Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Alef (Mavoi)
פֶּתַח שַׁעַר הֶחָצֵר

O Mishkan chamado Mikdash; a entrada do portão do pátio; Rabi Yehuda e a entrada dos reis

Eruvin 2b — continuação da abertura do tratado · Perek Alef (Mavoi, Eruvin 2a:1-17b:14) · a guemará prossegue em 3a

A guemará conclui a prova de que o Mishkan é chamado Mikdash: o versículo dos kehatitas fala da arca, e a prova vem de “E façam-Me um Mikdash”. Em seguida pergunta por que nem os Sábios nem Rabi Yehuda aprendem a medida da entrada a partir da entrada do portão do pátio do Mishkan, de cinco amot de altura por vinte de largura, e responde que ela se chama “entrada do portão do pátio”, e não entrada sem especificação, ou que as quinze amot das cortinas falam da altura. Depois questiona a explicação de Rav sobre Rabi Yehuda e a entrada do Ulam, e Rav Chisda conclui que Rabi Yehuda aprende da entrada dos reis; por fim, pergunta aos Sábios por que não exigem portas como no Heichal e por que a forma de porta é útil, e o daf termina no início de uma nova dificuldade.

Guemará: o Mishkan chamado Mikdash (conclusão) · מִשְׁכָּן דְּאִיקְּרִי מִקְדָּשׁ

15A arca e o versículo “façam-Me um Mikdash”
A guemará
הָהוּא בְּאָרוֹן כְּתִיב. אֶלָּא מֵהָכָא: ״וְעָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹכָם״.

Rejeita-se: Aquele versículo está escrito a respeito da arca, e dos demais objetos sagrados que os kehatitas carregavam, e não a respeito do próprio Mishkan. Antes, aprende-se daqui: “E façam-Me um Mikdash, e habitarei no meio deles” (Shemot 25:8), onde o próprio Mishkan é chamado Mikdash.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hahu baaron ketiv”
ההוא בארון כתיב - שהוא משא בני קהת ועל שם שהוא מקודש משאר המשאות קרוי מקדש:

“Aquele está escrito a respeito da arca” — que era a carga dos filhos de Kehat; e, por ser mais santificada que as demais cargas, é chamada Mikdash.

Guemará: a entrada do portão do pátio · פֶּתַח שַׁעַר הֶחָצֵר

16Que aprendam da entrada do portão do pátio!
A guemará
בֵּין לְרַבָּנַן וּבֵין לְרַבִּי יְהוּדָה לֵילְפוּ מִפֶּתַח שַׁעַר הֶחָצֵר, דִּכְתִיב: ״אוֹרֶךְ הֶחָצֵר מֵאָה בָאַמָּה וְרֹחַב חֲמִשִּׁים בַּחֲמִשִּׁים וְקוֹמָה חָמֵשׁ אַמּוֹת״, וּכְתִיב: ״וַחֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה אַמָּה קְלָעִים לַכָּתֵף״, וּכְתִיב: ״וְלַכָּתֵף הַשֵּׁנִית מִזֶּה וּמִזֶּה לְשַׁעַר הֶחָצֵר קְלָעִים חֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה אַמָּה״, מָה לְּהַלָּן חָמֵשׁ בְּרוֹחַב עֶשְׂרִים, אַף כָּאן חָמֵשׁ בְּרוֹחַב עֶשְׂרִים!

