Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Bet (Osin Passin)
עוֹשִׂין לָהֶן פַּסִּין

A Terra de Israel e o domínio público; o monte por onde muitos passam; os caminhos de Beit Gilgul; os passin para a cisterna e para o poço

Eruvin 22b — Perek Bet (Osin Passin) · fim da guemará sobre a segunda mishná e terceira mishná do perek · a guemará prossegue em 23a

A guemará prossegue com a pergunta de Abaye a Rav Dimi: se a Terra de Israel não é domínio público porque a cercam a Escada de Tiro e a descida de Gader, também Bavel, cercada pelo Perat e pelo Diglat, e o mundo inteiro, cercado pelo oceano, não teriam domínio público; talvez a razão sejam as subidas e descidas da Terra de Israel? a pergunta é elogiada, e Ravin, ou Rabi Abahu, confirma em nome de Rabi Yochanan que as subidas e descidas não são como as bandeiras do deserto. Rachava pergunta a Rava sobre o monte que se eleva dez palmos e por onde muitos passam, segundo Rabi Yehuda; a resposta é que se é culpado, mesmo quando se sobe com uma corda e nas subidas de Beit Meron. a guemará confronta essa resposta com o pátio por onde muitos entram e saem, com os becos abertos para cisternas e com os caminhos de Beit Gilgul, domínio privado para o Shabat e domínio público para a impureza; responde-se que esses ensinos são dos Rabanan e vieram ensinar sobre a impureza, e que Yehoshua, amante de Israel, entregou ao indivíduo os caminhos de uso difícil da Terra de Israel. O daf termina com a terceira mishná do perek: os passin servem para a cisterna do público, o poço do público e o poço do indivíduo, segundo Rabi Akiva, e só para o poço do público, segundo Rabi Yehuda ben Bava.

A Terra de Israel e o domínio público · אֶרֶץ יִשְׂרָאֵל

810A Escada de Tiro e a descida de Gader
A guemará
אִילֵּימָא מִשּׁוּם דְּמַקֵּיף לַהּ סוּלְּמָא דְצוֹר מֵהָךְ גִּיסָא וּמַחְתָנָא דְגָדֵר מֵהָךְ גִּיסָא — בָּבֶל נָמֵי, מַקִּיף לֵהּ פְּרָת מֵהָךְ גִּיסָא וְדִיגְלַת מֵהַאי גִּיסָא! דְּכוּלָּא עָלְמָא נָמֵי מַקִּיף אוֹקְיָינוֹס! דִּילְמָא מַעֲלוֹת וּמוֹרָדוֹת קָאָמְרַתְּ?

Se dizes que é porque a cercam a Terra de Israel o Sulama deTzor (a Escada de Tiro) de um lado e o Machtana deGader (a descida de Gader) do outro lado, cada um deles uma divisória de dez palmos, Bavel também é cercada pelo Perat (Eufrates) de um lado e pelo Diglat (Tigre) deste outro lado, e também lá não haveria domínio público! E o mundo inteiro também é cercado pelo oceano, e não haveria domínio público em lugar nenhum! Talvez tu digas por causa das subidas e descidas da Terra de Israel, por onde não é fácil passar?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Sulama deTzor”
סולמא דצור - סלע הר גבוה סביב [לעלות בו לא"י והוא גבוה י' טפחים]:

“Sulama deTzor” — é um rochedo, um monte alto que está ao redor, para subir por ele à Terra de Israel, e ele tem dez palmos de altura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uMachtana”
[ומחתנא - מורד חריץ עמוק י' טפחים ורחב ד' סביב א"י מאידך גיסא] והוי לה מחיצה ונהי דאסור לטלטולי מדרבנן מיהו לאו רה"ר דאורייתא היא לאחיובי עליה:

“E Machtana” — é uma descida, uma vala funda de dez palmos e larga de quatro, ao redor da Terra de Israel, do outro lado; e assim ela tem divisória. E, ainda que seja proibido carregar nela por decreto dos Rabanan, ela não é domínio público da Torá, para que alguém seja culpado por carregar nela.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “maalot umoradot kaamart”
מעלות ומורדות שבה קאמרת - שאין חייבין עליהם משום רה"ר דלא ניחא דריסה דידהו ולא הוי רה"ר:

“Falas das subidas e descidas” que há nela — isto é, que não se é culpado por elas por serem domínio público, pois pisar nelas não é cômodo, e por isso não são domínio público.

