A guemará traz a explicação de Rav Ashi para a palavra de Rabi Yochanan: a área entre os lechis é permitida, e a disputa de Rabban Shimon ben Gamliel e dos Sábios se refere ao mavoi revestido de lechis ao longo de quatro amot, que, segundo Rabban Shimon, é julgado como mavoi e precisa de outro lechi. Pergunta por que não é como o lechi visível por fora e nivelado por dentro, e responde que, segundo Rabi Yochanan, conforme trouxe Ravin, esse lechi não é julgado como lechi. Segue-se a disputa de Rabi Chiya e Rabi Shimon, filho de Rabi, sobre o visível por fora e nivelado por dentro, com a baraita de Rabi Chiya sobre a parede recuada, e a palavra de Rabba bar Rav Huna, de que é julgado como lechi, à qual Rabba objeta pela mishná do pátio pequeno rompido para o grande; Rabi Zeira responde que as paredes do pequeno entram no grande, e Ravina, que estão afastadas dois palmos de um lado e quatro do outro. A daf termina com a pergunta: e digamos lavud de um lado.
Rav Ashi disse: Segundo Rabi Yochanan, a área entre os lechis é permitida, e a disputa se refere a um caso como, por exemplo, quando alguém o revestiu de lechis (postes laterais), cada um a menos de quatro palmos do outro, ao longo de quatro amot (côvados).
“Rav Ashi disse” — na verdade, segundo Rabi Yochanan, a área entre os lechis é permitida; e isto que Rabi Yochanan disse, que a disputa de Rabban Shimon e dos Sábios se aplica aqui, é, por exemplo, quando a extensão deste revestimento de lechis era de quatro amot ao longo do comprimento do mavoi.
Segundo Rabban Shimon ben Gamliel, que disse que dizemos lavud (junção de um vão menor que três palmos), todos são como um só lechi de quatro amot, e é um mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios), e precisa de outro lechi para torná-lo permitido. E, segundo os Sábios, que dizem que não dizemos lavud, não precisa de outro lechi para torná-lo permitido.
“Segundo Rabban Shimon” — há lavud em menos de quatro palmos, e é tudo um só lechi; e dissemos acima (Eruvin 5a): um lechi de quatro amot é julgado como mavoi, e assim saiu da categoria de lechi.
“E precisa de outro lechi para torná-lo permitido” — isto é, este mavoi que está entre os lechis; mas do lechi interno para dentro, de qualquer modo, é permitido carregar no mavoi, pois para aqueles que estão dentro certamente parece um lechi, e a sua espessura é julgada, para eles, como lechi, e o mavoi se torna permitido por ele. Assim ouvi. Mas a mim parece que mesmo do interno para dentro o mavoi não se torna permitido, pois o lechi interno, para dentro, segundo Rabi Yochanan, não permite em absoluto; mas, segundo os Sábios, cada um dos lechis é por si mesmo, e o mavoi se torna permitido pelo primeiro lechi.
A guemará pergunta: E, segundo Rabban Shimon ben Gamliel, por que precisa de outro lechi? Que seja como um lechi visível por fora como lechi e nivelado com a parede por dentro!
“E segundo Rabban Shimon” — admitamos também que todos os lechis são um só e que é julgado como mavoi; mesmo assim, como Rabi Yochanan entendeu de Rabban Shimon que precisa de outro lechi para torná-lo permitido? Que este mavoi se torne permitido pelo princípio do visível por fora e nivelado por dentro! Pois, presumivelmente, quando colocou o primeiro lechi, estendeu-o um pouco para fora da linha da parede, pois assim é o costume de todos os que colocam lechis, para que se veja por dentro e por fora que foi fixado ali como lechi. Pois, se não estende um pouco a largura do lechi para além das paredes do mavoi, mas o coloca nivelado com elas, como neste desenho, parece que acrescenta à largura da espessura da parede do mavoi, e não se reconhece por fora que é um lechi; mas por dentro se reconhece que não é das paredes, porque a sua borda interna se vê por dentro. E, como o primeiro foi em parte estendido para fora, quando depois o nivelou por dentro com este revestimento de lechis e fez dele uma parede, ao menos que o mavoi se torne permitido por aquela primeira saliência, que se vê por fora; pois dizemos adiante: o lechi visível por fora e nivelado por dentro é julgado como lechi.
