A guemará objeta que, se os Sábios aprendem do Heichal, a amaltera não deveria ser útil, pois o Heichal tinha amaltera e só vinte amot de altura; e Rabi Ilea relata em nome de Rav que a amaltera é útil. Rav Yosef responde que se trata de uma baraita, e Rav pode dizer que é uma disputa de tanaítas; Rav Nachman bar Yitzchak explica que, para os Sábios, a razão da korá é o sinal visível, e a guemará pergunta por que discordar tanto na sucá quanto no mavoi. Depois define a amaltera, como ninhos ou vigas de cedro, e discute a korá e o sechach que estão em parte acima de vinte amot, com as duas versões opostas da palavra de Rabba; o daf termina no meio da conclusão de Rava.
Mas, se é assim, que não lhe seja útil ao mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) a amaltera (cornija), para validá-lo quando a korá (viga transversal) está acima de vinte amot (côvados), pois o Heichal (o Santuário) tinha amaltera e, mesmo assim, era apenas de vinte amot que era alto! Pois aprendemos numa mishná: “Cinco amaltera’ot de madeira de milá havia sobre ele, uma acima da outra, e outra acima desta” (Midot 3:7).
“Que não lhe seja útil a amaltera” — para validar a sua altura quando é maior que vinte amot; adiante a guemará explica o que é amaltera e onde se ensina que ela é útil.
“De milá” — uma árvore na qual crescem as bolas chamadas milin, que são galhas, e em francês antigo se dizem galles.
Pergunta-se: E esta, que refutação é? Talvez, quando foi ensinada aquela mishná das amaltera’ot, foi a respeito do Ulam (o Vestíbulo do Templo) que foi ensinada, cuja entrada tinha quarenta amot de altura, e não a respeito do Heichal?
Responde-se: E esta, que dificuldade é? Talvez o modelo do Heichal fosse como o modelo do Ulam, e, assim como havia amaltera’ot na entrada de um, havia também na entrada do outro?
A guemará conclui a sua objeção: Por que, então, disse Rabi Ilea que Rav disse: Uma korá larga de quatro tefachim (palmos) é válida, ainda que não seja robusta; e, se tem amaltera, ainda que seja mais alta que vinte amot, não é necessário diminuir; ora, se os Sábios aprendem do Heichal, cuja entrada tinha amaltera e só vinte amot de altura, a amaltera não deveria ser útil?
“Por que, então, disse Rabi Ilea etc.” — agora a guemará conclui a sua objeção: que encontramos que a amaltera é útil segundo Rav; e, de início, não a deixaram concluir a sua palavra, até que lhe rebateram a refutação.
“Larga de quatro” — se a korá era larga de quatro tefachim, ainda que seja fina e não forte o bastante para suportar um ariach (meio tijolo), é válida; e aquilo que aprendemos na mishná (adiante, Eruvin 13b), “robusta o bastante para suportar um ariach”, foi dito quando ela não é larga de quatro tefachim.
“E, se tem amaltera etc.” — duas coisas disse Rav, e ambas para leniência.
Disse Rav Yosef: A lei da amaltera é uma baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná), e não um dito de Rav; quem a ensina, para que Rav tenha de aceitá-la?
“Disse Rav Yosef” — esta amaltera, que trouxeram em nome de Rav, não foi Rav quem a disse, para que Rav seja contradito por Rav; antes, é uma baraita.
Disse Abaye: Mas eis que Chama, filho de Rabba bar Avuh, a ensina, e é uma baraita de autoridade! E, ainda que a lei da amaltera seja uma baraita, que seja difícil para Rav!
“E que seja difícil para Rav” — pois vemos aqui que os Sábios não aprendem do Heichal, já que ensinam que a amaltera é útil.
Rav te diria: Tira-me daqui, como se eu nada tivesse dito; acaso as baraitot não se contradizem uma à outra, a que diz que os Sábios aprendem da entrada do Heichal e a que diz que a amaltera é útil? Antes, o que tens de dizer? Que é uma disputa entre tanaítas; segundo mim também, é uma disputa entre tanaítas, e eu sigo um deles.
“Tira-me daqui” — remove-me daqui, como se eu tivesse calado e não tivesse dito esta coisa.
