Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Guimel (BaKol Mearvin)
גְּזֵירָה מִשּׁוּם יוֹם טוֹב

O decreto por causa do Yom Tov depois do Shabat; o eruv no muro e no migdal; o migdal pregado e o migdal comprido; a cova

Eruvin 34a — Perek Guimel (BaKol Mearvin, Eruvin 26b:17-41b:5) · guemará da mishná do eruv posto na árvore e na cova (Eruvin 3:3) · continua de Eruvin 33b; a guemará continua em Eruvin 34b

A guemará conclui a objeção de Rav bar Shaba: se “já que se pode” bastasse, por que a mishná exige levar o eruv até o lugar, se poderia levá-lo? Rabi Zeira responde que é um decreto por causa do Yom Tov que cai depois do Shabat, quando o eruv não pode ser levado no próprio dia. Rav bar Shaba objeta a partir da baraita de quem pretende estabelecer a sua morada no reshut harabim e põe o eruv num muro, ou no topo de um pombal ou de um migdal: abaixo de dez tefachim, no migdal, o eruv não é válido; e por que não dizer “já que se pode incliná-lo”? Rabi Yirmeya responde que se trata de um migdal pregado ao muro; Rava, que se trata de um migdal muito comprido, cujo topo, inclinado, sairia das quatro amot. A guemará pergunta por que não trazer o eruv com uma janela e uma corda, e responde que não há. Por fim, passa à frase da mishná sobre o eruv posto numa cova e pergunta onde a cova está situada. O texto continua em Eruvin 34b.

A objeção de Rav bar Shaba e o decreto de Rabi Zeira · גְּזֵירָה מִשּׁוּם יוֹם טוֹב

1187Como quem o levou
A guemará
אַמַּאי? נֵימָא: כֵּיוָן דְּאִי בָּעֵי אַמְטוֹיֵי מָצֵי מַמְטֵי לֵיהּ, אַף עַל גַּב דְּלָא אַמְטְיֵיהּ — כְּמַאן דְּאַמְטְיֵיהּ דָּמֵי!

A objeção prossegue: Por que é preciso levar de fato o eruv ao lugar onde se quer estabelecer a morada? Digamos: já que, se quisesse levá-lo até lá, poderia levá-lo, embora não o tenha levado, é como quem o levou, assim como Rabi Yirmeya disse do cesto: “já que se pode incliná-lo”!

Nota

O daf começa no meio da objeção iniciada no fim de Eruvin 33b, depois da citação da mishná do eruv para o Yom Tov e o Shabat; o Rashi de 33b (sobre “E pega-o e vai embora”) explica a objeção de Rav bar Shaba exatamente com este raciocínio. A tradução de referência acrescenta que, por não se usar aqui esse raciocínio, a mera possibilidade não basta.

1188Um decreto por causa do Yom Tov depois do Shabat
Rabi Zeira
אָמַר רַבִּי זֵירָא: גְּזֵירָה מִשּׁוּם יוֹם טוֹב שֶׁחָל לִהְיוֹת אַחַר שַׁבָּת.

Rabi Zeira disse: A exigência de levar de fato o eruv até o lugar é um decreto por causa de um Yom Tov que cai depois do Shabat; pois então é preciso levar o eruv antes do Shabat, já que no Shabat não se pode levá-lo, e ali não se pode dizer “se quisesse levá-lo, poderia”; por isso os Sábios decretaram que em todos os casos é preciso levá-lo de fato, para que não se venha a confiar nisso também no Yom Tov que cai depois do Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Amar Rabi Zeira”
א"ר זירא - הא דאצרכו רבנן לכל המערבין להוליך עירובן למקום שביתתן גזירה משום יו"ט אחר השבת דאי בעי לאמטוייה בשבת לערב ליום המחרת לא מצי ממטי ליה וצריך להוליכו מערב שבת ואי אמרת בעלמא נשבקיה בביתיה משום הואיל הכי נמי אתי למיסמך עליה ונפיק על עירוב שביתתו ביו"ט אחר השבת והתם אפילו הואיל ליכא:

