A guemará conclui a pergunta sobre a cova: se está no reshut hayachid, é óbvio que o eruv é válido; se está no reshut harabim, ou ele está num lugar e o eruv noutro, ou é óbvio de novo. Responde que se trata de uma cova na karmelit, segundo Rabi, para quem não se decretou sobre o shevut no crepúsculo. Vem então a mishná do eruv posto no alto de uma cana ou de uma estaca desprendida e fincada, válido mesmo a cem amot de altura. Rav Adda bar Matna aponta a Rava a contradição: a primeira parte seria de Rabi, e esta, dos Rabanan; Rava responde com Rav Chisda que assim é, e Ravina diz que tudo é de Rabi, e aqui há um decreto para que não se quebre a cana. Rav Nachman manda os alunos fazerem assentos de canas no pântano de Neharde’a, e responde à objeção distinguindo canas duras de canas moles, como mostram duas baraitot de kilayim; Rav Pappa distingue a kidá da kidá branca. Por fim, a mishná do eruv trancado num migdal cuja chave se perdeu: Rav e Shmuel explicam que se trata de um migdal de tijolos, segundo Rabi Meir, que permite abrir uma brecha; a guemará restringe isso às camadas de tijolos e ao Yom Tov, e objeta a partir das palavras de Rabi Eliezer sobre a chave perdida na cidade ou no campo. O texto continua em Eruvin 35a.
…é óbvio que o eruv é válido! O reshut hayachid sobe até o firmamento, e, assim como sobe para cima, assim também desce para baixo, até o fundo da cova, mesmo que ela tenha mais de dez tefachim de profundidade. Antes, diremos que a cova está situada no reshut harabim.
Assim lemos: “É óbvio! O reshut hayachid sobe até o firmamento, e, assim como sobe para cima, assim também desce para baixo”; e que acrescenta o “mesmo” da mishná? Uma cova funda dez tefachim já é reshut hayachid, e não importa que seja mais funda.
O texto continua a pergunta do fim de Eruvin 34a (bloco 1193): “Se dizes que está situada no reshut hayachid…”. O Rashi registra que assim se deve ler (“הכי גרסינן”), e a leitura que ele dá coincide com o texto do Sefaria. O “mesmo” remete à frase da Mishná Eruvin 3:3, citada em Eruvin 34a: “Se o pôs numa cova, mesmo funda cem amot, o seu eruv é eruv”.
A guemará pergunta: Onde ele pretendeu estabelecer a sua morada de Shabat? Se acima, junto à boca da cova, no reshut harabim, ele está num lugar e o seu eruv está noutro lugar, pois o eruv está na cova, que é reshut hayachid, e então o eruv não é válido. Se abaixo, dentro da cova, é óbvio que o eruv é válido, pois ele e o seu eruv estão num só lugar!
A guemará responde: Não é necessário ensiná-lo senão para o caso em que a cova está situada numa karmelit (domínio intermediário), e ele pretendeu estabelecer a sua morada acima, na karmelit, junto à boca da cova; e a mishná é de Rabi, que disse: Toda coisa que é proibida por causa de shevut (proibição rabínica do Shabat), não decretaram sobre ela no crepúsculo; e tirar o eruv da cova, que é reshut hayachid, para a karmelit é só shevut, e por isso no crepúsculo, hora em que o eruv adquire a morada, ele pode pegá-lo.
“Numa cova que está situada numa karmelit” — por exemplo, num vale, isto é, numa área de campos, de modo que a cova é reshut hayachid e a sua borda é karmelit.
O lema do Rashi diz “בבור דקאי בכרמלית” (“numa cova que está situada numa karmelit”), onde o texto diz apenas “דְּקָאֵי בְּכַרְמְלִית”; o sentido é o mesmo. O princípio de Rabi, de que não se decretou sobre o shevut no crepúsculo, foi dito nestas mesmas palavras em Eruvin 32b, a respeito do eruv posto na árvore.
MISHNÁ. Se o pôs, o seu eruv, no alto de um kané (cana) ou no alto de um kundas (estaca), quando ele, o kané ou o kundas, está desprendido do chão onde cresceu e fincado na terra, mesmo que seja alto cem amot, eis que é eruv válido, pois pode arrancar a cana ou a estaca do chão e pegar o seu eruv.
