Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Guimel (BaKol Mearvin)
נְתָנוֹ בְּכַלְכַּלָּה

A árvore que volta a se erguer e o caminho das folhas; a coluna de nove, segundo Ulla; o eruv no cesto, segundo Rabi e os Sábios; o cesto que completa quatro

Eruvin 33a — Perek Guimel (BaKol Mearvin, Eruvin 26b:17-41b:5) · guemará da mishná do eruv posto na árvore (Eruvin 3:3, primeira parte) · continua de Eruvin 32b; a guemará continua em Eruvin 33b

O daf completa a resposta de Rav Yitzchak, filho de Rav Mesharshiya: a mishná trata de uma árvore cuja copa se inclina para fora das quatro amot, em que o eruv foi posto, e o dono pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat junto à base; os termos “acima” e “abaixo” cabem porque a árvore, depois de inclinar-se, volta a se erguer. A guemará objeta que ele poderia trazer o eruv pelo caminho das folhas, e responde que se trata de uma inclinação sobre a qual os muitos apoiam os seus fardos, que é reshut harabim, segundo Ulla e a sua coluna de nove tefachim. Pergunta-se então qual é a opinião de Rabi e qual é a dos Rabanan, e traz-se a baraita: o eruv posto na árvore acima de dez não é válido; abaixo de dez é válido, mas é proibido tirá-lo; dentro de três é permitido tirá-lo; posto num cesto pendurado na árvore, segundo Rabi, é válido mesmo acima de dez; e os Sábios dizem que, onde é proibido tirá-lo, o eruv não é válido. A guemará mostra que os Sábios se referem à primeira parte, para não concluir que proíbem os lados da árvore; pergunta como é a árvore, e Ravina responde que a primeira parte trata de uma árvore de quatro tefachim de largura e a parte final, de uma árvore mais estreita, que o cesto completa até quatro. O texto continua em Eruvin 33b.

A árvore que se inclina e volta a se erguer · דַּהֲדַר זָקֵיף

1170A árvore que volta a se erguer
Rav Yitzchak, filho de Rav Mesharshiya
וְנִתְכַּוֵּין לִשְׁבּוֹת בְּעִיקָּרוֹ. וּמַאי ״לְמַעְלָה״ וּמַאי ״לְמַטָּה״ — דַּהֲדַר זָקֵיף.

…e pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat junto à sua base, de modo que o eruv ficou fora das quatro amot do lugar em que pretendeu morar. E o que significa “acima”, e o que significa “abaixo”, se a copa se estende inclinada para o lado, numa mesma altura? Que a árvore, depois de se inclinar para fora das quatro amot, volta a se erguer na vertical, e então há nela um acima e um abaixo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Venitkavein lishbot beikaro”
והוא נתכוון לשבות בעיקרו - הלכך למטה מי' עירובו עירוב דמצי נפיק ליה חוץ לד' אמותיו כמה דבעי ולמשקליה ואייתוייה פחות מד' אמות עד לתוך ד' אמותיו ואע"ג דמשוינן להו ניהליה רשות היחיד לגבי קניית עירוב להקל לאו רה"י גמורה היא שלא יוכל להביא מחוצה להן לתוכן דהא לאו מחיצה איכא ולא חילוק רשות איכא ומאן קא משוי להו בית עירוב הוא דמשוי ליה וכי איכוון לבית דהיתרא איכוון ולא לשוויה בית דאיסורא למעלה מי' אין עירובו עירוב דהא כי נפיק ושקליה מייתי מרה"י לרה"ר ולקמן פריך הא אי בעי מייתי ליה דרך עליו:

