Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Dalet (Mi SheHotziuhu) · 42b
הָיָה מוֹדֵד וּבָא

A medida que terminou no meio da cidade, do pátio e na beira do teto; o dir e o sahar como tannaim; a halachá no navio: Rabba e Rabi Zeira

Eruvin 42b — Perek Dalet (Mi SheHotziuhu, Eruvin 41b:6-52b:15) · continuação da baraita citada por Rav Nachman: a medida que terminou no meio da cidade; não é por meio de arremesso? · Rav Huna: por meio de puxar · Rav Huna: não tem senão metade do pátio; é óbvio · Rav Nachman: Huna concorda comigo, a beira do teto; o teto bate para baixo · Rav Huna, filho de Rav Natan: como tannaim, o dir e o sahar; dois lugares, um só lugar; repousou no espaço das divisórias enquanto ainda era dia · Rav e Shmuel: a halachá como Rabban Gamliel no dir, no sahar e no navio · Rabba e Rabi Zeira: a razão do navio; as paredes rompidas e quem salta de um navio para outro · continua de Eruvin 42a; a guemará continua em Eruvin 43a

Continua a baraita que Rav Nachman citou no fim de 42a em apoio a Shmuel: quem vinha medindo as suas duas mil amot e viu a medida terminar no meio de uma cidade pode carregar por toda ela, contanto que não ande além da medida; e a guemará pergunta se isso não é por arremesso. Rav Huna responde que se trata de puxar os objetos para dentro, resposta que o Rashi não tem na sua versão. Rav Huna ensina que quem viu a medida terminar no meio de um pátio tem só metade do pátio, e a guemará discute o que há de novo nisso. Rav Nachman diz que Rav Huna concorda com ele quando a medida termina na beira de um teto, porque o teto bate para baixo. Rav Huna, filho de Rav Natan, compara a disputa à dos tannaim da mishná sobre o dir e o sahar, e a guemará desfaz a comparação dos dois lados. Rav decide como Rabban Gamliel no dir, no sahar e no navio, e Shmuel só no navio; Rabba e Rabi Zeira dão razões diferentes para o navio, e a guemará mostra em que diferem. A resposta sobre Rabi Zeira continua em 43a.

A baraita que apoia Shmuel · הָיָה מוֹדֵד וּבָא

1458Vinha medindo, e a medida terminou no meio da cidade
A baraita
הָיָה מוֹדֵד וּבָא, וְכָלְתָה מִדָּתוֹ בַּחֲצִי הָעִיר — מוּתָּר לְטַלְטֵל בְּכׇל הָעִיר כּוּלָּהּ, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יַעֲבוֹר אֶת הַתְּחוּם בְּרַגְלָיו. מַאי מְטַלְטֵל, לָאו עַל יְדֵי זְרִיקָה?

Continuação da baraita: “Se alguém vinha medindo as suas duas mil amot (côvados), e a sua medida terminou no meio da cidade, é permitido carregar por toda a cidade, contanto que não ultrapasse o techum (o limite de duas mil amot que se pode andar no Shabat) com os seus pés.” A guemará pergunta: Que quer dizer “carrega”? Não é por meio de arremesso?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “haya moded uva”
היה מודד ובא - הנותן עירובו ובא לילך ממקום עירובו אלפים וכלתה מדתו בחצי עיר אחרת שעירבו את כולה אי נמי ביו"ט:

“Vinha medindo” — quem põe o seu eruv (a refeição depositada que fixa a residência de Shabat) e vem andar, a partir do lugar do seu eruv, duas mil amot, e a sua medida terminou no meio de outra cidade, para toda a qual fizeram eruv; ou também no Yom Tov (dia de festa).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shelo yaavor techum”
שלא יעבור תחום - אלפים ממקום עירובו ברגליו דכיון דלא שבת בתוכה לא הויא ליה כד' אמות:

“Que não ultrapasse o techum” — as duas mil amot a partir do lugar do seu eruv, com os seus pés; pois, já que não repousou dentro dela, a cidade não é para ele como quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bemai metaltel”
במאי מטלטל - בכל העיר הואיל ותני שלא יעבור את התחום ברגליו:

“Com que carrega” — por toda a cidade, já que ensina “que não ultrapasse o techum com os seus pés”.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lav al yedei zerika”
לאו על ידי זריקה - אלמא לא גזרינן שמא ימשך:

“Não é por meio de arremesso?” — logo, não decretamos “para que não seja arrastado”.