Pergunta-se: Tanto segundo os Sábios quanto segundo Rabi Yehuda, que aprendam a medida da entrada a partir da entrada do portão do pátio do Mishkan, pois está escrito: “O comprimento do pátio, cem amot (côvados), e a largura, cinquenta por cinquenta, e a altura, cinco amot” (Shemot 27:18); e está escrito: “E quinze amot de cortinas para um lado do portão” (Shemot 27:14); e está escrito: “E para o outro lado, de cá e de lá do portão do pátio, cortinas de quinze amot” (Shemot 38:15); se as cortinas cobriam trinta das cinquenta amot da largura do pátio, o portão tinha vinte amot de largura. Assim como ali a entrada tinha cinco de altura por vinte de largura e se chamava entrada, também aqui, no mavoi (beco sem saída para o qual se abrem pátios), uma entrada de cinco de altura por vinte de largura deveria ser considerada entrada!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lilfu mipetach shaar hechatzer”, “rochav chatzar hamishkan” e “ma lehalan”
לילפו מפתח שער החצר - ארוחב פריך דתנן במתניתין והרחב מעשר אמות ימעט הא אשכחן פתח חצר דהוי עשרים רוחב ואיקרי פתח דכתיב ואת קלעי החצר ואת מסך פתח שער החצר בפרשת נשא כתיב אבל אגובה ולמיפסל בגובה יותר מה' אמות לא מצי פריך דהא אשכחן פתח ההיכל דגבוה כ' וקא קרי ליה פתח: רוחב חצר המשכן נ' אמה - והא דכתיב חמשים בחמשים בפרק שני (ד' כג:) מפרש לה ופתחה באמצע רחבה וסתמו בקלעים ט"ו אמה מצד זה של פתח וט"ו אמה מצד זה של פתח נשארו כ' אמה רוחב באמצע כדכתיב חמש עשרה אמה קלעים לכתף וכתף הוא צידו של פתח: מה להלן - גובה חמש שהרי כל קלעי החצר סביב לא היה גובהן אלא חמש כדכתיב (שמות כז) וקומה חמש אמות:

“Que aprendam da entrada do portão do pátio” — é a respeito da largura que a guemará questiona, pois aprendemos na mishná: “E a entrada que é mais larga que dez amot, deve-se diminuir”; ora, encontramos a entrada do pátio, que tinha vinte amot de largura e se chamava entrada, pois está escrito na parashá de Nasso: “E as cortinas do pátio e a cortina da entrada do portão do pátio” (Bamidbar 4:26). Mas a respeito da altura, para invalidar uma entrada com altura maior que cinco amot, não pode questionar, pois encontramos a entrada do Heichal (o Santuário), que era alta vinte amot, e o versículo a chama de entrada.

“A largura do pátio do Mishkan, cinquenta amot” — e aquilo que está escrito, “cinquenta por cinquenta”, é explicado no segundo capítulo (Eruvin 23b). E a sua entrada ficava no meio da sua largura, e fecharam com cortinas quinze amot de um lado da entrada e quinze amot do outro lado da entrada; restaram vinte amot de largura no meio, como está escrito: “Quinze amot de cortinas para um lado” (Shemot 27:14); e “lado” (katef) é a lateral da entrada.

“Assim como ali” — havia uma altura de cinco, pois todas as cortinas do pátio ao redor não tinham altura senão de cinco amot, como está escrito: “E a altura, cinco amot” (Shemot 27:18).

17Chamada “entrada do portão do pátio”
A guemará
״פֶּתַח שַׁעַר הֶחָצֵר״ אִיקְּרִי, פֶּתַח סְתָמָא — לָא אִיקְּרִי.

Rejeita-se: Aquela abertura é chamada “entrada do portão do pátio”; simplesmente “entrada”, sem especificação, não é chamada; por isso, as medidas de uma entrada comum não se aprendem dela.

18As quinze amot falam da altura
A guemará
וְאִיבָּעֵית אֵימָא, כִּי כְתִיב: ״קְלָעִים חֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה אַמָּה לַכָּתֵף״ — בְּגוּבְהָה הוּא דִּכְתִיב.

E, se quiseres, dize: Quando está escrito “cortinas de quinze amot para um lado” (Shemot 38:14), é a respeito da altura das cortinas que está escrito, e não da largura; e assim a largura da entrada do portão do pátio não é conhecida.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “begovha hu dichtiv”
בגובהה הוא דכתיב - שגבהו הקלעים המזרחיות מזה ומזה לפתח ט"ו אמה יותר משאר קלעי החצר דהוו להו גובה כ' ולרוחב לא ניתנה מדה:

“É a respeito da altura que está escrito” — que as cortinas orientais, de um lado e do outro da entrada, foram elevadas quinze amot acima das demais cortinas do pátio, de modo que tinham vinte amot de altura; e para a largura da entrada não foi dada medida.

19A altura? Mas está escrito “cinco amot”!
A guemará
גּוּבְהָה?! וְהָא כְּתִיב: ״וְקוֹמָה חָמֵשׁ אַמּוֹת״! הָהוּא מִשְּׂפַת מִזְבֵּחַ וּלְמַעְלָה.