“Rabi Zeira disse” — aquilo que os Rabanan exigiram de todos os que fazem eruv, isto é, levar o seu eruv até o lugar da sua morada, é um decreto por causa do Yom Tov que cai depois do Shabat; pois, se quisesse levá-lo no Shabat, para fazer eruv para o dia seguinte, não poderia levá-lo, pois é Shabat, e precisa levá-lo já na véspera do Shabat. E, se dissesses que em geral o deixemos na sua casa por causa do raciocínio de “já que”, assim também ali ele viria a se apoiar nisso e sairia além do limite com base no seu eruv de morada no Yom Tov depois do Shabat; e ali nem sequer “já que” há, pois no Shabat não poderia levá-lo.

O eruv no muro, no pombal e no migdal · בְּמִגְדָּל מְסוּמָּר

1189O muro, o pombal e o migdal
Rav bar Shaba
אֵיתִיבֵיהּ: נִתְכַּוֵּון לִשְׁבּוֹת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, וְהִנִּיחַ עֵירוּבוֹ בַּכּוֹתֶל, לְמַטָּה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — עֵירוּבוֹ עֵירוּב, לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — אֵין עֵירוּבוֹ עֵירוּב. נִתְכַּוֵּון לִשְׁבּוֹת בְּרֹאשׁ הַשּׁוֹבָךְ אוֹ בְּרֹאשׁ הַמִּגְדָּל, לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — עֵירוּבוֹ עֵירוּב. לְמַטָּה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — אֵין עֵירוּבוֹ עֵירוּב.

Rav bar Shaba objetou-lhe a partir de outra baraita: Se alguém pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat no reshut harabim, e pôs o seu eruv num muro, fora das quatro amot do seu lugar: se o pôs abaixo de dez tefachim, o seu eruv é eruv válido; se o pôs acima de dez tefachim, o seu eruv não é eruv válido, pois ele está no reshut harabim e o seu eruv no reshut hayachid. Se pretendeu estabelecer a sua morada no topo de um pombal ou no topo de um migdal (armário alto, em forma de torre), e pôs o eruv dentro dele acima de dez tefachim, o seu eruv é eruv válido, pois ele e o seu eruv estão no reshut hayachid; se o pôs abaixo de dez tefachim, num lugar que é karmelit (domínio intermediário), o seu eruv não é eruv válido, pois não pode levá-lo dali até o lugar da sua morada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Vehiniach eruvo bakotel”
והניח עירובו בכותל - סמוך למקום שביתתו חוץ לארבע אמות קאמר וכדאוקימנא באילן דאי תוך ארבע אמות. אפילו למעלה מי' נמי עירובו עירוב דהנותן את עירובו יש לו ארבע אמות:

“E pôs o seu eruv num muro” — a baraita fala de um muro próximo ao lugar da sua morada, mas fora das quatro amot, conforme estabelecemos a respeito da árvore; pois, se fosse dentro das quatro amot, mesmo acima de dez tefachim o seu eruv também seria eruv válido, pois já foi dito: quem põe o seu eruv tem quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Lemata meassara eruvo eruv”
למטה מעשרה עירובו עירוב - ואע"ג דעירובו חוץ לארבע אמותיו מצי שקיל ליה ואיתויי פחות פחות מארבע אמות דהא אפילו בשבת לא אסיר כי האי גוונא אלא משום שבות דרבנן והכא דבין השמשות הוא לא גזור:

“Abaixo de dez, o seu eruv é eruv” — embora o seu eruv esteja fora das suas quatro amot, pode ir pegá-lo e trazê-lo aos poucos, menos de quatro amot de cada vez; pois mesmo no Shabat isso, num caso assim, não é proibido senão por causa de shevut (proibição rabínica do Shabat) dos Rabanan, e aqui, que é o crepúsculo, hora em que o eruv adquire a morada, os Sábios não decretaram.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Lemaala meassara eino eruv”
למעלה מעשרה אינו עירוב - דאי נפיק חוץ לארבע אמותיו קאי ברה"ר ולא מצי למשקליה מרה"י דהוא ברה"ר ועירובו ברה"י והכא ליכא למימר כמאן דמלי דהוא חוץ לארבע אמותיו הוא:

“Acima de dez, não é eruv” — pois, se sair para fora das suas quatro amot, para pegá-lo, estará no reshut harabim, e não poderá pegá-lo do reshut hayachid e trazê-lo para si, pois ele está no reshut harabim e o seu eruv no reshut hayachid; e aqui não se pode dizer “é como se estivesse cheio”, pois o eruv está fora das suas quatro amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Nitkaven lishbot shevitato berosh hamigdal”
נתכוון לשבות שביתתו בראש המגדל - והוא גבוה הרבה והניח עירובו לתוכו:

“Pretendeu estabelecer a sua morada no topo do migdal” — e ele, o migdal, é muito alto, e pôs o seu eruv dentro dele.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Im lemaala meassara hinicho eruvo eruv”
אם למעלה מעשרה הניחו עירובו עירוב - ואע"פ שאינו יכול ליטלו משם ולהביאו למקום שביתתו דהא ממטי ליה מרה"י לרה"י דרך אויר רה"ר וקיימא לן במושיט דאפילו למעלה מי' חייב הרי יכול לירד ולאוכלו במקום שהוא מונח שם דכיון דלמעלה מעשרה הוא הוי כבמקום שביתתו ממש דכל למעלה מעשרה עד לרקיע חדא רשותא היא:

“Se o pôs acima de dez, o seu eruv é eruv” — e, embora não possa pegá-lo dali e trazê-lo ao lugar da sua morada, pois o levaria do reshut hayachid para o reshut hayachid através do espaço aéreo do reshut harabim, e está estabelecido para nós, a respeito de quem passa um objeto com a mão, que mesmo acima de dez tefachim é culpado, eis que o eruv é válido, pois pode descer e comê-lo no lugar onde o eruv está posto; pois, já que está acima de dez, é como se estivesse no próprio lugar da sua morada, pois tudo o que está acima de dez, até o firmamento, é um só domínio.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Lemata miassara”
למטה מי' - כגון שיש עליות למגדל זו למעלה מזו והניחו בעליה שלמטה מי' דהויא כרמלית:

“Abaixo de dez” — por exemplo, se há no migdal andares, um acima do outro, e o pôs, o eruv, no andar que está abaixo de dez, que é karmelit.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Ein eruvo eruv”
אין עירובו עירוב - דהא לא מצי למישקלי מההוא כרמלית ואיתויי לראש המגדל ששובת שם משום אויר רה"ר דממטי ליה דרך אויר רה"ר לרשות היחיד ואי נחית ואכל ליה התם נפיק ליה ממקום שביתתו ואנן סעודה הראויה מבעוד יום במקומו בעינן:

“O seu eruv não é eruv” — pois ele não pode pegá-lo daquela karmelit e trazê-lo ao topo do migdal, onde estabelece a sua morada, por causa do espaço aéreo do reshut harabim, pois o levaria através do espaço aéreo do reshut harabim para o reshut hayachid; e, se descer até o eruv e comê-lo ali, sairá do lugar da sua morada; e nós precisamos de uma refeição apta para ser comida, ainda de dia, no seu lugar.

Nota

O texto diz apenas “אֵיתִיבֵיהּ”, “objetou-lhe”, sem nomear quem objeta; a tradução de referência atribui a nova objeção a Rav bar Shaba. A tradução de referência traduz “מִגְדָּל” por “armário grande”; o Rashi o descreve como muito alto, com andares um acima do outro. As remissões do Rashi conferem: “conforme estabelecemos a respeito da árvore” remete a Eruvin 32b, onde Rav Yitzchak, filho de Rav Mesharshiya, explica a mishná com uma árvore que se inclina para fora das quatro amot; “quem põe o seu eruv tem quatro amot” é de Rava, em Eruvin 32b; “é como se estivesse cheio” alude às palavras de Rava em Eruvin 32b, de que a cidade “é considerada como se estivesse cheia” (“כמאן דמליא דמיא”); a lei de quem passa um objeto com a mão acima de dez tefachim é discutida em Shabat 97a (“ילפינן זורק ממושיט”, “aprende-se o que lança a partir do que passa com a mão”). O princípio de que não se decretou sobre o shevut no crepúsculo é de Rabi, em Eruvin 32b.

