O daf abre completando a citação com que terminou Eruvin 59b: Rav Nachman, em nome de Shmuel, ensinou que, se os moradores do pátio e os da sacada não fizeram eruv juntos, a sacada só deixa de proibir o pátio quando há diante dela uma daká, uma entrada baixa, de quatro palmos. A guemará responde que se trata de uma sacada que não é alta dez palmos e que está cercada, salvo uma abertura de até dez amot. Rav Yehuda, em nome de Shmuel, ensina que o muro revestido de escadas continua a ter lei de divisória, e Rav Bruna lhe objeta, na prensa da casa de Rav Chanina, com a mesma regra da sacada. Segue-se o episódio dos moradores de Kakunai, que pediram a Rav Yossef alguém que fizesse o eruv da sua cidade: Abaye propõe deixar fora as casas abertas para o rio e volta atrás quatro vezes, passando pelas janelas, pelo eruv que Rabba bar Avuh fazia em Machoza, bairro por bairro, e pelo palheiro de Mar bar Pofidata em Pumbedita. A guemará traz a baraita de Rabi Yehuda sobre a cidade de Chadashá, a disputa de Rav Huna e Rav Yehuda sobre a cidade pequena e a regra de Rabi Yitzchak, que basta uma casa num pátio. Começa então a Mishná Eruvin 5:7, sobre quem estava fora da sua casa e pediu ao filho que fizesse eruv do lado oposto, e sobre o eruv posto no ibur da cidade. O daf termina no meio da mishná.
…e não fizeram eruv: se há diante deles uma daká (entrada baixa) de quatro palmos, não proíbe; e se não, proíbe.
“E não fizeram eruv” — isto é, os moradores da mirpeset (sacada) com os moradores do pátio; mas estes fizeram eruv só entre si, e aqueles só entre si.
“Se há diante deles” — diante da mirpeset, ao pé da rampa da escada, no começo da sua subida.
“Daká” — uma entrada pequena, de quatro palmos de altura; os moradores da mirpeset não proíbem os moradores do pátio, pois eis que se afastaram deles.
“E se não, proíbe” — vê-se que a escada tem sobre si a lei de entrada, e mesmo para o rigor.
O bloco completa a frase de Rav Nachman em nome de Shmuel que começou no fim de Eruvin 59b (bloco 2093), sobre a mishná dos moradores do pátio e da mirpeset (sacada) que se esqueceram e não fizeram eruv (Mishná Eruvin 8:3, citada em Eruvin 83b; conferido). Segundo o Rashi, os moradores da sacada fizeram eruv só entre si e os do pátio só entre si; a daká é uma entrada pequena, de quatro palmos de altura, posta ao pé da rampa ou escada por onde se sobe à sacada, e com ela os de cima se afastam do pátio e não o proíbem. Se não há daká, a sacada proíbe o pátio: daí o Rashi conclui que a escada tem lei de entrada mesmo para o rigor, contra o que Rav Nachman disse em Eruvin 59b (bloco 2092), que ela tem lei de divisória na muralha da cidade. Seguimos o Rashi, que fala de altura; a tradução de referência entende a daká como uma divisória de quatro palmos de largura diante da entrada da sacada. Mantemos “daká” e “entrada baixa”, como em Eruvin 59b (bloco 2087). “Diante deles” traduz “לִפְנֵיהֶם”; no bloco 2098 a mesma regra diz “לְפָנֶיהָ”, “diante dela”.
A guemará responde: Aqui, de que tratamos? De um caso em que a mirpeset não é alta dez palmos.
“Quando não é alta dez” — caso em que não se pode dizer que a escada tem sobre si a lei de divisória.
A guemará responde que a regra de Shmuel trata de uma sacada que não tem dez palmos de altura. Segundo o Rashi, nesse caso não se pode dizer que a escada tenha lei de divisória, porque a própria sacada, baixa, não está separada do pátio; a escada da muralha, de que Rav Nachman falou, continua a ter lei de divisória. Na Mishná Eruvin 8:3 (conferido), o que tem dez palmos de altura pertence à sacada, e o que tem menos pertence ao pátio. A tradução de referência entende do mesmo modo.
