Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Guimel (BaKol Mearvin)
שֶׁמָּא תִּתְעַבֵּר

A entrada da cidade; Shmuel: com o mesmo pão; a Mishná de Rosh Hashaná: dois eruvin, o cesto, o ovo, hoje ou amanhã; Rav: é Rabi Yossi

Eruvin 39a — Perek Guimel (BaKol Mearvin, Eruvin 26b:17-41b:5) · fim da guemará sobre a mishná do Yom Tov adjacente ao Shabat (Eruvin 3:6) · fim da baraita de Rabba bar Rav Chanin: a entrada da cidade e o balneário; não é evidente: o estudo o puxou, o jumento se perdeu · Rav Yehuda: o eruv com os pés e com pão; Shmuel: com o mesmo pão; Rav Ashi: a mishná é precisa; os Rabanan: um bom conselho · nova mishná (Eruvin 3:7-9): Rabi Yehuda, Rosh Hashaná e o temor de que o mês seja intercalado, os dois eruvin, o cesto de tevel, o ovo; Rabi Dosa ben Harkinas: hoje ou amanhã · guemará: Rav, é Rabi Yossi; os sábios concordam com Rabi Eliezer quanto a Rosh Hashaná; Rabi Yossi: as testemunhas da minchá em diante · continua de Eruvin 38b; a guemará continua em Eruvin 39b

A baraita citada por Rabba bar Rav Chanin termina: não se passeia junto à entrada da cidade, perto do fim do Shabat, para entrar logo no balneário; se Rabba a conhecesse, teria voltado atrás. A guemará responde que Rabba a ouviu e não voltou atrás: lá a intenção é evidente, mas quem vai até o lugar do eruv não mostra nada, pois de um estudioso se diz que o estudo o puxou, e de um ignorante, que o seu jumento se perdeu. Em seguida, a guemará examina a palavra de Rav Yehuda sobre o eruv feito com os pés ou com pão nos dois dias; Shmuel diz que no segundo dia só vale o mesmo pão, Rav Ashi apoia-o com a mishná, e os Rabanan dizem que a mishná apenas dá um bom conselho. Começa então uma nova mishná: Rabi Yehuda permite dividir os dois dias de Rosh Hashaná com dois eruvin, fazer uma condição sobre o cesto de tevel e comer no segundo dia o ovo posto no primeiro; Rabi Dosa ben Harkinas ensina a oração “quer hoje, quer amanhã”; e os sábios não concordaram com eles. Na guemará, Rav diz que os sábios que não concordaram seguem Rabi Yossi, que proíbe a divisão, porque, quando as testemunhas chegavam da minchá em diante, os dois dias eram observados como santos.

Rabba bar Rav Chanin: a entrada da cidade (continuação) · פֶּתַח מְדִינָה

1340Nem passeará junto à entrada da cidade
Rabba bar Rav Chanin
לֹא יְטַיֵּיל אָדָם עַל פֶּתַח מְדִינָה כְּדֵי שֶׁיִּכָּנֵס לַמֶּרְחָץ מִיָּד, הָדַר בֵּיהּ!

…uma pessoa não passeará junto à entrada da cidade, no Shabat ou no Yom Tov, perto do anoitecer, para entrar no balneário imediatamente quando o dia santo terminar, o mestre, Rabba, teria voltado atrás da sua palavra sobre o eruv!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo yetayel adam”
לא יטייל אדם - בשבת או ביו"ט סמוך לחשיכה עד פתח מדינה כדי להתקרב למרחץ להיות מזומן ליכנס כשתחשך מיד אלמא אף על גב דהילוך גרידא עביד ולא אמר מידי אסור וגבי עירוב אי בדיבורא הוה אסור משום הכנה בשתיקותא נמי הוה אסור:

“Uma pessoa não passeará” — isto é, no Shabat ou no Yom Tov, perto do anoitecer, até a entrada da cidade, para se aproximar do balneário, a fim de estar pronto para entrar nele imediatamente quando escurecer. Vê-se, portanto, que, embora ele faça somente o andar, e não diga nada, é proibido; e, quanto ao eruv, se com a palavra fosse proibido por causa da hachaná, também em silêncio seria proibido.

Nota

Continuação direta do bloco 1339 (Eruvin 38b), que termina: “…Uma pessoa não andará até o fim do seu campo, no Shabat, para saber de que ele precisa, para fazê-lo depois do Shabat; da mesma forma…”; aqui vem o restante da baraita e a conclusão de Rabba bar Rav Chanin: se Rabba conhecesse esta baraita, teria voltado atrás. Segundo o Rashi, a baraita mostra que até o simples andar, sem dizer nada, é proibido quando serve de preparação para depois do Shabat; e, se a declaração do eruv fosse hachaná proibida, também o eruv feito em silêncio, com os pés, deveria ser proibido. O hebraico diz “מְדִינָה”, que aqui designa a cidade. As palavras “no Shabat ou no Yom Tov, perto do anoitecer” seguem o Rashi e a tradução de referência.

