Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Heh (Keitzad Meabrin) · 55b
כֵּיצַד מְעַבְּרִין

Um karpef para cada cidade; o yeter e o arco; o que se junta ao ibur da cidade; os moradores de tzrifin e a cidade sem verdura

Eruvin 55b — Perek Heh (Keitzad Meabrin, Eruvin 52b:16-61b:10) · a mishná citada: “dá-se um karpef à cidade”, Rabi Meir e os sábios (Mishná Eruvin 5:2) · Rav Huna e Chiya bar Rav: um karpef para cada uma ou um para as duas; é necessário dizê-lo nos dois casos · quanto há entre o yeter e o arco: Rabba bar Rav Huna e Rava, o seu filho; Abaye: pelo caminho das casas · “se havia ali gedudiyot”: Rav Yehuda, três paredes sem teto; duas paredes com teto · os que se juntam ao ibur e os que não se juntam: o nefesh, a casa no mar, a caverna · Rav Pappa; Rabi Chiya e Abaye · Rav Huna: os moradores de tzrifin; Rav Chisda: “e acamparam junto ao Jordão”, Bamidbar 33:49; Rava: as bandeiras do deserto; Rav Chinena bar Rav Kahana: três pátios de duas casas · Rav Yehuda em nome de Rav; Eliezer de Birya; Ulla e Rabi Yochanan · Rav Huna: a cidade sem verdura · continua de Eruvin 55a; continua em Eruvin 56a

O daf completa a citação da Mishná Eruvin 5:2, em que Rabi Meir dá um karpef a toda cidade e os sábios só entre duas cidades, e explica por que Rav Huna precisou ensinar duas vezes que se dá um karpef a cada uma: na muralha rompida e nas duas cidades vizinhas. Volta depois à cidade em forma de arco, com a disputa entre Rabba bar Rav Huna e o seu filho Rava sobre a distância entre a corda e o arco, e à Mishná 5:1, com os restos de muros, as duas paredes com teto e a lista do que se junta ao contorno da cidade e do que não se junta: o monumento sobre o túmulo, a sinagoga, a casa no mar, a caverna. Rav Huna ensina que os moradores de cabanas medem o techum da porta das suas casas, e Rav Chisda objeta com o acampamento de Israel no deserto, que Rava responde ser fixo por ordem divina. Seguem-se palavras duras sobre a vida dos que moram em cabanas e andam pelos desertos, e o daf termina com Rav Huna, para quem o sábio não deve morar numa cidade sem verdura, e com o começo de uma baraita que parece dizer o contrário.

Um karpef para esta e um karpef para aquela · קַרְפֵּף לָזוֹ וְקַרְפֵּף לָזוֹ

1959A mishná: dá-se um karpef à cidade
A guemará
נוֹתְנִין קַרְפֵּף לָעִיר, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: לֹא אָמְרוּ קַרְפֵּף אֶלָּא בֵּין שְׁתֵּי עֲיָירוֹת.

“Dá-se um karpef (cercado) à cidade antes de medir o techum”: palavras de Rabi Meir. “E os sábios dizem: Não falaram de karpef senão entre duas cidades vizinhas.”

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “notenin karpef la’ir”
נותנין קרפף לעיר - כשבא למדוד התחומין מניח לעיר אויר של שבעים אמה ושיריים שהוא כעיר לבד התחום:

“Dá-se um karpef à cidade” — quando o agrimensor vem medir os techumin (limites de Shabat), deixa à cidade um espaço vazio de setenta amot (côvados) e um resto, que é considerado como a cidade, além das duas mil amot do techum.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela livnei ayarot”
אלא לב' עיירות - לחברן על ידי קרפף שביניהן:

“Senão para duas cidades” — isto é, para juntá-las por meio de um karpef que está entre elas.

Nota

A guemará completa aqui a citação que começou no fim de Eruvin 55a (bloco 1958), “pois aprendemos numa mishná”: é o começo da Mishná Eruvin 5:2 (conferido), citada só até “entre duas cidades”. A mishná prossegue: “se há para esta setenta amot e um resto, e para aquela setenta amot e um resto, faz-se um karpef para as duas, para que sejam como uma só”. Não é ainda o lugar dessa mishná no tratado: ela vem com a sua própria marca de Mishná mais adiante, em Eruvin 57a (conferido), “מַתְנִי׳ נוֹתְנִין קַרְפֵּף לָעִיר”. O karpef é a área de setenta amot e dois terços, o “resto” de que fala a mishná. Segundo o Rashi, para Rabi Meir esse espaço vazio se deixa a toda cidade e conta como a própria cidade, e só depois se medem as duas mil amot do techum; para os sábios, o karpef só serve para juntar duas cidades vizinhas. Uma baraita paralela está na Tosefta Eruvin 4:12 (Lieberman; conferido): “a todas as cidades deram karpef, palavras de Rabi Meir”. O lema do segundo comentário do Rashi diz “לב׳ עיירות”, onde a guemará diz “בֵּין שְׁתֵּי עֲיָירוֹת”; na edição avulsa da Mishná lê-se “עֲיָרוֹת”.

1960Rav Huna e Chiya bar Rav
A guemará
וְאִיתְּמַר, רַב הוּנָא אָמַר: קַרְפֵּף לָזוֹ וְקַרְפֵּף לָזוֹ. וְחִיָּיא בַּר רַב אָמַר: אֵין נוֹתְנִין אֶלָּא קַרְפֵּף אֶחָד לִשְׁנֵיהֶם!

E foi dito sobre isso: Rav Huna disse: Dá-se um karpef a esta cidade e um karpef àquela. E Chiya bar Rav disse: Não se dá senão um só karpef para as duas juntas!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’itmar Rav Huna amar”
ואיתמר רב הונא אמר כו' - ולקמן מפרש בפירקא פלוגתייהו:

“E foi dito: Rav Huna disse etc.” — e adiante, neste capítulo, a guemará explica a disputa deles.

