muros, as pontes e os monumentos com moradia, e a regra de fazer a cidade como uma tábua quadrada para ganhar os cantos; o resto da mishná está em Eruvin 53a. “Ibur” e “me’abrin” vêm da mesma raiz que “ubará”, “mulher grávida”, como explica o Rashi. Na edição avulsa lê-se “פָּגוּם”, onde o Talmud diz “פִּגּוּם”.
MISHNÁ. “Como me’abrin (se faz o ibur)” — explica-se na guemará que é linguagem de mulher grávida; pois aprendemos adiante: “Quem põe o seu eruv no ibur da cidade”; logo, há ibur para a cidade; e explica agora como ela tem ibur.
“Uma casa entra e uma casa sai, ou um pagum entra e um pagum sai, ou havia gedudiyot etc., estende-se a medida diante dele” — isto é, quando vem marcar o sinal do techum da cidade e vem medir duas mil amot fora dela: se o seu limite era um shur igar (muro de telhados), que não é uma muralha lisa, mas casas próximas e ligadas, e há uma casa que entra para dentro da cidade mais que a sua vizinha, e a sua entrada parece recortada por fora, e há uma casa saliente que sai para fora mais que a sua vizinha; ou “um pagum entra ou um pagum sai”, que era uma cidade cercada de muralha, e há torres redondas salientes na muralha, às vezes salientes para dentro, às vezes salientes para fora; ou que havia ali, num dos cantos da cidade, gedudiyot, restos de muralha de ruínas de casas, e estão dentro de setenta amot e um resto (de dois terços) da cidade, como se explica adiante.
Segundo o Rashi, “ibur” é o acréscimo que se faz à cidade, como a gestante que cresce: a mishná do “eruv posto no ibur da cidade”, que ele cita, é a Mishná Eruvin 5:7 (conferido). Ele explica os três casos: casas que entram ou saem da linha numa cidade cujo limite é formado pelas próprias casas, torres redondas salientes numa cidade murada, e restos de muros a menos de setenta amot e dois terços da cidade. O lema do segundo comentário inclui as palavras “מוציאין המדה כנגדו”, que estão na continuação da mishná, em Eruvin 53a, onde se lê “כְנֶגְדָּן” na edição avulsa. “Shur igar” traduzimos como “muro de telhados”, isto é, a borda formada pelas casas encostadas; a expressão é aramaica e a tradução é incerta.