Nota

Esta é a baraita citada por Rav Nachman no fim de Eruvin 42a (bloco 1457) em apoio a Shmuel. Segundo o Rashi, trata de quem mede as duas mil amot a partir do lugar do seu eruv, e a medida termina no meio de outra cidade, para toda a qual se fez eruv, ou de um caso no Yom Tov; como ele não repousou dentro da cidade, ela não é para ele como quatro amot, e não pode andar além da sua medida. Se ainda assim pode carregar por toda a cidade, deve ser por arremesso para além da medida; logo, não se decreta “para que não seja arrastado atrás do seu objeto”, como diz Shmuel e contra Rav Huna (Eruvin 42a, blocos 1450 a 1452). Sobre o Yom Tov, ver o Rashi no bloco 1467, segundo o qual ali o arremesso é permitido mesmo sem divisórias. O lema do Rashi diz “במאי מטלטל”, “com que carrega”, onde a guemará diz “מַאי מְטַלְטֵל”, e “שלא יעבור תחום”, sem “אֶת”.

1459Rav Huna: por meio de puxar
Rav Huna
אָמַר רַב הוּנָא: לָא, עַל יְדֵי מְשִׁיכָה.

Disse Rav Huna: Não; a baraita fala de carregar por meio de puxar os objetos de fora para dentro das suas duas mil amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo bimshicha”
לא במשיכה - לא גרסי' ומאן דגריס לה הכי קאמר ורב הונא אמר לך האי דקתני מותר לטלטל בכל העיר כולה במשיכה קאמר שמושך מחוץ לאלפים לתוך אלפים דהתם ליכא למיגזר שמא ימשך דלאו חפציו הוא עד דמייתי ליה לגואי וכי מייתי ליה תו לא מפיק ליה:

“Não, por meio de puxar” — não lemos isto. E quem o lê, assim diz: E Rav Huna te diria: isto que ensina, “é permitido carregar por toda a cidade”, diz respeito a carregar puxando, que puxa de fora das duas mil para dentro das duas mil; pois ali não há por que decretar “para que não seja arrastado”, já que não é o seu objeto até que o traga para dentro, e, quando o traz, já não o leva para fora.

Nota

O Rashi não tem esta resposta de Rav Huna na sua versão (“לא גרסי'”, “não lemos”), mas a explica para quem a lê: a baraita permitiria puxar os objetos de fora para dentro da medida, e nisso não há o receio de ser arrastado para fora atrás do objeto, que vem em direção a ele. A expressão do Rashi “דלאו חפציו הוא עד דמייתי ליה לגואי”, traduzida literalmente, “não é o seu objeto até que o traga para dentro”, é de leitura incerta. O lema do Rashi diz “לא במשיכה”, onde a guemará diz “לָא, עַל יְדֵי מְשִׁיכָה”.

Metade do pátio e a beira do teto · חֲצִי חָצֵר

1460Rav Huna: não tem senão metade do pátio
Rav Huna
אָמַר רַב הוּנָא: הָיָה מוֹדֵד וּבָא, וְכָלְתָה מִדָּתוֹ בַּחֲצִי חָצֵר — אֵין לוֹ אֶלָּא חֲצִי חָצֵר.

Disse Rav Huna: Se alguém vinha medindo as suas duas mil amot, e a sua medida terminou no meio de um pátio, não tem senão metade do pátio para andar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “amar Rav Huna: haya moded uva”
הכי גרסינן אמר רב הונא היה מודד ובא וכלתה מדתו בחצי חצר אין לו אלא חצי חצר להלך:

Assim lemos: Disse Rav Huna: Se vinha medindo e a sua medida terminou no meio de um pátio, não tem senão metade do pátio para andar.

Nota

O Rashi fixa aqui a versão do texto, acrescentando “להלך”, “para andar”, que não está no texto da guemará no Sefaria; a mesma versão é repetida, entre parênteses e sem “להלך”, no comentário ligado ao segmento 5 (bloco 1462).

1461É óbvio! Dize: tem metade do pátio
A guemará
פְּשִׁיטָא! אֵימָא: יֵשׁ לוֹ חֲצִי חָצֵר.

A guemará pergunta: É óbvio! A guemará responde: Dize: Tem metade do pátio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “peshita”
פשיטא - דהא כלו אלפים שלו:

“É óbvio” — pois terminaram as suas duas mil.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “eima yesh lo chatzi chatzer”
אימא יש לו חצי חצר - אותו חצי של חצר שבתוך תחומו מותר להלך כי אורחיה והתירא איצטריכא לאשמועינן ולאו איסורא דאידך פלגא:

“Dize: tem metade do pátio” — aquela metade do pátio que está dentro do seu techum, é permitido andar nela como de costume; e era a permissão que precisava nos ensinar, e não a proibição da outra metade.

Nota

Segundo este comentário do Rashi, é óbvio que não pode andar além do fim das suas duas mil amot; por isso a palavra de Rav Huna deve ser lida como permissão: na metade do pátio que está dentro do seu techum ele anda normalmente. A tradução de referência entende que a permissão é de carregar nessa metade, como na versão entre parênteses do Rashi, no bloco seguinte.