Nota

A guemará termina a sua pergunta de Eruvin 55a (bloco 1958): o que Rav Huna ensinou sobre a muralha rompida, que se dá um karpef a cada parte, ele já o disse sobre as duas cidades vizinhas. Para Rav Huna, cada cidade recebe o seu karpef, e duas cidades separadas por até cento e quarenta e uma amot e um terço contam como uma só; para Chiya bar Rav, um só karpef, de setenta amot e dois terços, é dado às duas. Como anuncia o Rashi, a guemará volta a esta disputa em Eruvin 57a (conferido), sobre a mishná de Rabi Meir e dos sábios, onde a frase de Chiya bar Rav aparece como “קַרְפֵּף [אֶחָד] לִשְׁתֵּיהֶן”.

1961É necessário: um lado de permissão desde o início
A guemará
צְרִיכָא, דְּאִי אַשְׁמְעִינַן הָכָא — מִשּׁוּם דַּהֲוָה לֵיהּ צַד הֶיתֵּר מֵעִיקָּרָא. אֲבָל הָתָם, אֵימָא לָא.

É necessário que Rav Huna o diga nos dois casos: pois, se nos tivesse feito ouvir somente aqui, na muralha rompida, diríamos que é assim porque havia para ela um lado de permissão desde o início; mas ali, nas duas cidades, diria que não.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “i ashmeinan”
אי אשמעינן - בחומת העיר שנפרצה התם קאמר רב הונא קרפף לזו ולזו לחברן משום דהוה להו צד היתר מעיקרא שהיו כבר עיר אחת:

“Se nos tivesse feito ouvir” — somente na muralha da cidade que foi rompida, diríamos que ali Rav Huna diz um karpef para esta e um para aquela, para juntá-las, porque havia para elas um lado de permissão desde o início, pois já eram uma só cidade.

Nota

“Aqui” é a muralha rompida de Eruvin 55a (bloco 1956), e “ali”, as duas cidades da mishná. Segundo o Rashi, o “lado de permissão desde o início” é que as duas partes já eram uma só cidade antes de a muralha se romper; por isso se poderia pensar que só nelas se dá um karpef a cada uma, e não a duas cidades que nunca foram uma.

1962É necessário: o uso apertado
A guemará
וְאִי אַשְׁמְעִינַן הָתָם — מִשּׁוּם דִּדְחִיקָא תַּשְׁמִישְׁתַּיְיהוּ, אֲבָל הָכָא דְּלָא דְּחִיקָא תַּשְׁמִישְׁתַּיְיהוּ — אֵימָא לָא, צְרִיכָא.

E, se nos tivesse feito ouvir somente ali, nas duas cidades, diríamos que é assim porque o uso delas é apertado; mas aqui, em que o uso delas não é apertado, diria que não. Por isso é necessário dizê-lo nos dois casos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “dedechikha tashmishtayhu”
דדחיקא תשמישתייהו - ב' עיירות ממש דחיקא תשמישתייהו בחד קרפף הלכך קרפף מיחשב לכל חד כעיר גופה וכיון דצריך לה והוי כעיר כי מחברי ב' הקרפיפות כאילו העיירות מחוברות דמו:

“Porque o uso delas é apertado” — em duas cidades de fato, o uso delas fica apertado com um só karpef; por isso o karpef é considerado, para cada uma, como a própria cidade; e, já que cada uma precisa dele e é como a cidade, quando os dois karpefot se juntam, é como se as cidades estivessem juntas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “aval hakha”
אבל הכא - דעיר אחת היא ומעיקרא כי מחברי קודם שנפרצה הויא כולה מלאה והוי סגיא לה בלאו האי אויר השתא נמי לא ניתיב האי אוירה לתשמישן קמ"ל:

“Mas aqui” — que é uma só cidade, e desde o início, quando as partes estavam juntas, antes que fosse rompida, era toda cheia de casas, e lhe bastava sem este espaço: diríamos que agora também não se dê este espaço para o seu uso; Rav Huna nos ensina que se dá.

Nota

Segundo o Rashi, duas cidades de fato ficariam apertadas com um só karpef, de modo que o karpef conta, para cada uma, como a própria cidade, e por isso os dois karpefot juntos as ligam; já a cidade da muralha rompida sempre foi uma só, cheia de casas, e passava sem esse espaço, de modo que se poderia pensar que agora também não se lhe dá. A tradução de referência explica o “uso não apertado” do mesmo modo, pelo espaço vazio que está dentro da própria cidade. O último comentário do Rashi termina com “קמ״ל”, “nos ensina”, isto é, Rav Huna ensina que também ali se dá um karpef a cada parte; o “é necessário” final da guemará diz o mesmo.

Quanto há entre o yeter e o arco · וְכַמָּה הָוֵי בֵּין יֶתֶר לַקֶּשֶׁת

1963Rabba bar Rav Huna e Rava, o seu filho
A guemará
וְכַמָּה הָוֵי בֵּין יֶתֶר לַקֶּשֶׁת? רַבָּה בַּר רַב הוּנָא אָמַר: אַלְפַּיִם אַמָּה, רָבָא בְּרֵיהּ דְּרַבָּה בַּר רַב הוּנָא אָמַר: אֲפִילּוּ יָתֵר מֵאַלְפַּיִם אַמָּה.