A guemará pergunta: E se a mirpeset não é alta dez, quando se faz uma daká, que importa? A guemará responde: Trata-se de uma mirpeset megufefet (cercada) até dez amot: pois, já que se faz uma daká, de fato se afastou daqui.
“Quando se faz uma daká diante dela, que importa?” — eis que toda a mirpeset, ao seu redor, é baixa e aberta para o pátio, e eis que a mirpeset e o pátio são como dois pátios que não têm muro entre eles.
“Megufefet” — cercada por uma divisória ao redor, só que restou na frente uma abertura de dez amot, conforme a lei de entrada, sem cerca; pois, se fizeram ali uma daká, afastaram-se do pátio; e, se não, forçosamente também para o rigor é entrada, já que a mirpeset não é alta dez.
Segundo o Rashi, a pergunta é que uma sacada baixa é toda aberta para o pátio, como dois pátios sem muro entre eles, e uma daká não bastaria para separá-la. A resposta é que a sacada está cercada por divisórias, salvo uma abertura de até dez amot na frente, que tem lei de entrada; se os de cima fazem ali uma daká, afastam-se do pátio, e, se não a fazem, a abertura é entrada também para o rigor, porque a sacada não é alta dez. “De fato se afastou” traduz a forma enfática “אִיסְתַּלּוֹקֵי אִיסְתַּלּוּק לֵיהּ”. O lema do primeiro comentário do Rashi acrescenta “לפניה”, “diante dela”, que não está na frase da guemará. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Disse Rav Yehuda, disse Shmuel: Um muro que alguém revestiu de escadas, mesmo em mais de dez amot, tem ainda sobre si a lei de divisória.
“Que revestiu” — isto é, ergueu escada junto a escada.
“Tem sobre si a lei de divisória” — e não se anula a divisória para que seja como se o muro estivesse rompido em mais de dez amot, caso do qual diz adiante: “Fazem um eruv e não fazem dois”; mas, se quiserem, fazem um, e isto para a leniência, e é como entrada; se quiserem, fazem eruv ambos cada um para si; pois para o rigor não dizemos que a escada anule a divisória, pois tudo nos eruvin é para a leniência.
Rav Yehuda ensina, em nome de Shmuel, que um muro, presumivelmente entre dois pátios, coberto de escadas postas umas junto às outras numa extensão de mais de dez amot, não perde a lei de divisória. O Rashi remete à Mishná Eruvin 7:2 (conferido): se o muro entre dois pátios se rompeu até dez amot, fazem dois eruvin e, se quiserem, um só, porque é como uma entrada; mais que isso, fazem um e não fazem dois. Segundo o Rashi, as escadas não anulam o muro para o rigor, como se fosse uma brecha de mais de dez amot que obrigasse a um só eruv; servem só para a leniência: se quiserem, fazem um eruv, como por uma entrada, e, se quiserem, cada pátio faz o seu. “Revestiu” traduz “רְצָפָהּ”, literalmente “pavimentou”; o Rashi explica que ergueu escada junto a escada. A medida “dez” não diz a unidade; acrescentamos “amot”, como no Rashi e na Mishná Eruvin 7:2. O lema do Rashi diz “שרצפו”, onde a guemará diz “שֶׁרְצָפָהּ”. No segundo comentário, o Rashi escreve “רצו שניהם מערבין”, “se quiserem, ambos fazem eruv”; entendemos, pela Mishná, cada pátio para si.
Rav Bruna objetou a Rav Yehuda, na prensa da casa de Rav Chanina: Acaso disse Shmuel que o muro tem sobre si a lei de divisória? Mas não disse Rav Nachman, disse Shmuel: Os moradores da mirpeset e os moradores do pátio que se esqueceram e não fizeram eruv, se há diante dela uma daká de quatro palmos, a mirpeset não proíbe o pátio; e se não, a mirpeset proíbe!
“E acaso disse Shmuel” — que a escada não anula a divisória do muro para o rigor?
“E se não, proíbe” — vê-se que, embora a mirpeset seja alta dez, vem a escada e anula a sua divisória.
