Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Alef (Mavoi)
אֲמַלְתְּרָא

A amaltera do Heichal; o sinal visível no mavoi e na sucá; a korá em parte acima de vinte amot

Eruvin 3a — continuação da guemará sobre a primeira mishná · Perek Alef (Mavoi, Eruvin 2a:1-17b:14) · a guemará prossegue em 3b

A guemará objeta que, se os Sábios aprendem do Heichal, a amaltera não deveria ser útil, pois o Heichal tinha amaltera e só vinte amot de altura; e Rabi Ilea relata em nome de Rav que a amaltera é útil. Rav Yosef responde que se trata de uma baraita, e Rav pode dizer que é uma disputa de tanaítas; Rav Nachman bar Yitzchak explica que, para os Sábios, a razão da korá é o sinal visível, e a guemará pergunta por que discordar tanto na sucá quanto no mavoi. Depois define a amaltera, como ninhos ou vigas de cedro, e discute a korá e o sechach que estão em parte acima de vinte amot, com as duas versões opostas da palavra de Rabba; o daf termina no meio da conclusão de Rava.

Guemará: a amaltera do Heichal · אֲמַלְתְּרָא שֶׁל הֵיכָל

31Que não seja útil a amaltera!
A guemará
לָא תַּיהֲנֵי לֵיהּ אֲמַלְתְּרָא, דְּהָא הֵיכָל אֲמַלְתְּרָא הַוְיָא לֵיהּ, וַאֲפִילּוּ הָכִי — עֶשְׂרִים אַמָּה הוּא דְּגָבוֹהַּ, דִּתְנַן: חָמֵשׁ אֲמַלְתְּרָאוֹת שֶׁל מֵילָה הָיוּ עַל גַּבָּיו, זוֹ לְמַעְלָה מִזּוֹ, וְזוֹ לְמַעְלָה מִזּוֹ.

Mas, se é assim, que não lhe seja útil ao mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios) a amaltera (cornija), para validá-lo quando a korá (viga transversal) está acima de vinte amot (côvados), pois o Heichal (o Santuário) tinha amaltera e, mesmo assim, era apenas de vinte amot que era alto! Pois aprendemos numa mishná: “Cinco amaltera’ot de madeira de milá havia sobre ele, uma acima da outra, e outra acima desta” (Midot 3:7).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “la teihanei leh amaltera” e “shel milá”
לא תיהני ליה אמלתרא - לאכשורי גובהו יותר מכ' לקמן מפרש מאי אמלתרא והיכא תני דמהניא: של מילה - עץ שגדילין בו מילין והם עפצים ובלעז גלא"ש:

“Que não lhe seja útil a amaltera” — para validar a sua altura quando é maior que vinte amot; adiante a guemará explica o que é amaltera e onde se ensina que ela é útil.

“De milá” — uma árvore na qual crescem as bolas chamadas milin, que são galhas, e em francês antigo se dizem galles.

32Talvez a mishná fale do Ulam
A guemará
וְהַאי מַאי תְּיוּבְתָּא? דִילְמָא כִּי תַּנְיָא הָהִיא דַּאֲמַלְתְּרָאוֹת, בָּאוּלָם תַּנְיָא?

Pergunta-se: E esta, que refutação é? Talvez, quando foi ensinada aquela mishná das amaltera’ot, foi a respeito do Ulam (o Vestíbulo do Templo) que foi ensinada, cuja entrada tinha quarenta amot de altura, e não a respeito do Heichal?

33O modelo do Heichal como o do Ulam
A guemará
וְהַאי מַאי קוּשְׁיָא? דִילְמָא תַּבְנִית הֵיכַל כְּתַבְנִית אוּלָם?

Responde-se: E esta, que dificuldade é? Talvez o modelo do Heichal fosse como o modelo do Ulam, e, assim como havia amaltera’ot na entrada de um, havia também na entrada do outro?

34Rabi Ilea em nome de Rav: a korá com amaltera
A guemará
אַלְּמָה אָמַר רַבִּי אִילְעָא אָמַר רַב: רְחָבָה אַרְבָּעָה, אַף עַל פִּי שֶׁאֵינָהּ בְּרִיאָה. וְאִם יֵשׁ לָהּ אֲמַלְתְּרָא אֲפִילּוּ גְּבוֹהָה יוֹתֵר מֵעֶשְׂרִים אַמָּה אֵינוֹ צָרִיךְ לְמַעֵט.