1190O migdal que se pode inclinar
A guemará e Rabi Yirmeya
וְאַמַּאי? הָכִי נָמֵי נֵימָא: הוֹאִיל וְיָכוֹל לִנְטוֹתוֹ וְלַהֲבִיאוֹ לְתוֹךְ עֲשָׂרָה! אָמַר רַבִּי יִרְמְיָה: הָכָא בְּמִגְדָּל מְסוּמָּר עָסְקִינַן.

A guemará pergunta: E por que o eruv não é válido? Também aqui digamos: já que pode incliná-lo, o migdal, e trazê-lo para dentro de dez tefachim do chão, de modo que o lugar da sua morada fique sobre o chão e ele possa pegar o eruv da karmelit, o eruv deveria ser válido! Rabi Yirmeya disse: Aqui tratamos de um migdal pregado ao muro, que não se pode inclinar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Veamai”
ואמאי - למטה מי' אינו עירוב נימא הואיל ויכול לנטות המגדל ולהשליכו למטה ונמצא מקום שביתתו מוטל לארץ ברשות הרבים ושקיל ליה מכרמלית ואכיל ליה במקום שביתתו דהא לא גזרו על השבות דהא על כרחך רבי היא מדתני רישא הניח עירובו בכותל למטה מעשרה עירובו עירוב ואע"ג דהוא ברה"ר ועירובו בכרמלית:

“E por quê” — abaixo de dez não é eruv válido? Digamos: já que pode inclinar o migdal e derrubá-lo para baixo, e o lugar da sua morada, o topo do migdal, se encontrará deitado no chão, no reshut harabim, e então pegará o eruv da karmelit e o comerá no lugar da sua morada, pois não decretaram sobre o shevut no crepúsculo; pois forçosamente esta baraita é de Rabi, já que ensina na primeira parte: Se pôs o seu eruv no muro abaixo de dez, o seu eruv é eruv, embora ele esteja no reshut harabim e o seu eruv na karmelit.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Bemigdal hamessumar”
במגדל המסומר - תקוע במסמרות בכותל ואינו יכול לנטות:

“Num migdal pregado” — fixado com pregos no muro, e por isso não pode incliná-lo.

Nota

O texto segue o Rashi: inclinando o migdal, o lugar da morada fica no chão, no reshut harabim, e ele pega o eruv da karmelit, o que é só proibição rabínica, sobre a qual não se decretou no crepúsculo; segundo o Rashi, a baraita é necessariamente de Rabi, pois na primeira parte dá como válido o eruv posto no muro abaixo de dez. A tradução de referência explica que, inclinando o armário, ele e o seu eruv estariam num mesmo domínio.

1191O migdal comprido
Rava
רָבָא אָמַר: אֲפִילּוּ תֵּימָא בְּמִגְדָּל שֶׁאֵינוֹ מְסוּמָּר, וְהָכָא בְּמִגְדָּל אָרוֹךְ עָסְקִינַן, דְּאִי מַמְטֵי לֵיהּ פּוּרְתָּא, אָזֵיל חוּץ לְאַרְבַּע אַמּוֹת.

