Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Bet (Osin Passin)
בְּפוּם נַהֲרָא

A água própria para uso; a pilha de frutas; a rechavá de Pum Nahara; o lechi no caminho de vinhedos e o lechi na entrada da cidade

Eruvin 24b — Perek Bet (Osin Passin) · guemará sobre a quarta mishná do perek · a guemará prossegue em 25a

A guemará continua a tratar do karpef que se encheu de água. Ameimar ensina que a água é como plantações somente quando é própria para uso, isto é, para beber; e Rav Ashi acrescenta que isso vale somente quando a parte funda da água não ocupa mais que beit sata’im; mas a guemará rejeita essa limitação, pois a água é como uma pilha de frutas, que não anula a condição de moradia. Depois, a guemará conta o caso de uma rechavá em Pum Nahara, maior que beit sata’im e não cercada para moradia, aberta de um lado para o mavoi da cidade e do outro para um caminho de vinhedos que subia até a margem do rio. Abaye rejeita a divisória sobre a margem, porque não se faz divisória sobre divisória, e a tzurat hapetach, que os camelos derrubariam, e propõe um lechi na entrada do caminho; Rava objeta que diriam que um lechi basta para qualquer caminho de vinhedos e propõe um lechi na entrada da cidade. Por fim, carregar na cidade e na rechavá é permitido, e Rav Acha e Ravina discordam quanto a carregar de uma para a outra.

A água própria para uso · וְהוּא דְּחַזְיִין לְתַשְׁמִישְׁתָּא

885Desde que seja própria para uso
A guemará
אָמַר אַמֵּימָר: וְהוּא דְּחַזְיִין לְתַשְׁמִישְׁתָּא, אֲבָל לָא חַזְיִין לְתַשְׁמִישְׁתָּא — לָא.

Ameimar disse: E isso vale somente quando a água é própria para uso, isto é, para beber, pois então serve às necessidades da moradia; mas, se não é própria para uso, não é como plantações, e é proibido carregar no karpef.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “dechazu letashmishta”
דחזו לתשמישתא - לשתיה דאין לך דירה מעולה מזו:

“Que é própria para uso” — isto é, para beber, pois não há moradia mais excelente que esta, onde há água para beber.

886A profundidade de beit sata’im
A guemará
אָמַר רַב אָשֵׁי: וּדְחַזְיִין לְתַשְׁמִישְׁתָּא נָמֵי לָא אֲמַרַן אֶלָּא שֶׁאֵין בְּעוֹמְקוֹ יוֹתֵר מִבֵּית סָאתַיִם, אֲבָל אִם יֵשׁ בְּעוֹמְקוֹ יוֹתֵר מִבֵּית סָאתַיִם — אָסוּר.

Rav Ashi disse: E, mesmo quando a água é própria para uso, não dissemos isso senão quando não há na sua profundidade mais que beit sata’im, isto é, quando a parte que tem dez tefachim (palmos) de profundidade não ocupa uma área maior que beit sata’im; mas, se há na sua profundidade mais que beit sata’im, é proibido carregar no karpef, pois ele já não é considerado cercado para moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “she’ein be’omko yoter al beit sata’im”
שאין בעומקו יותר על בית סאתים - כלומר שאין עומקו של מים נפשט ברוחב יותר על בית סאתים ועומקו של סתם מים לבטל מקומו מדין קרקע י' טפחים כדאמרינן במסכת שבת (דף ק:) ואם היה רקק מים וכו' כמה רקק מים פחות מי' טפחים:

“Que não há na sua profundidade mais que beit sata’im” — isto é, que a profundidade da água não se estende, na largura, por mais que beit sata’im. E a profundidade exigida de uma água comum para anular o seu lugar da lei de terra firme é de dez tefachim, como dizemos no tratado Shabat (Shabat 100b): “E se havia um rekak (charco raso) de água” etc.; “quanto é um rekak de água? Menos de dez tefachim”. Assim, a água com menos de dez tefachim de profundidade conta como chão do karpef, e só a mais funda deixa de contar.

Nota

A referência do Rashi confere: a mishná citada está em Shabat 100b (Mishná Shabat 11:4), onde se lê “se havia um rekak de água e o domínio público passa por ele…” e “quanto é um rekak de água? Menos de dez tefachim”. A marca (דף ק:) entre parênteses no Rashi é indicação de editor e significa “folha 100b”.

887Como uma pilha de frutas
A guemará
וְלָאו מִילְּתָא הִיא, מִידֵּי דְּהָוֵה אַכַּרְיָא דְפֵירֵי.