Pergunta-se: A altura?! Mas está escrito: “E a altura, cinco amot” (Shemot 27:18)! Responde-se: Aquele versículo mede a partir da borda do altar para cima: o altar tinha dez amot de altura, e as cortinas se elevavam cinco amot acima dele, quinze ao todo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hahu” e “misefat kelaim ulemata”
ההוא - חמש אמות: משפת קלעים ולמטה - למטה מאותן ט"ו שנעדפו מזה ומזה לפתח היו עוד חמש גובה שוה לשאר הקלעים ועליהן ניתוספו ט"ו בגובה מב' עברי הפתח דהוו להו כ' לישנא אחרינא בגובהה הוא דכתיב דגובה כל קלעי החצר סביב ט"ו אמה אבל לרוחב הפתח לא למדנו שיעור ולהך לישנא גרסינן במסקנא ההוא משפת מזבח ולמעלה שהמזבח גובהו עשר והקלעים גבוהות ממנו חמש דהוו להו ט"ו כדי שלא יהא כהן עומד עליו ועבודה בידו וכל העם רואין אותו מבחוץ ושתיהן שמעתי וזה עיקר וכן מפורש בזבחים בפרק קדשי קדשים (זבחים ד' נט:) והמפרש לשון ראשון טועה הוא שהיה סבור דמאן דפריך לילפו מפתח שער החצר אגובהה פריך למיפסל גובה יותר מה' אמות ומשום הכי אהדר לאוקומי פתח החצר בגובה כ':

“Aquele” — o versículo das cinco amot.

“Da borda das cortinas para baixo” — abaixo daquelas quinze amot que sobressaíam de um lado e do outro da entrada, havia outras cinco de altura, iguais às demais cortinas, e sobre elas foram acrescentadas quinze em altura nos dois lados da entrada, de modo que tinham vinte. Outra versão: “É a respeito da altura que está escrito” — que a altura de todas as cortinas do pátio ao redor era de quinze amot; mas para a largura da entrada não aprendemos medida. E, segundo esta versão, lemos na conclusão: “Aquele mede a partir da borda do altar para cima”, pois o altar tinha dez amot de altura e as cortinas eram mais altas que ele cinco, de modo que tinham quinze, para que o kohen não estivesse de pé sobre ele, com o serviço nas mãos, e todo o povo o visse de fora. E ouvi as duas versões, e esta é a principal; e assim está explicado em Zevachim, no capítulo Kodshei Kodashim (Zevachim 59b). E quem explica segundo a primeira versão está em erro, pois pensava que quem questiona “que aprendam da entrada do portão do pátio” questiona a respeito da altura, para invalidar uma altura maior que cinco amot, e por isso a guemará voltou-se para explicar a entrada do pátio com altura de vinte.

Nota

Rashi registra aqui duas leituras da guemará. Na primeira, o versículo das cinco amot mede as cortinas da borda delas para baixo, e as cortinas junto à entrada chegavam a vinte amot; na segunda, que ele considera a principal e que é a do texto impresso, todas as cortinas tinham quinze amot, isto é, cinco acima do altar de dez.

Guemará: Rabi Yehuda e a entrada do Ulam · רַבִּי יְהוּדָה וּפִתְחוֹ שֶׁל אוּלָם

20Mas Rabi Yehuda não discorda da largura!
A guemará
וְרַבִּי יְהוּדָה מִפִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם גָּמַר? וְהָא תְּנַן: וְהָרָחָב מֵעֶשֶׂר אַמּוֹת יְמַעֵט, וְלָא פְּלִיג רַבִּי יְהוּדָה!

Pergunta-se: E Rabi Yehuda aprendeu da entrada do Ulam (o Vestíbulo do Templo)? Mas aprendemos na mishná: “E a entrada que é mais larga que dez amot, deve-se diminuir”, e Rabi Yehuda não discorda; ora, a entrada do Ulam tinha vinte amot de largura!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velo palig Rabi Yehuda”
ולא פליג ר' יהודה - ואי מאולם גמר ליכשר ברוחב כ':

“E Rabi Yehuda não discorda” — e, se aprendeu do Ulam, que valide a entrada com largura de vinte.

21Abaye: ele discorda numa baraita
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: פְּלִיג בְּבָרַיְיתָא, דְּתַנְיָא: וְהָרָחָב מֵעֶשֶׂר אַמּוֹת יְמַעֵט, רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: אֵינוֹ צָרִיךְ לְמַעֵט.

Disse Abaye: Ele discorda numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná), pois foi ensinado: “E a entrada que é mais larga que dez amot, deve-se diminuir; Rabi Yehuda diz: Não é necessário diminuir.”