Na edição de Vilna, Rashi acompanha este comentário com dois pequenos desenhos do lechi estendido para fora e do lechi nivelado com as paredes, que aqui não se reproduzem.
A guemará responde: Acaso a razão é outra senão segundo Rabi Yochanan? Eis que, quando Ravin veio da terra de Israel, disse que Rabi Yochanan disse: Um lechi visível por fora e nivelado por dentro não é julgado como lechi.
“Acaso a razão é” — isto é: acaso levantamos esta objeção, de que o mavoi se tornaria permitido pelo visível por fora, senão segundo Rabi Yochanan, que aprende do lavud de Rabban Shimon a invalidação deste mavoi?
“Não é julgado” — por isso, se dizemos lavud, precisa de outro lechi.
Foi dito: Um lechi visível por dentro e nivelado por fora é julgado como lechi. Quanto ao visível por fora e nivelado por dentro, Rabi Chiya e Rabi Shimon, filho de Rabi, divergem: um deles disse: É julgado como lechi; e o outro disse: Não é julgado como lechi.
“Foi dito” — assim lemos.
“Visível por dentro e nivelado por fora” — que colocou o lechi com a sua largura no sentido do comprimento do mavoi, e não estendeu um pouco a sua largura para fora, mas nivelou a sua borda externa com a espessura das paredes do mavoi; e parece como quem acrescenta à largura das paredes do mavoi, e não se vê por fora como lechi; mas a sua borda interna se vê por dentro, pois a sua espessura sobressai para dentro da largura do mavoi, como neste desenho.
“Visível por fora e nivelado por dentro” — que estendeu todo o lechi para fora, e a sua borda interna entra nas paredes do mavoi, e não se vê por dentro, mas parece como quem acrescenta ao comprimento da parede do mavoi; mas por fora se reconhece que não é da parede do mavoi, pois foi estendido para além da largura da parede.
Na edição de Vilna, Rashi acompanha estes dois comentários com pequenos desenhos dos dois tipos de lechi, que aqui não se reproduzem.
Conclui-se que é Rabi Chiya quem disse “É julgado como lechi”, pois Rabi Chiya ensinou: Uma parede da qual um lado é recuado em relação ao outro, quer o recuo seja visível por fora e nivelado por dentro, quer seja visível por dentro e nivelado por fora, é julgada como lechi. A guemará confirma: Conclui-se.
“Uma parede da qual um lado é recuado em relação ao outro” — que o edifício foi recuado e se reduziu a sua espessura, de modo que agora sobressai dela uma espécie de coluna na parte que não foi recuada, que chamam pilier (pilar, em francês antigo).
“Quer” — que o seu recuo se vê por dentro e é nivelado por fora, como neste desenho, pois a parede está recuada atrás dele, e o recorte se vê somente por dentro.
“Quer seja visível por fora e nivelado por dentro” — por exemplo, quando a parede está recuada à sua frente, do lado de fora, de modo que o recuo não se vê para os que estão dentro, mas somente para os do domínio público, como neste desenho.
Na edição de Vilna, Rashi acompanha os comentários sobre a parede recuada com dois pequenos desenhos, que aqui não se reproduzem.
A guemará objeta: E Rabi Yochanan, não ouviu ele isto?! Antes, forçosamente ouviu-o e não concorda com isso; então, talvez também Rabi Chiya não concorde com isso!
“E Rabi Yochanan” — que disse acima explicitamente: Não é julgado.
“Não ouviu ele isto?” — a mishná de Rabi Chiya, isto é, a baraita que ele ensinou; e, mesmo assim, não concorda com ela. Aqui também, como se conclui de Rabi Chiya que é ele quem disse “É julgado”? Talvez também ele a tenha ouvido e não concorde com ela.
A guemará responde: Que comparação é esta?! Está bem que Rabi Yochanan não concorda com isso; por isso não o ensina. Mas Rabi Chiya, se fosse verdade que não concorda com isso, para que precisaria ensiná-lo?