Nota

No hebraico dos dois primeiros comentários de Rashi, uma parte do texto aparece entre colchetes: no primeiro, desde “para subir por ele” até o fim; no segundo, desde “E Machtana” até “do outro lado”. Os colchetes são marca editorial da edição do Sefaria, que completa ali o texto; a tradução inclui essas palavras.

811Vi a tua cabeça entre as colunas
A guemará
אֲמַר לֵיהּ: קַרְקַפְנָא, חֲזִיתֵיהּ לְרֵישָׁךְ בֵּי עַמּוּדֵי כִּי אֲמַר רַבִּי יוֹחָנָן לְהָא שְׁמַעְתָּא.

Disse-lhe: Karkafna (homem de grande crânio, isto é, homem ilustre), vi a tua cabeça entre as colunas da casa de estudo quando Rabi Yochanan disse esta lei, isto é, compreendeste-a como se lá estivesses e a ouvisses dele próprio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “karkafna”
קרקפנא - בעל הגולגולת כלומר אדם חשוב:

“Karkafna” — quer dizer dono do crânio, isto é, homem importante.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “amudei”
עמודי - של בית מדרש של ר' יוחנן:

“Colunas” — as colunas da casa de estudo de Rabi Yochanan.

812Não são como as bandeiras do deserto
A guemará
אִיתְּמַר נָמֵי, כִּי אֲתָא רָבִין אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן, וְאָמְרִי לַהּ, אָמַר רַבִּי אֲבָהוּ אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: מַעֲלוֹת וּמוֹרָדוֹת שֶׁבְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל אֵין חַיָּיבִין עֲלֵיהֶן מִשּׁוּם רְשׁוּת הָרַבִּים לְפִי שֶׁאֵינָן כְּדִגְלֵי מִדְבָּר.

Foi dito também assim: Quando veio Ravin da Terra de Israel, disse que Rabi Yochanan disse, e há quem o diga assim: Disse Rabi Abahu que Rabi Yochanan disse: Nas subidas e descidas que há na Terra de Israel não se é culpado por carregar nelas por serem domínio público, porque não são como o campo das bandeiras do deserto, onde as tribos de Israel passavam por terreno plano, próprio para a passagem de multidões.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “sheeinan kedigle midbar”
שאינן כדגלי מדבר - דארץ חלקה היתה שהענן משוה אותה:

“Que não são como as bandeiras do deserto” — pois ali a terra era lisa, já que a nuvem a nivelava.

O monte que se eleva dez palmos · תֵּל הַמִּתְלַקֵּט

813Um monte por onde muitos passam
A guemará
בְּעָא מִינֵּיהּ רַחֲבָה מֵרָבָא: תֵּל הַמִּתְלַקֵּט עֲשָׂרָה מִתּוֹךְ אַרְבַּע, וְרַבִּים בּוֹקְעִין בּוֹ, חַיָּיבִין עָלָיו מִשּׁוּם רְשׁוּת הָרַבִּים אוֹ אֵין חַיָּיבִין עָלָיו?

Rachava perguntou a Rava: Num tel (monte) que se eleva a dez palmos de altura dentro de quatro amot, o que bastaria para fazê-lo domínio privado, e muitos passam por ele, é-se culpado por ele ao carregar por ser domínio público, ou não se é culpado por ele?

814Segundo os Rabanan, não há pergunta
A guemará
אַלִּיבָּא דְרַבָּנַן לָא תִּיבְּעֵי לָךְ: הַשְׁתָּא, וּמָה הָתָם דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ — אָמְרִי רַבָּנַן לָא אָתוּ רַבִּים וּמְבַטְּלִי לַהּ מְחִיצְתָּא, הָכָא, דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ — לֹא כׇּל שֶׁכֵּן!