Rav Bruna levanta contra a regra de Rav Yehuda a regra que Rav Nachman citou em nome de Shmuel, nos blocos 2093–2094. Segundo o Rashi, a objeção supõe que a sacada tenha dez palmos de altura, e mesmo assim a escada anula a sua divisória e a faz proibir o pátio, isto é, anula a divisória para o rigor. Grafamos “Rav Bruna”, como nas páginas de Shabat deste site, para “רַב בְּרוֹנָא”; a tradução de referência escreve “Rav Beruna”. “Prensa” traduz “מַעְצַרְתָּא”, que a tradução de referência entende como lagar de vinho. Aqui a ordem é “os moradores da sacada e os moradores do pátio”, inversa à do bloco 2093, e a frase diz “diante dela”. O lema do segundo comentário do Rashi diz “ואי לאו”, onde a guemará diz “וְאִם לָאו”.
A guemará responde: Aqui, de que tratamos? De quando a mirpeset não é alta dez palmos. A guemará pergunta: E se a mirpeset não é alta dez, quando se faz uma daká, que importa? A guemará responde: Trata-se de uma mirpeset cercada até dez amot: pois, já que se faz uma daká, de fato se afastou daqui.
“Quando não é alta” etc. — pois também sem escada a divisória está anulada.
A resposta repete, quase com as mesmas palavras, a dos blocos 2095–2096; o texto não diz quem responde, e a tradução de referência a atribui a Rav Yehuda. Segundo o Rashi, a sacada que não é alta dez já não tem divisória, mesmo sem escada, e por isso a regra de Shmuel não prova que a escada anule uma divisória. Aqui o verbo é “אִיסְתַּלַּק מֵהָכָא”, sem o “לֵיהּ” do bloco 2096, e a pergunta diz “כִּי עָבֵיד” sem “קָא”.
Certos moradores de Kakunai vieram diante de Rav Yossef e disseram-lhe: Dá-nos um homem que faça eruv para a nossa cidade. Disse Rav Yossef a Abaye: Vai, faze eruv para eles, e vê que não clamem contra ti por ela na casa de estudo. Foi Abaye e viu certas casas que se abriam para o rio. Disse: Que estas sejam o shiur (a parte deixada fora) da cidade.
“Que faça eruv para a nossa cidade” — e Kakunai é uma cidade de muitos que se tornou de um indivíduo, e por isso precisa de shiur.
“Que se abriam para o rio” — as suas entradas ficavam atrás da cidade, para o rio, e não tinham entrada aberta para a cidade.
Segundo o Rashi, Kakunai era uma cidade de muitos que se tornou de um indivíduo, e por isso, pela Mishná Eruvin 5:6 (Eruvin 59a, bloco 2074; conferido), precisava deixar uma parte fora do eruv. Rav Yossef manda Abaye e o adverte para que o eruv não seja contestado na casa de estudo. Abaye vê casas cujas entradas davam para o rio, atrás da cidade, sem entrada para ela, e propõe que sejam a parte deixada fora. “Para a nossa cidade” traduz “מָאתִין”; “que não clamem contra ti” traduz “דְּלָא מְצַוְוחַתְּ עֲלַהּ”, na segunda pessoa. Grafamos “Kakunai” para “קָקוּנָאֵי”; a tradução de referência escreve “Kakunya”.
Abaye voltou atrás e disse: “Não se faz eruv para toda ela”, aprendemos na Mishná; daí se conclui que, se os do shiur quisessem fazer eruv com a cidade, poderiam fazer eruv. Antes, farei para elas janelas, de modo que, se quiserem fazer eruv pelas janelas, possam fazer eruv.
“Pois, se quisessem fazer eruv” — aqueles que são deixados como shiur poderiam fazer eruv.
“Farei para elas janelas” — janelas que tenham quatro por quatro palmos, do lado da cidade, de modo que, se quisessem, poderiam fazer eruv; e as faremos shiur da cidade, para que não façam o eruv da cidade com elas.