A guemará conclui a sua objeção: Por que, então, disse Rabi Ilea que Rav disse: Uma korá larga de quatro tefachim (palmos) é válida, ainda que não seja robusta; e, se tem amaltera, ainda que seja mais alta que vinte amot, não é necessário diminuir; ora, se os Sábios aprendem do Heichal, cuja entrada tinha amaltera e só vinte amot de altura, a amaltera não deveria ser útil?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “alma amar Rabi Ilea”, “rechavá arbaá” e “veim yesh lah amaltera”
אלמה אמר ר' אילעא כו' - השתא קא מסיק לפירכיה דאשכחן דמהניא אמלתרא אליבא דרב ומעיקרא לא שבקיה לאסוקי למלתיה עד דסתר ליה לתיובתא: רחבה ד' - אם היתה קורה רחבה ד' טפחים אע"פ שהיא דקה ואינה חזקה לקבל אריח כשירה והא דתנן במתניתין (לקמן עירובין ד' יג:) בריאה כדי לקבל אריח כשאינה רחבה ד' טפחים קאמר: ואם יש לה אמלתרא כו' - תרתי מילי קאמר רב ולקולא:

“Por que, então, disse Rabi Ilea etc.” — agora a guemará conclui a sua objeção: que encontramos que a amaltera é útil segundo Rav; e, de início, não a deixaram concluir a sua palavra, até que lhe rebateram a refutação.

“Larga de quatro” — se a korá era larga de quatro tefachim, ainda que seja fina e não forte o bastante para suportar um ariach (meio tijolo), é válida; e aquilo que aprendemos na mishná (adiante, Eruvin 13b), “robusta o bastante para suportar um ariach”, foi dito quando ela não é larga de quatro tefachim.

“E, se tem amaltera etc.” — duas coisas disse Rav, e ambas para leniência.

Guemará: Rav Yosef, Abaye e a disputa de tanaítas · מַתְנְיָיתָא אַהֲדָדֵי

35Rav Yosef: a amaltera é uma baraita
Rav Yosef
אָמַר רַב יוֹסֵף: אֲמַלְתְּרָא מַתְנִיתָא הִיא, מַאן קָתָנֵי לַהּ?

Disse Rav Yosef: A lei da amaltera é uma baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná), e não um dito de Rav; quem a ensina, para que Rav tenha de aceitá-la?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “amar Rav Yosef”
אמר רב יוסף - הא אמלתרא דאייתוה משמיה דרב לא רב אמרה דתיקשי דרב אדרב אלא מתנית' היא:

“Disse Rav Yosef” — esta amaltera, que trouxeram em nome de Rav, não foi Rav quem a disse, para que Rav seja contradito por Rav; antes, é uma baraita.

36Abaye: ainda assim é difícil para Rav
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: וְהָא חָמָא בְּרֵיהּ דְּרַבָּה בַּר אֲבוּהּ קָתָנֵי לַהּ, וְתִיהְוֵי אֲמַלְתְּרָא מַתְנִיתָא וְתִיקְשֵׁי לְרַב!

Disse Abaye: Mas eis que Chama, filho de Rabba bar Avuh, a ensina, e é uma baraita de autoridade! E, ainda que a lei da amaltera seja uma baraita, que seja difícil para Rav!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vetikshei leRav”
ותיקשי לרב - דהא חזינן הכא דלא גמרי רבנן מהיכל מדתקני דאמלתרא מהניא:

“E que seja difícil para Rav” — pois vemos aqui que os Sábios não aprendem do Heichal, já que ensinam que a amaltera é útil.

37Rav responderia: é uma disputa de tanaítas
A guemará
אָמַר לְךָ רַב: דַּל אֲנָא מֵהָכָא, מַתְנְיָיתָא מִי לָא קַשְׁיָין אַהֲדָדֵי? אֶלָּא מַאי אִית לָךְ לְמֵימַר — תַּנָּאֵי הִיא, לְדִידִי נָמֵי תַּנָּאֵי הִיא.

