O sexto tratado de Seder Tehorot — os graus de validade das águas de imersão e as condições que as tornam aptas para a purificação
Massechet Mikvaot, o sexto tratado de Seder Tehorot, dedica-se inteiramente às leis do mikvê — o reservatório de água cuja imersão purifica pessoas e utensílios da impureza ritual. O tratado abre estabelecendo uma escala de seis graus de água de imersão, do menos ao mais válido, e percorre, ao longo de seus dez perakim, as medidas exatas, os tipos de reservatório, os modos de ajuntamento e de mistura das águas, e as condições precisas sob as quais cada grau serve para cada finalidade — da simples lavagem das mãos até a imersão de pessoas e utensílios, e os ritos mais exigentes de purificação do zav, do metzorá e da preparação das águas da chatat.
O Perek Alef, com suas oito mishnayot, está completo: percorre, do início ao fim, os seis graus anunciados na mishná de abertura — as águas de poça (mei guevaim), contaminadas por pessoa, por utensílio ou por líquido impuro (1:1–1:3); a regra de que a impureza destas águas depende de intenção, e sua presunção de pureza no tempo das chuvas (1:4); a disputa entre Bet Shamai, Bet Hilel e Rabi Shimon sobre quando estas águas se purificam pela chuva subsequente (1:5); o segundo grau, das águas de escorrimento ainda não cessadas, válidas até para a teruma (1:6); o terceiro grau, a mikvê de quarenta seá, e o quarto grau, a fonte de águas escassas aumentada por águas trazidas (1:7); e, por fim, o quinto e o sexto graus — as águas feridas e as águas vivas, estas últimas exigidas pela Torá para a imersão do zav, a aspersão do metzorá e a preparação das águas da chatat (1:8).
O Perek Bet, com suas dez mishnayot, também está completo: abre com as dúvidas empilhadas sobre a tevilá e sobre a medida do mikvê, e a distinção entre impureza grave e leve na invalidação retroativa de um mikvê deficiente (2:1–2:3); precisa a medida exata das águas trazidas que invalidam o mikvê e os modos técnicos pelos quais essa invalidação ocorre ou é evitada — o barro removido versus arrancado, os jarros deixados no telhado para secar, o vaso de cal esquecido na cisterna (2:4–2:9); e encerra com a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre a imersão num mikvê de água e barro misturados, e as várias medidas de consistência do barro (2:10).
O Perek Guimel, com suas quatro mishnayot, também está completo: distingue entre dois mikvês deficientes que se misturam sem nunca terem sido declarados inválidos e um único mikvê já formalmente invalidado e depois dividido (3:1); explica, no caso concreto da cova de água num pátio, como um mikvê inválido se purifica por meio de outro, ligado a ele (3:2); trata da cova atravessada por um canal contínuo, e da disputa entre Rabi Akiva e os sábios sobre a soma de águas trazidas de vários lugares (3:3); e encerra com a regra geral de quantos vasos se combinam para invalidar o mikvê, aplicada também à purificação do baal keri e à invalidação da teruma, e com a condição da intenção de aumentar as águas (3:4).
O Perek Dálet, com suas cinco mishnayot, também está completo: trata dos modos técnicos precisos pelos quais as águas se tornam “trazidas” e assim capazes de invalidar um mikvê — os vasos deixados ou esquecidos sob o cano de escoamento, ainda que de materiais que não recebem impureza, e a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre o esquecido (4:1); a tábua com ou sem borda, e a distinção entre recolher água e apenas escorrê-la (4:2); a cavidade escavada no próprio cano para reter pedrinhas, com suas medidas conforme o material, e o cano largo apenas no meio, que não foi feito para receber (4:3); a regra da maioria na mistura de águas trazidas e águas de chuva antes de chegarem ao mikvê, e o critério cronológico de quarenta seá já presentes antes dos três log trazidos (4:4); e encerra com a cocheira escavada na rocha, que só se torna vaso capaz de invalidar quando fabricada como tal, e cujo buraco do tamanho do bocal do odre a devolve à condição de mera rocha, ilustrado pelo relato histórico da cocheira de Yehu em Jerusalém (4:5).