1462Também isto é óbvio!
A guemará
הַאי נָמֵי פְּשִׁיטָא? מַהוּ דְּתֵימָא: לֵיחוּשׁ דִּלְמָא אָתֵי לְטַלְטוֹלֵי בְּכוּלַּהּ, קָא מַשְׁמַע לַן.

A guemará pergunta: Também isto é óbvio! A guemará responde: Para que não digas: Temamos que talvez venha a carregar por todo o pátio; por isso nos ensina.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ha nami peshita”
הא נמי פשיטא - דפלגא דבתוך מדתו אית ליה:

“Também isto é óbvio” — que a metade dentro da sua medida ele tem.

Rashi · רַשִּׁי
Outra versão do texto
(ה"ג אמר רב הונא היה מודד ובא וכלתה מדתו בחצי חצר אין לו אלא חצי חצר:

(Assim lemos: Disse Rav Huna: Se vinha medindo e a sua medida terminou no meio de um pátio, não tem senão metade do pátio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “peshita”
פשיטא - דהא שמעינן ליה לרב הונא דגזר שמא ימשך:

“É óbvio” — pois já ouvimos de Rav Huna que decreta “para que não seja arrastado”.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “eima yesh lo chatzi chatzer”
אימא יש לו חצי חצר - אותו חצי חצר שבתוך תחומו מותר לטלטל כי אורחיה והתירא איצטריך לאשמועי' ולאו איסורא דאידך פלגא:

“Dize: tem metade do pátio” — aquela metade do pátio que está dentro do seu techum, é permitido carregar nela como de costume; e era a permissão que precisava nos ensinar, e não a proibição da outra metade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ha nami peshita”
הא נמי פשיטא - דפלגא דבתוך מדתו שרי דלא דמי לשבת בבקעה דהתם איכא למיסר לטלטולי אפי' בתוך אלפים משום טעמא דנפרצה דההיא ודאי נפרצה לקמום האסור לה שהרי מחיצות הללו לא היו כאן מבעוד יום והיתה אסורה לכל אדם וכשהוקפה בשבת והועילו לזה שבתוכו לאלפים הועילו לו ולא לחוץ אלפים שהן חוץ מתחומו והאי חוץ לאלפים לא היה לו שום היתר אצל שום אדם הלכך הוי מקום האסור ואוסר אבל חצר אין לומר בה חילוק פירצה למקום האסור דהא מבעוד יום חדא היא ונהי דאסרי להאי לטלטולי חוץ לאלפים על ידי זריקה משום שמא ימשך אבל בתוך מדת תחומו מותר לטלטולי כי אורחיה):

“Também isto é óbvio” — que na metade que está dentro da sua medida é permitido, pois não se parece com quem repousou num vale; pois ali há por que proibir carregar mesmo dentro das duas mil, pela razão da divisória rompida, pois aquela certamente está rompida para o lugar que lhe é proibido, já que estas divisórias não estavam aqui enquanto ainda era dia, e o vale era proibido a toda pessoa; e, quando foi cercado no Shabat, e as divisórias serviram a este que está dentro dele para as duas mil, serviram a ele, e não para fora das duas mil, que estão fora do seu techum; e este espaço fora das duas mil não tinha permissão alguma junto a pessoa alguma; por isso é um lugar proibido, e proíbe. Mas, num pátio, não se pode dizer a distinção do rompimento para um lugar proibido, pois enquanto ainda era dia é um só; e, ainda que proíbam a este carregar fora das duas mil por meio de arremesso, por causa de “para que não seja arrastado”, dentro da medida do seu techum é permitido carregar como de costume.)

Nota

O Rashi dá aqui duas explicações. Na primeira (blocos 1461 e 1462), Rav Huna ensina que pode andar normalmente na metade do pátio dentro da sua medida, e a guemará pergunta que também isto é óbvio. Na segunda, que o Sefaria traz entre parênteses como outra versão (“ה"ג”, “assim lemos”), é óbvio que ele não pode carregar além da medida, pois Rav Huna decreta “para que não seja arrastado”; a novidade é que pode carregar normalmente na metade de dentro; e isto também é óbvio, pois o pátio não se parece com o vale cercado no Shabat de Eruvin 42a (blocos 1453 e 1454), onde as duas mil amot ficam proibidas por estarem abertas para um lugar proibido: o pátio já era um só lugar cercado desde antes do Shabat. A resposta da guemará, “para que não digas: temamos que venha a carregar por todo o pátio”, segue a tradução de referência; o Rashi não a comenta. No Sefaria, o texto do Rashi diz “לקמום האסור”, que traduzimos “para o lugar proibido”, lendo “למקום”.

1463Rav Nachman: a beira do teto
Rav Nachman
אָמַר רַב נַחְמָן, מוֹדֶה לִי הוּנָא: הָיָה מוֹדֵד וּבָא וְכָלְתָה מִדָּתוֹ עַל שְׂפַת תִּקְרָה — מוּתָּר לְטַלְטֵל בְּכׇל הַבַּיִת.