Rav te diria: Tira-me daqui, como se eu nada tivesse dito; acaso as baraitot não se contradizem uma à outra, a que diz que os Sábios aprendem da entrada do Heichal e a que diz que a amaltera é útil? Antes, o que tens de dizer? Que é uma disputa entre tanaítas; segundo mim também, é uma disputa entre tanaítas, e eu sigo um deles.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “dal ana mehacha”, “matneyata mi la kashyan ahadadei”, “tanaei hi” e “ledidi nami tanaei hi”
דל אנא מהכא - הרימני מיכן כאילו שתקתי ולא אמרתי דבר זה: מתנייתא מי לא קשיין אהדדי - דהא תניא לעיל בהדיא מבוי שהוא גבוה מכ' יותר מפתחו של היכל אלמא רבנן מהתם גמרי: תנאי היא - תנא דלעיל דסבירא ליה דרבנן מהיכל גמרי ואמלתרא לא מהניא והאי תנא דאמלתרא סבר לאו מהיכל גמרי: לדידי נמי תנאי היא - ואנא כתנא דלעיל אמרי:

“Tira-me daqui” — remove-me daqui, como se eu tivesse calado e não tivesse dito esta coisa.

“Acaso as baraitot não se contradizem uma à outra?” — pois foi ensinado acima, explicitamente: “Um mavoi que é alto, acima de vinte, mais que a entrada do Heichal”; logo, os Sábios aprendem dali.

“É uma disputa de tanaítas” — o tanaíta de acima entende que os Sábios aprendem do Heichal e que a amaltera não é útil; e este tanaíta da amaltera entende que não aprendem do Heichal.

“Segundo mim também, é uma disputa de tanaítas” — e eu digo conforme o tanaíta de acima.

Guemará: Rav Nachman bar Yitzchak e o sinal visível · מִשּׁוּם הֶיכֵּרָא

38Sem Rav, as baraitot não se contradizem
Rav Nachman bar Yitzchak
רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק אָמַר: בְּלָא רַב — מַתְנְיָיתָא אַהֲדָדֵי לָא קַשְׁיָין: לְרַבָּנַן קוֹרָה טַעְמָא מַאי — מִשּׁוּם הֶיכֵּרָא, וְהַאי דְּקָתָנֵי ״יָתֵר מִפִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל״ — סִימָנָא בְּעָלְמָא.

Rav Nachman bar Yitzchak disse: Sem Rav, isto é, sem a explicação de Rav, as baraitot não se contradizem uma à outra: segundo os Sábios, a korá, qual é a razão de que deva estar dentro de vinte amot? Por causa do sinal visível, para que as pessoas a vejam; e a amaltera, que atrai o olhar, é sinal visível mesmo acima de vinte. E aquilo que a primeira baraita ensina, “mais que a entrada do Heichal”, é apenas um sinal mnemônico, e não uma derivação.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bela Rav”, “matneyata ahadadei la kashyan”, “korá lerabanan taama mai”, “mishum heikera” e “vehai dekatanei”
בלא רב - אי לא הוה מפרש רב למתניתא קמייתא ויליף מינה דרבנן מהיכל גמרי: מתנייתא אהדדי לא קשיין - דבין לההיא מתניתין ובין להא מתניתין דאמלתרא: קורה לרבנן טעמא מאי - בעו תוך כ' אמה: משום היכר - דליחזו אינשי ולידעו דתקנתא עבוד ולא ליתי לאיחלופי ברה"ר ומשום הכי מהניא אמלתרא דכיון דמיסתכלי בה אינשי אפילו למעלה מכ' אמה איכא היכרא: והא דקתני - במתניתא קמייתא יותר מפתחו של היכל לאו דגמרי מהתם אלא סימנא בעלמא נקט שלא תחליף גירסא דעשרים ותאמר למעלה מל' או מארבעים יהא פתח היכל סימן בידך:

“Sem Rav” — se Rav não tivesse explicado a primeira baraita e aprendido dela que os Sábios aprendem do Heichal.

“As baraitot não se contradizem uma à outra” — tanto segundo aquela baraita quanto segundo esta baraita da amaltera.

“A korá, segundo os Sábios, qual é a razão” — de que exigem que esteja dentro de vinte amot?

“Por causa do sinal visível” — para que as pessoas a vejam e saibam que fizeram uma correção, e não venham a confundi-lo com o reshut harabim (domínio público); e por isso a amaltera é útil, pois, uma vez que as pessoas olham para ela, mesmo acima de vinte amot há sinal visível.