E quanto pode haver entre o yeter (a corda do arco) e o arco, para que se meça a partir do yeter? Rabba bar Rav Huna disse: No máximo duas mil amot. Rava, filho de Rabba bar Rav Huna, disse: Mesmo mais de duas mil amot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vekhama”
וכמה - יהא אויר החלק מן היתר לקשת דאמרו מודדין לה מן היתר כי ליכא ארבעת אלפים בין ב' ראשיה:

“E quanto” — será o espaço liso desde o yeter até o arco, no caso de que disseram “mede-se-lhe a partir do yeter”, quando não há quatro mil amot entre as suas duas pontas?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “alpayim”
אלפים - אבל יותר מאלפים כיון דמכי נפק מביתו הולך לו תחום שלם מקמי דלימטי ליתר לא משחינן ליה מן היתר:

“Duas mil” — mas mais de duas mil, não: já que, desde que sai da sua casa, anda um techum inteiro antes de chegar ao yeter, não se lhe mede a partir do yeter.

Nota

A guemará volta à regra de Rav Huna sobre a cidade em forma de arco, de Eruvin 55a (bloco 1955): quando as pontas distam menos de quatro mil amot, mede-se o techum a partir do yeter, a corda imaginária entre elas. Segundo o Rashi, a pergunta é sobre o espaço vazio entre a corda e as casas do meio do arco. Para Rabba bar Rav Huna, se esse espaço passa de duas mil amot, quem sai de casa já andaria um techum inteiro antes de chegar à corda, e não se mede a partir dela; para o seu filho Rava, mesmo assim se mede a partir da corda. O “espaço liso” do Rashi é o vazio dentro do arco, onde não há casas, como em Eruvin 55a (bloco 1955).

1964Abaye: pelo caminho das casas
A guemará
אָמַר אַבָּיֵי: כְּווֹתֵיהּ דְּרָבָא בְּרֵיהּ דְּרַבָּה בַּר רַב הוּנָא מִסְתַּבְּרָא, דְּאִי בָּעֵי הָדַר אָתֵי דֶּרֶךְ בָּתִּים.

Disse Abaye: É razoável decidir conforme Rava, filho de Rabba bar Rav Huna, pois, se quiser, a pessoa volta e vem até o yeter pelo caminho das casas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “de’i ba’ei hadar atei”
דאי בעי הדר אתי - למקום היתר דרך הבתים סביב הקשת יכול להלך עד שמגיע לאחד מן הראשון ומשם יכול להלך לראשו האחר שהרי תחומיהן נבלעין זה בזה וכיון דבהיתר יכול להלך למקום היתר תו לא אסר ליה אורך החלק לשוויה כשתי עיירות ורואין אותה כאילו היא מלאה בתים וחצירות:

“Pois, se quiser, volta e vem” — ao lugar do yeter: pelo caminho das casas, ao redor do arco, pode andar até chegar a uma das pontas, e dali pode andar até a outra ponta, pois os seus techumin se absorvem um no outro; e, já que pode andar com permissão até o lugar do yeter, o comprimento do espaço liso já não o proíbe, a ponto de torná-la como duas cidades; e veem-na como se fosse cheia de casas e pátios.

Nota

Segundo o Rashi, quem mora no meio do arco pode andar pelas casas, ao longo da curva, até uma das pontas, e dali seguir até a outra ponta, ao longo da corda, pois os techumin das duas pontas se encontram; e, já que pode chegar à corda por um caminho permitido, a distância do espaço vazio não basta para fazer do arco duas cidades. O Rashi diz literalmente “לאחד מן הראשון”, “a um do primeiro”; entendemos “a uma das pontas” (“ראשים”), conforme o restante do comentário, que fala da “outra ponta”; a leitura é incerta.

O que se junta ao ibur da cidade · אֵלּוּ שֶׁמִּתְעַבְּרִין עִמָּהּ

1965Gedudiyot: três paredes sem teto
A guemará
הָיוּ שָׁם גְּדוּדִיּוֹת גְּבוֹהוֹת עֲשָׂרָה טְפָחִים כּוּ׳. מַאי גְּדוּדִיּוֹת? אָמַר רַב יְהוּדָה: שָׁלֹשׁ מְחִיצּוֹת שֶׁאֵין עֲלֵיהֶן תִּקְרָה.

“Se havia ali gedudiyot (restos de muros) de dez palmos de altura etc.” O que são gedudiyot? Disse Rav Yehuda: São três paredes que não têm teto sobre elas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “she’ein aleihen tikrá”
שאין עליהן תקרה - וכל שכן אם מקורות הן מזו לזו בגג דהוו להו דירה מעלייתא:

“Que não têm teto sobre elas” — e com mais razão se estão cobertas por um telhado de uma parede à outra, pois então são uma moradia de verdade.

Nota

A guemará cita, com “כּוּ׳”, “etc.”, uma cláusula da Mishná Eruvin 5:1 (conferido), que abre o Perek Heh em Eruvin 52b (bloco 1844) e prossegue em Eruvin 53a (bloco 1845): os restos de muros de dez palmos de altura, junto à cidade, entram no seu contorno, e estende-se a medida diante deles. Segundo o Rashi em Eruvin 52b, são os pedaços de muro de casas em ruínas que estão a menos de setenta amot e um resto da cidade. Rav Yehuda ensina que bastam três paredes, mesmo sem teto; e, como diz aqui o Rashi, com mais razão se estão cobertas.

1966Duas paredes com teto; os que se juntam ao ibur
A guemará
אִיבַּעְיָא לְהוּ: שְׁתֵּי מְחִיצּוֹת וְיֵשׁ עֲלֵיהֶן תִּקְרָה, מַהוּ? תָּא שְׁמַע, אֵלּוּ שֶׁמִּתְעַבְּרִין עִמָּהּ: נֶפֶשׁ שֶׁיֵּשׁ בָּהּ אַרְבַּע אַמּוֹת עַל אַרְבַּע אַמּוֹת, וְהַגֶּשֶׁר וְהַקֶּבֶר שֶׁיֵּשׁ בָּהֶן בֵּית דִּירָה, וּבֵית הַכְּנֶסֶת שֶׁיֵּשׁ בָּהּ בֵּית דִּירָה לַחַזָּן, וּבֵית עֲבוֹדָה זָרָה שֶׁיֵּשׁ בָּהּ בֵּית דִּירָה לַכּוֹמָרִים, וְהָאוּרְווֹת וְהָאוֹצָרוֹת שֶׁבַּשָּׂדוֹת וְיֵשׁ בָּהֶן בֵּית דִּירָה, וְהַבּוּרְגָּנִין שֶׁבְּתוֹכָהּ, וְהַבַּיִת שֶׁבַּיָּם — הֲרֵי אֵלּוּ מִתְעַבְּרִין עִמָּהּ.