A guemará comenta: E isso não é coisa certa, pois a água própria para beber é exatamente como no caso de uma pilha de frutas, que, por maior que seja, não anula do karpef a condição de lugar de moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “karya defeirei”
כריא דפירי - כרי של פירות גבוה עשרה ורוחב כרוחב בית כור לא בטלה תורת דירה משם ומים הראוין לשתיה כפירות דמי ל"א מידי דהוה אכריא דפירי שוחה עמוקה שמצניעין שם פירות שאע"פ שעמוקין שם הרבה נוטלים מהן בשבת:

“Pilha de frutas” — uma pilha de frutas com dez tefachim de altura e com largura como a largura de um beit kor (área de semeadura de um kor, trinta vezes a de um beit seá): por causa dela, não se anula dali a condição de moradia; e a água própria para beber é como frutas. Outra versão: “Exatamente como no caso de uma karya de frutas” é uma cova funda onde se guardam frutas; pois, embora estejam muito fundas ali, tiram-se delas no Shabat, e o lugar continua servindo à moradia.

Nota

A sigla ל"א no Rashi (lishna acharina, “outra versão”) introduz uma segunda explicação de כַּרְיָא דְפֵירֵי: não uma pilha de frutas, mas uma cova onde se guardam frutas. O texto principal segue a primeira explicação do Rashi, que é também a de Steinsaltz.

A rechavá de Pum Nahara · הָהִיא רְחָבָה דַּהֲוַאי בְּפוּם נַהֲרָא

888A rechavá de Pum Nahara
A guemará
הָהִיא רְחָבָה דַּהֲוַאי בְּפוּם נַהֲרָא, דְּחַד גִּיסָא הֲוָה פְּתִיחַ לְמָתָא, וְחַד גִּיסָא הֲוָה פְּתִיחַ לִשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים, וּשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים הֲוָה סָלֵיק לְגוּדָּא דְנַהֲרָא.

Conta-se que houve aquela rechavá (área aberta e cercada) que estava em Pum Nahara, maior que beit sata’im e não cercada para moradia: um lado se abria para a cidade, isto é, para um mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) da cidade, e o outro lado se abria para um caminho de vinhedos; e o caminho de vinhedos subia até a margem do rio, que tem dez tefachim de altura e é considerada divisória.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hahi rechavá”
ההיא רחבה - יותר מבית סאתים הוה ולא הוקפה לדירה:

“Aquela rechavá” — a sua área era maior que beit sata’im, e não foi cercada para moradia, e por isso era karmelit.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Pum Nahara”
פום נהרא - שם מקום:

“Pum Nahara” — é o nome de um lugar, que significa “boca do rio”.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chad gissa patuach lemata”
חד גיסא פתוח למתא - למבוי שבעיר שכלה לרחבה זו:

“Um lado se abria para a cidade” — isto é, para o mavoi da cidade, que terminava nesta rechavá, de modo que a rechavá o proibia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shevil shel keramim”
שביל של כרמים - דיורין היו בו:

“Caminho de vinhedos” — havia moradores nele, e por isso precisava de reparo para que se pudesse carregar nele.

889Uma divisória sobre a margem do rio?
A guemará
אָמַר אַבָּיֵי: הֵיכִי נַעֲבֵיד? לַעֲבֵיד לֵיהּ מְחִיצָה אַגּוּדָּא דְנַהֲרָא — אֵין עוֹשִׂין מְחִיצָה עַל גַּבֵּי מְחִיצָה.

Abaye disse: Como faremos para permitir carregar em todos eles, já que a rechavá é karmelit (domínio intermediário, nem público nem privado), sem precisar abrir nela uma brecha de mais de dez amot e cercá-la de novo? Faremos para ele uma divisória sobre a margem do rio, de modo que o caminho de vinhedos fique cercado de todos os lados e seja como um acréscimo da rechavá? Não adianta, pois não se faz uma divisória sobre outra divisória, e a margem do rio já é uma divisória.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “heichi ni’avid”
היכי ניעביד - למשרינהו לכולהו שהרי רחבה זו כרמלית היא ואוסרת כל המבוי ואת השביל שיש לו שלש מחיצות דהא גודא דנהרא מחיצה מעלייתא היא שגובהה עשרה אבל הרחבה אוסרתן לפי שפרוצין הן במילואן לכרמלית והא דאמרינן בפ"ק (ד' ז.) אם היה מבוי כלה לרחבה אין צריך כלום במוקפת לדירה והיו בה דיורין קאמר כדמפליג התם בין עירבו ללא עירבו אבל רחבה כרמלית אסור כדאמרינן בההיא שמעתא בקעה מכאן ובקעה מכאן כו':