“E aquilo que ensina” — na primeira baraita, “mais que a entrada do Heichal”, não é que aprendam dali; antes, o tanaíta tomou apenas um sinal mnemônico, para que não troques a versão de “vinte” e digas “acima de trinta” ou “de quarenta”; que a entrada do Heichal seja um sinal na tua mão.

39Se concorda com Rabba sobre a sucá
A guemará
וְרַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק, הָנִיחָא אִי לָא סְבִירָא לֵיהּ הָא דְּרַבָּה, אֶלָּא אִי סְבִירָא לֵיהּ הָא דְּרַבָּה, דְּאָמַר רַבָּה, כְּתִיב: ״לְמַעַן יֵדְעוּ דוֹרוֹתֵיכֶם כִּי בַסֻּכּוֹת הוֹשַׁבְתִּי״, עַד עֶשְׂרִים אַמָּה אָדָם יוֹדֵעַ שֶׁדָּר בַּסּוּכָּה, לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים אַמָּה אֵין אָדָם יוֹדֵעַ, מִשּׁוּם דְּלָא שָׁלְטָא בֵּיהּ עֵינָא.

E, quanto a Rav Nachman bar Yitzchak, a sua explicação está bem se ele não concorda com esta afirmação de Rabba; mas, se concorda com esta de Rabba, é difícil. Pois disse Rabba, a respeito da sucá cuja cobertura está acima de vinte amot: Está escrito: “Para que saibam as vossas gerações que nas cabanas fiz habitar os filhos de Israel” (Vayikrá 23:43); até vinte amot, a pessoa sabe que mora na sucá; acima de vinte amot, a pessoa não sabe, porque o olho não a alcança.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i savra leh ha deRabba”
אי סבירא ליה הא דרבה - דטעמייהו דרבנן בסוכה נמי משום היכר:

“Se concorda com esta de Rabba” — que a razão dos Sábios, também na sucá, é por causa do sinal visível.

40Para que discordar em dois casos?
A guemará
אַלְמָא גַּבֵּי סוּכָּה נָמֵי בְּהֶיכֵּרָא פְּלִיגִי, אִיפְּלוֹגֵי בְּתַרְתֵּי לְמָה לִי?

Vê-se, portanto, que também a respeito da sucá os Sábios e Rabi Yehuda discordam quanto ao sinal visível; para que preciso que discordem em duas situações, a da sucá e a do mavoi, sobre o mesmo ponto?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lama lehu”
למה להו - לרבנן ולר' יהודה לפלוגי בתרתי:

“Para que precisam” — os Sábios e Rabi Yehuda — de discordar em duas situações?

41É necessário ensinar as duas
A guemará
צְרִיכָא, דְּאִי אַשְׁמְעִינַן גַּבֵּי סוּכָּה — בְּהָא קָאָמַר רַבִּי יְהוּדָה כֵּיוָן דְּלִישִׁיבָה עֲבִידָא, שָׁלְטָא בֵּיהּ עֵינָא. אֲבָל מָבוֹי, דִּלְהִילּוּךְ עֲבִיד — אֵימָא מוֹדֶה לְהוּ לְרַבָּנַן. וְאִי אַשְׁמְעִינַן בְּהָא — בְּהָא קָאָמְרִי רַבָּנַן, אֲבָל בְּהָךְ אֵימָא מוֹדוּ לֵיהּ לְרַבִּי יְהוּדָה. צְרִיכָא.

Responde-se: É necessário ensinar ambas; pois, se nos tivesse ensinado apenas a respeito da sucá, diríamos que nesta Rabi Yehuda diz que é válida, uma vez que é feita para se morar nela, e o olho a alcança; mas o mavoi, que é feito para caminhar, dize que ele concorda com os Sábios. E, se nos tivesse ensinado apenas nesta do mavoi, diríamos que nesta os Sábios dizem que é inválido; mas naquela da sucá, dize que concordam com Rabi Yehuda. É necessário.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mavoi delehiluch avid”
מבוי דלהילוך עביד - כלומר המהלך אינו מביט למעלה:

“O mavoi, que é feito para caminhar” — isto é, quem caminha não olha para cima.

