Talmud Bavli · Massechet Eruvin · Perek Heh (Keitzad Meabrin) · 58a
כֵּיצַד מְעַבְּרִין

Contanto que não saia do techum; a corda de cinquenta amot; as três cordas; o vale curvo e o muro

Eruvin 58a — Perek Heh (Keitzad Meabrin, Eruvin 52b:16-61b:10) · fim da mishná (Mishná Eruvin 5:4): contanto que não saia para fora do techum; se não pode absorvê-lo, Rabi Dostai bar Yanai em nome de Rabi Meir: ouvi que se perfura nas montanhas · guemará: Rav Yehuda em nome de Rav: “cinquenta por cinquenta” (Shemot 27:18); toma cinquenta e rodeia cinquenta; deduzem-se duas coisas · nem menos, porque aumenta; nem mais, porque diminui · Rabi Assi: a corda de afsakima; nargila e a palmeira de um só nevra · Rabi Yehoshua ben Chananya: correntes de ferro, mas “e na sua mão uma corda de medir”; a cana de medir, para os portões · Rav Yossef: as três cordas, de magag, de netzer e de linho; a pará e a sotá · volta à sua medida: vai a um lugar onde pode absorvê-lo; a baraita do vale; o vale curvo: perfura e sobe, perfura e desce; o muro: estima-o · ali o uso é cômodo, aqui não · Rav Yehuda em nome de Shmuel: onde o fio de prumo não desce defronte dele · continua de Eruvin 57b; continua em Eruvin 58b

O daf começa com o fim da Mishná Eruvin 5:4, iniciada em Eruvin 57b: o vale, a cerca e a montanha se absorvem na corda, contanto que o agrimensor não saia para fora do techum; e, se não se pode absorvê-los, Rabi Dostai bar Yanai ouviu de Rabi Meir que se perfura nas montanhas, medindo só a distância horizontal. A guemará busca a fonte da corda de cinquenta amot em “cinquenta por cinquenta”, versículo do pátio do Mishkan que também ensina a medida do beit sata’im, e explica por que nem menos nem mais. Rabi Assi exige uma corda de afsakima; Rabi Yehoshua ben Chananya diz que nada mede melhor que as correntes de ferro, mas o versículo fala de corda, e a cana de medir de Yechezkel serve para os portões. Rav Yossef ensina três cordas: de magag para a pará, de netzer para a sotá, de linho para medir. Volta-se então à mishná: se o vale não se absorve defronte da cidade, absorve-se num lugar mais estreito; a baraita do vale curvo manda perfurar subindo e descendo, e o muro só se estima, porque não serve para andar. O daf termina no meio da palavra de Shmuel sobre o fio de prumo.

A Mishná (continuação): contanto que não saia do techum · שֶׁמְּקַדְּרִין בֶּהָרִים

2039Contanto que não saia para fora do techum
Mishná
וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יֵצֵא חוּץ לַתְּחוּם.

contanto que não saia com a medição para fora do techum.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uvilvad shelo yetze chutz latechum”
ובלבד שלא יצא חוץ לתחום - שאם היה רחבו של גיא כנגד העיר יוצא חוץ לתחום וזה הלך והבליעו שלא כנגד העיר ומודד משפתו ולהלן לא ימדוד אלא עד כדי השלמת התחומין וצופה כנגד מקום שמדתו כלה כנגד העיר בתוך הגיא ויציין סימני התחום אבל לא ימדוד וילך חוץ לתחום עד כנגד מקום תכלית שפת הגיא שכנגד העיר לידע כמה אמות יצא וכמנין אותן אמות יחזור ויכנס לתוך הגיא ויציין משום גזירה שהרואה אותו מודד והולך שם יאמר שמידת התחומין ע"כ. ל"א שלא יצא חוץ לתחום אם היה ארוך וראשיו יוצאין חוץ לתחומי העיר ואין יכול להבליעו בחבל כנגד התחומין מפני רחבו ויכול להבליעו שלא כנגד התחומין לא יצא להבליעו שם גזירה שמא יאמרו מדת תחומין של צידי העיר באה לכאן:

“Contanto que não saia para fora do techum” — pois, se a largura do vale, defronte da cidade, sai para fora do techum, e este agrimensor foi e o absorveu fora do que está defronte da cidade, e mede da sua borda em diante, não meça senão até completar os techumin; e olhe defronte do lugar onde a sua medida termina, defronte da cidade, dentro do vale, e marque ali os sinais do techum. Mas não meça e vá para fora do techum até defronte do lugar do fim da borda do vale que está defronte da cidade, para saber quantas amot saiu além do techum, e depois, conforme o número dessas amot, volte e entre dentro do vale e marque o limite; isso é proibido por causa de um decreto, pois quem o vê medindo e andando ali diria que a medida dos techumin vai até aqui. Outra versão: “que não saia para fora do techum” — se o vale era comprido, e as suas extremidades saem para fora dos techumin da cidade, e não pode absorvê-lo com a corda defronte dos techumin por causa da sua largura, mas pode absorvê-lo fora do que está defronte dos techumin, não saia para absorvê-lo ali, por decreto, para que não digam que a medida dos techumin dos lados da cidade chega até aqui.

Nota

Continuação da Mishná Eruvin 5:4 (conferida), que começou em Eruvin 57b (blocos 2037–2038): depois do vale, da cerca e da montanha, que se absorvem na corda, a mishná põe um limite: contanto que, ao absorvê-los, não saia para fora do techum. Segundo o Rashi, se defronte da cidade o vale é largo demais, e o agrimensor vai absorvê-lo numa extremidade, fora do que está defronte da cidade, mede dali só até completar o techum, olha defronte do ponto em que a medida termina, dentro do vale, e marca ali o limite; não deve seguir medindo para fora do techum até o fim da borda do vale e depois voltar, contando as amot, para marcar o limite dentro do vale, por um decreto: quem o visse medindo lá fora pensaria que o techum chega até ali. Na outra versão que o Rashi traz, o vale é comprido e as suas extremidades saem para fora dos techumin da cidade; se não se pode absorvê-lo defronte dos techumin, não se vai absorvê-lo além deles, pelo mesmo receio. A tradução de referência entende, como o Rashi, que o receio é que quem observa pense que o techum se estende até ali. Lemos a abreviatura “ע״כ” do Rashi como “עד כאן”, “até aqui”; a leitura é incerta.

2040Rabi Dostai bar Yanai: perfura-se nas montanhas
Mishná
אִם אֵינוֹ יָכוֹל לְהַבְלִיעוֹ — בְּזוֹ אָמַר רַבִּי דּוֹסְתַּאי בַּר יַנַּאי מִשּׁוּם רַבִּי מֵאִיר: שָׁמַעְתִּי שֶׁמְּקַדְּרִין בֶּהָרִים.

Se não pode absorvê-lo, neste caso disse Rabi Dostai bar Yanai em nome de Rabi Meir: Ouvi que mekadrin (se perfura) nas montanhas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bezo amar Rabi Dostai bar Rabi Yanai”
בזו א"ר דוסתאי בר' ינאי - בזו למעוטי ערי מקלט ועגלה ערופה דאין מקדרין בהן כדמפרש בגמרא [לקמן:]:

“Neste caso disse Rabi Dostai bar Rabi Yanai” — “neste”, para excluir as cidades de refúgio e a eglá arufá (a novilha cuja nuca é quebrada), em que não se perfura, como se explica na guemará.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mekadrin”
מקדרין - נוקבין רואין כאלו נוקבין אותן ומודדין דרך הנקב למעט מדת מדרונו כדאמר בגמ' שמודדין אותו בחבל של ד"א והתחתון מניח את החבל כנגד לבו והעליון כנגד מרגלותיו ומתמעט מדרונו של כל ד"א חצי קומת אדם:

“Mekadrin” — perfuram: veem as montanhas como se as perfurassem, e medem pelo caminho do furo, para diminuir a medida do seu declive; como diz na guemará, que o medem com uma corda de quatro amot, e o de baixo dos dois agrimensores põe a corda defronte do seu coração, e o de cima, defronte dos seus pés, e com isso diminui-se do declive, em cada quatro amot, meia altura de homem.