Segundo os Rabanan, não te perguntes: agora, se ali, nos passin do poço, onde o seu uso pelo público é cômodo, os Rabanan dizem que os muitos não vêm e anulam a divisória, aqui, onde o seu uso não é cômodo, por causa da inclinação, não é tanto mais assim!

815A pergunta segundo Rabi Yehuda
A guemará
כִּי תִּיבְּעֵי לָךְ אַלִּיבָּא דְּרַבִּי יְהוּדָה. מַאי, הָתָם הוּא דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ, הָכָא הוּא דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ — לָא אָתוּ רַבִּים וּמְבַטְּלִי מְחִיצְתָּא? אוֹ דִילְמָא לָא שְׁנָא? אֲמַר לֵיהּ: חַיָּיבִין.

Quando deves perguntar, é segundo Rabi Yehuda. Que dizer? Ali é que o seu uso é cômodo, e por isso os muitos anulam a divisória; aqui, que o seu uso não é cômodo, também ele admite que os muitos não vêm e anulam a divisória? Ou talvez não haja diferença? Disse-lhe: É-se culpado por carregar ali, pois é domínio público.

816Até nas subidas de Beit Meron
A guemará
וַאֲפִילּוּ עוֹלִין לוֹ בְּחֶבֶל? אֲמַר לֵיהּ: אִין. וַאֲפִילּוּ בְּמַעֲלוֹת בֵּית מָרוֹן?! אֲמַר לֵיהּ: אִין.

E mesmo se se sobe a ele com uma corda, de tão íngreme que é? Disse-lhe: Sim. E mesmo nas subidas de Beit Meron, que são extremamente íngremes?! Disse-lhe: Sim.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vaafilu olin lo bechevel”
ואפי' עולין לו בחבל - בעיא היא ורחבה קאמר לה:

“E mesmo se se sobe a ele com uma corda” — é uma pergunta, e Rachava a diz.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “maalot Beit Meron”
מעלות בית מרון - זקופין מאד ומעלה קצרה ומהלכין בה בזה אחר זה ולא שנים יחד כדאמרי' בר"ה (ד' יח.) כבני מרון כמעלות בית מרון:

“As subidas de Beit Meron” — são muito íngremes, e a subida é estreita, e caminham por ela um atrás do outro, e não dois juntos, como dizemos em Rosh Hashaná (18a): “Como os filhos de Maron”, isto é, como as subidas de Beit Meron.

Nota

A referência entre parênteses no Rashi, (ד׳ יח.), é marca editorial da edição do Sefaria e foi traduzida como (Rosh Hashaná 18a). Ali a guemará explica as palavras da mishná de Rosh Hashaná 1:2, segundo a qual em Rosh Hashaná todos os que vieram ao mundo passam diante dEle “como os filhos de Maron”, e Reish Lakish as interpreta como “as subidas de Beit Meron”.

Domínio privado para o Shabat, domínio público para a impureza · רְשׁוּת הַיָּחִיד לַשַּׁבָּת

817O pátio por onde muitos entram e saem
A guemará
אֵיתִיבֵיהּ: חָצֵר שֶׁהָרַבִּים נִכְנָסִין לָהּ בָּזוֹ וְיוֹצְאִין בָּזוֹ — רְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה, וּרְשׁוּת הַיָּחִיד לַשַּׁבָּת.

Objetou-lhe a partir de um ensinamento: Um pátio cercado de divisórias, no qual muitos entram por este lado e saem por aquele, é domínio público para a impureza, de modo que, em caso de dúvida, a pessoa é considerada pura, e domínio privado para o Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chatzer sheharabim nichnasin la”
חצר שהרבים נכנסין לה - דרך פתחים או פרצות של עשר:

“Um pátio no qual muitos entram” — pelas entradas ou por brechas de dez amot.

818De quem é o ensinamento do pátio?
A guemará
מַנִּי? אִילֵּימָא רַבָּנַן, הַשְׁתָּא וּמָה הָתָם — דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ, אָמְרִי רַבָּנַן: לָא אָתוּ רַבִּים וּמְבַטְּלִי מְחִיצְתָּא, הָכָא — דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ, לֹא כׇּל שֶׁכֵּן!