Foi-lhes perguntado (aos sábios): Duas paredes que têm teto sobre elas, qual é a lei? Vem e ouve uma baraita: Estes são os que se juntam ao ibur (contorno da cidade): um nefesh (monumento sobre um túmulo) que tem quatro amot por quatro amot; e a ponte e o kever (cemitério) em que há moradia; e a sinagoga em que há moradia para o chazan (o servidor da sinagoga); e o templo de idolatria em que há moradia para os sacerdotes pagãos; e as estrebarias e os depósitos que estão nos campos e têm moradia; e os burganin (postos de guarda) que estão no seu meio (no campo); e a casa que está no mar: eis que estes se juntam ao ibur da cidade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “nefesh”
נפש - בנין על הקבר וסתמא לדירת שומר הקבר עביד הלכך אע"ג דלא דייר ביה בית דירה הוא:

“Nefesh” — é uma construção sobre o túmulo, e em geral é feita para a moradia do guarda do túmulo; por isso, ainda que ninguém more nela, é uma moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vehakever”
והקבר - בית הקברות:

“E o kever” — isto é, o cemitério.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uveit hakeneset”
ובית הכנסת - סתם ביהכ"נ לאו לדירה עביד הלכך אי לית בה דירה לחזן הכנסת לאו דירה היא:

“E a sinagoga” — uma sinagoga comum não é feita para moradia; por isso, se não há nela moradia para o chazan da congregação, não é moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uveit avodat kochavim”
ובית עבודת כוכבים - נמי לאו לדירה עביד:

“E o templo de idolatria” — também não é feito para moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “veha’urvot”
והאורוות - אורוות סוסים:

“E as estrebarias” — estrebarias de cavalos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “otzarot”
אוצרות - לתבואה ולשמן וליין לאו לדירה נינהו:

“Depósitos” — de cereal, de azeite e de vinho; não são feitos para moradia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vehaburganin shebetochah”
והבורגנין שבתוכה - בתוך השדה:

“E os burganin que estão no seu meio” — isto é, no meio do campo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vehabayit shebayam”
והבית שבים - באיי הים בתוך ע' אמה ושיריים לעיר:

“E a casa que está no mar” — isto é, nas ilhas do mar, dentro de setenta amot e um resto da cidade.

Nota

“Juntar-se ao ibur” é entrar no contorno da cidade, de modo que o techum se mede a partir dessas construções. A guemará não diz de onde vem a lista; a tradução de referência a chama Tosefta, e de fato um paralelo está na Tosefta Eruvin 4:7 (Lieberman; conferido), com diferenças: ali não há a sinagoga, Rabi Yehuda acrescenta que as paredes e as saliências do monumento se juntam à cidade, e a cisterna, a vala, a caverna e o muro estão entre os que se juntam. Seguimos o Rashi: o nefesh é a construção sobre o túmulo, feita em geral para morada do guarda, e por isso conta como moradia mesmo sem morador; o “kever” é o cemitério; a sinagoga e o templo de idolatria comuns não se fazem para morar, e só contam quando há neles moradia; os burganin, que em Eruvin 21a são postos de guarda, estão no campo; e a casa no mar está numa ilha, a menos de setenta amot e um resto da cidade. O lema do quarto comentário diz “ובית עבודת כוכבים”, onde a guemará diz “וּבֵית עֲבוֹדָה זָרָה”; o do sexto diz “אוצרות”, sem a conjunção. A pergunta sobre as duas paredes com teto é examinada no bloco 1968.

1967E os que não se juntam
A guemará
וְאֵלּוּ שֶׁאֵין מִתְעַבְּרִין עִמָּהּ: נֶפֶשׁ שֶׁנִּפְרְצָה מִשְׁתֵּי רוּחוֹתֶיהָ אֵילָךְ וְאֵילָךְ, וְהַגֶּשֶׁר וְהַקֶּבֶר שֶׁאֵין לָהֶן בֵּית דִּירָה, וּבֵית הַכְּנֶסֶת שֶׁאֵין לָהּ בֵּית דִּירָה לַחַזָּן, וּבֵית עֲבוֹדָה זָרָה שֶׁאֵין לָהּ בֵּית דִּירָה לַכּוֹמָרִים, וְהָאוּרְווֹת וְהָאוֹצָרוֹת שֶׁבַּשָּׂדוֹת שֶׁאֵין לָהֶן בֵּית דִּירָה, וּבוֹר וְשִׁיחַ וּמְעָרָה וְגָדֵר וְשׁוֹבָךְ שֶׁבְּתוֹכָהּ, וְהַבַּיִת שֶׁבַּסְּפִינָה — אֵין אֵלּוּ מִתְעַבְּרִין עִמָּהּ.