Disse Rav Nachman: Huna concorda comigo neste caso: se alguém vinha medindo as suas duas mil amot, e a sua medida terminou na beira de um teto, é permitido carregar por toda a casa por meio de arremesso.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “modeh li Huna”
מודה לי הונא - אע"ג דגזר שמא ימשך:

“Huna concorda comigo” — embora decrete “para que não seja arrastado”.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “haya moded uva vechaleta midato al sefat tikra”
היה מודד ובא וכלתה מדתו על שפת תקרה - כנגד שפת הקירוי והבית חוץ למדתו הוא וכגון שנפרץ כותל הבית שנשתייר מלמעלה קירוי ונפרץ בית לחצר שבפניה דלא הוי בית נפרץ למקום האסור:

“Se vinha medindo e a sua medida terminou na beira do teto” — em frente à beira da cobertura, e a casa está fora da sua medida; e, por exemplo, quando a parede da casa se rompeu, de modo que restou em cima a cobertura, e a casa se rompeu para o pátio que está diante dela, de modo que não é casa rompida para um lugar proibido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mutar letaltel bechol habayit”
מותר לטלטל בכל הבית - ע"י זריקה ואע"פ שאסור ליכנס לתוכה ברגליו והכא לא גזרינן שמא ימשך הואיל ותקרות הבית חובטות כלומר נראות כיורדות וסותמות ואיכא היכר ולא ממשיך שהרי עיניו נותן בתקרה וסימן הוא ששם כלתה מדתו:

“É permitido carregar por toda a casa” — por meio de arremesso, embora seja proibido entrar nela com os seus pés; e aqui não decretamos “para que não seja arrastado”, já que os tetos da casa batem para baixo, isto é, parecem descer e fechar, e há um sinal, e ele não é arrastado, pois põe os seus olhos no teto, e é sinal de que ali terminou a sua medida.

Nota

Segundo o Rashi, a parede da casa do lado de quem mede se rompeu e restou a cobertura; a beira do teto fica exatamente no fim da sua medida, e a casa inteira fica além dela. A casa está aberta para o pátio diante dela, e não para um lugar proibido; por isso se pode carregar ali, e a questão é só o arremesso para além da medida. Rav Nachman chama Rav Huna só pelo nome, “הוּנָא”. A razão, “os tetos batem para baixo”, que o Rashi já explica aqui, é dada pela guemará no bloco seguinte.

1464Porque o teto da casa bate para baixo
A guemará
מַאי טַעְמָא — הוֹאִיל וְתִקְרַת הַבַּיִת חוֹבֶטֶת.

A guemará pergunta: Qual é a razão? A guemará responde: Porque o teto da casa bate para baixo.

Nota

Aqui seguimos o Rashi (bloco 1463): a beira do teto parece descer e fechar, e é um sinal visível de que ali termina a medida; ele mantém os olhos no teto e não será arrastado atrás do objeto. A tradução de referência entende que a beira do teto conta como uma divisória que desce e fecha. “Bate para baixo” traduz “חוֹבֶטֶת”; o lema do Rashi está no plural, “תקרות הבית חובטות”. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

É disputa de tannaim? O dir e o sahar · כְּתַנָּאֵי

1465Rav Huna, filho de Rav Natan: como tannaim
Rav Huna, filho de Rav Natan
אָמַר רַב הוּנָא בְּרֵיהּ דְּרַב נָתָן: כְּתַנָּאֵי. הוֹלִיכוּהוּ לְעִיר אַחֶרֶת, וּנְתָנוּהוּ בְּדִיר אוֹ בְּסַהַר, רַבָּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה אוֹמְרִים: מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי עֲקִיבָא אוֹמְרִים: אֵין לוֹ אֶלָּא אַרְבַּע אַמּוֹת.

Disse Rav Huna, filho de Rav Natan: Esta disputa é como a de tannaim (os sábios da Mishná): “Se o levaram a outra cidade, ou o puseram num dir (curral) ou num sahar (estábulo), Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya dizem: Anda por toda ela. E Rabi Yehoshua e Rabi Akiva dizem: Não tem senão quatro amot.”

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ketanaei”
כתנאי - אי גזרינן שמא ימשך אי לא:

“Como tannaim” — se decretamos “para que não seja arrastado” ou não.

Nota

Segundo o Rashi, a disputa entre Shmuel e Rav Huna, sobre se se decreta “para que não seja arrastado atrás do seu objeto”, seria a mesma que a dos tannaim da mishná. A citação é da Mishná Eruvin 4:1, em Eruvin 41b (bloco 1420); ali o texto diz “נְתָנוּהוּ” e “רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ”, onde aqui está “וּנְתָנוּהוּ” e “וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ”.