Abaye volta atrás: a Mishná Eruvin 5:6 diz “não se faz eruv para toda ela”, e daí se conclui que a parte deixada fora é uma que poderia ter entrado no eruv; segundo o Rashi, os do shiur devem ser capazes de fazer eruv com a cidade. As casas abertas só para o rio não poderiam, e por isso Abaye propõe abrir-lhes janelas de quatro por quatro palmos para o lado da cidade e então deixá-las fora. No hebraico, “[מִכְּלָל]”, “daí se conclui”, está entre colchetes no Sefaria, como acréscimo que completa a frase; traduzimo-lo sem marcá-lo, e a frase faz sentido também sem ele. A janela de quatro por quatro é a medida da Mishná Eruvin 7:1 (Eruvin 76a; conferido).
Abaye voltou atrás e disse: Não é preciso abrir janelas, pois eis que Rabba bar Avuh fazia eruv para toda Machoza arsayata arsayata (bairro por bairro), por causa da peira (vala) dos bois, pois cada um dos bairros era shiur para o seu companheiro; e embora, se quisessem fazer eruv uns com os outros, não pudessem fazer eruv.
“Arsayata arsayata” — bairros, bairros, cada um à parte, e não faziam eruv para toda a cidade de uma vez.
“A vala dos bois” — uma cova grande onde guardam caroços de tâmaras para alimento de animais; e aquelas covas separavam os bairros por baixo, e em cada bairro havia muitos mevuot (becos), e faziam eruv juntos para todos os mevuot do bairro, e não lhes punham lechis, porque era uma cidade de muitos que se tornou de um indivíduo; e cada um dos bairros era shiur para o seu companheiro; pois, se não fosse shiur, como poderiam fazer eruv juntos para os muitos mevuot de cada bairro? Pois em toda cidade de muitos que se tornou de um indivíduo, cada um dos mevuot por si precisa de eruv e precisa de lechi e korá, como todas as cidades de muitos.
“E embora, se quisessem fazer eruv, não pudessem fazer eruv” — por causa da vala que separa os bairros, e não podem andar de bairro a bairro, e é como o fosso que está entre dois pátios, do qual dizemos adiante (Eruvin 78b): “Fazem dois eruvin e não fazem um”.
Abaye volta atrás outra vez: Rabba bar Avuh fazia eruv para Machoza bairro por bairro, e cada bairro servia de parte deixada fora para o outro, embora os bairros, separados pelas valas, não pudessem fazer eruv juntos. Segundo o Rashi, as valas eram covas grandes onde se guardavam caroços de tâmaras para os animais; em cada bairro havia muitos becos, e faziam um eruv para todos sem pôr lechi em cada um, o que só é possível porque cada bairro era o shiur do outro. A vala é como o fosso entre dois pátios, do qual a Mishná Eruvin 7:3 (Eruvin 78b; conferido) diz: “fazem dois e não fazem um”. A frase “em toda cidade de muitos que se tornou de um indivíduo, cada um por si precisa de eruv” está assim no Sefaria; entendemos que fala do caso sem shiur, e a deixamos literal. O mesmo eruv de Machoza aparece em Eruvin 26a (conferido), onde se lê “arsayata” e “a vala dos bois”, e mantemos a tradução de lá. Seguimos o Rashi; a tradução de referência fala de fossos de onde o gado comia. O Sefaria traz no meio do segundo comentário um desenho dos bairros, que reproduzimos junto ao hebraico. O lema do terceiro comentário diz “לעירובי” e “לא מצי”, onde a guemará diz “לְעָרוֹבֵי” e “לָא מָצוּ”.
Abaye voltou atrás e disse: Não é semelhante. Ali, em Machoza, se quisessem, poderiam fazer eruv pelos telhados; mas estes não fazem eruv; por isso, façamos-lhes janelas.
“Pelos telhados” — pois tinham construções de andares superiores que passavam dos telhados de um bairro aos telhados do outro bairro.
Abaye volta à proposta das janelas: em Machoza, segundo o Rashi, havia construções em andares superiores que passavam de telhado em telhado entre os bairros, e por eles poderiam fazer eruv juntos; as casas de Kakunai, abertas só para o rio, não podiam. “Construções de andares superiores” traduz “דיוטאות” no Rashi. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Abaye voltou atrás e disse: Também janelas não são precisas, pois aquele palheiro que pertencia a Mar bar Pofidata, de Pumbedita, fizeram-no shiur do eruv para a cidade de Pumbedita.