Mishná: “Kundas” — em francês antigo, “pel” (estaca); e o kané e o kundas não estão presos ao chão. E na guemará objeta: Mas não disseste que a primeira parte é de Rabi, que disse que não decretaram sobre o que está preso ao chão no crepúsculo?
“Mesmo alto cem amot” — já que o kané não é largo quatro tefachim embaixo, não é reshut hayachid, e por isso o eruv é válido em qualquer altura; e isso embora em cima seja largo quatro, pois precisamos que o eruv esteja sobre um lugar de quatro.
Encerrada a guemará sobre a cova, inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Guimel (BaKol Mearvin), que corresponde à segunda parte de Mishná Eruvin 3:3 na numeração das edições avulsas da Mishná, das palavras “Se o pôs no alto de um kané” até “eis que é eruv”; a primeira parte da mesma mishná avulsa, sobre a árvore e a cova, veio em Eruvin 32b, e a última, sobre o migdal cuja chave se perdeu, vem neste mesmo daf (bloco 1206). Ela ensina que o eruv posto no alto de uma cana ou de uma estaca, desprendida e fincada na terra, é válido em qualquer altura. Na edição avulsa lê-se “בְרֹאשׁ”, “הַקֻּנְדָּס”, “תָלוּשׁ”, “אֲפִלּוּ גָבוֹהַּ” e “עֵרוּב”, onde o Talmud diz “בְּרֹאשׁ”, “הַקּוּנְדָּס”, “תָּלוּשׁ”, “אֲפִילּוּ גָּבוֹהַּ” e “עֵירוּב”; são diferenças de grafia, e o sentido é o mesmo. O Rashi traduz kundas pela palavra do francês antigo “פל"ו”, aqui transliterada “pel”. A “primeira parte” de que fala o Rashi é a parte da mesma mishná avulsa sobre o eruv posto na árvore, explicada em Eruvin 32b segundo Rabi.
GUEMARÁ. Rav Adda bar Matna apontou a Rava uma contradição: A mishná diz: Se o kané está desprendido e fincado, sim, o eruv é válido; se não está desprendido e fincado, mas preso ao chão onde cresceu, não. De quem é esta mishná? É dos Rabanan, que dizem: Toda coisa que é proibida por causa de shevut, como servir-se de uma árvore no Shabat, decretaram sobre ela também no crepúsculo; e por isso, se a cana está presa ao chão, ele não pode pegar o eruv na hora em que este adquire a morada, e o eruv não é válido. Mas não disseste que a primeira parte, sobre o eruv posto na árvore, é de Rabi? A primeira parte é de Rabi, e a última parte é dos Rabanan?!
Guemará: “Desprendido e fincado” — é que é eruv válido; mas o que está preso ao chão não é eruv válido, porque, quando quer pegá-lo, o eruv, serve-se da árvore.
Segundo o Rashi (bloco 1197), a “primeira parte” é a da mesma mishná avulsa sobre o eruv posto na árvore abaixo de dez tefachim, que em Eruvin 32b se explicou segundo Rabi; a tradução de referência a apresenta como a mishná anterior. A divergência entre Rabi e os Rabanan sobre o shevut no crepúsculo é trazida em Eruvin 33a, na baraita do eruv posto num cesto pendurado na árvore.
Rava disse-lhe: Rami bar Chama já apontou essa contradição a Rav Chisda, e Rav Chisda respondeu-lhe: De fato, a primeira parte é de Rabi, e a última parte é dos Rabanan.
Ravina disse: Pode-se dizer que toda ela, a mishná, é de Rabi; e a última parte, que exige que a cana esteja desprendida e fincada, não se deve à proibição de servir-se de uma árvore, mas é um decreto especial, para que não venha a quebrá-la, pois a cana é mole.
“Um decreto, para que não venha a quebrá-la” — porque a cana é mole, há motivo para decretar, para que não a quebre quando o pega, o eruv; mas a árvore é dura, e no crepúsculo não tememos que alguém suba e arranque algo dela. Mas a quebra da cana é certa, pois, por ser mole, quebra-se; e isso não é shevut, mas um trabalho proibido, pelo qual se é culpado como quem ceifa.
Steinsaltz acrescenta que a parte anterior trata de quem pôs o eruv numa árvore, onde esse receio não se aplica; o Rashi dá a razão: a árvore é dura e não se quebra, e no crepúsculo não se teme que alguém suba e arranque algo dela, ao passo que quebrar a cana seria um trabalho proibido, o de ceifar, e não apenas shevut.