Guemará: o que é amaltera? · מַאי אֲמַלְתְּרָא

42Ninhos ou vigas de cedro
A guemará
מַאי אֲמַלְתְּרָא? רַב חָמָא בְּרֵיהּ דְּרַבָּה בַּר אֲבוּהּ אָמַר: קִינֵּי. כִּי אֲתָא רַב דִּימִי אֲמַר, אָמְרִי בְּמַעְרְבָא: פִּסְקֵי דְאַרְזָא.

O que é amaltera? Rav Chama, filho de Rabba bar Avuh, disse: Ninhos, isto é, entalhes em forma de ninhos de aves. Quando veio Rav Dimi da Terra de Israel para a Babilônia, disse: Dizem no Ocidente, na Terra de Israel: Vigas de cedro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kinei” e “piskei de’arza”
קיני - כגון קיני עופות היו בולטין מתחת האולם למעלה (מל') מן הפתח: פסקי דארזא - כלונסות של ארז ארוכין תחובין בכותל ואיידי דנפיש משכיה אורך דידהו חזו להו אינשי ואיכא היכרא:

“Ninhos” — como ninhos de aves, que sobressaíam sob o Ulam, por cima da entrada.

“Vigas de cedro” — estacas de cedro compridas, cravadas na parede; e, como o seu comprimento é grande, as pessoas as veem, e há sinal visível.

43Com mais razão os ninhos
A guemará
מַאן דְּאָמַר פִּסְקֵי דְאַרְזָא, כׇּל שֶׁכֵּן קִינֵּי. מַאן דְּאָמַר קִינֵּי, אֲבָל פִּסְקֵי דְאַרְזָא לָא.

Quem disse vigas de cedro, diria que com mais razão valem os ninhos; quem disse ninhos, os validaria, mas as vigas de cedro, não.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “man de’amar piskei” e “kol shekein kinei”
מאן דאמר פסקי - איכא היכרא למבוי: כל שכן קיני - דאיידי דחשיבי ומילתא דתמיהא היא מסתכלי בהו אינשי וחזו לקורה:

“Quem disse vigas” — que há sinal visível para o mavoi.

“Com mais razão os ninhos” — pois, como são importantes e coisa que causa espanto, as pessoas olham para eles e veem a korá.

44Porque o seu comprimento é grande?
A guemará
וּמַאן דְּאָמַר פִּסְקֵי דְאַרְזָא מַאי טַעְמָא — מִשּׁוּם דִּנְפִישׁ מְשָׁכֵיהּ. וְהָא סוּכָּה דִּנְפִישׁ מְשָׁכֵיהּ, וְקָאָמְרִי רַבָּנַן דְּלָא!

E quem disse vigas de cedro, qual é a razão? Porque o seu comprimento é grande, e chama a atenção. Pergunta-se: Mas eis a sucá, cujo comprimento é grande, e os Sábios dizem que não é válida acima de vinte amot!

45Por ser importante, faz falar de si
A guemará
אֶלָּא: כֵּיוָן דְּקָא חֲשִׁיב אִית לֵיהּ קָלָא.

Antes, a razão é esta: uma vez que é coisa importante, tem repercussão; as pessoas param para olhá-la, e assim a korá é notada.

Guemará: parte acima de vinte, parte abaixo · מִקְצָת קוֹרָה לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים

46Parte da korá e parte do sechach acima de vinte
A guemará
מִקְצָת קוֹרָה בְּתוֹךְ עֶשְׂרִים, וּמִקְצָת קוֹרָה לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים, מִקְצָת סְכָךְ בְּתוֹךְ עֶשְׂרִים, וּמִקְצָת סְכָךְ לְמַעְלָה מֵעֶשְׂרִים? אָמַר רַבָּה: בְּמָבוֹי כָּשֵׁר, בְּסוּכָּה פָּסוּל.

Pergunta-se: Parte da espessura da korá dentro de vinte amot e parte da korá acima de vinte; parte do sechach (cobertura da sucá) dentro de vinte e parte do sechach acima de vinte: qual é a lei? Disse Rabba: No mavoi, é válido; na sucá, é inválido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “miktzat”
מקצת - עובי הקורה בתוך כ' ומקצתה למעלה וכן עובי סככה של סוכה:

“Parte” — a espessura da korá, parte dela dentro de vinte e parte acima; e assim a espessura do sechach da sucá.

47Afina!
A guemará
מַאי שְׁנָא בְּמָבוֹי דְּכָשֵׁר, דְּאָמְרִינַן קְלוֹשׁ? סוּכָּה נָמֵי לֵימָא קְלוֹשׁ!