“Como faremos?” — para permitir todos eles, a rechavá, o mavoi e o caminho. Pois esta rechavá é karmelit e proíbe todo o mavoi e o caminho, que tem três divisórias e seria permitido por si, pois a margem do rio é uma divisória perfeita, já que a sua altura é de dez tefachim; mas a rechavá os proíbe, porque estão abertos, em toda a sua largura, para uma karmelit. E o que dizemos no primeiro perek (Eruvin 7a): “Se um mavoi terminava numa rechavá, não precisa de nada”, fala de uma rechavá cercada para moradia e na qual havia moradores, como se distingue ali entre o caso em que fizeram eruv (junção) e o caso em que não fizeram eruv; mas uma rechavá que é karmelit é proibida, como dizemos naquela mesma lição: “Vale de um lado e vale do outro” etc., onde o vale, que é karmelit, exige reparo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “heichi ni’avid”
היכי ניעביד - להתיר את כולם שהיו רוצין מעכשיו להשתמש בהם בני העיר ולהיותה מוקפת לדירה ושוב לא תיהוי כרמלית ותהא היא בכולן מותרת ואמרינן לעיל הוקף ולבסוף פתח לא מהני וגדר של אבנים היתה רחבה זו מוקפת וקשה להם לפרוץ פירצה יותר מעשר ולגדרה לדירה אדעתא דלישתמשו בה בני מבוי ושביל מהשתא וליהוי כפתח ולבסוף הוקף כדשמואל:

“Como faremos?” — para permitir todos eles; pois os moradores da cidade queriam, de agora em diante, usá-la, e que ela fosse cercada para moradia e não fosse mais karmelit, e que ela fosse permitida junto com todos eles, para carregar de um para o outro. E dissemos acima que, se foi cercada e por fim abriu a entrada, não adianta; e esta rechavá estava cercada por um muro de pedras, e era difícil para eles abrir uma brecha de mais de dez amot e cercá-la para moradia, com a intenção de que os moradores do mavoi e do caminho a usassem de agora em diante, para que fosse como o caso em que se abriu a entrada e por fim se cercou, conforme a palavra de Shmuel.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ni’avid leih mechitzá”
ניעביד ליה מחיצה - של קנים:

“Faremos para ele uma divisória” — feita de caniços.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aguda denahara”
אגודא דנהרא - כלומר להו שביל כמוסף על הרחבה דניהוי רחבה ושביל חד וניהוי הך מחיצה דעבדינן בשביל אדעתא דדירה דלישתמשו מהשתא בני שביל ברחבה כאילו עבדינן לה ברחבה גופה לדירה דהוי פתח ולבסוף הוקף:

“Sobre a margem do rio” — isto é, que o caminho seja como um acréscimo à rechavá, de modo que a rechavá e o caminho sejam uma só coisa; e que esta divisória que fazemos no caminho, com a intenção de moradia, para que os moradores do caminho usem a rechavá de agora em diante, seja como se a fizéssemos na própria rechavá para moradia, o que é o caso em que se abriu a entrada e por fim se cercou.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ein ossin mechitzá al gabei mechitzá”
אין עושין מחיצה על גבי מחיצה - כיון דגודא גבוהה עשרה כל מה שמוסיפין עליה הגבהת אותה מחיצה עצמה הויא שהרי אם היה מגביה כל מחיצת הרחבה לדירה לא מהני עד שיפרוץ בה פירצה האוסרתה ויחזור ויגדור לדירה:

“Não se faz uma divisória sobre outra divisória” — visto que a margem tem dez tefachim de altura, tudo o que se acrescenta sobre ela é apenas a elevação daquela mesma divisória; pois, se alguém elevasse toda a divisória da rechavá para moradia, não adiantaria, pois não seria um cercado novo, até que abrisse nela uma brecha que a proíbe e voltasse a cercá-la para moradia.

Nota

As referências do Rashi conferem: “Se um mavoi terminava numa rechavá, não precisa de nada” e “vale de um lado e vale do outro” estão em Eruvin 7a; a distinção entre o caso em que fizeram eruv e o caso em que não fizeram aparece na continuação da mesma discussão, em Eruvin 7b. A marca (ד' ז.) entre parênteses é indicação de editor e significa “folha 7a”. “Dissemos acima” e “conforme Shmuel” remetem a Eruvin 24a: a palavra de Rav Nachman de que, se foi cercada e por fim se abriu a entrada, não adianta, e a de Rav Nachman em nome de Shmuel sobre a brecha de mais de dez amot. No terceiro comentário, o Rashi do Sefaria traz להו, lido aqui como להוי (“que seja”).