Conta-se que uma certa pulmosa (tropa do rei) veio a Neharde’a, e o lugar ficou apertado para os alunos por causa dos soldados. Rav Nachman disse-lhes, aos alunos: Saí e fazei assentos, apertando as canas umas sobre as outras no pântano, e amanhã, no Shabat, iremos e nos sentaremos sobre elas para estudar.
“Pulmosa” — a tropa do rei; e o lugar estava apertado para os alunos por causa dos homens da tropa.
“Fazei assentos, apertando canas no pântano” — saí e dobrai as canas, muitas, umas sobre as outras, como uma espécie de cadeiras, para sentar sobre elas.
A tradução de referência acrescenta que a tropa se alojou na casa de estudo; o Rashi diz apenas que o lugar ficou apertado para os alunos por causa dos homens da tropa, e o texto segue o Rashi.
Rami bar Chama objetou a Rav Nachman, e há quem diga que foi Rav Ukva bar Abba quem objetou a Rav Nachman, a partir da mishná: Se a cana está desprendida e fincada, sim, o eruv é válido; se não está desprendida nem fincada, não. Logo, as canas presas ao chão são como uma árvore, e é proibido servir-se delas no Shabat.
“Não desprendida e fincada, não” — conclui-se que as canas são como árvore, e é proibido servir-se delas.
O lema do Rashi diz “לא תלוש ונעוץ לא”, como a formulação de Rav Adda bar Matna no bloco 1198, onde o texto aqui diz “לֹא תָּלוּשׁ וְלֹא נָעוּץ לָא” (“não desprendida nem fincada, não”); o sentido é o mesmo.
Rav Nachman disse-lhe: Ali, na mishná, trata-se de uzradin (canas já endurecidas), que são como árvore; mas as canas moles são como verdura, e é permitido servir-se delas. E de onde dizes que distinguimos entre uzradin e as que não são uzradin? Pois se ensinou numa baraita: As canas, os atadin (espinheiros) e os higin (cardos) são espécie de árvore, e não são kilayim (mistura proibida de espécies) na vinha, pois essa proibição só vale para as verduras semeadas entre as videiras. E ensinou-se em outra baraita: As canas, o kidan (cássia) e os urbanin (juncos) são espécie de verdura, e são kilayim na vinha. As duas baraitot contradizem-se uma à outra, pois uma diz que as canas são árvore, e a outra, que são verdura!
“Uzradin” — canas que já endureceram; eis que são como árvore. E, quando permitimos servir-se delas, é com as que não são uzradin, enquanto as canas ainda são moles, pois são como verdura; e, quanto à verdura, os Sábios não mencionaram shevut. E uzradin, atadin e higin são espécies de espinhos.
“Kidan” — uma especiaria cujo nome é kidá.
“Urbanin” — em francês antigo, “orsheris”.
“É difícil” — a baraita das canas contradiz a das canas.
A primeira baraita tem um paralelo na Tosefta Kilayim 3:13 (numeração do Sefaria), com outra lista de plantas: “הקנים והחבין והוורד והאטדין מין אילן ואינן כלאים בכרם” (“as canas, os chavin, a rosa e os atadin são espécie de árvore, e não são kilayim na vinha”); a segunda baraita não foi localizada com esta formulação. As glosas dos nomes das plantas seguem o Rashi (atadin e higin são “espécies de espinhos”; kidan é “uma especiaria cujo nome é kidá”) e a tradução de referência (cássia, juncos). O Rashi dá urbanin pela palavra do francês antigo “אורשרי"ש”, aqui apenas transliterada.
Antes, conclui daí: aqui, na primeira baraita, trata-se de uzradin, que são como árvore; ali, na segunda, trata-se das que não são uzradin. A guemará conclui: Conclui daí, de fato.
A guemará pergunta: E a kidá é espécie de verdura?! Mas não aprendemos numa mishná: Não se enxerta pegam (arruda) sobre kidá levaná (cássia branca), porque é enxertar verdura em árvore? Logo, a kidá branca é árvore! Rav Pappa disse: Não é difícil: a kidá é uma coisa à parte, e é espécie de verdura, e a kidá branca é outra coisa à parte, e é espécie de árvore.
“Pegam” — em francês antigo, “ruda” (arruda).