“Aquele palheiro” etc. — e dizemos adiante: A halachá é como Rabi Shimon, que não exige uma parte com cinquenta moradores para o shiur.
Abaye volta atrás pela última vez: em Pumbedita, um palheiro, onde ninguém morava, serviu de parte deixada fora do eruv. Segundo o Rashi, isso se apoia na regra que a guemará traz adiante (bloco 2109): a halachá é como Rabi Shimon, que não exige uma parte de cinquenta moradores. O Rashi não explica por que o palheiro serve sem ser lugar de morada; não o acrescentamos. “Palheiro” traduz “בֵּי תִיבְנָא”, “casa de palha”; o lema do Rashi diz “בי תבנא”. “Fizeram-no” traduz “וְשַׁוְּיַהּ”, sem sujeito expresso.
Disse Abaye: É isto o que me disse o mestre, Rav Yossef: “Vê que não clamem contra ti por ela na casa de estudo.”
Abaye entende agora a advertência de Rav Yossef no bloco 2100: o eruv de uma cidade exige pesar muitas coisas, e uma decisão apressada poderia ser contestada. A tradução de referência entende do mesmo modo. Não há comentário do Rashi neste segmento no Sefaria.
“A não ser que faça uma parte fora dela como a cidade de Chadashá.” Foi ensinado numa baraita: Disse Rabi Yehuda: Havia uma cidade em Yehudá, e Chadashá era o seu nome, e havia nela cinquenta moradores, homens, mulheres e crianças; e por ela os sábios mediam os shiurim, e ela mesma era shiur de outra cidade.
“E por ela os sábios mediam” — mediam por ela os shiurim das cidades; e ela mesma era shiur para uma cidade grande, vizinha a ela.
A guemará volta à Mishná Eruvin 5:6 (Eruvin 59a, bloco 2074; conferido), cuja frase “a não ser que faça fora dela como a cidade de Chadashá” mantemos como lá. Uma baraita, na voz de Rabi Yehuda, explica que Chadashá era uma cidade de Yehudá com cinquenta moradores, contando homens, mulheres e crianças; por ela os sábios mediam o tamanho da parte deixada fora, e, segundo o Rashi, ela mesma era a parte deixada fora de uma cidade grande, vizinha a ela. Aqui o Talmud diz “כָּעִיר”, onde a edição avulsa da Mishná diz “כְּעִיר”. O lema do Rashi diz “ובה שיערו חכמים”, onde a guemará diz “וּבָהּ הָיוּ מְשַׁעֲרִים חֲכָמִים”. Não encontramos esta baraita na Tosefta Eruvin (Lieberman) e não a citamos.
Foi-lhes perguntado, aos sábios: Chadashá, qual é a sua lei? A guemará responde: Chadashá, assim como ela é shiur para a grande, também a grande é shiur para a pequena.
Pergunta-se se a própria Chadashá podia receber um eruv inteiro, sem deixar parte fora; o Rashi explica a pergunta no comentário que o Sefaria põe no segmento seguinte (bloco 2108). A guemará responde que, assim como Chadashá servia de parte deixada fora para a cidade grande, a cidade grande servia de parte deixada fora para ela. Não há comentário do Rashi neste segmento no Sefaria.
A guemará pergunta: Antes, uma cidade semelhante a Chadashá, qual é a sua lei? Rav Huna e Rav Yehuda: um disse: Precisa de shiur; e um disse: Não precisa de shiur.
“Chadashá, qual é?” — isto é, fazer eruv para ela por si mesma, toda ela, sem shiur.
“Semelhante a Chadashá” — outra cidade pequena, de cinquenta moradores, que não é vizinha à cidade grande.
A pergunta se volta para uma cidade pequena como Chadashá, de cinquenta moradores, mas que, segundo o Rashi, não é vizinha de uma cidade grande; Rav Huna e Rav Yehuda divergem sobre se precisa deixar uma parte fora, e a guemará não diz qual é a opinião de cada um. O primeiro comentário do Rashi explica a pergunta do bloco 2107 (“Chadashá, qual é?”: fazer eruv para toda ela sem shiur), mas o Sefaria o põe neste segmento, e o mantemos aqui.