890Uma tzurat hapetach na boca do caminho?
A guemará
וְלַעֲבֵיד לֵיהּ צוּרַת הַפֶּתַח אַפּוּמָּא דִּשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים — אָתוּ גַּמְלֵי שָׁדְיָין לֵיהּ.

E se fizermos para ele uma tzurat hapetach (forma de porta: dois postes verticais, um de cada lado, e uma viga horizontal sobre eles) na boca do caminho de vinhedos, que se abre para a rechavá? Também não adianta, pois os camelos que passam por ali para beber do rio virão e a derrubarão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “le’avid leih tzurat hapetach apuma deshevil shel keramim”
ליעביד ליה צורת הפתח אפומא דשביל של כרמים - דפתוח לרחבה דמגו דמהני לשביל שלא יהא פרוץ לרחבה שאפילו היה פתוח לרה"ר מועיל לו ליהני נמי לרחבה להיות לה תוספת זה היקף לדירה:

“Faça-se para ele uma tzurat hapetach na boca do caminho de vinhedos” — a boca que se abre para a rechavá; pois, visto que é eficaz para o caminho, isto é, para que não fique aberto para a rechavá — pois, mesmo que estivesse aberto para o reshut harabim, ela lhe seria eficaz para carregar nele —, seja eficaz também para a rechavá, para que este acréscimo seja para ela um cercado para moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “atu gamlei”
אתו גמלי - הבאין לשתות מן העיר דרך מבוי לרחבה ומשם לשביל ולנהר:

“Virão os camelos” — os que vêm beber do rio, saindo da cidade pelo caminho do mavoi até a rechavá, e dali ao caminho e ao rio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shadyan leih”
שדיין ליה - שהיה פתח השביל צר להן ועכשיו הוא דוחקן:

“E a derrubarão” — pois a entrada do caminho era estreita para eles, e agora a tzurat hapetach os aperta ainda mais.

891Um lechi na entrada do caminho
A guemará
אֶלָּא אָמַר אַבָּיֵי: לֶיעְבֵּיד לֶחִי אַפִּיתְחָא דִּשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים, דְּמִגּוֹ דְּמַהְנְיָא לִשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים, מְהַנֵּי נָמֵי לִרְחָבָה.

Antes, Abaye disse: Faça-se um lechi (poste lateral) na entrada do caminho de vinhedos, a que se abre para a rechavá; pois, visto que é eficaz para o caminho de vinhedos, para que se possa carregar nele, já que não fica mais aberto para uma karmelit, é eficaz também para a rechavá, e vale para ela como um cercado para moradia que a torna permitida.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lechi”
לחי - הנעוץ בארץ ועביו משהו ואין גמלין נוגעין בו:

“Lechi” — um poste que está fincado no chão, e a sua espessura é mínima, e os camelos não esbarram nele, de modo que não o derrubarão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “demigo demahani lishvil”
דמיגו דמהני לשביל - לטלטל בו דלא הוי השתא פרוץ לכרמלית:

“Pois, visto que é eficaz para o caminho” — para carregar nele, pois agora, com o lechi, não está aberto para uma karmelit.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mahani nami lirchavá”
מהני נמי לרחבה - להיות לה היקף לדירה ויתירנה לטלטל בה ובלאו מיגו לא מישתריא דהא פתח שבין רחבה לשביל לא היה יותר מי' וכל כמה דסתים ליה לדירה לאו כלום היא דהא כל פתח סתימה מעלייתא היא וסתום ועומד הוא:

“É eficaz também para a rechavá” — para ser para ela um cercado para moradia, e permiti-la para carregar nela. E sem o argumento do “visto que” não seria permitida; pois a entrada entre a rechavá e o caminho não tinha mais que dez amot, e, sendo entrada, não anulava a divisória; e, por mais que alguém a feche para moradia, não é nada, pois toda entrada é como um fechamento perfeito, e está como se estivesse fechada.

892Dirão que o lechi é eficaz
A guemará
אֲמַר לֵיהּ רָבָא: יֹאמְרוּ לֶחִי מוֹעִיל לִשְׁבִיל שֶׁל כְּרָמִים דְּעָלְמָא.

Disse-lhe Rava a Abaye: Se assim for, as pessoas dirão que um lechi é eficaz para qualquer caminho de vinhedos comum, embora os caminhos de vinhedos em geral sejam abertos nas duas pontas e não subam até a margem de um rio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lishvil shel keramim de’alma”
לשביל של כרמים דעלמא - דלא סליק לגודא דנהרא והוי ליה כמבוי מפולש ויאמרו שאין צריך תיקון אלא בראשו אחד כי האי:

“Para qualquer caminho de vinhedos comum” — isto é, que não sobe até a margem do rio e é como um mavoi aberto nas duas pontas; e dirão que um mavoi aberto não precisa de reparo senão numa das suas pontas, como este caminho.