1466Rabban Gamliel não decreta: andar por causa de andar
A guemará
מַאי לָאו, רַבָּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה דְּאָמְרוּ: מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ — דְּלָא גָּזְרִי הִילּוּךְ דִּיר וְסַהַר אַטּוּ הִילּוּךְ בְּבִקְעָה;

A guemará propõe: Não é que Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya, que disseram “anda por toda ela”, não decretam contra andar no dir e no sahar por causa de andar no vale, que não tem divisórias,

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “dela gazrinan hilluch dir vesahar”
דלא גזרינן הילוך דיר וסהר - היכא דנתנוהו נכרים בו:

“Que não decretamos contra andar no dir e no sahar” — onde gentios o puseram.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “attu hilluch devik’á”
אטו הילוך דבקעה - דאין בה מחיצות דהתם אין לו אלא ד' אמות כדתנן בריש פירקין ובדיר וסהר אע"ג דלא שבת באויר מחיצותיהן מבעוד יום כארבע אמות דמיין ליה הואיל ובאונס יצא מתחומו:

“Por causa de andar no vale” — que não tem divisórias, pois ali não tem senão quatro amot, como ensinamos no início do nosso capítulo; e no dir e no sahar, embora não tenha repousado no espaço das suas divisórias enquanto ainda era dia, são para ele como quatro amot, já que saiu do seu techum à força.

Nota

Segundo o Rashi, quem foi tirado do techum por gentios e deixado num vale aberto tem só quatro amot, como ensina a mishná no início do capítulo (Eruvin 41b, bloco 1418); no dir e no sahar, cercados de divisórias, o lugar inteiro conta para ele como quatro amot, porque saiu à força. Para Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya não se decreta contra o dir e o sahar por causa do vale. O lema do Rashi diz “דלא גזרינן”, “que não decretamos”, onde a guemará diz “דְּלָא גָּזְרִי”, “que não decretam”, e “הילוך דבקעה”, onde a guemará diz “הִילּוּךְ בְּבִקְעָה”.

1467E também não decretam carregar por causa de andar
A guemará
וּמִדְּהִילּוּךְ אַטּוּ הִילּוּךְ לָא גָּזְרִי, טִלְטוּל אַטּוּ הִילּוּךְ לָא גָּזְרִי.

e, já que não decretam contra andar por causa de andar, não decretam contra carregar por causa de andar;

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “umideh hilluch”
ומדהילוך - דיר וסהר אטו הילוך דבקעה לא גזרינן:

“E já que contra andar” — no dir e no sahar, por causa de andar no vale, não decretamos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “taltul attu hilluch”
טלטול אטו הילוך - כגון שבת בבקעה ביו"ט שהילוך אסור לו חוץ לאלפים במקום שביתתו וטלטול דזריקה מותר בלא מחיצות:

“Carregar por causa de andar” — por exemplo, quem repousou num vale no Yom Tov, a quem é proibido andar fora das duas mil a partir do lugar do seu repouso, e o carregar por arremesso é permitido sem divisórias.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo gazrinan”
לא גזרינן - שלא יטלטל בזריקה חוץ לאלפים אטו הילוך שמא ימשך אחר חפצו כרב נחמן ואף על גב דבשבת בבקעה והקיפוהו נכרים לא סבירא להו כוותיה דהא לדידהו אע"ג דלא שבת באויר מחיצות שרי בהא מיהא כרב נחמן קיימי דלא גזרי' שמא ימשך אי נמי בשבת בבקעה נמי סבירא להו כוותיה דהא דשרו ליה הכא משום דנאנס הוא:

“Não decretamos” — que não carregue por arremesso fora das duas mil por causa de andar, para que não seja arrastado atrás do seu objeto, como Rav Nachman. E, embora, no caso de quem repousou num vale e gentios o cercaram, não pensem como ele, pois para eles, embora não tenha repousado no espaço das divisórias, é permitido andar por todo ele, neste ao menos estão com Rav Nachman, que não decretamos “para que não seja arrastado”. Ou também: no caso de quem repousou num vale também pensam como ele, pois o que lhe permitiram aqui é porque foi forçado.

Nota

Aqui seguimos o Rashi: o “carregar por causa de andar” é o de quem repousou num vale aberto no Yom Tov, onde o arremesso é permitido mesmo sem divisórias, mas andar além das duas mil amot não; a tradução de referência entende o caso do vale cercado por gentios no Shabat (Eruvin 42a, bloco 1450). Para Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya não se decretaria contra o arremesso, como diz Rav Nachman em nome de Shmuel. O Rashi deixa em aberto se eles discordam de Shmuel no caso do vale cercado no Shabat, permitindo andar por todo ele, ou se concordam, porque a permissão do dir e do sahar vale só para quem saiu à força; a segunda possibilidade é a que o Rashi adota em Eruvin 42a (bloco 1450). O lema do Rashi diz “לא גזרינן”, onde a guemará diz “לָא גָּזְרִי”.