1341Ouviu e não voltou atrás
A guemará
וְלָא הִיא, שְׁמִעַ לֵיהּ וְלָא הֲדַר בֵּיהּ. הָתָם — מוֹכְחָא מִילְּתָא, הָכָא — לָאו מוֹכְחָא מִילְּתָא הִיא.

A guemará responde: Mas não é assim: Rabba ouviu-a e não voltou atrás, pois há diferença entre os casos. Lá, no caso de quem anda até o fim do seu campo ou passeia junto à entrada da cidade, a coisa é evidente, e todos percebem para que ele vai; aqui, no caso do eruv, a coisa não é evidente, e ninguém percebe que ele vai fazer eruv.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mochcha milta”
מוכחא מילתא - מאי בעי בשדהו אם לא לידע מה היא צריכה ורחמנא אמר ממצוא חפצך וגו' (ישעיהו נ״ח:י״ג) וכן בפתח המדינה אבל חוץ לעיר עד התחום לא מוכחא מילתא דלערובי לצורך מחר קאזיל ולא מסקי אינשי אדעתייהו אלא אי צורבא מרבנן הוא אמרינן שמעתא משכתיה שמהרהר בה ואין דעתו עליו:

“A coisa é evidente” — o que ele quer no seu campo, senão saber de que o campo precisa? E o Misericordioso disse: “De encontrar o teu desejo” etc. (Yeshayahu 58:13). E assim também quem passeia junto à entrada da cidade. Mas, quanto a quem vai para fora da cidade, até o limite do techum, a coisa não é evidente, isto é, não se vê que ele vai para fazer eruv para a necessidade de amanhã, e as pessoas não pensam nisso; mas, se é um estudioso da Torá, dizemos: O seu estudo o puxou, pois está meditando nele e não está atento ao caminho.

Nota

O Rashi cita Yeshayahu 58:13, “מִמְּצוֹא חֶפְצְךָ”, “de encontrar o teu desejo”, versículo do qual se aprende que é proibido, no Shabat, tratar dos próprios afazeres; por isso, quem vai até o fim do seu campo para ver o que ele precisa, ou passeia junto à entrada da cidade para entrar no balneário logo que o Shabat terminar, faz algo proibido. A parte final deste Rashi, sobre o estudioso da Torá, já comenta o segmento seguinte (bloco 1342).

1342O estudo o puxou; o jumento se perdeu
A guemará
אִי צוּרְבָּא מֵרַבָּנַן הוּא, אָמְרִינַן: שְׁמַעְתָּא מְשַׁכְתֵּיהּ. וְאִי עַם הָאָרֶץ הוּא, אָמְרִינַן: חַמְרָא אִירְכַס לֵיהּ.

Pois, se ele é um tzurba merabanan (estudioso da Torá), dizemos: Talvez o seu estudo o tenha puxado, e, absorto nele, não prestou atenção a onde ia. E, se é um am haaretz (homem ignorante), dizemos: Talvez o seu jumento se tenha perdido, e ele saiu à procura dele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chamra irkas leh”
חמרא אירכס ליה - ואזיל לעיוני דאפילו בשבת מותר להשיבו מתוך התחום לביתו אבל מידי דאסיר ליה למיעבד בשבת אסיר ליה לזמוני נפשיה לההוא מידי:

“O seu jumento se perdeu” — e ele vai procurá-lo; pois até no Shabat é permitido trazê-lo de volta, de dentro do techum, para a sua casa. Mas quanto a uma coisa que lhe é proibido fazer no Shabat, é-lhe proibido preparar-se para essa coisa.

Nota

Segundo o Rashi, a procura do jumento não denuncia nenhuma preparação proibida, porque é permitida até no próprio Shabat; só é proibido preparar-se, no Shabat, para aquilo que é proibido fazer no Shabat. Assim, quem vai até o lugar do eruv não mostra a ninguém que está preparando algo para o dia seguinte. O Sefaria liga também a este segmento um comentário do Rashi que começa “אמרי לך - דילמא מתני' עצה טובה קמ"ל”; é o mesmo texto que o Sefaria liga ao segmento 7 deste daf, e ele comenta as palavras “דִּילְמָא הָתָם — עֵצָה טוֹבָה קָא מַשְׁמַע לַן”, “talvez ali nos faça saber um bom conselho”; por isso aparece uma só vez, no bloco 1346, junto ao segmento que comenta.

Rav Yehuda e Shmuel: com o mesmo pão · גּוּפָא

1343Rav Yehuda: com os pés e com pão
Rav Yehuda
גּוּפָא, אָמַר רַב יְהוּדָה: עֵירַב בְּרַגְלָיו בְּיוֹם רִאשׁוֹן — מְעָרֵב בְּרַגְלָיו בְּשֵׁנִי. עֵירַב בְּפַת בְּיוֹם רִאשׁוֹן — מְעָרֵב בְּפַת בְּיוֹם שֵׁנִי.