22Por que não discorda na mishná?
A guemará
וְלִיפְלוֹג בְּמַתְנִיתִין? פְּלִיג בְּגוּבְהָה, וְהוּא הַדִּין לְרֻחְבָּה.

Pergunta-se: E que discorde na nossa mishná? Responde-se: Discorda na mishná a respeito da altura, e o mesmo vale para a largura; o seu “não é necessário” se refere a ambas.

23Quarenta, cinquenta e cem amot
A guemará
וְאַכַּתִּי, רַבִּי יְהוּדָה מִפִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם גָּמַר? וְהָתַנְיָא: מָבוֹי שֶׁהוּא גָּבוֹהַּ מֵעֶשְׂרִים אַמָּה יְמַעֵט, וְרַבִּי יְהוּדָה מַכְשִׁיר עַד אַרְבָּעִים וַחֲמִשִּׁים אַמָּה. וְתָנֵי בַּר קַפָּרָא: עַד מֵאָה.

E ainda: Rabi Yehuda aprendeu da entrada do Ulam? Mas foi ensinado numa baraita: “Um mavoi que é alto, cuja korá (viga transversal) está acima de vinte amot, deve-se diminuir; e Rabi Yehuda o valida até quarenta e cinquenta amot.” E Bar Kapara ensinou a opinião de Rabi Yehuda assim: até cem.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vetanei Bar Kapara”
ותני בר קפרא - במילתיה דר' יהודה עד מאה אמה:

“E Bar Kapara ensinou” — na palavra de Rabi Yehuda: até cem amot.

24Exagero ou medida exata
A guemará
בִּשְׁלָמָא לְבַר קַפָּרָא גּוּזְמָא. אֶלָּא לְרַב יְהוּדָה מַאי גּוּזְמָא? בִּשְׁלָמָא לְרַבִּי יְהוּדָה אַרְבָּעִים — גָּמַר מִפִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם, אֶלָּא חֲמִשִּׁים מְנָא לֵיהּ?

Está bem segundo Bar Kapara: “cem” é exagero. Mas segundo Rav Yehuda, que disse em nome de Rav que Rabi Yehuda aprendeu da entrada do Ulam, que exagero há? Está bem que, segundo Rabi Yehuda, quarenta ele aprendeu da entrada do Ulam; mas cinquenta, de onde ele o tira?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bishlama leBar Kapara”
בשלמא לבר קפרא - איכא למימר דר' יהודה מאולם גמר ולא מכשר בגבוה מארבעים והא דתני בר קפרא מאה גוזמא נקט משום דאכשר ר' יהודה ביותר מכ' ומשלשים נראים לבר קפרא גוזמא ונקיט במילתיה טפי:

“Está bem segundo Bar Kapara” — pode-se dizer que Rabi Yehuda aprendeu do Ulam e não valida um mavoi mais alto que quarenta; e aquilo que Bar Kapara ensinou, “cem”, ele o tomou como exagero, porque Rabi Yehuda validou mais de vinte, e, de trinta para cima, as alturas pareceram a Bar Kapara exagero, e ele tomou na sua formulação um número maior.

25Rav Chisda: a entrada dos reis
Rav Chisda
אָמַר רַב חִסְדָּא: הָא מַתְנִיתָא אַטְעִיתֵיהּ לְרַב, דְּתַנְיָא: מָבוֹי שֶׁהוּא גָּבוֹהַּ מֵעֶשְׂרִים אַמָּה, יוֹתֵר מִפִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל — יְמַעֵט. הוּא סָבַר: מִדְּרַבָּנַן מִפִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכַל גָּמְרִי, רַבִּי יְהוּדָה מִפִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם גָּמַר. וְלָא הִיא, רַבִּי יְהוּדָה מִפִּתְחָא דְמַלְכִין גָּמַר.

Disse Rav Chisda: Esta baraita induziu Rav ao erro, pois foi ensinado: “Um mavoi que é alto, acima de vinte amot, mais que a entrada do Heichal, deve-se diminuir.” Ele entendeu: Uma vez que os Sábios aprendem da entrada do Heichal, Rabi Yehuda aprende da entrada do Ulam. Mas não é assim: Rabi Yehuda aprende da entrada dos reis, cujas entradas costumavam ser muito altas e largas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “atei’ei leRav” e “pitcha demalchin”
אטעיתיה לרב - דאמר לעיל ר' יהודה לא למדה אלא מפתח אולם הא מתניתא דלקמיה אטעיתיה: פיתחא דמלכין - סתם פתחי מלכים גבוהין הרבה:

“Induziu Rav ao erro” — que disse acima: Rabi Yehuda não a aprendeu senão da entrada do Ulam; esta baraita, citada a seguir, o induziu ao erro.