Rabba bar Rav Huna disse: Um lechi visível por fora e nivelado por dentro é julgado como lechi. Rabba disse: E objetamos ao nosso próprio ensinamento a partir da mishná: “Um pátio pequeno que foi rompido para um grande: o grande é permitido, e o pequeno é proibido, porque a brecha é como a entrada do grande.” Ora, os restos da parede do grande, de um lado e do outro da brecha, são visíveis por fora, embora por dentro do pequeno tudo pareça nivelado. E, se fosse assim, também o pequeno deveria ser permitido, por ser visível por fora e nivelado por dentro.
“Um pátio pequeno que foi rompido para um grande, também o pequeno deveria ser permitido” — que os moradores do grande não o proíbam para eles, os moradores do pequeno, mas que seja também uma abertura em relação a ele, ao pequeno, para que sejam como dois pátios com uma abertura entre eles. E, embora seja nivelado por dentro, pois quem está dentro dele vê todas as paredes do seu comprimento niveladas, pois não há ali nada da parede da sua largura nos seus cantos, e a brecha é em toda a sua extensão, eis que por fora, dentro do grande, veem-se para ele restos de parede, esta parede de um lado e do outro, aquele excedente pelo qual o grande excede o pequeno; pois o grande se torna permitido por eles, porque, para ele, se veem por dentro.
Rabi Zeira disse: A mishná trata do caso em que as paredes do pequeno entram no grande, e assim, por fora, os restos da parede do grande não parecem pertencer à mesma parede.
“Quando as paredes do pequeno entram” — e sobressaem para dentro do grande duas ou três amot, de modo que aqueles restos de parede que excedem do grande, que estão atrás da brecha do pequeno, parecem não ser daquela parede da brecha, e não servem como lechi, como neste desenho.
Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre as paredes do pequeno que entram no grande com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.
A guemará pergunta: E digamos lavud, e que seja permitido! Que as extremidades das paredes do pequeno sejam consideradas unidas às paredes do grande, e os restos da parede serão visíveis por fora.
“E digamos lavud, e que seja permitido” — isto é: se o visível por fora é útil, que seja como se as extremidades da entrada das paredes do pequeno estivessem unidas ao lado das paredes do comprimento do grande, como neste desenho; pois então a entrada voltaria a ter para ele restos de parede visíveis por fora. Pois se pensava que o grande não é mais largo que o pequeno senão um pouco, menos de três palmos de um lado e menos de três do outro, de modo que agora o espaço entre as entradas das paredes do pequeno e as paredes do comprimento do grande não é de três palmos, e é como lavud.
Na edição de Vilna, Rashi acompanha o comentário sobre o lavud com um pequeno desenho, que aqui não se reproduz.
E, se disseres que estão muito afastadas das paredes do grande, eis que Rav Adda bar Avimi ensinou diante de Rabi Chanina a respeito desta mishná: O pátio pequeno, em dez amot; o grande, em onze! Sobra, então, meia amá de cada lado, isto é, três palmos.
“E se disseres que estão afastadas” — as entradas das divisórias do pequeno estão afastadas da parede do comprimento do grande.
“Muito” — mais de três palmos, pois o grande era muito mais largo que o pequeno.
“O pequeno, em dez, e o grande, em onze” — que o grande não excede o pequeno senão uma amá: eis três palmos de um lado e três palmos do outro; e a espessura das entradas das paredes reduz os três palmos de cada lado, de modo que há lavud.
Ravina disse: Trata-se do caso em que as paredes do pequeno estão afastadas desta parede dois palmos e desta outra, quatro.
“Quando estão afastadas desta parede dois, e desta, quatro” — que o pequeno não estava alinhado com o meio do grande, mas deslocado dois palmos para um lado; e da amá excedente há dois palmos de um lado e quatro do outro, e as entradas são finas, e restou de um lado um espaço de mais de três palmos.
A guemará pergunta: E digamos lavud de um lado, onde a distância é de dois palmos, e que seja permitido!
“E digamos lavud de um lado” — e eis que aqui há um resto de parede visível por fora do lado em que há lavud, e que o pequeno se torne permitido por ele, que consideremos esta brecha uma abertura, pois ela é de dez amot, e não mais.