Quanto ao próprio assunto citado acima: Rav Yehuda disse: Se fez eruv com os seus pés na véspera do primeiro dia, faz eruv com os seus pés também na véspera do segundo dia; se fez eruv com pão, depositado no lugar onde quer adquirir a sua morada, na véspera do primeiro dia, faz eruv com pão também na véspera do segundo dia.

Nota

A guemará volta à palavra de Rav Yehuda, que Abaye citou na sua objeção a Rabba no bloco 1335 (Eruvin 38b), para examiná-la em si mesma; o hebraico diz “גּוּפָא”, “o próprio”. Não há Rashi do Sefaria para este segmento; os comentários do Rashi sobre esta mesma frase estão em Eruvin 38b, no bloco 1335.

1344Com os pés depois do pão, mas não pão depois dos pés
Rav Yehuda
עֵירַב בְּפַת בָּרִאשׁוֹן — מְעָרֵב בְּרַגְלָיו בַּשֵּׁנִי. עֵירַב בְּרַגְלָיו בָּרִאשׁוֹן — אֵין מְעָרֵב בְּפַת בַּשֵּׁנִי, שֶׁאֵין מְעָרְבִין בַּתְּחִלָּה בְּפַת.

Se fez eruv com pão na véspera do primeiro dia, e o seu eruv foi comido, faz eruv com os seus pés na véspera do segundo. Mas, se fez eruv com os seus pés na véspera do primeiro, não faz eruv com pão na véspera do segundo, pois não se faz eruv com pão pela primeira vez no Yom Tov para o Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “erav bepat barishon”
עירב בפת בראשון - ונאכל עירובו מערב ברגליו בשני:

“Se fez eruv com pão no primeiro” — e o seu eruv foi comido, faz eruv com os seus pés no segundo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “sheein me’arvin batchila bepat”
שאין מערבין בתחילה בפת - מי"ט לשבת משום הכנה דקרי ליה השתא שם עירוב:

“Pois não se faz eruv com pão pela primeira vez” — isto é, do Yom Tov para o Shabat, por causa da hachaná, pois agora ele lhe dá o nome de eruv.

Nota

As palavras “e o seu eruv foi comido” seguem o Rashi e a tradução de referência. Segundo o Rashi, fazer eruv com pão pela primeira vez no Yom Tov é proibido porque, ao dar ao pão o nome de eruv, a pessoa prepara do Yom Tov para o Shabat; já quem faz eruv com os pés, segundo Rabba (bloco 1336, Eruvin 38b), vai, cala-se e senta-se. A regra de que não se faz eruv de início no Yom Tov para o Shabat já apareceu no bloco 1314 (Eruvin 38a).

1345Shmuel: com o mesmo pão
Shmuel e Rav Ashi
עֵירַב בְּפַת בְּיוֹם רִאשׁוֹן מְעָרֵב בְּפַת בְּיוֹם שֵׁנִי, אָמַר שְׁמוּאֵל: וּבְאוֹתָהּ הַפַּת. אָמַר רַב אָשֵׁי: דַּיְקָא נָמֵי מַתְנִיתִין, דְּקָתָנֵי: כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה? מוֹלִיכוֹ בָּרִאשׁוֹן, וּמַחְשִׁיךְ עָלָיו, וְנוֹטְלוֹ וּבָא לוֹ. בַּשֵּׁנִי, מַחְשִׁיךְ עָלָיו, וְאוֹכְלוֹ וּבָא לוֹ.

Quanto ao que foi dito: Se fez eruv com pão no primeiro dia, faz eruv com pão no segundo dia, Shmuel disse: E somente com o mesmo pão. Rav Ashi disse: Também a mishná é precisa nesse sentido, pois ensina: Como fará, para que o eruv valha para o Yom Tov e para o Shabat? Leva-o ao lugar que quer estabelecer como sua morada, na véspera do primeiro dia, e espera anoitecer sobre ele, e pega-o consigo e vai embora; no segundo, leva-o de volta ao mesmo lugar e espera anoitecer sobre ele, e come-o e vai embora.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “dayka nami”
דיקא נמי - באותה פת דקרא עליה שם מאתמול והשתא קא שתיק אבל לא בפת אחרת דבעי למיקרי שם עירוב השתא:

“É precisa também” — a mishná fala do mesmo pão, sobre o qual ele chamou o nome de eruv desde ontem, e agora se cala; mas não de outro pão, que precisaria ser chamado agora pelo nome de eruv.