E estes são os que não se juntam ao ibur da cidade: um nefesh que foi rompido nos seus dois lados, daqui e dali (de um lado a outro); e a ponte e o kever que não têm moradia; e a sinagoga que não tem moradia para o chazan; e o templo de idolatria que não tem moradia para os sacerdotes pagãos; e as estrebarias e os depósitos que estão nos campos e não têm moradia; e o bor (cisterna), o siach (vala comprida), a me’ará (caverna), o gader (muro) e o pombal que estão no seu meio (no campo); e a casa que está no navio: estes não se juntam ao ibur da cidade.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bor vesiach”
בור ושיח - בבבא קמא (דף נ:) מפרש מאי בור ומאי שיח:

“Bor e siach” — em Bava Kamma, folha 50b, a guemará explica o que é bor e o que é siach.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shebetochah”
שבתוכה - שבשדה:

“Que estão no seu meio” — isto é, que estão no campo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bayit shebisfiná”
בית שבספינה - לא קביע ליה דוכתא פעמים שהוא בתוך שבעים לעיר פעמים שאינו:

“A casa que está no navio” — não tem lugar fixo: às vezes está dentro de setenta amot e um resto da cidade, às vezes não está.

Nota

O Rashi remete a Bava Kamma 50b (conferido), onde a guemará distingue o bor, estreito e fechado ao redor, o siach, comprido, e a me’ará, larga e quadrada. Segundo o Rashi, a casa no navio não se junta porque não tem lugar fixo: às vezes está a menos de setenta amot e um resto da cidade, às vezes não. No paralelo da Tosefta Eruvin 4:8 (Lieberman; conferido), só o pombal e a casa no navio aparecem entre os que não se juntam, além das construções sem moradia.

1968O nefesh rompido: sem teto
A guemará
קָתָנֵי מִיהַת: נֶפֶשׁ שֶׁנִּפְרְצָה מִשְׁתֵּי רוּחוֹתֶיהָ אֵילָךְ וְאֵילָךְ. מַאי לָאו דְּאִיכָּא תִּקְרָה! לָא — דְּלֵיכָּא תִּקְרָה.

Em todo caso, ensina: “Um nefesh que foi rompido nos seus dois lados, daqui e dali” não se junta. Acaso não é quando há teto sobre as paredes que restam? Não: é quando não há teto.

Nota

A guemará tenta resolver a pergunta do bloco 1966: rompido o monumento em dois lados opostos, restam duas paredes; se tivessem teto e mesmo assim não se juntassem, duas paredes com teto não contariam como casa. A guemará rejeita a prova, pois a baraita pode falar de um monumento sem teto, e a pergunta fica aqui sem resposta. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1969Rav Pappa: a casa que está no mar
A guemará
בַּיִת שֶׁבַּיָּם. לְמַאי חֲזֵי? אָמַר רַב פָּפָּא: בַּיִת שֶׁעָשׂוּי לְפַנּוֹת בּוֹ כֵּלִים שֶׁבַּסְּפִינָה.

A baraita ensinou: “A casa que está no mar.” Para que serve essa casa? Disse Rav Pappa: É uma casa feita para descarregar nela os utensílios que estão no navio.

Nota

A casa no mar, que segundo o Rashi do bloco 1966 está numa ilha perto da cidade, não é feita para morar; Rav Pappa explica que é um depósito para a carga dos navios, e por isso tem lugar fixo e se junta à cidade, ao contrário da casa no navio. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1970Rabi Chiya: a caverna se junta
A guemará
וּמְעָרָה אֵין מִתְעַבֶּרֶת עִמָּהּ, וְהָתָנֵי רַבִּי חִיָּיא: מְעָרָה מִתְעַבֶּרֶת עִמָּהּ! אָמַר אַבָּיֵי: כְּשֶׁיֵּשׁ בִּנְיָן עַל פִּיהָ.

E a caverna não se junta ao ibur da cidade? Mas Rabi Chiya não ensinou: “A caverna se junta ao ibur da cidade”? Disse Abaye: Rabi Chiya fala de quando há uma construção sobre a sua entrada.

Nota

A Tosefta Eruvin 4:7 (Lieberman; conferido) traz a caverna entre os que se juntam à cidade, como ensina Rabi Chiya, e não entre os que não se juntam, como na baraita da guemará. Abaye resolve a contradição: a caverna se junta quando há uma construção à sua entrada. O Sefaria não liga nenhum comentário do Rashi a este segmento.

1971Para completar
A guemará
וְתִיפּוֹק לֵיהּ מִשּׁוּם בִּנְיָן גּוּפֵיהּ! לָא צְרִיכָא, לְהַשְׁלִים.

Mas que o derive por causa da própria construção! Não é necessário ensiná-lo senão para completar a medida da casa.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vetipok leh mishum binyan”
ותיפוק ליה משום בנין - אם יש בנין על פיה מאי אהניא מערה בלאו מערה נמי מבנין משחינן:

“E que o derive por causa da construção” — se há uma construção sobre a sua entrada, de que serve a caverna? Mesmo sem a caverna se mede o techum a partir da construção.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lehashlim”
להשלים - אם אין הבנין ראוי לדירה כגון שאין בו ד' על ד' מהניא ליה מערה לאשלומי:

“Para completar” — se a construção não é apta para moradia, por exemplo, que não tem quatro amot por quatro, a caverna lhe serve para completar a medida.

Nota

Segundo o Rashi, se há uma construção à entrada, mede-se a partir dela, e a caverna nada acrescenta; mas, se a construção sozinha não é apta para moradia, por não ter quatro amot por quatro, a caverna completa essa medida, e as duas juntas contam como casa.

Os moradores de tzrifin · יוֹשְׁבֵי צְרִיפִין

1972Rav Huna: da entrada das suas casas
A guemará
אָמַר רַב הוּנָא: יוֹשְׁבֵי צְרִיפִין, אֵין מוֹדְדִין לָהֶן אֶלָּא מִפֶּתַח בָּתֵּיהֶן.