1468Rabi Yehoshua e Rabi Akiva decretam
A guemará
וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי עֲקִיבָא דְּאוֹמְרִים: אֵין לוֹ אֶלָּא אַרְבַּע אַמּוֹת, דְּגָזְרִי הִילּוּךְ דִּיר וְסַהַר אַטּוּ הִילּוּךְ דְּבִקְעָהּ; וּמִדְּהִילּוּךְ אַטּוּ הִילּוּךְ גָּזְרִי, טִלְטוּל אַטּוּ הִילּוּךְ נָמֵי גָּזְרִי.

E não é que Rabi Yehoshua e Rabi Akiva, que dizem “não tem senão quatro amot”, decretam contra andar no dir e no sahar por causa de andar no vale; e, já que decretam contra andar por causa de andar, decretam também contra carregar por causa de andar?

Nota

Segundo esta proposta, Rabi Yehoshua e Rabi Akiva seguiriam Rav Huna, que decreta contra o arremesso para além das duas mil amot (Eruvin 42a, blocos 1451 e 1452). O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1469De onde? São dois lugares
A guemará
מִמַּאי? דִּילְמָא כִּי לָא גָּזְרִי רַבָּן גַּמְלִיאֵל וְרַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה הִילּוּךְ סַהַר וְדִיר אַטּוּ הִילּוּךְ בִּקְעָה, הָנֵי מִילֵּי הָתָם דִּשְׁנֵי מְקוֹמוֹת הֵן.

A guemará rejeita: De onde se tira isso? Talvez, quando Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya não decretam contra andar no sahar e no dir por causa de andar no vale, estas palavras valham ali, porque são dois lugares;

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shnei mekomot hen”
שני מקומות הן - ולא דמי אהדדי דיר וסהר יש להן מחיצות בקעה אין לה מחיצה הלכך לא מיחלפי:

“São dois lugares” — e não se parecem um com o outro: o dir e o sahar têm divisórias, o vale não tem divisória; por isso não se confundem.

1470Mas carregar e andar são um só lugar
A guemará
אֲבָל טִלְטוּל אַטּוּ הִילּוּךְ דְּמָקוֹם אֶחָד הוּא, הָכִי נָמֵי דְּגָזְרִי, גְּזֵירָה שֶׁמָּא יִמָּשֵׁךְ אַחֵר חֶפְצוֹ.

mas, quanto a carregar por causa de andar, que é um só lugar, de fato também eles decretam: é um decreto, para que não seja arrastado atrás do seu objeto.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aval taltul attu hilluch”
אבל טלטול אטו הילוך - כגון ששבת בבקעה ביו"ט אימא דגזרי שלא יטלטל בזריקה חוץ לאלפים שמא ימשך אחר חפצו דהא חד מקום הוא ולית להו דרב נחמן כלל:

“Mas carregar por causa de andar” — por exemplo, quem repousou num vale no Yom Tov: dize que decretam que não carregue por arremesso fora das duas mil, para que não seja arrastado atrás do seu objeto, pois é um só lugar; e não têm a opinião de Rav Nachman de modo algum.

Nota

Segundo o Rashi, o lugar onde se pode andar e o lugar para onde se arremessa são o mesmo vale, sem divisória entre eles; por isso Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya também poderiam decretar, como Rav Huna. A tradução de referência lê a frase como pergunta; o hebraico, “הָכִי נָמֵי דְּגָזְרִי”, foi traduzido como afirmação. O texto do Sefaria vocaliza aqui “אַחֵר חֶפְצוֹ”, onde em Eruvin 42a (bloco 1452) está “אַחַר חֶפְצוֹ”.

1471E Rabi Yehoshua e Rabi Akiva: talvez não por decreto
A guemará
וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי עֲקִיבָא נָמֵי, מִמַּאי דְּמִשּׁוּם דְּגָזְרִי הוּא? דִּילְמָא מִשּׁוּם דְּקָא סָבְרִי כִּי אָמְרִינַן כָּל הַבַּיִת כּוּלּוֹ כְּאַרְבַּע אַמּוֹת דָּמֵי, הָנֵי מִילֵּי הֵיכָא דְּשָׁבַת בַּאֲוִיר מְחִיצּוֹת מִבְּעוֹד יוֹם.