Nota

Rav Ashi cita a Mishná Eruvin 3:6 (bloco 1306, Eruvin 38a), aqui com a forma “כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה”, “como ele faz”, em vez de “כֵּיצַד יַעֲשֶׂה”, “como fará”, e sem a frase final “וְנִמְצָא מִשְׂתַּכֵּר בַּהֲלִיכָתוֹ…”. Segundo o Rashi, a precisão está em que a mishná fala do mesmo pão, ao qual ele já deu o nome de eruv na véspera do primeiro dia, e no segundo apenas se cala; e não de outro pão, que precisaria ser designado como eruv agora, no Yom Tov. A mishná, portanto, apoia a palavra de Shmuel.

1346Talvez seja um bom conselho
A guemará
וְרַבָּנַן, דִּילְמָא הָתָם — עֵצָה טוֹבָה קָא מַשְׁמַע לַן.

E os Rabanan, que se admiraram da hachaná de Rabba, como entendem esta mishná? Dir-te-ão: Talvez ali a mishná nos faça saber um bom conselho, para que ele não perca o seu pão nem tenha de se esforçar com outro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “verabanan”
ורבנן - אביי ורבה בר חנן דקא מתמהי לעיל אהכנה דרבה ולא ילפי מהא מתני' דדיקא כוותיה דמשמע בפת אחרת לא אלמא הכנה היא:

“E os Rabanan” — isto é, Abaye e Rabba bar Chanan, que se admiravam acima da hachaná de Rabba, e não aprendem a hachaná desta mishná, que é precisa conforme ele, pois dá a entender que com outro pão não se faz eruv; vê-se, portanto, que é hachaná.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “amri lach”
אמרי לך - דילמא מתני' עצה טובה קמ"ל הא דקתני נוטלו ובא לו שלא יאבד ויפסיד פתו ויטרח באחרת ולעולם אי בעי מערב באחרת ודקתני אין עירוב לשני בקנייה קמייתא קאמר אי לא הדר מערב:

“Dir-te-ão” — talvez a mishná nos faça saber um bom conselho, naquilo que ensina: “E pega-o e vai embora”, para que o pão não se perca, e ele não perca o seu pão e não se esforce com outro; mas, na verdade, se quiser, faz eruv com outro. E aquilo que ensina: “Não há eruv para o segundo”, diz respeito à primeira aquisição, isto é, se não voltar a fazer eruv.

Nota

A tradução segue o Rashi, que identifica “os Rabanan” como Abaye e Rabba bar Chanan, que objetaram a Rabba em Eruvin 38b; no texto da guemará, o nome é “רַבָּה בַּר רַב חָנִין”, Rabba bar Rav Chanin, e o Rashi escreve “רבה בר חנן”. A tradução de referência entende “os Rabanan” de outro modo: os sábios que não aceitam a opinião de Shmuel e dizem que a mishná apenas ensina um bom conselho. As palavras “dir-te-ão” vêm do comentário do Rashi “אמרי לך”, que não corresponde a palavras do hebraico deste segmento; o Rashi explica com ele a resposta “דִּילְמָא”, “talvez”. As palavras “não há eruv para o segundo” que o Rashi cita são da mesma mishná, “אֵין עֵירוּבוֹ לַשֵּׁנִי” (bloco 1307, Eruvin 38a). O Sefaria liga este mesmo comentário também ao segmento 3 (ver bloco 1342).

A Mishná: Rosh Hashaná, quando se teme que o mês seja intercalado · מַתְנִיתִין

1347Rabi Yehuda: Rosh Hashaná e os dois eruvin
Mishná
מַתְנִי׳ רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: רֹאשׁ הַשָּׁנָה שֶׁהָיָה יָרֵא שֶׁמָּא תִּתְעַבֵּר, מְעָרֵב אָדָם שְׁנֵי עֵירוּבִין, וְאוֹמֵר: עֵירוּבִי בָּרִאשׁוֹן לַמִּזְרָח, וּבַשֵּׁנִי לַמַּעֲרָב. בָּרִאשׁוֹן לַמַּעֲרָב, וּבַשֵּׁנִי לַמִּזְרָח. עֵירוּבִי בָּרִאשׁוֹן, וּבַשֵּׁנִי כִּבְנֵי עִירִי. עֵירוּבִי בַּשֵּׁנִי, וּבְרִאשׁוֹן כִּבְנֵי עִירִי. וְלֹא הוֹדוּ לוֹ חֲכָמִים.