Nota

Fim da Mishná Eruvin 5:4 (conferida). Na edição avulsa lê-se “בָּזוֹ” e “רַבִּי דוֹסְתַּאי בַּר רַבִּי יַנַּאי”, onde o Talmud diz “בְּזוֹ” e “רַבִּי דּוֹסְתַּאי בַּר יַנַּאי”; o lema do Rashi também diz “בר׳ ינאי”, que traduzimos “bar Rabi Yanai”. Segundo o Rashi, “neste caso” vem excluir as cidades de refúgio e a eglá arufá, cujas medidas se fazem sem perfurar, como a guemará explica adiante; no Sefaria, a remissão “לקמן” vem entre colchetes. Mekadrin, segundo o Rashi, é ver a montanha como se fosse perfurada e medir pelo caminho do furo, para diminuir a medida do declive: mede-se com uma corda de quatro amot, o de baixo segura-a defronte do coração e o de cima defronte dos pés, e assim cada quatro amot de declive perdem meia altura de homem. A tradução de referência entende do mesmo modo: mede-se só a distância horizontal. A mesma mishná foi citada em Eruvin 35b, onde se traduziu “se perfuram os montes”; aqui mantemos “montanha”, como na mishná de Eruvin 57b (bloco 2038).

Guemará: a corda de cinquenta amot · חֲמִשִּׁים בַּחֲמִשִּׁים

2041Rav Yehuda em nome de Rav: “cinquenta por cinquenta”
A guemará
גְּמָ׳ מְנָא הָנֵי מִילֵּי? אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: דְּאָמַר קְרָא ״אֹרֶךְ הֶחָצֵר מֵאָה בָאַמָּה וְרוֹחַב חֲמִשִּׁים בַּחֲמִשִּׁים״, אָמְרָה תּוֹרָה: בְּחֶבֶל שֶׁל חֲמִשִּׁים אַמָּה מְדוֹד.

GUEMARÁ. De onde se tiram estas coisas, a corda de cinquenta amot? Disse Rav Yehuda, disse Rav: Pois diz o versículo: “O comprimento do pátio, cem em amot, e a largura, cinquenta por cinquenta” (Shemot 27:18). Disse a Torá: Com uma corda de cinquenta amot mede o techum.

Nota

O versículo é Shemot 27:18 (conferido), sobre o pátio do Mishkan. Rav lê “בַּחֲמִשִּׁים” como “com cinquenta”: mede-se com uma corda de cinquenta amot. No texto bíblico lê-se “וְרֹחַב”, onde a guemará escreve “וְרוֹחַב”; é diferença de grafia. Não há comentário do Rashi neste segmento nem nos dois seguintes no Sefaria.

2042Toma cinquenta e rodeia cinquenta
A guemará
הַאי מִיבְּעֵי לֵיהּ לִיטּוֹל חֲמִשִּׁים וּלְסַבֵּב חֲמִשִּׁים.

Isto é necessário para ensinar: Toma cinquenta e rodeia cinquenta.

Nota

A objeção: o mesmo versículo já é usado em Eruvin 23b (conferido), onde Rav Yehuda deriva dele a medida do beit sata’im, igual ao pátio do Mishkan: “toma cinquenta e rodeia cinquenta”. Isto é, de um pátio de cem por cinquenta toma-se um quadrado de cinquenta por cinquenta, e os outros cinquenta por cinquenta se distribuem em volta dele, formando um quadrado de um pouco mais de setenta amot de lado, como explica a tradução de referência.

2043Deduzem-se disto duas coisas
A guemará
אִם כֵּן לֵימָא קְרָא: ״חֲמִשִּׁים חֲמִשִּׁים״, מַאי ״חֲמִשִּׁים בַּחֲמִשִּׁים״? שָׁמְעַתְּ מִינַּהּ תַּרְתֵּי.

Se é assim, que o versículo diga “cinquenta, cinquenta”! Que vem ensinar “cinquenta por cinquenta”? Deduzem-se disto duas coisas.

Nota

Para ensinar só a área do pátio, bastaria “cinquenta, cinquenta”; a forma “cinquenta por cinquenta”, com a preposição, ensina também a corda de cinquenta amot. Assim entende a tradução de referência.