A mishná citada é a Mishná Kilayim 1:8: “אֵין מַרְכִּיבִין פֵּיגָם עַל גַּבֵּי קִדָּה לְבָנָה, מִפְּנֵי שֶׁהוּא יָרָק בְּאִילָן”; na edição avulsa lê-se “פֵּיגָם” e “קִדָּה”, onde o Talmud diz “פֵּגָם” e “קִידָּה”, diferenças de grafia. A baraita do bloco 1203 dizia “הַקִּידָן”, e aqui a guemará fala de “קִידָּה”, conforme o Rashi: “uma especiaria cujo nome é kidá”.
MISHNÁ. Se o pôs, o seu eruv, num migdal (armário), e o trancou, e a chave se perdeu, de modo que não pode abrir o migdal e chegar ao eruv, eis que é eruv válido. Rabi Eliezer diz: Se não sabe que a chave está no seu lugar, não é eruv válido.
Mishná: “E a chave se perdeu, o seu eruv é eruv” — e na guemará se explica isto; e trata-se de um caso em que o migdal está no reshut hayachid, pois, se tivesse a chave, não haveria nele nenhuma proibição, pois ele e o seu eruv estariam no reshut hayachid.
Encerrada a guemará sobre a cana e a estaca, inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Guimel (BaKol Mearvin), que corresponde à última parte de Mishná Eruvin 3:3 na numeração das edições avulsas da Mishná, das palavras “Se o pôs num migdal” até “não é eruv”; com ela termina a mishná avulsa 3:3, cujas partes anteriores vieram em Eruvin 32b e no bloco 1197 deste daf. Ela trata do eruv trancado num armário cuja chave se perdeu: para o primeiro Tana o eruv é válido, e para Rabi Eliezer só o é se ele sabe que a chave está no seu lugar. Na edição avulsa lê-se “בְמִגְדָּל” e “עֵרוּב”, onde o Talmud diz “בְּמִגְדָּל” e “עֵירוּב”; são diferenças de grafia. O lema do Rashi diz “עירובו עירוב”, onde a mishná diz “הֲרֵי זֶה עֵירוּב”; o sentido é o mesmo. Seguindo Eruvin 34a, migdal é traduzido por armário.
GUEMARÁ. A guemará pergunta: E por que o eruv é válido, se a chave se perdeu? Ele está num lugar e o seu eruv noutro lugar, pois não pode chegar ao eruv!
Guemará: “E por quê” — ainda que ambos, ele e o eruv, estejam no reshut hayachid, já que não pode pegá-lo, é como se estivessem em dois lugares.
Rav e Shmuel, ambos, dizem: Aqui tratamos de um migdal de tijolos, que se pode desfazer, e a mishná é de Rabi Meir, que disse: Pode-se abrir uma brecha de antemão e pegar o que está dentro. Pois aprendemos numa mishná: Uma casa que alguém encheu de frutos, fechada, e que se rompeu, pode-se pegar os frutos pelo lugar da brecha. Rabi Meir diz: Pode-se até abrir uma brecha e pegar os frutos de antemão. Logo, segundo Rabi Meir, pode-se abrir uma brecha no migdal para pegar o eruv.
“De tijolos” — que é fácil desfazê-lo, e isto conforme a guemará vai estabelecer adiante: num migdal feito de camadas de tijolos, dispostos uns sobre os outros, sem argamassa entre eles, pois desfazê-lo não é demolição.
“De Rabi Meir” — a sua opinião está no tratado Beitzá (31b).
“E se rompeu” — por si mesma, mesmo no próprio Yom Tov.
“Pega pelo lugar da brecha” — e os frutos não são proibidos por causa de muktze (o que foi posto de lado e não se destina ao uso no dia); e a mishná anônima segue Rabi Shimon.
“Pode-se até abrir uma brecha de antemão” — pois a guemará a estabelece no caso de camadas de tijolos, o que não é demolição de um ohel (construção).
A mishná citada está em Beitzá 31b, como indica o Rashi (Mishná Beitzá 4:3 nas edições avulsas): “בַּיִת שֶׁהוּא מָלֵא פֵרוֹת, סָתוּם וְנִפְחַת, נוֹטֵל מִמְּקוֹם הַפְּחָת. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, אַף פּוֹחֵת לְכַתְּחִלָּה וְנוֹטֵל”. Aqui a guemará diz “שֶׁמִּילְּאָהוּ” (“que alguém encheu”) e “פּוֹחֵת וְנוֹטֵל לְכַתְּחִילָּה”, sem “אַף” (“até”), e no texto da mishná em Beitzá 31b falta a palavra “סָתוּם” (“fechada”); o lema do Rashi “אף פוחת לכתחילה” segue a formulação de Beitzá. A referência “(לא:)” entre parênteses no Rashi é marca do editor, mantida no hebraico e traduzida como “(31b)”. A explicação das camadas de tijolos é a de Shmuel, citada no bloco seguinte.