O Perek Hei, com suas seis mishnayot, também está completo: trata das águas de fonte e de suas propriedades particulares de purificação — a fonte desviada sobre um vaso genuíno, que se torna inválida, e sobre um tanque, que se torna mikvê ou volta a ser fonte conforme seja interrompida ou reconectada (5:1); a fonte desviada apenas sobre a superfície externa de vasos ou sobre um banco, com a disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Yosei sobre seu estatuto, decidida como Rabi Yosei (5:2); a fonte de múltiplos riachos (o nadal) reforçada com água trazida, e a distinção entre a fonte que já fluía e a que estava parada antes desse reforço (5:3); a disputa de três vozes sobre o estatuto dos mares — Rabi Meir, Rabi Yehuda e Rabi Yosei — a partir do versículo de Beréshit sobre o ajuntamento das águas, decidida como Rabi Yosei (5:4); o princípio geral que distingue águas fluentes de águas gotejantes, o testemunho de Rabi Tzadok, e a disputa sobre como tornar gotejantes em fluentes para permitir a imersão, decidida como Rabi Yosei (5:5); e, por fim, a série de lugares que purificam com quarenta seá independentemente de sua forma — a onda destacada, as valas, os buracos, a pegada do animal e a torrente de chuva (chardalit), com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre esta última (5:6).
O Perek Vav, com suas onze mishnayot, também está completo: dedica-se às formas pelas quais dois corpos de água se consideram ligados como um só mikvê — os buracos e a cova da caverna, com a exigência do bocal do odre esclarecida por Rabi Yehuda (6:1); o balde cheio de vasos, cuja água só se considera misturada com essa mesma medida (6:2); três mikvês de vinte seá cada, um deles de água tirada, cuja posição lateral ou central decide se a mistura purifica ou não (6:3); a esponja e o balde, cuja água absorvida não invalida o mikvê ao cair (6:4); a arca, a caixa, o saco e o cesto no mar, com suas diferentes exigências de perfuração (6:5); o caco de barro no mikvê e a fonte que sai do forno, com suas sutilezas sobre impureza de vasos e de mãos (6:6); a definição exata do bocal do odre e sua aplicação às medidas bíblicas de impureza (6:7); os métodos de purificar um mikvê ligando-o a outro, por calha ou por transporte de água (6:8); a parede rachada entre dois mikvês, com a inversão de Rabi Yehuda entre urdume e trama (6:9); o escoadouro da banheira do banheiro, cuja posição central ou lateral decide sua invalidação (6:10); e, por fim, a canaleta purificadora do banheiro, com a disputa entre Rabi Yosei e Rabi Elazar sobre a medida exata do buraco que invalida (6:11).
O Perek Zayin, com suas sete mishnayot, também está completo: dedica-se a um novo bloco de temas — a classificação tripla das substâncias que elevam, invalidam, ou nem elevam nem invalidam o mikvê, com a neve, o granizo, a geada, o gelo, o sal e o lodo fino que elevam sem invalidar, a disputa sobre a neve entre Rabi Akiva e Rabi Yishmael e a maior severidade de Rabi Yochanan ben Nuri quanto à pedra de granizo (7:1); a água tirada, a água de conservas, a água de cozimento e o tamad ainda não azedado, que invalidam sem nunca elevar, e os demais líquidos, que ora elevam ora não (7:2); a mudança de aparência da água do mikvê pelo enxágue de cestos, pela água de tinta segundo Rabi Yosei, e pela queda de vinho ou mochal, com os remédios possíveis (7:3); a exigência de que a porção do mikvê com aparência de água, mesmo após mudança parcial de cor, tenha sozinha quarenta se'á (7:4); o papel decisivo da aparência na identificação dos três login de água que invalidam, com a disputa de Rabi Yochanan ben Nuri (7:5); a imersão sucessiva de duas pessoas num mikvê de medida exata, a leniência de Rabi Yehudá, e o cuidado necessário ao erguer travesseiros e almofadas de couro (7:6); e, por fim, os métodos de garantir uma imersão válida apesar de obstáculos físicos — a cama sobre o lodo espesso, o mikvê raso elevado com feixes de lenha e canas, e a pequena agulha purificada pela passagem de uma onda (7:7).