De quem é este ensinamento? Se dizes que é dos Rabanan: agora, se ali, nos passin do poço, onde o seu uso é cômodo, os Rabanan dizem que os muitos não vêm e anulam a divisória, aqui, no pátio, onde o seu uso como passagem não é cômodo, não é tanto mais assim! Para que, então, seria preciso ensiná-lo?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “delo nicha tashmishtei”
דלא ניחא תשמישתי' - לרבים לדריסה שהפתחין קצרין וגידודין יש באסקופה ופשיטא דלא מבטלה בקיעת רבים למחיצות:

“Onde o seu uso não é cômodo” — para os muitos, para a passagem, pois as entradas são estreitas e há saliências na soleira; e é evidente que a passagem dos muitos não anula as divisórias.

819Não é de Rabi Yehuda?
A guemará
אֶלָּא לָאו, רַבִּי יְהוּדָה הִיא?

Mas não é este ensinamento de Rabi Yehuda, e ensina-nos que também ele distingue entre um caminho e outro?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela lav Rabi Yehuda”
אלא לאו ר' יהודה - ואשמעינן דהיכא דלא ניחא תשמישתיה מודי:

“Mas não é de Rabi Yehuda?” — e nos ensina que, onde o seu uso não é cômodo, ele admite que os muitos não anulam a divisória.

820Foi preciso ensinar sobre a impureza
A guemará
לָא, לְעוֹלָם רַבָּנַן, וּרְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה אִיצְטְרִיכָא לֵיהּ.

Não; na verdade, é dos Rabanan, e foi-lhe preciso ensinar que é domínio público para a impureza, embora seja domínio privado para o Shabat.

821Becos abertos em cisternas
A guemará
תָּא שְׁמַע: מְבוֹאוֹת הַמְפוּלָּשׁוֹת בְּבוֹרוֹת, בְּשִׁיחִין וּבִמְעָרוֹת — רְשׁוּת הַיָּחִיד לְשַׁבָּת וּרְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה.

Vem e ouve: Mevoot (becos) abertos em cisternas, em valas e em grutas são domínio privado para o Shabat e domínio público para a impureza.

Nota

A citação corresponde a Mishná Taharot 6:6, onde a formulação nas edições avulsas é “os caminhos abertos para cisternas, para valas, para grutas e para lagares”: a correção “para cisternas”, proposta a seguir pela guemará, coincide com o texto da Mishná.

822Em cisternas ou para cisternas?
A guemará
״בְּבוֹרוֹת״ סָלְקָא דַּעְתָּךְ? אֶלָּא: לְבוֹרוֹת — רְשׁוּת הַיָּחִיד לְשַׁבָּת וּרְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה.

“Em cisternas”, passa-te pela mente? Como pode um beco abrir-se dentro de uma cisterna? Mas leia-se assim: Becos abertos para cisternas são domínio privado para o Shabat e domínio público para a impureza.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “baborot salka daatach”
בבורות סלקא דעתך - היכי הוי מבוי בתוך הבור:

“Em cisternas”, passa-te pela mente? — como haveria um beco dentro da cisterna?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “laborot”
לבורות - שיש בור בראשו אחד ובשפה אחת קצרה מהלכין שם עד שעוברין:

“Para cisternas” — que há uma cisterna numa das suas extremidades, e por uma beirada estreita caminham ali até que passem.

823De quem é a mishná dos becos?
A guemará
מַנִּי? אִילֵּימָא רַבָּנַן, הַשְׁתָּא וּמָה הָתָם — דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ, אָמְרִי: לָא אָתוּ רַבִּים וּמְבַטְּלִי לַהּ, הָכָא — דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתֵּיהּ, לֹא כׇּל שֶׁכֵּן! אֶלָּא לָאו רַבִּי יְהוּדָה הִיא?