Pergunta-se: Qual é a diferença no mavoi, que é válido? É que dizemos: Afina, isto é, considera como se a parte acima de vinte tivesse sido removida. Então, também na sucá, digamos: Afina!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kelosh”
קלוש - רואין כאילו ניטל אותו העובי היוצא למעלה ותהא קורה דקה:

“Afina” — vê-se como se tivesse sido removida aquela espessura que sobe acima de vinte, e fosse uma korá fina.

48O sol maior que a sombra
A guemará
אִי קָלְשַׁתְּ — הָוְיָא לַהּ חֲמָתָהּ מְרוּבָּה מִצִּילָּתָהּ.

Responde-se: Se afinares o sechach, ficará sendo uma sucá cujo sol é maior que a sua sombra.

49Os espetos de metal
A guemará
הָכָא נָמֵי, אִי קָלְשַׁתְּ הָוְיָא לַהּ קוֹרָה הַנִּיטֶּלֶת בָּרוּחַ. אֶלָּא עַל כׇּרְחָךְ, נַעֲשׂוּ כְּשַׁפּוּדִין שֶׁל מַתֶּכֶת. הָכָא נָמֵי — עַל כׇּרְחָךְ נַעֲשֵׂית צִילָּתָהּ מְרוּבָּה מֵחַמָּתָהּ!

Rejeita-se: Aqui também, se afinares, ficará sendo uma korá que é levada pelo vento, que não valida o mavoi! Antes, necessariamente, as partes que restam se tornam como espetos de metal, que, embora finos, o vento não leva. Aqui também, necessariamente, a sucá se torna uma cuja sombra é maior que o seu sol!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hanitelet baruach”
הניטלת ברוח - שהרי שיערוה חכמים בריאה כדי לקבל אריח ואי לאו הכי שדי ליה זיקא הלכך לא חשיב:

“Levada pelo vento” — pois os Sábios a avaliaram como robusta o bastante para suportar um ariach; e, se não fosse assim, o vento a derrubaria; por isso, não conta.

50Rava de Parzakya: o indivíduo e os muitos
Rava de Parzakya
אָמַר רָבָא מִפַּרְזַקְיָא: סוּכָּה דִּלְיָחִיד הִיא לָא מִדְּכַר, מָבוֹי דִּלְרַבִּים מַדְכְּרִי אַהֲדָדֵי.

Disse Rava de Parzakya: A sucá, que é de um indivíduo, ele não se lembra, se for retirada a parte do sechach que está dentro de vinte, de que o restante ficou todo acima de vinte; o mavoi, que é de muitos, eles se lembram uns aos outros, e o corrigem.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “la midkar” e “madkerei ahadadei”
לא מידכר - וזמנין דמשתקיל מקצת עובי הסכך הנכנס לתוך כ' וקיימא כולה למעלה מכ': מדכרי אהדדי - שאם תרקב תחתונה של קורה ותעמוד כולה למעלה מעשרים אמה מתקני לה:

“Não se lembra” — e às vezes é retirada parte da espessura do sechach que entra dentro de vinte, e ele fica todo acima de vinte.

“Lembram uns aos outros” — que, se apodrecer a parte de baixo da korá e ela ficar toda acima de vinte amot, eles a corrigem.

51Ravina: Torá e Sábios
Ravina
רָבִינָא אָמַר: סוּכָּה דְּאוֹרָיְיתָא — אַחְמִירוּ בַּהּ רַבָּנַן, מָבוֹי דְּרַבָּנַן — לָא אַחְמִירוּ בֵּיהּ רַבָּנַן.

Ravina disse: A sucá, que é preceito da Torá, os Sábios foram rigorosos com ela; o mavoi, que é preceito dos Sábios, os Sábios não foram rigorosos com ele.

Guemará: a versão invertida de Rav Adda bar Matana · אִיפְּכָא

52Rabba ao contrário
A guemará
רַב אַדָּא בַּר מַתְנָה מַתְנֵי לְהָא שְׁמַעְתָּא דְּרַבָּה אִיפְּכָא. אָמַר רַבָּה: בְּמָבוֹי פָּסוּל, בְּסוּכָּה כְּשֵׁירָה!