“E pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat junto à sua base” — por isso, abaixo de dez, o seu eruv é eruv válido, pois ele pode sair para fora das suas quatro amot quanto quiser, pegá-lo e trazê-lo em trechos de menos de quatro amot até dentro das suas quatro amot. E, embora as consideremos para ele reshut hayachid quanto à aquisição do eruv, para facilitar, não são reshut hayachid completo, a ponto de ele não poder trazer de fora delas para dentro delas, pois não há ali divisória nem há separação de domínio. E quem as torna como casa? O eruv é que as torna casa; e, quando ele teve intenção, teve intenção de fazer delas uma casa de permissão, e não de fazer delas uma casa de proibição. Acima de dez, o seu eruv não é eruv, pois, quando sai e o pega, traz algo do reshut hayachid para o reshut harabim. E adiante a guemará objeta: Mas, se quisesse, poderia trazê-lo pelo caminho das suas folhas!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Umai lemala umai lemata”
ומאי למעלה ומאי למטה - בדבר הנוטה שוה הוא ואי למעלה אית ביה למטה לית ביה ולא שייך ביה לשון מעלה ומטה אלא לשון גבוה ונמוך והכי איבעיא ליה למיתני נתנו באילן גבוה י' אין עירובו עירוב אין גבוה עשרה עירובו עירוב ומדתני מעלה ומטה משמע דזקוף ויכול להניח למעלה בגובהו או למטה בשיפולו:

“E o que significa ‘acima’ e o que significa ‘abaixo’?” — numa coisa que se inclina por igual, se a inclinação está acima, não há nela abaixo, e não cabe nela a expressão “acima” e “abaixo”, mas a expressão “alto” e “baixo”; e assim deveria ter ensinado: Se o pôs numa árvore alta dez tefachim, o seu eruv não é eruv; se não é alta dez tefachim, o seu eruv é eruv. E, por ter ensinado “acima” e “abaixo”, depreende-se que a árvore é erguida, e ele pode pô-lo em cima, na sua altura, ou embaixo, na sua parte inferior.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Dehadar zakif”
דהדר זקיף - בסוף נטייתו ומשכחת ביה מעלה ומטה בזקיפתו כגון דנטייתו כולה למטה מי' דאי למעלה מי' לא משכחת בזקיפתו מעלה ומטה:

“Que volta a se erguer” — no fim da sua inclinação; e encontra-se nela “acima” e “abaixo” na sua parte erguida, como no caso em que toda a sua inclinação está abaixo de dez; pois, se estivesse acima de dez, não se encontraria na sua parte erguida um acima e um abaixo.

Nota

O daf começa no meio da frase de Rav Yitzchak, filho de Rav Mesharshiya, iniciada em Eruvin 32b: o eruv foi posto na copa, além das quatro amot, e o dono pretendeu estabelecer a sua morada junto à base da árvore. O primeiro comentário do Rashi explica por que, nesse caso, o eruv abaixo de dez é válido; o segundo e o terceiro explicam a pergunta sobre “acima” e “abaixo” e a resposta de que a árvore volta a se erguer. A tradução de referência entende que a árvore volta a se erguer depois de inclinar-se para fora das quatro amot; o Rashi acrescenta que toda a parte inclinada está abaixo de dez tefachim.

1171O caminho das folhas
A guemará
וְהָא אִי בָּעֵי מַיְיתֵי לַהּ דֶּרֶךְ עָלָיו!

A guemará pergunta: Mas, se quisesse, mesmo estando o eruv acima de dez tefachim, poderia tirá-lo e trazê-lo pelo caminho das suas folhas, isto é, pelos galhos que estão acima de dez, até dentro das quatro amot do lugar em que pretendeu estabelecer a sua morada!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Veha i baei maytei lah derech alav”
והא אי בעי מייתי ליה דרך עליו - כי הוי חוץ לד' אמות נמי ולמעלה מי' כיון דד' אמותיו עולות עד לרקיע רה"י הרי יכול לעלות לאילן עד למעלה מעשרה וליטלו דהא כל האילן מעשרה ולמעלה רה"י ומביאנו למקום שביתתו:

“Mas, se quisesse, poderia trazê-lo pelo caminho das suas folhas” — mesmo quando o eruv está fora das quatro amot e acima de dez; já que as suas quatro amot sobem até o firmamento como reshut hayachid, eis que ele pode subir na árvore até acima de dez e pegá-lo de lá, pois toda a árvore, de dez para cima, é reshut hayachid, e trazê-lo ao lugar do seu repouso de Shabat.