“Rabi Shimon diz: Três pátios” etc. Disse Rav Chama bar Gurya, disse Rav: A halachá é como Rabi Shimon. Rabi Yitzchak disse: Mesmo uma casa e um pátio bastam. A guemará pergunta: Um pátio, sem casa, sobe-te à mente?! Antes, dize: Basta uma casa num pátio.
“Um pátio, sobe-te à mente?” — um pátio sem casa, acaso é morada para servir de shiur?
“Uma casa num pátio” — um pátio com uma casa dentro dele basta para ser shiur.
A guemará cita a parte final da Mishná Eruvin 5:6 (Eruvin 59a, bloco 2074; conferido): “Rabi Shimon diz: três pátios de duas casas”. Rav Chama bar Gurya, em nome de Rav, decide como Rabi Shimon, regra já citada em Eruvin 46b (bloco 1629; conferido). Rabi Yitzchak vai além: basta uma casa num pátio; segundo o Rashi, um pátio sem casa não é morada, e por isso a guemará corrige a frase. “Sobe-te à mente?!” traduz “סָלְקָא דַּעְתָּךְ”.
Disse Abaye a Rav Yossef: Isto de Rabi Yitzchak é guemará (tradição recebida) ou sevará (raciocínio)? Disse-lhe Rav Yossef: Que diferença faz para nós? Disse-lhe Abaye: Estuda a guemará, e há de ser uma canção?!
Abaye quer saber se a regra de Rabi Yitzchak vem de uma tradição recebida dos mestres ou do seu próprio raciocínio; Rav Yossef pergunta que diferença isso faz na prática, e Abaye responde que não se estuda como quem canta uma canção sem entender a letra. A expressão “גְּמָרָא גְּמוֹר, זְמוֹרְתָּא תְּהֵא” aparece também em Shabat 106b (conferido), onde o Rashi explica “dizer a tradição como mera melodia, sem necessidade”. Não há comentário do Rashi neste segmento no Sefaria.
MISHNÁ. Quem estava no oriente da sua casa e disse ao seu filho antes do Shabat: “Faze eruv para mim no ocidente”; ou estava no ocidente e disse ao seu filho: “Faze eruv para mim no oriente”: se há dele até a sua casa duas mil amot de distância, e até o seu eruv a distância é mais que isso, ele é permitido para a sua casa e proibido para o seu eruv.
MISHNÁ. “Quem estava no oriente” — no campo, e o dia se santificou sobre ele ali, isto é, começou o Shabat.
“E disse ao seu filho” — que fizesse eruv, ainda de dia, no ocidente.
“E até o seu eruv mais que isso” — pois lhe pôs o eruv da sua casa em diante, do outro lado.
“Permitido para a sua casa” — para a lei da sua casa, quer dizer, contar a sua shevitá (lugar de repouso de Shabat) a partir da sua casa, como se não tivesse feito eruv.
“E proibido para o seu eruv” — para a lei do seu eruv, contar a sua shevitá a partir do seu eruv; pois, já que o dia se santificou sobre ele estando longe do seu eruv mais de duas mil, acha-se que não pode andar até lá e tomá-lo, pois o seu eruv não lhe adquire senão duas mil amot para cada lado; e, já que não é eruv, a sua shevitá fica na sua casa, pois estava dentro do techum (limite de Shabat) da sua casa. E embora tenhamos estabelecido no fim de Mi Shehotziuhu: “Pois, se o pões do outro lado da árvore, fica” etc., vê-se que, se disse “A minha shevitá é num lugar distante mais de duas mil amot”, este não se mova do seu lugar; isso só vale para quem vem pelo caminho: já que no lugar tal que escolheu não pode adquirir, pois está distante mais de duas mil amot, e no lugar dos seus pés não lhe agradava adquirir, não tem shevitá alguma; por isso, não se mova do seu lugar. Mas quem está na sua casa e fez eruv num lugar onde não é eruv tem shevitá na sua casa, pois presumivelmente lhe agrada adquirir na sua casa quando o seu eruv não é eruv, como aprendemos no perek BaKol Mearvin (acima, Eruvin 35a) acerca de “rolou para fora do techum, em dúvida se ainda de dia, em dúvida se depois de escurecer: eis que este é chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo)”, e não ensinou ali “não se mova do seu lugar”; aprendemos disso que, se não é eruv, tem shevitá na sua casa.