Rava disse: Pode-se explicar de outro modo: Mesmo que digas que se trata de um migdal que não é pregado, aqui tratamos de um migdal comprido, muito mais que quatro amot, de modo que, se o inclinar um pouco, o seu topo vai para fora das quatro amot em que pretendeu estabelecer a sua morada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Bemigdal aroch”
במגדל ארוך - הרבה יותר מארבע אמות:

“Num migdal comprido” — muito mais que quatro amot de comprimento.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Dechi mamtei leh”
דכי ממטי ליה - למגדל עד דהוי ראשו למטה מי' נפיק ליה ראשו חוץ לד' אמות ממקום שהיה המגדל יושב בתחילה וכי שקיל ליה ואמטי ליה עד ראש המגדל ואכיל ליה אישתכח דלא קאי בד' אמות שנתכוון לשבות בהן:

“Pois, quando o inclina” — o migdal, até que o seu topo fique abaixo de dez, o seu topo sai para fora de quatro amot do lugar onde o migdal estava inicialmente; e, quando pega o eruv e o leva até o topo do migdal e o come, verifica-se que ele não está nas quatro amot em que pretendeu estabelecer a sua morada.

1192A janela e a corda
A guemará
הֵיכִי דָמֵי? אִי דְּאִיכָּא כַּוְּותָא וּמִתְנָא — לַיְיתֵיהּ בְּכַוְּותָא וּמִתְנָא! דְּלֵית לֵיהּ כַּוְּותָא וּמִתְנָא.

A guemará pergunta: Como é o caso de que trata a baraita? Se há no migdal uma janela e há uma corda amarrada ao eruv, que o traga por meio da janela e da corda, pelo interior do migdal! A guemará responde: Trata-se de um caso em que não tem janela e corda.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Veí ika kavta umitna”
ואי איכא כוותא ומיתנא כו' - כוותא חלון מיתנא חבל אם ארובה בראש המגדל ויש חבל בידו וקשור בעירוב ואפילו כשהוא בכרמלית למטה מי' יביאנו אצלו דרך תוכו של מגדל דהא מכרמלית לרשות היחיד הוא: ל"א שמעתי ועיקר נתכוון לשבות בראש המגדל או בראש השובך אהניח עירובו בכותל קאי וקתני דהשתא הוי איפכא דאי למעלה מי' הניחו בכותל עירובו עירוב שהמגדל אצל הכותל ויכול להביאו אצלו ואין הפסק ביניהן למטה מי' כגון בטפח תשיעי ורבים מכתפין עליו והוי רה"ר אין עירובו עירוב דלא מצי מייתי ליה מרה"ר לרה"י ואמאי לימא הואיל ויכול לנטות המגדל של מקום שביתה ולהביאו לתוך רה"ר דניהוי ראש המגדל כרמלית דרחב ד' ואינו גבוה י' נפק ליה מחוץ לד' אמות מרחיק ראש המגדל מן העירוב ארבע אמות ולא מצי למשקליה ולאיתויי לראש המגדל ונמצא מעבירו ד' אמות ברה"ר אי נמי נמצאת שביתתו מתרחקת ארבע אמותיו הראשונות ואין זה מקומו. מתנא חבל כוותא חלון אם יש חלון במגדל כנגד מקום שהעירוב שם ויש חבל קטן בידו וקשור חבל בעירוב מבעוד יום אפילו כשהוא ברה"ר למטה מי' וראש השני יהא במגדל יביאנו אצלו דכיון דאיגודו בידו אינו אלא משום שבות כי מייתי ליה מרה"ר לרה"י כדתנן בריש המוצא תפילין היה קורא בראש הגג ונתגלגל הספר מידו אפילו בארץ עצמו גוללו אצלו שאין לך דבר שהוא משום שבות עומד בפני כתבי הקודש אלמא היכא דאיגודו בידו שבות בעלמא הוא ואתי אליבא דרבי דאמר לא גזרו על השבות בין השמשות:

“E, se há kavta e mitna” etc. — kavta é janela; mitna é corda. Isto é, se há uma abertura no topo do migdal, e há uma corda na sua mão, e ela está amarrada ao eruv, mesmo quando o eruv está na karmelit, abaixo de dez, que o traga até si pelo interior do migdal, pois é de karmelit para reshut hayachid, o que é só proibição rabínica. Outra explicação ouvi, e é a principal: “Pretendeu estabelecer a sua morada no topo do migdal ou no topo do pombal” se refere a “pôs o seu eruv no muro”, e a baraita ensina que agora é o inverso: que, se o pôs no muro acima de dez, o seu eruv é eruv válido, pois o migdal em que mora está junto ao muro, e pode trazê-lo até si, e não há interrupção entre eles, o migdal e o eruv; se o pôs abaixo de dez, por exemplo, no nono tefach, e os muitos apoiam os seus fardos sobre ele, e é reshut harabim, o seu eruv não é eruv válido, pois não pode trazê-lo do reshut harabim para o reshut hayachid. E por que o eruv não é válido? Digamos: já que pode inclinar o migdal do lugar da morada e trazê-lo para dentro do reshut harabim, de modo que o topo do migdal seja karmelit, pois é largo quatro e não é alto dez, e então poderia pegar o eruv! A resposta é: sai para fora das quatro amot: o topo do migdal se afasta do eruv quatro amot, e não pode pegá-lo e trazê-lo ao topo do migdal, e verifica-se que o transporta quatro amot no reshut harabim; ou, alternativamente, verifica-se que a sua morada se afasta das suas primeiras quatro amot, e esse não é o seu lugar de morada. Mitna é corda, kavta é janela: se há uma janela no migdal, defronte ao lugar onde está o eruv, e há uma corda pequena na sua mão, e ele amarrou a corda ao eruv ainda de dia, mesmo quando o eruv está no reshut harabim, abaixo de dez, e a outra ponta está no migdal, que o traga até si com a corda; pois, já que a sua amarra está na sua mão, não há senão proibição de shevut quando o traz do reshut harabim para o reshut hayachid, como aprendemos no início de Hamotze Tefilin: Se alguém estava lendo no topo do telhado e o livro rolou da sua mão, mesmo que tenha chegado ao próprio chão, enrola-o até si, pois não há nada que seja por causa de shevut que se mantenha diante dos escritos sagrados. Conclui-se que, onde a sua amarra está na sua mão, é mero shevut, e não proibição da Torá; e isso está de acordo com Rabi, que disse: Não decretaram sobre o shevut no crepúsculo.

Nota

O Rashi traz duas explicações. Na primeira, a janela fica no topo do migdal e a corda traz o eruv da karmelit, abaixo de dez, pelo interior do migdal. Na segunda, que ele ouviu e considera a principal, a parte do pombal e do migdal se refere ao eruv posto no muro, e a lei é a inversa: quem mora no topo do migdal junto ao muro tem o eruv válido acima de dez, e não abaixo de dez, onde o muro é reshut harabim; a corda amarrada ao eruv por uma janela defronte a ele faz que trazê-lo seja só shevut. Para isso o Rashi cita “o início de Hamotze Tefilin”: trata-se da Mishná Eruvin 10:3 (Eruvin 97b), a terceira do décimo perek; o Rashi junta a frase do primeiro Tana (“estava lendo no topo do telhado e o livro rolou da sua mão”) às palavras de Rabi Shimon (“mesmo no próprio chão, enrola-o até si”), e a mishná diz “שאין לך דבר משום שבות”, sem a palavra “שהוא”, que aparece na guemará em Eruvin 98a.

O eruv posto na cova · נְתָנוֹ בְּבוֹר

1193Onde está a cova?
A guemará
נְתָנוֹ בְּבוֹר אֲפִילּוּ עָמוֹק מֵאָה אַמָּה וְכוּ׳. הַאי בּוֹר דְּקָאֵי הֵיכָא? אִילֵּימָא דְּקָאֵי בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד —

Aprendemos na mishná: Se o pôs numa cova, mesmo que seja funda cem amot etc., o seu eruv é eruv válido. A guemará pergunta: Esta cova, onde está situada? Se dizes que está situada no reshut hayachid…

Nota

A frase da mishná citada está na Mishná Eruvin 3:3: “נתנו בבור, אפילו עמוק מאה אמה, עירובו עירוב”, “se o pôs numa cova, mesmo funda cem amot, o seu eruv é eruv”. O daf termina no meio da pergunta da guemará, que continua em Eruvin 34b.