1172Quando os muitos apoiam os fardos sobre ela
A guemará
כְּשֶׁרַבִּים מְכַתְּפִין עָלָיו, וְכִדְעוּלָּא. דְּאָמַר עוּלָּא: עַמּוּד תִּשְׁעָה בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, וְרַבִּים מְכַתְּפִין עָלָיו, וְזָרַק וְנָח עַל גַּבָּיו — חַיָּיב.

Responde a guemará: Trata-se do caso em que os muitos apoiam os seus fardos sobre ela, sobre a parte inclinada da árvore, e a lei é conforme a opinião de Ulla. Pois Ulla disse: Quanto a uma coluna de nove tefachim de altura no reshut harabim (domínio público), sobre a qual os muitos apoiam os seus fardos, se alguém lançou um objeto e ele pousou em cima dela, é culpado, pois a coluna tem a condição de reshut harabim; e por isso não se pode trazer o eruv pelos galhos, pois passaria de domínio privado a domínio privado através do domínio público.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Kesherabim mechatfin”
כשרבים מכתפין - על נטיית הנוף שחוץ לד' אמותיו הנמוכה מי' דהויא רה"ר כדעולא וכי מייתי ליה למעלה מעשרה דרך אוירה של נטייה עובר באויר רה"ר וקיימא לן במושיט מרשות היחיד לרה"י דרך אויר רה"ר אפילו למעלה מי' חייב דתנן בפרק הזורק (שבת דף צו.) היו שתיהן בדיוטא אחת הזורק פטור המושיט חייב שכך היתה עבודת הלוים:

“Quando os muitos apoiam os fardos” — sobre a inclinação da copa que está fora das suas quatro amot, a que é mais baixa que dez, que é reshut harabim, conforme Ulla; e, quando o traz acima de dez pelo ar da inclinação, passa pelo ar do reshut harabim. E está estabelecido para nós, a respeito de quem passa um objeto com a mão de um reshut hayachid para outro reshut hayachid pelo ar do reshut harabim, que, mesmo acima de dez, é culpado; pois aprendemos no perek Hazorek (Shabat 96a): Se ambas as sacadas estavam num mesmo andar, quem lança está isento e quem passa com a mão é culpado, pois assim era o serviço dos levitas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Amud tishá”
עמוד ט' - דוקא נקט ט' כדאמר ביציאות השבת (דף ח.) דפחות מג' ארעא סמיכתא היא דדרסי לה רבים מג' עד ט' לא מדרס דרסי לה מפני גובהה ולא כתופי מכתפי עלה מפני שנמוכה לכתף הלכך לאו רה"ר היא אלא כרמלית ט' חזיא לכתופי והוי רה"ר עשרה רה"י:

“Uma coluna de nove” — disse nove com precisão, como diz no perek Yetziot HaShabat (Shabat 8a): que uma coluna de menos de três tefachim é chão contínuo, que os muitos pisam; de três até nove, os muitos não a pisam, por causa da sua altura, nem apoiam fardos sobre ela, porque é baixa demais para apoiar; por isso não é reshut harabim, mas karmelit (domínio intermediário); com nove é apta para apoiar fardos e é reshut harabim; com dez, reshut hayachid.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Vezarak”
וזרק - מתחילת ארבע לסוף ד':

“E lançou” — do início de quatro amot ao fim de quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Venach al gabav chayav”
ונח על גביו חייב - דהויא לה עקירה והנחה מתחילת ד' לסוף ד' ברה"ר אבל אין רבים מכתפין עליו אע"ג דזרק ד' אמות ברה"ר כיון דלא הויא הנחה ברה"ר פטור:

“E pousou em cima dela, é culpado” — pois há aí remoção e depósito, do início de quatro amot ao fim de quatro amot, no reshut harabim; mas, se os muitos não apoiam fardos sobre ela, embora tenha lançado quatro amot no reshut harabim, já que não houve depósito no reshut harabim, está isento.