MISHNÁ. Rabi Yehuda diz: Quanto a Rosh Hashaná, quando alguém estava com medo de que o mês de Elul fosse intercalado, com trinta dias, e queria ir para direções diferentes nos dois dias, uma pessoa pode fazer dois eruvin, e diz assim: O meu eruv, no primeiro dia, será para o leste, e, no segundo, para o oeste; ou diz: no primeiro, para o oeste, e, no segundo, para o leste; ou diz: o meu eruv valerá no primeiro dia, e, no segundo, serei como os demais habitantes da minha cidade; ou: o meu eruv valerá no segundo, e, no primeiro, serei como os demais habitantes da minha cidade. E os sábios não concordaram com ele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “matnitin: shema tit’aber”
מתני' שמא תתעבר - בגולה קמיירי שמא יעשו ב"ד הגדול אלול מעובר ויהיו שני ימים טובים והוא צריך לילך בראשון לצד אחד ובשני לצד אחר:

Mishná: “Que o mês seja intercalado” — trata-se da Diáspora: teme-se que talvez o grande Beit Din faça Elul intercalado, com trinta dias, e haja dois dias de Yom Tov; e ele precisa ir, no primeiro, para um lado, e, no segundo, para outro lado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “me’arev shnei eruvin”
מערב שני עירובין - ומניחן בעי"ט זה לכאן וזה לכאן ואומר כו' כדלעיל:

“Faz dois eruvin” — e coloca-os na véspera do Yom Tov, um para cá e outro para lá, e diz etc., como acima.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velo hodu lo chachamim”
ולא הודו לו חכמים - דקסברי קדושה אחת הן:

“E os sábios não concordaram com ele” — pois sustentam que os dois dias são uma só kedushá.

Nota — nova Mishná

Encerrada a guemará sobre a mishná do Yom Tov adjacente ao Shabat (Mishná Eruvin 3:6), inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Guimel (BaKol Mearvin), que corresponde às Mishnayot Eruvin 3:7, 3:8 e 3:9 na numeração das edições avulsas da Mishná; aqui vem a sua primeira parte (3:7), e ela continua nos blocos 1348 a 1350. Na época em que o mês era santificado pelo testemunho de quem tinha visto a lua nova, Rosh Hashaná durava um só dia quando as testemunhas chegavam no trigésimo dia de Elul, e dois dias quando não chegavam e Elul era declarado de trinta dias. Rabi Yehuda aplica a Rosh Hashaná a mesma divisão em dois eruvin que Rabi Eliezer aplicou ao Yom Tov adjacente ao Shabat (bloco 1304, Eruvin 38a). O verbo hebraico é “תִּתְעַבֵּר”, tit’aber, de ibur, intercalação; “o mês de Elul” e “com trinta dias” seguem o Rashi e a tradução de referência. Na edição avulsa lê-se “עֵרוּבִין”, “עֵרוּבִי”, “בָרִאשׁוֹן” e “וּבָרִאשׁוֹן כִּבְנֵי עִירִי”, onde o Talmud diz “עֵירוּבִין”, “עֵירוּבִי”, “בָּרִאשׁוֹן” e “וּבְרִאשׁוֹן כִּבְנֵי עִירִי”; são diferenças de grafia e de vocalização, e o sentido é o mesmo.

1348A condição sobre o cesto
Mishná
וְעוֹד אָמַר רַבִּי יְהוּדָה: מַתְנֶה אָדָם עַל הַכַּלְכַּלָּה בְּיוֹם טוֹב רִאשׁוֹן, וְאוֹכְלָהּ בַּשֵּׁנִי.

E Rabi Yehuda disse ainda: Uma pessoa pode fazer uma condição sobre o cesto de produtos tevel (dos quais ainda não se separaram terumá e dízimos) no primeiro dia de Yom Tov de Rosh Hashaná, separando a terumá de modo que valha no dia que for dia comum, e come-o no segundo dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “matne adam al hakalkala”
מתנה אדם על הכלכלה - של טבל בי"ט ראשון של ר"ה ואומר אם היום חול תהא זו תרומה על אלו ואם היום קדש אין בדברי כלום דאין מגביהין תרומה בי"ט דשבות דרבנן היא במסכת ביצה ולמחר אומר אם אתמול קדש והיום חול תהא זו שאמרתי אתמול תרומה על אלו ואם היום קדש ואתמול חול כבר היא תרומה מאתמול ואוכל כלכלה המתוקנת ומשייר התרומה:

“Uma pessoa faz uma condição sobre o cesto” — de tevel, no primeiro dia de Yom Tov de Rosh Hashaná, e diz: Se hoje é dia comum, que esta porção seja terumá por estes outros produtos; e, se hoje é santo, não há nada nas minhas palavras; pois não se separa terumá no Yom Tov, que é um shevut (proibição) dos Rabanan, como se ensina no tratado Beitzá. E, no dia seguinte, diz: Se ontem era santo e hoje é dia comum, que esta, que eu disse ontem, seja terumá por estes; e, se hoje é santo e ontem era dia comum, ela já é terumá desde ontem. E come do cesto corrigido e deixa a terumá à parte.

Nota

Continuação da mishná; na numeração das edições avulsas, aqui começa a Mishná Eruvin 3:8. Na edição avulsa lê-se “הַכַּלְכָּלָה”, onde o Talmud diz “הַכַּלְכַּלָּה”; é diferença de vocalização. O Rashi remete ao tratado Beitzá: na Mishná Beitzá 5:2, “וְלֹא מַגְבִּיהִין תְּרוּמָה וּמַעֲשֵׂר”, “não se separam terumá e dízimo”, está entre as coisas proibidas no Shabat e no Yom Tov por decreto dos sábios; o Rashi a chama de shevut dos Rabanan, isto é, proibição rabínica. Por isso a separação só vale no dia que for dia comum, e, como um dos dois dias certamente é dia comum, o cesto fica corrigido no segundo dia.