Rav Adda bar Matana ensinava este ensinamento de Rabba ao contrário, assim: Disse Rabba: No mavoi, é inválido; na sucá, é válida.

53Afina também no mavoi!
A guemará
מַאי שְׁנָא סוּכָּה דִּכְשֵׁירָה, דְּאָמְרִינַן קְלוֹשׁ? בְּמָבוֹי נָמֵי לֵימָא קְלוֹשׁ!

Pergunta-se: Qual é a diferença na sucá, que é válida? É que dizemos: Afina. Também no mavoi, digamos: Afina!

54A korá levada pelo vento e a sombra maior que o sol
A guemará
אִי קְלַשַׁת, הָוֵי לַהּ קוֹרָה הַנִּיטֶּלֶת בְּרוּחַ. הָכָא נָמֵי, אִי קָלְשַׁתְּ — הָוְיָא לַהּ חֲמָתָהּ מְרוּבָּה מִצִּילָּתָהּ! אֶלָּא עַל כׇּרְחֲךָ, נַעֲשֵׂית צִילָּתָהּ מְרוּבָּה מֵחַמָּתָהּ, הָכָא נָמֵי, עַל כׇּרְחָךְ נַעֲשׂוּ כְּשַׁפּוּדִין שֶׁל מַתֶּכֶת!

Responde-se: Se afinares, ficará sendo uma korá que é levada pelo vento. Rejeita-se: Aqui também, se afinares, ficará sendo uma sucá cujo sol é maior que a sua sombra! Antes, necessariamente, a sucá se torna uma cuja sombra é maior que o seu sol; aqui também, necessariamente, as partes da korá se tornam como espetos de metal!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela” e “hacha nami”
אלא - אמאי מכשרת בסוכה משום דעל כרחך השתא צילתה מרובה מחמתה דהא רואין הוא דקאמרי' ולא שקילנא מינה מידי: הכא נמי - חשוב אותה כשפודין כבידין דאי נמי קלישי לא שדי להו זיקא דהא לא מידי שקלת מינה אלא רואין הוא דקאמר:

“Antes” — por que é válida na sucá? Porque, necessariamente, agora a sua sombra é maior que o seu sol, pois é “vê-se como se” que dissemos, e não retiramos dela coisa alguma.

“Aqui também” — considera-a como espetos pesados, que, ainda que sejam finos, o vento não os derruba; pois nada retiraste dela, e é “vê-se como se” que se disse.

55A panela dos sócios
Rava de Parzakya
אָמַר רָבָא מִפַּרְזַקְיָא: סוּכָּה דִּלְיָחִיד הִיא רָמֵי אַנַּפְשֵׁיהּ וּמִדְּכַר, מָבוֹי דִּלְרַבִּים הִיא סָמְכִי אַהֲדָדֵי וְלָא מִדַּכְרִי, דְאָמְרִי אִינָשֵׁי: קִדְרָא דְבֵי שׁוּתָּפֵי, לָא חַמִּימָא וְלָא קָרִירָא.

Disse Rava de Parzakya: A sucá, que é de um indivíduo, ele lança a responsabilidade sobre si mesmo e se lembra; o mavoi, que é de muitos, eles se apoiam uns nos outros e não se lembram, como dizem as pessoas: A panela dos sócios não fica nem quente nem fria.

56Ravina: o preceito dos Sábios precisa de reforço
Ravina
רָבִינָא אָמַר: סוּכָּה דְּאוֹרָיְיתָא — לָא בָּעֵי חִיזּוּק. מָבוֹי דְּרַבָּנַן — בָּעֵי חִיזּוּק.

Ravina disse: A sucá, que é preceito da Torá, não necessita de reforço, e por isso os Sábios foram lenientes com ela; o mavoi, que é preceito dos Sábios, necessita de reforço.

57O que se conclui?
A guemará
מַאי הָוֵי עֲלַהּ? רַבָּה בַּר רַב עוּלָּא אָמַר: זֶה וָזֶה — פָּסוּל. רָבָא אָמַר: זֶה וָזֶה כָּשֵׁר.

Pergunta-se: O que se conclui sobre isto? Rabba bar Rav Ulla disse: Este e aquele, o mavoi e a sucá, são inválidos. Rava disse: Este e aquele são válidos…

O daf termina aqui, no meio da conclusão de Rava: “Este e aquele são válidos…”. A guemará prossegue em Eruvin 3b.