Nota

As referências conferem. A frase de Ulla está em Shabat 8a, com as mesmas palavras, e ali a guemará explica que menos de três tefachim os muitos pisam, de três a nove não pisam nem apoiam, e com nove certamente apoiam; o Rashi resume essa explicação com a expressão “chão contínuo”, que não é a formulação da guemará ali. O perek Hazorek é o décimo primeiro de Shabat, e em Shabat 96a a mishná (Mishná Shabat 11:2 nas edições avulsas) diz: “Duas sacadas, uma diante da outra, no reshut harabim: quem passa com a mão e quem lança de uma para a outra está isento; se ambas estavam num mesmo andar, quem passa com a mão é culpado e quem lança está isento, pois assim era o serviço dos levitas”. Yetziot HaShabat é o primeiro perek de Shabat.

A opinião de Rabi e a dos Rabanan · מַאי רַבִּי, וּמַאי רַבָּנַן

1173A opinião de Rabi e a dos Rabanan
A guemará
מַאי רַבִּי, וּמַאי רַבָּנַן?

Quanto ao que se disse, que a mishná segue Rabi, para quem não se decretou a shevut no crepúsculo: o que é a opinião de Rabi, e o que é a dos Rabanan?

1174O eruv na árvore e no cesto
A baraita
דְּתַנְיָא: נְתָנוֹ בְּאִילָן, לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — אֵין עֵירוּבוֹ עֵירוּב, לְמַטָּה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — עֵירוּבוֹ עֵירוּב, וְאָסוּר לִיטְּלוֹ. בְּתוֹךְ שְׁלֹשָׁה — מוּתָּר לִיטְּלוֹ. נְתָנוֹ בְּכַלְכַּלָּה וּתְלָאוֹ בְּאִילָן, אֲפִילּוּ לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — עֵירוּבוֹ עֵירוּב, דִּבְרֵי רַבִּי. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: כׇּל מָקוֹם שֶׁאָסוּר לִיטְּלוֹ — אֵין עֵירוּבוֹ עֵירוּב.

Pois foi ensinado numa baraita: Se o pôs, o seu eruv, numa árvore, acima de dez tefachim, o seu eruv não é eruv válido; se o pôs abaixo de dez tefachim, o seu eruv é eruv válido, mas é proibido tirá-lo no Shabat, pois é proibido servir-se da árvore no Shabat. Se o pôs dentro de três tefachim do chão, é permitido tirá-lo, pois é como se estivesse no chão. Se o pôs num cesto e o pendurou na árvore, mesmo acima de dez tefachim, o seu eruv é eruv válido; estas são as palavras de Rabi. E os Sábios discordam e dizem: Em todo lugar onde é proibido tirá-lo, o seu eruv não é eruv válido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Lemala meassara ein eruvo eruv”
למעלה מעשרה אין עירובו עירוב - וכדאוקימנא מתניתין בנתכוון לשבות בעיקרו ונופו נוטה חוץ לארבע אמות והדר זקיף:

“Acima de dez, o seu eruv não é eruv” — e isso conforme estabelecemos a mishná: quando pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat junto à sua base, e a sua copa se inclina para fora das quatro amot e volta a se erguer.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Veassur litelo”
ואסור ליטלו - אפילו האי דלמטה מעשרה אסור ליטלו למחר בשבת אם רצה לאוכלו משום דמשתמש באילן ואפילו הכי קני ליה עירוב בין השמשות דכיון דשמוש אילן שבות דרבנן הוא לא גזרו עליו בין השמשות ואי הוה בעי למשקליה ההיא שעתא מצי שקיל כל איסור שבת ויו"ט דהוי מדרבנן קרי שבות:

“Mas é proibido tirá-lo” — mesmo aquele que está abaixo de dez tefachim, é proibido tirá-lo no dia seguinte, no Shabat, se quiser comê-lo, porque assim se serve da árvore. E, ainda assim, o eruv lhe adquire a morada no crepúsculo; pois, já que servir-se da árvore é shevut rabínica, não decretaram sobre ela no crepúsculo, e, se ele quisesse pegá-lo naquela hora, poderia pegá-lo. A toda proibição de Shabat e de Yom Tov que é rabínica chama-se shevut.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Betoch shelosha”
בתוך ג' - הניח עירובו באילן למטה משלשה סמוך לקרקע:

“Dentro de três” — se pôs o seu eruv na árvore abaixo de três tefachim, perto do chão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Mutar litelo”
מותר ליטלו - בשבת דכל למטה משלשה אפילו באילן לא גזרו עליו דהוי כארעא סמיכתא והכי נמי תנן בפרק בתרא (דף צט:) היו שרשיו גבוהין מן הארץ ג' לא ישב עליהן:

“É permitido tirá-lo” — no Shabat; pois sobre tudo o que está abaixo de três tefachim, mesmo numa árvore, não decretaram, já que é como chão contínuo. E assim também aprendemos no último perek (Eruvin 99b): Se as suas raízes estavam três tefachim acima do chão, não se sente sobre elas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Netano bechalkala”
נתנו בכלכלה כו' אפילו למעלה מעשרה עירובו עירוב - לקמן מפרש בשאין האילן רחב ד'. ואסור ליטלו לא גרסינן. דאי גרסינן אמאי מתמה לקמן אדרבנן ואמר לימא קא סברי רבנן צדדין אסורין ואדרבי לא מתמה ומשום דקיימי רבנן עליה ואמרין כל מקום שאסור ליטלו כו' לפיכך נכתב בספרים ואי גרסינן ליה טעמא משום דקסבר צדדין אסורין:

“Se o pôs num cesto etc., mesmo acima de dez, o seu eruv é eruv” — adiante se explica que se trata do caso em que a árvore não tem quatro tefachim de largura. As palavras “e é proibido tirá-lo” não as lemos aqui; pois, se as lêssemos, por que adiante a guemará se espanta com os Rabanan e diz: “Digamos que os Rabanan sustentam que os lados são proibidos”, e não se espanta com Rabi? E, porque os Rabanan se referem a ela e dizem: “Em todo lugar onde é proibido tirá-lo etc.”, por isso a frase foi escrita nos livros; e, se a lêssemos, a razão de ser proibido tirá-lo seria porque Rabi sustenta que os lados são proibidos.

Nota

A referência do Rashi confere: o “último perek” é o décimo perek de Eruvin, e em Eruvin 99b a mishná (Mishná Eruvin 10:8 nas edições avulsas) diz: “Se as suas raízes estavam três tefachim acima do chão, não se sente sobre elas”; o Rashi escreve “גבוהין”, onde a guemará de Eruvin 99b escreve “גבוהים”. A baraita tem paralelo na Tosefta (Tosefta Eruvin 2:9 na numeração do Sefaria), com redação um pouco diferente; ali a parte final traz, entre colchetes do editor, as palavras “e é proibido tirá-lo”, justamente a leitura que, segundo o último comentário do Rashi aqui, não se deve ler, embora estivesse escrita nos livros. A tradução de referência chama esta fonte de Tosefta; a guemará a introduz com “דְּתַנְיָא”, a fórmula da baraita.

1175A qual parte se referem os Sábios?
A guemará
וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אַהֵיָיא? אִילֵּימָא אַסֵּיפָא — לֵימָא קָסָבְרִי רַבָּנַן, צְדָדִין אֲסוּרִין?! אֶלָּא אַרֵישָׁא.

E os Sábios dizem isso a respeito de qual parte? Se dizes que a respeito da parte final, a do cesto pendurado na árvore, digamos que os Rabanan sustentam que os lados da árvore são proibidos?! Antes, referem-se à primeira parte, em que Rabi diz que, abaixo de dez, o seu eruv é válido, embora seja proibido tirá-lo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Ileima aseifa”
אילימא אסיפא - דקאמר רבי נתנו בכלכלה עירובו עירוב ואמרי ליה רבנן הואיל וסוף סוף אסור ליטלו בשבת משום שימוש אילן אין עירובו עירוב דגזרו על השבות בין השמשות:

“Se dizes que a respeito da parte final” — em que Rabi diz: Se o pôs num cesto, o seu eruv é eruv; e os Rabanan lhe dizem: Já que, afinal de contas, é proibido tirá-lo no Shabat por causa do uso da árvore, o seu eruv não é eruv, pois decretaram sobre a shevut no crepúsculo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Neima kasavri Rabanan tzedadin”
נימא קסברי רבנן צדדין דאילן אסורין - כגון הכא דאינו משתמש באילן עצמו אי הוה שקיל לעירובו אפילו בשבת בכלכלה הוא דמשתמש שהוא צידי אילן ופלוגתא היא בפרק מי שהחשיך (שבת דף קנד:) איכא למ"ד אסור ואיכא למ"ד מותר והשתא נימא מהכא צדדין אסורין וניהוי ההוא דשרי כיחיד במקום רבים ותיהוי הך מתניתא סייעתא למאי דפסקינן התם הלכתא צדדין אסורים:

“Digamos que os Rabanan sustentam que os lados da árvore são proibidos” — como aqui, em que, se pegasse o seu eruv, mesmo no Shabat, não se serviria da própria árvore; é do cesto que se serve, que é um dos lados da árvore. E é assunto de discussão no perek Mi Shehechshich (Shabat 154b): há quem diga que é proibido e há quem diga que é permitido. E agora digamos que daqui se depreende que os lados são proibidos, e que aquele que permite seja como um indivíduo diante de muitos, e que esta baraita seja um apoio para o que decidimos ali: A halachá é que os lados são proibidos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Ela areisha”
אלא ארישא - קיימי רבנן דקאמר רבי נתנו באילן למטה מעשרה עירובו עירוב ואסור ליטלו ואמרי ליה רבנן אע"ג דהוא ועירובו ברה"ר כיון דאסור ליטלו בשבת משום אילן אסור ליטלו בין השמשות שהוא ספק ואין עירובו עירוב:

“Antes, à primeira parte” — se referem os Rabanan, em que Rabi diz: Se o pôs na árvore abaixo de dez, o seu eruv é eruv, e é proibido tirá-lo; e os Rabanan lhe dizem: Embora ele e o seu eruv estejam no reshut harabim, já que é proibido tirá-lo no Shabat por causa da árvore, é proibido tirá-lo no crepúsculo, que é tempo de dúvida, e o seu eruv não é eruv.

Nota

A referência do Rashi confere: Mi Shehechshich é o vigésimo quarto perek de Shabat, e em Shabat 154b discute-se se é permitido servir-se dos lados de uma árvore ou de um animal no Shabat; a decisão que o Rashi cita, “A halachá é que os lados são proibidos”, está na continuação, em Shabat 155a, onde se lê “והלכתא: צדדין אסורין, צדי צדדין מותרין” (a halachá: os lados são proibidos; os lados dos lados são permitidos). O lema do Rashi diz “צדדין דאילן”, “os lados da árvore”, onde a guemará diz apenas “צְדָדִין”; o sentido é o mesmo.

A largura da árvore e o cesto · וְכַלְכַּלָּה מַשְׁלִימָתוֹ לְאַרְבָּעָה

1176Como é esta árvore?
A guemará
הַאי אִילָן הֵיכִי דָמֵי? אִי דְּלֵית בֵּיהּ אַרְבָּעָה — מְקוֹם פְּטוּר הוּא. וְאִי דְּאִית בֵּיהּ אַרְבָּעָה, כִּי נְתָנוֹ בְּכַלְכַּלָּה מַאי הָוֵי?

A guemará esclarece: Esta árvore, como é o caso? Se não tem quatro tefachim de largura, é makom petur (lugar isento), do qual se pode levar um objeto para qualquer domínio, e o eruv deveria ser válido mesmo acima de dez. E, se tem quatro, quando o pôs num cesto, que diferença faz? De todo modo, está num reshut hayachid.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “I deleit bei arbaá”
אי דלית ביה ארבעה - רוחב:

“Se não tem quatro” — de largura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Makom petur hu”
מקום פטור הוא - דכל פחות מרוחב ד' קי"ל ביציאות השבת דלא הוי רשות בפני עצמו ובטל אצל רה"ר ואצל רה"י אם עומד ביניהן כדאמרינן (שם דף ו.) עומד אדם על האסקופה נוטל מן העני ונותן לו מבעל הבית ונותן לו ואפילו איסורא דרבנן ליכא והכא כי נתנו למעלה מעשרה לאו ברה"י הוא ואמאי אין עירובו עירוב הרי יכול ליטלו לרשות הרבים:

“É makom petur” — pois de tudo o que tem menos de quatro tefachim de largura estabelecemos em Yetziot HaShabat que não é domínio por si mesmo e se anula junto ao reshut harabim e junto ao reshut hayachid, se está entre eles, como dizemos (ali, Shabat 6a): Uma pessoa fica de pé no limiar, pega do pobre e lhe dá, pega do dono da casa e lhe dá; e não há ali nem sequer proibição rabínica. E aqui, quando o pôs acima de dez, não está no reshut hayachid; e por que o seu eruv não é eruv? Eis que pode tirá-lo para o reshut harabim!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Ve-i deit bei arbaá”
ואי דאית ביה ד' - ומשום הכי קאסר ליה רישא סיפא אמאי מהני ליה כלכלה הא רשות היחיד הוא ואסור:

“E, se tem quatro” — e por isso Rabi o proíbe na primeira parte; mas então, na parte final, por que o cesto lhe é útil? Eis que é reshut hayachid, e é proibido.

Nota

A referência do Rashi confere: em Shabat 6a, na baraita sobre as quatro áreas do Shabat, lê-se: “Uma pessoa fica de pé no limiar, pega do dono da casa e lhe dá, pega do pobre e lhe dá”; o Rashi inverte a ordem das duas frases. Yetziot HaShabat é o primeiro perek de Shabat, e “ali” remete a ele.

1177O cesto completa até quatro
Ravina
אָמַר רָבִינָא: רֵישָׁא דְּאִית בֵּיהּ אַרְבָּעָה, סֵיפָא דְּלֵית בֵּיהּ אַרְבָּעָה וְכַלְכַּלָּה מַשְׁלִימָתוֹ לְאַרְבָּעָה.

Ravina disse: A primeira parte trata do caso em que a árvore tem quatro tefachim de largura, e por isso, acima de dez, é reshut hayachid, e não se pode trazer o eruv dali para o reshut harabim, onde ele quer estabelecer a sua morada; a parte final, do caso em que a árvore não tem quatro, e o cesto a completa até quatro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Reisha deit bei arbaá”
רישא דאית ביה ד' - ומשום הכי למעלה מי' אין עירובו עירוב דהוא ברה"ר ועירובו ברה"י:

“A primeira parte, em que tem quatro” — e por isso, acima de dez tefachim, o seu eruv não é eruv, pois ele está no reshut harabim e o seu eruv no reshut hayachid.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Seifa deleit bah arbaá”
סיפא דלית בה ד' - ומשום הכי לאו רה"י היא וכלכלה דנקט משום דרבי סבר לה כר' יהודה דאמר עירוב המונח למעלה מי' לא הוי עירוב ואפילו נתכוין לשבות למעלה אלא א"כ מונח על גבי מקום ארבעה הלכך אי לאו כלכלה ליכא עירוב על גבי מקום ארבעה אלא כלכלה משלימתו לארבעה:

“A parte final, em que não tem quatro” — e por isso não é reshut hayachid. E mencionou o cesto porque Rabi sustenta como Rabi Yehuda, que disse: O eruv colocado acima de dez tefachim não é eruv, mesmo que tenha pretendido estabelecer a sua morada de Shabat em cima, a não ser que esteja colocado sobre um lugar de quatro tefachim; por isso, se não fosse o cesto, não haveria eruv sobre um lugar de quatro, mas o cesto a completa até quatro.

Nota

A opinião de Rabi Yehuda que o Rashi menciona, de que o eruv posto acima de dez tefachim precisa estar sobre um lugar de quatro tefachim, é apresentada pela guemará na continuação, em Eruvin 33b. O daf termina no fim da resposta de Ravina; a discussão sobre a opinião de Rabi continua em Eruvin 33b.