Disse Rav Huna: Os moradores de tzrifin (cabanas), não se lhes mede o techum senão a partir da entrada das suas casas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “tzrifin”
צריפין - דירה של הוצין וערבה ואינו קבע הלכך אפילו יש הרבה במקום אחד כשיעור מהלך מאה אמה אין חשובין עיר להיות כארבע אמות וכל אחד מודד מפתח ביתו אלפים לכל רוח אם בא לצאת:

“Tzrifin” — é uma moradia de ramos de palmeira e de salgueiro, e não é fixa; por isso, mesmo se há muitas num só lugar, na medida de um percurso de cem amot, não contam como cidade, para ser para os seus moradores como quatro amot; e cada um mede, a partir da entrada da sua casa, duas mil amot para cada lado, se vem sair.

Nota

Segundo o Rashi, a cabana de ramos e salgueiro não é moradia fixa; por isso, mesmo muitas cabanas juntas não formam uma cidade, que contaria inteira como quatro amot para os seus moradores, e cada um mede as suas duas mil amot a partir da porta da sua casa. A expressão “כשיעור מהלך מאה אמה” é concisa; entendemos que as cabanas estão próximas, na distância de cem amot, e a leitura é incerta. Traduzimos “הוצין” por ramos de palmeira.

1973Rav Chisda: o acampamento de três parsaot
A guemará
מֵתִיב רַב חִסְדָּא: ״וַיַּחֲנוּ עַל הַיַּרְדֵּן מִבֵּית הַיְשִׁימוֹת״, וְאָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה (אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן): לְדִידִי חֲזֵי לִי הָהוּא אַתְרָא, וְהָוֵי תְּלָתָא פַּרְסֵי עַל תְּלָתָא פַּרְסֵי.

Rav Chisda objetou: “E acamparam junto ao Jordão, desde Beit HaYeshimot até Avel HaShitim” (Bamidbar 33:49); e Rabba bar bar Chana disse: Eu mesmo vi aquele lugar, e é de três parsaot (parasangas) por três parsaot.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vayachanu al haYarden”
ויחנו על הירדן - במחנה ישראל כתיב:

“E acamparam junto ao Jordão” — este versículo está escrito sobre o acampamento de Israel.

Nota

A guemará cita só o começo de Bamidbar 33:49 (conferido), “וַיַּחֲנוּ עַל הַיַּרְדֵּן מִבֵּית הַיְשִׁמֹת עַד אָבֵל הַשִּׁטִּים בְּעַרְבֹת מוֹאָב”; completamos até Avel HaShitim, o outro extremo do acampamento. O texto hebraico traz, como no Sefaria, as palavras “אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן” entre parênteses depois do nome de Rabba bar bar Chana: é uma marca de editor, indicando que devem ser omitidas, e por isso não as traduzimos; a tradução de referência as traduz, “Rabba bar bar Chana disse que Rabi Yochanan disse”. A parasanga, “parsa”, equivale a quatro milin, e cada mil, a duas mil amot, a medida do techum; o acampamento media assim doze milin por doze milin.

1974Não diante deles, mas atrás deles
A guemará
וְתַנְיָא: כְּשֶׁהֵן נִפְנִין — אֵין נִפְנִין לֹא לִפְנֵיהֶם, וְלֹא לְצִדֵּיהֶן, אֶלָּא לְאַחֲרֵיהֶן?

E foi ensinado numa baraita: Quando eles (os israelitas no deserto) faziam as suas necessidades, não as faziam nem diante deles, nem aos seus lados, mas somente atrás deles?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ein nifnin lo lifneihen”
אין נפנין לא לפניהן - חוץ לענן שמא ילך הענן והארון שם:

“Não faziam as suas necessidades diante deles” — fora da nuvem, porque talvez a nuvem e a arca fossem para lá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “velo letzideihen”
ולא לצידיהן - חוץ לענן שאין יודעין אנה יפנה הענן לעבור:

“Nem aos seus lados” — fora da nuvem, pois não sabem para onde a nuvem se voltará para passar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ela le’achoreihen”
אלא לאחוריהן - חוץ לענן דודאי לא יחזור הענן לאחוריו אלמא המהלך בראש והוצרך לנקביו חוזר לאחוריו שלש פרסאות וישראל במדבר יושבי אהלים היו שאינן קבועין ואפילו הכי מהלכין את כל המחנה כארבע אמות:

“Mas atrás deles” — fora da nuvem, pois certamente a nuvem não voltará para trás. Logo, quem anda à frente e precisa das suas necessidades volta para trás três parsaot; e Israel no deserto eram moradores de tendas, que não são fixas, e mesmo assim andavam todo o acampamento como se fosse quatro amot.

Nota

Segundo o Rashi, quem acampava à frente e precisava das suas necessidades voltava para trás, fora da nuvem, três parsaot; e Israel no deserto morava em tendas, que não são fixas, e mesmo assim andava todo o acampamento como se fosse quatro amot. Isso contradiz Rav Huna, para quem os moradores de moradias não fixas medem o techum a partir da porta. O Rashi explica as três direções pela nuvem: diante, porque a nuvem e a arca podiam ir para lá; aos lados, porque não se sabia para onde a nuvem se voltaria; atrás, porque a nuvem certamente não voltaria. A tradução de referência dá outra razão, o respeito pela Presença Divina; seguimos o Rashi. O lema do primeiro comentário do Rashi diz “לפניהן”, onde a guemará diz “לִפְנֵיהֶם”.

1975Rava: as bandeiras do deserto
A guemará
אֲמַר לֵיהּ רָבָא: דִּגְלֵי מִדְבָּר קָאָמְרַתְּ? כֵּיוָן דִּכְתִיב בְּהוּ: ״עַל פִּי ה׳ יַחֲנוּ וְעַל פִּי ה׳ יִסָּעוּ״ — כְּמַאן דִּקְבִיעַ לְהוּ דָּמֵי.