E quanto a Rabi Yehoshua e Rabi Akiva também: de onde se tira que é por decretarem? Talvez seja porque pensam que, quando dizemos que toda a casa é considerada como quatro amot, estas palavras valem onde repousou no espaço das divisórias enquanto ainda era dia;

Nota

Quem repousou numa casa antes do Shabat pode andar por toda ela, pois a casa conta como as suas quatro amot. Segundo esta explicação, Rabi Yehoshua e Rabi Akiva só exigiriam isto: que tenha repousado dentro das divisórias enquanto ainda era dia. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1472Mas onde não repousou, não
A guemará
אֲבָל הֵיכָא דְּלֹא שָׁבַת בַּאֲוִיר מְחִיצּוֹת מִבְּעוֹד יוֹם — לָא.

mas onde não repousou no espaço das divisórias enquanto ainda era dia, não é assim, e por isso não anda por todo o lugar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aval heicha delo shavat”
אבל היכא דלא שבת - לא הוי כארבע אמות ולהכי לא מישתרי בהילוך אבל טלטול דזריקה לעולם אימא לך דשרי ליה בכל הדיר וסהר בזריקה ולא גזרינן שמא יזוז וימשך:

“Mas onde não repousou” — não é como quatro amot, e por isso não lhe é permitido andar por todo o lugar; mas carregar por arremesso, de fato eu te diria que lhe permitem carregar por todo o dir e o sahar, por arremesso, e não decretamos “para que não se mova e seja arrastado”.

Nota

Segundo o Rashi, Rabi Yehoshua e Rabi Akiva proíbem andar pelo dir e pelo sahar só porque ele não repousou ali enquanto ainda era dia, e não por um decreto; quanto ao arremesso, podem permiti-lo por todo o lugar. Assim, nenhuma das duas opiniões da mishná decide entre Shmuel e Rav Huna, e a comparação de Rav Huna, filho de Rav Natan, é desfeita. O lema do Rashi diz “דלא שבת”, onde a guemará diz “דְּלֹא שָׁבַת”.

A halachá: o dir, o sahar e o navio; Rabba e Rabi Zeira · סְפִינָה

1473Rav e Shmuel: a halachá
Rav e Shmuel
אָמַר רַב: הִלְכְתָא כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל בְּדִיר וְסַהַר וּסְפִינָה. וּשְׁמוּאֵל אָמַר: הִלְכְתָא כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל, בִּסְפִינָה, אֲבָל בְּדִיר וְסַהַר — לָא.

Disse Rav: A halachá (a lei estabelecida) é como a opinião de Rabban Gamliel no dir, no sahar e no navio. E Shmuel disse: A halachá é como a opinião de Rabban Gamliel no navio, mas no dir e no sahar, não é como ele.

Nota

O navio é o do episódio de Plandarsin, na Mishná Eruvin 4:1 (Eruvin 41b, bloco 1421), em que Rabban Gamliel e Rabi Elazar ben Azarya andaram por todo o navio. Esta palavra de Rav é a que o Rashi cita em Eruvin 42a (bloco 1450): Rav Huna e Chiya bar Rav, alunos de Rav, proíbem andar no vale cercado no Shabat como Shmuel, embora Rav decida como Rabban Gamliel no dir e no sahar. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1474No navio, segundo todos: qual é a razão?
A guemará
דְּכוּלֵּי עָלְמָא מִיהַת הֲלָכָה כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל בִּסְפִינָה, מַאי טַעְמָא?

A guemará pergunta: De todo modo, segundo todos, a halachá é como Rabban Gamliel no navio: qual é a razão?

Nota

O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1475Rabba: repousou no espaço das divisórias
Rabba
אָמַר רַבָּה: הוֹאִיל וְשָׁבַת בַּאֲוִיר מְחִיצּוֹת מִבְּעוֹד יוֹם.

Disse Rabba: Porque repousou no espaço das divisórias do navio enquanto ainda era dia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hoil veshavat”
הואיל ושבת - הויא לה ספינה כארבע אמות:

“Porque repousou” — o navio é para ele como quatro amot.

Nota

Segundo o Rashi, quem estava no navio ao entrar o Shabat repousou dentro das suas divisórias, e o navio inteiro conta para ele como quatro amot, como a casa do bloco 1471.

1476Rabi Zeira: o navio o tira e o põe
Rabi Zeira
רַבִּי זֵירָא אָמַר: הוֹאִיל וּסְפִינָה נוֹטַלְתּוֹ מִתְּחִילַּת אַרְבַּע וּמַנַּחְתּוֹ בְּסוֹף אַרְבַּע.

Rabi Zeira disse: Porque o navio o toma do início de quatro amot e o põe no fim de quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “notalto mitechilat arba umanichato lessof arba”
נוטלתו מתחילת ד' ומניחתו לסוף ארבע - כלומר משיצא זה חוץ לתחום לא נקט ליה ארבע אמות דספינה כל שעה היא מהלכת בכל קפיצה וקפיצה יותר מארבע אמות נמצא שאין לה תורת ארבע אמות כלל שלא עמד פסיעה אחת בתוך ארבע אמות הלכך לא קנו לו ארבע אמות. לישנא אחרינא כגון שהספינה הולכת למזרח והוא מהלך בתוכה למערב שהספינה מחזירתו כל שעה לתוך ארבע אמותיו. וקשיא לי תינח הליכה אבל אם חזר לראש האחר היכי מישתרי ובמתני' לא חילק רבן גמליאל בין שהוא מהלך לצד זה בין שהוא מהלך לצד שהספינה מהלכת. וזהו לשון דודי ר' שמעון מפי הרב ל"א כלומר כשעוקר את רגלו קודם שיניחנה הספינה מוציאתו מד' אמות שלו ונכנס לתוך ארבע אמות אחרות על כרחו והוה ליה כמי שהוציאוהו נכרי חוץ מארבע אמותיו ונתנוהו לתוך ארבע אמות אחרות שנותנין לו ד' אמות וכן לעולם וזה עיקר:

“Toma-o do início de quatro e o põe no fim de quatro” — isto é, desde que este saiu para fora do techum, não adquiriu para si quatro amot, pois o navio a toda hora anda, a cada salto, mais de quatro amot; resulta que não tem lei de quatro amot de modo algum, pois não ficou parado um passo sequer dentro de quatro amot; por isso não adquiriu para si quatro amot. Outra versão: por exemplo, quando o navio vai para o oriente e ele anda dentro dele para o ocidente, de modo que o navio o devolve a toda hora para dentro das suas quatro amot. E é difícil para mim: está bem quanto a andar; mas, se voltou à outra extremidade, como é permitido? E, na mishná, Rabban Gamliel não distinguiu entre quando ele anda para este lado e quando anda para o lado para onde o navio anda. E esta é a versão do meu tio, Rabi Shimon, da boca do mestre. Outra versão: isto é, quando arranca o seu pé, antes que o pouse, o navio o tira das suas quatro amot, e ele entra em outras quatro amot contra a sua vontade, e é como quem gentios tiraram para fora das suas quatro amot e puseram dentro de outras quatro amot, a quem se dão quatro amot; e assim sempre. E esta é a principal.

Nota

O Rashi traz três explicações e declara principal a última: a cada passo, o navio o leva para fora das suas quatro amot contra a sua vontade, como quem foi tirado por gentios e posto em outro lugar, que recebe ali novas quatro amot; e assim sem cessar, de modo que pode andar por todo o navio. A primeira explicação do Rashi, de que no navio em movimento ele nunca chega a adquirir quatro amot, é a que segue a tradução de referência; a segunda, do navio que vai para o oriente enquanto ele anda para o ocidente, o próprio Rashi contesta. Aqui seguimos a explicação que o Rashi declara principal. O lema do Rashi diz “ומניחתו לסוף ארבע”, onde a guemará diz “וּמַנַּחְתּוֹ בְּסוֹף אַרְבַּע”. “A cada salto” traduz “בכל קפיצה וקפיצה”; a leitura é incerta.

1477Que diferença há entre eles?
A guemará
מַאי בֵּינַיְיהוּ? אִיכָּא בֵּינַיְיהוּ שֶׁנִּפְחֲתוּ דּוֹפְנֵי סְפִינָה. אִי נָמֵי: בְּקוֹפֵץ מִסְּפִינָה לִסְפִינָה.

A guemará pergunta: Que diferença há entre eles? A guemará responde: Há diferença entre eles quando as paredes do navio foram rompidas; ou também, no caso de quem salta de um navio para outro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mai beinaihu”
מאי בינייהו - בין רבה לר' זירא:

“Que diferença há entre eles” — entre Rabba e Rabi Zeira.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shenifchatu dofnei sefina”
שנפחתו דופני הספינה - וביטלו המחיצות דרבה ליתא דר' זירא איתא:

“Quando as paredes do navio foram rompidas” — e anularam-se as divisórias: a razão de Rabba não existe; a de Rabi Zeira existe.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i nami bekofetz misefina lisfina”
אי נמי בקופץ מספינה לספינה - ובאויר מחיצותיה של זו לא שבת לרבה אין יכול להלך בזו ולרבי זירא שרי:

“Ou também, quem salta de um navio para outro” — e no espaço das divisórias deste não repousou: para Rabba, não pode andar neste; para Rabi Zeira, é permitido.

1478E Rabi Zeira, por que não disse como Rabba?
A guemará
וְרַבִּי זֵירָא, מַאי טַעְמָא לָא אָמַר כְּרַבָּה? אָמַר לָךְ: מְחִיצּוֹת,

A guemará pergunta: E Rabi Zeira, por que razão não disse como Rabba? A guemará responde: Ele te diria: As divisórias do navio…

Nota

O daf termina no meio da frase; a resposta continua no início de Eruvin 43a: “são feitas para afastar a água” (conferido), e não para moradia. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

O daf termina aqui, no meio da resposta sobre Rabi Zeira: depois da baraita que apoia Shmuel e da resposta de Rav Huna, da metade do pátio e da beira do teto, a guemará compara a disputa à dos tannaim sobre o dir e o sahar e desfaz a comparação, traz a decisão de Rav e de Shmuel e as razões de Rabba e de Rabi Zeira para o navio. A guemará prossegue em Eruvin 43a.