2044Nem menos, porque aumenta; nem mais, porque diminui
A guemará
לֹא פָּחוֹת וְלֹא יוֹתֵר. תָּנָא: לֹא פָּחוֹת — מִפְּנֵי שֶׁמַּרְבֶּה, וְלֹא יוֹתֵר — מִפְּנֵי שֶׁמְּמַעֵט.

“Nem menos nem mais.” Ensinou-se numa baraita: Nem menos, porque aumenta a medida; e nem mais, porque diminui.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “gemara: mipnei shemarbe”
גמ' מפני שמרבה - כשהחבל קצר יכול למותחו ומאריך המדה והתורה אמרה בחבל של נ' אמה ימדוד:

GUEMARÁ. “Porque aumenta” — quando a corda é curta, pode o agrimensor esticá-la, e alonga a medida do techum; e a Torá disse: Com uma corda de cinquenta amot meça.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “mipnei shemitma’et”
מפני שמתמעט - שכובדו מכפילו ומתקצר באמצעיתו:

“Porque se diminui” — a corda comprida diminui, pois o seu peso a dobra, e ela se encurta no seu meio.

Nota

A citação é a Mishná Eruvin 5:4, no bloco 2037 de Eruvin 57b, cuja tradução mantemos. Segundo o Rashi, a corda curta pode ser esticada, o que alonga a medida e aumenta o techum; e a corda longa verga com o próprio peso e se encurta no meio, o que diminui o techum; e a Torá disse que se mede com uma corda de cinquenta amot. A tradução de referência atribui o ensino à Tosefta; não o encontramos na Tosefta Eruvin (edição Lieberman) e por isso não o citamos como tal. O lema do Rashi diz “שמתמעט” (“porque se diminui”), onde a guemará diz “שֶׁמְּמַעֵט” (“porque diminui”).

Rabi Assi, Rabi Yehoshua ben Chananya e Rav Yossef: as cordas · שְׁלֹשָׁה חֲבָלִים

2045Rabi Assi: corda de afsakima
A guemará
אָמַר רַבִּי אַסִּי: אֵין מוֹדְדִין אֶלָּא בְּחֶבֶל שֶׁל אַפְסְקִימָא. מַאי אַפְסְקִימָא? אָמַר רַבִּי אַבָּא: נַרְגִּילָא. מַאי נַרְגִּילָא? אָמַר רַבִּי יַעֲקֹב: דִּיקְלָא דְּחַד נְבָרָא. אִיכָּא דְּאָמְרִי: מַאי אַפְסְקִימָא? רַבִּי אַבָּא אָמַר: נַרְגִּילָא, רַבִּי יַעֲקֹב אָמַר: דִּיקְלָא דְּחַד נְבָרָא.

Disse Rabi Assi: Não se mede o techum senão com uma corda de afsakima (nome de uma planta). Que é afsakima? Disse Rabi Abba: nargila (nome de uma árvore). Que é nargila? Disse Rabi Yaakov: Uma palmeira de um só nevra (fibra). Há os que dizem a discussão assim: Que é afsakima? Rabi Abba disse: Nargila; Rabi Yaakov disse: Uma palmeira de um só nevra.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “nevra”
נברא - סיב שגדל ומתגלגל סביב הדקל כעין ויגיל"א של גפנים:

“Nevra” — isto é, fibra que cresce e se enrola em volta da palmeira, como a vigila (gavinha) das videiras.

Nota

Rabi Assi exige uma corda de afsakima; segundo a tradução de referência, porque não se estica nem se encolhe. Na primeira versão, Rabi Abba identifica afsakima com nargila, e Rabi Yaakov explica o que é nargila: uma palmeira que tem um só nevra; na segunda, Rabi Abba e Rabi Yaakov dão cada um a sua explicação de afsakima. Segundo o Rashi, nevra é a fibra que cresce e se enrola em volta da palmeira, como as gavinhas da videira; “ויגיל״א” é palavra em língua estrangeira, que entendemos como “gavinha”; a leitura é incerta. As glosas de afsakima e de nargila só indicam do que se trata; a identificação exata das plantas é incerta.