Disse-lhe Rava: Falas dos diglei midbar (as bandeiras do deserto)? Já que está escrito a respeito deles: “Segundo a palavra do Eterno acampavam, e segundo a palavra do Eterno partiam” (Bamidbar 9:20), é como se o acampamento lhes fosse fixo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “keivan dichtiv al pi Hashem yachanu”
כיון דכתיב על פי ה' יחנו - חשובה היא חנייתן להיות נידונת קבע:

“Já que está escrito: Segundo a palavra do Eterno acampavam” — o seu acampamento é importante, para ser julgado como fixo.

Nota

O versículo está em Bamidbar 9:20 e de novo, com as mesmas palavras, em Bamidbar 9:23 (conferidos). As “bandeiras” são o acampamento de Israel no deserto, ordenado por tribos em torno das suas bandeiras. Segundo o Rashi, o acampamento feito por ordem divina é importante, e por isso é julgado como moradia fixa, ao contrário das cabanas de que fala Rav Huna.

1976Rav Chinena bar Rav Kahana: três pátios de duas casas
A guemará
אָמַר רַב חִינָּנָא בַּר רַב כָּהֲנָא אָמַר רַב אָשֵׁי: אִם יֵשׁ שָׁם שָׁלֹשׁ חֲצֵירוֹת שֶׁל שְׁנֵי בָתִּים — הוּקְבְּעוּ.

Disse Rav Chinena bar Rav Kahana, disse Rav Ashi: Se há ali entre os tzrifin três pátios de duas casas cada um, tornaram-se fixos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “shalosh chatzerot shel shnei batim”
ג' חצירות של ב' בתים - קבועין של אבן או של עץ בהכי חשיבי עיר וקובעת את כולן וכדתנן לקמן (עירובין דף נט.) ר' שמעון אומר שלש חצירות של ב' ב' בתים:

“Três pátios de duas casas” — casas fixas, de pedra ou de madeira: com isso contam como cidade, e a cidade torna fixos a todos os tzrifin, como aprendemos adiante, em Eruvin, folha 59a: “Rabi Shimon diz: Três pátios de duas casas cada um.”

Nota

Segundo o Rashi, as casas são fixas, de pedra ou de madeira; com elas o lugar conta como cidade, e as cabanas também se tornam fixas, de modo que se mede o techum a partir do fim do povoado. O Rashi remete à Mishná Eruvin 5:6 (conferido), em Eruvin 59a (conferido), onde Rabi Shimon dá a mesma medida, “שָׁלֹשׁ חֲצֵירוֹת שֶׁל שְׁנֵי בָתִּים”, para a cidade que deixa de ser de muitos; o Rashi a cita como “של ב׳ ב׳ בתים”, “de duas casas cada um”.

A vida dos que moram em tzrifin · חַיֵּיהֶן אֵינָן חַיִּים

1977Rav Yehuda em nome de Rav: a sua vida não é vida
A guemará
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: יוֹשְׁבֵי צְרִיפִין וְהוֹלְכֵי מִדְבָּרוֹת — חַיֵּיהֶן אֵינָן חַיִּים, וּנְשֵׁיהֶן וּבְנֵיהֶן אֵינָן שֶׁלָּהֶן.

Disse Rav Yehuda, disse Rav: Os moradores de tzrifin e os que andam pelos desertos com as suas famílias: a sua vida não é vida de verdade, e as suas mulheres e os seus filhos não são realmente deles.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “umehalchei midbarot”
ומהלכי מדברות - ונשותיהן עמהן:

“E os que andam pelos desertos” — e as suas mulheres estão com eles.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “einan shelahen”
אינן שלהן - לקמן מפרש טעמא:

“Não são deles” — adiante a guemará explica a razão.

Nota

Segundo o Rashi, os que andam pelos desertos levam consigo as suas mulheres; a razão por que “as suas mulheres e os seus filhos não são deles” é explicada no bloco 1979. O lema do Rashi diz “ומהלכי מדברות”, onde a guemará diz “וְהוֹלְכֵי מִדְבָּרוֹת”.

1978Eliezer de Birya: como os moradores de túmulos
A guemará
תַּנְיָא נָמֵי הָכִי, אֱלִיעֶזֶר אִישׁ בִּירְיָא אוֹמֵר: יוֹשְׁבֵי צְרִיפִין כְּיוֹשְׁבֵי קְבָרִים. וְעַל בְּנוֹתֵיהֶם הוּא אוֹמֵר: ״אָרוּר שׁוֹכֵב עִם כׇּל בְּהֵמָה״.

Foi ensinado também assim numa baraita: Eliezer de Birya diz: Os moradores de tzrifin são como os moradores de túmulos. E sobre as suas filhas ele (o versículo) diz: “Maldito quem se deita com qualquer animal” (Devarim 27:21).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “keyoshvei kevarot”
כיושבי קברות - כמתים לפי שמחוסרין הנאה הן ולוקין ברוחות בזרם ובמטר:

“Como os moradores de túmulos” — isto é, como os mortos, porque estão privados de prazer e são castigados pelos ventos, pela tempestade e pela chuva.

Nota

O versículo é Devarim 27:21 (conferido), “אָרוּר שֹׁכֵב עִם כׇּל בְּהֵמָה”, que a guemará cita sem a continuação. “Ele diz” traduz “הוּא אוֹמֵר”, a fórmula com que se introduz um versículo; a tradução de referência entende que o versículo se aplica a quem se casa com as suas filhas. Segundo o Rashi, os moradores de cabanas são como mortos, privados de todo prazer e castigados pelo vento, pela tempestade e pela chuva. O lema do Rashi diz “כיושבי קברות”, onde a guemará diz “כְּיוֹשְׁבֵי קְבָרִים”. “Eliezer de Birya” traduz “אֱלִיעֶזֶר אִישׁ בִּירְיָא”, literalmente “Eliezer, homem de Birya”.