A guemará pergunta: Mas não disse Rav Nachman bar Adda que Shmuel disse: Aquela mishná trata de camadas de tijolos, empilhados uns sobre os outros sem argamassa, e por isso abrir uma brecha não é demolir uma construção? A guemará responde: Aqui também, trata-se de um migdal feito de camadas de tijolos.
Em Beitzá 31b a mesma palavra é citada em nome de “רַב נְחוּמִי בַּר אַדָּא”, que disse em nome de Shmuel “בְּאַוֵּירָא דְלִיבְנֵי”; aqui o nome aparece como “רַב נַחְמָן בַּר אַדָּא”. A explicação das camadas de tijolos sem argamassa segue o Rashi (bloco 1208) e a tradução de referência.
A guemará pergunta: Mas não disse Rabi Zeira: Os Sábios disseram isso no Yom Tov, mas não no Shabat? Logo, não se pode aprender daquela mishná que é permitido abrir uma brecha no migdal no Shabat! A guemará responde: Aqui também, trata-se de Yom Tov, quando ele precisou de um eruv para o Yom Tov, e não para o Shabat.
A palavra de Rabi Zeira está em Beitzá 31b: “בְּיוֹם טוֹב אָמְרוּ, אֲבָל לֹא בְּשַׁבָּת”, e ali também uma baraita a ensina, nas palavras de Rabi Meir.
A guemará objeta: Se é assim, que dizer daquilo que se ensinou sobre ela, na baraita: Rabi Eliezer diz: Se se perdeu, a chave, na cidade, o seu eruv é eruv válido, pois, se a encontrar, pode trazê-la pelos pátios, telhados e cercados; e, se se perdeu no campo, o seu eruv não é eruv válido. E, se a mishná trata de Yom Tov, que me importa se se perdeu na cidade, que me importa se se perdeu no campo? No Yom Tov não é proibido carregar do reshut hayachid para o reshut harabim, e, mesmo que a chave se tenha perdido no campo, o eruv deveria ser válido.
“Se se perdeu na cidade” — a chave.
“O seu eruv é eruv” — pois, se a encontrar, pode trazê-la por pátios, telhados e karpefot (cercados), que são todos um só domínio, segundo Rabi Shimon.
“E, se no campo, o seu eruv não é eruv” — pois, mesmo que a encontre, não pode trazê-la. E há três opiniões sobre o assunto: segundo o tanna kamma (o primeiro tanaíta, anônimo), quer na cidade, quer no campo, o seu eruv é eruv, pois pode desfazê-lo, o migdal; segundo Rabi Eliezer da mishná, quer na cidade, quer no campo, o seu eruv não é eruv, pois desfazê-lo ele não pode, já que não sustenta a opinião de Rabi Meir; e trazê-la, a chave, também não pode, se a encontrasse, pois não sustenta a opinião de Rabi Shimon, de que telhados e karpefot são um só domínio; e Rabi Eliezer da baraita pensa como Rabi Shimon. Ou, alternativamente, Rabi Eliezer da mishná não trata senão do campo, e ele é o mesmo Rabi Eliezer da baraita.
A frase citada está na Tosefta Eruvin 2:11 (numeração do Sefaria), que traz a mishná do eruv posto no migdal cuja chave se perdeu e, em seguida, as palavras de Rabi Eliezer sobre a chave perdida na cidade ou no campo; o Rashi a chama de baraita. A tradução de referência explica que na cidade se pode levar a chave por pátios que fizeram eruv entre si ou coisa semelhante, e que o campo é karmelit; o texto segue o Rashi, segundo o qual a chave é trazida por pátios, telhados e cercados, que são um só domínio segundo Rabi Shimon (Mishná Eruvin 9:1: “רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אֶחָד גַּגּוֹת וְאֶחָד חֲצֵרוֹת וְאֶחָד קַרְפֵּיפוֹת, רְשׁוּת אֶחָד”). A opinião de Rabi Meir é a da mishná citada no bloco 1208. A pergunta fica em aberto neste daf; a guemará continua em Eruvin 35a.