“A entrada dos reis” — as entradas dos reis, em geral, são muito altas.

Guemará: os Sábios e a entrada do Heichal · רַבָּנַן וּפִתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל

26Que exijam portas, como no Heichal!
A guemará
וְרַבָּנַן, אִי מִפִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל גְּמִירִי — לִיבְעוֹ דְּלָתוֹת כְּהֵיכָל, אַלְּמָה תְּנַן: הֶכְשֵׁר מָבוֹי, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: לֶחִי וְקוֹרָה, וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים: לֶחִי אוֹ קוֹרָה!

Pergunta-se: E os Sábios, se aprendem da entrada do Heichal, que exijam portas para o mavoi, como no Heichal! Por que, então, aprendemos na mishná: “A preparação do mavoi para que se possa carregar nele: Beit Shamai dizem: lechi (poste lateral) e korá; e Beit Hilel dizem: lechi ou korá” (Mishná Eruvin 1:2), e nem mesmo Beit Shamai exigem portas?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lechi”
לחי - קנה או לוח נעוץ אצל כותל האחד בראשו:

“Lechi” — um caniço ou uma tábua fincada junto a uma das paredes, na sua extremidade da entrada.

27As portas do Heichal, por recato
A guemará
דַּלְתוֹת הֵיכָל לִצְנִיעוּת בְּעָלְמָא הוּא דַּעֲבִידָן.

Responde-se: As portas do Heichal foram feitas apenas por recato, e não porque, sem elas, a abertura não seria entrada.

28E a forma de porta?
A guemará
אֶלָּא מֵעַתָּה, לָא תַּיהֲנֵי לֵיהּ צוּרַת הַפֶּתַח, דְּהָא הֵיכַל צוּרַת הַפֶּתַח הָוְיָא לוֹ, אֲפִילּוּ הָכִי עֶשֶׂר אַמּוֹת הוּא דִּרְוִיח. אַלְּמָה תְּנַן: אִם יֵשׁ לוֹ צוּרַת הַפֶּתַח, אַף עַל פִּי שֶׁרָחָב מֵעֶשֶׂר אַמּוֹת — אֵינוֹ צָרִיךְ לְמַעֵט!

Mas, se é assim, que não lhe seja útil ao mavoi a tzurat hapetach (forma de porta: dois postes verticais e uma viga horizontal sobre eles), pois o Heichal tinha forma de porta e, mesmo assim, era apenas de dez amot que tinha de largura! Por que, então, aprendemos na mishná: “Se tem forma de porta, ainda que seja mais larga que dez amot, não é necessário diminuir” (Mishná Eruvin 1:1)?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “la teihanei leh tzurat hapetach”
לא תיהני ליה צורת הפתח - להכשיר רוחבו ביותר מעשרה:

“Que não lhe seja útil a forma de porta” — para validar a sua largura quando é maior que dez amot.

29A versão de Rav: “é necessário diminuir”
A guemará
מִידֵּי הוּא טַעְמָא אֶלָּא לְרַב, הָא מַתְנֵי לֵיהּ רַב יְהוּדָה לְחִיָּיא בַּר רַב קַמֵּיהּ דְּרַב: אֵינוֹ צָרִיךְ לְמַעֵט. וַאֲמַר לֵיהּ: אַתְנְיֵיהּ ״צָרִיךְ לְמַעֵט״.

Responde-se: Acaso esta razão vale senão segundo Rav? E, segundo Rav, eis que Rav Yehuda ensinava a Chiya bar Rav, diante de Rav: “Não é necessário diminuir”; e Rav lhe disse: Ensina-lhe “é necessário diminuir”; para o próprio Rav, portanto, a forma de porta não permite uma entrada mais larga que a do Heichal, e a pergunta não lhe é difícil.

30Mas, se é assim…
A guemará
אֶלָּא מֵעַתָּה

Pergunta-se: Mas, se é assim…

O daf termina aqui, no início de uma nova dificuldade: “Mas, se é assim…”. A guemará prossegue em Eruvin 3a.