1349O ovo posto no primeiro dia
Mishná
וְכֵן בֵּיצָה שֶׁנּוֹלְדָה בָּרִאשׁוֹן, תֵּאָכֵל בַּשֵּׁנִי. וְלֹא הוֹדוּ לוֹ חֲכָמִים.

E da mesma forma, um ovo que foi posto no primeiro dia de Yom Tov de Rosh Hashaná pode ser comido no segundo. E os sábios não concordaram com ele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velo hodu lo chachamim”
ולא הודו לו חכמים - דסברי דתרוייהו קדושה אחת היא ואין מגביהין בהן תרומה:

“E os sábios não concordaram com ele” — pois sustentam que os dois são uma só kedushá, e não se separa terumá em nenhum deles.

Nota

Continuação da Mishná Eruvin 3:8. Segundo a tradução de referência, Rabi Yehuda permite o ovo porque um dos dois dias é certamente dia comum; os sábios, como explica o Rashi, consideram os dois dias uma só kedushá, e por isso não aceitam nem a condição sobre o cesto nem a permissão do ovo. Sobre o ovo posto num dos dias de Yom Tov e proibido no outro, ver a palavra de Rav no bloco 1326 (Eruvin 38b). Na edição avulsa lê-se “בָרִאשׁוֹן”, onde o Talmud diz “בָּרִאשׁוֹן”, diferença de vocalização.

1350Rabi Dosa ben Harkinas: hoje ou amanhã
Mishná
רַבִּי דּוֹסָא בֶּן הַרְכִּינָס אוֹמֵר: הָעוֹבֵר לִפְנֵי הַתֵּיבָה בְּיוֹם טוֹב שֶׁל רֹאשׁ הַשָּׁנָה, אוֹמֵר: ״הַחְלִיצֵנוּ ה׳ אֱלֹהֵינוּ אֶת יוֹם רֹאשׁ הַחֹדֶשׁ הַזֶּה, אִם הַיּוֹם אִם לְמָחָר״. וּלְמָחָר הוּא אוֹמֵר: ״אִם הַיּוֹם אִם אֶמֶשׁ״. וְלֹא הוֹדוּ לוֹ חֲכָמִים.

Rabi Dosa ben Harkinas diz: Quem passa diante da arca, para conduzir a oração da congregação, no Yom Tov de Rosh Hashaná, diz: “Fortalece-nos, Hashem, nosso Deus, neste dia de Rosh Chodesh, quer seja hoje, quer amanhã”. E, no dia seguinte, ele diz: “Quer seja hoje, quer ontem”. E os sábios não concordaram com ele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hachlitzenu”
החליצנו - זרזנו והחליצנו כמו נחלץ חושים (במדבר לב):

“Fortalece-nos” — isto é, torna-nos diligentes e fortalece-nos, como no versículo: “Nós nos armaremos depressa” (Bamidbar 32:17).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “im hayom im machar”
אם היום אם מחר - אם היום הוא החליצנו היום ואם מחר מחר:

“Quer hoje, quer amanhã” — se é hoje, fortalece-nos hoje; e, se é amanhã, fortalece-nos amanhã.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velo hodu lo chachamim”
ולא הודו לו חכמים - בגמ' מפרש אי אתנאה קאי וקא סברי לאו ספק הוא אלא יום ראשון הוא ראש חדש או אזכרון קאי וקסברי דאין מזכירין של ר"ח בראש השנה:

“E os sábios não concordaram com ele” — na guemará se explica a dúvida: se a discordância diz respeito à condição, e então sustentam que não é dúvida, mas o primeiro dia é Rosh Chodesh; ou se diz respeito à menção, e então sustentam que não se faz menção da oração de Rosh Chodesh em Rosh Hashaná.

Nota

Continuação da mishná; na numeração das edições avulsas, é a Mishná Eruvin 3:9. Rosh Hashaná é também Rosh Chodesh, o início do mês de Tishrei, e por isso a oração o chama de “dia de Rosh Chodesh”. Na edição avulsa lê-se “דוֹסָא בֶן”, “הַתֵּבָה”, “הַחֲלִיצֵנוּ” e “רֹאשׁ חֹדֶשׁ”, onde o Talmud diz “דּוֹסָא בֶּן”, “הַתֵּיבָה”, “הַחְלִיצֵנוּ” e “רֹאשׁ הַחֹדֶשׁ”; são diferenças de grafia e de vocalização. O Rashi cita “נֵחָלֵץ חֻשִׁים”, de Bamidbar 32:17; a referência entre parênteses no hebraico do Rashi, “(במדבר לב)”, dá só o capítulo, e o versículo foi conferido. A discussão da guemará que o terceiro Rashi menciona, sobre se os sábios discordam da condição ou da menção, está em Eruvin 40a.