2046Rabi Yehoshua ben Chananya: correntes de ferro
A guemará
תַּנְיָא, אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן חֲנַנְיָא: אֵין לְךָ שֶׁיָּפֶה לִמְדִידָה יוֹתֵר מִשַּׁלְשְׁלָאוֹת שֶׁל בַּרְזֶל, אֲבָל מַה נַּעֲשֶׂה שֶׁהֲרֵי אָמְרָה תּוֹרָה: ״וּבְיָדוֹ חֶבֶל מִדָּה״.

Foi ensinado numa baraita: Disse Rabi Yehoshua ben Chananya: Não tens coisa que seja melhor para medir do que correntes de ferro, que não se esticam; mas que faremos, pois eis que a Torá disse: “E na sua mão uma corda de medir” (Zecharia 2:5)?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uveyado chevel midá”
ובידו חבל מדה - במשכן של יחזקאל:

“E na sua mão uma corda de medir” — está escrito no santuário de Yechezkel.

Nota

O versículo é Zecharia 2:5 (conferido): “e eis um homem, e na sua mão uma corda de medir”; Rabi Yehoshua ben Chananya o chama de “Torá”, embora seja dos Profetas. A corrente de ferro não se estica, e por isso seria a melhor para medir; mas o versículo fala de uma corda. O Rashi diz que se trata do santuário de Yechezkel, embora as palavras sejam as de Zecharia 2:5; talvez pense em Yechezkel 40:3 (conferido), onde o homem que mede o santuário tem “um fio de linho na sua mão, e a cana de medir”; a leitura é incerta. A Tosefta Eruvin 4:16 (Lieberman; conferido) também exclui a corrente, “ולא בשלשלת”, e exige a corda, “אלא במשיחה”.

2047A cana de medir, para os portões
A guemará
וְהָכְתִיב: ״וּבְיַד הָאִישׁ קְנֵה הַמִּדָּה״? הָהוּא, לְתַרְעֵי.

Mas não está escrito: “E na mão do homem uma cana de medir” (Yechezkel 40:5)? Aquela cana é para os portões.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “uveyad ha’ish kenê hamidá”
וביד האיש קנה המדה - במשכן של יחזקאל:

“E na mão do homem uma cana de medir” — está escrito no santuário de Yechezkel.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bedetar’ei”
בדתרעי - למדוד רוחב השערים:

“Para os portões” — isto é, para medir a largura dos portões.

Nota

O versículo é Yechezkel 40:5 (conferido): “e na mão do homem uma cana de medir, de seis amot”. A resposta: a cana serve para medir os portões, que são estreitos; o Rashi diz “a largura dos portões”, e a tradução de referência entende do mesmo modo. O lema do Rashi diz “בדתרעי”, onde a guemará diz “לְתַרְעֵי”.

2048Rav Yossef: três cordas
A guemará
תָּנֵי רַב יוֹסֵף, שְׁלֹשָׁה חֲבָלִים הֵם: שֶׁל מָגָג, שֶׁל נֵצֶר, וְשֶׁל פִּשְׁתָּן.

Rav Yossef ensinou: São três as cordas: a de magag (junco), a de netzer (ramos de salgueiro) e a de linho.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “magag”
מגג - יונ"ק בלע"ז לפי שאינה מקבלת טומאה שיהו כל מעשה פרה בטהרה:

“Magag” — jonc (junco) em língua estrangeira; e usa-se porque não recebe impureza, para que todo o procedimento da pará seja em pureza.

Nota

Segundo o Rashi, o magag é o junco, em francês antigo “jonc” (“יונ״ק”), que não recebe impureza; por isso se usa na pará, cujo procedimento todo deve ser feito em pureza. A glosa de netzer segue a primeira explicação do Rashi no segmento seguinte, “salgueiro descascado”; a tradução de referência entende fibras de palmeira, como a outra versão que o Rashi traz.

2049A pará, a sotá e a medição
A guemará
שֶׁל מָגָג לְפָרָה, דִּתְנַן: כְּפָתוּהָ בְּחֶבֶל הַמָּגָג וּנְתָנוּהָ עַל גַּב מַעֲרַכְתָּהּ. שֶׁל נְצָרִים לְסוֹטָה, דִּתְנַן: וְאַחַר כָּךְ מֵבִיא חֶבֶל הַמִּצְרִי וְקוֹשְׁרוֹ לְמַעְלָה מִדַּדֶּיהָ. שֶׁל פִּשְׁתָּן לִמְדִידָה.