De quem é esta mishná? Se dizes que é dos Rabanan: agora, se ali, nos passin do poço, onde o seu uso é cômodo, os Rabanan dizem que os muitos não vêm e a anulam, aqui, no beco, onde o seu uso não é cômodo, não é tanto mais assim! Mas não é de Rabi Yehuda?

824Também aqui, para a impureza
A guemará
לָא, לְעוֹלָם רַבָּנַן, וּרְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה אִיצְטְרִיכָא לֵיהּ.

Não; na verdade, é dos Rabanan, e foi-lhe preciso ensinar que é domínio público para a impureza, pois, embora não seja lugar cômodo de passar, muitos se encontram ali.

825Os caminhos de Beit Gilgul
A guemará
תָּא שְׁמַע: שְׁבִילֵי בֵּית גִּילְגּוּל וְכַיּוֹצֵא בָּהֶן — רְשׁוּת הַיָּחִיד לַשַּׁבָּת וּרְשׁוּת הָרַבִּים לַטּוּמְאָה.

Vem e ouve: Os shevilei Beit Gilgul (caminhos de Beit Gilgul), difíceis de percorrer, e os semelhantes a eles são domínio privado para o Shabat e domínio público para a impureza.

Nota

A citação está em Mishná Taharot 6:6.

826O escravo com uma seá de trigo
A guemará
וְאֵיזֶהוּ שְׁבִילֵי בֵּית גִּילְגּוּל? אָמְרִי דְּבֵי רַבִּי יַנַּאי: כֹּל שֶׁאֵין הָעֶבֶד יָכוֹל לִיטּוֹל סְאָה שֶׁל חִיטִּין וְיָרוּץ לִפְנֵי סַרְדְּיוֹט.

E quais são os caminhos de Beit Gilgul? Dizem os da casa de Rabi Yannai: Todo caminho em que o escravo não consegue tomar uma seá de trigo e correr diante de um sardiot (oficial do governo), ainda que tenha medo dele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shevilei Beit Gilgul”
שבילי בית גילגול - מעלה גבוהה וזקופה היא בארץ ישראל:

“Os caminhos de Beit Gilgul” — Beit Gilgul é uma subida alta e íngreme na Terra de Israel.

827Mais uma vez: de quem é?
A guemará
מַנִּי? אִילֵּימָא רַבָּנַן, הַשְׁתָּא וּמָה הָתָם — דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא, אָמְרִי רַבָּנַן: לָא אָתוּ רַבִּים וּמְבַטְּלִי לַהּ מְחִיצְתָּא. הָכָא — דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא, לֹא כׇּל שֶׁכֵּן! אֶלָּא לָאו, רַבִּי יְהוּדָה הִיא?

De quem é esta mishná? Se dizes que é dos Rabanan: agora, se ali, nos passin do poço, onde o uso é cômodo, os Rabanan dizem que os muitos não vêm e anulam a divisória, aqui, nos caminhos de Beit Gilgul, onde o uso não é cômodo, não é tanto mais assim! Mas não é de Rabi Yehuda?

828Yehoshua amava Israel
A guemará
אֲמַר לֵיהּ: שְׁבִילֵי בֵּית גִּילְגּוּל קָאָמְרַתְּ? יְהוֹשֻׁעַ אוֹהֵב יִשְׂרָאֵל הָיָה, עָמַד וְתִיקֵּן לָהֶם דְּרָכִים וּסְרַטְיָא, כֹּל הֵיכָא דְּנִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא — מְסָרָהּ לָרַבִּים, כֹּל הֵיכָא דְּלָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא — מְסָרָהּ לַיָּחִיד.

Disse-lhe: Os caminhos de Beit Gilgul, dizes? Yehoshua era amante de Israel: levantou-se e estabeleceu para eles estradas e seratya (vias largas); todo lugar cujo uso era cômodo, entregou-o ao público; todo lugar cujo uso não era cômodo, entregou-o ao indivíduo. Por isso, os caminhos difíceis da Terra de Israel são domínio privado; mas nas outras terras não há essa regra.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Yehoshua ohev Yisrael haya”
יהושע אוהב ישראל היה - ובמעלות ומורדות דארץ ישראל מודינא לך דאין חייבין עליהן וכי אמינא לך דחייבין בשאר ארצות קאמינא:

“Yehoshua era amante de Israel” — e quanto às subidas e descidas da Terra de Israel, admito-te que não se é culpado por elas; e quando te disse que se é culpado, falava das outras terras.