Encerrada a guemará sobre a Mishná Eruvin 5:6, da cidade de um indivíduo que se tornou de muitos e da de muitos que se tornou de um indivíduo, que começou em Eruvin 59a, inicia-se aqui uma nova mishná do Perek Heh (Keitzad Meabrin), que corresponde à Mishná Eruvin 5:7 na numeração das edições avulsas da Mishná (conferido); os blocos 2112–2114 correspondem à continuação da mesma Mishná Eruvin 5:7, que termina em Eruvin 60b com “מַה שֶׁנִּשְׂכָּר הוּא מַפְסִיד” (“o que ganha, perde”; conferido na edição avulsa). Segundo o Rashi, o homem estava no campo quando começou o Shabat, e pedira ao filho que pusesse o seu eruv, ainda de dia, do outro lado da sua casa; se a casa está a duas mil amot dele e o eruv além disso, o eruv não vale, pois ele não poderia chegar até lá, e a sua shevitá fica na sua casa, como se não tivesse feito eruv. O Rashi distingue o caso de Eruvin 50b (conferido), da árvore, em que quem vem pelo caminho e escolhe um lugar a mais de duas mil amot não tem shevitá alguma e “não se mova do seu lugar”: quem está em casa, ou cujo lar está ao seu alcance, presumivelmente quer adquirir a shevitá na casa quando o eruv falha, como se vê na Mishná Eruvin 3:4 (Eruvin 35a; conferido), que diz “chamar gamal” e não “não se mova do seu lugar”. “Permitido para a sua casa” e “proibido para o seu eruv” seguem a leitura do Rashi: a lei da casa ou do eruv, isto é, de onde se contam as duas mil amot; a tradução de referência diz que ele pode andar até a casa e dali duas mil amot. A edição avulsa diz “אַלְפַּיִם אַמּוֹת” e “וְאָמַר”, onde o Talmud diz “אַלְפַּיִם אַמָּה” e “וַאֲמַר”. O Rashi chama o fim do perek Mi Shehotziuhu de “שילהי”; a passagem citada está em Eruvin 50b.
Se há até o seu eruv duas mil amot, e até a sua casa a distância é mais que isso, ele é proibido para a sua casa e permitido para o seu eruv.
“Proibido para a sua casa” — para a lei da sua casa, isto é, contar a partir da sua casa duas mil amot para cada lado.
Continuação da Mishná Eruvin 5:7 (conferida). No caso inverso, o eruv está ao seu alcance e a casa não, e então a shevitá é no lugar do eruv, e dali se contam as duas mil amot para cada lado. A edição avulsa diz “יוֹתֵר”, onde o Talmud diz “יָתֵר”.
Quem põe o seu eruv no ibur (contorno) da cidade não fez coisa alguma com isso.
“No ibur da cidade” — isto é, numa das casas que estão dentro de setenta amot e um resto da cidade.
“Não fez coisa alguma” — pois também sem eruv tem, a partir da cidade, duas mil amot para cada lado, e toda a cidade é para ele como quatro amot.
Continuação da Mishná Eruvin 5:7 (conferida). Segundo o Rashi, o ibur são as casas que estão até setenta amot e um resto da cidade e se juntam a ela; como as duas mil amot do techum já se medem a partir da cidade, e toda a cidade conta como quatro amot, o eruv posto ali não acrescenta nada. A tradução de referência entende do mesmo modo.
Se o pôs fora do techum, mesmo uma amá…
“Se o pôs fora do techum” — explica-se na guemará: isto é, fora do ibur da cidade.
Continuação da Mishná Eruvin 5:7 (conferida); a frase termina em Eruvin 60b. Segundo o Rashi, “fora do techum” é explicado na guemará como fora do ibur da cidade. A edição avulsa diz “אֲפִלּוּ”, onde o Talmud diz “אֲפִילּוּ”.