A de magag, para a pará (a novilha vermelha), como aprendemos na mishná: “Amarraram-na com a corda de magag e puseram-na sobre a sua pira”. A de netzarim, para a sotá (a mulher suspeita de adultério), como aprendemos: “E depois o sacerdote traz a corda mitzri (egípcia) e amarra-a acima dos seus seios”. A de linho, para medir o techum.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “netzarim”
נצרים - ערבה קלופה ל"א צורי דקל והוא סיב הך דרב יוסף פליג אדרב אסי:

“Netzarim” — salgueiro descascado. Outra versão: tzurei dekel (cordões de palmeira), e é fibra. Esta palavra de Rav Yossef discorda de Rabi Assi.

Nota

As citações são a Mishná Pará 3:9 (conferida), onde se lê “כְּפָתוּהָ בְחֶבֶל שֶׁל מֶגֶג וּנְתָנוּהָ עַל גַּב הַמַּעֲרָכָה”, “com uma corda de magag” e “sobre a pira”; e a Mishná Sotá 1:6 (conferida), onde se lê “חֶבֶל מִצְרִי”, sem artigo. A guemará liga a corda de netzarim à corda mitzri da sotá; o Rashi não explica essa ligação. Segundo o Rashi, netzarim é salgueiro descascado, ou, na outra versão, “צורי דקל”, que entendemos como cordões de fibra de palmeira; a leitura dessa expressão é incerta. O Rashi observa que Rav Yossef, que dá a corda de linho para medir, discorda de Rabi Assi, que exige a de afsakima (bloco 2045).

Volta à sua medida: o vale, o vale curvo e o muro · מַקְדִּיר וְעוֹלֶה

2050Volta à sua medida: vai a um lugar onde pode absorvê-lo
A guemará
הָיָה מוֹדֵד וְהִגִּיעַ. מִדְּתָנֵי: ״חוֹזֵר לְמִידָּתוֹ״, מִכְּלָל דְּאִם אֵינוֹ יָכוֹל לְהַבְלִיעוֹ — הוֹלֵךְ לְמָקוֹם שֶׁיָּכוֹל לְהַבְלִיעוֹ, וּמַבְלִיעוֹ, וְצוֹפֶה כְּנֶגֶד מִידָּתוֹ, וְחוֹזֵר.

“Se estava medindo e chegou.” Já que a mishná ensina “volta à sua medida”, por inferência se aprende que, se não pode absorvê-lo defronte da cidade, vai a um lugar onde pode absorvê-lo, e absorve-o, e olha defronte da sua medida, e volta a ela.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “holech lemakom”
הולך למקום כו' - כדפירשתי לעיל:

“Vai ao lugar” etc. — como expliquei acima, na mishná.

Nota

Segundo o Rashi, isto já foi explicado no seu comentário à mishná (Eruvin 57b, bloco 2038): se, defronte da cidade, o vale é largo demais para a corda, vai-se a uma extremidade onde é estreito, absorve-se ali, mede-se dali em diante, e volta-se à linha defronte da cidade. “Olha defronte da sua medida”: olha para achar o ponto que corresponde à linha da medição, como entende a tradução de referência.

2051A baraita do vale
A guemará
תְּנֵינָא לְהָא, דְּתָנוּ רַבָּנַן: הָיָה מוֹדֵד וְהִגִּיעַ הַמִּידָּה לְגַיְא, אִם יָכוֹל לְהַבְלִיעוֹ בְּחֶבֶל שֶׁל חֲמִשִּׁים אַמָּה — מַבְלִיעוֹ. וְאִם לָאו — הוֹלֵךְ לִמְקוֹם שֶׁיָּכוֹל לְהַבְלִיעוֹ, וּמַבְלִיעוֹ, וְצוֹפֶה וְחוֹזֵר לְמִידָּתוֹ.