“Acaso as baraitot não se contradizem uma à outra?” — pois foi ensinado acima, explicitamente: “Um mavoi que é alto, acima de vinte, mais que a entrada do Heichal”; logo, os Sábios aprendem dali.
“É uma disputa de tanaítas” — o tanaíta de acima entende que os Sábios aprendem do Heichal e que a amaltera não é útil; e este tanaíta da amaltera entende que não aprendem do Heichal.
“Segundo mim também, é uma disputa de tanaítas” — e eu digo conforme o tanaíta de acima.
Rav Nachman bar Yitzchak disse: Sem Rav, isto é, sem a explicação de Rav, as baraitot não se contradizem uma à outra: segundo os Sábios, a korá, qual é a razão de que deva estar dentro de vinte amot? Por causa do sinal visível, para que as pessoas a vejam; e a amaltera, que atrai o olhar, é sinal visível mesmo acima de vinte. E aquilo que a primeira baraita ensina, “mais que a entrada do Heichal”, é apenas um sinal mnemônico, e não uma derivação.
“Sem Rav” — se Rav não tivesse explicado a primeira baraita e aprendido dela que os Sábios aprendem do Heichal.
“As baraitot não se contradizem uma à outra” — tanto segundo aquela baraita quanto segundo esta baraita da amaltera.
“A korá, segundo os Sábios, qual é a razão” — de que exigem que esteja dentro de vinte amot?
“Por causa do sinal visível” — para que as pessoas a vejam e saibam que fizeram uma correção, e não venham a confundi-lo com o reshut harabim (domínio público); e por isso a amaltera é útil, pois, uma vez que as pessoas olham para ela, mesmo acima de vinte amot há sinal visível.
“E aquilo que ensina” — na primeira baraita, “mais que a entrada do Heichal”, não é que aprendam dali; antes, o tanaíta tomou apenas um sinal mnemônico, para que não troques a versão de “vinte” e digas “acima de trinta” ou “de quarenta”; que a entrada do Heichal seja um sinal na tua mão.
E, quanto a Rav Nachman bar Yitzchak, a sua explicação está bem se ele não concorda com esta afirmação de Rabba; mas, se concorda com esta de Rabba, é difícil. Pois disse Rabba, a respeito da sucá cuja cobertura está acima de vinte amot: Está escrito: “Para que saibam as vossas gerações que nas cabanas fiz habitar os filhos de Israel” (Vayikrá 23:43); até vinte amot, a pessoa sabe que mora na sucá; acima de vinte amot, a pessoa não sabe, porque o olho não a alcança.
“Se concorda com esta de Rabba” — que a razão dos Sábios, também na sucá, é por causa do sinal visível.
Vê-se, portanto, que também a respeito da sucá os Sábios e Rabi Yehuda discordam quanto ao sinal visível; para que preciso que discordem em duas situações, a da sucá e a do mavoi, sobre o mesmo ponto?
“Para que precisam” — os Sábios e Rabi Yehuda — de discordar em duas situações?
Responde-se: É necessário ensinar ambas; pois, se nos tivesse ensinado apenas a respeito da sucá, diríamos que nesta Rabi Yehuda diz que é válida, uma vez que é feita para se morar nela, e o olho a alcança; mas o mavoi, que é feito para caminhar, dize que ele concorda com os Sábios. E, se nos tivesse ensinado apenas nesta do mavoi, diríamos que nesta os Sábios dizem que é inválido; mas naquela da sucá, dize que concordam com Rabi Yehuda. É necessário.
“O mavoi, que é feito para caminhar” — isto é, quem caminha não olha para cima.
O que é amaltera? Rav Chama, filho de Rabba bar Avuh, disse: Ninhos, isto é, entalhes em forma de ninhos de aves. Quando veio Rav Dimi da Terra de Israel para a Babilônia, disse: Dizem no Ocidente, na Terra de Israel: Vigas de cedro.
“Ninhos” — como ninhos de aves, que sobressaíam sob o Ulam, por cima da entrada.
“Vigas de cedro” — estacas de cedro compridas, cravadas na parede; e, como o seu comprimento é grande, as pessoas as veem, e há sinal visível.
Quem disse vigas de cedro, diria que com mais razão valem os ninhos; quem disse ninhos, os validaria, mas as vigas de cedro, não.
“Quem disse vigas” — que há sinal visível para o mavoi.