O lechi na entrada da cidade · לֶחִי לְפִיתְחָא דְמָתָא

893Um lechi na entrada da cidade
A guemará
אֶלָּא אָמַר רָבָא: עָבְדִינַן לֵיהּ לֶחִי לְפִיתְחָא דְמָתָא, דְּמִגּוֹ דְּמַהְנֵי לֵיהּ לֶחִי לְמָתָא, מַהְנֵי נָמֵי לִרְחָבָה.

Antes, Rava disse: Fazemos para ele um lechi na entrada da cidade, isto é, na boca do mavoi da cidade que se abre para a rechavá; pois, visto que o lechi é eficaz para a cidade, para que se possa carregar no mavoi, é eficaz também para a rechavá, tornando permitido carregar nela.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “demigo demahani lemata”
דמיגו דמהני למתא - לטלטל במבוי כדאמרינן בפרק קמא (דף ז.) סרטיא מכאן ובקעה מכאן עושה צורת הפתח מכאן ולחי או קורה מכאן והכא נמי ליעבדו בראש המבוי הפתוח לרשות הרבים צורת פתח והאי לחי דלצד הרחבה שרי ליה:

“Pois, visto que é eficaz para a cidade” — para carregar no mavoi, como dizemos no primeiro perek (Eruvin 7a): “Seratya (estrada principal) de um lado e vale do outro: faz-se uma tzurat hapetach de um lado e um lechi ou korá (viga transversal) do outro”. E aqui também, façam na cabeça do mavoi que se abre para o reshut harabim (domínio público) uma tzurat hapetach; e este lechi, do lado da rechavá, o torna permitido, como o lechi ou a korá do outro lado.

Nota

A referência do Rashi confere com Eruvin 7a, onde se lê “faz-se uma tzurat hapetach de um lado e um lechi e korá do outro”; o Rashi cita “um lechi ou korá”. A marca (דף ז.) entre parênteses é indicação de editor e significa “folha 7a”.

894Da cidade para a rechavá
A guemará
הִלְכָּךְ: טַלְטוֹלֵי בְּמָתָא גּוּפַהּ — שְׁרֵי. טַלְטוֹלֵי בִּרְחָבָה גּוּפַהּ — שְׁרֵי. מִמָּתָא לִרְחָבָה וּמֵרְחָבָה לְמָתָא, פְּלִיגִי בַּהּ רַב אַחָא וְרָבִינָא: חַד אָסַר וְחַד שָׁרֵי.

Por isso, em resumo: carregar na própria cidade é permitido, por meio do lechi; carregar na própria rechavá é permitido. Quanto a carregar da cidade para a rechavá e da rechavá para a cidade, Rav Acha e Ravina discordam a respeito: um proíbe carregar de uma para a outra, e o outro permite.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “taltulei bemata gufah sharei”
טלטולי במתא גופה שרי - דהא שרינן לה בהאי לחי ואפילו היא והרחבה אסורים זה עם זה שניהן משתמשין לעצמן כשתי חצירות ופתח ביניהן וכן ברחבה גופה:

“Carregar na própria cidade é permitido” — pois a permitimos com este lechi na entrada da rechavá. E, mesmo que ela e a rechavá se proíbam uma à outra, ambas são usadas cada uma por si, como dois pátios com uma entrada entre eles; e o mesmo vale para a própria rechavá.

Nota

Rav Acha e Ravina discordam apenas quanto a carregar da cidade para a rechavá e da rechavá para a cidade; segundo o Rashi, mesmo para quem proíbe, cada um dos dois lugares é permitido por si, como dois pátios ligados por uma entrada que não fizeram eruv entre si.

O daf termina aqui: Ameimar e Rav Ashi limitam a decisão de que a água num karpef é como plantações à água própria para beber e que não se estende por mais que beit sata’im de profundidade, e a guemará rejeita a limitação de Rav Ashi pela comparação com a pilha de frutas; diante da rechavá de Pum Nahara, aberta de um lado para a cidade e do outro para o caminho de vinhedos que subia até a margem do rio, Abaye rejeita a divisória sobre a margem e a tzurat hapetach e propõe um lechi na entrada do caminho, e Rava, temendo que digam que um lechi basta para qualquer caminho de vinhedos, propõe o lechi na entrada da cidade; por fim, Rav Acha e Ravina discordam quanto a carregar da cidade para a rechavá e da rechavá para a cidade. A guemará prossegue em Eruvin 25a.