Os passin para a cisterna e para o poço · עוֹשִׂין לָהֶן פַּסִּין

829Para a cisterna do público e para os poços
Mishná
מַתְנִי׳ אֶחָד בּוֹר הָרַבִּים וּבְאֵר הָרַבִּים וּבְאֵר הַיָּחִיד — עוֹשִׂין לָהֶן פַּסִּין.

MISHNÁ. Tanto a cisterna do público, de água recolhida, como o poço do público, de água de fonte, e até o poço do indivíduo: faz-se para eles passin (tábuas verticais nos cantos), para que se possa tirar água deles no Shabat dentro do cercado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bor harabim”
מתני' בור הרבים - אי פסקי מיא מדכרי אהדדי:

“Mishná. A cisterna do público” — se a água se acaba, lembram-se uns aos outros da proibição.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “beer hayachid”
באר היחיד - נמי שרי דהא לא פסקי מיא:

“O poço do indivíduo” — também é permitido, pois a sua água não se acaba.

Nota — nova Mishná

Encerrada a guemará sobre a segunda mishná do perek, inicia-se aqui a terceira mishná do Perek Bet (Osin Passin), que corresponde à segunda parte de Mishná Eruvin 2:4 na numeração das edições avulsas da Mishná, das palavras “Tanto a cisterna do público” até o fim. Ela trata de quais reservatórios de água podem ser cercados com passin: segundo Rabi Akiva, a cisterna do público, o poço do público e o poço do indivíduo, enquanto a cisterna do indivíduo exige uma divisória de dez palmos; segundo Rabi Yehuda ben Bava, só o poço do público, e os demais exigem uma cinta de cordas de dez palmos.

830A cisterna do indivíduo
Mishná
אֲבָל לְבוֹר הַיָּחִיד — עוֹשִׂין לוֹ מְחִיצָה גָּבוֹהַּ עֲשָׂרָה טְפָחִים, דִּבְרֵי רַבִּי עֲקִיבָא.

Mas para a cisterna do indivíduo, que tem dois defeitos, pois é de um só e não tem água de fonte, faz-se para ela uma divisória de dez palmos de altura; estas são as palavras de Rabi Akiva.

831Só para o poço do público
Mishná
רַבִּי יְהוּדָה בֶּן בָּבָא אוֹמֵר: אֵין עוֹשִׂין פַּסִּין אֶלָּא לִבְאֵר הָרַבִּים בִּלְבַד, וְלַשְּׁאָר — עוֹשִׂין חֲגוֹרָה גָּבוֹהַּ עֲשָׂרָה טְפָחִים.

Rabi Yehuda ben Bava diz: Não se fazem passin senão para o poço do público somente; e para os demais, a cisterna do público e o poço do indivíduo, faz-se uma chagorá (cinta de cordas) de dez palmos de altura, que vale como divisória pelo princípio de lavud.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “livar harabim”
לבאר הרבים - דאיכא תרתי למעליותא:

“Para o poço do público” — onde há duas vantagens, pois é do público e a sua água não se acaba.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “chagorá”
חגורה - היקף של חבלים:

“Chagorá” — um cerco de cordas.

O daf termina aqui: a guemará conclui a razão de Rabi Yochanan para dizer que na Terra de Israel não se é culpado por domínio público, as subidas e descidas que não são como as bandeiras do deserto; traz a pergunta de Rachava a Rava sobre o monte que se eleva dez palmos e por onde muitos passam, e as objeções do pátio, dos becos abertos para cisternas e dos caminhos de Beit Gilgul, até a resposta sobre Yehoshua, amante de Israel; e encerra com a terceira mishná do perek, sobre os passin para a cisterna do público, o poço do público e o poço do indivíduo, segundo Rabi Akiva e Rabi Yehuda ben Bava. A guemará prossegue em Eruvin 23a.