“Com mais razão os ninhos” — pois, como são importantes e coisa que causa espanto, as pessoas olham para eles e veem a korá.
E quem disse vigas de cedro, qual é a razão? Porque o seu comprimento é grande, e chama a atenção. Pergunta-se: Mas eis a sucá, cujo comprimento é grande, e os Sábios dizem que não é válida acima de vinte amot!
Antes, a razão é esta: uma vez que é coisa importante, tem repercussão; as pessoas param para olhá-la, e assim a korá é notada.
Pergunta-se: Parte da espessura da korá dentro de vinte amot e parte da korá acima de vinte; parte do sechach (cobertura da sucá) dentro de vinte e parte do sechach acima de vinte: qual é a lei? Disse Rabba: No mavoi, é válido; na sucá, é inválido.
“Parte” — a espessura da korá, parte dela dentro de vinte e parte acima; e assim a espessura do sechach da sucá.
Pergunta-se: Qual é a diferença no mavoi, que é válido? É que dizemos: Afina, isto é, considera como se a parte acima de vinte tivesse sido removida. Então, também na sucá, digamos: Afina!
“Afina” — vê-se como se tivesse sido removida aquela espessura que sobe acima de vinte, e fosse uma korá fina.
Responde-se: Se afinares o sechach, ficará sendo uma sucá cujo sol é maior que a sua sombra.
Rejeita-se: Aqui também, se afinares, ficará sendo uma korá que é levada pelo vento, que não valida o mavoi! Antes, necessariamente, as partes que restam se tornam como espetos de metal, que, embora finos, o vento não leva. Aqui também, necessariamente, a sucá se torna uma cuja sombra é maior que o seu sol!
“Levada pelo vento” — pois os Sábios a avaliaram como robusta o bastante para suportar um ariach; e, se não fosse assim, o vento a derrubaria; por isso, não conta.
Disse Rava de Parzakya: A sucá, que é de um indivíduo, ele não se lembra, se for retirada a parte do sechach que está dentro de vinte, de que o restante ficou todo acima de vinte; o mavoi, que é de muitos, eles se lembram uns aos outros, e o corrigem.
“Não se lembra” — e às vezes é retirada parte da espessura do sechach que entra dentro de vinte, e ele fica todo acima de vinte.
“Lembram uns aos outros” — que, se apodrecer a parte de baixo da korá e ela ficar toda acima de vinte amot, eles a corrigem.
Ravina disse: A sucá, que é preceito da Torá, os Sábios foram rigorosos com ela; o mavoi, que é preceito dos Sábios, os Sábios não foram rigorosos com ele.
Rav Adda bar Matana ensinava este ensinamento de Rabba ao contrário, assim: Disse Rabba: No mavoi, é inválido; na sucá, é válida.
Pergunta-se: Qual é a diferença na sucá, que é válida? É que dizemos: Afina. Também no mavoi, digamos: Afina!
Responde-se: Se afinares, ficará sendo uma korá que é levada pelo vento. Rejeita-se: Aqui também, se afinares, ficará sendo uma sucá cujo sol é maior que a sua sombra! Antes, necessariamente, a sucá se torna uma cuja sombra é maior que o seu sol; aqui também, necessariamente, as partes da korá se tornam como espetos de metal!
“Antes” — por que é válida na sucá? Porque, necessariamente, agora a sua sombra é maior que o seu sol, pois é “vê-se como se” que dissemos, e não retiramos dela coisa alguma.
“Aqui também” — considera-a como espetos pesados, que, ainda que sejam finos, o vento não os derruba; pois nada retiraste dela, e é “vê-se como se” que se disse.
Disse Rava de Parzakya: A sucá, que é de um indivíduo, ele lança a responsabilidade sobre si mesmo e se lembra; o mavoi, que é de muitos, eles se apoiam uns nos outros e não se lembram, como dizem as pessoas: A panela dos sócios não fica nem quente nem fria.
Ravina disse: A sucá, que é preceito da Torá, não necessita de reforço, e por isso os Sábios foram lenientes com ela; o mavoi, que é preceito dos Sábios, necessita de reforço.
Pergunta-se: O que se conclui sobre isto? Rabba bar Rav Ulla disse: Este e aquele, o mavoi e a sucá, são inválidos. Rava disse: Este e aquele são válidos…