1979Ulla e Rabi Yochanan: as casas de banho e a imersão
A guemará
מַאי טַעְמָא? עוּלָּא אָמַר: שֶׁאֵין לָהֶן מֶרְחֲצָאוֹת. וְרַבִּי יוֹחָנָן אָמַר: מִפְּנֵי שֶׁמַּרְגִּישִׁין זֶה לָזֶה בִּטְבִילָה.

Qual é a razão de as suas filhas serem proibidas? Ulla disse: É porque não têm casas de banho. E Rabi Yochanan disse: Porque percebem uns dos outros o momento da imersão.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mai ta’ama”
מ"ט - אסורין בנותיהן:

“Qual é a razão” — de as suas filhas serem proibidas?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “she’ein lahen merchatsaot”
שאין להן מרחצאות - והולכין במקום רחוק לרחוץ ונשותיהן נזקקות למנאפין לפי שהעיר עזובה מאין איש:

“Porque não têm casas de banho” — e vão a um lugar distante para se banhar, e as suas mulheres se entregam aos adúlteros, porque a cidade fica abandonada, sem homem.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bitvilá”
בטבילה - שאין להן מקוואות והולכות הנשים לטבול במקום רחוק וקוראה לחברתה ומרגישין השכנים ויש רשע רודף אחריהן ומתייחד עמהן ותנן (קידושין דף פ:) לא יתייחד אדם עם שתי נשים:

“Na imersão” — pois não têm mikvaot (banhos rituais), e as mulheres vão imergir num lugar distante, e uma chama a sua companheira, e os vizinhos percebem, e há um perverso que corre atrás delas e se isola com elas; e aprendemos numa mishná, em Kiddushin, folha 80b: “Um homem não se isolará com duas mulheres.”

Nota

Seguimos o Rashi, que lê a pergunta como “por que as suas filhas são proibidas”. Para Ulla, os homens vão longe para se banhar e deixam a cidade sem homens; para Rabi Yochanan, as mulheres vão longe para a imersão, chamam umas às outras, os vizinhos percebem, e um perverso pode segui-las e isolar-se com elas. O Rashi cita a Mishná Kiddushin 4:12 (conferido), que está em Kiddushin 80b (conferido): “לֹא יִתְיַחֵד אָדָם עִם שְׁתֵּי נָשִׁים”.

1980O rio próximo da casa
A guemará
מַאי בֵּינַיְיהוּ? אִיכָּא בֵּינַיְיהוּ נַהֲרָא דִּסְמִיךְ לְבֵיתָא.

Qual é a diferença entre eles? Há entre eles o caso de um rio que está próximo da casa.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “nahará”
נהרא - ראוי לטבילה ולא למרחץ הרגש טבילה ליכא דהא סמוך לה אבל טעמא דמשום מרחצאות איכא:

“Um rio” — apto para a imersão, e não para o banho: a razão de perceber a imersão não há, pois ele está próximo dela (da casa); mas a razão por causa das casas de banho há.

Nota

Segundo o Rashi, o rio serve para a imersão, mas não para o banho: com ele perto de casa, a razão de Rabi Yochanan desaparece, pois as mulheres já não vão longe, mas a de Ulla permanece, pois os homens ainda vão longe para se banhar.

A cidade em que não há verdura · עִיר שֶׁאֵין בָּהּ יָרָק

1981Rav Huna: o talmid chacham e a verdura
A guemará
אָמַר רַב הוּנָא: כׇּל עִיר שֶׁאֵין בָּהּ יָרָק — אֵין תַּלְמִיד חָכָם רַשַּׁאי לָדוּר בָּהּ. לְמֵימְרָא דְּיָרָק מְעַלְּיָא? וְהָתַנְיָא: שְׁלֹשָׁה מַרְבִּין אֶת הַזֶּבֶל, וְכוֹפְפִין אֶת הַקּוֹמָה, וְנוֹטְלִין אֶחָד מֵחֲמֵשׁ מֵאוֹת מִמְּאוֹר עֵינָיו שֶׁל אָדָם, וְאֵלּוּ הֵן:

Disse Rav Huna: Toda cidade em que não há verdura, um talmid chacham (sábio da Torá) não tem permissão de morar nela. Isso vem dizer que a verdura é algo bom? Mas não foi ensinado numa baraita: Três coisas aumentam o excremento, curvam a estatura e tiram um quinhentos avos da luz dos olhos de uma pessoa, e estas são elas:

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ein talmid chacham”
אין תלמיד חכם כו' - לפי שהירק טוב למאכל ונלקח בזול ויכול לעסוק בתורה:

“Um talmid chacham não etc.” — porque a verdura é boa para comer e se compra barato, e assim ele pode ocupar-se da Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vechofefin”
וכופפין - גרסינן:

“E curvam” — assim lemos.

Nota

Seguimos o Rashi: o sábio deve morar onde há verdura porque é boa comida e barata, e assim ele fica livre para se ocupar da Torá. A tradução de referência explica que é por razões de saúde. A pergunta da guemará supõe que Rav Huna louva a verdura, e a baraita que a guemará começa a citar parece dizer o contrário; a lista das três coisas e a resposta estão em Eruvin 56a. O segundo comentário do Rashi, “וכופפין — גרסינן”, apenas confirma a leitura “e curvam” na baraita, sem dizer que outra leitura rejeita.

O daf termina aqui, no meio da baraita das três coisas que tiram a luz dos olhos: depois de concluir a disputa sobre o karpef de cada cidade, a regra do arco e da corda, a lista do que se junta ao ibur da cidade e a regra de Rav Huna sobre os moradores de cabanas, com a objeção do acampamento no deserto, a guemará chega à cidade sem verdura e começa a citar a baraita. A guemará prossegue em Eruvin 56a.