Já aprendemos isto, como ensinaram os sábios numa baraita: Se estava medindo e a medida chegou a um vale: se pode absorvê-lo com uma corda de cinquenta amot, absorve-o; e, se não pode, vai a um lugar onde pode absorvê-lo, e absorve-o, e olha defronte da medida, e volta à sua medida.

Nota

A baraita está na Tosefta Eruvin 4:15 (Lieberman; conferido), com redação um pouco diferente: “אם יכול להבליעו בתוך חמשים אמה, מבליעו, ואם לאו, חוזר ומודד עד מקום שהוא יכול להבליעו”. Não há comentário do Rashi neste segmento no Sefaria.

2052O vale curvo: perfura e sobe; o muro: estima-o
A guemará
אִם הָיָה גֵּיא מְעוּקָּם — מַקְדִּיר וְעוֹלֶה, מַקְדִּיר וְיוֹרֵד. הִגִּיעַ לְכוֹתֶל — אֵין אוֹמְרִים יִקּוֹב הַכּוֹתֶל, אֶלָּא אוֹמְדוֹ וְהוֹלֵךְ לוֹ.

Se o vale era curvo, makdir (perfura) e sobe, perfura e desce. Se chegou a um muro, não se diz: Fure-se o muro; mas estima-o na sua largura e segue o seu caminho.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve’im haya gai me’ukam”
ואם היה גיא מעוקם - שהיה מדרונו משופע ונוח להילוך מקדר ועולה כדפירשתי תחתון כנגד לבו כו' כך שמעתי וקשה לי בה לקמן ובתוספתא [פ"ד] ה"ג ואם היה גיא מעוקם ואינו יכול להבליעו מקדר וכו' וה"ק אם היה גיא מתעקם והולך וסובב את העיר וכשהוא מודד תחום מערב אינו יכול להבליעו בחבל של נ' אמה ברוח מערבית עד שהוא מתעקם לצפון הוא מתחיל להשוות אותה הבלעה אינה מועלת למידת תחום מערב ומקדר ועולה:

“E se o vale era curvo” — que o seu declive era inclinado e cômodo para andar; nesse caso perfura e sobe, como expliquei: o de baixo põe a corda defronte do seu coração etc. Assim ouvi; mas me é difícil nisso, por causa do que se diz adiante. E na Tosefta assim lemos: “E se o vale era curvo e não pode absorvê-lo, perfura” etc.; e assim diz: se o vale ia se curvando e rodeava a cidade, e, quando mede o techum do oeste, não pode absorvê-lo com uma corda de cinquenta amot no lado ocidental até o lugar onde se curva para o norte, e ali começa a igualar-se, essa absorção não serve para a medida do techum do oeste, e por isso perfura e sobe.

Nota

Continuação da baraita. A Tosefta Eruvin 4:15–4:16 (Lieberman; conferido) lê “אם היה גיא מעוקם, ואין יכול להבליעו, מקדיר ועולה, מקדיר ויורד, וצופה כנגד מדתו ומודד” e, sobre o muro, “אלא אומד את הכותל, וצופה כנגד מדתו ומודד”. O Rashi dá duas explicações de “curvo”. Na primeira, que diz ter ouvido, o vale tem o declive inclinado e cômodo para andar, e perfura-se com a corda de quatro amot, o de baixo segurando-a defronte do coração, como ele explicou na mishná (bloco 2040); mas acha essa explicação difícil por causa do que se diz adiante. Na segunda, conforme a leitura da Tosefta, “e não pode absorvê-lo”, o vale vai se curvando em volta da cidade: quando se mede o techum do oeste, e o vale só se deixa absorver onde se curva para o norte, essa absorção não serve para o techum do oeste, e perfura-se. A tradução de referência segue a segunda explicação. Traduzimos “מְעוּקָּם” por “curvo”, que admite as duas. A remissão do Rashi “פ״ד”, capítulo 4 da Tosefta, vem entre colchetes no Sefaria e coincide com a Tosefta Eruvin 4:15 na edição Lieberman. A expressão “começa a igualar-se” é literal; entendemos que ali o vale se estreita o bastante para a corda.

2053Ali o uso é cômodo; aqui não
A guemará
וְהָא אֲנַן תְּנַן: מַבְלִיעוֹ וְחוֹזֵר לְמִידָּתוֹ? הָתָם, נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא. הָכָא, לָא נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא.