O Perek Chet, com suas cinco mishnayot, também está completo: tratou da presunção de validade dos mikvaot conforme a localização — a Terra de Israel e seus mikvaot em presunção de pureza, os mikvaot dos povos fora da terra válidos apenas para quem teve emissão seminal, e a distinção entre os que estão dentro e fora da entrada da cidade, com a maior severidade de Rabi Eliezer quanto à proximidade da cidade e do caminho (8:1); o diagnóstico da emissão seminal pelo padrão da urina — gotas separadas ou turvas no início, no meio ou no fim —, e a disputa de Rabi Yosei sobre a urina branca (8:2); as gotas espessas segundo Rabi Elazar Chisma, o sonho noturno com o corpo quente, e os prazos de pureza da mulher que expele sêmen, com a disputa entre Rabi Elazar ben Azaryá, Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre a contagem dos onot (8:3); a distinção entre o sêmen de origem israelita e não-israelita, a mulher que não varreu a casa, o homem que não urinou antes de imergir, e a disputa de Rabi Yosei sobre doente, idoso, criança e saudável (8:4); e, por fim, a menstruada que colocou moedas na boca, os obstáculos que invalidam a imersão, o cuidado ao imergir outra pessoa ou utensílios segurando-os, a disputa de Rabi Shimon, e os lugares ocultos e as dobras do corpo que não exigem contato direto da água (8:5).
O Perek Tet, com suas sete mishnayot, também está completo: dedica-se a um novo bloco extenso sobre a chatzitzá — tudo aquilo que se interpõe entre o corpo, os utensílios ou as roupas e a água do mikvê — abrindo com os fios de lã, de linho e as fitas nas cabeças das meninas, com a disputa de Rabi Yehudá sobre os fios de lã e de cabelo (9:1); a extensa lista de coisas que interpõem no corpo — os cabelos emaranhados do peito e da barba, os lugares ocultos na mulher casada, a remela, as crostas, o emplasto, a seiva seca, o barro do poço citado em Tehilim, o barro dos oleiros com a disputa de Rabi Yosei, e as estacas dos caminhos, com os cuidados ao imergir com poeira nos pés ou fuligem na chaleira (9:2); o contraste das coisas que não interpõem — os cabelos emaranhados da cabeça, a axila e os lugares ocultos no homem —, com a disputa de Rabi Eliezer e o princípio geral de quem se importa em remover a sujeira (9:3); a distinção entre úmido e seco na remela, na crosta, na seiva e nas sujeiras de excremento, que não recebem nem transmitem impureza quando ligadas ao corpo, ao contrário da membrana sobre a ferida (9:4); a chatzitzá nos utensílios — o pez e a mirra no vidro, a distinção entre superfícies limpas e sujas, entre leitos e selas de ricos e pobres, e a medida do issar itálico segundo Rabban Shimon ben Gamliel (9:5); a sujeira nas roupas, de um lado ou dos dois, com as posições de Rabi Yehudá em nome de Rabi Yishmael e de Rabi Yosei sobre os talmidei chachamim e o ignorante (9:6); e, por fim, os aventais dos trabalhadores de pez, dos oleiros e dos podadores de árvores, que não interpõem, com a extensão de Rabi Yehudá aos secadores de frutas de verão, e a regra geral que encerra o perek (9:7).
O Perek Yud, com suas oito mishnayot, encerra o tratado: volta o tema da chatzitzá para os próprios utensílios e suas alças — as alças mal fixadas, o utensílio imergido de boca para baixo, a zivorit, o utensílio estreito nas pontas, e o frasco e o tinteiro de boca encurvada, com a exceção histórica do tinteiro do sacerdote Yossef (10:1); a almofada e o travesseiro de couro, que precisam que a água entre neles, contra o travesseiro redondo, a bola, a forma de sapateiro, o amuleto e a filactéria, que imergem fechados (10:2); os nós que não precisam que a água entre — do pobre, das franjas, da sandália, das filactérias bem apertadas, do odre e da bolsa — e os que precisam, como o nó do ombro, a borda do lençol, as filactérias ainda soltas, e as roupas lavadas ou secas que borbulham na água (10:3–10:4); as alças e correntes compridas destinadas a corte, imersas apenas até a medida, e a corda do cesto que só é ligação se costurada (10:5); a disputa de Bet Shamai e Bet Hilel sobre imergir água quente em fria, o utensílio cheio de líquidos, a urina e as águas da chatat, com a maior severidade de Rabi Yosei (10:6); os alimentos e os líquidos que se combinam para desqualificar o corpo de comer teruma (10:7); e, por fim, o anel puro ou impuro engolido, e a flecha cravada no corpo, visível ou não, encerrando o tratado com o princípio de que a água — ao contrário dos demais líquidos e alimentos — se purifica mesmo dentro do corpo (10:8).