Guemará: quem são os que não concordaram · מַאן לֹא הוֹדוּ לוֹ

1351Rav: é Rabi Yossi
A guemará e Rav
גְּמָ׳ מַאן ״לֹא הוֹדוּ לוֹ״? אָמַר רַב: רַבִּי יוֹסֵי הִיא, דְּתַנְיָא: מוֹדִים חֲכָמִים לְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה שֶׁהָיָה יָרֵא שֶׁמָּא תִּתְעַבֵּר, מְעָרֵב אָדָם שְׁנֵי עֵירוּבִין, וְאוֹמֵר: עֵירוּבִי בָּרִאשׁוֹן לַמִּזְרָח, וּבַשֵּׁנִי לַמַּעֲרָב. בָּרִאשׁוֹן לַמַּעֲרָב, וּבַשֵּׁנִי לַמִּזְרָח. עֵירוּבִי בָּרִאשׁוֹן, וּבַשֵּׁנִי כִּבְנֵי עִירִי. עֵירוּבִי בַּשֵּׁנִי, וּבָרִאשׁוֹן כִּבְנֵי עִירִי. רַבִּי יוֹסֵי אוֹסֵר.

GUEMARÁ. Quem são os sábios que “não concordaram com ele”? Rav disse: É Rabi Yossi, pois foi ensinado numa baraita: Os sábios concordam com Rabi Eliezer, embora discordem dele quanto ao Yom Tov adjacente ao Shabat, quanto a Rosh Hashaná: quando alguém estava com medo de que o mês de Elul fosse intercalado, uma pessoa pode fazer dois eruvin, e diz: O meu eruv, no primeiro dia, será para o leste, e, no segundo, para o oeste; ou: no primeiro, para o oeste, e, no segundo, para o leste; ou: o meu eruv valerá no primeiro, e, no segundo, serei como os demais habitantes da minha cidade; ou: o meu eruv valerá no segundo, e, no primeiro, serei como os demais habitantes da minha cidade. Rabi Yossi proíbe.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “gemara: modim chachamim”
גמ' מודים חכמים - אע"ג דפליגי עליה דר"א בשבת ויו"ט הכא מודו דב' ימים טובים של ר"ה ב' קדושות הן דחד מינייהו חול ומשום ספיקא דלא ידעינן אי עברוהו ב"ד וקדשו ירחא ביום ל"א והוה ליה ראשון חול או ביום ל' נקבע והוי שני חול הוא דעבדי להו:

Guemará: “Os sábios concordam” — embora discordem de Rabi Eliezer quanto ao Shabat e ao Yom Tov, aqui concordam que os dois dias de Yom Tov de Rosh Hashaná são duas kedushot, pois um deles é dia comum; e é por causa da dúvida que os observam, pois não sabemos se o Beit Din o intercalou e santificou o mês no trigésimo primeiro dia, e então o primeiro é dia comum, ou se foi fixado no trigésimo dia, e então o segundo é dia comum.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veRabi Yossi osser”
ור' יוסי אוסר - דקסבר לאו משום ספיקא דשמא באו עדים ביום ל' ספק ביום ל"א לחודיה איתקון אלא אף משום שמא באו עדים מן המנחה ולמעלה איתקון דתרוייהו קדישי דאמור רבנן שהיו מצפין ביום ל' של אלול שמא יבאו עדים שנראית הלבנה בו ויקדשו ב"ד את החדש היום ונוהגין אותו היום קדש שמא י"ט הוא ותניא תמיד של ר"ה שחרית קרב כהלכתו תמיד של חול ושיר של חול המתוקן ליום בהשיר שהיו הלוים אומרים במקדש ביום הראשון כו' [תמיד פ"ז מ"ד] בתמיד של בין הערבים אומר שיר אחר הסירותי מסבל שכמו כדאמרינן בפרק בתרא של ר"ה (ד' ל:) ואם באו עדים אחר תמיד של בין הערבים שכבר קרב בשיר של חול תיקנו שיהיו מקדשין החדש מחר ומיום המחרת מונין קביעתו כדי לומר שיר הראוי לי"ט ומ"מ גמר יום שלשים נוהגין קדש כתחלתו שכך תקנו שיהו נוהגין אותו היום קדש ואפילו גמרו של יום ואע"פ שיודעין שידחה ליום המחרת ולמחר קדש והרחוקים מב"ד נוהגין שני ימים טובים לאו משום ספק נראית לבנה ביום ל' והוי שני חול ספק ביום ל"א והוי ראשון חול קא עבדי אלא משום שמא באו עדים אחר תמיד של בין הערבים ונהגו ב"ד שניהן קדש קא עבדי אלמא שניהן קדש:

“E Rabi Yossi proíbe” — pois sustenta que os dois dias não foram instituídos somente por causa da dúvida, se talvez as testemunhas tenham vindo no trigésimo dia, ou talvez no trigésimo primeiro; mas foram instituídos também por causa de que talvez as testemunhas tenham vindo da minchá em diante, caso em que ambos são santos. Pois os sábios disseram que esperavam, no trigésimo dia de Elul, que talvez viessem testemunhas dizendo que a lua fora vista nele, e o Beit Din santificasse o mês hoje; e observavam aquele dia como santo, pois talvez fosse Yom Tov. E foi ensinado: O tamid (oferta diária) da manhã de Rosh Hashaná é oferecido segundo a sua regra, como o tamid de dia comum, e com o cântico de dia comum, fixado para o dia, conforme a mishná “O cântico que os levitas diziam no Templo: no primeiro dia” etc. (Mishná Tamid 7:4). No tamid do entardecer diz-se outro cântico, “Removi do fardo o seu ombro”, como dizemos no último capítulo de Rosh Hashaná (Rosh Hashaná 30b). E, se as testemunhas vieram depois do tamid do entardecer, que já fora oferecido com o cântico de dia comum, instituíram que santificassem o mês no dia seguinte, e que a partir do dia seguinte se contasse a sua fixação, para dizer o cântico próprio do Yom Tov. E, de todo modo, o fim do trigésimo dia é observado como santo, como o seu início; pois assim instituíram, que observassem aquele dia como santo, até o seu fim, embora saibam que a fixação será adiada para o dia seguinte; e o dia seguinte também é santo. E os que estão longe do Beit Din observam dois dias de Yom Tov não por causa da dúvida, se a lua foi vista no trigésimo dia, e o segundo é dia comum, ou no trigésimo primeiro, e o primeiro é dia comum; mas fazem assim por causa de que talvez as testemunhas tenham vindo depois do tamid do entardecer, e o Beit Din observou os dois como santos. Vê-se, portanto, que ambos são santos.

Nota

A guemará pergunta quem são os sábios anônimos que discordaram de Rabi Yehuda na mishná, e Rav responde que é a opinião de Rabi Yossi. A tradução de referência identifica a fonte citada como Tosefta; o hebraico diz apenas “דְּתַנְיָא”, “pois foi ensinado”. As palavras “embora discordem dele quanto ao Yom Tov adjacente ao Shabat” seguem o Rashi e a tradução de referência. No segundo Rashi, as referências no hebraico, “[תמיד פ"ז מ"ד]” (Tamid, capítulo 7, mishná 4) e “(ד' ל:)” (folha 30b), são marcas de editor, aqui dadas entre parênteses como referências; foram conferidas: o cântico dos levitas para cada dia da semana está na Mishná Tamid 7:4, e “הֲסִירוֹתִי מִסֵּבֶל שִׁכְמוֹ”, de Tehillim 81:7, está em Rosh Hashaná 30b, no último capítulo do tratado. No hebraico do Rashi, “ליום בהשיר” significa “para o dia, em ‘O cântico…’”, isto é, conforme a mishná de Tamid; as palavras “conforme a mishná” foram acrescentadas por isso. A regra das testemunhas que chegam da minchá em diante é a da Mishná Rosh Hashaná 4:4.

1352As testemunhas da minchá em diante
Baraita: Rabi Yossi
אָמַר לָהֶן רַבִּי יוֹסֵי: אִי אַתֶּם מוֹדִים שֶׁאִם בָּאוּ עֵדִים מִן הַמִּנְחָה וּלְמַעְלָה, שֶׁנּוֹהֲגִין אוֹתוֹ הַיּוֹם קֹדֶשׁ וּלְמָחָר קֹדֶשׁ?!

Rabi Yossi disse-lhes: Não concordais que, se vieram testemunhas de que a lua nova fora vista da minchá (hora da oferta da tarde) em diante, no trigésimo dia de Elul, observa-se aquele dia como santo, e o dia seguinte também como santo?!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i atem modim”
אי אתם מודים כו' - כדפרישית אלמא אנן דרחקינן מב"ד מספקא לן דילמא הכי הוה ותרוייהו קדש:

“Não concordais” etc. — como expliquei; vê-se, portanto, que nós, que estamos longe do Beit Din, temos dúvida se talvez tenha sido assim, e então ambos são santos.

Nota

Rabi Yossi recorda a Mishná Rosh Hashaná 4:4: “Se vieram testemunhas da minchá em diante, observa-se aquele dia como santo e o dia seguinte como santo”. Segundo o Rashi do bloco anterior e deste bloco, isso mostra que os dois dias de Rosh Hashaná não são observados apenas por dúvida sobre qual deles é o verdadeiro, mas podem ser ambos santos; por isso, para Rabi Yossi, não se pode dividi-los com dois eruvin. A discussão continua em Eruvin 39b.