Mas não aprendemos nós na mishná: “Absorve-o e volta à sua medida”? Ali, o uso do lugar é cômodo; aqui, o uso não é cômodo, e basta estimar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “bedenicha tashmishtei”
בדניחא תשמישתיה - נוח להילוך קצת כגון מתלקט עשרה מתוך ארבעה התם קתני מבליעו אם יכול ואם לאו מקדר:

“Onde o seu uso é cômodo” — isto é, cômodo para andar um pouco, por exemplo, quando se eleva dez palmos dentro de quatro amot; ali a mishná ensina: absorve-o, se pode; e, se não, perfura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hacha”
הכא - בכותל זקוף יותר מדאי דכיון דלא חזו להילוך אין גובה שיפועו עולה למידת התחום:

“Aqui” — trata-se de um muro ereto demais; pois, já que não são aptos para andar, a altura do seu declive não sobe e conta na medida do techum.

Nota

A pergunta: na mishná (Eruvin 57b, bloco 2038), a cerca se absorve na corda e se volta à medida, isto é, mede-se de fato; por que, no muro da baraita, basta estimar? A resposta: ali o uso é cômodo, aqui não. Segundo o Rashi, a mishná trata de um lugar um pouco cômodo para andar, como o que se eleva dez palmos dentro de quatro amot; ali se absorve, se é possível, e, se não, perfura-se. Aqui trata-se de um muro ereto demais, que não serve para andar, e a altura do seu declive não conta na medida do techum. O lema do Rashi diz “בדניחא תשמישתיה” (“onde o seu uso é cômodo”), onde a guemará diz “נִיחָא תַּשְׁמִישְׁתָּא”.

2054Shmuel: onde o fio de prumo não desce defronte dele
A guemará
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא שֶׁאֵין חוּט הַמִּשְׁקוֹלֶת יוֹרֵד כְּנֶגְדּוֹ,

Disse Rav Yehuda, disse Shmuel: Não ensinaram que se perfura senão onde o fio de prumo não desce defronte dele,

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “lo shanu”
לא שנו - דמקדר אלא דניחא תשמישתיה שמעוקם כל כך שאין חוט המשקולת יורד כנגדו שכשמניח חוט משקולת הבנאים אצל שפתו והיא יורדת לעומקו מנקפת בשיפועו ומעכבת המדרון מלירד כנגדו אלא מרחיקו מלמטה. כנגדו משמע מכוון ולקמן [עירובין נח ע"ב] מפרש דעד ד' אמות קרי ליה יורד כנגדו שירחיק השיפוע את המשקולת לקרקעיתו ד"א מכנגד שפתו העליונה:

“Não ensinaram” — isto é, que perfura, senão onde o seu uso é cômodo, isto é, que é tão curvo que o fio de prumo não desce defronte dele: pois, quando se põe o fio de prumo dos construtores junto à sua borda, e ele desce à sua profundidade, bate no seu declive, e o declive o impede de descer defronte dele, mas o afasta da borda embaixo. “Defronte dele” significa alinhado; e adiante a guemará explica que até quatro amot se chama “desce defronte dele”, isto é, que o declive afaste o prumo, no seu fundo, quatro amot de defronte da sua borda superior.

Nota

Segundo o Rashi, a regra de que se perfura vale só onde o uso é cômodo, isto é, num declive tão inclinado que o fio de prumo, posto na borda de cima, não desce em linha reta até o fundo, mas bate no declive e é afastado dele; e a guemará explica adiante, em Eruvin 58b, que, enquanto o declive afasta o prumo até quatro amot da borda superior, ainda se diz que “desce defronte dele”. A remissão do Rashi a Eruvin 58b vem entre colchetes no Sefaria. A palavra de Shmuel continua em Eruvin 58b.

O daf termina aqui, no meio da palavra de Shmuel: depois do fim da mishná da corda de cinquenta amot (Mishná Eruvin 5:4), a guemará tirou a corda de cinquenta do versículo do pátio do Mishkan, discutiu de que material deve ser a corda e voltou ao vale, ao vale curvo e ao muro. A guemará prossegue em Eruvin 58b.